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TRANSTORNO DEPRESSIVO MAIOR/DEPRESSÃO E DISTIMIA

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• Conceito 
As EMOÇÕES são respostas TRANSITÓRIAS a um estímulo específico no ambiente, no corpo ou na mente. 
Quando uma emoção se torna PROLONGADA e DOMINANTE é chamada de HUMOR – assim, o humor 
pode ser independente das circunstâncias IMEDIATAS, o que torna mais difícil o estudo, em laboratório, dele! 
Esse humor pode ser um SINAL observado pelo médico, como a presença de um rosto infeliz, ou pode ser 
um SINTOMA exclusivo do paciente, como a sensação de desesperança. 
Para categorizar os transtornos de humor 
(diferenciando de transtornos cognitivos), há uma 
atenção especial para os SINTOMAS, HISTÓRIA 
PREGRESSA DO TRANSTORNO, PADRÃO DE 
TRANSMISSÃO FAMILIAR e RESPOSTA AO 
TRATAMENTO. Com esses dados, um paciente pode 
ser diagnosticado com DEPRESSÃO UNIPOLAR (em 
que só há episódios depressivos) e TRANSTORNO 
BIPOLAR (quando há alternância entre episódios 
depressivos e de mania), além de diferenciar se o 
transtorno é PRIMÁRIO ou SECUNDÁRIO (induzido 
por fármaco, hipotireoidismo, Parkinson em idosos). 
Embora sejam tratados de forma separada, pode-se 
considerar que o transtorno BIPOLAR seja, na 
verdade, uma forma mais GRAVE da depressão 
maior. 
 Além da classificação em UNIPOLAR/DEPRESSÃO MAIOR e em BIPOLAR, pode haver uma divisão em 
HIPOMANIA (quando os sintomas maníacos não satisfazem os critérios de um episódio clássico), CICLOTIMIA 
(forma menos grave do transtorno bipolar) e DISTIMIA (forma menos grave do transtorno depressivo maior). 
Os transtornos DEPRESSIVOS incluem: transtorno disruptivo da desregulação do humor; Transtorno 
Depressivo maior (TDM); transtorno depressivo persistente (distimia); transtorno disfórico pré-menstrual; 
induzido por medicamento/substância; induzido por outra condição médica – obviamente, o TRANSTORNO 
DEPRESSIVO MAIOR (TDM) é a condição clássica desse grupo!! Todos esses transtornos de humor incluem 
PRESENÇA DE HUMOR TRISTE, VAZIO OU IRRITÁVEL, que está acompanhado de alterações SOMÁTICAS e 
COGNITIVAS que afetam o funcionamento (social, cognitivo) do indivíduo, diferindo entre si nos ASPECTOS 
DE DURAÇÃO e na ETIOLOGIA!! 
➔ O transtorno disruptivo da desregulação do humor em crianças até 12 anos de idade, por 
exemplo, é apresentado como irritabilidade persistente e episódios frequentes de descontrole 
comportamental extremo – geralmente, quando apresentam esse padrão na infância, ao 
evoluírem para a vida adolescente/adulta tipicamente apresentam DEPRESSÃO MAIOR OU 
TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA (TAG)!! 
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• Depressão Unipolar/Depressão Maior (TDM) 
É um transtorno depressivo maior ocorre SEM HISTÓRIA DE EPISÓDIO MANÍACO OU HIPOMANÍACO e tem 
como traço principal o DESÂNIMO (disforia), que está presente na maior parte do dia e em vários dias, 
frequentemente acompanhado de ANGÚSTIA e INCAPACIDADE DE SENTIR PRAZER (anedonia), com 
consequente PERDA DE INTERESSE NO MUNDO. O transtorno depressivo maior se diferencia da tristeza 
normal ou do luto pela GRAVIDADE, ONIPRESENÇA, DURAÇÃO e ASSOCIAÇÃO COM OUTROS SINTOMAS 
FISIOLÓGICOS, COMPORTAMENTAIS E COGNITVOS. 
➔ Sintomas Fisiológicos: distúrbios do sono (despertar precocemente, insônia, sonolência), alterações 
no apetite (perda ou aumento do apetite), perda de peso e falta de energia 
➔ Sintomas Comportamentais: lentidão no movimento (retardo psicomotor) ou agitação 
➔ Sintomas Cognitivos: são evidentes no conteúdo dos pensamentos (desesperança, inutilidade, culpa, 
ideação suicida) e nos processos cognitivos (dificuldade de concentração, prejuízo de memória) 
➔ Sintomas Psicóticos: nas formas mais GRAVES, pode apresentar delírios (falsas crenças inabaláveis 
que não podem ser explicadas). Esses sintomas são um REFLEXO DO SENTIMENTO, i.e., se uma 
pessoa se sente podre por dentro, pode acreditar que exala um forte odor 
A depressão unipolar, episódica, primária, com PELO MENOS 2 SEMANAS DE 
DURAÇÃO é considerada DEPRESSÃO MAIOR. Cerca de metade dos casos acomete 
jovens com menos de 25 anos, e, quanto mais cedo na vida aconteceu o episódio, 
maior a chance de RECORRÊNCIA (2º episódio). Quando ocorre o 2º episódio, um 
PADRÃO DE REMISSÕES se instala, sendo que algumas pessoas não se recuperam 
completamente de um episódio agudo, apresentando uma DEPRESSÃO CRÔNICA e 
constante mais amena que pode ser pontilhada por episódios mais graves. As 
depressões CRÔNICAS LEVES por mais de 2 anos são chamadas de DISTIMIAS, que, 
embora possua sintomas mais leves, são, a longo prazo, muito incapacitantes. 
 
