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MOVIMENTOS SOCIAIS NO BRASIL: O MOVIMENTO NEGRO História- 9º ano https://www.bbc.com/portuguese/brasil-44091469 Para começar... Os escravizados no Brasil lutaram e resistiram à escravidão de várias formas: lutando pela liberdade, buscando preservar sua cultura, se organizando em revoltas, quilombos e através do movimento abolicionista, que ganhou força no final do século XIX, graças à liderança de homens como o engenheiro André Rebouças, o poeta Luís Gama, o escritor Joaquim Nabuco e seus aliados na sociedade civil. Graças à luta desses homens e de tantos outros, o movimento pela Abolição assumiu grandes proporções em todo o país, culminando na Lei Áurea, que declarou extinta a escravidão no Brasil. Mas, após a Abolição, os negros libertos enfrentaram muitas dificuldades: desemprego, péssimas condições de vida e preconceito racial. Nesse estudo, vamos conhecer os vários movimentos de luta e resistência negra na luta por direitos e melhores condições e vida e trabalho. O mundo do trabalho Após o 13 de maio, os libertos buscaram se firmar na sociedade como pessoas livres. Nas áreas rurais, para garantir a sua sobrevivência e emprego, negociaram com os senhores sua permanência nas fazendas em troca de salário, do direito de ter a própria roça e de um tratamento digno. Apesar de serem trabalhadores livres, eram tratados como escravizados. Alguns ocupavam terras abandonadas, onde cultivavam mandioca e criavam animais. Outros se mudavam para as cidades em busca de uma vida melhor. Em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, nem todos conseguiam empregos nas fábricas, pois os empregos estáveis eram ocupados por imigrantes europeus por causa de sua cor e origem. Outros libertos faziam “bicos” em troca de pouco dinheiro. Além da luta por emprego, moradia e salário, os libertos ainda enfrentavam o racismo e a violência policial, que os impediam de circular livremente pelas ruas ou de praticar suas religiões. Nesse contexto, surgiu a imprensa negra.https://brasilescola.uol.com.br/ A imprensa negra A comunidade negra sempre lutou por seus direitos. Após a Abolição, criou jornais próprios, a chamada imprensa negra. De acordo com o historiador Flávio Gomes, os primeiros periódicos editados por negros são do final do século XIX. O Treze de Maio (1888), A Pátria (1889), O Exemplo (1892), que circulou em Porto Alegre, foram alguns deles. Depois vieram O Baluarte (1903), A Pérola (1911), O Menelick (1915), O Alfinete (1918), O Kosmos (1922) e O Clarim da Alvorada (1924). Nas primeiras décadas do século XX, o tema principal desses jornais era a denúncia do racismo, da falta de oportunidades e da violência que atingiam a população negra brasileira. Publicavam também matérias sugerindo comportamentos à população negra, estimulando sua autoestima e valorizando suas formas de associação e participação política. https://cojira.wordpress.com/ A cultura afro-brasileira no pós-Abolição Um dos maiores desafios do movimento negro pós abolicionista foi o resgate da cultura de matriz africana. Apesar de sua resistência, durante a escravidão no Brasil, os negros tinham sua cultura, práticas e costumes rejeitados e eram obrigados a adotar a cultura do "homem branco", de influência europeia. Após a Abolição, a resistência tomou força: Os libertos lutaram por emprego, moradia, renda e também pela divulgação e resgate de sua cultura. Os jornais negros, além das homenagens aos abolicionistas Luís Gama e José do Patrocínio, que eram considerados heróis, divulgavam também os bailes e salões onde se permitia a entrada de negros, já que eram probidos de frequentar outros espaços de lazer. Nesses salões, que eram espaços de lazer reservados a negros, eles se encontravam, exibiam suas danças, elegância de gestos e modos que convinham aos “homens e mulheres de cor”, (segundo linguagem da época), unindo a comunidade negra. Frente Negra Brasileira Em 1931, Francisco Lucrécio, Raul Joviano e José Correia Leite, fundaram a Frente Negra Brasileira (FNB), com sede no Bairro da Liberdade, bairro do centro de São Paulo. A FNB era um movimento nacional de luta contra o racismo. Seus fundadores eram todos negros. A Frente Negra só admitia em suas fileiras pessoas negras que dessem provas de honestidade na vida pessoal. A Frente Negra defendia a instrução como prioridade e promovia cursos de alfabetização de adultos. Propuseram criar uma escola, o Liceu Palmares, para ministrar cursos aos associados da Frente. Esses cursos eram equivalentes ao Ensino Fundamental e Médio de hoje. https://www.bbc.com/ A Frente Negra e a luta contra o racismo Através de sua luta contra o racismo, a Frente Negra alcançou importantes vitórias. Entre elas, podemos destacar a admissão de 400 afrodescendentes para trabalhar na Força Pública de São Paulo, que, até então, nunca tinha aceitado negros em seus pelotões. A Frente Negra, em pouco tempo, conseguiu reunir cerca de 600 mil filiados, residentes em vários estados brasileiros. Seus dirigentes resolveram transformar a Frente Negra em partido político e seu pedido foi aprovado em 1936. Infelizmente, não puderam disputar as eleições porque em 10 de Novembro de 1937, Getúlio Vargas decretou o Estado Novo e instalou uma ditadura no país, mandando fechar todos os partidos políticos, entre eles a Frente Negra Brasileira. Teatro Experimental do Negro (1944-1968) Os negros também lutaram por sua inserção no mundo da cultura. Em 1944, foi fundado, no Rio de Janeiro, o Teatro Experimental do Negro (TEN) que, além da atuação no Teatro, ampliou seu campo de luta para outros setores. Em 1948, iniciou a publicação do jornal Quilombo, que funcionava como veículo de divulgação das ideias do grupo e apresentou um programa de atuação que defendia: • A busca pela valorização do negro brasileiro em todos os setores: educacional, econômico, social, cultural, político e artístico. • A luta pela admissão de estudantes negros (do ensino secundário e superior) em todos os estabelecimentos de ensino particulares e oficiais do país, inclusive nos estabelecimentos militares. O Estado financiaria os estudos desses estudantes, até que o ensino se tornasse gratuito em todos os graus. • O combate aos preconceitos de cor e raça e a toda e qualquer forma de discriminação racial, pois essas práticas eram um atentado contra a civilização cristã, as leis e à Constituição. h tt p :/ /w w w .p al m ar es .g o v. b r/ Exercitando o que você aprendeu Atividades 1- Após a abolição, como os libertos buscaram garantir a sua sobrevivência e emprego? 2- A comunidade negra criou seus próprios jornais, a chamada imprensa negra. Quais eram os principais temas desses jornais? 3- Cite algumas das atividades promovidas pelo movimento negro pós abolicionista para o resgate da cultura de matriz africana. 4- Clique no link abaixo e assista o vídeo. Em seguida, responda às questões. https://www.youtube.com/watch?v=ZxainVYdG1c a) O que foi a Frente Negra Brasileira? b) Quais os principais pontos defendidos pela Frente Negra? c) Por que o entrevistado afirma que a Frente Negra foi uma escola para ele? d) De acordo com o que estudamos e com o relato do entrevistado, como foi a participação das mulheres na Frente Negra? e) Além da Frente Negra, surgiram vários grupos de defesa do direitos negros no Brasil. Pesquise, escolha dois grupos e cite quais as reivindicações e direitos defendidos por eles. https://www.youtube.com/watch?v=ZxainVYdG1c