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1 
Ane Caroline Tedeschi Gonçalves 
ELETROCARDIOGRAMA (anotações) 
-Fisiologia do músculo cardíaco 
É um musculo estriado, contêm filamentos de actina e miosina, os quais se dispõem 
lado a lado e deslizam juntos durante as contrações. Suas fibras são cruzadas por 
discos intercalares que separam as células umas das outras. Em cada disco 
intercalado, as membranas celulares se fundem entre si, formando as gap junctions 
que permitem a difusão do estímulo. 
-Potenciais de ação no músculo cardíaco 
Potencial de ação é gerado pela abertura de dois tipos de canais: os canais rápidos 
de sódio e os canais lentos de cálcio/ canais de cálcio-sódio. O segundo tipo de canal 
é mais lento para se abrir e continua aberto por mais tempo, então grande quantidade 
de íons cálcio e sódio penetra nas fibras cardíacas mantendo um período prolongado 
de despolarização, causando o platô. 
-Velocidade da condução do sinal no miocárdio 
Fibras musculares é de 0,3 a 0,5 m/s 
Fibras de Purkinje chega a 4m/s 
-Correntes elétricas 
O eletrodo mais próximo da base fica negativo e mais próximo do ápice fica positivo. 
Quando a onda corre do eletrodo – pro + a onda fica positiva 
-Derivações eletrocardiográficas: 
Bipolares: são as registradas por 2 eletrodos 
Derivações unipolares: 2 membros são conectados no negativo e o terceiro membro 
no positivo 
Derivações precordiais: 
Vermelho no braço direito 
Amarelo no braço esquerdo 
Verde na perna esquerda 
Preto na perna direita 
 
 
 
2 
Ane Caroline Tedeschi Gonçalves 
ELETROCARDIOGRAMA NORMAL 
RESUMO 
O ECG registra a corrente elétrica que se propaga do coração para os tecidos 
adjacentes e para a superfície do corpo. Para isso, coloca-se eletrodos na pele em 
lados opostos do coração e assim é possível registrar os potenciais elétricos gerados 
pela corrente. 
O ECG normal é composto por: 
-Onda P: produzida pela despolarização atrial, antes da contração atrial começar. 
Positiva da D1, D2 e aVF. Se preceder todo QRS, o ritmo é sinusal. Amplitude normal 
de 0,25 mV. Eixo normal: -30º e +90º. Duração <110 ms. 
Duração da P: é geralmente obtida em DII e tende a ser maior conforme a idade do 
indivíduo: 
0,06 – 0,09s em crianças 
0,08 – 0,11s em adultos 
É considerada patológica quando > 0,09s (para <10 anos), >0,10 s (entre 10 e 15 
anos) e > 0,11 s (em adultos) 
Morfologia da P: arredondada, monofásica, pode apresentar ocasionalmente 
pequenos entalhes, sem que a distância entre esses entalhes exceda 0,03s. 
Amplitude: a voltagem normal da onda P varia entre 0,25 mV e 0,30 mV (avaliada em 
DII). 
Polaridade: as ondas P na superfície corporal podem ter registro positivo ou negativo, 
dependendo da orientação do eletrodo explorados, normalmente positiva nas 
derivações D1, D2, D3, sempre negativa em aVR, as demais derivações variam de 
indivíduo para indivíduo. 
-Complexo QRS: produzido pela despolarização ventricular antes da sua contração. 
Primeira deflexão é negativa (despolarização do septo), segunda deflexão positiva 
(ventrículo E) e deflexão negativa (despolarização da parede lateral alta). Duração < 
120 ms. Amplitude entre 5 e 20 mm no plano frontal (derivações bi e unipolares) e 10 
a 30 nas precordiais. Eixo entre -30 e +90 
-Onda T: repolarização ventricular. Normalmente é assimétrica (inicia lenta e termina 
rápida), geralmente positiva e segue orientação do QRS. Amplitude é de 10 a 30% da 
amplitude do QRS. 
-Onda U: é pequena e arredondada. Geralmente de baixa frequencia, é positiva nas 
derivações inferiores e precordiais, e negativa em aVR. Ela é inversamente 
proporcional a FC, assim é comum encontra-la maior em atletas e bradicardíacos, e 
menor em crianças. 
3 
Ane Caroline Tedeschi Gonçalves 
-Intervalo P-R: início de P até início de QRS. Tempo normal de 120 a 200 ms. Significa 
o tempo de condução através do nó AV. 
-Intervalo P-P: frequência de despolarização atrial 
-Intervalo Q-T: vai do início do QRS ao término da onda T. Representa a duração total 
da atividade elétrica ventricular. Precisa ser corrigido pela FC. Se for a geral < ou = 
0,45 s para homens; 0,47 para mulheres e 0,46 para crianças. 
-Segmento S-T: é observado no final do complexo QRS e início da onda T, geralmente 
ele adota um caráter isoelétrico, tolerando um desnivelamento máximos de 1mm. 
 
