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Lucas Gustavo Novaes Gonçalves 
ABRANGÊNCIA DAS 
AÇÕES DE SAÚDE - 
AAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Lucas Gustavo Novaes Gonçalves 
AAS – Problema 2 (intermediária) 
 
 Explicar o funcionamento da RAS e 
APS 
 
 Descrever como funciona o sistema 
de saúde nos países do mapa 
 
 Caracterizar o processo de 
implementação e funcionamento da 
RAS na Bahia. 
 
 Explanar sobre a RUE 
 
 Explicar o funcionamento da RAS e 
APS 
 
 Contexto histórico: 
 A origem das Redes de Atenção à 
Saúde (RAS) data da década de 1920, 
mais especificamente no Reino Unido, 
quando foi elaborado o Relatório Dawson, 
como resultado de um grande debate de 
mudanças no sistema de proteção social 
daquele país após a I Guerra Mundial. 
Neste documento consta a primeira 
proposta de organização de sistemas 
regionalizados de saúde, cujos serviços de 
saúde deveriam acontecer por intermédio 
de uma organização ampliada que 
atendesse às necessidades da população 
de forma eficaz. Além disso, esses 
serviços deveriam ser acessíveis a toda 
população e oferecer cuidados preventivos 
e curativos. 
 A discussão sobre a reestruturação dos 
sistemas de saúde segundo a lógica de 
RAS tem outros marcos mais atuais 
decorrentes da reunião de Alma-Ata, 
realizada em 1978. 
 O estímulo à organização de redes 
integradas de atenção à saúde nos 
sistemas municipais e estaduais de saúde, 
como forma de garantir a integralidade, 
universalidade e equidade da atenção à 
saúde da população brasileira, adquire 
maior relevância no final da década de 
1990, quando houve uma retomada da 
discussão sinalizando um esforço para 
superar o problema imposto pela 
fragmentação do sistema de saúde. 
Investiu-se na oferta contínua de serviços 
a uma população territorialmente 
delimitada, focada na Atenção Primária à 
Saúde (APS), desenvolvidos de forma 
interdisciplinar e com a integração entre os 
serviços de saúde, bem como com 
sistemas de informação. A RAS se 
consolida com a publicação da Portaria 
GM nº 4.279 de dezembro de 2010. 
 A implementação das RAS tem como 
desafio a construção de sistemas 
integrados de saúde que se articulem em 
todos os níveis de atenção à saúde, e de 
forma interfederativa mais harmônica 
possível. Por esta razão, os debates em 
torno de uma maior integração nos 
serviços de saúde têm se intensificado 
desde o Pacto pela Saúde, criado em 
2006, e o mais recente Contrato 
Organizativo de Ação Pública (COAP), 
formulado de forma tripartite a partir do 
Decreto nº 7.508/2011, que regulamentou 
a Lei n° 8.080/1990. A esse fato soma-se 
a aprovação e recém atualização de 
diversas Políticas, como a Política 
Nacional de Atenção Básica (PNAB) e a 
Política Nacional de Alimentação e 
Nutrição (PNAN), que exemplifica os 
esforços para a construção de um modelo 
de atenção capaz de responder às atuais 
condições de saúde dos brasileiros, 
efetivando a APS como eixo estruturante e 
coordenador das RAS no SUS. 
 
 Conceito: 
 Segundo a Portaria GM nº 4.279/2010, 
RAS são “arranjos organizativos de ações 
e serviços de saúde, de diferentes 
densidades tecnológicas, que integradas 
por meio de sistemas de apoio técnico, 
logístico e de gestão, buscam garantir a 
integralidade do cuidado”. As RAS têm 
como objetivo promover a integração de 
ações e serviços de saúde para prover 
Lucas Gustavo Novaes Gonçalves 
uma atenção à saúde de forma contínua, 
integral, de qualidade, responsável, 
humanizada, com vistas à consolidação 
dos princípios e diretrizes do SUS. 
 Na Portaria que instituiu as RAS no 
âmbito de SUS, é possível identificar 6 
características importantes e inerentes à 
sua matriz conceitual. São caracterizadas 
por: 
- Formar relações horizontais entre os 
diferentes pontos de atenção: essa 
característica pressupõe que os pontos de 
atenção passem a ser entendidos como 
espaços onde são ofertados serviços de 
saúde, sendo todos igualmente 
importantes para que sejam cumpridos os 
objetivos da rede de atenção. 
- Atenção Primária à Saúde como centro 
de comunicação: embora seja 
preconizada a relação horizontal, ou seja, 
não hierárquica entre os níveis e pontos de 
atenção à saúde, não significa que um 
deles não deva ser priorizado - 
considerando investimentos e alocações 
de recursos. A lógica de organização do 
SUS em redes de atenção a partir da APS 
reafirma o seu papel de (1) ser a principal 
porta de entrada do usuário no sistema de 
saúde; (2) de ser responsável por 
coordenar o caminhar dos usuários pelos 
outros pontos de atenção da rede, quando 
suas necessidades de saúde não puderem 
ser atendidas somente por ações e 
serviços da APS; (3) e de manter o vínculo 
com estes usuários, dando continuidade à 
atenção (ações de promoção da saúde, 
prevenção de agravos, entre 
outros), mesmo que estejam 
sendo cuidados também em 
outros pontos de atenção da 
rede. Essa posição 
estratégica da APS no fluxo 
da atenção à saúde do 
usuário objetiva potencializar 
a garantia da integralidade, 
continuidade, eficiência e 
eficácia do sistema de saúde. 
- Planejar e organizar as 
ações segundo as 
necessidades de saúde de 
uma população 
Específica: as ações, serviços e 
programações em saúde devem basear-se 
no diagnóstico da população adscrita à 
equipe de saúde, considerando fatores e 
determinantes da saúde desta população. 
Na prática, tem se traduzido sob o 
fenômeno da tripla carga de doenças, mais 
precisamente nas condições crônicas de 
doença. Além disso, a ação das equipes 
deve basear-se em evidências científicas 
devidamente constatadas. 
- Ofertar atenção contínua e integral: 
serviços e sistemas integrados poderão 
ser capazes de dar atenção integral aos 
usuários na medida em que, conseguindo 
solucionar aproximadamente 80% dos 
problemas de saúde que são demandados 
pela APS, os outros 20% dos casos 
seguem um fluxo cuja densidade 
tecnológica do tratamento aumenta a cada 
nível de atenção que se sucede. Ao final, a 
continuidade da atenção deverá ser 
mantida pelas equipes da APS. 
- Cuidado multiprofissional: faz-se 
necessária a composição multiprofissional 
das equipes de saúde porque os 
problemas de saúde muitas vezes são 
multicausais e complexos, e necessitam 
de diferentes olhares profissionais para o 
devido manejo. Porém, mais do que a 
multiprofissionalidade, a ação 
interdisciplinar desta equipe deve ser um 
objetivo a ser estabelecido, de modo a 
garantir o compartilhamento e a 
Lucas Gustavo Novaes Gonçalves 
corresponsabilização da prática de saúde 
entre os membros da equipe. 
- Compartilhar objetivos e 
compromissos com os resultados, em 
termos sanitários e econômicos: a 
missão de uma equipe de saúde deve 
contemplar objetivos sanitários (como o 
aumento do aleitamento materno na região 
adscrita, maior e melhor atendimento à 
população, entre outros) e objetivos 
econômicos (como melhor alocação dos 
recursos humanos, tecnológicos e 
financeiros), de modo a gerar o melhor 
custo-benefício para a população 
atendida. 
 Mais um conceito sobre RAS, definido 
pela Organização Pan-americana de 
Saúde: “Redes integradas de serviços de 
saúde, ou sistemas organizados de 
serviços de saúde, ou sistemas 
clinicamente integrados ou organizações 
sanitárias integradas podem ser definidas 
como uma rede de organizações que 
presta ou provê os arranjos para a 
prestação de serviços de saúde 
equitativos e integrais a uma população 
definida, e que se dispõe a prestar contas 
pelos seus resultados clínicos e 
econômicos, e pelo estado de saúde da 
população à qual ela serve”. 
 
