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Lucas Gustavo Novaes Gonçalves
ABRANGÊNCIA DAS
AÇÕES DE SAÚDE -
AAS
Lucas Gustavo Novaes Gonçalves
AAS – Problema 2 (intermediária)
Explicar o funcionamento da RAS e
APS
Descrever como funciona o sistema
de saúde nos países do mapa
Caracterizar o processo de
implementação e funcionamento da
RAS na Bahia.
Explanar sobre a RUE
Explicar o funcionamento da RAS e
APS
Contexto histórico:
A origem das Redes de Atenção à
Saúde (RAS) data da década de 1920,
mais especificamente no Reino Unido,
quando foi elaborado o Relatório Dawson,
como resultado de um grande debate de
mudanças no sistema de proteção social
daquele país após a I Guerra Mundial.
Neste documento consta a primeira
proposta de organização de sistemas
regionalizados de saúde, cujos serviços de
saúde deveriam acontecer por intermédio
de uma organização ampliada que
atendesse às necessidades da população
de forma eficaz. Além disso, esses
serviços deveriam ser acessíveis a toda
população e oferecer cuidados preventivos
e curativos.
A discussão sobre a reestruturação dos
sistemas de saúde segundo a lógica de
RAS tem outros marcos mais atuais
decorrentes da reunião de Alma-Ata,
realizada em 1978.
O estímulo à organização de redes
integradas de atenção à saúde nos
sistemas municipais e estaduais de saúde,
como forma de garantir a integralidade,
universalidade e equidade da atenção à
saúde da população brasileira, adquire
maior relevância no final da década de
1990, quando houve uma retomada da
discussão sinalizando um esforço para
superar o problema imposto pela
fragmentação do sistema de saúde.
Investiu-se na oferta contínua de serviços
a uma população territorialmente
delimitada, focada na Atenção Primária à
Saúde (APS), desenvolvidos de forma
interdisciplinar e com a integração entre os
serviços de saúde, bem como com
sistemas de informação. A RAS se
consolida com a publicação da Portaria
GM nº 4.279 de dezembro de 2010.
A implementação das RAS tem como
desafio a construção de sistemas
integrados de saúde que se articulem em
todos os níveis de atenção à saúde, e de
forma interfederativa mais harmônica
possível. Por esta razão, os debates em
torno de uma maior integração nos
serviços de saúde têm se intensificado
desde o Pacto pela Saúde, criado em
2006, e o mais recente Contrato
Organizativo de Ação Pública (COAP),
formulado de forma tripartite a partir do
Decreto nº 7.508/2011, que regulamentou
a Lei n° 8.080/1990. A esse fato soma-se
a aprovação e recém atualização de
diversas Políticas, como a Política
Nacional de Atenção Básica (PNAB) e a
Política Nacional de Alimentação e
Nutrição (PNAN), que exemplifica os
esforços para a construção de um modelo
de atenção capaz de responder às atuais
condições de saúde dos brasileiros,
efetivando a APS como eixo estruturante e
coordenador das RAS no SUS.
Conceito:
Segundo a Portaria GM nº 4.279/2010,
RAS são “arranjos organizativos de ações
e serviços de saúde, de diferentes
densidades tecnológicas, que integradas
por meio de sistemas de apoio técnico,
logístico e de gestão, buscam garantir a
integralidade do cuidado”. As RAS têm
como objetivo promover a integração de
ações e serviços de saúde para prover
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uma atenção à saúde de forma contínua,
integral, de qualidade, responsável,
humanizada, com vistas à consolidação
dos princípios e diretrizes do SUS.
Na Portaria que instituiu as RAS no
âmbito de SUS, é possível identificar 6
características importantes e inerentes à
sua matriz conceitual. São caracterizadas
por:
- Formar relações horizontais entre os
diferentes pontos de atenção: essa
característica pressupõe que os pontos de
atenção passem a ser entendidos como
espaços onde são ofertados serviços de
saúde, sendo todos igualmente
importantes para que sejam cumpridos os
objetivos da rede de atenção.
- Atenção Primária à Saúde como centro
de comunicação: embora seja
preconizada a relação horizontal, ou seja,
não hierárquica entre os níveis e pontos de
atenção à saúde, não significa que um
deles não deva ser priorizado -
considerando investimentos e alocações
de recursos. A lógica de organização do
SUS em redes de atenção a partir da APS
reafirma o seu papel de (1) ser a principal
porta de entrada do usuário no sistema de
saúde; (2) de ser responsável por
coordenar o caminhar dos usuários pelos
outros pontos de atenção da rede, quando
suas necessidades de saúde não puderem
ser atendidas somente por ações e
serviços da APS; (3) e de manter o vínculo
com estes usuários, dando continuidade à
atenção (ações de promoção da saúde,
prevenção de agravos, entre
outros), mesmo que estejam
sendo cuidados também em
outros pontos de atenção da
rede. Essa posição
estratégica da APS no fluxo
da atenção à saúde do
usuário objetiva potencializar
a garantia da integralidade,
continuidade, eficiência e
eficácia do sistema de saúde.
- Planejar e organizar as
ações segundo as
necessidades de saúde de
uma população
Específica: as ações, serviços e
programações em saúde devem basear-se
no diagnóstico da população adscrita à
equipe de saúde, considerando fatores e
determinantes da saúde desta população.
Na prática, tem se traduzido sob o
fenômeno da tripla carga de doenças, mais
precisamente nas condições crônicas de
doença. Além disso, a ação das equipes
deve basear-se em evidências científicas
devidamente constatadas.
- Ofertar atenção contínua e integral:
serviços e sistemas integrados poderão
ser capazes de dar atenção integral aos
usuários na medida em que, conseguindo
solucionar aproximadamente 80% dos
problemas de saúde que são demandados
pela APS, os outros 20% dos casos
seguem um fluxo cuja densidade
tecnológica do tratamento aumenta a cada
nível de atenção que se sucede. Ao final, a
continuidade da atenção deverá ser
mantida pelas equipes da APS.
