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CORRELAÇÃO CLÍNICA: SISTEMA LÍMBICO Lara Camila | 4º Semestre ➢ CASO CLÍNICO TIPOS DE MEMÓRIA A memória é dividida quanto ao tempo em: memória de curto prazo e longo prazo. A memória de curto prazo tem capacidade limitada, e está no lobo frontal. Pode ser dividida em: a) Memória imediata: retém a informação logo que é recebida; ex: nome de uma pessoa que acabamos de conhecer. b) Memória de trabalho: relacionada à manutenção temporária e processamento da informação durante a realização de tarefas diversas; A memória de longo prazo pode ser dividida em: declarativa e não declarativa. A memória declarativa é aquela que pode ser explícita através da linguagem, ou seja, são lembranças que conseguimos contar. Pode ser dividida em: a) Episódica: é a memória autobiográfica e envolve acontecimentos da vida de uma pessoa; ex: data do casamento Pode ser anterógrada ou retrógrada; a anterógrada consiste na memória a partir de um ponto, e a retrógrada consiste em lembrar de experiências que aconteceram anteriormente na vida. b) Semântica: envolve os conhecimentos organizadores do mundo; ex: dia do ataque às torres gêmeas A memória não-declarativa é aquela que não pode ser contada ou ensinada oralmente. Ex: aprender a dirigir – para isso, você precisa treinar. Pode ser dividida em: a) Procedural: é a memória de procedimentos; ex: andar de bicicleta ou escrever – são aprendizagens mais ou menos automatizadas e que fogem da consciência. b) Habituação: aprender a digitar no teclado de um computador no início é com mais dificuldade, mas com o treino e a repetição o processo passa a ser automático; c) Priming (pré-ativação): tipo de memória que se evoca através de um estímulo sensorial, como som, imagem, cheiro ou alguma palavra. DOENÇA DE ALZHEIMER Pacientes com Alzheimer apresentam um aprofundamento do sulco de Sylvios, e dos demais, pois perdem a espessura do córtex devido à morte dos neurônios; além disso, há um prejuízo da arquitetura dos ventrículos, principalmente os ventrículos laterais. ➢ Em geral, o cérebro dos idosos tem sulcos mais aprofundados e uma redução volumétrica, mas de modo não expressivo ao ponto de não falar a favor de uma patologia. Sua fisiopatologia está relacionada ao depósito de proteínas anormais no espaço extracelular ou intracelular do tecido nervoso no cérebro. Essas proteínas (ex: proteína amiloide) unem- se formando as placas senis, no meio extracelular, que ficam nos receptores de ACh. Além disso, a proteína Tau está relacionada ao citoesqueleto da célula neuronal e, no Alzheimer, essa proteína estará alterada formando os emaranhados fibrilares intracelular que estarão no neurônio. Assim, temos manifestações extracelulares e intracelulares. A doença começa afetando o córtex entorrenal (região mesotemporal e do prosencéfalo basal) e, depois vai se expandindo pelo telencéfalo e ocasionando os sintomas característicos da progressão do Alzheimer. Manifestações clínicas Domínio cognitivo: perda da memória, distúrbios da linguagem (afasias), agnosia (incapacidade de reconhecer ou associar determinado conhecimento a um estímulo recebido), orientação temporal e espacial prejudicadas. Domínio funcional: redução da habilidade na execução das atividades de vida diárias. Exemplo: lidar com dinheiro, realizar higiene pessoal, vestir-se. Domínio neuropsiquiátrico: distúrbios do humor, agitação, agressividade. VIAS DOPAMINÉRGICAS O sistema de projeção difuso da dopamina é mais restrito que o da serotonina e da noradrenalina, por ex. VTA – área tegumentar ventral irá formar, juntamente com o núcleo accumbens, o eixo