 Fundamentos e atributos das redes de 
atenção à saúde: 
 Até aqui nós já vimos um breve 
histórico sobre as RAS no mundo e no 
Brasil, sua definição e suas características. 
Agora é importante conhecer os 
fundamentos e atributos inerentes às RAS, 
os quais são imprescindíveis para sua 
adequada implantação em nível local. Ao 
total, são 10 fundamentos e vários 
atributos, e vamos analisá-losum a um. 
Fundamentos são os alicerces que formam 
e sustentam a base teórica de algo. De 
acordo com Mendes, para serem 
efetivadas de forma eficiente e com 
qualidade, as RAS precisam ser 
estruturadas segundo os seguintes 
fundamentos: 
- Economia de escala: ocorre quando os 
custos médios de longo prazo diminuem, à 
medida que aumenta o volume das 
atividades básicas e concentra os serviços 
especializados em determinado local, 
racionaliza os custos e otimiza resultados. 
 
 
- Suficiência e qualidade: são 
fundamentos ligados à prestação dos 
serviços de saúde, em quantidade e 
qualidade mínimas, e se referem tanto aos 
processos como aos resultados. O objetivo 
é proporcionar o adequado manejo das 
condições de saúde identificadas em nível 
local. 
- Acesso: questão do acesso está 
relacionada à ausência de barreiras no 
momento em que o usuário ‘entra’ no 
sistema e quando se faz necessária a 
continuidade da atenção. 
- Disponibilidade de recursos: este 
fundamento engloba recursos físicos, 
financeiros, humanos e tecnológicos. Ter 
recursos é tão importante quanto sua 
alocação mais custo-efetiva, e sua 
disponibilidade é o que determinará o seu 
grau de concentração de maneira direta. 
Assim, quanto mais escasso o recurso, 
mais ele deve ser concentrado; quanto 
mais disponível, mais deve ser disperso na 
rede de atenção à saúde. 
- Integração Vertical: é referente à 
articulação e coordenação de diferentes 
organizações de saúde responsáveis por 
ações de natureza diferenciada (primária, 
secundária ou terciária). O objetivo é 
agregar valor aos serviços, ou seja, tornar 
o serviço integrado e integral do ponto de 
vista da atenção e das tecnologias 
disponíveis, concretizando um dos 
objetivos centrais do SUS. 
- Processo de substituição: definidos 
como o reagrupamento contínuo de 
recursos entre e dentro dos serviços de 
Lucas Gustavo Novaes Gonçalves 
saúde, para que estes possam resultar em 
melhores resultados sanitários e 
econômicos, considerando aspectos 
relativos tanto às equipes quanto aos 
processos de atenção à saúde. Ou seja, 
tanto profissionais quanto processos e 
atividades são passíveis de substituição, 
reorganização ou aprimoramento. Ex: Ao 
invés de pacientes crônicos estáveis 
ficarem internados em hospitais correndo 
riscos de infecções, pode ser substituído e 
o paciente receber atenção domiciliar. 
- Níveis de atenção: são arranjos 
produtivos conformados segundo as 
densidades tecnológicas singulares, 
variando do nível de menor densidade 
(APS), ao de densidade tecnológica 
intermediária (atenção secundária à 
saúde), até o de maior densidade 
tecnológica (atenção terciária à saúde). 
São fundamentais para o uso racional de 
recursos e economia de escala. 
 Além dos fundamentos, as RAS 
também apresentam atributos importantes 
a serem considerados durante seu 
processo de planejamento e 
implementação. São eles: 
-População e territórios definidos 
-Extensa gama de estabelecimentos de 
saúde prestando diferentes serviços; 
-APS como primeiro nível de atenção; 
-Serviços especializados; 
-Mecanismos de coordenação, 
continuidade do cuidado e assistência 
integral fornecidos de forma continuada; 
-Atenção à saúde centrada no indivíduo, 
na família e nas comunidades, levando em 
consideração as particularidades de cada 
um; 
-Integração entre os diferentes entes 
federativos a fim de atingir um propósito 
comum; 
-Ampla participação social; 
-Gestão integrada dos sistemas de apoio 
administrativo, clínico e logístico; 
-Sistema de informação integrado; 
-Financiamento tripartite e; 
-Gestão baseada em resultados. 
Na prática, a constituição da RAS com 
esses fundamentos e atributos é 
essencial para efetividade de suas 
ações, já que, juntos, contribuirão para 
alcance dos princípios e diretrizes do SUS. 
 
