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Câncer de Próstata

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Câncer de Próstata
ANATOMIA DA PRÓSTATA
Basicamente, a próstata pode ser dividida em três regiões anatômicas: zona central, zona de transição e zona periférica. De forma que, as zonas de transição e periféricas, são as mais importantes, uma vez que as alterações proliferativas, são diferentes em cada uma dessas regiões. Assim, alterações proliferativas presentes na região interna da zona de transição, são normalmente, lesões hiperplásicas. Já na zona periférica, é onde surgem a maioria dos carcinomas da próstata, cerca de 70 a 80%. 
Assim, os carcinomas, que estão na região periférica, facilmente são detectados pelo exame de toque retal; enquanto as hiperplasias são mais propensas a causar obstrução urinária. 
A próstata é um conjunto de 30 a 50 glândulas tubualveolares ramificadas, que envolvem uma porção da uretra, chamada de uretra prostática. 
HISTOLOGIA
As glândulas tuboalveolares da próstata, são formadas por um epitélio cuboide alto ou pseudoestratificado colunar. E ainda, existe um estroma fibromuscular (mistura de músculo liso e tecido fibroso) que cerca essas glândulas; a próstata de uma forma geral, é envolvida por uma cápsula fibroelástica rica em músculo liso. Dessa cápsula fibrosa, se projetam septos para o interior da próstata, dividindo-a em lóbulos. 
- Próstata em condições normais: apresenta duas camadas celulares em suas glândulas, uma camada de célula basal plana, e uma camada sobrejacente composta por células secretoras colunares. 
Histologicamente, a próstata é composta por glândulas que são revestidas por duas camadas de células: camada basal (epitélio cuboide baixo) que é coberta por uma camada de células secretoras colunares. Essas glândulas são separadas por um estroma fibromuscular abundante; androgênios controlam o crescimento e a sobrevida dessas células prostáticas. 
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HIPERPLASIA PROSTÁTICA BENIGNA
A Hiperplasia Prostática Benigna (HPB) é uma situação clínica bastante comum, ocorrendo um aumento da próstata, por conta da alta proliferação dos elementos do estroma e glandulares. 
Epidemiologia: acomete um número significativo de homens acima dos 40 anos de idade, e tende aumentar a frequência com o avanço da idade. Sabe-se ainda, que na 8ª década de vida, essa frequência atinge cerca de 90% dos homens. 
Causas: ainda não é um processo bem compreendido, porém, sabe-se que ocorre um crescimento excessivo (dependente de androgênio), principalmente, dos elementos glandular e estromal.
O DHT (di-hidrotestosterona), que é mediador do crescimento prostático, é sintetizado pela próstata a partir da testosterona circulante, e essa síntese ocorre por meio da ação enzimática da 5 alfa-redutase, tipo 2. Assim, a DTH se liga aos receptores nucleares do androgênio, sendo responsáveis por regular a expressão de genes que sustentam o crescimento e a sobrevivência do epitélio prostático e das células estromais. Embora o testosterona “comum”, também possa se ligar a esses receptores de androgênio, e estimular o crescimento, a DHT consegue ser 10 vezes mais potente. 
Próstata aumentada, com presença de nódulos bem definidos, de forma que deixam a uretra, apenas em formato de fenda. Possível ainda, visualização de nódulos com espaços císticos, correspondendo aos elementos glandulares dilatados. Mas ainda, alguns nódulos são bem sólidos, e por serem bem definidos, causam protrusão na superfície (dando um aspecto nodular para o órgão). 
Normalmente, a HPB ocorre na zona transicional interna da próstata. Uma próstata aumentada, pode ter seu peso entre 60g e 100g (onde normalmente, ela apresenta cerca de 30g).
A formação desses nódulos hiperplásicos ocorre por meio de proporções variáveis de elementos glandulares proliferativos e de estroma fibromuscular. 
As glândulas hiperplásicas são revestidas por células epiteliais colunares altar, e uma camada periférica de células basais planas. O lúmen glandular pode conter material secretado, denso proteináceo = corpos amiláceos.