- Cuidado multiprofissional: faz-se
necessária a composição multiprofissional
das equipes de saúde porque os
problemas de saúde muitas vezes são
multicausais e complexos, e necessitam
de diferentes olhares profissionais para o
devido manejo. Porém, mais do que a
multiprofissionalidade, a ação
interdisciplinar desta equipe deve ser um
objetivo a ser estabelecido, de modo a
garantir o compartilhamento e a
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corresponsabilização da prática de saúde
entre os membros da equipe.
- Compartilhar objetivos e
compromissos com os resultados, em
termos sanitários e econômicos: a
missão de uma equipe de saúde deve
contemplar objetivos sanitários (como o
aumento do aleitamento materno na região
adscrita, maior e melhor atendimento à
população, entre outros) e objetivos
econômicos (como melhor alocação dos
recursos humanos, tecnológicos e
financeiros), de modo a gerar o melhor
custo-benefício para a população
atendida.
Mais um conceito sobre RAS, definido
pela Organização Pan-americana de
Saúde: “Redes integradas de serviços de
saúde, ou sistemas organizados de
serviços de saúde, ou sistemas
clinicamente integrados ou organizações
sanitárias integradas podem ser definidas
como uma rede de organizações que
presta ou provê os arranjos para a
prestação de serviços de saúde
equitativos e integrais a uma população
definida, e que se dispõe a prestar contas
pelos seus resultados clínicos e
econômicos, e pelo estado de saúde da
população à qual ela serve”.
Fundamentos e atributos das redes de
atenção à saúde:
Até aqui nós já vimos um breve
histórico sobre as RAS no mundo e no
Brasil, sua definição e suas características.
Agora é importante conhecer os
fundamentos e atributos inerentes às RAS,
os quais são imprescindíveis para sua
adequada implantação em nível local. Ao
total, são 10 fundamentos e vários
atributos, e vamos analisá-losum a um.
Fundamentos são os alicerces que formam
e sustentam a base teórica de algo. De
acordo com Mendes, para serem
efetivadas de forma eficiente e com
qualidade, as RAS precisam ser
estruturadas segundo os seguintes
fundamentos:
- Economia de escala: ocorre quando os
custos médios de longo prazo diminuem, à
medida que aumenta o volume das
atividades básicas e concentra os serviços
especializados em determinado local,
racionaliza os custos e otimiza resultados.
- Suficiência e qualidade: são
fundamentos ligados à prestação dos
serviços de saúde, em quantidade e
qualidade mínimas, e se referem tanto aos
processos como aos resultados. O objetivo
é proporcionar o adequado manejo das
condições de saúde identificadas em nível
local.
- Acesso: questão do acesso está
relacionada à ausência de barreiras no
momento em que o usuário ‘entra’ no
sistema e quando se faz necessária a
continuidade da atenção.
- Disponibilidade de recursos: este
fundamento engloba recursos físicos,
financeiros, humanos e tecnológicos. Ter
recursos é tão importante quanto sua
alocação mais custo-efetiva, e sua
disponibilidade é o que determinará o seu
grau de concentração de maneira direta.
Assim, quanto mais escasso o recurso,
mais ele deve ser concentrado; quanto
mais disponível, mais deve ser disperso na
rede de atenção à saúde.
- Integração Vertical: é referente à
articulação e coordenação de diferentes
organizações de saúde responsáveis por
ações de natureza diferenciada (primária,
secundária ou terciária). O objetivo é
agregar valor aos serviços, ou seja, tornar
o serviço integrado e integral do ponto de
vista da atenção e das tecnologias
disponíveis, concretizando um dos
objetivos centrais do SUS.
- Processo de substituição: definidos
como o reagrupamento contínuo de
recursos entre e dentro dos serviços de
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saúde, para que estes possam resultar em
melhores resultados sanitários e
econômicos, considerando aspectos
relativos tanto às equipes quanto aos
processos de atenção à saúde. Ou seja,
tanto profissionais quanto processos e
atividades são passíveis de substituição,
reorganização ou aprimoramento. Ex: Ao
invés de pacientes crônicos estáveis
ficarem internados em hospitais correndo
riscos de infecções, pode ser substituído e
o paciente receber atenção domiciliar.
- Níveis de atenção: são arranjos
produtivos conformados segundo as
densidades tecnológicas singulares,
variando do nível de menor densidade
(APS), ao de densidade tecnológica
intermediária (atenção secundária à
saúde), até o de maior densidade
tecnológica (atenção terciária à saúde).
São fundamentais para o uso racional de
recursos e economia de escala.
Além dos fundamentos, as RAS
também apresentam atributos importantes
a serem considerados durante seu
processo de planejamento e
implementação. São eles:
-População e territórios definidos
-Extensa gama de estabelecimentos de
saúde prestando diferentes serviços;
-APS como primeiro nível de atenção;
-Serviços especializados;
-Mecanismos de coordenação,
continuidade do cuidado e assistência
integral fornecidos de forma continuada;
-Atenção à saúde centrada no indivíduo,
na família e nas comunidades, levando em
consideração as particularidades de cada
um;
-Integração entre os diferentes entes
federativos a fim de atingir um propósito
comum;
-Ampla participação social;
-Gestão integrada dos sistemas de apoio
administrativo, clínico e logístico;
-Sistema de informação integrado;
-Financiamento tripartite e;
-Gestão baseada em resultados.
Na prática, a constituição da RAS com
esses fundamentos e atributos é
essencial para efetividade de suas
ações, já que, juntos, contribuirão para
alcance dos princípios e diretrizes do SUS.
Elementos constitutivos das Redes de
Atenção à Saúde:
Os elementos que as constituem, assim
como as ferramentas necessárias para sua
adequada operacionalização. Por meio
delas, ficará mais fácil visualizar a
implementação das redes em nível local.
