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A Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) foi criada em 2006, pelo Ministério da Saúde. Ela se estabelece pela soma de atores – movimentos sociais, profissionais da saúde, usuários e gestores das três esferas do governo – que contribuem para a consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS). O SUS tem por sua vez como porta de entrada principal a Atenção Básica, que deve possuir um alto grau de descentralização e abrangência, sendo estabelecida no local mais acessível para a comunidade. Ela deve ser o principal contato dos usuários e o centro de comunicação com toda Rede de Atenção a Saúde. Portaria n 0 2.436 de 21/09/2017: Essa portaria reformulou a Política Nacional de Atenção Básica, estabelecendo revisões de diretrizes para a organização da AB, no âmbito do SUS. A PNAB estabelece diretrizes e normas para a organização da Atenção Primária, no âmbito do Sistema Único de Saúde, em todo território brasileiro. Portaria 2.2436/2017: Art. 2° Conceito de Atenção Básica: A Atenção Básica é o conjunto de ações de saúde individuais, familiares e coletivas que envolvem promoção, prevenção, proteção, diagnóstico, tratamento, reabilitação, redução de danos, cuidados paliativos e vigilância em saúde, desenvolvida por meio de práticas de cuidado integrado e gestão qualificada realizada com equipes multiprofissionais e dirigidas à população com território definido, sobre as quais as equipes assumem responsabilidade sanitária. §1º Esse parágrafo destaca a Atenção Básica como primeiro ponto de atenção e porta de entrada preferencial do sistema, que deve ordenar os fluxos e contrafluxos de PESSOAS, PRODUTOS e INFORMAÇÕES em todos os pontos de atenção à saúde, sendo o centro de comunicação das RAS – Redes de Atenção à Saúde. A AB não é a única porta de entrada. A Portaria diz que a AB é a PORTA DE ENTRADA PRINCIPAL DO SUS, o que implica dizer que existem outras possíveis formas de entrada pelo usuário no sistema, embora não sejam preferenciais. § 2º A Atenção Básica será ofertada integralmente e gratuitamente a todas as pessoas, de acordo com suas necessidades e demandas do território, considerando os determinantes e condicionantes de saúde. § 3º É proibida qualquer exclusão baseada em idade, gênero, raça/cor, etnia, crença, nacionalidade, orientação sexual, identidade de gênero, estado de saúde, condição socioeconômica, escolaridade, limitação física, intelectual, funcional e outras. § 4º Para o cumprimento do previsto no § 3º, serão adotadas estratégias que permitam minimizar desigualdades/iniquidades, de modo a evitar exclusão social de grupos que possam vir a sofrer estigmatização ou discriminação, de maneira que impacte na autonomia e na situação de saúde. Art. 4º A PNAB tem na Saúde da Família sua estratégia prioritária para expansão e consolidação da Atenção Básica. Parágrafo único. Serão reconhecidas outras estratégias de Atenção Básica, desde que observados os princípios e diretrizes previstos nesta portaria e tenham caráter transitório, devendo ser estimulada sua conversão em Estratégia Saúde da Família. Art. 5º A integração entre a Vigilância em Saúde e Atenção Básica é condição essencial para o alcance de resultados que atendam às necessidades de saúde da população, na ótica da integralidade da atenção à saúde e visa estabelecer processos de trabalho que considerem os determinantes, os riscos e danos à saúde, na perspectiva da intra e intersetorialidade. Art. 6º Todos os estabelecimentos de saúde que prestem ações e serviços de Atenção Básica, no âmbito do SUS, de acordo com esta portaria serão denominados Unidade Básica de Saúde - UBS. Parágrafo único. Todas as UBS são consideradas potenciais espaços de educação, formação de recursos humanos, pesquisa, ensino em serviço, inovação e avaliação tecnológica para a RAS. A Política Nacional de Atenção Básica considera os termos Atenção Básica - AB e Atenção Primária à Saúde - APS, nas atuais concepções, como termos equivalentes, de forma a associar a ambas os princípios e as diretrizes definidas neste documento. Em 1994, o Programa Saúde da Família (PSF) foi criado e implantado no Brasil e foi o principal mecanismo utilizado para contribuir com a expansão da cobertura da Atenção Primária à Saúde. Em 2006, como já citamos o governo federal publicou a primeira Política Nacional de Atenção Básica. As três versões da PNAB ocorreram nos últimos três governos, sendo assim, podemos dizer que cada uma delas foi influenciada por contextos socioeconômicos diferentes. As últimas mudanças estabelecidas para a política Nacional de Atenção Básica tiveram como premissa ampliar a oferta de saúde e melhorar a integralidade do atendimento, garantindo a universalidade do acesso a todos. Passaram fazer parte da versão atual da PNAB resoluções como: Recebimentos de recursos Federais por parte dos municípios, favorecendo áreas mais distantes e com menos recursos; Reconhecimento de novos modelos de Atenção Básica e composição das equipes conforme características e necessidades locais; Integração dos Agentes Comunitários em Saúde (ACS) com Agentes de combate às Endemias (ACE) a fim de que eles atuem de maneira complementar na Atenção Básica da Saúde da Família. Há, ainda, a recomendação para que ACS integrem as Equipes de Atenção Básica – eAB O SUS é um sistema complexo, de caráter público, que atende mais de 190 milhões de pessoas, das quais 80% dependem exclusivamente dele, segundo o Ministério da Saúde. Em paralelo a isso, a PNAB é um mecanismo de fortalecimento da Atenção Primária em Saúde (APS), ou Atenção Básica (AB), e tem o papel de manter em funcionamento ordenado o serviço de acesso prioritário ao SUS, nível no qual, segundo estimativas também do MS, é possível encontrar de 80% a 90% de resolutividade para os problemas das pessoas ao longo da vida (ao ser resolutivo, o programa tem uma redução de gastos com “problemas maiores”). Em outras palavras, a PNAB tem como função organizar o modo como os pacientes chegam e são encaminhados dentro do SUS, destacando a Atenção Básica e a Estratégia da Saúde da Família (ESF) como referencial. É comum ouvir dizer que o SUS democratizou o acesso à saúde pela oferta de atendimento a quem quer que precise. Mas, além de cumprir esse papel, o SUS é responsável também por outras atribuições importantes. Entre elas estão: Vigilância permanente de condições sanitárias e de saneamento; Segurança nos ambientes de trabalho; Higiene em estabelecimentos comerciais e de oferta de serviços; Regulação do registro de medicamentos, insumos e equipamentos; Controle da qualidade e manipulação dos alimentos; Controle da qualidade da água; Manutenção dos Bancos de Leite Humano; Manutenção dos Bancos de Sangue e doação/coleta; Gerenciamento do sistema de Captação, Doação e Transplante de Órgãos; Disponibilização de atendimento emergencial via SAMU. No campo de atendimento ao paciente que tem acesso ao SUS via AB, o sistema inclui serviços como promoção e prevenção de saúde, controle de doenças crônicas (câncer, diabetes, hipertensão), oferta de medicamentos de alto custo, processos de redesignação de sexo, hemodiálise, cuidados paliativos e outros serviços. Art. 3º São