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Saúde da criança nutrição infantil

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também competência para se comunicar com efi ciência, 
o que se consegue mais facilmente usando a técnica do aconselhamento em amamentação. 
Aconselhar não signifi ca dizer à mulher o que ela deve fazer; signifi ca ajudá-la a tomar de-
cisões, após ouvi-la, entendê-la e dialogar com ela sobre os prós e contras das opções. 
No aconselhamento, é importante que as mulheres sintam que o profi ssional se inte-
ressa pelo bem-estar delas e de seus fi lhos para que elas adquiram confi ança e se sintam 
apoiadas e acolhidas. Em outras palavras, o aconselhamento, por meio do diálogo, ajuda 
a mulher a tomar decisões, além de desenvolver sua confi ança no profi ssional.
Os seguintes recursos são muito utilizados no aconselhamento, não só em ama-
mentação, mas em diversas circunstâncias:
Praticar a comunicação não-verbal (gestos, expressão facial). Por exem- 
plo, sorrir, como sinal de acolhimento; balançar a cabeça afi rmativamente, 
como sinal de interesse; tocar na mulher ou no bebê, quando apropriado, 
como sinal de empatia;
Remover barreiras como mesa, papéis, promovendo uma maior aproxi- 
mação entre a mulher e o profi ssional de saúde;
Usar linguagem simples, acessível a quem está ouvindo; 
Dar espaço para a mulher falar. Para isso, é necessário dedicar tempo para  
ouvir, prestando atenção no que a mãe está dizendo e no signifi cado de 
suas falas. Como sinal de interesse, podem ser utilizadas expressões como: 
“Ah é? Mmm... Aha!” Algumas mulheres têm difi culdades de se expressar. 
Nesse caso, algumas técnicas são úteis, tais como fazer perguntas abertas, 
dando mais espaço para a mulher se expressar. Essas perguntas em geral 
começam por: Como? O quê? Quando? Onde? Por quê? Por exemplo, em 
vez de perguntar se o bebê está sendo amamentado, perguntar como ela 
está alimentando o bebê. Outra técnica que pode incentivar as mulheres 
a falarem mais é devolver o que a mãe diz. Por exemplo, se a mãe relata 
que a criança chora muito à noite, o profi ssional pode fazer a mãe falar 
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mais sobre isso perguntando: “O seu bebê faz você fi car acordada à noite 
porque chora muito?”; 
Demonstrar empatia, ou seja, mostrar à mãe que os seus sentimentos são  
compreendidos, colocando-a no centro da situação e da atenção do pro-
fi ssional. Por exemplo, quando a mãe diz que está muito cansada porque 
o bebê quer mamar com muita freqüência, o profi ssional pode comentar 
que entende porque a mãe está se sentindo tão cansada;
Evitar palavras que soam como julgamentos, como, por exemplo, certo,  
errado, bem, mal etc. Por exemplo, em vez de perguntar se o bebê mama 
bem, seria mais apropriado perguntar como o bebê mama; 
Aceitar e respeitar os sentimentos e as opiniões das mães, sem, no entanto,  
precisar concordar ou discordar do que ela pensa. Por exemplo, se uma 
mãe afi rma que o seu leite é fraco, o profi ssional pode responder dizendo 
que entende a sua preocupação. E pode complementar dizendo que o lei-
te materno pode parecer ralo no começo da mamada, mas contém muitos 
nutrientes; 
Reconhecer e elogiar aquilo em que a mãe e o bebê estão indo bem, por  
exemplo, quando o bebê está ganhando peso ou sugando bem, ou mes-
mo elogiá-la por ter vindo à Unidade Básica de Saúde, se for o caso. Essa 
atitude aumenta a confi ança da mãe, encoraja-a a manter práticas saudáveis 
e facilita a sua aceitação a sugestões;
Oferecer poucas informações em cada aconselhamento, as mais importan- 
tes para a situação do momento;
Fazer sugestões em vez de dar ordens; 
Oferecer ajuda prática como, por exemplo, segurar o bebê por alguns mi- 
nutos e ajudá-la a encontrar uma posição confortável para amamentar;
Conversar com as mães sobre as suas condições de saúde e as do bebê,  
explicando-lhes todos os procedimentos e condutas.