mesolímbico. Além disso, esse sistema se prolonga e atinge outras áreas, como a área cortical. Por isso, essa via é chamada de via meso- córtico-límbica. As duas vias de glutamato fazem a regulação da área pré-frontal medial; A via nigrostriatal vai da substância negra até o estriado dorsal (núcleos da base); Apesar de a dopamina preponderar nas vias meso-cortex-limbicas e mesolimbicas, teremos outros neurotransmissores que são moduladores desse circuito dopaminérgico, como o glutamato. Se há a participação do hipocampo e da amígdala, esse sistema tem uma influência emocional e irá promover uma memória. A via mesocortical está relacionada à cognição, memória, comportamente, aprendizagem; A via nigroestriatal está relacionada ao striatum dorsal (núcleo da base); A via mesolímbica é a ligação direta entre a ATV e o núcleo accumbens. SISTEMA DE RECOMPENSA Experimento para estudar o sistema de recompensa: O cientista oferecia suco de laranja aos macacos por um intervalo de tempo sempre no mesmo horário. Foi observado que quando o macaco não esperava aquele suco, o pico de dopamina ocorria no momento da recompensa (verde). No entanto, quando tinham os sinais (por exemplo: o pesquisador aparecia no laboratório) que indicavam propositalmente que estava chegando a hora de receber o suco, o pico de dopamina acontecia na hora que havia o sinal e, na hora que dava o suco não tinha elevação de dopamina (azul). Por outro lado, quando havia o sinal de que daria o suco de laranja, mas ao invés do suco era dado um suco de acerola havia o pico de dopamina na hora do sinal, mas quando recebia o suco o nível de dopamina caia (vermelho). Isso significa que algumas pessoas têm a droga de abuso retirada, mas continuam tendo que ser vigiadas e propícias a recaídas, pois a recompensa foi retirada, mas a expectativa continua. Existem dois tipos de subsistemas dentro do sistema de recompensa: (a) sistema de recompensa reativo e (b) sistema de recompensa reflexivo SISTEMA DE RECOMPENSA REATIVO É aquele que age por impulso/não pensa. Formado pela ATV (área tegmentar ventral) pelo núcleo accumbens e pelo corpo amigdaloide. Área tegmentar ventral (ATV): corpo de neurônios dopaminérgicos; Núcleo accumbens (estriado ventral): projeções de neurônios dopaminérgicos; Corpo amigdaloide: conexões entre ATV e núcleo accumbens; Se a ATV for estimulada por um comportamento/substância a liberar o núcleo accumbens de dopamina; o núcleo accumbens tem a participação no sentido de relevância do comportamento x prazer obtido. Ou seja, ele passa para outras áreas, como hipotálamo, hipocampo e o córtex pré-frontal. Se essa liberação de dopamina for muito alta, a informação que ele passa é de que o comportamento/substância é muito bom/boa estimulando a repetição da sensação. Ou seja, é um julgamento de relevância comportamental. A amígdala também recebe uma via da ATV e, assim, ela gera um valor emocional ao comportamento/substância, reforçando a informação de que aquilo é bom. Além disso, a ATV, accumbens e amigdala irão emitir para o hipocampo a mesma informação e, assim, ficará armazenada uma memória afetiva relevante. SISTEMA DE RECOMPENSA REFLEXIVO Formado pelo córtex órbito-frontal (OFC) que controla a impulsividade vinda do núcleo accumbens; córtex pré- frontal ventromedial (VMPFC) realiza o controle emotivo da amigdala; córtex pré-frontal dorsolateral (VMPFC) é o responsável pela tomada de decisões. Córtex órbito-frontal (OFC): controle da impulsividade vinda do núcleo accumbes; Córtex pré-frontal ventromedial (VMPFC): controle emotivo da amígdala; Córtex pré-frontal dorsolateral (VMPFC): tomada de decisões. SISTEMA