 Átrios Ventrículos 
 
Ativação e despolarização atrial: estímulo no nó sinoatrial (frequência normal de 50 a 
100 bpm). A partir da propagação do estímulo para os feixes internodais o AD é 
ativado, seguido pelo septo interatrial e pelo AE. 
Ativação e despolarização ventricular: após a ativação atrial, a onde de 
despolarização chega ao nó AV, onde sofrerá um retardo fisiológico de 
aproximadamente 20-40 ms. A despolarização ventricular é registrada no ECG por 
deflexões rápidas para cima e para baixo da linha de base, o complexo QRS, sendo 
resultado de infinitos vetores de ativação que podem ser sintetizados em três 
principais (vetores QRS). 
Vetor 1: este vetor, que se manifesta nos primeiros 20 ms é decorrente da ativação 
septal. 
Vetor 2: a resultante da ativação dos ventrículos direito e esquerdo é responsável pelo 
vetor 2, que ocorre após os primeiros 20 ms da ativação ventricular. Devido a massa 
do VE, orienta-se para trás, para a esquerda e para baixo. 
Vetor 3: este vetor projeta-se entre 60 e 80 ms após o início da ativação ventricular e 
é decorrente da ativação das porções basais dos ventrículos, que são as últimas a 
serem ativadas por serem mais grossas e menos ricas em fibras de Purkinje. 
 
 
 
 
4 
Ane Caroline Tedeschi Gonçalves 
ONDAS DE DESPOLARIZAÇÃO X ONDAS DE REPOLARIZAÇÃO: 
 
 
 
 
A cor vermelha indica despolarização, na qual o potencial negativo normal no interior 
da fibra muscular do coração se inverte, ficando positivo no interior e negativo no 
exterior. 
Na figura A, a despolarização está se deslocando para direita. A primeira metade da 
fibra já se despolarizou, enquanto a outra metade ainda está despolarizada. 
Entretanto, os eletrodos estão situados no exterior da fibra, então, o eletrodo esquerdo 
está em área negativa e o eletrodo direito está em área positiva, isso faz com que o 
aparelho registre o valor positivo. 
Na figura B, a despolarização já se estendeu por toda a fibra muscular, então o 
aparelho registra na base zero, porque ambos os eletrodos estão em áreas igualmente 
negativas. 
Na figura C, metade da fibra já está repolarizada e a positividade está retornando para 
o lado externo. Então, o eletrodo esquerdo está do lado positivo e o direito, em lado 
negativo, registrando um valor negativo. 
Na figura D, a fibra se repolarizou por completo e ambos eletrodos estão em áreas 
positivas, não existindo diferença de potencial para ser registrada. 
RELAÇÃO ENTRE A CONTRAÇÃO ATRIAL E A VENTRICULAR E AS ONDAS DO 
ECG 
É necessário que a despolarização se propague pelo músculo para que a contração 
muscular ocorra. A onda P ocorre no início da contração dos átrios, e o complexo 
QRS, no início da contração dos ventrículos. Os ventrículos permanecem contraídos 
até que a repolarização tenha ocorrido, que ocorre no final da onda T. Os átrios se 
repolarizam quase no mesmo instante em que o complexo QRS é registrado no ECG, 
por isso a onda de repolarização atrial é recoberta pelo complexo QRS que é muito 
maior. A repolarização ventricular começa antes em algumas fibras e depois em 
outras, por isso a onda T é de longa duração. 
5 
Ane Caroline Tedeschi Gonçalves 
Cada 10 linhas de calibração horizontais do ECG padrão 
corresponde a 1 mV. 
Já as linhas verticais são linhas de calibração do tempo. Um ECG tem 
velocidade de impressão de 25 mm/s. Assim, a cada 25 mm na direção 
horizontal correspondem a 1 segundo, e cada segmento de 5mm (que 
são separados pelas linhas grossas e mais escuras) representam 0,20 
segundos. Esses intervalos de 0,20 segundo são, ainda, divididos em 
intervalos menores por linhas finas que correspondem a 0,04 segundo.INTERVALO P-Q ou P-R: tempo entre o inicio da onda P e o início do 
complexo QRS, ou seja, entre o começo da estimulação elétrica dos átrios e o começo 
da estimulação dos ventrículos. 
INTERVALO Q-T: representa a contração do ventrículo, que ocorre do inicio da onda 
Q até o fim da onda T. 
CÁLCULO DA FREQUÊNCIA CARDÍACA 
Ritmo regular: contar quantos quadradinhos tem de R-R e dividir 1500 por esse 
número de quadradinhos. 
Ritmo irregular: analisar quantos QRS tem em 10s e multiplicar essa quantidade de 
QRS por 6. 
Pra analisar frequência atrial fazer o mesmo procedimento, mas analisando P-P. 
FLUXO DAS CORRENTES ELÉTRICAS NO TÓRAX AO 
REDOR DO CORAÇÃO 
Quando parte dos ventrículos se despolariza, essa parte fica 
negativa em relação ao restante, então a corrente elétrica flui 
da área despolarizada para a área polarizada por meio de 
grandes curvas. A corrente flui principalmente da base do 
coração para o ápice. Assim, o eletrodo mais próximo da 
base ficará negativo e o que estiver mais perto do ápice 
ficará positivo, fazendo um registro positivo no ECG. 
 