São três elementos:
- População: a população e a área
geográfica ficam sob responsabilidade de
uma RAS, que ocupa a região de saúde
definida pelo Plano Diretor de
Regionalização e Investimentos (PDRI).
“Instrumento de planejamento em saúde
esse PDR e PDI”.
- Estrutura operacional. Formada pelos
pontos de atenção das redes e pelas
ligações materiais e imateriais que
integram esses diferentes serviços. Assim,
há cinco componentes que fazem parte da
estrutura operacional:
Centro de comunicação: a APS tem
papel chave na estruturação das redes,
atuando como ordenadora e coordenadora
dos fluxos e contra fluxos do cuidado.
Assim, esse componente deve
desempenhar ações de saúde e também
fazer a ligação entre os demais pontos de
atenção, de modo a garantir a
integralidade e continuidade da atenção à
saúde dos usuários.
Pontos de atenção à saúde
secundários e terciários: os pontos de
atenção de diferentes densidades
tecnológicas servem de apoio aos serviços
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da APS, com ações especializadas em
nível ambulatorial, hospitalar, apoio
diagnóstico e terapêutico.
Sistemas de apoio: locais onde são
prestados serviços de saúde comuns a
todos os pontos de atenção. São
constituídos por 3 sistemas principais:
sistemas de apoio diagnóstico e
terapêutico; sistema de assistência
farmacêutica e sistemas de informação em
saúde.
Sistemas logísticos: oferecem
soluções em saúde baseadas nas
tecnologias de informação, voltadas para
promover a eficaz integração e
comunicação entre pontos de atenção à
saúde e os sistemas de apoio. Podem
referir-se a pessoas, produtos ou
informações, e estão fortemente ligados
ao conceito de integração vertical. Os
sistemas logísticos são: identificação do
usuário por meio do Cartão Nacional do
SUS; prontuário clínico; sistema de acesso
regulado à atenção e sistemas de
transporte.
Sistemas de governança: são
arranjos institucionais organizados que
envolvem diferentes atores, estratégias e
procedimentos, para gerir, de forma
compartilhada e interfederativa, as
relações entre as outras quatro estruturas
operacionais citadas anteriormente, com
vistas à obtenção de maior
interdependência e melhores resultados
sanitários e econômicos. Assim, é por
meio destes sistemas transversais que se
articulam os elementos da RAS em função
da missão, da visão e dos objetivos
comuns das redes.
Independentemente do tipo ou
quantidade de redes temáticas (RT) de
atenção à saúde que foram ou serão
implantadas em seu município, elas
sempre terão como centro coordenador
unidades e equipes da APS, que por sua
vez ordenarão os fluxos e contra fluxos de
atenção junto aos pontos de atenção
secundários e terciários que pertencem a
esta RT, por meio dos sistemas logísticos,
e contando com o auxílio dos sistemas de
apoio. Todo esse conjunto será gerido por
um sistema de governança interfederativo
e transversal.
- Modelo de atenção à saúde: É a lógica
adotada pelos gestores municipais e
estaduais para atender às demandas de
saúde da população local de forma mais
efetiva, eficiente e segura. Cabe relembrar
que esta lógica deve condizer com o atual
cenário de tripla carga de doenças, com
prevalências crescentes e alarmantes das
condições crônicas de doença. Logo, os
modelos de atenção à saúde devem
subsidiar toda a formação e implantação
das RAS, e também ter como foco
prioritário as condições crônicas e não
somente as condições agudas.
Os diferentes modelos de atenção à
saúde:
a. Modelos de atenção às condições
agudas: São modelos que atendem às
condições agudas e aos eventos agudos
de doença crônica, e têm como objetivo
identificar, no menor tempo possível, a
gravidade de uma pessoa em situação de
urgência ou emergência e definir o ponto
de atenção adequado à situação. É o
modelo que hegemonicamente tem sido
adotado pelos gestores doSUS.
b. Modelo de atenção às
condições crônicas.
Desenvolvido pela equipe do
MacColl Institute for Healthcare
Innovation, nos Estados
Unidos, o Modelo de Atenção
Crônica, ou Chronic Care
Model (CCM) na tradução
literal, constitui-se em uma
solução complexa e sistêmica
para o problema da atenção às
condições crônicas. Este
modelo é composto por seis
elementos, que inter-relacionados,
permitem aos usuários estarem
informados e serem ativos, bem como
permitem à equipe produzir melhores
resultados funcionais e sanitários para a
população. Entre os elementos, estão
mudanças relacionadas: (1) à organização
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da atenção à saúde, (2) ao desenho do
sistema de prestação de serviços, (3) ao
apoio às decisões técnicas, (4) ao sistema
de informação clínica e (5) ao apoio ao
autocuidado, 6) à articulação dos serviços
de saúde com os recursos da comunidade.
As diferenças entre as redes de
atenção às condições crônicas e às
condições agudas estão relacionadas ao
papel da APS. Nas redes de atenção às
doenças crônicas, a APS é o centro de
comunicação das RAS, tendo como
função a coordenação dos fluxos dentro de
toda a rede. Já nas redes de atenção às
condições agudas, a APS não faz parte do
centro de comunicação, tornando-se um
importante ponto de atenção à saúde
(‘nó’), sem cumprir a função central de
coordenação de fluxos e contra fluxos da
rede.
As Redes de Atenção à Saúde no
Sistema Único de Saúde:
No Brasil, é possível identificar um
esforço para a implantação de diversas
RAS nos sistemas municipais e estaduais
de saúde. Isto porque há na literatura
internacional uma vasta gama de
evidências de que essas redes podem
melhorar a qualidade clínica, os resultados
sanitários e a satisfação dos usuários. Ao
mesmo tempo, reduzem os custos dos
sistemas saúde.
Por esse motivo, estão sendo
implantadas redes temáticas de atenção à
saúde no país. Estas RAS foram definidas
segundo as prioridades das agendas de
saúde federal, estadual e municipal.
