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Síndrome Dispéptica Sintoma ou um conjunto de sintomas que alerta quanto à presença de um problema gastrointestinal superior. Sintomas: Dor ou queimação epigástrica; Saciedade precoce e preenchimento pós-prandial; Eructação, distensão abdominal; Náuseas ou desconforto na parte superior do abdome. Etiologia: Não urgente (comuns): Dispepsia funcional; DRGE (doença do refluxo gastroesofágico); Úlcera péptica; Gastroparesia; Dispepsia induzida por medicamento; Colecistopatia. Urgentes (incomuns): Doença arterial coronariana/ Síndrome coronariana aguda; Neoplasia do trato gastrointestinal superior; Pancreatite aguda; Neoplasia pancreática. Abordagem: Questionamento minucioso de cada sintoma, Duração, Piora recente, Sinais de alarme: vômitos incoercíveis, sangramento ou anemia, massa abdominal, perda de peso não intencional, disfagia, odinofafia. História familiar positiva para neoplasia. Dispepsia não investigada: è classificada como uma afecção com sintomas característicos clinicamente avaliados como sendo originários do TGI superior, mas que não foram recentemente investigados pela endoscopia digestiva alta. Dispepsia Funcional (dispepsia não ulcerativa): Refere-se a uma situação em que a endoscopia digestiva alta não revelou uma causa potencial para a dispepsia. Causas: hipersensibilidade duodenal, distúrbios de motilidade, irritabilidade pós infecciosa e fatores psicossociais. Não há achados na endoscopia (EDA). A mesma só é realizada em casos em que após meses realizando o tratamento com a bomba de prótons o paciente não apresenta melhoras ou caso o paciente seja de risco, com histórico familiar de câncer gástrico na família. No caso da dispepsia funcional, sem sinal de alarme deve-se fazer testes não invasivos, e tratar com inibidores da bomba de prótons, por 4 a 8 semanas e posteriormente reavaliar o paciente. A dispepsia funcional é um diagnóstico de exclusão, ou seja, só de estabelece após terem outras etiologias de dispepsia descartadas. Como fazer a exclusão: - Clínico: Presença de pelo menos um dos sintomas definido pelo critério de Roma IV (dor epigástrica, plenitude pós-prandial, saciedade precoce, queimação estomacal) nos último 3 meses, com início há 6 meses, no mínimo. - Exames complementares: EDA: ausência de lesões no estômago ou duodeno que possam ser responsáveis pelos sintomas. Descartar outras causas que justifiquem os sintomas, como problemas no pâncreas ou na vesícula biliar. - Segundo o critério de Roma IV, a dispepsia funcional engloba duas síndromes clínicas diferentes: a Síndrome da dor epigástrica e a Síndrome do desconforto pós-prandial, com isso diferenciando a Síndrome dispéptica do DRGE. Exame físico normal, hemoglobina normal e teste de urease negativo. Fatores psicossociais associados. Infecção por H.pylori: Geralmente, apresenta histórico de úlcera péptica. Teste respiratório da urease. Teste do antígeno fecal para H.pylori. O uso prévio de IBP e antibióticos pode interferir no resultado dos exames. Pesquisa de H.pylori por EDA. Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE): Sintomas: Pirose (queimação retroesternal - torácica), regurgitação ácida, globus, epigastralgia e queimação. História familiar de DRGE e hérnia hiatal. Exame físico: distensão abdominal, laringite, erosão do esmalte dos dentes e halitose. Teste terapêutico com IBP -> Reavaliação EDA: sinais de alarme; > 5 anos de história (risco de esôfago de Barret); refratariedade ao teste com IBP. EDA: Ulceração, estenose, esôfago de Barret. Pode ser normal -> Phmetria. Caso a pessoa tossia e do nada pare de tossir, é preocupante, aponta a favor da evolução para um esôfago de Barret. Úlcera péptica: História de uso de AINE ou corticóide, tabagismo, história prévia de doença ulcerosa. Sintomas: Epigastralgia geralmente melhora com ingestão de alimentos. Exame físico: dor à palpação da região epigástrica. EDA: Realizada se sinais de alarme ou refratariedade ao tratamento com IBP. Sempre pesquisar H.pylori. Gastroparesia: Sintomas: Náuseas pós-prandiais, vômitos, saciedade precoce, distensão