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1 Ane Caroline Tedeschi Gonçalves ELETROCARDIOGRAMA (anotações) -Fisiologia do músculo cardíaco É um musculo estriado, contêm filamentos de actina e miosina, os quais se dispõem lado a lado e deslizam juntos durante as contrações. Suas fibras são cruzadas por discos intercalares que separam as células umas das outras. Em cada disco intercalado, as membranas celulares se fundem entre si, formando as gap junctions que permitem a difusão do estímulo. -Potenciais de ação no músculo cardíaco Potencial de ação é gerado pela abertura de dois tipos de canais: os canais rápidos de sódio e os canais lentos de cálcio/ canais de cálcio-sódio. O segundo tipo de canal é mais lento para se abrir e continua aberto por mais tempo, então grande quantidade de íons cálcio e sódio penetra nas fibras cardíacas mantendo um período prolongado de despolarização, causando o platô. -Velocidade da condução do sinal no miocárdio Fibras musculares é de 0,3 a 0,5 m/s Fibras de Purkinje chega a 4m/s -Correntes elétricas O eletrodo mais próximo da base fica negativo e mais próximo do ápice fica positivo. Quando a onda corre do eletrodo – pro + a onda fica positiva -Derivações eletrocardiográficas: Bipolares: são as registradas por 2 eletrodos Derivações unipolares: 2 membros são conectados no negativo e o terceiro membro no positivo Derivações precordiais: Vermelho no braço direito Amarelo no braço esquerdo Verde na perna esquerda Preto na perna direita 2 Ane Caroline Tedeschi Gonçalves ELETROCARDIOGRAMA NORMAL RESUMO O ECG registra a corrente elétrica que se propaga do coração para os tecidos adjacentes e para a superfície do corpo. Para isso, coloca-se eletrodos na pele em lados opostos do coração e assim é possível registrar os potenciais elétricos gerados pela corrente. O ECG normal é composto por: -Onda P: produzida pela despolarização atrial, antes da contração atrial começar. Positiva da D1, D2 e aVF. Se preceder todo QRS, o ritmo é sinusal. Amplitude normal de 0,25 mV. Eixo normal: -30º e +90º. Duração <110 ms. Duração da P: é geralmente obtida em DII e tende a ser maior conforme a idade do indivíduo: 0,06 – 0,09s em crianças 0,08 – 0,11s em adultos É considerada patológica quando > 0,09s (para <10 anos), >0,10 s (entre 10 e 15 anos) e > 0,11 s (em adultos) Morfologia da P: arredondada, monofásica, pode apresentar ocasionalmente pequenos entalhes, sem que a distância entre esses entalhes exceda 0,03s. Amplitude: a voltagem normal da onda P varia entre 0,25 mV e 0,30 mV (avaliada em DII). Polaridade: as ondas P na superfície corporal podem ter registro positivo ou negativo, dependendo da orientação do eletrodo explorados, normalmente positiva nas derivações D1, D2, D3, sempre negativa em aVR, as demais derivações variam de indivíduo para indivíduo. -Complexo QRS: produzido pela despolarização ventricular antes da sua contração. Primeira deflexão é negativa (despolarização do septo), segunda deflexão positiva (ventrículo E) e deflexão negativa (despolarização da parede lateral alta). Duração < 120 ms. Amplitude entre 5 e 20 mm no plano frontal (derivações bi e unipolares) e 10 a 30 nas precordiais. Eixo entre -30 e +90 -Onda T: repolarização ventricular. Normalmente é assimétrica (inicia lenta e termina rápida), geralmente positiva e segue orientação do QRS. Amplitude é de 10 a 30% da amplitude do QRS. -Onda U: é pequena e arredondada. Geralmente de baixa frequencia, é positiva nas derivações inferiores e precordiais, e negativa em aVR. Ela é inversamente proporcional a FC, assim é comum encontra-la maior em atletas e bradicardíacos, e menor em crianças. 