- Rede de Atenção à Urgência e
Emergência:
- Rede cegonha:
- Rede de atenção psicossocial:
-Rede de cuidado à saúde as pessoa
com deficiência:
- Rede de atenção ás doenças crônicas:
Diretrizes e estratégias para
implementação das Redes de Atenção à
Saúde:
- Desenvolver os Sistemas Logísticos e
de Apoio da RAS
Ampliação da atuação das APS.
Incentivo à organização da porta de
entrada.
Ampliação do financiamento e
investimentos em infraestrutura.
- Ampliação do financiamento e
investimentos em infraestrutura
Promoção da comunicação de todos os
pontos de atenção.
Desenvolvimento da gestão da tecnologia
de informação e comunicação em saúde
na RAS.
Atenção primária à saúde:
Atenção Primária à Saúde (APS) foi
posicionada como um dos elementos da
estrutura operacional de uma rede de
atenção à saúde (RAS): centro
comunicador e coordenador do cuidado.
Portanto, é fundamental investir na
qualificação e expansão da APS - entre
outros fatores - para uma efetiva mudança
de estruturação do Sistema Único de
Saúde (SUS) em redes integradas de
atenção.
Uma APS de qualidade deve possuir
atributos essenciais para sua consolidação
e efetiva atenção à população assistida. O
primeiro atributo diz respeito à atenção
primária como serviço de primeiro contato
(acesso). Para isso, é necessário que o
serviço seja acessível em todos os
aspectos (financeiros geográficos,
culturais, etc). A longitudinalidade
consiste na regularidade do cuidado à
saúde do usuário pela equipe em um
processo que gere responsabilização e
uma relação mútua e contínua de
confiança entre a equipe, as famílias e os
indivíduos. A integralidade implica a
oferta de serviços de cuidado à saúde do
usuário, tanto preventivos como curativos,
nos diferentes pontos de atenção, de
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maneira a atender às necessidades da
população, considerando a múltipla
determinação da saúde. A fim de garantir
a integralidade da atenção, a
coordenação das ações e serviços é um
atributo essencial para que a APS se
estabeleça como centro de comunicação
das redes.
Para que as RAS sejam efetivas,
eficientes e de qualidade, deve-se ter,
antes de tudo, uma APS bem estruturada.
A APS deve ser estruturada de modo a
propiciar o cumprimento de suas funções
centrais de acolher, escutar e dar vazão às
demandas sanitárias existentes.
Considerando o contexto de
reestruturação do sistema de saúde
segundo formato de redes de atenção, há
outras funções prioritárias da APS, as
quais contribuirão para o adequado
funcionamento da RAS. De acordo com a
PNAB, são elas:
- Ser a base: a modalidade primária de
atenção deve estar presente nos estados
e municípios de modo mais
descentralizado e distribuído possível.
- Ser resolutiva: deve ser capaz de gerar
diagnóstico sanitário e situacional da
população que vive no território sob sua
responsabilidade, considerando riscos,
necessidades e demandas de saúde. Por
meio de uma clínica ampliada capaz de
construir vínculos positivos e intervenções
clínica e sanitariamente efetivas.
- Coordenar o cuidado: a APS deve atuar
como centro de comunicação entre os
diversos pontos e níveis de atenção,
acompanhando e organizando o fluxo dos
usuários, com o objetivo de produzir
gestão compartilhada da atenção integral
por meio da apropriação de ferramentas de
micro gestão do cuidado. Além disso, deve
articular também outras estruturas, como
os sistemas logísticos e de apoio, relações
intersetoriais e participação social da
comunidade.
- Ordenar as redes: a APS deve organizar
as necessidades sanitárias da população
sob sua responsabilidade em relação ao
acesso aos outros pontos de atenção,
contribuindo para que a programação dos
serviços a serem ofertados efetivamente
seja baseada na real demanda de saúde
da população.
OBS: PMAQ-AB. O Programa Nacional de
Melhoria do Acesso e da Qualidade da
Atenção Básica (PMAQ-AB) foi instituído
por meio da Portaria nº 1.654, de 19 de
julho de 2011, devido à necessidade de se
incentivar o aumento do acesso e ampliar
o padrão de qualidade dos serviços de
saúde nas Unidades Básicas de Saúde
(UBS). O programa consiste em ações de
monitoramento e avaliação de todos os
municípios que o implantarem, realizadas
através do acompanhamento de
indicadores prioritários de saúde e de uma
avaliação de padrões de qualidade dos
serviços da unidade. Estas ações estão
vinculadas a um incentivo financeiro
variável e dependente dos resultados das
metas pactuadas pelas equipes e gestão
municipal.
Neste contexto, a APS representa o
início (porta de entrada preferencial), meio
(referência) e o fim (longitudinalidade) da
atenção à saúde da população. É por este
motivo que se tem discutido tanto a
valorização e qualificação da APS e tem-
se defendido seu lugar de coordenação
das redes de atenção.
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Explanar sobre a RUE
Para organizar uma rede que atenda
aos principais problemas de saúde dos
usuários na área de urgência e
emergência de forma resolutiva, é
necessário considerar o perfil
epidemiológico e demográfico brasileiro,
no qual se evidencia, segundo dados da
Secretaria de Vigilância em Saúde do
Ministério da Saúde (SVS/MS), uma alta
morbimortalidade relacionada às
violências e aos acidentes de trânsito entre
jovens até os 40 anos e, acima desta faixa,
uma alta morbimortalidade relacionada às
doenças do aparelho circulatório, como o
infarto agudo do miocárdio (IAM) e o
acidente vascular cerebral (AVC).