 Elementos constitutivos das Redes de 
Atenção à Saúde: 
 Os elementos que as constituem, assim 
como as ferramentas necessárias para sua 
adequada operacionalização. Por meio 
delas, ficará mais fácil visualizar a 
implementação das redes em nível local. 
São três elementos: 
- População: a população e a área 
geográfica ficam sob responsabilidade de 
uma RAS, que ocupa a região de saúde 
definida pelo Plano Diretor de 
Regionalização e Investimentos (PDRI). 
“Instrumento de planejamento em saúde 
esse PDR e PDI”. 
- Estrutura operacional. Formada pelos 
pontos de atenção das redes e pelas 
ligações materiais e imateriais que 
integram esses diferentes serviços. Assim, 
há cinco componentes que fazem parte da 
estrutura operacional: 
 Centro de comunicação: a APS tem 
papel chave na estruturação das redes, 
atuando como ordenadora e coordenadora 
dos fluxos e contra fluxos do cuidado. 
Assim, esse componente deve 
desempenhar ações de saúde e também 
fazer a ligação entre os demais pontos de 
atenção, de modo a garantir a 
integralidade e continuidade da atenção à 
saúde dos usuários. 
 Pontos de atenção à saúde 
secundários e terciários: os pontos de 
atenção de diferentes densidades 
tecnológicas servem de apoio aos serviços 
Lucas Gustavo Novaes Gonçalves 
da APS, com ações especializadas em 
nível ambulatorial, hospitalar, apoio 
diagnóstico e terapêutico. 
 Sistemas de apoio: locais onde são 
prestados serviços de saúde comuns a 
todos os pontos de atenção. São 
constituídos por 3 sistemas principais: 
sistemas de apoio diagnóstico e 
terapêutico; sistema de assistência 
farmacêutica e sistemas de informação em 
saúde. 
 
 Sistemas logísticos: oferecem 
soluções em saúde baseadas nas 
tecnologias de informação, voltadas para 
promover a eficaz integração e 
comunicação entre pontos de atenção à 
saúde e os sistemas de apoio. Podem 
referir-se a pessoas, produtos ou 
informações, e estão fortemente ligados 
ao conceito de integração vertical. Os 
sistemas logísticos são: identificação do 
usuário por meio do Cartão Nacional do 
SUS; prontuário clínico; sistema de acesso 
regulado à atenção e sistemas de 
transporte. 
 Sistemas de governança: são 
arranjos institucionais organizados que 
envolvem diferentes atores, estratégias e 
procedimentos, para gerir, de forma 
compartilhada e interfederativa, as 
relações entre as outras quatro estruturas 
operacionais citadas anteriormente, com 
vistas à obtenção de maior 
interdependência e melhores resultados 
sanitários e econômicos. Assim, é por 
meio destes sistemas transversais que se 
articulam os elementos da RAS em função 
da missão, da visão e dos objetivos 
comuns das redes. 
 Independentemente do tipo ou 
quantidade de redes temáticas (RT) de 
atenção à saúde que foram ou serão 
implantadas em seu município, elas 
sempre terão como centro coordenador 
unidades e equipes da APS, que por sua 
vez ordenarão os fluxos e contra fluxos de 
atenção junto aos pontos de atenção 
secundários e terciários que pertencem a 
esta RT, por meio dos sistemas logísticos, 
e contando com o auxílio dos sistemas de 
apoio. Todo esse conjunto será gerido por 
um sistema de governança interfederativo 
e transversal. 
- Modelo de atenção à saúde: É a lógica 
adotada pelos gestores municipais e 
estaduais para atender às demandas de 
saúde da população local de forma mais 
efetiva, eficiente e segura. Cabe relembrar 
que esta lógica deve condizer com o atual 
cenário de tripla carga de doenças, com 
prevalências crescentes e alarmantes das 
condições crônicas de doença. Logo, os 
modelos de atenção à saúde devem 
subsidiar toda a formação e implantação 
das RAS, e também ter como foco 
prioritário as condições crônicas e não 
somente as condições agudas. 
 Os diferentes modelos de atenção à 
saúde: 
a. Modelos de atenção às condições 
agudas: São modelos que atendem às 
condições agudas e aos eventos agudos 
de doença crônica, e têm como objetivo 
identificar, no menor tempo possível, a 
gravidade de uma pessoa em situação de 
urgência ou emergência e definir o ponto 
de atenção adequado à situação. É o 
modelo que hegemonicamente tem sido 
adotado pelos gestores doSUS. 
b. Modelo de atenção às 
condições crônicas. 
Desenvolvido pela equipe do 
MacColl Institute for Healthcare 
Innovation, nos Estados 
Unidos, o Modelo de Atenção 
Crônica, ou Chronic Care 
Model (CCM) na tradução 
literal, constitui-se em uma 
solução complexa e sistêmica 
para o problema da atenção às 
condições crônicas. Este 
modelo é composto por seis 
elementos, que inter-relacionados, 
permitem aos usuários estarem 
informados e serem ativos, bem como 
permitem à equipe produzir melhores 
resultados funcionais e sanitários para a 
população. Entre os elementos, estão 
mudanças relacionadas: (1) à organização 
Lucas Gustavo Novaes Gonçalves 
da atenção à saúde, (2) ao desenho do 
sistema de prestação de serviços, (3) ao 
apoio às decisões técnicas, (4) ao sistema 
de informação clínica e (5) ao apoio ao 
autocuidado, 6) à articulação dos serviços 
de saúde com os recursos da comunidade. 
 As diferenças entre as redes de 
atenção às condições crônicas e às 
condições agudas estão relacionadas ao 
papel da APS. Nas redes de atenção às 
doenças crônicas, a APS é o centro de 
comunicação das RAS, tendo como 
função a coordenação dos fluxos dentro de 
toda a rede. Já nas redes de atenção às 
condições agudas, a APS não faz parte do 
centro de comunicação, tornando-se um 
importante ponto de atenção à saúde 
(‘nó’), sem cumprir a função central de 
coordenação de fluxos e contra fluxos da 
rede. 
 