Princípios e Diretrizes do SUS e da RAS a serem operacionalizados na Atenção Básica: Os princípios e diretrizes, a caracterização e a relação de serviços ofertados na Atenção Básica serão orientadores para-Tem-se dois modelos de assistência: cuida do problema de saúde utilizando quase exclusivamente os exames e medicamentos, em um processo de trabalho centrado no ato prescritivo. É um modelo centrado no trabalho morto. Utiliza a tecnologia dura (instrumentos) + leve-duras (conhecimento técnico). trabalha um projeto terapêutico mais relacional com o usuário, que mesmo utilizando instrumentos consegue reconhecer a singularidade do indivíduo (relações sociais e familiares, subjetividade). É um modelo centrado no trabalho vivo. Utiliza principalmente tecnologias leves (acolhimento e escuta) + secundariamente leves-duras e duras. Considerando que o modelo assistencial atual tem no seu modo de produção do cuidado, um processo de trabalho centrado no trabalho morto, a mudança do modelo requer inversão,isto é, um modelo em que o processo de trabalho tenha como centro o trabalho vivo, com utilização maciça das tecnologias leves secundariamente das leve-duras e duras, conforme a necessidade dos projetos terapêuticos singulares. A equipe-agrupamento, segundo Peduzzi (2001), é caracterizada pela fragmentação. Já a equipe- integração é aquela caracterizada pela articulação - indo de encontro à proposta integrativa das ações de saúde. Desse modo, na equipe-agrupamento ocorre a justaposição das ações e o agrupamento dos agentes, enquanto que, na equipe-integração ocorre a articulação e interação das ações e dos agentes. Assim, a equipe-agrupamento pode ser reconhecida como sendo uma equipe: marcada pela ausência de autonomia técnica (a autonomia técnica é a liberdade que o profissional tem para julgar e tomar decisões frente às necessidades de saúde dos usuários), comunicação externa ao trabalho (onde a comunicação é utilizada apenas em sua dimensão instrumentalista, sendo restrita a otimização da técnica), autonomia técnica plena (cada agente toma conta da própria tarefa e própria área), comunicação estritamente pessoal (há uma comunicação com características pessoalizadas, onde se existe o sentimento de camaradagem - que por ora, sobrepõe a técnica). Já a equipe-integração pode ser reconhecida pela: comunicação intrínseca ao trabalho (quando a linguagem entre os trabalhadores é comum, auxiliando na colaboração mútua, objetivos em comum, propostas comuns etc); projeto assistencial comum (trata-se de um plano de ação para uma situação complexa de trabalho coletivo em equipe); arguição da desigualdade dos trabalhos especializados (questionamento sobre as desigualdades existentes entre as categorias profissionais e o modo como isso se apresenta no dia-a-dia do serviço de saúde); flexibilidade da divisão do trabalho (os profissionais exercem intervenções próprias de suas respectivas áreas, mas também executam ações comuns, nas quais estão integrados saberes provenientes de distintos campos como: recepção, acolhimento, grupos educativos, grupos operativos e outros); autonomia técnica de caráter interdependente (um serviço depende do outro - integralidade na proposta de se promover saúde). O trabalho da Saúde da Família segue os princípios do processo de trabalho das unidades básicas de saúde: – A gestão deve definir o território de responsabilidade de cada equipe, e esta deve conhecer o território de atuação para programar suas ações de acordo com o perfil e as necessidades da comunidade, considerando diferentes elementos para a cartografia: ambientais, históricos, demográficos, geográficos, econômicos, sanitários, sociais, culturais, etc. Gondim e Monken definem território como o espaço delimitado produzido pela sociedade no qual existem múltiplos objetos geográficos (naturais e construídos), atores sociais – pessoas (indivíduos e grupos) e instituições – relações (fluxos) e poderes diversos. Os Territórios são destinados para dinamizar a ação em saúde pública, o estudo social, econômico, epidemiológico, assistencial, cultural e identitário, possibilitando uma ampla visão de cada unidade geográfica e subsidiando a atuação na Atenção Básica, de forma que atendam a necessidade da população adscrita e ou as populações específicas. Tem-se a divisão do território em: ● é a delimitação de um território político-administrativo assistencial que possui diferentes pontos de RAS. ● tem por finalidade planejar as ações de saúde. ● é a subdivisão do território-área, de responsabilidade da equipe de saúde para definição da atuação dos agentes comunitários (ACS). ● abrange a residência de cada família, ou o conjunto de pessoas que dividem/residem o mesmo espaço A territorialização em saúde é uma ferramenta muito importante, pois possibilita o conhecimento do território, das necessidades em saúde e precariedades especificas de cada território, permitindo que os profissionais de saúde possam traçar caminhos a partir do conhecimento da situação de saúde de uma determinada área e população específica. II - Responsabilização Sanitária - Papel que as equipes devem assumir em seu território de adstrição, considerando questões sanitárias, ambientais, epidemiológicas (surtos, epidemias, notificações, controle de agravos), culturais e socioeconômicas, contribuindo por meio de intervenções clínicas e sanitárias nos problemas de saúde da população. III - Porta de Entrada Preferencial - Caso o usuário acesse a rede através de outro nível de atenção, ele deve ser referenciado à Atenção Básica para que siga sendo acompanhado, assegurando a continuidade do cuidado. IV - Adscrição de usuários e desenvolvimento de relações de vínculo e responsabilização entre a equipe e a população do seu território de atuação, de forma a facilitar a adesão do usuário ao cuidado compartilhado com a equipe (vinculação de pessoas e/ou famílias e grupos a profissionais/equipes, com o objetivo de ser referência para o seu cuidado). V - Acesso - A unidade de saúde deve acolher todas as pessoas do seu território de referência, de modo universal e sem diferenciações excludentes. Deve ter uma localização estratégica e acessível; VI - O acolhimento deve estar presente em todas as relações de cuidado, nos encontros entre trabalhadores de saúde e usuários, nos atos de receber e escutar as pessoas, suas necessidades, problematizando e reconhecendo como legítimas, e realizando avaliação de risco e vulnerabilidade das famílias daquele território, sendo que quanto maior o grau de vulnerabilidade e risco, menor deverá ser a quantidade de pessoas por equipe, com especial atenção para as condições crônicas. Considera-se condição crônica aquela de curso mais ou menos longo ou permanente que exige resposta e ações contínuas, proativas e integradas do sistema de atenção à saúde, dos profissionais de saúde e das pessoas usuárias para o seu controle efetivo, eficiente e com qualidade. O processo de trabalho das equipes deve estar organizado de modo a permitir que casos de urgência/emergência tenham prioridade no atendimento, independentemente do número de consultas agendadas no período. Caberá à UBS prover atendimento adequado à situação e dar suporte até que os usuários sejam acolhidos