 
DERIVAÇÕES ELETROCARDIOGRÁFICAS 
-Derivações bipolares dos membros 
Bipolar porque o ECG é registrado por dois eletrodos posicionados em lados 
diferentes do coração, nesse caso, nos membros. 
6 
Ane Caroline Tedeschi Gonçalves 
Então, derivação é a combinação de dois fios e seus 
eletrodos para formar um circuito completo entre o corpo e o 
eletrocardiógrafo. 
Derivação I: o terminal negativo é conectado no braço direito 
e o terminal positivo, no braço esquerdo. Então, por exemplo, 
quando a área pelo qual o braço direito se une ao tórax está 
negativa em relação a área que o braço esquerdo se une ao 
tórax, o eletrocardiógrafo registra valor positivo. 
Derivação II: terminal negativo conectado no braço direito e 
o terminal positivo na perna esquerda. Portanto, quando o 
braço direito está negativo em relação a perna esquerda, o 
registro será positivo. 
Derivação III: o terminal negativo é conectado no braço 
esquerdo e o positivo, na perna esquerda. Assim, o registro 
é positivo quando o braço esquerdo estiver negativo em 
relação a perna esquerda. 
Triângulo de Einthoven: traçado ao redor da área do 
coração, com os ápices formados pelos braços e perna esquerda. 
Lei de Einthoven: se os potenciais elétricos de duas derivações forem conhecidos, é 
possível determinar o potencial da terceira derivação pela soma dos dois primeiros, 
sempre levando em conta os sinais positivos e negativos. 
 
