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Apostila_LCB0103_2021_PTG

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LCB-0103 MORFOLOGIA VEGETAL 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
1. 1. FANERÓGAMAS: CARACTERÍSTICAS GERAIS 
 
 
 
Grupo bastante desenvolvido e heterogêneo, com aproximadamente 800 espécies. 
Composto por plantas lenhosas, caulescentes ou raramente acaules, com folhas fotossintetizantes 
grandes, pinadas ou, mais frequentemente, com folhas fotossintetizantes pequenas, simples, de 
várias formas e geralmente com disposição espiralada. Folhas férteis de sexos separados, as 
femininas denominadas megasporófilos e masculinas denominadas microsporófilos; 
geralmente reunidas estróbilos ou cones, terminais ou laterais, raras vezes solitárias, em plantas 
monóicas ou dióicas. 
A palavra gimnosperma deriva do grego “gimno”, que significa nú e “sperma” que quer 
dizer semente. Portanto, uma das principais características deste grupo é que seus óvulos e o 
produto do seu desenvolvimento, ou seja, as sementes encontram-se expostos na superfície dos 
megasporófilos. As folhas férteis femininas (megasporófilos) são abertas, portanto não há a 
formação de ovário e, conseqüentemente, não ocorre a formação do fruto. Cada um dos 
gametófitos femininos deste grupo produz, com raras exceções, vários arquegônios. 
Conseqüentemente, mais de uma oosfera pode ser fertilizada e, portanto, vários embriões podem 
iniciar o seu desenvolvimento dentro de um único óvulo. Este fenômeno é conhecido como 
poliembrionia. Na maior parte dos casos, apenas um embrião sobrevive. 
Neste grupo, a água não é necessária como um meio de transporte para os 
anterozóides. Ao invés disto, o gametófito masculino, parcialmente desenvolvido, que é o grão 
de pólen, é transportado para as proximidades do gametófito feminino por meio do processo de 
polinização que, em geral, se dá pelo vento (anemofilia). Depois da polinização, o grão de 
pólen produz o tubo polínico ou microprotalo. Os tubos polínicos podem crescer por muitos 
meses no tecido nucelar (megasporângio) antes de atingir a câmara arquegonial, ou seja, a 
cavidade superior do gametófito feminino. 
Nas “gimnospermas” mais basais, cicadáceas e ginkgoáceas, os anterozóides são 
ciliados e o tubo polínico rompe-se os liberando dentro da cavidade arquegonial (Figura 1). Em 
seguida estes se movem até o arquegônio. 
 
 
1.1.1. “GIMNOSPERMAS” 
 
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FIG. 1 – 1) Folha fértil feminina de Cycas revoluta e Cycas circinalis, respectivamente. Observar que os 
carpelos são abertos (megasporófilos) e os óvulos (ov) expostos. 2) Microsporófilo isolado. 3) Anterozóide (= 
gameta masculino) de Zamia floridana. 4) Corte longitudinal do óvulo de Dioon edule, pólo micropilar do 
nucelo, no momento da fecundação (Cp, câmara polínica, afundada; Nu, nucelo; Ca, câmara do arquegônio; 
Pse, parede do saco embrionário). Os tubos polínicos (microprotalos) fixados no tecido nucelar penetram 
livremente, com o seu ápice arquegonial. Um tubo polínico já liberou os dois anterozóides. Os arquegônios, 
reconhecíveis pelas grandes oosferas, erguem-se por cima do tecido do megaprotalo (Mp) 
(Adaptado de WEBERLING-SCHWANTES, 1986). 
 
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 Nas “gimnospermas” mais derivadas, como as pináceas e araucariáceas, os tubos polínicos 
conduzem os gametas masculinos diretamente ao arquegônio, tal processo é denominado 
sifonogamia. 
 
 
 
 
 
 
 
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FIG. 2 – 1) Grão-de-pólen (microgametófito = andrófito) de Pinus sp.; 2) Grão-de-pólen emitindo o tubo 
polínico (microprotalo) em Pinus sp.; 3) Corte longitudinal do óvulo de Pinus sp. (Cp, câmara polínica; Nu, 
nucelo; O, oosfera; Mp, megaprotalo). Observar o processo de fecundação em Pinus sp. (Adaptado de 
COCUCCI, 1983). 
Célula do tubo 
Células protalares 
degeneradas 
Célula 
germinativa 
Sacos aéreos 
Núcleos 
espermáticos 
Célula germinativa 
Cp 
Nu 
sifogamia 
o 
Mp 
Gametas ♂ 
 
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Nas “gimnospermas”, as sementes compõem-se de um envoltório (tegumento), 
um embrião e reserva nutritiva que provém do gametófito feminino haplóide. 
 