3 Ane Caroline Tedeschi Gonçalves -Intervalo P-R: início de P até início de QRS. Tempo normal de 120 a 200 ms. Significa o tempo de condução através do nó AV. -Intervalo P-P: frequência de despolarização atrial -Intervalo Q-T: vai do início do QRS ao término da onda T. Representa a duração total da atividade elétrica ventricular. Precisa ser corrigido pela FC. Se for a geral < ou = 0,45 s para homens; 0,47 para mulheres e 0,46 para crianças. -Segmento S-T: é observado no final do complexo QRS e início da onda T, geralmente ele adota um caráter isoelétrico, tolerando um desnivelamento máximos de 1mm. Átrios Ventrículos Ativação e despolarização atrial: estímulo no nó sinoatrial (frequência normal de 50 a 100 bpm). A partir da propagação do estímulo para os feixes internodais o AD é ativado, seguido pelo septo interatrial e pelo AE. Ativação e despolarização ventricular: após a ativação atrial, a onde de despolarização chega ao nó AV, onde sofrerá um retardo fisiológico de aproximadamente 20-40 ms. A despolarização ventricular é registrada no ECG por deflexões rápidas para cima e para baixo da linha de base, o complexo QRS, sendo resultado de infinitos vetores de ativação que podem ser sintetizados em três principais (vetores QRS). Vetor 1: este vetor, que se manifesta nos primeiros 20 ms é decorrente da ativação septal. Vetor 2: a resultante da ativação dos ventrículos direito e esquerdo é responsável pelo vetor 2, que ocorre após os primeiros 20 ms da ativação ventricular. Devido a massa do VE, orienta-se para trás, para a esquerda e para baixo. Vetor 3: este vetor projeta-se entre 60 e 80 ms após o início da ativação ventricular e é decorrente da ativação das porções basais dos ventrículos, que são as últimas a serem ativadas por serem mais grossas e menos ricas em fibras de Purkinje. 4 Ane Caroline Tedeschi Gonçalves ONDAS DE DESPOLARIZAÇÃO X ONDAS DE REPOLARIZAÇÃO: A cor vermelha indica despolarização, na qual o potencial negativo normal no interior da fibra muscular do coração se inverte, ficando positivo no interior e negativo no exterior. Na figura A, a despolarização está se deslocando para direita. A primeira metade da fibra já se despolarizou, enquanto a outra metade ainda está despolarizada. Entretanto, os eletrodos estão situados no exterior da fibra, então, o eletrodo esquerdo está em área negativa e o eletrodo direito está em área positiva, isso faz com que o aparelho registre o valor positivo. Na figura B, a despolarização já se estendeu por toda a fibra muscular, então o aparelho registra na base zero, porque ambos os eletrodos estão em áreas igualmente negativas. Na figura C, metade da fibra já está repolarizada e a positividade está retornando para o lado externo. Então, o eletrodo esquerdo está do lado positivo e o direito, em lado negativo, registrando um valor negativo. Na figura D, a fibra se repolarizou por completo e ambos eletrodos estão em áreas positivas, não existindo diferença de potencial para ser registrada. RELAÇÃO ENTRE A CONTRAÇÃO ATRIAL E A VENTRICULAR E AS ONDAS DO ECG É necessário que a despolarização se propague pelo músculo para que a contração muscular ocorra. A onda P ocorre no início da contração dos átrios, e o complexo QRS, no início da contração dos ventrículos. Os ventrículos permanecem contraídos até que a repolarização tenha ocorrido, que ocorre no final da onda T. Os átrios se repolarizam quase no mesmo instante em que o complexo QRS é registrado no ECG, por isso a onda de repolarização atrial é recoberta pelo complexo QRS que é muito maior. A repolarização ventricular começa antes em algumas fibras e depois em outras, por isso a onda T é de longa duração. 5 Ane Caroline Tedeschi Gonçalves Cada 10 linhas de calibração horizontais do ECG padrão corresponde a 1 mV. Já as linhas verticais são linhas de calibração do tempo. Um ECG tem velocidade de impressão de 25 mm/s. Assim, a cada 25 mm na direção horizontal correspondem a 1 segundo, e cada segmento de 5mm (que são separados pelas linhas grossas e mais escuras) representam 0,20 segundos. Esses intervalos de 0,20 segundo são, ainda, divididos em intervalos menores por linhas finas que correspondem a 0,04 segundo.INTERVALO P-Q ou P-R: tempo entre o inicio da onda P e o início do complexo QRS, ou seja, entre o começo da estimulação elétrica dos átrios e o começo da estimulação dos ventrículos. INTERVALO Q-T: representa a contração do ventrículo, que ocorre do inicio da onda Q até o fim da onda T. CÁLCULO DA FREQUÊNCIA CARDÍACA Ritmo regular: contar quantos quadradinhos tem de R-R e dividir 1500 por esse número de quadradinhos. Ritmo irregular: analisar quantos QRS tem em 10s e multiplicar essa quantidade de QRS por 6. Pra