 As Redes de Atenção à Saúde no 
Sistema Único de Saúde: 
 No Brasil, é possível identificar um 
esforço para a implantação de diversas 
RAS nos sistemas municipais e estaduais 
de saúde. Isto porque há na literatura 
internacional uma vasta gama de 
evidências de que essas redes podem 
melhorar a qualidade clínica, os resultados 
sanitários e a satisfação dos usuários. Ao 
mesmo tempo, reduzem os custos dos 
sistemas saúde. 
 Por esse motivo, estão sendo 
implantadas redes temáticas de atenção à 
saúde no país. Estas RAS foram definidas 
segundo as prioridades das agendas de 
saúde federal, estadual e municipal. 
- Rede de Atenção à Urgência e 
Emergência: 
 
- Rede cegonha: 
- Rede de atenção psicossocial: 
 
-Rede de cuidado à saúde as pessoa 
com deficiência: 
 
- Rede de atenção ás doenças crônicas: 
 
 Diretrizes e estratégias para 
implementação das Redes de Atenção à 
Saúde: 
 - Desenvolver os Sistemas Logísticos e 
de Apoio da RAS 
Ampliação da atuação das APS. 
Incentivo à organização da porta de 
entrada. 
Ampliação do financiamento e 
investimentos em infraestrutura. 
 - Ampliação do financiamento e 
investimentos em infraestrutura 
Promoção da comunicação de todos os 
pontos de atenção. 
Desenvolvimento da gestão da tecnologia 
de informação e comunicação em saúde 
na RAS. 
 
 Atenção primária à saúde: 
 Atenção Primária à Saúde (APS) foi 
posicionada como um dos elementos da 
estrutura operacional de uma rede de 
atenção à saúde (RAS): centro 
comunicador e coordenador do cuidado. 
Portanto, é fundamental investir na 
qualificação e expansão da APS - entre 
outros fatores - para uma efetiva mudança 
de estruturação do Sistema Único de 
Saúde (SUS) em redes integradas de 
atenção. 
 Uma APS de qualidade deve possuir 
atributos essenciais para sua consolidação 
e efetiva atenção à população assistida. O 
primeiro atributo diz respeito à atenção 
primária como serviço de primeiro contato 
(acesso). Para isso, é necessário que o 
serviço seja acessível em todos os 
aspectos (financeiros geográficos, 
culturais, etc). A longitudinalidade 
consiste na regularidade do cuidado à 
saúde do usuário pela equipe em um 
processo que gere responsabilização e 
uma relação mútua e contínua de 
confiança entre a equipe, as famílias e os 
indivíduos. A integralidade implica a 
oferta de serviços de cuidado à saúde do 
usuário, tanto preventivos como curativos, 
nos diferentes pontos de atenção, de 
Lucas Gustavo Novaes Gonçalves 
maneira a atender às necessidades da 
população, considerando a múltipla 
determinação da saúde. A fim de garantir 
a integralidade da atenção, a 
coordenação das ações e serviços é um 
atributo essencial para que a APS se 
estabeleça como centro de comunicação 
das redes. 
 Para que as RAS sejam efetivas, 
eficientes e de qualidade, deve-se ter, 
antes de tudo, uma APS bem estruturada. 
A APS deve ser estruturada de modo a 
propiciar o cumprimento de suas funções 
centrais de acolher, escutar e dar vazão às 
demandas sanitárias existentes. 
Considerando o contexto de 
reestruturação do sistema de saúde 
segundo formato de redes de atenção, há 
outras funções prioritárias da APS, as 
quais contribuirão para o adequado 
funcionamento da RAS. De acordo com a 
PNAB, são elas: 
- Ser a base: a modalidade primária de 
atenção deve estar presente nos estados 
e municípios de modo mais 
descentralizado e distribuído possível. 
- Ser resolutiva: deve ser capaz de gerar 
diagnóstico sanitário e situacional da 
população que vive no território sob sua 
responsabilidade, considerando riscos, 
necessidades e demandas de saúde. Por 
meio de uma clínica ampliada capaz de 
construir vínculos positivos e intervenções 
clínica e sanitariamente efetivas. 
- Coordenar o cuidado: a APS deve atuar 
como centro de comunicação entre os 
diversos pontos e níveis de atenção, 
acompanhando e organizando o fluxo dos 
usuários, com o objetivo de produzir 
gestão compartilhada da atenção integral 
por meio da apropriação de ferramentas de 
micro gestão do cuidado. Além disso, deve 
articular também outras estruturas, como 
os sistemas logísticos e de apoio, relações 
intersetoriais e participação social da 
comunidade. 
- Ordenar as redes: a APS deve organizar 
as necessidades sanitárias da população 
sob sua responsabilidade em relação ao 
acesso aos outros pontos de atenção, 
contribuindo para que a programação dos 
serviços a serem ofertados efetivamente 
seja baseada na real demanda de saúde 
da população. 
OBS: PMAQ-AB. O Programa Nacional de 
Melhoria do Acesso e da Qualidade da 
Atenção Básica (PMAQ-AB) foi instituído 
por meio da Portaria nº 1.654, de 19 de 
julho de 2011, devido à necessidade de se 
incentivar o aumento do acesso e ampliar 
o padrão de qualidade dos serviços de 
saúde nas Unidades Básicas de Saúde 
(UBS). O programa consiste em ações de 
monitoramento e avaliação de todos os 
municípios que o implantarem, realizadas 
através do acompanhamento de 
indicadores prioritários de saúde e de uma 
avaliação de padrões de qualidade dos 
serviços da unidade. Estas ações estão 
vinculadas a um incentivo financeiro 
variável e dependente dos resultados das 
metas pactuadas pelas equipes e gestão 
municipal. 
 Neste contexto, a APS representa o 
início (porta de entrada preferencial), meio 
(referência) e o fim (longitudinalidade) da 
atenção à saúde da população. É por este 
motivo que se tem discutido tanto a 
valorização e qualificação da APS e tem-
se defendido seu lugar de coordenação 
das redes de atenção. 
 
Lucas Gustavo Novaes Gonçalves 
 Explanar sobre a RUE 
 
 Para organizar uma rede que atenda 
aos principais problemas de saúde dos 
usuários na área de urgência e 
emergência de forma resolutiva, é 
necessário considerar o perfil 
epidemiológico e demográfico brasileiro, 
no qual se evidencia, segundo dados da 
Secretaria de Vigilância em Saúde do 
Ministério da Saúde (SVS/MS), uma alta 
morbimortalidade relacionada às 
violências e aos acidentes de trânsito entre 
jovens até os 40 anos e, acima desta faixa, 
uma alta morbimortalidade relacionada às 
doenças do aparelho circulatório, como o 
infarto agudo do miocárdio (IAM) e o 
acidente vascular cerebral (AVC). 
 Tendo-se em vista esta tripla carga de 
doenças (causas externas, doenças 
crônicas não transmissíveis, com 
destaque para as doenças 
cardiovasculares e, ainda, uma carga de 
doenças infecciosas), é importantea 
implementação da Rede de Atenção às 
Urgências e Emergências (RUE), de forma 
a articular e integrar todos os 
equipamentos de saúde, objetivando 
ampliar e qualificar o acesso humanizado 
e integral aos usuários em situação de 
urgência e emergência nos serviços de 
saúde, de forma ágil e oportuna, em todo o 
território nacional, respeitando-se os 
critérios epidemiológicos e de densidade 
populacional. 
 