em outros pontos de atenção da RAS. A estratificação de risco da população adscrita a determinada UBS é fundamental para que a equipe de saúde organize as ações que devem ser oferecidas a cada grupo ou estrato de risco/vulnerabilidade, levando em consideração a necessidade e adesão dos usuários, bem como a racionalidade dos recursos disponíveis nos serviços de saúde. A Atenção Básica deve buscar a atenção integral e de qualidade, resolutiva e que contribua para o fortalecimento da autonomia das pessoas no cuidado à saúde,estabelecendo articulação orgânica com o conjunto da rede de atenção à saúde. Para o alcance da integralidade do cuidado, a equipe deve ter noção sobre a ampliação da clínica, o conhecimento sobre a realidade local, o trabalho em equipe multiprofissional e transdisciplinar, e a ação intersetorial. A atuação coletiva aumenta ainda mais o desempenho dos funcionários e favorece a construção de um ambiente colaborativo. Um time que tem resultados positivos é aquele com boa comunicação, sem espaço para competitividade interna e que pensa no alcance dos objetivos. Saber trabalhar em equipe é uma das habilidades mais valorizadas nos profissionais e isso acontece porque ela é essencial na hora de desenvolver algum serviço ou produto. Dentro de uma organização existem diversos setores e especialistas, mas se não souber trabalhar muito bem em grupo, tanto os profissionais como a instituição podem não conseguir bons resultados. Maior qualidade na assistência aos pacientes; Maior resolutividade; Agilidade e eficácia em situações de emergência; Aprimoramento da comunicação e das relações interpessoais; Maior controle de doenças crônicas; Maior facilidade para o reconhecimento de erros; Maior satisfação dos pacientes; Assistência Integral; Quais são as habilidades que os membros de uma equipe devem possuir: Saber respeitar as opiniões dos colegas da equipe; Ser comunicativo Saber ouvir e apresentar suas ideias Discussões edificantes com ideias e percepções diferentes enriquecem a discussão Respeito Dar e receber feedbacks Cumprir suas tarefas e responsabilidades Elogiar um trabalho bem feito Cooperação mútua -O trabalho em equipe se dá de duas formas: vertical e horizontal. Nesse trabalho, os membros da equipe seguem uma hierarquia de organização dos cargos, inflexível e com autonomia plena. Normalmente, há um chefe ou um líder que detém o poder de decisão e da ordem aos demais integrantes, ou seja, é centralizado em um chefe. Nesse tipo de trabalho em grupo, a liderança é imposta e não sugerida, além disso nessa forma de trabalho não há uma integração entre as pessoas envolvidas para se alcançar um objetivo em comum. Ao contrário do trabalho verticalizado, nessa modalidade há uma descentralização e os cargos são mais flexíveis. Possuí um lider também, mas nesse caso a liderança não foi imposta, geralmente é sugerida pelos próprios membros da equipe. A tarefa do líder nesse caso é incentivar o trabalho e entusiasmar sua equipe, onde os envolvidos trabalham por um objetivo em comum. Por exemplo, em uma campanha contra à dengue diante do avanço dos casos de uma região, as ACS de uma UBS assumirão a liderança de cada microárea, mas em uma campanha contra o diabetes e hipertensão ou em uma campanha de vacinação profissionais de enfermagem, naturalmente, assumirão a liderança. Uma equipe deve destinar um tempo semanalmente para realizar reuniões entre seus membros a fim de otimizar e melhorar suas estratégias. Referências: Nas reuniões devem ser abordados casos de pacientes ou situações que sejam e necessitem de maior atenção e planejamento; a equipe deve trabalhar em conjunto para definir objetivos e metas e também realizar o monitoramento dos indicadores; comunicar a necessidade de mais materiais ou equipamentos; propor ideias; estimular que todos participem; entre outras ações. Um fluxograma descritor é uma importante ferramenta de gestão, caracterizado pelo uso de simbologias cartográficas para ilustrar um processo dinâmico. Ele é elaborado com a utilização de símbolos que representam cada passo de um processo, sendo possível acompanhar o fluxo de um paciente, por exemplo. No âmbito da saúde, é possível perceber os caminhos percorridos pelo usuário quando procura assistência e sua inserção no sistema. Os dados são elementos que constituem a matéria-prima da informação. Podemos defini-los, também, como conhecimento bruto, ainda não devidamente tratado para prover insights para uma organização. Assim, os dados representam um ou mais significados que, de forma isolada, não conseguem ainda transmitir uma mensagem clara. Os dados podem ser ainda obtidos diretamente na população que se deseja estudar ou ser obtido em bases de dados já existentes, sendo classificados respectivamente em dado primário e dado secundário. As informações são os dados devidamente tratados e analisados, produzindo conhecimento relevante. Ao contrário dos elementos brutos do tópico anterior, elas têm significados práticos e podem ser utilizadas para reforçar o processo de tomada de decisão. Armazenamento; Processamento; Análise; Manual ou eletrônica; A Organização Mundial de Saúde (OMS) define Sistema de Informação em Saúde (SIS): “ é um conjunto de componentes que atuam de forma integrada por meio de mecanismos de coleta, processamento, análise e transmissão da informação necessária e oportuna para implementar processos de decisões no Sistema de Saúde. Seu propósito é selecionar dados pertinentes e transformá-los em informações para aqueles que planejam, financiam, proveem e avaliam os serviços de saúde” (OMS, 1981:42). Os Sistemas de Informação da Saúde (SIS) são compostos por uma estrutura capaz de garantir a obtenção e a transformação de dados em informação, em que há profissionais envolvidos em processos de seleção, coleta, classificação, armazenamento, análise, divulgação e recuperação de dados. Para profissionais da saúde, o envolvimento na construção de instrumentos de coletas, treinamentos para captação correta dos dados e o processamento da informação são importantes, uma vez que possibilitam maior domínio dessa área do conhecimento. A internet possibilitou a organização e a centralização dos dados, tornando mais fácil o acesso à essas informações a qualquer cidadão. DATASUS é o departamento de informática do Sistema Único de Saúde do Brasil. Trata- se de um órgão da Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa do Ministério da Saúde, com a responsabilidade de coletar, processar e disseminar informações sobre saúde. Esse sistema é alimentado pelos profissionais que trabalham nas várias esferas do SUS, os quais coletam dados a partir de atendimentos, resultados de exames, fichas de nascidos vivos e óbitos, etc Dessa forma, os dados são devidamente lançados em um sistema específico, permitindo que todos os cidadãos e profissionais de saúde possam ter acesso, o que os permite investigar as situações locais, regionais, índices de determinadas doenças, inspeções sanitárias, entre outros. -Alguns Sistemas de Informação IMPORTANTES: SIS REFERÊNCIA FONTE DE DADOS SIM Sistema de Informação Declaração de sobre Mortalidade óbito SINASC Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos Declaração de Nascido