analisar frequência atrial fazer o mesmo procedimento, mas analisando P-P. FLUXO DAS CORRENTES ELÉTRICAS NO TÓRAX AO REDOR DO CORAÇÃO Quando parte dos ventrículos se despolariza, essa parte fica negativa em relação ao restante, então a corrente elétrica flui da área despolarizada para a área polarizada por meio de grandes curvas. A corrente flui principalmente da base do coração para o ápice. Assim, o eletrodo mais próximo da base ficará negativo e o que estiver mais perto do ápice ficará positivo, fazendo um registro positivo no ECG. DERIVAÇÕES ELETROCARDIOGRÁFICAS -Derivações bipolares dos membros Bipolar porque o ECG é registrado por dois eletrodos posicionados em lados diferentes do coração, nesse caso, nos membros. 6 Ane Caroline Tedeschi Gonçalves Então, derivação é a combinação de dois fios e seus eletrodos para formar um circuito completo entre o corpo e o eletrocardiógrafo. Derivação I: o terminal negativo é conectado no braço direito e o terminal positivo, no braço esquerdo. Então, por exemplo, quando a área pelo qual o braço direito se une ao tórax está negativa em relação a área que o braço esquerdo se une ao tórax, o eletrocardiógrafo registra valor positivo. Derivação II: terminal negativo conectado no braço direito e o terminal positivo na perna esquerda. Portanto, quando o braço direito está negativo em relação a perna esquerda, o registro será positivo. Derivação III: o terminal negativo é conectado no braço esquerdo e o positivo, na perna esquerda. Assim, o registro é positivo quando o braço esquerdo estiver negativo em relação a perna esquerda. Triângulo de Einthoven: traçado ao redor da área do coração, com os ápices formados pelos braços e perna esquerda. Lei de Einthoven: se os potenciais elétricos de duas derivações forem conhecidos, é possível determinar o potencial da terceira derivação pela soma dos dois primeiros, sempre levando em conta os sinais positivos e negativos. -Derivações Torácicas (Derivações Precordiais) Os ECGs podem ser registrados também pela colocação de eletrodo na superfície anterior do tórax, diretamente sobre o coração. Esse eletrodo é conectado ao terminal positivo do eletrocardiógrafo. Já o eletrodo negativo (eletrodo indiferente), é conectado simultaneamente nos braços direito, esquerdo e na perna esquerda. Com isso, registram-se 6 derivações torácicas padrão, uma por vez, na parede anterior do tórax, colocando o eletrodo de forma sequencial nos seis pontos, registrando as derivações V1, V2, V3, V4, V5, V6. Nas derivações V1 e V2, os registros do complexo QRS são normalmente negativos, pois o eletrodo torácico dessas derivações está mais próximo da base cardíaca que do ápice e a base do coração permanece negativa durante a maior parte da despolarização ventricular. Já nas derivações V4, V5, V6, os complexos QRS são normalmente positivos, porque o eletrodo torácico dessas derivações está mais próximo do ápice do coração que permanece positivo durante a maior parte da despolarização. 7 Ane Caroline Tedeschi Gonçalves Posição dos eletrodos: Vermelho no braço direito Amarelo no braço esquerdo Verde na perna esquerda Preto na perna direita *BRASIL NO CORAÇÃO (LADO ESQUERDO)* V1: 4º EIC, à margem direita do esterno. V2: 4º EIC, à margem esquerda do esterno V3: no espaço entre V2 e V4 V4: 5º EICE, na linha hemiclavicular V5: 5º EIC, nível de V4, mais para esquerda, na linha axilar anterior V6: mesmo nível que V4 e V5, pouco mais para esquerda, na linha axilar média. -Derivações unipolares aumentadas dos membros. Dois dos membros são conectados ao terminal negativo do eletrocardiógrafo e o terceiro membro é conectado ao terminal positivo. Terminal positivo é denominado conforme o membro: Braço direito – aVR Braço esquerdo – aVL Perna esquerda – aVF DERIVAÇÕES E PAREDES CARDÍACAS V1 E V2 -> Septo (descendente anterior) V3 E V4 -> Parede anterior (DA e Dg) DI e aVL + V5 e V6 -> parede lateral (CX) V1 a V6 -> anterior extensa (DA) DI, DII e Avf -> parede inferior 8 Ane Caroline Tedeschi Gonçalves ANÁLISE VETORIAL DOS ECGs Um vetor é uma seta que aponta na direção do potencial elétrico, gerado pelo fluxo de corrente, com a ponta voltada para a direção positiva, sendo