 Diretrizes da Rede de Atenção às 
Urgências e Emergências (RUE): 
- Universalidade, equidade e integralidade 
da atenção a todas as situações de 
urgência e emergência, incluindo as 
clínicas, gineco-obstétricas, psiquiátricas, 
pediátricas e as relacionadas às causas 
externas (traumatismos, violências e 
acidentes); 
- Ampliação do acesso, com acolhimento, 
aos casos agudos e em todos os pontos de 
atenção; 
- Formação de relações horizontais, 
articulação e integração entre os pontos de 
atenção, tendo a atenção básica como 
centro de comunicação; 
- Classificação de risco; 
- Regionalização da saúde e atuação 
territorial; 
- Humanização da atenção, garantindo a 
efetivação de um modelo centrado no 
usuário e baseado nas suas necessidades 
de saúde; 
- Qualificação da atenção e da gestão por 
meio do desenvolvimento de ações 
coordenadas e contínuas que busquem a 
integralidade e longitudinalidade do 
cuidado em saúde; 
 
 Os componentes da RUE: 
- Promoção, prevenção e vigilância: tem 
por objetivo estimular e fomentar o 
desenvolvimento de ações de saúde e 
educação permanente voltadas para a 
vigilância e a prevenção das violências e 
dos acidentes, das lesões e mortes no 
trânsito e das doenças crônicas não 
transmissíveis, além de ações 
intersetoriais, de participação e 
mobilização da sociedade para a 
promoção da saúde, prevenção de 
agravos e vigilância em saúde. As ações 
de promoção da saúde são consideradas 
estratégicas pelo Ministério da Saúde 
tanto para a prevenção de doenças e a 
melhoria da qualidade de vida dos 
brasileiros quanto para a gestão integrada 
e intersetorial de políticas públicas. A 
Política Nacional de Promoção da Saúde 
(PNPS), instituída por meio da Portaria 
MS/GM nº 687, de 30 de março de 2006, 
prioriza, entre suas ações estratégicas, a 
redução da morbimortalidade em 
decorrência do uso abusivo de álcool e 
outras drogas, por acidentes de trânsito e 
Lucas Gustavo Novaes Gonçalves 
a prevenção da violência, além do estímulo 
à cultura de paz. 
 
- Atenção básica: tem como objetivos a 
ampliação do acesso, o fortalecimento do 
vínculo, a responsabilização e o primeiro 
atendimento às urgências e emergências, 
em ambiente adequado, até o 
encaminhamento dos pacientes a outros 
pontos de atenção, quando necessário, 
mediante implantação de acolhimento com 
avaliação de riscos e vulnerabilidades. 
Neste sentido, a Atenção Básica deve 
cumprir algumas funções para contribuir 
com o funcionamento das Redes de 
Atenção à Saúde. São elas: 
-Ser base: ser a modalidade de atenção e 
de serviço de saúde com o mais elevado 
grau de descentralização e capilaridade, 
cuja participação no cuidado se faz sempre 
necessária; 
-Ser resolutiva: identificar riscos, 
necessidades e demandas de saúde, 
utilizando e articulando diferentes 
tecnologias de cuidado individual e 
coletivo, por meio de uma clínica ampliada 
capaz de construir vínculos positivos e 
intervenções clínicas e sanitariamente 
efetivas, na perspectiva de ampliação dos 
graus de autonomia dos indivíduos e 
grupos sociais; 
-Coordenar o cuidado: elaborar, 
acompanhar e gerir projetos terapêuticos 
singulares, bem como acompanhar e 
organizar o fluxo dos usuários entre os 
pontos de atenção das RAS. Deve atuar 
como o centro de comunicação entre os 
diversos pontos de atenção, 
responsabilizando-se pelo cuidado dos 
usuários em qualquer destes pontos por 
intermédio de uma relação horizontal, 
contínua e integrada, com o objetivo de 
produzir a gestão compartilhada da 
atenção integral. Deve articular também as 
outras estruturas das redes de saúde e 
intersetoriais, públicas, comunitárias e 
sociais; 
-Ordenar as redes: reconhecer as 
necessidades de saúde da população sob 
sua responsabilidade, organizando as 
necessidades desta população em relação 
aos outros pontos de atenção à saúde, 
contribuindo para que a programação dos 
serviços de saúde parta das necessidades 
de saúde dos usuários. 
 No que se refere ao processo de 
trabalho das equipes com foco na 
urgência/emergência, os profissionais 
devem realizar o acolhimento com escuta 
qualificada, classificação de risco, 
avaliação de necessidade de saúde e 
análise de vulnerabilidades, tendo em vista 
a responsabilidade da assistência 
resolutiva à demanda espontânea e ao 
primeiro atendimento às urgências e 
emergências. 
 
- Serviço de Atendimento Móvel às 
Urgências: É o componente da rede de 
atenção às urgências e emergências que 
objetiva ordenar o fluxo assistencial e 
disponibilizar atendimento precoce e 
transporte adequado, rápido e resolutivo 
às vítimas acometidas por agravos à 
saúde de natureza clínica, cirúrgica, 
gineco-obstétrica, traumática e 
psiquiátricas mediante o envio de veículos 
tripulados por equipe capacitada, 
acessado pelo número “192” e acionado 
por uma Central de Regulação das 
Urgências, reduzindo a morbimortalidade. 
O Samu é normatizado pela Portaria 
MS/GM nº 1.010, de 21 de maio de 2012. 
As unidades móveis para o atendimento de 
urgência podem ser: 
- Unidade de suporte básico de vida 
terrestre (USB), viatura tripulada por no 
mínimo 2 (dois) profissionais, sendo um 
condutor de veículo de urgência e um 
técnico ou auxiliar de enfermagem; 
Lucas Gustavo Novaes Gonçalves 
- Unidade de suporte avançado de vida 
terrestre (USA), viatura tripulada por no 
mínimo 3 (três) profissionais, sendo um 
condutor de veículo de urgência, um 
enfermeiro e um médico; 
- Equipe de aeromédico – aeronave com 
equipe composta por no mínimo um 
médico e um enfermeiro; 
 Centrais de Regulação Médica de 
Urgências. Responsável pela regulação 
médica das urgências é parte integrante do 
Samu 192, definida como uma estrutura 
física com a atuação de profissionais 
médicos, telefonistas auxiliares de 
regulação médica (Tarm) e rádio-
operadores (RO) capacitados em 
regulação dos chamados telefônicos que 
demandem orientação e/ou atendimento 
de urgência, por meio de uma classificação 
e priorização das necessidades de 
assistência em urgência, além de ordenar 
o fluxo efetivo das referências e 
contrarreferências dentro da Rede de 
Atenção à Saúde. As centrais de regulação 
do Samu 192 deverão ser regionalizadas, 
a fim de ampliar o acesso às populações 
dos municípios em todo o território 
nacional. 
 