Tendo-se em vista esta tripla carga de
doenças (causas externas, doenças
crônicas não transmissíveis, com
destaque para as doenças
cardiovasculares e, ainda, uma carga de
doenças infecciosas), é importantea
implementação da Rede de Atenção às
Urgências e Emergências (RUE), de forma
a articular e integrar todos os
equipamentos de saúde, objetivando
ampliar e qualificar o acesso humanizado
e integral aos usuários em situação de
urgência e emergência nos serviços de
saúde, de forma ágil e oportuna, em todo o
território nacional, respeitando-se os
critérios epidemiológicos e de densidade
populacional.
Diretrizes da Rede de Atenção às
Urgências e Emergências (RUE):
- Universalidade, equidade e integralidade
da atenção a todas as situações de
urgência e emergência, incluindo as
clínicas, gineco-obstétricas, psiquiátricas,
pediátricas e as relacionadas às causas
externas (traumatismos, violências e
acidentes);
- Ampliação do acesso, com acolhimento,
aos casos agudos e em todos os pontos de
atenção;
- Formação de relações horizontais,
articulação e integração entre os pontos de
atenção, tendo a atenção básica como
centro de comunicação;
- Classificação de risco;
- Regionalização da saúde e atuação
territorial;
- Humanização da atenção, garantindo a
efetivação de um modelo centrado no
usuário e baseado nas suas necessidades
de saúde;
- Qualificação da atenção e da gestão por
meio do desenvolvimento de ações
coordenadas e contínuas que busquem a
integralidade e longitudinalidade do
cuidado em saúde;
Os componentes da RUE:
- Promoção, prevenção e vigilância: tem
por objetivo estimular e fomentar o
desenvolvimento de ações de saúde e
educação permanente voltadas para a
vigilância e a prevenção das violências e
dos acidentes, das lesões e mortes no
trânsito e das doenças crônicas não
transmissíveis, além de ações
intersetoriais, de participação e
mobilização da sociedade para a
promoção da saúde, prevenção de
agravos e vigilância em saúde. As ações
de promoção da saúde são consideradas
estratégicas pelo Ministério da Saúde
tanto para a prevenção de doenças e a
melhoria da qualidade de vida dos
brasileiros quanto para a gestão integrada
e intersetorial de políticas públicas. A
Política Nacional de Promoção da Saúde
(PNPS), instituída por meio da Portaria
MS/GM nº 687, de 30 de março de 2006,
prioriza, entre suas ações estratégicas, a
redução da morbimortalidade em
decorrência do uso abusivo de álcool e
outras drogas, por acidentes de trânsito e
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a prevenção da violência, além do estímulo
à cultura de paz.
- Atenção básica: tem como objetivos a
ampliação do acesso, o fortalecimento do
vínculo, a responsabilização e o primeiro
atendimento às urgências e emergências,
em ambiente adequado, até o
encaminhamento dos pacientes a outros
pontos de atenção, quando necessário,
mediante implantação de acolhimento com
avaliação de riscos e vulnerabilidades.
Neste sentido, a Atenção Básica deve
cumprir algumas funções para contribuir
com o funcionamento das Redes de
Atenção à Saúde. São elas:
-Ser base: ser a modalidade de atenção e
de serviço de saúde com o mais elevado
grau de descentralização e capilaridade,
cuja participação no cuidado se faz sempre
necessária;
-Ser resolutiva: identificar riscos,
necessidades e demandas de saúde,
utilizando e articulando diferentes
tecnologias de cuidado individual e
coletivo, por meio de uma clínica ampliada
capaz de construir vínculos positivos e
intervenções clínicas e sanitariamente
efetivas, na perspectiva de ampliação dos
graus de autonomia dos indivíduos e
grupos sociais;
-Coordenar o cuidado: elaborar,
acompanhar e gerir projetos terapêuticos
singulares, bem como acompanhar e
organizar o fluxo dos usuários entre os
pontos de atenção das RAS. Deve atuar
como o centro de comunicação entre os
diversos pontos de atenção,
responsabilizando-se pelo cuidado dos
usuários em qualquer destes pontos por
intermédio de uma relação horizontal,
contínua e integrada, com o objetivo de
produzir a gestão compartilhada da
atenção integral. Deve articular também as
outras estruturas das redes de saúde e
intersetoriais, públicas, comunitárias e
sociais;
-Ordenar as redes: reconhecer as
necessidades de saúde da população sob
sua responsabilidade, organizando as
necessidades desta população em relação
aos outros pontos de atenção à saúde,
contribuindo para que a programação dos
serviços de saúde parta das necessidades
de saúde dos usuários.
No que se refere ao processo de
trabalho das equipes com foco na
urgência/emergência, os profissionais
devem realizar o acolhimento com escuta
qualificada, classificação de risco,
avaliação de necessidade de saúde e
análise de vulnerabilidades, tendo em vista
a responsabilidade da assistência
resolutiva à demanda espontânea e ao
primeiro atendimento às urgências e
emergências.
- Serviço de Atendimento Móvel às
Urgências: É o componente da rede de
atenção às urgências e emergências que
objetiva ordenar o fluxo assistencial e
disponibilizar atendimento precoce e
transporte adequado, rápido e resolutivo
às vítimas acometidas por agravos à
saúde de natureza clínica, cirúrgica,
gineco-obstétrica, traumática e
psiquiátricas mediante o envio de veículos
tripulados por equipe capacitada,
acessado pelo número “192” e acionado
por uma Central de Regulação das
Urgências, reduzindo a morbimortalidade.
O Samu é normatizado pela Portaria
MS/GM nº 1.010, de 21 de maio de 2012.