o seu comprimento proporcional a voltagem do potencial. Por exemplo: Na excitação cardíaca, a corrente elétrica segue entre a área despolarizada dentro do coração e as áreas não despolarizadas fora do coração, como indicado pelas setas longas elípticas. Além disso, alguma corrente segue por dentro das camaras cardíacas das áreas despolarizadas em direção as áreas ainda polarizadas. No geral, muito mais corrente para baixo, da base dos ventriculos em direção ao ápice, portanto, o vetor somado do potencial geral nesse instante é chamado de vetor instantaneo médio, representado pela seta preta. -Eixo para cada derivação Cada derivação é um par de eletrodos conectados no corpo em lados opostos do coração, e a direção do eletrodo negativo para o eletrodo positivo é chamada de eixo da derivação. Derivação I: registrada por eletrodos colocados um em cada braço e por ficarem então na direção horizontal, com o eletrodo positivo na esquerda, o eixo da derivação I é de 0 grau. Derivação II: eletrodos colocados no braço direito e na perna. Braço direito se liga ao tronco no seu limite superior direito, enquanto a perna se liga ao tronco no seu limite inferior esquerdo, portanto, a direção é cerca de +60º. Derivação III: +120º Derivação aVR: +210º Derivação aVF: +90º Derivação aVL: -30º ANÁLISE VETORIAL E EIXO Vetor: seta que aponta em direção ao potencial elétrico gerado pelo fluxo das correntes de despolarização. Tem direção e sentido. Sentido aponta para o positivo. Somatório sai da base para o ápice. A despolarização ocorre de dentro para fora. 9 Ane Caroline Tedeschi Gonçalves -Vetocardiograma: o mostrado é de um coração normal, a direção predominante dos vetores dos ventrículos durante a despolarização ocorre em direção ao ápice do coração. Ou seja, durante a maior parte do ciclo de despolarização ventricular, a direção do potencial elétrico (negativo para positivo) é da base dos ventrículos para o ápice. Essa direção é referida como eixo elétrico médio dos ventrículos. O eixo normal é de 59º, mas muitas condições patológicas cardíacadas alteram a sua direção. Na prática clínica, se estima o eixo elétrico do coração por meio das derivações eletrocardiográficas. Cada derivação é, de fato, um par de eletródios conectados ao corpo em lados opostos do coração, e a direção do eletródio negativo para o eletródio positivo é chamada “eixo” da derivação. A derivação I é registrada por dois eletródios colocados, respectivamente, em um dos braços. Como os eletródios ficam exatamente na direção horizontal, com o eletródio positivo na esquerda, o eixo da derivação I é de 0 grau. Para registrar a derivação II, os eletródios são colocados no braço direito e na perna. O braço direito se liga ao tronco em seu limite superior direito, e a perna esquerda, no limite inferior esquerdo. Portanto, a direção dessa derivação fica em torno de +60o. Por análise semelhante, pode ser visto que a derivação III tem eixo de cerca de +120o; a derivação aVR, +210o; aVF, +90o; e aVL, −30o. Cada derivação representa a voltagem da despolarização naquele eixo. Por exemplo: para determinarquanto da voltagem do vetor A será registrado na derivação I, é traçada uma linha perpendicular ao eixo da derivação I, da ponta do vetor A ao eixo da derivação I, e um chamado vetor projetado (B) é marcado ao longo do eixo da derivação I. A seta desse vetor projetado aponta na direção da extremidade positiva do eixo da derivação I, o que significa que o registro no ECG da derivação I é positivo. 10 Ane Caroline Tedeschi Gonçalves EIXO ELÉTRICO DO QRS VENTRICULAR – E SEU SIGNIFICADO Durante a maior parte do ciclo de despolarização ventricular, a direção do potencial elétrico (negativo para positivo) é da base dos ventrículos para o ápice. Essa direção predominante do potencial durante a despolarização é referida como eixo elétrico médio dos ventrículos. O eixo elétrico médio dos ventrículos normais é de 59o. Em muitas condições patológicas cardíacas, essa direção se altera de modo pronunciado, às vezes, até para polos opostos do coração. DETERMINAÇÃO DO EIXO ELÉTRICO PELAS DERIVAÇÕES ■ É preciso traçar a perpendicular da derivação. ■ Se QRS predomina positivo, o eixo estará em algum lugar a área perpendicular ao sentido da derivação. ■ Se totalmente positivo, deve estar alinhado com a derivação. ■ Se isoeletrico deve estar próximo ao eixo perpendicular da derivação. Se QRS positivo em DI, o eixo estará em -90 a +90º. 11 Ane Caroline Tedeschi Gonçalves Os eixos que formam 90 graus com a derivação: • DI // aVF • DII // aVL • DIII // aVR Assim, utiliza-se a rosa dos ventos para calcular os eixos perpendiculares das derivações até fecharmos um pedaço de 30 graus. 