ETIOLOGIA E PATOGENIA
A principal hipótese para a HPB acredita-se que é resultado da redução da morte celular, o que resulta em um acúmulo de células senescentes na próstata. Assim, os andrógenos são importantes tanta para estimularem a proliferação celular, quanto para inibir a morte celular. 
O principal andrógeno na próstata, é a DHT (di-hidrotestosterona), que é formada a partir da testosterona, através de uma enzima (5α-redutase tipo 2); a localização dessa enzima é praticamente inteira nas células do estroma. Assim, essas células estromais são responsáveis pelo crescimento prostático dependentes de andrógenos. Essa enzima, ela é encontrada apenas na próstata, a do tipo 1, é encontrada no fígado e na pele, podendo realizar a transformação também, da testosterona em DHT e ela se tornar circulante, podendo agir também na próstata, por um mecanismo endócrino. 
A DHT irá se ligar ao receptor de andrógeno (RA) nuclear, presente nas células estromais e nas epiteliais; e a DHT acaba se tornando mais potente que a testosterona, por conta de sua ligação com o RA pois possui maior afinidade e torna-se um receptor mais estável. 
Essa ligação de DHT com RA, estimula a transcrição de genes dependentes de andrógenos, que inclui vários fatores de crescimento. Esses fatores de crescimento, os mais importantes, são os membros da família de fibroblastos – FGF e TGF-β. 
Esses FGFs são produzidos por células estromais, sendo reguladores parácrinos de crescimento epitelial estimulados por andrógenos, durante o período embrionário, e essas vias podem ser “redespertadas” quando mais velho, promovendo a HP. 
Já os TGF-β atuam como agentes mitogênicos para fibroblastos e inibem a proliferação epitelial. Embora a causa final da HPB seja desconhecida, acredita-se que os fatores de crescimento induzidos por DHT atuem aumentando a proliferação das células estromais e diminuam a morte das células epiteliais.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS
A HPB acomete, normalmente, as porções internas da próstata, de forma que as manifestações mais comuns estão relacionadas com a obstrução do trato urinário inferior. Frequentemente, na forma de dificuldade para iniciar o fluxo de urina (hesitação inicial) e interrupções intermitentes do fluxo urinário, durante o processo de micção. 
Esses sintomas podem estar associados com urgência e frequência urinárias, noctúria, indicadores de irritação da bexiga. E ainda, esses sintomas relacionados com a HPB, ocorrem em apenas 10% dos homens, com alguma evidência patológica da HPB. E a obstrução crônica, predispõe a infecções recorrentes do trato urinário (pode ocorrer por conta de resíduo de urina na bexiga, por conta da dificuldade para urinar). 
CARCINOMA DE PRÓSTATA 
O adenocarcinoma é a forma mais comum de câncer em homens; sendo bastante incomum a ocorrência antes dos 50 anos de idade. 
EPIDEMIOLOGIA
Estima-se que cerca de 10% dos casos de câncer de próstata, seja de caráter hereditário. Ainda, existe uma relação direta com os grupos étnicos, assim, homens afro-americanos, em comparação com os brancos, tem maios número de lesões neoplásicas intraepitelial prostática (NIP), isso se deve, possivelmente, aos níveis mais elevados de testosterona nesses homens. 
Acredita-se que os fatores de risco, podem estar relacionados com o consumo elevado de carnes vermelhas a partir do cozimento, promove o consumo de ácido alfa-linoleico e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos. 
Já os fatores protetores incluem uma ingestão de isoflavonoide genisteína (inibe a 5alfa-redutase), que é encontrado em muitos legumes, vegetais crucíferos (que contém, isotiocianato sulforafano, retinoides, como o licopeno que é encontrado nos tomates, e são inibidores da biossíntese de colesterol). 
PATOGENIA
Os fatores considerados com papeis importantes da patogenia do câncer de próstata, são: androgênios, hereditariedade, fatores ambientais e mutações somáticas adquiridas. 
Androgênios são considerados de grande importância para o desenvolvimento de CP, pois sabe-se que homens castrados antes da puberdade, não desenvolvem câncer