-Derivações Torácicas (Derivações Precordiais) 
Os ECGs podem ser registrados também pela colocação de 
eletrodo na superfície anterior do tórax, diretamente sobre 
o coração. Esse eletrodo é conectado ao terminal positivo 
do eletrocardiógrafo. Já o eletrodo negativo (eletrodo 
indiferente), é conectado simultaneamente nos braços 
direito, esquerdo e na perna esquerda. 
Com isso, registram-se 6 derivações torácicas padrão, uma 
por vez, na parede anterior do tórax, colocando o eletrodo 
de forma sequencial nos seis pontos, registrando as 
derivações V1, V2, V3, V4, V5, V6. 
Nas derivações V1 e V2, os registros do complexo QRS são 
normalmente negativos, pois o eletrodo torácico dessas 
derivações está mais próximo da base cardíaca que do 
ápice e a base do coração permanece negativa durante a 
maior parte da despolarização ventricular. 
Já nas derivações V4, V5, V6, os complexos QRS são 
normalmente positivos, porque o eletrodo torácico dessas derivações está mais 
próximo do ápice do coração que permanece positivo durante a maior parte da 
despolarização. 
7 
Ane Caroline Tedeschi Gonçalves 
Posição dos eletrodos: 
Vermelho no braço direito 
Amarelo no braço esquerdo 
Verde na perna esquerda 
Preto na perna direita 
*BRASIL NO CORAÇÃO (LADO ESQUERDO)* 
V1: 4º EIC, à margem direita do esterno. 
V2: 4º EIC, à margem esquerda do esterno 
V3: no espaço entre V2 e V4 
V4: 5º EICE, na linha hemiclavicular 
V5: 5º EIC, nível de V4, mais para esquerda, 
na linha axilar anterior 
V6: mesmo nível que V4 e V5, pouco mais 
para esquerda, na linha axilar média. 
 
-Derivações unipolares aumentadas dos membros. 
Dois dos membros são conectados ao terminal negativo do eletrocardiógrafo e o 
terceiro membro é conectado ao terminal positivo. 
Terminal positivo é denominado conforme o membro: 
Braço direito – aVR 
Braço esquerdo – aVL 
Perna esquerda – aVF 
DERIVAÇÕES E PAREDES CARDÍACAS 
V1 E V2 -> Septo (descendente anterior) 
V3 E V4 -> Parede anterior (DA e Dg) 
DI e aVL + V5 e V6 -> parede lateral (CX) 
V1 a V6 -> anterior extensa (DA) 
DI, DII e Avf -> parede inferior 
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Ane Caroline Tedeschi Gonçalves 
ANÁLISE VETORIAL DOS ECGs 
Um vetor é uma seta que aponta na direção do potencial elétrico, gerado pelo fluxo 
de corrente, com a ponta voltada para a direção positiva, sendo o seu comprimento 
proporcional a voltagem do potencial. Por exemplo: 
Na excitação cardíaca, a corrente elétrica segue entre a área 
despolarizada dentro do coração e as áreas não 
despolarizadas fora do coração, como indicado pelas setas 
longas elípticas. Além disso, alguma corrente segue por dentro 
das camaras cardíacas das áreas despolarizadas em direção 
as áreas ainda polarizadas. No geral, muito mais corrente para 
baixo, da base dos ventriculos em direção ao ápice, portanto, 
o vetor somado do potencial geral nesse instante é chamado 
de vetor instantaneo médio, representado pela seta preta. 
-Eixo para cada derivação 
Cada derivação é um par de eletrodos conectados no corpo 
em lados opostos do coração, e a direção do eletrodo negativo 
para o eletrodo positivo é chamada de eixo da derivação. 
Derivação I: registrada por eletrodos colocados um em cada 
braço e por ficarem então na direção horizontal, com o eletrodo 
positivo na esquerda, o eixo da derivação I é de 0 grau. 
Derivação II: eletrodos colocados no braço direito e na perna. 
Braço direito se liga ao tronco no seu limite superior direito, 
enquanto a perna se liga ao tronco no seu limite inferior 
esquerdo, portanto, a direção é cerca de +60º. 
Derivação III: 
+120º 
Derivação aVR: +210º 
Derivação aVF: +90º 
Derivação aVL: -30º
ANÁLISE VETORIAL E EIXO 
Vetor: seta que aponta em direção ao potencial elétrico gerado pelo fluxo das 
correntes de despolarização. Tem direção e sentido. Sentido aponta para o 
positivo. Somatório sai da base para o ápice. 
A despolarização ocorre de dentro para fora. 
9 
Ane Caroline Tedeschi Gonçalves 
-Vetocardiograma: o mostrado é de um coração normal, a direção 
predominante dos vetores dos ventrículos 
durante a despolarização ocorre em direção 
ao ápice do coração. Ou seja, durante a 
maior parte do ciclo de despolarização 
ventricular, a direção do potencial elétrico 
(negativo para positivo) é da base dos 
ventrículos para o ápice. Essa direção é 
referida como eixo elétrico médio dos 
ventrículos. O eixo normal é de 59º, mas 
muitas condições patológicas cardíacadas 
alteram a sua direção. 
Na prática clínica, se estima o eixo elétrico do coração por meio das derivações 
eletrocardiográficas. 
 
