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ANTIBIOTICOTERAPIA

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gram 
negativas. 
 
 
 
CLASSIFICAÇÃO DAS BACTÉRIAS COMUMENTE RELACIONADAS A INFECÇÕES CLÍNICAS: 
* Clostridium e Actinomyces são os únicos germes anaeróbicos presentes nessa 
tabela. 
 
MECANISMOS DE RESISTÊNCIA 
A expressão “resistente” significa que o germe tem a capacidade de crescer in vitro em presença 
da concentração que a droga analisada atinge no sangue, ou seja, o conceito é dose-dependente. No 
entanto, a concentração sanguínea de vários antibióticos é muito inferior à concentração alcançada pelo 
mesmo antibiótico em outros líquidos ou tecidos corpóreos, como a urina. Assim, uma bactéria pode ser 
“resistente” a um determinado antibiótico quando ela está presente na corrente sanguínea, mas “sensível” 
quando está nas vias urinárias. 
 GRAM + GRAM - 
 
COCOS 
Estreptococos 
Estáfilococos 
Enterococos 
Neisserias 
Moraxellas 
 
 
BACILOS 
Listeria 
Corynebacterium 
Clostridium* 
Actinomyces* 
Pseudomonas 
Haemophilus 
Enterobactérias: (E. coli, 
Klebsiella, Salmonella, 
Shiguella) 
“OUTRAS BACTÉRIAS” 
Micobacterium 
Clamydia 
Mycoplasma 
Ureaplasma 
Treponema 
Leptospira 
Borrelia 
 
Fabiana de Abreu Getulino, Nathalia Campos Palmeira, Eduardo Gauze Alexandrino – LACCAD/FURG 
As bactérias possuem diversos mecanismos de resistência aos antibióticos. Os principais são: 
 
1- MECANISMO ENZIMÁTICO: 
A inibição ou inativação enzimática do antibiótico é o principal mecanismo de resistência adquirido 
contra a classe dos beta-lactâmicos (penicilinas, cefalosporinas, carbapenêmicos, monobactâmicos). 
Exemplo - Produção de Beta-lactamases: Nesse caso, as bactérias podem produzir enzimas chamadas de 
beta-lactamases. Essas beta-lactamases são moléculas que fazem clivagem do anel betalactâmico (o qual 
é comum a todos os fármacos betalactâmicos). Ao hidrolisar o anel betalactâmico, essas enzimas inativam 
o antibiótico. Na procura de antibióticos beta-lactâmicos mais resistentes à ação das beta-lactamases, foram 
desenvolvidas combinações do antibiótico beta-lactâmico com agentes inibidores da ação da beta-lactamase 
(exemplos de inibidores de beta-lactamases: Clavulanato, Sulbactam, Tazobactan). 
 
2- ALTERAÇÃO DO SÍTIO DE AÇÃO: 
O sítio de ação em que o antibiótico atua pode ser alterado de maneira que essa estrutura apresente 
uma baixa afinidade pelo agente bacteriano. 
Exemplo - Baixa afinidade da transpeptidase (Alteração da PBP): Pode haver algumas situações em que a 
enzima transpeptidase (PBP) tem uma conformação tridimensional diferente. Essas situações, não 
favorecem o encaixamento correto do antibiótico. Logo, esse antibiótico passa a não alcançar seu 
mecanismo de ação e a parede bacteriana não é lisada, por exemplo. 
 
3- ALTERAÇÃO DO TRANSPORTE: Alteração de Permeabilidade e Bomba de Efluxo 
Esse mecanismo é mais comum em bactérias gram negativas do que em bactérias gram positivas, pois 
a principal barreira à difusão de antibióticos na célula bacteriana é a membrana externa, estrutura 
inexistente em organismos gram positivos. 
Exemplo - Diminuição ou alteração na produção de porinas: As porinas são proteínas-canais presentes na 
membrana externa de bactérias gram negativas. Mutações que causam diminuição na produção ou 
alteração estrutural nessas proteínas levam à redução da permeabilidade celular. 
 
• Produção de enzimas que destroem 
os antibióticos; 
• Alteração no sítio atuação do 
antibiótico; 
• Alteração na permeabilidade da 
membrana; 
• Bombeamento ativo do antibiótico 
para fora da bactéria; 
 
 
Fabiana de Abreu Getulino, Nathalia Campos Palmeira, Eduardo Gauze Alexandrino – LACCAD/FURG 
CLASSIFICAÇÃO DOS ANTIBIÓTICOS: 
Existem várias maneiras de classificar os fármacos antibacterianos, podendo ser de acordo 
com: 
1- ATIVIDADE ANTIBACTERIANA: 
• Bactericidas: matam as bactérias em concentrações plasmáticas seguras para os seres humanos. 
• Bacteriostáticos: inibem o crescimento bacteriano, mas não destroem as bactérias nas 
concentrações plasmáticas que são seguras para os seres humanos. 
2- ESPECTRO DE AÇÃO: 
• Amplo Espectro: fármacos com espectro de ação extenso. 
• Curto Espectro: fármacos com limitado espectro de ação contra bactérias. 
 