- Sala de Estabilização: Define-se por 
Sala de Estabilização (SE) o equipamento 
de saúde que deverá atender às 
necessidades assistenciais de 
estabilização do paciente grave/crítico em 
municípios de grandes distâncias e/ou 
isolamento geográfico, bem como lugares 
de difícil acesso considerados como vazios 
assistenciais para a urgência e 
emergência. Deverá se organizar de forma 
articulada, regionalizada e em rede. 
 A SE poderá estar alocada em serviços 
de saúde, públicos ou filantrópicos, em 
hospitais de pequeno porte (HPP) com no 
máximo 30 (trinta) leitos e fora da área de 
abrangência de UPA 24 horas, podendo 
também ser instalada em outras unidades, 
tipo unidade básica de saúde (UBS) e 
unidade mista, além de HPP, desde que 
garantidas as condições para o seu 
funcionamento integral por 24 horas em 
todos os dias da semana. Deverão ser 
observadas as seguintes diretrizes: 
- Funcionamento nas 24 (vinte e quatro) 
horas do dia e nos 7 (sete) dias da 
semana; 
- Equipe interdisciplinar compatível com 
suas atividades; 
- Funcionamento conforme protocolos 
clínicos, acolhimento,classificação de 
risco e procedimentos administrativos 
estabelecidos e/ou adotados pelo gestor 
responsável. 
 
- Unidades de Pronto Atendimento (UPA 
24h) e o Conjunto de Serviços de 
Urgência 24 Horas: As unidades de 
pronto atendimento 24h são estruturas de 
complexidade intermediária entre as 
unidades básicas de saúde, unidades de 
saúde da família e a rede hospitalar, 
devendo funcionar 24h por dia, todos os 
dias da semana, e compor uma rede 
organizada de atenção às urgências e 
emergências, com pactos e fluxos 
previamente definidos, com o objetivo de 
garantir o acolhimento aos pacientes, 
intervir em sua condição clínica e 
contrarreferenciá-los para os demais 
pontos de atenção da RAS, para os 
serviços da atenção básica ou 
especializada ou para internação 
hospitalar, proporcionando a continuidade 
do tratamento com impacto positivo no 
quadro de saúde individual e coletivo da 
população. 
 
- Componente da Atenção Hospitalar: O 
Componente da Atenção Hospitalar da 
Rede de Atenção às Urgências e 
Emergências é constituído por: 
1.Portas hospitalares de urgência e 
emergência; 
Lucas Gustavo Novaes Gonçalves 
2.Enfermaria de retaguarda clínica; 
3.Unidades de cuidados prolongados e 
hospitais especializados em cuidados 
prolongados; 
4.Leitos de terapia intensiva; e 
5.Organização das linhas de cuidado 
prioritárias: 
•LC do infarto agudo do miocárdio (IAM); 
•LC do acidente vascular cerebral (AVC); 
•LC da traumatologia. 
 São objetivos da Atenção Hospitalar da 
Rede de Atenção às Urgências e 
Emergências: 
- organizar a atenção às urgências nos 
hospitais de modo que atendam à 
demanda espontânea e/ou referenciada e 
funcionem como retaguarda para os outros 
pontos de atenção às urgências de menor 
complexidade; 
- garantir retaguarda de atendimentos de 
média e alta complexidade, procedimentos 
diagnósticos e leitos clínicos, cirúrgicos, de 
cuidados prolongados e de terapia 
intensiva para a Rede de Atenção às 
Urgências; e 
- garantir a atenção hospitalar nas linhas 
de cuidado prioritárias em articulação com 
os demais pontos de atenção. 
 
Portas Hospitalares de Urgência e 
Emergência: a organização da RUE na AH 
tem como um dos objetivos qualificar as 
portas de entrada hospitalares de urgência 
e emergência, que se constituem como 
serviços instalados em uma unidade 
hospitalar para prestar atendimento 
ininterrupto ao conjunto de demandas 
espontâneas e referenciadas de urgências 
clínicas, pediátricas, cirúrgicas e/ou 
traumatológicas, obstétricas e de saúde 
mental. As portas de entrada hospitalares 
de urgência localizadas nas unidades 
hospitalares estratégicas poderão receber 
incentivo de custeio diferenciado de 
acordo com a seguinte tipologia: 
•Hospital Geral: Hospital de referência 
para, no mínimo, uma região de saúde, 
conforme Plano Diretor Regional (PDR). 
Deve ter uma cobertura populacional de 
até 200 mil habitantes. São 
estabelecimentos que possuem estrutura 
para realizações de média complexidade. 
Devem contar com equipe 24 horas 
composta por clínico geral, pediatra, 
cirurgião, anestesiologista, enfermeiros, 
técnicos e equipes para manejo de 
pacientes críticos. 
•Hospital Especializado Tipo I: Hospital de 
referência para uma ou mais regiões de 
saúde, conforme PDR. Deve ter uma 
cobertura populacional de 201 mil a 500 
mil habitantes. Deve possuir, no mínimo, 
um serviço de referência habilitado em alta 
complexidade, para desempenhar seu 
papel como neurocirurgia e/ou tráumato-
ortopedia e/ou cardiologia/cardiovascular 
ou como referência para pediatria. Deve 
contar com equipe 24h composta por 
médicos especializados, cuja composição 
depende do perfil assistencial do 
estabelecimento, equipe multidisciplinar e 
equipes para manejo de pacientes críticos. 
•Hospital Especializado Tipo II: Hospital de 
referência que atenda no mínimo a uma 
macrorregião, obedecendo aos critérios 
estabelecidos neste documento. Deve ser 
referência para uma cobertura 
populacional a partir de 501 mil habitantes. 
Deve possuir, no mínimo, dois serviços de 
referência habilitados em alta 
complexidade, para desempenhar seu 
papel como neurocirurgia, tráumato-
ortopedia, cardiologia ou como referência 
para pediatria. Deve contar com equipe 
24h composta por médicos 
especializados, cuja composição depende 
do perfil assistencial do estabelecimento, 
equipe multidisciplinar e equipes para 
manejo de pacientes críticos. 
 