As unidades móveis para o atendimento de
urgência podem ser:
- Unidade de suporte básico de vida
terrestre (USB), viatura tripulada por no
mínimo 2 (dois) profissionais, sendo um
condutor de veículo de urgência e um
técnico ou auxiliar de enfermagem;
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- Unidade de suporte avançado de vida
terrestre (USA), viatura tripulada por no
mínimo 3 (três) profissionais, sendo um
condutor de veículo de urgência, um
enfermeiro e um médico;
- Equipe de aeromédico – aeronave com
equipe composta por no mínimo um
médico e um enfermeiro;
Centrais de Regulação Médica de
Urgências. Responsável pela regulação
médica das urgências é parte integrante do
Samu 192, definida como uma estrutura
física com a atuação de profissionais
médicos, telefonistas auxiliares de
regulação médica (Tarm) e rádio-
operadores (RO) capacitados em
regulação dos chamados telefônicos que
demandem orientação e/ou atendimento
de urgência, por meio de uma classificação
e priorização das necessidades de
assistência em urgência, além de ordenar
o fluxo efetivo das referências e
contrarreferências dentro da Rede de
Atenção à Saúde. As centrais de regulação
do Samu 192 deverão ser regionalizadas,
a fim de ampliar o acesso às populações
dos municípios em todo o território
nacional.
- Sala de Estabilização: Define-se por
Sala de Estabilização (SE) o equipamento
de saúde que deverá atender às
necessidades assistenciais de
estabilização do paciente grave/crítico em
municípios de grandes distâncias e/ou
isolamento geográfico, bem como lugares
de difícil acesso considerados como vazios
assistenciais para a urgência e
emergência. Deverá se organizar de forma
articulada, regionalizada e em rede.
A SE poderá estar alocada em serviços
de saúde, públicos ou filantrópicos, em
hospitais de pequeno porte (HPP) com no
máximo 30 (trinta) leitos e fora da área de
abrangência de UPA 24 horas, podendo
também ser instalada em outras unidades,
tipo unidade básica de saúde (UBS) e
unidade mista, além de HPP, desde que
garantidas as condições para o seu
funcionamento integral por 24 horas em
todos os dias da semana. Deverão ser
observadas as seguintes diretrizes:
- Funcionamento nas 24 (vinte e quatro)
horas do dia e nos 7 (sete) dias da
semana;
- Equipe interdisciplinar compatível com
suas atividades;
- Funcionamento conforme protocolos
clínicos, acolhimento,classificação de
risco e procedimentos administrativos
estabelecidos e/ou adotados pelo gestor
responsável.
- Unidades de Pronto Atendimento (UPA
24h) e o Conjunto de Serviços de
Urgência 24 Horas: As unidades de
pronto atendimento 24h são estruturas de
complexidade intermediária entre as
unidades básicas de saúde, unidades de
saúde da família e a rede hospitalar,
devendo funcionar 24h por dia, todos os
dias da semana, e compor uma rede
organizada de atenção às urgências e
emergências, com pactos e fluxos
previamente definidos, com o objetivo de
garantir o acolhimento aos pacientes,
intervir em sua condição clínica e
contrarreferenciá-los para os demais
pontos de atenção da RAS, para os
serviços da atenção básica ou
especializada ou para internação
hospitalar, proporcionando a continuidade
do tratamento com impacto positivo no
quadro de saúde individual e coletivo da
população.
- Componente da Atenção Hospitalar: O
Componente da Atenção Hospitalar da
Rede de Atenção às Urgências e
Emergências é constituído por:
1.Portas hospitalares de urgência e
emergência;
Lucas Gustavo Novaes Gonçalves
2.Enfermaria de retaguarda clínica;
3.Unidades de cuidados prolongados e
hospitais especializados em cuidados
prolongados;
4.Leitos de terapia intensiva; e
5.Organização das linhas de cuidado
prioritárias:
•LC do infarto agudo do miocárdio (IAM);
•LC do acidente vascular cerebral (AVC);
•LC da traumatologia.
São objetivos da Atenção Hospitalar da
Rede de Atenção às Urgências e
Emergências:
- organizar a atenção às urgências nos
hospitais de modo que atendam à
demanda espontânea e/ou referenciada e
funcionem como retaguarda para os outros
pontos de atenção às urgências de menor
complexidade;
- garantir retaguarda de atendimentos de
média e alta complexidade, procedimentos
diagnósticos e leitos clínicos, cirúrgicos, de
cuidados prolongados e de terapia
intensiva para a Rede de Atenção às
Urgências; e
- garantir a atenção hospitalar nas linhas
de cuidado prioritárias em articulação com
os demais pontos de atenção.
Portas Hospitalares de Urgência e
Emergência: a organização da RUE na AH
tem como um dos objetivos qualificar as
portas de entrada hospitalares de urgência
e emergência, que se constituem como
serviços instalados em uma unidade
hospitalar para prestar atendimento
ininterrupto ao conjunto de demandas
espontâneas e referenciadas de urgências
clínicas, pediátricas, cirúrgicas e/ou
traumatológicas, obstétricas e de saúde
mental. As portas de entrada hospitalares
de urgência localizadas nas unidades
hospitalares estratégicas poderão receber
incentivo de custeio diferenciado de
acordo com a seguinte tipologia:
•Hospital Geral: Hospital de referência
para, no mínimo, uma região de saúde,
conforme Plano Diretor Regional (PDR).
Deve ter uma cobertura populacional de
até 200 mil habitantes. São
estabelecimentos que possuem estrutura
para realizações de média complexidade.
Devem contar com equipe 24 horas
composta por clínico geral, pediatra,
cirurgião, anestesiologista, enfermeiros,
técnicos e equipes para manejo de
pacientes críticos.
•Hospital Especializado Tipo I: Hospital de
referência para uma ou mais regiões de
saúde, conforme PDR. Deve ter uma
cobertura populacional de 201 mil a 500
mil habitantes. Deve possuir, no mínimo,
um serviço de referência habilitado em alta
complexidade, para desempenhar seu
papel como neurocirurgia e/ou tráumato-
ortopedia e/ou cardiologia/cardiovascular
ou como referência para pediatria. Deve
contar com equipe 24h composta por
médicos especializados, cuja composição
depende do perfil assistencial do
estabelecimento, equipe multidisciplinar e
equipes para manejo de pacientes críticos.