 
 
3- MECANISMO DE AÇÃO: 
Os antibióticos podem agir de diferentes formas e em diferentes sítios bacterianos para impedir o 
crescimento e matar a bactéria. O antibiótico pode impedir a formação completa do peptidoglicano, 
inibindo a formação da parede celular deixando a célula bacteriana mais susceptível a ação do 
medicamento; pode inibir a síntese de proteínas bacterianas, inibir a síntese de ácidos proteicos, 
impedindo a produção das proteínas da bactéria e sua replicação; Alguns antibióticos podem mimetizar os 
metabólitos das células bacterianas, se ligando as suas enzimas e as impedem de se reproduzir ou se 
alimentar; outros auam modificando a membrana plasmática da bactéria. 
 
ATENÇÃO: quanto mais específico, melhor o tratamento. Portanto, as drogas de espectro limitado 
devem ser preferidas. O uso inadequado de antimicrobianos de espectro amplo pode desequilibrar a 
microbiota, levando ao surgimento de superinfecções por germes multirresistentes. 
 
 
Fabiana de Abreu Getulino, Nathalia Campos Palmeira, Eduardo Gauze Alexandrino – LACCAD/FURG 
 
Os antibióticos podem ser administrados por diversas vias como: via oral, tópica, parenteral entre 
outros. O intervalo, o tempo de uso e a via preferencial dos antibióticos irão variar de acordo com o tipo do 
processo infeccioso e com sua gravidade. Na tabela abaixo temos os principais representantes de todas as 
classes de antibióticos conhecidas: 
BETALACTÂMICOS 
PENICILINAS 
Penicilinas Naturais: Penicilina G Benzatina (Benzetacil); 
Penicilina G Cristalina; Penicilina G Procaína; Penicilina V 
Oral; 
Aminopenicilinas: Amoxicilina; Ampicilina; 
Penicilinas Antiestafilocócicas: Oxacilina / Meticilina; 
Penicilinas de Amplo Espectro: Piperacilina; Ticarcilina; 
Carbenicilina; 
Penicilinas com Inibidores de Beta-lactamases: 
Amoxicilina-Clavulanato-(Clavulin); Piperacilina-
Tazobactam-(Tazocin); Ampicilina-Sulbactam. 
CEFALOSPORINAS 
Cefalosporinas de 1ª Geração: Cefalexina; Cefadroxila; 
Cefazolina; Cefalotina; 
Cefalosporinas de 2ª Geração: Cefaclor; Cefoxitina; 
Cefuroxima; 
Cefalosporinas de 3ª Geração: Cefotaxima; Ceftriaxona 
(Rocefin); Ceftazidima; 
Cefalosporinas de 4ª Geração: Cefepime; 
Cefalosporinas de 5ª Geração: Ceftarolina; Ceftobiprole 
CARBAPENÊMICOS Imipeném, Meropeném, Ertapeném; 
MONOBACTÂMICOS Astreonam; 
QUINOLONAS/ FLUOQUINOLONAS 
Quinolonas de 1ª Geração: Ácido Nalidíxico 
Quinolonas de 2ª Geração: Norfloxacino; Ciprofloxacino; 
Ofloxacino; 
Quinolonas de 3ª Geração: Lexofloxacino; Moxifloxacino; 
Quinolonas de 4ª Geração: Trovafloxacino; Sitafloxacino; 
NITROFURANTOÍNA: Macrodantina; 
GLICOPEPTÍDEOS Vancomicina; Teicoplanina; 
LIPOPEPTÍDEOS Daptomicina 
OXAZOLIDINONAS Linezolida 
MACROLÍDEOS Eritromicina; Claritromicina; Azitromicina; Espiramicina; 
AMINOGLCOSÍDEOS 
Amicacina; Gentamicina; Estreptomicina; Neomicina; 
Tobramicina; 
IMIDAZÓLICOS 
Antifúngicos: Cetoconazol; Miconazol; Itraconazol; 
Fluconazol; Clotrimazol; 
Antiprotozoários /Anaerobicidas: Metronidazol; 
Antihelmínticos: Albendazol, Mebendazol; 
AFENICÓIS Cloranfenicol 
SULFONAMIDAS 
Mesalazina; Sulfasalazina; Sulfadiazina; Sulfametoxazol-
Trimetoprim (Bactrim); 
LINCOSAMIDAS Clindamicina 
TETRACICLINAS Doxiciclina; Tigeciclina; 
LISTA DAS PRINCIPAIS CLASSES DE ANTIBIÓTICOS E SEUS REPRESENTANTES 
 
Fabiana de Abreu Getulino, Nathalia Campos Palmeira, Eduardo Gauze Alexandrino – LACCAD/FURG 
 
Nesta etapa serão abordadas com maiores detalhes as classes de antibióticos, os representantes 
de cada uma delas e qual a indicação de uso. Por ser um assunto bastante extenso, recomendamos 
que a leitura seja feita de maneira gradual, e que a primeira parte