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entendido como o “conjunto de regras de procedi-
mentos para a formação de decisões coletivas, em que está prevista e facilitada a participação 
mais ampla possível dos interessados” (BOBBIO, 1997, p. 12). Para Dahl (2001), é o conjunto de 
regras constitucionais que estabelecem como uma sociedade tomará decisões. 
Duas principais classificações da democracia são a participativa e a representativa, sendo 
esta última o modelo adotado no Brasil.
 
Figura 2 – Democracia autônoma e participativa com maturidade política.
Fonte: Seita/Shutterstock.com
SAIBA MAIS!
Jacobi (1999) já visualizava as consequências das transformações globais para o 
planeta, com destaque para a degradação ambiental e a crescente desigualdade 
entre regiões. Sintomas de uma crise que agrava os problemas sociais e aprofunda 
a distância entre os países em desenvolvimento e os industrializados: <http://www.
scielo.br/pdf/sausoc/v8n1/04>.
Na democracia representativa, a população escolhe seus representantes pelo voto e eles 
tomam as decisões, elaboram as leis (vereadores, deputados e senadores) e governam (prefeitos, 
governadores e presidente da república). Trata-se de participação política limitada, pois normal-
mente existe grande distância entre os cidadãos e seus representantes (ANDRADE et al, 2012).
Por outro lado, a democracia participativa permite maior proximidade do poder público com a 
sociedade, que tem oportunidade de participar ativamente da dinâmica de elaboração das políticas 
públicas por meio de assembleias nas quais, em tese, todos têm direito a se expressar. Indepen-
dente dos aspectos que a caracterizam, a democracia é essencial para que uma sociedade alcance 
direitos e satisfaça necessidades individuais e coletivas, promovendo a cidadania. 
Segundo Carvalho (2007), cidadania é o processo de integração das pessoas ao governo por 
meio da participação política, da garantia de direitos e da justiça social. A cidadania é indispensá-
vel à existência da democracia, pois é o cidadão que tende a buscar a garantia de seus direitos, a 
liberdade, o desenvolvimento humano e a igualdade política.
FIQUE ATENTO!
Entende-se que a democracia representativa compromete a qualidade da própria 
democracia, especialmente quando se combina, de forma pouco ética, ao capita-
lismo e à globalização, acentuando desigualdades, crise fiscal, perdas culturais e 
recessão econômica (NOGUEIRA, 2003).
Entenda que a cidadania é habitualmente desdobrada em direitos civis, políticos e sociais, 
sendo considerado cidadão pleno quem alcança a titularidade dos três direitos, incompleto aquele 
que possui apenas alguns direitos e não-cidadão aquele que não possui direitos (CARVALHO, 2007).
Ainda segundo Carvalho (2007), direitos civis são os fundamentais à vida, à liberdade, à pro-
priedade, à igualdade perante a lei. Direitos políticos dizem respeito à participação do cidadão no 
governo: direito a manifestações, reuniões e organizações políticas; a organizar partidos; a votar e 
ser votado. Já os direitos sociais são os que garantem a participação na riqueza coletiva da socie-
dade: acesso à educação; trabalho; salário justo; saúde; aposentadoria etc. 
Figura 3 – Direitos políticos de mobilização e de manifestação.
Fonte: Arthimedes/Shutterstock.com 
SAIBA MAIS!
Na Constituição Federal brasileira de 1988, os direitos civis estão no Capítulo I, que 
trata dos direitos e deveres individuais e coletivos. O destaque fica por conta do art. 5o, 
que garante que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, 
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade 
do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”. Disponível 
em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm>.
Tratamos, assim, de alguns dos principais aspectos relativos aos conceitos de globalização, 
democracia e cidadania.
2 Impactos da globalização sobre 
a sociedade democrática 
A globalização impacta as conexões mundiais e gera múltiplos fenômenos sociais. Ela favo-
rece o comércio e o fluxo de capital, facilitando articulações e pressões das grandes corporações 
multi e transnacionais. As consequências são fortemente materiais e as causas dão margem a 
inúmeros questionamentos de ordem ética. 