abdominal e dor epigástrica. Pacientes diabéticos (DM1 e DM2): Esvaziamento gástrico tardio -> retenção de conteúdo estomacal. Descontrole glicêmico, outras complicações crônicas do DM. Na maioria das vezes o paciente diabético, ou até mesmo no paciente que foi submetido a cirurgia abdominal. É de suma importância perguntar os medicamentos que o paciente faz uso, mesmo que periodicamente, com AINEs, metformina (dispepsia e diarréia)... Deve-se procurar coincidências, por exemplo, quando começo a dor? a mesma época em que passou a usar o remédio? Assim, deve-se realocar o remédio ou trocá-lo. Dispepsia induzida por medicamentos: Deve-se fazer a história completa dos medicamentos usados, como AINEs, alendronato, acarbose, codeína, ferro, metformina, antibióticos orais (macrolídeos), orlistate, corticóide, corticóide (inibidores da ciclo-oxigenase COX-2 e aspira). Estes podem ser irritantes para o TGI, particularmente em sua porção superior onde a exposição às secreções gástricas ácidas e podem contribuir para os problemas. A COX-1 tem um efeito protetor de manutenção da mucosa gastrointestinal, e quando bloqueada por aspirina ou AINES’s, a mucosa pode tornar-se irritada. Os inibidores seletivos COX-2 têm cerca de metade da probabilidade dos AINE’s não seletivos de causar ulceração. O consumo de álcool excessivo pode causar gastrite. Avaliar o vínculo entre o início do uso do medicamento e dos sintomas dispépticos. O diagnóstico é clínico. Colecistopatias: Pode apresentar-se como dor epigástrica ou dor em hipocôndrio direito que irradia para a escápula direita. Sintomas: Náuseas e vômitos. Exame físico: Dor à palpação da região epigástrica e hipocôndrio direito, Sinal de Murphy positivo, icterícia. US abdominal: cálculos, dilatação dos ductos biliare, obstrução por cálculo, inflamação da vesícula biliar. Doença arterial coronariana: Sexo masculino é o mais comum. Pode aparecer e se apresentar com um início súbito, investigar a doença arterial coronariana, fatores de risco (avanço da idade, sexo masculino, hipertensão arterial, diabetes, obesidade, hipelipidemia). Podendo ter dor torácica, palpitações, dispnéia, fraqueza e tontura. Fazer uma boa anamnese, perguntando se é de início súbito, se tem fatores de piora e de melhora. Pode-se pedir enzimas cardíacas mas apenas em 2-3 horas depois do infarto. O eletrocardiograma pode apresentar supra de ST em >2 derivações contíguas que sugere isquemia coronariana. A radiografia torácica pode haver cardiomegalia, congestão venosa pulmonar, derrame, mediastino alargado ou sombra aórtica. Neoplasia do Trata Gastrointestinal superior: Neoplasia é uma causa rara de sintomas do TGI superior na atenção primária, pacientes mais velhos são muito mais propensos que os mais jovens. Dispepsia com agravamento progressivo. Indivíduos com > de 60 anos. Sinais de alarme: Vômitos incoercíveis, Sangramento ou anemia, Massa abdominal, Perda de peso não intencional, Disfagia, Odinofagia. Exame físico: massa abdominal, caquexia, linfadenopatia (particularmente área supraclavicular esquerda), hepatomegalia ou massa hepática. Exames complementares: EDA com biópsia do trato gastrointestinal, TC de ebdome, US abdome. Um paciente com refluxo que tossiu a vida toda e do nada para, este paciente tem autorização para ir direto para a EDA. A palpação linfonodal pode encontrar linfonodos endurecidos, aderidos e indolores. Doenças pancreáticas: História: Anorexia, dor abdominal, ingestão de álcool, hipertrigliceridemia, portadores do vírus da imunodeficiência humana (HIV), síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS), trauma externo recente. Elevação de lipase. Exame complementares: TC de abdome e US de abdome. Importante: Lembrar sempre: acima de 60 anos, sempre partir a endoscopia. Lembrar sempre de pedir o exame não invasivo primeiro. Referências: Porto, Celmo Celeno. Semiologia médica I Celmo Celeno Porto ; co-editor Arnaldo Lemos Porto. - 6. ed.- Rio deJaneiro: Guanabara Koogan, 2012. Parte 9, Sistema Endócrino e Metabolismo, seção 2, capítulo 73; Doenças do estômago; página 604 a página 607. (Livro físico)