 Força Nacional do SUS (FN-SUS): 
Lucas Gustavo Novaes Gonçalves 
 Força Nacional do Sistema Único de 
Saúde (FN-SUS) é um componente 
humanitário do SUS, estruturante para a 
Rede de Atenção às Urgências e 
Emergências, sob gestão do Ministério da 
Saúde. Deverá ser organizada na lógica de 
aglutinar esforços para garantir a 
integralidade da assistência em situações 
de risco ou emergenciais a que esteja 
exposta a população brasileira e, 
especialmente, os povos indígenas e 
grupos populacionais localizados em 
território de difícil acesso, devendo 
conduzir suas atividades segundo os 
princípios de equidade, integralidade e 
universalidade. 
 A FN-SUS deverá prover resposta 
rápida e eficiente em situações de 
calamidade e urgências específicas em 
todas as unidades federativas do território 
nacional e, extraordinariamente, em outros 
países, quando sua participação integrar 
ajuda humanitária que seja oficialmente 
solicitada à Presidência da República. 
Exemplos de situações elegíveis para a 
atuação da FN-SUS: alagamentos e seca, 
desabamentos, enchentes, incêndios, 
epidemias/pandemias, acidentes 
nucleares, eventos com grande 
concentração de pessoas, como a Copa 
do Mundo e as Olimpíadas. Ainda quanto 
à estruturação, a FN-SUS contará com 
hospitais de campanha para o 
atendimento às vítimas de calamidade, 
podendo realizar, inclusive, cirurgias e 
estabilização de pacientes críticos/graves 
em terapia intensiva, para posterior 
encaminhamento para a Rede de Atenção 
às Urgências e Emergências. 
 
Lucas Gustavo Novaes Gonçalves 
 Caracterizar o processo de 
implementação e funcionamento 
da RAS na Bahia. 
Rede Cegonha 
Toda mulher tem direito ao atendimento na 
gravidez, no parto e após o parto, devendo 
buscar para isso a unidade de saúde mais 
próxima de sua residência para realizar o 
pré-natal. Nesse período, a equipe de 
saúde deve informar à gestante qual 
maternidade ou hospital deverá buscar no 
momento do parto ou em caso de 
intercorrências. 
 As gestantes também tem direito a 
visita à unidade de saúde onde será 
realizado o seu parto, com a presença de 
acompanhante de sua escolha e com 
acolhimento por equipe multiprofissional. 
Todas as maternidades de Salvador que 
fazem parte do Sistema Único de Saúde, 
SUS, oferecem visitas para as gestantes e 
seus acompanhantes durante o pré-natal, 
para que possam conhecer a equipe, tirar 
dúvidas e se preparar ainda mais para o 
momento do parto. 
 
Rede De Atenção Psicossocial 
 Atualmente, a Bahia dispõe de 263 
CAPS no Cadastro Nacional de 
Estabelecimentos de Saúde (CNES), 
sendo que destes 226 se encontram 
habilitados e financiados pelo MS e 19 em 
funcionamento sem habilitação, com 
processo em análise, no MS. Quanto aos 
demais (dezoito municípios), permanecem 
sendo custeados apenas pelo município, 
enquanto aguarda-se que os Gestores 
Municipais sanem as suas pendências 
processuais para inclusão em pauta, na 
Comissão IntergestoresBipartite, e 
posterior solicitação de habilitação ao MS. 
Até a presente data, o estado da Bahia tem 
co-finaciado dois CAPS III, localizados nos 
municípios de Feira de Santana e Salvador 
resultando em um investimento estadual 
de R$ 550.000,00. Salientamos, ainda, 
que o estado tem uma parceria firmada 
com a 
Universidade Federal da Bahia, através de 
um contrato, na manutenção e 
funcionamentodo CAPS Ad docente 
assistencial Gregório de 
Matos cujo montante é de R$ 
2.349.215,28. O referido CAPS integra 
ações do Pacto pela Vida e oferta 
qualificação para mais de 80% dos 
profissionais da rede SUS Bahia, no que 
se refere a álcool e drogas. 
 
 
Lucas Gustavo Novaes Gonçalves 
 Descrever como funciona o 
sistema de saúde nos países do 
mapa 
O sistema do tipo pluralista empresarial 
permissivo: o caso dos EUA: 
- Gastos em saúde correspondem a 15% 
do PNB. 
- Desigualdades nos indicadores de saúde 
são marcantes: a mortalidade infantil é o 
dobro na população negra, na qual as 
mortes por doenças cardíacas e câncer 
são também mais elevadas; 
- Existem intervenções clássicas em saúde 
coletiva, como o CDC (tradução: centro de 
controle e prevenção) e o FDA 
(Administração de alimentos e 
medicamentos); estruturas de gestão da 
assistência médico-hospitalar para 
clientelas específicas, como o MEDICARE 
e o MEDICAID (esses dois aí surgiram na 
déc. De 1960 a partir de reformas que 
visavam ampliar o acesso aos serviços, 
sobretudo para idosos, desempregados, 
trabalhadores de pequenas empresas e 
para racionalizar o modelo de atenção 
EXCESSIVAMENTE HOSPITALAR 
 MEDICARE é um seguro social de 
responsabilidade federal, destinado a 
cobertura médico-hospitalar de 
aposentados (ps: lá a pop. Maior de 65 
anos fica sem cobertura após a 
aposentadoria, pois os seguros das 
empresas só cobrem durante a atividade) 
crônicas e seus dependentes e de 
portadores de doenças renais tem dois 
sistemas de cobertura: um básico 
obrigatório e um complementar de adesão 
voluntária: o básico cobre apenas 
parcialmente os gastos de hospitalização, 
ficando a título do paciente 
 MEDICAID programa assistencial sob 
responsabilidade dos governos estaduais 
sendo financiado com fontes fiscais 
(impostos) dessa esfera de governo e 
subsídios federais está condicionado a 
comprovação de situação de pobreza, 
havendo muita diversidade na extensão e 
na qualidade dos serviços oferecidos. 
 