12 Ane Caroline Tedeschi Gonçalves CONDIÇÕES NORMAIS QUE DESVIAM O EIXO Apesar de o eixo elétrico médio do ventrículo ser, em geral, por volta de 59º, esse eixo pode se desviar mesmo em um coração normal cerca de 20º até aproximadamente 100º. -Mudança da posição do coração no tórax: se o coração está angulado para a esquerda, o eixo elétrico médio do coração também é desviado para a esquerda. Esse desvio ocorre Ao final da expiração profunda; Quando a pessoa se deita, porque o conteúdo abdominal faz pressão para cima contra o diafragma; Pessoas obesas, cujo diafragma exerce pressão para cima contra o coração o tempo todo pelo aumento da adiposidade visceral. Já a angulação do coração para a direita causa o desvio do eixo elétrico médio dos ventrículos para a direita. Esse descolamento ocorre Ao final da inspiração profunda; Quando a pessoa se levanta; Em pessoas altas e longilíneas, cujos corações pendem. CONDIÇÕES PATOLÓGICAS QUE DESVIAM O EIXO Hipertrofia de um ventrículo: o eixo do coração é desviado na direção do ventrículo hipertrofiado. Isso ocorre porque existe uma quantidade maior de musculo no lado hipertrofiado e isso faz com que ocorra maior geração de potencial elétrico nesse lado, além disso, é necessário mais tempo para que a onda de despolarização passe pelo ventrículo hipertrofiado, então o ventrículo normal é despolarizado muito antes e essa situação causa grande vetor do lado 13 Ane Caroline Tedeschi Gonçalves normal do coração para o hipertrofiado, que permanece com forte carga positiva. Assim, o eixo se desvia em direção ao ventrículo hipertrofiado. Hipertrofia do VE com desvio do eixo para esquerda: HAS, estenose valvar aórtica, regurgitação valvar aórtica ou varias condições congênitas que aumentam o VE. Hipertrofia do VD com desvio do eixo para direita: estenose valvar pulmonar congênita, tetralogia de Fallot e o defeito do septo interventricular. Bloqueio de ramo: em condições normais, as paredes laterais dos ventrículos de despolarizam ao mesmo tempo, porque os ramos do sistema de Purkinje transmitem o impulso cardíaco de forma quase simultânea. Contudo, se um dos maiores ramos do feixe estiver bloqueado, o impulso cardíaco se espalhará pelo ventrículo normal muito antes do que pelo outro, ocorrendo desvio do eixo. Bloqueio de ramo E: desvio do eixo para a esquerda. Bloqueio de ramo D: desvio do eixo para a direita. ARRITMIAS CARDÍACAS São uma quebra na ritmicidade do sistema de condução do coração devido a combinação das seguintes anormalidades: • Ritmicidade anormal do marca-passo • Mudança do marca-passo do nodo sinusal para outro ponto do coração • Bloqueios, em diferentes pontos, da propagação do impulso do coração • Vias anormais de transmissão dos impulsos no coração • Geração espontânea de impulsos falsos em quase qualquer parte do coração. RITMO SINUSAL É o ritmo fisiológico do coração. Apresenta RR regular (FC= 60-100 bpm). 14 Ane Caroline Tedeschi Gonçalves Origina-se no AD. Com ondas P positivas nas derivações (DI, DII e aVF). Com toda onda P sucedida por um intervalo PR, com duração entre 120 e 200 ms e pelo complexo QRS. TAQUICARDIA Significa FC rápida, definida como FC > 100 bpm no adulto. Algumas causas incluem: Aumento da temperatura corporal, com aumento de 18 bpm a cada grau Celsius até 40,5ºC; acima desse valor, a FC pode diminuir pela debilidade progressiva do músculo cardíaco em decorrência da febre, a qual causa taquicardia porque o aumento da temperatura aumenta a intensidade do metabolismo do nodo sinusal, que aumenta diretamente sua excitabilidade e a frequência de seu ritmo. Paciente com perda de sangue intensa (hemorragias) tem a FC aumentada para 