Vivo SISVAN Sistema de Informação de Vigilância Alimentar e Nutricional Boletim de produção da Ass. Nutricional SIH Sistema de Informações Hospitalares Autorização de Internação Hospitalar SIA Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS Boletim de Produção de At.Amb.BPA SIS- HIPERDIA Sistema de Notificações sobre Hipertensão e Diabetes Ficha de Cadastro, Boletins de Produção SINAN Sistema de Informações de Agravos de Notificação Ficha de Notificação e de Investigação SIS-PNI Sistema de Informação do ProgramaNacional de Imunização Ficha de Vacinação SIS-ÁGUA Sistema de Informação de Vigilância da Água para o consumo humano Vigilância Epidemiológica e Sanitária O Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) foi criado pelo Ministério da Saúde em 1975 para a obtenção regular de dados sobre mortalidade no País. A partir da criação do SIM foi possível a captação de dados sobre mortalidade, de forma abrangente e confiável, para subsidiar as diversas esferas de gestão na saúde pública. O SIM proporciona a produção de estatísticas de mortalidade e a construção dos principais indicadores de saúde. A análise dessas informações permite estudos não apenas do ponto de vista estatístico e epidemiológico, mas também sócio-demográfico. O Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos ( SINASC ), foi implantado oficialmente a partir de 1990, com o objetivo de coletar dados sobre os nascimentos informados em todo território nacional e fornecer dados sobre natalidade para todos os níveis do Sistema de Saúde. O Sistema de Informações Hospitalares do SUS – SIH-SUS tem a finalidade de registrar todos os atendimentos provenientes de internações hospitalares que foram financiadas pelo SUS, e a partir desse processamento gerar relatórios para que os gestores possam fazer os pagamentos aos estabelecimentos de saúde. Os dados são obtidos em fichas de autorização hospitalares, boletins hospitalares e notificações de agravo. O Sistema de Informação Ambulatorial (SIA) foi implantado nacionalmente na década de noventa, visando o registro dos atendimentos realizados no âmbito ambulatorial, por meio do Boletim de Produção Ambulatorial (BPA). As informações são coletadas pelos Agentes Comunitários de Saúde através dos instrumentos de coleta. Estas informações são digitadas nos sistemas que formam a base de dados municipal. Também são transmitidas via Internet e consolidadas no nível federal. O Sistema de Informação de Agravos de Notificação - Sinan é alimentado, principalmente, pela notificação e investigação de casos de doenças e agravos que constam da lista nacional de doenças de notificação compulsória (Portaria de Consolidação nº 4, de 28 de Setembro de 2017, Anexo). Ex de ficha de notificação: Sua utilização efetiva permite a realização do diagnóstico dinâmico da ocorrência de um evento na população, podendo fornecer subsídios para explicações causais dos agravos de notificação compulsória, além de vir a indicar riscos aos quais as pessoas estão sujeitas, contribuindo assim, para a identificação da realidade epidemiológica de determinada área geográfica. O seu uso sistemático, de forma descentralizada, contribui para a democratização da informação, permitindo que todos os profissionais de saúde tenham acesso à informação e as tornem disponíveis para a comunidade. É, portanto, um instrumento relevante para auxiliar o planejamento da saúde, definir prioridades de intervenção, além de permitir que seja avaliado o impacto das intervenções. O PROGRAMA Nacional de Imunizações - PNI foi criado em 1973, a partir de uma proposta elaborada pelo Departamento Nacional de Profilaxia e Controle de Doenças – MS. O SI-PNI tem por objetivo possibilitar os gestores envolvidos no programa, a avaliação do risco quanto a ocorrência de surtos ou epidemias, a partir do registro dos imunos aplicados e quantitativo populacional vacinado, que são agregados em uma faixa etária, em determinado período de tempo, em uma área geográfica. Também possibilita o controle do estoque de imunos. O SISVAN (Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional) corresponde a um sistema de informações que tem como objetivo principal promover informação contínua sobre as condições nutricionais da população e os fatores que as influenciam. O Sisvan tem por objetivo consolidar os dados referentes às ações de Vigilância Alimentar e Nutricional, desde o registro de dados antropométricos e de marcadores de consumo alimentar até a geração de relatórios. O Sistema de Informação do Câncer (SISCAN) é uma versão em plataforma web que integra os sistemas de informação do Programa Nacional de Controle do Câncer do Colo do Útero (SISCOLO) e do Programa Nacional de Controle do Câncer de Mama (SISMAMA). O SISCAN é destinado a registrar a suspeita e a confirmação diagnóstica, registrar informações sobre condutas diagnósticas e terapêuticas relativas aos exames positivo/ alterados, fornecer o laudo padronizado, arquivar e sistematizar as informações referentes aos exames de rastreamento e diagnóstico dos cânceres. O SISCOLO e o SISMAMA são subsistemas do Sistema de Informação Ambulatorial do Sistema Único de Saúde (SIA/SUS), utilizados para cadastrar os exames citopatológicos e histopatológicos do colo do útero e mama, e também mamografia, no âmbito do SUS. Coleta e processa informações sobre identificação de pacientes e laudos de exames citopatológicos e histopatológicos, fornecendo dados para o monitoramento externo da qualidade dos exames, e assim orientando os gerentes estaduais do Programa sobre a qualidade dos laboratórios responsáveis pela leitura dos exames no município. O Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (SISAB) foi instituído pela Portaria GM/MS nº 1.412, de 10 de julho de 2013, passando a ser o sistema de informação da Atenção Básica vigente para fins de financiamento e de adesão aos programas e estratégias da Política Nacional de Atenção Básica. Ele integra a estratégia do Departamento de Saúde da Família (DESF/SAPS/MS) denominada e- SUS Atenção Básica (e-SUS AB), que propõe o incremento da gestão da informação, a automação dos processos, a melhoria das condições de infraestrutura e a melhoria dos processos de trabalho. Recebe dados diretamente do e-SUS, através do prontuário eletrônico (PEC). O sistema HIPERDIA captura diversas informações relativas ao cadastro e acompanhamento dos pacientes, dados clínicos, fatores de risco e doenças concomitantes, presença de complicações e tratamento. Através da Internet, o DATASUS disponibiliza as principais informações para tabulação sobre pacientes diabéticos e hipertensos. O SISPRENATAL é o sistema de monitoramento e avaliação da atenção ao pré-natal e ao puerpério prestadas pelos serviços de saúde a cada gestante e recém-nascido, desde o primeiro atendimento na unidade básica de saúde até o atendimento hospitalar de alto risco. Por meio do Sisprenatal, o Ministério da Saúde do Brasil monitora o cumprimento das ações mínimas contempladas no programa e repassa verbas para municípios que cumprem esses requisitos. O SISREG, disponibilizado atualmente pelo Ministério da Saúde, possibilita o gerenciamento da cota de recursos disponível, bem como a constatação de necessidades de