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Diagnóstico 
Apresentar 5 OU MAIS dos seguintes sintomas na maior parte dos dias, quase todos os dias, em um período 
de 2 SEMANAS, representando uma mudança em relação ao funcionamento anterior. PELO MENOS um dos 
5 ou mais sintomas deve ser HUMOR DEPRIMIDO e/ou ANEDONIA. 
Não incluir sintomas nitidamente associados a outra condição médica. 
Esses sintomas causam sofrimento clinicamente significativos ou prejuízo no funcionamento social. 
O episódio não é atribuível aos efeitos fisiológicos de uma substância e/ou condição médica. 
Nas crianças e adolescentes, o humor pode ser irritável ao invés de triste. 
 
É importante distinguir entre único e recorrente, uma vez que o CRITÉRIO DE RESOLUÇÃO (i.e., a duração 
do tratamento e a resolução para os sintomas) para cada episódio é diferente. 
➔ Episódio único – a depressão pode ocorrer como um EPISÓDIO ÚNICO ou ser RECORRENTE, sendo 
o primeiro diferenciado do segundo pelo CURSO INCERTO dos transtornos únicos!! 
➔ Recorrente – Aqueles indivíduos que estão vivenciando pelo menos um SEGUNDO episódio de 
depressão são classificados com TRANSTORNO DEPRESSIVO MAIOR RECORRENTE. Para que sejam 
classificados como dois episódios distintos, é importante que haja uma separação entre os dois de, 
pelo menos, DOIS MESES, dos quais o paciente não pode ter sintomas significativos. 
 
No registro, seguir a ordem: transtorno depressivo maior, episódio único ou recorrente, especificadores de 
gravidade/psicótico/remissão, seguidos pelos especificadores sem código que se aplicam ao episódio atual 
(sintomas ansiosos, características mistas, melancólicas, atípicas, psicóticas congruentes ou incongruentes 
com o humor, catatonia). 
 
Luto X Episódio Depressivo 
 
Respostas a uma PERDA SIGNIFICATIVA (p. ex., luto, ruína financeira, perdas por um desastre 
natural, uma doença médica grave ou incapacidade) podem incluir os 9 sentimentos citados 
do DSM 5, tornando-se parecido com um episódio depressivo. Essa resposta à perda é 
FISIOLÓGICA, porém não exclui a possibilidade de um TRANSTORNO DEPRESSIVO MAIOR, 
sendo importante avaliar a HISTÓRIA DO INDIVÍDUO e as NORMAS CULTURAIS para a 
expressão de sofrimento no contexto de uma perda. Pacientes com transtorno depressivo 
maior e luto associados apresentam um PROGNÓSTICO PIOR, porém esse fenômeno tende 
a ocorrer em pessoas com outras VULNERABILIDADES para o transtorno. 
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Características para diferenciar Luto de Transtorno Depressivo Maior (TDM): 
• Flutuação - A disforia no luto pode diminuir de intensidade ao longo de dias a semanas, ocorrendo 
em ondas, conhecidas como “dores do luto”, e tendem a estar associadas a pensamentos ou 
lembranças do falecido. O humor deprimido de um transtorno depressivo maior é mais PERSISTENTE 
e não está ligado a pensamentos ou preocupações específicos. 
 
• Conteúdo dos pensamentos - Os pensamentos no luto geralmente apresentam 
preocupação com LEMBRANÇAS DO FALECIDO, em vez das ruminações 
autocríticas ou pessimistas encontradas no TDM. 
 
• Autoestima - No luto, a autoestima costuma estar preservada, ao passo que no TDM 
os sentimentos de desvalia e aversão a si mesmo são comuns. Se presente no luto, 
a ideação autodepreciativa costuma envolver a percepção de falhas em relação ao 
falecido (p. ex., não ter feito visitas com frequência suficiente, não dizer ao falecido 
o quanto o amava). 
 
• Suicídio - Se