1.1.2. “ANGIOSPERMAS” 
 
Constituem o grupo dominante de plantas vasculares com aproximadamente 
235.000 espécies. 
São amplamente diversificadas no que se refere às suas estruturas vegetativas, 
porém, a principal característica deste grupo é a flor, que constitui um ramo determinado, 
portador de esporófilos arranjados em verticilos; sua estrutura será estudada num capítulo à 
parte. 
A palavra angiosperma deriva do grego “angeion”, que significa vaso ou 
receptáculo e “sperma”, que quer dizer semente. Portanto a estrutura que mais se distingue 
é o carpelo (megasporófilo). É uma estrutura foliácea que sofreu um dobramento a fim de 
incluir os óvulos e uma diferenciação em ovário basal inflado, um estilete filamentoso e um 
estigma captador dos grãos de pólen. 
 O saco embrionário (gametófito feminino) é na maior parte das vezes, composto 
de 7 células e 8 núcleos. Não há arquegônios e a oosfera (célula-ovo) associa-se a duas 
sinérgides. 
Os grãos de pólen (gametófito masculino) são transportados das anteras até o 
estigma (polinização). Esta se dá por vários mecanismos (bióticos e abióticos). Os 
primeiros insetos polinizadores foram provavelmente os besouros (cantarofilia). O 
fechamento do carpelo pode ter constituído um meio de proteger os óvulos de serem 
predados ou danificados no curso da polinização. 
No estigma, os grãos de pólen germinam formando um tubo (microprotalo) que, ao 
atingir o saco embrionário (megaprotalo), possui duas células generativas funcionais: a 
primeira une-se à oosfera (fecundação ou singamia) e a outra se une aos dois núcleos 
polares dando origem, respectivamente, à formação de um zigoto diplóide (2n) e de um 
núcleo triplóide (3n) que formará o endosperma. Este fenômeno denomina-se dupla 
fecundação. 
Com a fecundação, os óvulos transformam-se em sementes e os ovários 
(acrescidos ou não de outras partes florais) transformam-se em frutos, os quais envolvem 
as sementes que se compõem do(s) tegumento(s), embrião e reserva nutritiva proveniente 
do endosperma triplóide. 
 
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FIG. 3 – 1) Flor de “angiosperma”; 2) Corte longitudinal do saco embrionário (gametófito) mostrando o 
processo de dupla fecundação, (a) fusão do 1° núcleo gamético masculino e a oosfera; (b) fusão do 2° 
núcleo gamético masculino com os núcleos polares (Adaptado de COCCUCI, 1983). 
 
filete 
antera 
micrósporo 
 Estame 
 (conj. ANDROCEU) 
 sépala (conj. CÁLICE) 
 pétala (conj. COROLA) 
 ovário 
estilete 
estigma 
óvulo 
saco embrinário 
 GINECEU 
 a 
 b 
nectário 
 
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As “angiospermas” agrupavam-se em duas grandes classes: 
 
- Eudicotiledôneas 
Caracterizam-se por possuírem, geralmente, um embrião com duas folhas 
cotiledonares, flores dímeras, tetrâmeras ou pentâmeras, as folhas com nervação reticulada; 
caule ramificado e sistema radicular pivotante e geralmente apresentam crescimento 
secundário. 
 
- Monocotiledôneas 
São plantas em sua grande maioria cujo embrião possui apenas um cotilédone, 
flores trímeras, folhas paralelinérvias, caules não ramificados e sistema radicular 
fasciculado. 
 O quadro a seguir deverá ser completado com as principais diferenças morfológicas 
entre “gimnospermas” e “angiospermas”. 
 
 
 
 
 
 
 “GIMNOSPERMAS” “ANGIOSPERMAS” 
 EUDICOTILEDÔNEAS MONOCOTILEDÔNEAS 
Raiz 
Caule 
Folha 
Flor 
Fruto 
Fecundação 
Polinização 
Semente 
 
7 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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1.1.3. ORGANIZAÇÃO DAS PLANTAS SUPERIORES (FANERÓGAMAS) 
 
 Para a melhor compreensão das partes que compõem o corpo vegetal adulto é 
necessário conhecer as fases iniciais do seu desenvolvimento. 
 O termo plântula (‘seedling’, em inglês) é aplicado a estas fases iniciais. Em geral, 
corresponde ao período que vai desde o início da germinação até a perda das folhas 
cotiledonares.