Um Sistema de Seguro Público: O Caso da 
França 
- Gasto com saúde que corresponde à 
10% do PNB. 
- Os indicadores de saúde mostram uma 
esperança de vida de 79,4 anos e 
mortalidade infantil de 3,9 mortes por mil 
habitantes. Todos esses indicadores 
situavam-se acima da média do conjunto 
dos países desenvolvidos. 
- Em 2004 surgiu uma lei que a partir dos 
16 anos o indivíduo já poderia escolher seu 
médico para continuidade em saúde, 
dando uma ênfase na prática liberal do 
sistema. 
Os Modelos de Seguro e Serviços 
Nacionais de Saúde: O Caso do Canadá 
- Gasto em saúde que correspondia a 
aproximadamente 10% do PIB. 
- A estruturação do sistema de saúde 
canadense iniciou-se com um seguro 
hospitalar (1957), seguido por um seguro 
universal votado em 1966 ("Medicai 
CareAct"). Trata-se de um sistema 
fortemente descentralizado, baseado em 
orçamento fiscal e financiamento 
compartilhado entre o governo federal e as 
províncias. Cada província tem autonomia 
para estabelecer suas prioridades e 
realizar a gestão dos serviços, desde que 
respeitados os grandes princípios da lei 
federal: universalização, gestão pública, 
integralidade ou caráter completo da 
assistência (os direitos são válidos em 
todo o território Canadense). 
- O sistema é definido como um seguro 
nacional de saúde cujo financiamento é 
predominantemente público através de 
fontes fiscais, mas a prestação de serviços 
fica a cargo de prestadores privados com 
diversas formas de credenciamentos e 
contratos. A maior parte dos médicos 
exerce sua prática de forma liberal, 
Lucas Gustavo Novaes Gonçalves 
atendendo em clínicas particulares ou em 
hospitais, sendo remunerados por serviços 
prestados pelas agências provinciais que 
gerenciam o seguro saúde. 
 
Os Modelos de Seguro e Serviços 
Nacionais de Saúde: O Caso da Inglaterra 
- 7,7% do PIB. 
- Desde sua criação em 1948, o Serviço 
Nacional de Saúde do Reino Unido 
(National Health Service — NHS) tem sido 
considerado um modelo de socialização 
de serviços de saúde. A garantia de 
acesso universal com financiamento fiscal 
e um modelo assistencial regionalizado 
com a presença do clínico geral na porta 
de entrada, serviram como referência para 
algumas reformas sanitárias, notadamente 
nos anos 1970. 
 
 
 CHILE: 
 No início dos anos 1970, o SNS 
possuía a maior parte dos leitos do país e 
seus serviços cobriam a maior parcela da 
população. Mas o SNS já teria nascido 
deficitário, com demanda crescente e 
financiamento inadequado, encontrando-
se numa situação de crise por ocasião do 
golpe militar em 1973 (Labra, 1995). 
Durante o período do governo militar (1973 
a 1990), ocorreram as seguintes e 
profundas mudanças: livre escolha entre 
setor público ou privado, ou seja, as 
pessoas passaram a optar pela destinação 
de suas contribuições obrigatórias para um 
dos dois subsistemas. 
 Houve criação de um Fundo Nacional de 
Saúde (Fonasa), para arrecadação, 
administração, credenciamentos, 
honorários e a criação de novas instâncias 
gestoras privadas denominadas 
“Instituciones de SaludPrevisional — 
Isapres”, que receberam estímulos para 
seu desenvolvimento. Descentralização da 
atenção primária para os municípios; tanto 
os serviços regionais como os 
municipalizados podiam ser financiados 
tanto pelo Fonasa como pelas Isapres; 
Foram criadas três modalidades de 
prestação de serviços: 
- Modalidade institucional — atenção 
prestada nos serviços próprios do Sistema 
Nacional de Serviços de Saúde — SNSS 
com co-pagamentos ou bonificações 
segundo classes de renda; 
- Modalidade de livre escolha; com ordem 
de atendimento o usuário escolhe a clínica 
ou hospital, com co-pagamento conforme 
o nível; 
- Modalidade Isapres, com a possibilidade 
de modulações nas coberturas mediante 
pagamentos complementares. 
Em 1998, 23,7% da população estava 
coberta por uma Isapre tendo ocorrido um 
aumento da oferta de serviços privados, 
Lucas Gustavo Novaes Gonçalves 
com diminuição dos recursos humanos 
vinculados ao setor público. Com o 
processo de redemocratização do país os 
esforços têm-se concentrado na 
recuperação da capacidade instalada da 
rede pública com manutenção do "mix 
público privado" existente. Foram 
desenvolvidas ações com a finalidade de 
diminuir desigualdades, com 
estabelecimento da gratuidade da atenção 
primária e da atenção em saúde para 
maiores de sessenta anos inscritos no 
Fonasa, revisão da tendência de 
financiamento (com aumento de cinquenta 
por cento do aporte fiscal) e diminuição de 
co-pagamentos por parte dos usuários. 
Quanto ao que se relaciona aos serviços, 
houve diminuição da lista de espera para o 
nível secundário e terciário, e retirado de 
subsídios das seguradoras privadas 
(Isapres) cuja cobertura parou em torno de 
20%. 
 
 CUBA: 
- A relevância político-ideológica dada ao 
conceito e organização do SSC, impondo 
a Saúde como um Direito fundamental do 
Homem, sendo dever inalienável do 
Estado assegurá-lo, está bem patente na 
Lei Fundamental cubana. Referendada em 
1976 e revista em 1992, a CRC define “o 
Estado, como Poder do povo, em serviço 
do próprio povo, garante que não haja 
doente sem assistência médica”. 
- Tem como princípios de base o carácter 
estatal e social da Medicina, a 
acessibilidade e gratuidade dos serviços, a 
orientação profilática, a aplicação 
adequada dos avanços da Ciência e da 
Técnica, a participação da comunidade e a 
intersetorialidade, a colaboração 
internacional e a centralização normativa e 
descentralização executiva.

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