•Hospital Especializado Tipo II: Hospital de
referência que atenda no mínimo a uma
macrorregião, obedecendo aos critérios
estabelecidos neste documento. Deve ser
referência para uma cobertura
populacional a partir de 501 mil habitantes.
Deve possuir, no mínimo, dois serviços de
referência habilitados em alta
complexidade, para desempenhar seu
papel como neurocirurgia, tráumato-
ortopedia, cardiologia ou como referência
para pediatria. Deve contar com equipe
24h composta por médicos
especializados, cuja composição depende
do perfil assistencial do estabelecimento,
equipe multidisciplinar e equipes para
manejo de pacientes críticos.
Força Nacional do SUS (FN-SUS):
Lucas Gustavo Novaes Gonçalves
Força Nacional do Sistema Único de
Saúde (FN-SUS) é um componente
humanitário do SUS, estruturante para a
Rede de Atenção às Urgências e
Emergências, sob gestão do Ministério da
Saúde. Deverá ser organizada na lógica de
aglutinar esforços para garantir a
integralidade da assistência em situações
de risco ou emergenciais a que esteja
exposta a população brasileira e,
especialmente, os povos indígenas e
grupos populacionais localizados em
território de difícil acesso, devendo
conduzir suas atividades segundo os
princípios de equidade, integralidade e
universalidade.
A FN-SUS deverá prover resposta
rápida e eficiente em situações de
calamidade e urgências específicas em
todas as unidades federativas do território
nacional e, extraordinariamente, em outros
países, quando sua participação integrar
ajuda humanitária que seja oficialmente
solicitada à Presidência da República.
Exemplos de situações elegíveis para a
atuação da FN-SUS: alagamentos e seca,
desabamentos, enchentes, incêndios,
epidemias/pandemias, acidentes
nucleares, eventos com grande
concentração de pessoas, como a Copa
do Mundo e as Olimpíadas. Ainda quanto
à estruturação, a FN-SUS contará com
hospitais de campanha para o
atendimento às vítimas de calamidade,
podendo realizar, inclusive, cirurgias e
estabilização de pacientes críticos/graves
em terapia intensiva, para posterior
encaminhamento para a Rede de Atenção
às Urgências e Emergências.
Lucas Gustavo Novaes Gonçalves
Caracterizar o processo de
implementação e funcionamento
da RAS na Bahia.
Rede Cegonha
Toda mulher tem direito ao atendimento na
gravidez, no parto e após o parto, devendo
buscar para isso a unidade de saúde mais
próxima de sua residência para realizar o
pré-natal. Nesse período, a equipe de
saúde deve informar à gestante qual
maternidade ou hospital deverá buscar no
momento do parto ou em caso de
intercorrências.
As gestantes também tem direito a
visita à unidade de saúde onde será
realizado o seu parto, com a presença de
acompanhante de sua escolha e com
acolhimento por equipe multiprofissional.
Todas as maternidades de Salvador que
fazem parte do Sistema Único de Saúde,
SUS, oferecem visitas para as gestantes e
seus acompanhantes durante o pré-natal,
para que possam conhecer a equipe, tirar
dúvidas e se preparar ainda mais para o
momento do parto.
Rede De Atenção Psicossocial
Atualmente, a Bahia dispõe de 263
CAPS no Cadastro Nacional de
Estabelecimentos de Saúde (CNES),
sendo que destes 226 se encontram
habilitados e financiados pelo MS e 19 em
funcionamento sem habilitação, com
processo em análise, no MS. Quanto aos
demais (dezoito municípios), permanecem
sendo custeados apenas pelo município,
enquanto aguarda-se que os Gestores
Municipais sanem as suas pendências
processuais para inclusão em pauta, na
Comissão IntergestoresBipartite, e
posterior solicitação de habilitação ao MS.
Até a presente data, o estado da Bahia tem
co-finaciado dois CAPS III, localizados nos
municípios de Feira de Santana e Salvador
resultando em um investimento estadual
de R$ 550.000,00. Salientamos, ainda,
que o estado tem uma parceria firmada
com a
Universidade Federal da Bahia, através de
um contrato, na manutenção e
funcionamentodo CAPS Ad docente
assistencial Gregório de
Matos cujo montante é de R$
2.349.215,28. O referido CAPS integra
ações do Pacto pela Vida e oferta
qualificação para mais de 80% dos
profissionais da rede SUS Bahia, no que
se refere a álcool e drogas.
Lucas Gustavo Novaes Gonçalves
Descrever como funciona o
sistema de saúde nos países do
mapa
O sistema do tipo pluralista empresarial
permissivo: o caso dos EUA:
- Gastos em saúde correspondem a 15%
do PNB.
- Desigualdades nos indicadores de saúde
são marcantes: a mortalidade infantil é o
dobro na população negra, na qual as
mortes por doenças cardíacas e câncer
são também mais elevadas;
- Existem intervenções clássicas em saúde
coletiva, como o CDC (tradução: centro de
controle e prevenção) e o FDA
(Administração de alimentos e
medicamentos); estruturas de gestão da
assistência médico-hospitalar para
clientelas específicas, como o MEDICARE
e o MEDICAID (esses dois aí surgiram na
déc. De 1960 a partir de reformas que
visavam ampliar o acesso aos serviços,
sobretudo para idosos, desempregados,
trabalhadores de pequenas empresas e
para racionalizar o modelo de atenção
EXCESSIVAMENTE HOSPITALAR
MEDICARE é um seguro social de
responsabilidade federal, destinado a
cobertura médico-hospitalar de
aposentados (ps: lá a pop. Maior de 65
anos fica sem cobertura após a
aposentadoria, pois os seguros das
empresas só cobrem durante a atividade)
crônicas e seus dependentes e de
portadores de doenças renais tem dois
sistemas de cobertura: um básico
obrigatório e um complementar de adesão
voluntária: o básico cobre apenas
parcialmente os gastos de hospitalização,
ficando a título do paciente
MEDICAID programa assistencial sob
responsabilidade dos governos estaduais
sendo financiado com fontes fiscais
(impostos) dessa esfera de governo e
subsídios federais está condicionado a
comprovação de situação de pobreza,
havendo muita diversidade na extensão e
na qualidade dos serviços oferecidos.