150 a 180 bpm pela estimulação reflexa simpática do coração. Ou pacientes com hipotensão e SEPSE. BRADICARDIAS Significa FC lenta, definida como menos de 60 bpm. Bradicardia sinusal: -Comum em atletas: o coração do atleta bem treinado é muitas vezes maior e mais forte que o de pessoa normal, permitindo que o seu coração bombeie grande débito sistólico por batimento, até mesmo durante os períodos de repouso. Quando o atleta está em repouso, quantidades excessivas de sangue bombeadas para a árvores arterial a cada batimento desencadeiam reflexos circulatórios de feedback para provocar a bradicardia. -Situações de estimulação vagal (sd. seio carotídeo): qualquer reflexo circulatório que estimule o nervo vago causa liberação de acetilcolina pelas terminações vagais no coração, produzindo um efeito parassimpático. Em pacientes com síndrome do seio carotídeo, os barorreceptores da região do seio carotídeo das paredes da artéria carótida são excessivamente sensíveis. Portanto, até pressão externa leve no pescoço desencadeia reflexo no barorreceptor com efeitos da acetilcolina sobre o coração incluindo a bradicardia. -Drogas 15 Ane Caroline Tedeschi Gonçalves ARRITMIA SINUSAL A FC pode aumentar ou diminuir conforme a inspiração profunda. Normalmente, na respiração calma, há uma variação de 5% da FC. Já na respiração profunda, a FC pode variar em até 30%. Apresenta ondas P idênticas. Pode ocorrer por muitas condições circulatórias que alteram as forças dos sinais dos nervos simpáticos e parassimpáticos para o nodo sinusal do coração. BRADIARRITMIAS • Bloqueio Sinoatrial Em casos raros, o impulso do nodo sinusal é bloqueado antes de entrar no musculo atrial e os impulsos não chegam. No ECG mostra uma interrupção abrupta das ondas P com a parada dos átrios, no entanto, os ventrículos assumem novo ritmo pela geração espontânea do impulso, geralmente no nodo AV, assim a frequência do complexo QRS ventricular fica mais lenta. Ou seja, nodo sinoatrial é bloqueado e os impulsos não chegam, com isso, há ausência de P e um marca-passo próximo assume a despolarização. • Bloqueio Atrioventricular Único meio que o estímulo passa do átrio para o ventrículo é pelo feixe AV (feixe de His). As condições que podem diminuir a frequência da condução dos impulsos por esse feixe ou bloquear de forma total essa condução são: -Isquemia do nodo AV -Compressão externa (seja por tecido cicatricial seja por cálcio) -Inflamação (miocardites) 16 Ane Caroline Tedeschi Gonçalves -Estimulaçãovagal (sd do seio carotídeo) -Drogas TIPOS DE BLOQUEIO AV • BAV de primeiro grau ou incompleto: Aumento do intervalo PR de >0,2 s (tempo normal de 0,16s), torna-se prolongado. Não ultrapassa 0,35 – 0,45 s. Não há um bloqueio real do estímulo, apenas um atraso de condução dos átrios para os ventrículos. • BAV de segundo grau: A condução do feixe AV fica lenta a ponto de aumentar o intervalo PR para 0,25 a 0,45 s. Às vezes o potencial de ação não é forte o suficiente para atravessar o feixe até os ventrículos e não ocorre a condução do impulso pelo feixe AV, logo haverá uma P que não gera um QRS. Existem dois tipos de BAV de segundo grau: tipo I (periodicidade de Wenckebach) e tipo II. O bloqueio do tipo I ou Mobitz I ou Wenckebach se caracteriza pelo prolongamento progressivo do intervalo PR até o surgimento de uma onda P bloqueada e encurtamento do próximo intervalo PR, que inicia então um novo ciclo de alargamento e bloqueio. Provocado por anomalia do nódulo AV. O tipo II ou Mobitz II caracteriza-se pelo aparecimento de P bloqueada sem alargamento prévio do intervalo PR, ou seja, bloqueio ocorre de forma inesperada. 17 Ane Caroline Tedeschi Gonçalves Existe um numero fixo de ondas P não conduzidas por cada complexo QRS, por exemplo, bloqueio 2:1 (duas ondas P por cada QRS), 3:2 ou 3:1. Provocado por anomalia do feixe do sistema de His-Purkinje e pode requerer marca-passo. • BAV de terceiro grau (BAV completo): Não há passagem do estímulo dos átrios para os ventrículos. Os ventrículos estabelecem espontaneamente seu próprio sinal, em geral originado no nodo AV ou no feixe AV distal ao bloqueio. Portanto, ondas P se dissociam dos complexos QRS. EM RESUMO: