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ESTRUTURA DAS IMUNOGLOBULINAS MIELOMA MULTIPLO LAÍS CRISTINA – CURSO DE MEDICINA Os plasmócitos são células capazes de produzir e secretar imunoglobulinas, ou anticorpos. Quando há multiplicação de um clone plasmocitário, aparece no plasma um pico de imunoglobulina específica. Tipicamente acompanhada pela produção monoclonal de imunoglobulina – a produção normal é a policlonal. o 55% IgG Os plasmócitos produzem imunoglobulinas. Ao todo são 5 classes: IgG, IgE, IgD, IgM e IgA. A detecção da proteína monoclonal pode ser feita no soro e/ou na urina Efeitos: dor óssea, anemia, suscetibilidade à infecções, hipercalcemia, insuficiência renal. EPIDEMIOLOGIA Representa 1% de todas as doenças neoplásicas 13% dos canceres hematológico > 50 anos mais afetada Homens Neoplasia mais comum em negros Em pacientes < 60 anos, a sobrevida média em 10 anos é de aproximadamente 30% FATORES DE RISCOS Exposição a pesticidas e radiação Mineiros Não há uma associação viral Parentes de primeiro grau de portadores de mieloma Obesidade Maior incidência em pacientes com HIV Gamopatia de significado indeterminado (o indivíduo tem proteína monoclonal no soro ou na urina, mas não possui o mieloma, sendo uma possível condição prévia): 1/3 dos casos emergem de alguma desordem monoclonal pré existente. São proteínas compostas por quatro cadeias polipeptídicas, duas cadeias pesadas e duas leves. Cada cadeia possui em sua extremidade a região variável (V), que confere especificidade do anticorpo ao seu antígeno e, na outra extremidade, a região constante (C). Os isótopos de cadeia pesada são a base para a classificação da imunoglobulinas em 5 classes: IgG, IgA, IgM, IgD e IgE. PATOGÊNESE PLASMOCITOSE MEDULAR + GAMOPATIA MONOCLONAL + LESÕES DE ÓRGÃO ALVO O clone neoplásico origina-se do linfócito B Os linfócitos B são gerados e maturados na MO, logo após, deslocam-se para órgãos linfoides secundários, como linfonodos e baço. O clone neoplásico pode surgir inicialmente no tecido linfoide, porém só irá proliferar na MO. Células de Mott – “Células do mieloma”, alguns com morfologia semelhante aos plasmócitos normais e outros com características atípicas, plasmócitos grandes, binucleados ou trinucleados, com vacúolos citoplasmáticos. As células do mieloma se proliferam na MO, ocupando espaço das células hematopoiéticas. Liberando substâncias que inibem a proliferação dos eritroblastos (anemia e eventual pancitopenia) e ativam osteclastos (células responsáveis pela reabsorção óssea). A IL 6 é uma citocina fundamental para proliferação das células mielomatosas. Em 50% dos casos, pode haver anomalias citogenéticas: trissomia do 9, translocações. A deleção 17p confere péssimo prognóstico. QUADRO CLÍNICO O quadro clínico inicial pode ser indolente ou agressivo Pode ser assintomático nos estágios iniciais Dor óssea é a principal queixa – principalmente na região lombar, sendo menos comum nas extremidades. Intermitente e refratária aos AINEs. Geralmente movimento – dependente. Lesões esqueléticas - lesões líticas, arredondadas do tipo “insuflantes”. o As lesões ósseas do mieloma geralmente não são detectadas pela cintilografia óssea, visto que a atividade osteoblástica está inibida, não havendo nova formação óssea. o O Rx, TC e RNM, bem como PET scan são os exames de imagem capazes de detectá-las. Dor lombar e anemia em idosos – obrigatória investigação de mieloma múltiplo Principais manifestações: anemia, infecções frequentes, lesões ósseas, insuficiência renal. Hipercalcemia Hiperviscosidade quando o componente monoclonal está muito elevado. o Gerando sintomas de cefaleia, fadigam distúrbios visuais, papiledema, epistaxe, hemorragias retinais, zumbidos auditivos e ataxia. Infecções frequentes são as principais causas de morte no MM. Compressão medular – considerada uma emergência oncológica, necessita de tratamento imediato com corticoterapia em alta dose, dexametasona, e assim que possível, radioterapia. Insuficiência renal aguda – aumento de ureia e creatinina Síndrome de compressão medular Fratura óssea Sepse Coma 1. A doença acomete múltiplos focos da MO funcionante. Presentes nas costelas, coluna vertebral, esterno, clavículas, ossos do crânio, pelve, escápulas e extremidades proximais. Esses ossos podem ser fonte de dores, fraturas e lesões líticas. 2. A anemia é decorrente tanto da ocupação da MO, como dos fatores inibitórios da eritropoiese. 3. 80% dos casos podem aparecer cadeias leves na urina – Proteina de Bence Jones 4. A destruição óssea continua promove hipercalcemia e hipercalciúria. 5. O número de imunoglobulinas normais estará baixo (hipogamabulinemia funcional) sendo principal mecanismo de susceptibilidade à infecções. INVESTIGAÇÃO DIAGNÓSTICA História clínica e exame físico Exame laboratorial: sangue e urina Exames radiológicos: raio X, tomografias, RNM Avaliação da MO DIAGNÓSTICO Eletroforese de proteínas Pesquisa do componente M e sua quantificação no soro e/ou na urina é fundamental para o diagnóstico do MM. Sua quantificação é importante para o prognóstico, quanto maior, pior o prognóstico (significa maior carga tumoral) Imunofixação – confirma a suspeita de monoclonal e identifica a cadeia envolvida. “Tipagem do componente M” RX esqueleto (PADRÃO OURO) – demonstra lesões líticas quando 50% do osso trabecular é afetado, devido ação dos osteoclastos. O MM de cadeia leve está relacionado a um pior prognóstico O IgG de melhor prognóstico, com chance menor de insuficiência renal e hipercalcemia. CRITÉRIOS DIAGNÓSTICO 1. Presença de proteína monoclonal sérica ou urinária 2. Presença de plasmocitoma ou > 10% plasmócitos na MO 3. Lesão de órgão alvo C – HIPERCALCEMIA (CÁLCIO > 10,5 MG/DL) R – INSUFICIÊNCIA RENAL (CREATININA > 2 MG/DL) A – ANEMIA (HEMOGLOBINA < 10 G/DL) B – LESÕES OSTEOLÍTICAS (OSTEOPOROSE COM FRATURAS) Ps. O tratamento só é iniciado quando ocorre lesão de algum órgão alvo. MIELOMA MÚLTIPLO SMOLDERING OU ASSINTOMÁTICO 1. Proteína M > 3 g/dl (IgG) ou > 2 g/dl (IgA) 2. Plasmócitos > 10% na MO 3. Ausência de lesões líticas, anemia, hipercalcemia ou insuficiência renal 4. Não preencher critérios de CRAB MIELOMA MÚLTIPLO SINTOMÁTICO 1. Proteína monoclonal presente, sérica e/ou urinária 2. Plasmócitos monoclonais na MO > 10% e/ou plasmocitoma 3. Dano orgânico relacionado ao mieloma múltiplo – critérios de CRAB TRATAMENTO GMSI, MM smoldering ou assintomático: observação Plasmocitoma isolado: radioterapia Mieloma múltiplo sintomático: tratamento imediato Cuidados: profilaxia de infecções; avaliação odontológica pré terapia; órteses; bifosfonatos. 1. Abordagem mínima: agente imunomodulador (talidomida, lenalinomida) + glicocorticoide em doses moderadas e altas (dexametasona 40 mg/dia durante quatro dias/mês). 2. Pode ser adicionado uma terceira droga: inibidores de proteassoma, o Bortezomib. 3. Na prática: RVD: lenalinomida + bortezomib + dexametasona. TRATAMENTO DAS COMPLICAÇÕES CRISE HIPERCALCÊMICA: ca sérico > 12 mg,dl, poliuria, vômitos, desidratação, IRA e encefalopatia, sendo potencialmente fatal. Soro fisiológico 0,9% para aumento da diurese, excreção de Na acompanhado de cálcio Furosemida com bom efeito calciúrico. Em pacientes já hidratados com débito urinário baixo, pode empregar dose de até 80 mg intravenosa a cada 2 horas. Corticoterapia – prednisona 25 mg 4 vezes/dia Bifosfonatos – age diminuindo a ação dos osteoclastos. Pamidronato de sódio e o zolendronato. INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA: Hidratação venosa SF 0,9% Plasmaférese – retirar boa parte das cadeias leves presentes no plasma Em casos de síndrome urêmica, deve-se instalar hemodiálise ou diáliseperitoneal. ANEMIA: reposição de hemácias e eritropoetina recombinante.