expansão ou limitação de serviços pontuais. Dessa forma, configura-se como significativa ferramenta para o gerenciamento da oferta e da demanda. O acesso ao Sistema Nacional de Regulação (SISREG) no Brasil é geralmente restrito a profissionais de saúde e gestores do Sistema Único de Saúde (SUS) que tenham a necessidade de utilizar o sistema para realizar tarefas relacionadas à regulação e marcação de consultas, exames e procedimentos médicos. A criação da Secretaria de Vigilância em Saúde – SVS, em junho de 2003, veio reforçar uma área extremamente estratégica do Ministério, por meio do fortalecimento e ampliação das ações de Vigilância Epidemiológica.Tem como funções, dentre outras: coleta e processamento de dados; análise e interpretação dos dados processados; divulgação das infor- mações; investigação epidemiológica de casos e surtos; análise dos resultados obtidos; e recomendações e promoção das medidas de controle indicadas. O Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde (SIOPS) coleta, recupera, processa, armazena, organiza e disponibiliza dados e informações sobre receitas totais e despesas com ações e serviços públicos de saúde, para possibilitar o monitoramento da aplicação de recursos pelos entes da Federação. O banco de dados do SIOPS é alimentado pela União, pelos estados, pelo Distrito Federal e pelos municípios, por meio do preenchimento de dados, que tem por objetivo apurar as receitas totais e os gastos em ações e serviços públicos de saúde. O HEMOVIDA - Ciclo do Sangue – Gerenciamento de estoque nacional em situações de contingência e grandes eventos tem como principal objetivo facilitar a comunicação entre os estabelecimentos de saúde que coletam e armazenam hemocomponentes no que se refere aos dados disponíveis em estoque e disponíveis para remanejamento das bolsas de sangue, gerando relatório para acompanhamento das informações cadastradas no Hemovida para tomada de decisão. O Sistema de Controle de Envio de Lotes (Sisnet) efetua a transferência dos dados existentes nos sistemas locais para o nível superior (banco de dados consolidado) de forma ágil e simples. O Sisnet tem como característica principal o uso de transmissão dos dados por meio da Internet. Cada sistema é responsável por gerar, de forma automática, o arquivo de lote a ser remetido para o nível central. O formato do arquivo gerado é padronizado, permitindo que um único servidor possa receber os dados de vários sistemas. O Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME) foi criado em 1993, em São Paulo, para reunir informações de pessoas dispostas a doar medula óssea para quem precisa de transplante. Desde 1998, é coordenado pelo Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), no Rio de Janeiro. O REDOME reúne todos os dados dos voluntários, como nome, endereço, resultados de exames e características genéticas. Sempre que potenciais doadores compatíveis são identificados, a equipe REDOME entra em contato para confirmar a vontade e a disponibilidade destes realizarem a doação. O Sistema Nacional de Transplantes (SNT) cuja função de órgão central é exercida pelo Ministério da Saúde, por meio da Coordenação-Geral do Sistema Nacional de Transplantes (CGSNT) é responsável pela regulamentação, controle e monitoramento do processo de doação e transplantes realizados no país, com o objetivo de desenvolver o processo de doação, captação e distribuição de órgãos, tecidos e células-tronco hematopoéticas para fins terapêuticos. A Comunicação de Informação Hospitalar e Ambulatorial foi criada para ampliar o processo de planejamento, programação, controle, avaliação e regulação da assistência à saúde, permitindo um conhecimento mais abrangente, amplo e profundo dos perfis nosológico e epidemiológico da população brasileira, da capacidade instalada e do potencial de produção de serviços do conjunto de estabelecimentos de saúde do País. O sistema permite o acompanhamento das ações e serviços de saúde executados por pessoas naturais ou jurídicas, de direito público ou privado provendo informações dos pacientes cuja atenção é custeada por planos e seguros privados de assistência à saúde; O Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) é o sistema de informação oficial de cadastramento de informações de todos os estabelecimentos de saúde no país, independentemente de sua natureza jurídica ou de integrarem o Sistema Único de Saúde (SUS). Trata- se do cadastro oficial do Ministério da Saúde (MS) no tocante à realidade da capacidade instalada e mão de obra assistencial de saúde no Brasil em estabelecimentos de saúde públicos ou privados, com convênio SUS ou não. Sistema que avalia os serviços de saúde por meio de autoavaliações, avaliação técnica do gestor, pesquisas de satisfação dos usuários, pesquisas de relações e condições de trabalho e indicadores de saúde. -Resumo: A Educação Popular em Saúde (EPS) tem como objetivo sensibilizar, conscientizar e mobilizar para o enfrentamento de situações individuais e coletivas que interferem na qualidade de vida. A Educação em Saúde é muito importante na APS, por ser a área em que é possível realizar ações de forma mais continuada e inserida no cotidiano de luta das pessoas e famílias. O profissional de saúde deve adquirir confiança da comunidade para que possa realmente estar próximo das pessoas, e, assim, ter acesso à intimidade, muitas vezes desarrumada e cheia de precariedades, para que as conversas e os cuidados em saúde de fato influenciem a reorganização de suas rotinas de vida e relações sociais. A Política Nacional de Educação Permanente em Saúde - PNEPS é considerada uma importante estratégia do SUS e visa contribuir para a organização dos serviços de saúde, com a qualificação e a transformação das práticas em saúde, por meio da formação e do desenvolvimento dos profissionais e trabalhadores da saúde, buscando articular a integração entre ensino e serviço, com vistas ao fortalecimento dos princípios fundamentais do SUS. A Pnep-SUS reafirma a universalidade, a equidade, a integralidade e a efetiva participação popular como princípios basilares do SUS. Um dos objetivos específicos da PNEPS-SUS é promover o diálogo e a troca entre práticas e saberes populares e técnico-científicos no âmbito do SUS, aproximando os sujeitos da gestão, dos serviços de saúde, dos movimentos sociais populares, das práticas populares de cuidado e das instituições formadoras. -Objetivo principal da Vigilância em Saúde: Identificação de novos problemas de saúde pública. Entende-se vigilância em saúde por um processo utilizado para coletar, gerenciar, analisar, interpretar e relatar informações. Ela deve atuar quando problemas novos de saúde aparecem, garantindo resposta precoce e efetiva. À longo prazo, a vigilância é usada para identificar mudanças na natureza ou na extensão dos problemas em saúde e, também, para a efetividade das intervenções públicas. Essa vigilância visa o planejamento e a implementação de medidas de saúde pública, incluindo intervenção e atuação em condicionantes e determinantes da saúde, para a proteção e promoção da saúde da população, prevenção e controle de riscos, agravos e doenças. >Termos em Vigilância em Saúde: AGRAVO: qualquer dano à integridade (física, mental e social dos indivíduos provocado por circunstâncias nocivas (Ex: acidentes, intoxicações, abuso de drogas, lesões, entre outros). CASO: uma particular doença, desordem de saúde ou condição sob investigação encontrada num indivíduo ou dentro de uma população ou grupo de estudos. ENDEMIA: é a presença de forma regular e constante de uma doença em um determinado território, podendo indicar a prevalência usual de determinada doença nessa área geográfica. EPIDEMIA é a ocorrência de casos de uma doença em grande número de pessoas ao mesmo tempo, excedendo a incidência prevista. •Divisão Operacional da Vigilância em Saúde: Vigilância Ambiental; Vigilância em Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora; Vigilância Epidemiológica; Vigilância Sanitária. Conjuntode ações e serviços que propiciam o conhecimento e detecção de mudanças nos fatores determinantes e condicionantes do meio ambiente que interferem na saúde humana. Finalidade de recomendar medidas de promoção à saúde, prevenção e monitoramento desses fatores de risco. Programas estratégicos da vigilância ambiental: -Vigilância da qualidade da água para consumo humano (Vigiagua); -Vigilância em saúde de populações expostas a contaminantes químicos (Vigipeq); -Vigilância em saúde ambiental dos riscos aos desastres (Vigidesastres); entre outros. Conjunto de ações que visam promoção da saúde, prevenção da morbimortalidade e redução de riscos e vulnerabilidade na população trabalhadora. Integra ações que intervenham nas doenças e agravos e seus determinantes decorrentes dos modelos de desenvolvimento, de processos produtivos e de trabalho. Lei 8213 § 3° Entende-se por saúde do trabalhador, para fins desta lei, um conjunto de atividades que se destina, através das ações de vigilância epidemiológica e vigilância sanitária, à promoção e proteção da saúde dos trabalhadores, assim como visa à recuperação e reabilitação da saúde dos trabalhadores submetidos aos riscos e agravos advindos das condições de trabalho". Coniunto de ações capazes de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde e de intervir nos problemas sanitários decorrentes do ambiente, da produção e circulação de bens e da prestação de serviços do interesse da saúde. Abrange prestação de serviços e o controle e de bens de consumo que, direta ou indiretamente se relacionem com a saúde, compreendidas todas as etapas e processos, da produção ao consumo e descarte. Áreas prioritárias de atuação: Bens de saúde: medicamentos, alimentos, vacinas, cosméticos, etc. Serviços de saúde: hospitais, clínicas, serviços especializados (hemodiálise, oncologia) e serviços de diagnósticos (radiologia, laboratório de análises clínicas). Serviços de interesses da saúde: creches, clubes, cemitérios, portos, aeroportos, fronteiras, estúdio de tatuagem. A ANVISA concede licenças para estabelecimentos, edita normas para fabricação e consumo de produtos alimentícios. Também realiza vistorias e inspeções sanitárias periódicas na indústria e nos serviços de saúde, além de aplicar penalidades previstas na lei para o descumprimento de normas sanitárias. Análise da situação de saúde da população brasileira; Planejamento, programação, acompanhamento e avaliação das unidades de vigilância; Divulgação das informações em saúde para a população; Alerta e respostas a surtos e eventos; notificação da ocorrência de eventos (doenças, agravos, nascimentos, óbitos); investigação de eventos; busca ativa (na identificação de casos novos de doenças transmissíveis e não transmissíveis); Controle de vetores, reservatórios e hospedeiros; vacinação; oferta de tratamento clínico e cirúrgico para doenças. A vigilância em saúde atua nas três esferas do governo (municipal, estadual e federal). A gestão, publicação de normas e resoluções, além do planejamento de estratégias, são realizadas no âmbito nacional. Já a execução dessas ações, é de responsabilidade dos municípios e estados. Política Nacional de Vigilância em Saúde (PVNS): instituída em 12 de junho de 2018, por meio do Conselho Nacional de Saúde (CNS), sendo definida como uma política pública de Estado e função essencial do SUS, de caráter universal, transversal e orientadora do modelo de atenção à saúde nos territórios. É conjunto de ações que proporcionam o conhecimento e a detecção de mudanças nos fatores determinantes e condicionantes da saúde individual e coletiva, a fim de recomendar e adotar as medidas de prevenção e controle das doenças, transmissíveis e não transmissíveis, e agravos à saúde. A partir das orientações técnicas fornecidas pela Vigilância Epidemiológica, os profissionais de saúde decidem sobre o planejamento, a organização e a operacionalização dos serviços de saúde, sobre a execução de ações de controle de doenças e agravos, bem como normatizam atividades técnicas. • O Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SNVE) integra instituições do setor público e privado, sendo o componente do Sistema Único de Saúde (SUS) responsável pela notificação de agravos e doenças, prestação de serviços a grupos populacionais ou pela orientação de condutas a serem tomadas. • Dentro do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica, municípios, estados e a União possuem competências específicas. Aos municípios, cabe a execução das ações, que exige conhecimento analítico da situação de saúde local. Sobre os estados e sobre a União recaem as funções relacionadas ao caráter estratégico, de coordenação em seu âmbito de ação, além da atuação de forma complementar ou suplementar aos demais níveis. Os dados e as informações que alimentam o Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica são provenientes dos sistemas de informação em saúde, de resultados de exames laboratoriais, de investigações epidemiológicas, da imprensa, dos estudos epidemiológicos, dos serviços sentinela e das notificações, sendo a Notificação Compulsória a principal fonte de dados.Notificação de doenças e agravos A Notificação Compulsória é a principal fonte de dados dos sistemas de informação da vigilância epidemiológica. De acordo com a Lei 6.259/1975 artigo 8°, é dever de todo cidadão comunicar à autoridade sanitária local, em caso de doença transmissível, sendo obrigatória aos médicos e outros profissionais de saúde a notificação de casos suspeitos ou confirmados das doenças relacionadas no artigo 7°. • Critérios de seleção das doenças de notificação compulsória: Magnitude: incidência ou prevalência das doenças. Potencial de disseminação: poder de transmissão do agente causador. Transcendência: taxa de letalidade, relevância social e econômica. Vulnerabilidade: instrumentos de prevenção e controle. A notificação deve ser preenchida em 2 vias: uma via fica na unidade notificadora e a outra deve ser encaminhada ao setor municipal responsável pela Vigilância Epidemiológica ou Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis (DANT) para digitação e consolidação dos dados. Ex de ficha de notificação *Condições de saúde: circunstâncias na saúde das pessoas que se apresentam de forma mais ou menos persistente e que exigem respostas sociais reativas ou proativas. Em saúde, há uma divisão entre doenças transmissíveis e doenças crônicas não transmissíveis