Corporações costumam utilizar seu poder de pressão sobre o mercado de trabalho 
(remunerando precariamente, discriminando e burlando direitos trabalhistas), sobre empresas 
(boicotando fornecedores e clientes) e até mesmo sobre os governos. A concentração global 
acentua desigualdades sociais, pois se apoia na exploração, na segmentação e na exclusão 
(BERLINGUER, 1999).
Figura 4 – O poder do dinheiro das corporações globais. 
Fonte: hanss/Shutterstock.com
EXEMPLO
No mundo capitalista, são frequentes os escândalos em que se levantam suspeitas 
sobre contratos milionários e leis aparentemente feitas para favorecer corporações. 
Empresas de telecomunicações, planos de saúde, indústria armamentista e mon-
tadora de automóveis são exemplos de organizações que investem no apoio de 
legisladores e de agentes públicos em favor de seus interesses.
Podemos concluir, portanto, que são evidentes os impactos da globalização sobre as socie-
dades democráticas.
3 Cidadania participativa e agentes 
transformadores da sociedade
Vimos que a democracia representativa pode ser prejudicial para uma sociedade quando 
os representantes políticos são cooptados pelo capital globalizado e passam a agir contra 
o bem comum e em favor das corporações. Neste cenário, uma possível alternativa seria o 
modelo de democracia participativa, no qual as decisões podem ser tomadas mais diretamente 
pela sociedade. 
FIQUE ATENTO!
O exercício da democracia é, muitas vezes, uma tarefa árdua, cansativa e desgas-
tante. Entretanto, para uma nação evoluir na defesa efetiva dos cidadãos, eles pre-
cisam participar das ações democráticos que definem o presente e o futuro do país.
Com o exercício da cidadania autônoma e participativa, a sociedade pode se organizar livre-
mente em busca de direitos, na tentativa de conter o avanço dos interesses das grandes corpora-
ções globais. Abre-se, assim, o caminho à formação de agentes transformadores da sociedade.
Fechamento 
Chegamos ao final desta aula. Aqui, você teve a oportunidade de: 
 • conhecer e discutir os conceitos de globalização, democracia e cidadania; 
 • reconhecer as vertentes representativa e participativa da cidadania;
 • entender os impactos causados pela globalização na sociedade.
Referências
ANDRADE, Daniela Meirelles; CASTRO, Carolina Lescura de Carvalho; PEREIRA, José Roberto. 
Cidadania ou “estadania” na gestão pública brasileira?. Rev. Adm. Pública, Rio de Janeiro, v. 46, 
n. 1, p. 177-190, fev. 2012. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-
d=S0034-76122012000100009&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 26 jul. 2016. 
BERLINGUER, Giovanni. Globalização e saúde global. Estud. av., São Paulo , v. 13, n. 35, p. 
21-38, abril. 1999. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-
d=S0103-40141999000100003&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 27 jul. 2016. 
BOBBIO, Norberto. O futuro da democracia: uma defesa das regras do jogo. 6. ed. Rio de Janeiro: 
Paz e Terra, 1997. 
CARVALHO, J.M. Cidadania no Brasil: o longo caminho. 9. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007. 
DAHL, R. Sobre a democracia. Brasília: UnB, 2001.
JACOBI, Pedro. Poder local, políticas sociais e sustentabilidade. Saúde e Sociedade, v. 8, n. 1, p. 
31-48, 1999. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/sausoc/v8n1/04>. Acesso em: 26 jul. 2016. 
NOGUEIRA, Marco Aurélio. Sociedade civil, entre o político-estatal e o universo gerencial. Rev. bras. Ci. 
Soc., São Paulo, v. 18, n. 52, p. 185-202, jun. 2003. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?s-

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