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A pedagogia da transmissão e a sala de aula interativa
Marco Silva
A sala de aula baseada na pedagogia da transmissão está cada vez mais obsoleta e os estudantes cada vez mais desinteressados das aulas centradas na distribuição de informações para memorização e repetição. Historicamente a escola está baseada no falar-ditar do mestre e na repetição nas provas do que foi dito por ele.
 Paulo Freire criticou intensamente esse modelo educacional. Ele dizia: a educação autêntica não se faz de A para B ou de A sobre B, mas de A com B. Dizia que o papel do professor não é transmitir conhecimento, mas criar as possibilidades para sua própria produção ou construção. No século XXI prevalece a pedagogia da transmissão no ensino básico e na universidade. Não é preciso recorrer a pesquisas acadêmicas para se constatar duas realidades conflitantes que explicam a obsolescência da sala de aula centrada na pedagogia da transmissão:
· O professor é apresentador do conhecimento; repete conceitos, explicações e não sabe construir conhecimento com os estudantes; os conteúdos de aprendizagem devem ser absorvidos, decorados e reproduzidos em provas.
· A oferta atual de informação e conhecimento é cada vez maior e melhor fora da sala de aula, graças aos novos recursos tecnológicos, em especial a internet onde o internauta age diferentemente do espectador da TV, uma vez que é interator que pode operar como autor e coautor.
 Esse quadro se agrava, ampliando a defasagem da escola e da universidade na "era digital" das comunicações. É muito valorizado o investimento em novas tecnologias informáticas aplicáveis na educação, porém pouco se atenta para a necessidade de modificar a sala de aula centrada no professor explicador.
Os alunos da geração digital estão cada vez menos passivos perante a mensagem fechada à intervenção, pois aprenderam com o controle remoto da TV, com o joystick do videogame e agora com o mouse e a tela tátil do smartphone. Eles evitam acompanhar argumentos lineares que não permitem a sua interferência e lidam facilmente com o hipertexto . Eles modificam, produzem, partilham e colaboram online nos jogos e nas redes sociais. Essa atitude autoral e colaborativa diante da mensagem na internet é sua exigência de uma nova sala de aula.
Seja na educação básica e na universidade, seja na educação presencial e a distância, o professor precisará redimensionar sua autoria modificando a base comunicacional em sintonia com a cultura digital e com a educação cidadã (participativa, democrática). Precisará modificar o modelo centrado no falar-ditar do mestre, passando a disponibilizar ao aprendiz autoria em meio a conteúdos de aprendizagem os mais variados possível, em vídeo, imagem, som, textos, gráficos, facilitando permutas, agregações, associações, novas formulações e modificações na tela do computador on-line. Inclusive, notando aí a necessidade de maior investimento braçal e intelectual do que aquele que vinha realizando em sala de aula presencial.
 A aprendizagem não se dá a partir da récita do professor explicador ou do conteúdo de aprendizagem disponibilizado. A mudança da sala de aula requer, portanto, modificação radical em sua tradição unidirecional. O professor não se posicionará como o detentor do monopólio do saber, mas como aquele que dispõe teias, cria possibilidades de envolvimento, oferece ocasião de engendramentos, de agenciamentos e estimula a intervenção dos aprendizes como coautores da comunicação e da aprendizagem.

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