Um Sistema de Seguro Público: O Caso da
França
- Gasto com saúde que corresponde à
10% do PNB.
- Os indicadores de saúde mostram uma
esperança de vida de 79,4 anos e
mortalidade infantil de 3,9 mortes por mil
habitantes. Todos esses indicadores
situavam-se acima da média do conjunto
dos países desenvolvidos.
- Em 2004 surgiu uma lei que a partir dos
16 anos o indivíduo já poderia escolher seu
médico para continuidade em saúde,
dando uma ênfase na prática liberal do
sistema.
Os Modelos de Seguro e Serviços
Nacionais de Saúde: O Caso do Canadá
- Gasto em saúde que correspondia a
aproximadamente 10% do PIB.
- A estruturação do sistema de saúde
canadense iniciou-se com um seguro
hospitalar (1957), seguido por um seguro
universal votado em 1966 ("Medicai
CareAct"). Trata-se de um sistema
fortemente descentralizado, baseado em
orçamento fiscal e financiamento
compartilhado entre o governo federal e as
províncias. Cada província tem autonomia
para estabelecer suas prioridades e
realizar a gestão dos serviços, desde que
respeitados os grandes princípios da lei
federal: universalização, gestão pública,
integralidade ou caráter completo da
assistência (os direitos são válidos em
todo o território Canadense).
- O sistema é definido como um seguro
nacional de saúde cujo financiamento é
predominantemente público através de
fontes fiscais, mas a prestação de serviços
fica a cargo de prestadores privados com
diversas formas de credenciamentos e
contratos. A maior parte dos médicos
exerce sua prática de forma liberal,
Lucas Gustavo Novaes Gonçalves
atendendo em clínicas particulares ou em
hospitais, sendo remunerados por serviços
prestados pelas agências provinciais que
gerenciam o seguro saúde.
Os Modelos de Seguro e Serviços
Nacionais de Saúde: O Caso da Inglaterra
- 7,7% do PIB.
- Desde sua criação em 1948, o Serviço
Nacional de Saúde do Reino Unido
(National Health Service — NHS) tem sido
considerado um modelo de socialização
de serviços de saúde. A garantia de
acesso universal com financiamento fiscal
e um modelo assistencial regionalizado
com a presença do clínico geral na porta
de entrada, serviram como referência para
algumas reformas sanitárias, notadamente
nos anos 1970.
CHILE:
No início dos anos 1970, o SNS
possuía a maior parte dos leitos do país e
seus serviços cobriam a maior parcela da
população. Mas o SNS já teria nascido
deficitário, com demanda crescente e
financiamento inadequado, encontrando-
se numa situação de crise por ocasião do
golpe militar em 1973 (Labra, 1995).
Durante o período do governo militar (1973
a 1990), ocorreram as seguintes e
profundas mudanças: livre escolha entre
setor público ou privado, ou seja, as
pessoas passaram a optar pela destinação
de suas contribuições obrigatórias para um
dos dois subsistemas.
Houve criação de um Fundo Nacional de
Saúde (Fonasa), para arrecadação,
administração, credenciamentos,
honorários e a criação de novas instâncias
gestoras privadas denominadas
“Instituciones de SaludPrevisional —
Isapres”, que receberam estímulos para
seu desenvolvimento. Descentralização da
atenção primária para os municípios; tanto
os serviços regionais como os
municipalizados podiam ser financiados
tanto pelo Fonasa como pelas Isapres;
Foram criadas três modalidades de
prestação de serviços:
- Modalidade institucional — atenção
prestada nos serviços próprios do Sistema
Nacional de Serviços de Saúde — SNSS
com co-pagamentos ou bonificações
segundo classes de renda;
- Modalidade de livre escolha; com ordem
de atendimento o usuário escolhe a clínica
ou hospital, com co-pagamento conforme
o nível;
- Modalidade Isapres, com a possibilidade
de modulações nas coberturas mediante
pagamentos complementares.
Em 1998, 23,7% da população estava
coberta por uma Isapre tendo ocorrido um
aumento da oferta de serviços privados,
Lucas Gustavo Novaes Gonçalves
com diminuição dos recursos humanos
vinculados ao setor público. Com o
processo de redemocratização do país os
esforços têm-se concentrado na
recuperação da capacidade instalada da
rede pública com manutenção do "mix
público privado" existente. Foram
desenvolvidas ações com a finalidade de
diminuir desigualdades, com
estabelecimento da gratuidade da atenção
primária e da atenção em saúde para
maiores de sessenta anos inscritos no
Fonasa, revisão da tendência de
financiamento (com aumento de cinquenta
por cento do aporte fiscal) e diminuição de
co-pagamentos por parte dos usuários.
Quanto ao que se relaciona aos serviços,
houve diminuição da lista de espera para o
nível secundário e terciário, e retirado de
subsídios das seguradoras privadas
(Isapres) cuja cobertura parou em torno de
20%.
CUBA:
- A relevância político-ideológica dada ao
conceito e organização do SSC, impondo
a Saúde como um Direito fundamental do
Homem, sendo dever inalienável do
Estado assegurá-lo, está bem patente na
Lei Fundamental cubana. Referendada em
1976 e revista em 1992, a CRC define “o
Estado, como Poder do povo, em serviço
do próprio povo, garante que não haja
doente sem assistência médica”.
- Tem como princípios de base o carácter
estatal e social da Medicina, a
acessibilidade e gratuidade dos serviços, a
orientação profilática, a aplicação
adequada dos avanços da Ciência e da
Técnica, a participação da comunidade e a
intersetorialidade, a colaboração
internacional e a centralização normativa e
descentralização executiva.