A ênfase dada a determinados tópicos durante um aconselhamento em amamen-
tação pode variar de acordo com a época e o momento em que é feito. A seguir são 
abordados alguns tópicos importantes relacionados à amamentação em diferentes mo-
mentos e circunstâncias.
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1.8.1 Pré-natal
A promoção da amamentação na gestação, 
comprovadamente, tem impacto positivo nas pre-
valências de aleitamento materno, em especial en-
tre as primíparas. O acompanhamento pré-natal é 
uma excelente oportunidade para motivar as mu-
lheres a amamentarem. É importante que pessoas 
signifi cativas para a gestante, como companheiro e 
mãe, sejam incluídas no aconselhamento. 
Durante o acompanhamento pré-natal, 
quer seja em grupo, quer seja no atendimento in-
dividual, é importante dialogar com as mulheres, 
abordando os seguintes aspectos:
Planos da gestante com relação à alimentação da criança, assim como ex- 
periências prévias, mitos, suas crenças, medos, preocupações e fantasias 
relacionados com o aleitamento materno; 
Importância do aleitamento materno; 
Vantagens e desvantagens do uso de leite não humano;  
Importância da amamentação logo após o parto, do alojamento conjunto e  
da técnica (posicionamento e pega) adequada na prevenção de complica-
ções relacionadas à lactação;
Possíveis difi culdades na amamentação e meios de preveni-las. Muitas mu- 
lheres “idealizam” a amamentação e se frustram ao se depararem com a 
realidade;
Comportamento normal do recém-nascido; 
Vantagens e desvantagens do uso da chupeta. 
O exame das mamas é fundamental, pois por meio dele podem-se detectar si-
tuações que poderão exigir uma maior assistência à mulher logo após o nascimento do 
bebê, como, por exemplo, a presença de mamilos muito planos ou invertidos e cicatriz 
de cirurgia de redução de mamas. 
A “preparação” das mamas para a amamentação, tão difundida no passado, não 
tem sido recomendada de rotina. A gravidez se encarrega disso. Manobras para aumen-
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tar e fortalecer os mamilos durante a gravidez, como esticar os mamilos com os dedos, 
esfregá-los com buchas ou toalhas ásperas, não são recomendadas, pois na maioria das 
vezes não funcionam e podem ser prejudiciais, podendo inclusive induzir o trabalho de 
parto. O uso de conchas ou sutiãs com um orifício central para alongar os mamilos tam-
bém não tem se mostrado efi caz. A maioria dos mamilos curtos apresenta melhora com 
o avançar da gravidez, sem nenhum tratamento. Os mamilos costumam ganhar elastici-
dade durante a gravidez e o grau de inversão dos mamilos invertidos tende a diminuir em 
gravidezes subseqüentes. Nos casos de mamilos planos ou invertidos, a intervenção logo 
após o nascimento do bebê é mais importante e efetiva do que intervenções no perío-
do pré-natal. O uso de sutiã adequado ajuda na sustentação das mamas, pois na gestação 
elas apresentam o primeiro aumento de volume. 
Se ao longo da gravidez a mulher não notou aumento nas suas mamas, é importan-
te fazer um acompanhamento rigoroso do ganho de peso da criança após o nascimento, 
pois é possível tratar-se de insufi ciência de tecido mamário.
1.8.2 Início da amamentação 
Os primeiros dias após o parto são fundamentais para o sucesso da amamentação. 
É um período de intenso aprendizado para a mãe e o bebê. 
Os seguintes aspectos devem ser discutidos com as mães que planejam amamen-
tar os seus fi lhos:
1.8.2.1 Comportamento normal do bebê
O entendimento da mãe e das pessoas que vão conviver com o bebê sobre as ne-
cessidades deste é fundamental para a tranqüilidade de todos os membros da família.
O comportamento dos recém-nascidos é muito variável e depende de vários fa-
tores, como idade gestacional, personalidade e sensibilidade do bebê, experiências intra-
uterinas, vivências do parto e diversos