Cada derivação é, de fato, um par de eletródios conectados ao corpo em lados 
opostos do coração, e a direção do eletródio negativo para o eletródio positivo 
é chamada “eixo” da derivação. 
A derivação I é registrada por dois eletródios colocados, respectivamente, em 
um dos braços. Como os eletródios ficam exatamente na direção horizontal, 
com o eletródio positivo na esquerda, o eixo da derivação I é de 0 grau. Para 
registrar a derivação II, os eletródios são colocados no braço direito e na perna. 
O braço direito se liga ao tronco em seu limite superior direito, e a perna 
esquerda, no limite inferior esquerdo. Portanto, a direção dessa derivação fica 
em torno de +60o. Por análise semelhante, pode ser visto que a derivação III 
tem eixo de cerca de +120o; a derivação aVR, +210o; aVF, +90o; e aVL, −30o. 
Cada derivação representa a voltagem da despolarização naquele eixo. 
Por exemplo: para determinarquanto da voltagem do vetor A será registrado 
na derivação I, é traçada uma linha perpendicular ao eixo da derivação I, da 
ponta do vetor A ao eixo da derivação I, e um chamado vetor projetado (B) é 
marcado ao longo do eixo da derivação I. A seta desse vetor projetado aponta 
na direção da extremidade positiva do eixo da derivação I, o que significa que 
o registro no ECG da derivação I é positivo. 
10 
Ane Caroline Tedeschi Gonçalves 
 
EIXO ELÉTRICO DO QRS VENTRICULAR – E SEU SIGNIFICADO 
Durante a maior parte do ciclo de despolarização ventricular, a direção do 
potencial elétrico (negativo para positivo) é da base dos ventrículos para o 
ápice. Essa direção predominante do potencial durante a despolarização é 
referida como eixo elétrico médio dos ventrículos. O eixo elétrico médio dos 
ventrículos normais é de 59o. Em muitas condições patológicas cardíacas, essa 
direção se altera de modo pronunciado, às vezes, até para polos opostos do 
coração. 
DETERMINAÇÃO DO EIXO ELÉTRICO PELAS DERIVAÇÕES 
■ É preciso traçar a perpendicular da derivação. 
■ Se QRS predomina positivo, o eixo estará em algum lugar a área 
perpendicular ao sentido da derivação. 
■ Se totalmente positivo, deve estar alinhado com a derivação. 
■ Se isoeletrico deve estar próximo ao eixo perpendicular da derivação. 
 
 
Se QRS positivo em DI, o eixo estará em -90 a +90º. 
 
11 
Ane Caroline Tedeschi Gonçalves 
Os eixos que formam 90 graus com a derivação: 
• DI // aVF 
• DII // aVL 
• DIII // aVR 
 
 
 
 
 
 
 
 
Assim, utiliza-se a rosa dos ventos para calcular os eixos perpendiculares das 
derivações até fecharmos um pedaço de 30 graus. 
12 
Ane Caroline Tedeschi Gonçalves 
 