DE RECOMPENSA: ESTÍMULOS NATURAIS VS DROGAS DE ABUSO A quantidade de receptores de dopamina no núcleo accumbens é a mesma nos dois casos, no entanto, quando a substância é a cocaína, ela bloqueia os recaptadores de dopamina da fenda sináptica. Assim,haverá muito mais dopamina na fenda sináptica para a mesma quantidade de receptor. Além disso, a cocaína também libera, da membrana pré-sináptica, dopamina sem exocitose – ou seja, por transporte reverso. DROGAS DE ABUSO: COCAÍNA E ANFETAMINAS Principal mecanismo de ação da cocaína: bloqueio da recaptação de monoaminas (principalmente dopamina, mas também norepinefrina e serotonina) + processo de transporte inverso; A anfetamina faz a liberação de dopamina da membrana pré-sináptica sem exocitose. No entanto, a cocaína é mais potente pois também é capaz de impedir a recaptação de dopamina. Assim, há um aumento da disponibilidade de dopamina no núcleo accumbens (estriado ventral); ➢ Diminuição do número de receptores de dopamina no sistema de recompensa cerebral; ➢ Aumento da noradrenalina; Quando o núcleo accumbens vê a grande quantidade de dopamina na fenda sináptica, ele irá reduzir a quantidade de receptores por identificar algo errado. Logo, algumas substâncias ocasionarão uma redução dos receptores de dopamina no sistema de recompensa. Por isso, na próxima vez que o comportamento for repetido, o indivíduo precisará de maior quantidade para ter o mesmo efeito = Fenômeno da tolerância. DROGAS DE ABUSO: NICOTINA Efeito direto: receptores colinérgicos nicotínicos da área tegmentar ventral (ATV), promovendo liberação de dopamina no núcleo accumbens (estriado ventral); Efeito indireto: receptores nicotínicos dos neurônios glutamatérgicos, liberando dopamina; Desinibição: receptores nicotínicos de interneurônios gabaérgicos na ATV, liberando dopamina. DROGAS DE ABUSO: ÁLCOOL Aumenta, indiretamente, a secreção de dopamina no núcleo accumbens; Atua em vários tipos de receptores (receptores opioides da ATV, GABA e NMDA); Inicialmente, o álcool atua ativando o GABA nos interneurônios. No entanto, com a frequência das doses, a capacidade gabaérgica desses interneurônios é reduzida e, assim, os neurônios liberam ainda mais dopamina no accumbens; também atuam bloqueando receptores NMDA, o que ocasiona sonolência. A euforia que ocorre no início das doses é dada pela liberação de opioides; DROGAS DE ABUSO: CANABINÓIDES Atua em receptores CB1 localizados, principalmente, no cerebelo, cérebro (incluindo o hipocampo), substância negra e sistema mesolímbico. Aumento indireto da secreção de dopamina através da atuação nos interneurônios gabaérgicos e glutamatérgicos da ATV e núcleo accumbens. Estimulação do sistema opioide endógeno. DROGAS DE ABUSO: OPIÁCEOS Estimula receptores u de interneurônios GABA da ATV, aumentando a liberação de dopamina no núcleo accumbens. PRINCIPAIS DROGAS CAPAZES DE CAUSAR ADICÇÃO ADICÇÃO -> termo utilizado para indicar o estágio mais grave e crônico do transtorno por uso de substâncias, no qual há uma perda substancial de autocontrole, conforme indicado pelo uso compulsivo de drogas apesar do desejo de parar de tomá-las. No DMS-S (Diagnostic and Statistical Manual of Mental disorders), o termo dependência é sinônimo de classificação de transtorno grave por uso de substâncias. SENSIBILIZAÇÃO VS TOLERÂNCIA Existem pessoas que quando repetem as doses do uso das drogas, após repetidas administrações essas pessoas podem cursar com aumento do efeito na parte motora, como agitação. ➢ Quanto menor o intervalo entre as doses, maior a sensibilidade. No entanto, outras drogas, com o uso crônico tendem a levar a tolerância.