CONDIÇÕES NORMAIS QUE DESVIAM O EIXO 
Apesar de o eixo elétrico médio do ventrículo ser, em geral, por volta de 59º, 
esse eixo pode se desviar mesmo em um coração normal cerca de 20º até 
aproximadamente 100º. 
-Mudança da posição do coração no tórax: se o coração está angulado para a 
esquerda, o eixo elétrico médio do coração também é desviado para a esquerda. Esse 
desvio ocorre 
Ao final da expiração profunda; 
Quando a pessoa se deita, porque o conteúdo abdominal faz pressão para cima contra 
o diafragma; 
Pessoas obesas, cujo diafragma exerce pressão para cima contra o coração o tempo 
todo pelo aumento da adiposidade visceral. 
Já a angulação do coração para a direita causa o desvio do eixo elétrico médio dos 
ventrículos para a direita. Esse descolamento ocorre 
Ao final da inspiração profunda; 
Quando a pessoa se levanta; 
Em pessoas altas e longilíneas, cujos corações pendem. 
CONDIÇÕES PATOLÓGICAS QUE DESVIAM O EIXO 
Hipertrofia de um ventrículo: o eixo do coração é desviado na direção do 
ventrículo hipertrofiado. Isso ocorre porque existe uma quantidade maior de 
musculo no lado hipertrofiado e isso faz com que ocorra maior geração de 
potencial elétrico nesse lado, além disso, é necessário mais tempo para que a 
onda de despolarização passe pelo ventrículo hipertrofiado, então o ventrículo 
normal é despolarizado muito antes e essa situação causa grande vetor do lado 
13 
Ane Caroline Tedeschi Gonçalves 
normal do coração para o hipertrofiado, que permanece com forte carga 
positiva. Assim, o eixo se desvia em direção ao ventrículo hipertrofiado. 
Hipertrofia do VE com desvio do eixo para esquerda: HAS, estenose valvar 
aórtica, regurgitação valvar aórtica ou varias condições congênitas que 
aumentam o VE. 
Hipertrofia do VD com desvio do eixo para direita: estenose valvar pulmonar 
congênita, tetralogia de Fallot e o defeito do septo interventricular. 
Bloqueio de ramo: em condições normais, as paredes laterais dos ventrículos 
de despolarizam ao mesmo tempo, porque os ramos do sistema de Purkinje 
transmitem o impulso cardíaco de forma quase simultânea. Contudo, se um dos 
maiores ramos do feixe estiver bloqueado, o impulso cardíaco se espalhará 
pelo ventrículo normal muito antes do que pelo outro, ocorrendo desvio do eixo. 
Bloqueio de ramo E: desvio do eixo para a esquerda. 
Bloqueio de ramo D: desvio do eixo para a direita. 
 
ARRITMIAS CARDÍACAS 
São uma quebra na ritmicidade do sistema de condução do coração devido a 
combinação das seguintes anormalidades: 
• Ritmicidade anormal do marca-passo 
• Mudança do marca-passo do nodo sinusal para outro ponto do coração 
• Bloqueios, em diferentes pontos, da propagação do impulso do coração 
• Vias anormais de transmissão dos impulsos no coração 
• Geração espontânea de impulsos falsos em quase qualquer parte do coração. 
RITMO SINUSAL 
É o ritmo fisiológico do coração. 
Apresenta RR regular (FC= 60-100 bpm). 
14 
Ane Caroline Tedeschi Gonçalves 
Origina-se no AD. 
Com ondas P positivas nas derivações (DI, DII e aVF). Com toda onda P sucedida 
por um intervalo PR, com duração entre 120 e 200 ms e pelo complexo QRS. 
TAQUICARDIA 
Significa FC rápida, definida como FC > 
100 bpm no adulto. 
Algumas causas incluem: 
Aumento da temperatura corporal, com aumento de 18 bpm a cada grau Celsius até 
40,5ºC; acima desse valor, a FC pode diminuir pela debilidade progressiva do músculo 
cardíaco em decorrência da febre, a qual causa taquicardia porque o aumento da 
temperatura aumenta a intensidade do metabolismo do nodo sinusal, que aumenta 
diretamente sua excitabilidade e a frequência de seu ritmo. 
Paciente com perda de sangue intensa (hemorragias) tem a FC aumentada para 150 
a 180 bpm pela estimulação reflexa simpática do coração. Ou pacientes com 
hipotensão e SEPSE. 
BRADICARDIAS 
Significa FC lenta, definida como menos 
de 60 bpm. 
Bradicardia sinusal: 
-Comum em atletas: o coração do atleta bem treinado é muitas vezes maior e mais 
forte que o de pessoa normal, permitindo que o seu coração bombeie grande débito 
sistólico por batimento, até mesmo durante os períodos de repouso. Quando o atleta 
está em repouso, quantidades excessivas de sangue bombeadas para a árvores 
arterial a cada batimento desencadeiam reflexos circulatórios de feedback para 
provocar a bradicardia. 
-Situações de estimulação vagal (sd. seio carotídeo): qualquer reflexo circulatório que 
estimule o nervo vago causa liberação de acetilcolina pelas terminações vagais no 
coração, produzindo um efeito parassimpático. Em pacientes com síndrome do seio 
carotídeo, os barorreceptores da região do seio carotídeo das paredes da artéria 
carótida são excessivamente sensíveis. Portanto, até pressão externa leve no 
pescoço desencadeia reflexo no barorreceptor com efeitos da acetilcolina sobre o 
coração incluindo a bradicardia. 
 
-Drogas 
15 
Ane Caroline Tedeschi Gonçalves 
ARRITMIA SINUSAL 
A FC pode aumentar ou diminuir conforme a inspiração profunda. 
Normalmente, na respiração calma, há uma variação de 5% da FC. Já na respiração 
profunda, a FC pode variar em até 30%. 
Apresenta ondas P idênticas. 
Pode ocorrer por muitas condições circulatórias que alteram as forças dos sinais dos 
nervos simpáticos e parassimpáticos para o nodo sinusal do coração. 
 
BRADIARRITMIAS 
• Bloqueio Sinoatrial 
Em casos raros, o impulso do nodo sinusal é bloqueado antes de entrar no musculo 
atrial e os impulsos não chegam. No ECG mostra uma interrupção abrupta das ondas 
P com a parada dos átrios, no entanto, os ventrículos assumem novo ritmo pela 
geração espontânea do impulso, geralmente no nodo AV, assim a frequência do 
complexo QRS ventricular fica mais lenta. 
Ou seja, nodo sinoatrial é bloqueado e os impulsos não 
chegam, com isso, há ausência de P e um marca-passo 
próximo assume a despolarização. 
 
• Bloqueio Atrioventricular 
Único meio que o estímulo passa do átrio para o ventrículo é pelo feixe AV (feixe de 
His). As condições que podem diminuir a frequência da condução dos impulsos por 
esse feixe ou bloquear de forma total essa 
condução são: 
-Isquemia do nodo AV 
-Compressão externa (seja por tecido cicatricial 
seja por cálcio) 
-Inflamação (miocardites) 
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Ane Caroline Tedeschi Gonçalves 
-Estimulaçãovagal (sd do seio carotídeo) 
-Drogas 
TIPOS DE BLOQUEIO AV 
• BAV de primeiro grau ou incompleto: 
Aumento do intervalo PR de >0,2 s (tempo normal de 0,16s), torna-se 
prolongado. Não ultrapassa 0,35 – 0,45 s. 
Não há um bloqueio real do estímulo, apenas um atraso de condução 
dos átrios para os ventrículos. 
• BAV de segundo grau: 
A condução do feixe AV fica lenta a ponto de aumentar o intervalo PR para 0,25 a 
0,45 s. 
Às vezes o potencial de ação não é forte o suficiente para atravessar o feixe até os 
ventrículos e não ocorre a condução do impulso pelo feixe AV, logo haverá uma P que 
não gera um QRS. 
 
Existem dois tipos de BAV de segundo grau: tipo I (periodicidade de Wenckebach) e 
tipo II. 
O bloqueio do tipo I ou Mobitz I ou Wenckebach se caracteriza pelo prolongamento 
progressivo do intervalo PR até o surgimento de uma onda P bloqueada e 
encurtamento do próximo intervalo PR, que inicia então um novo ciclo de alargamento 
e bloqueio. Provocado por anomalia do nódulo AV. 
 
O tipo II ou Mobitz II caracteriza-se pelo aparecimento de P bloqueada sem 
alargamento prévio do intervalo PR, ou seja, bloqueio ocorre de forma inesperada. 
17 
Ane Caroline Tedeschi Gonçalves 
Existe um numero fixo de ondas P não conduzidas por cada complexo QRS, por 
exemplo, bloqueio 2:1 (duas ondas P por cada QRS), 3:2 ou 3:1. Provocado por 
anomalia do feixe do sistema de His-Purkinje e pode requerer marca-passo. 
 
• BAV de terceiro grau (BAV completo): 
Não há passagem do estímulo dos átrios para os ventrículos. 
Os ventrículos estabelecem espontaneamente seu próprio sinal, em geral originado 
no nodo AV ou no feixe AV distal ao bloqueio. Portanto, ondas P se dissociam dos 
complexos QRS. 
 
EM RESUMO:

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