muito útil nos estudos epidemiológicos, porém não se presta para referenciar a organização dos sistemas de atenção à saúde. Condições agudas, em geral, apresentam um curso curto, inferior a três meses de duração e tendem a se autolimitar (ex: dengue, gripe, apendicite, amigdalite, traumas). Já as condições crônicas, têm um período de duração mais ou menos longo e nos casos de algumas doenças crônicas, tendem a se apresentar de forma definitiva ou permanente (ex: diabetes, doença cardiovascular, câncer, HIV/aids). Muitas condições agudas podem se transformar em condições crônicas, e, do mesmo modo, doenças crônicas podem apresentar períodos de agudização. As condições agudas podem ser enfrentadas por respostas sociais reativas, episódicas; ao contrário, as condições crônicasconvocam necessariamente respostas proativas, contínuas e integradas em redes. Da mesma forma, um paciente crônico pode ter uma agudização de sua doença e precisar de uma resposta reativa. O Brasil vive uma situação de transição demográfica acelerada, acompanhada de uma transição epidemiológica singular. Esse processo se caracteriza por um modelo de tripla carga de doenças, como podemos ver no esquema abaixo (OLIVEIRA; PEREIRA, 2013; MENDES, 2011): Com essa situação peculiar, na emergência de uma situação de condição de saúde, caracterizada por esse modelo triplo, precisa-se de mais vigilância para as mudanças profundas nos sistemas de atenção à saúde. Esse fato é um desafio para os serviços de saúde brasileiros darem respostas contínuas e integradas, pois um sistema de saúde fragmentado e voltado apenas para as condições agudas já não responde às necessidades do país (OLIVEIRA; PEREIRA, 2013; MENDES, 2011). -EPIDEMIOLOGIA: É a ciência que estuda o processo saúde-doença na comunidade, analisando a distribuição e os fatores determinantes das enfermidades. -PLANEJAMENTO: Possibilita perceber a realidade, avaliar os caminhos, construir um referencial futuro, o trâmite adequado e reavaliar todo o processo a que o acoplamento se destina. Segundo Matus: "É a ferramenta para pensar e criar o futuro". O planejamento foi criado no âmbito da esfera pública pela União Soviética a partir da Revolução Russa. Com a crise econômica de 29, a concepção de planejamento mudou. Em decorrência da gravidade da situação, as autoridades políticas e os agentes econômicos passaram a aceitar as ideias de intervenção do Estado na economia. Na América Latina: Comissão Econômica Para a América Latina e o Caribe (CEPAL) foi criada em 1948 para assessorar os países latino-americanos na promoção de ações voltadas para seu desenvolvimento econômico e monitorá-los na implementacão dessas ações. No Brasil, o CEPAL foi instalado em 1960 - CEPAL/BNDES: propunha avaliar o ritmo de crescimento do país e traçar programas de desenvolvimento para um período de 10 anos, bem como realizar cursos de capacitação técnica. Método CENDES-OPAS: expoente máximo do planejamento normativo (racionalidade técnica ao processo decisório, retirando do poder político a decisão final sobre onde aplicar os recursos para a obtenção dos melhores resultados). “Quanto mais longe a norma for construída, mais respeitada ela será”. Por exemplo, parâmetros desenvolvidos pelo MS serão mais valorizados do que os parâmetros estaduais. *OPAS: Organização Pan-Americana de Saúde; MS: Ministério da Saúde. *PES: Planejamento Estratégico Situacional O Planejamento estratégico consiste em processo dinâmico, e não em um processo, estático, sequencial, com prazos fixos, como no processo normativo. Testa (1981) discute três tipos de diagnóstico: 1) Estratégico: se o propósito é a mudança (sem passo a passo); 2) Ideológico: se o propósito é a legitimação (ouvir a população), e 3) Administrativo: é aquele ao qual a epidemiologia da sua contribuição. -Tesla divide o diagnóstico administrativo: 1) Estado de saúde: dados demográficos, morbidade, mortalidade, natalidade. 2) Situação epidemiológica: interpretação biológico- ecológica sobre as causas das dç. 3) Serviços de saúde: instituições e programas, recursos, produção de atividades. 4) Estudo do setor de saúde: descreve o funcionamento do setor de saúde, seus subsetores, financiamento e sua administração geral. Método formulado por Matus, que auxilia conhecer os problemas e as necessidades sociais como: necessidade de saúde, educação, saneamento, segurança, transporte, habitação, bem como permite conhecer como é a organização dos serviços de saúde. PlanejaSUS: Sistema de planejamento que articula e integra as ações de planejamento das três esferas de gestão do SUS, criado pela Portaria 3.085 de dezembro de 2006. Esse sistema já produziu manuais e livros para apoio a estados e municípios nas ações de planejamento, além de financiar atividades como oficinas para o processo de planejamento. Sistema de Apoio à Construção de Relatório de Gestão (SARGSUS): Surgiu como um sistema informatizado que, a partir da inserção de informações, confecciona um relatório informatizado de gestão, exigência também para a distribuição de recursos da União para estados e municípios. Programação Geral das Ações e Serviços de Saúde (PGASS): Avança em relação aos processos anteriores por abranger a atenção básica, urgência e emergência, atenção psicossocial e atenção ambulatorial especializada e hospitalar, promoção, vigilância (sanitária, epidemiológica e ambiental) e assistência farmacêutica, além de vínculos com PPO – Pró-Reitoria de Planejamento e Orçamento, LDO – Lei de Diretrizes Orçamentárias, LOA – Lei Orçamentária Anual. GUSSO, G; LOPES, J.M.C. Tratado de Medicina de Família e Comunidade - Princípios, Formação e Prática. 2. ed. Artmed. 2012. 2 vol. CAMPOS, G.W.S., et. al. Tratado de saúde coletiva. 2. ed. Rev. Aum. São Paulo: Hucitec, 2015. BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2017. (Série E. Legislação em Saúde). Disponível em: http://www.brasilsus.com.br/index. php/legislacoes/gabinete-do- ministro/16247-portaria-n-2-436-de-21-de-setembro-de-2017. GALVAO, L.A.C.; FINKELMAN, J.; HENAO, S. (Org). Determinantes Ambientais e Sociais da Saúde. 1. ed. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz/Centro Brasileiro de Estudos de Saúde, 2011. FILHO, ALMEIDA, Naomar de, BARRETO, Mauricio L. Epidemiologia & Saúde - Fundamentos, Métodos e Aplicações. Guanabara Koogan, 10/2011. [Minha Biblioteca]. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/978-85- 277-2119-6/pageid/0 DUNCAN, BB et al. Medicina Ambulatorial: condutas de atenção primário baseadas em evidências. 4.ed.Porto Alegre: Artmed, 2013. REVISTA BRASILEIRA DE MEDICINA DE FAMÍLIA E COMUNIDADE. Disponível em: http://www.rbmfc.org.br/rbmfc WONCA GLOBAL FAMILY DOCTOR . Practical Evidence About Real Life Situations. Disponível em: http://www.globalfamilydoctor.com/Resources/PEARLS. aspx COSTA, Aline do Amaral Z.; HIGA, Camila Braga de Oliveira. Vigilância em saúde. Grupo A, 2019. P. 15-30. Disponível em: Minha Biblioteca; https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788595 027831/pageid/15 VIDOR A. C. Vigilância em saúde. In: GUSSO G.; LOPES, J. M. C. (Org.). Tratado de medicina de família e comunidade: princípios, formação e prática. Porto Alegre: Artmed, 2019. Cap. 45. BRASIL. Lei 6.259, de 30 de outubro de 1975. Dispõe sobre a organização das ações de Vigilância Epidemiológica, sobre o Programa Nacional de Imunizações, estabelece normas relativas à notificação compulsória de doenças, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 30 out. 1975. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6259.htm. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6259.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6259.htma sua organização nos municípios, conforme descritos a seguir: este princípio reafirma que a saúde é um direito de toda população brasileira e cabe ao Estado assegurar este direito em todos os níveis de assistência sem exclusões. O sistema de saúde brasileiro deve possibilitar o acesso universal e contínuo a serviços de saúde de qualidade e que sejam resolutivos, caracterizados como a porta de entrada aberta e preferencial da RAS (primeiro contato), acolhendo as pessoas e promovendo a vinculação e corresponsabilização pela atenção às suas necessidades de saúde. O estabelecimento de mecanismos que assegurem acessibilidade e acolhimento pressupõe uma lógica de organização e funcionamento do serviço de saúde que parte do princípio de que as equipes que atuam na Atenção Básica nas UBS devem receber e ouvir todas as pessoas que procuram seus serviços, de modo universal, de fácil acesso e sem diferenciações excludentes, e a partir daí construir respostas para suas demandas e necessidades. Ficando proibida qualquer exclusão baseada em idade, gênero, cor, crença, nacionalidade, etnia, orientação sexual, identidade de gênero, estado de saúde, condição socioeconômica, escolaridade ou limitação física, intelectual, funcional, entre outras. Ofertar o cuidado, reconhecendo as diferenças nas condições de vida e saúde e de acordo com as necessidades das pessoas, considerando que o direito à saúde passa pelas diferenciações sociais e deve atender à diversidade. Com estratégias que permitam minimizar desigualdades, evitar exclusão social de grupos que possam vir a sofrer estigmatização ou discriminação; de maneira que impacte na autonomia e na situação de saúde. É o conjunto de serviços executados pela equipe de saúde que atendam às necessidades da população adscrita nos campos do cuidado, da promoção e manutenção da saúde, da prevenção de doenças e agravos, da cura, da reabilitação, redução de danos e dos cuidados paliativos. Inclui a responsabilização pela oferta de serviços em outros pontos de atenção à saúde e o reconhecimento adequado das necessidades biológicas, psicológicas, ambientais e sociais causadoras das doenças, e manejo das diversas tecnologias de cuidado e de gestão necessárias a estes fins, além da ampliação da autonomia das pessoas e coletividade. O paciente deve ser visto como um todo e atendido em todas as esferas. Dos pontos de atenção da RAS, tendo a Atenção Básica como ponto de comunicação entre esses. Considera-se regiões de saúde como um recorte espacial estratégico para fins de planejamento, organização e gestão de redes de ações e serviços de saúde em determinada localidade, e a hierarquização como forma de organização de pontos de atenção da RAS entre si organizando os serviços em níveis de complexidade, com fluxos e referências estabelecidos. A regionalização realiza a articulação de serviços por meio da organização entre zonas/ localização visando o comando único de saúde. A entrada do usuário no sistema de saúde depende de sua demanda e de sua complexidade. Portanto, as unidades de saúde são divididas em três níveis de atenção: São responsáveis por 5% dos procedimentos do SUS. Correspondem a cirurgias especializadas, transplantes, oncologia, internações hospitalares intensivas, entre outros. São responsáveis por 15% dos procedimentos do SUS. Neste nível encontramos os serviços de especialidades ambulatoriais, exames diagnósticos, maternidade, entre outros. São responsáveis por 80% dos procedimentos realizado no SUS. As Unidades Básicas de Saúde correspondem ao nível primário de atenção, assim como USF – Unidade de Saúde da Família (postinhos), atendimentos de clínica médica, ginecologia, pediatria, imunização, programas de vacinação e prevenção de doenças, entre outros. De forma a permitir o planejamento, a programação descentralizada e o desenvolvimento de ações setoriais e intersetoriais com foco em um território específico, com impacto na situação, nos condicionantes e determinantes da saúde das pessoas e coletividades que constituem aquele espaço e estão, portanto, adstritos a ele. Os Territórios são destinados para dinamizar a ação em saúde pública, o estudo social, econômico, epidemiológico, assistencial, cultural e identitário, possibilitando uma ampla visão de cada unidade geográfica e subsidiando a atuação na Atenção Básica, de forma que atendam as necessidades da população adscrita e ou as populações específicas daquele território. *Território • Lugar de entendimento do processo de adoecimento, em que as representações sociais do processo saúde-doença envolvem as relações sociais e as significações culturais (Minayo, 2006). • É o resultado de uma acumulação de situações históricas, ambientais e sociais que promovem condições particulares para a produção de doenças (Barcellos et al, 2002). • Muito mais que uma extensão geométrica, apresenta um perfil demográfico, epidemiológico, administrativo, tecnológico, político, social e cultural, que o caracteriza e se expressa num território em permanente construção (Mendes, 1993). • Com suas singularidades, é um espaço com limites que podem ser político-administrativos ou de ação de um grupo de atores sociais. Internamente, é relativamente homogêneo, identificado pela história de sua construção e, sobretudo, é um local de poder, uma vez que nele se exercitam e se constroem os poderes de atuação do Estado, das organizações sociais e institucionais e de sua população (Gondim et al, 2002). Mapa deve ser visível na UBS. A territorialização permite que os profissionais de saúde conheçam o território e a partir do conhecimento da realidade da população possam planejar melhor seu atendimento conforme as necessidades das pessoas. Por exemplo, suponhamos que frequentemente moradores chegam a uma UBS com diarreia. Entretanto, os pacientes relatam ao médico que não há saneamento básico no território. Dessa forma, cuidar apenas da queixa do paciente, nesse caso, não seria resolutivo e o mesmo problema continuaria acontecendo pela falta de oferta de saneamento. Nesse caso, a população e os profissionais de saúde devem recorrer à gestão do município a fim de tomar as medidas necessárias. É a população que está presente no território da UBS, de forma a estimular o desenvolvimento de relações de vínculo e responsabilização entre as equipes e a população, garantindo a continuidade das ações de saúde e a longitudinalidade do cuidado e com o objetivo de ser referência para o seu cuidado. Aponta para o desenvolvimento de ações de cuidado de forma singularizada, que auxilie as pessoas a desenvolverem os conhecimentos, aptidões, competências e a confiança necessária para gerir e tomar decisões embasadas sobre sua própria saúde e seu cuidado de saúde de forma mais efetiva. O cuidado é construído com as pessoas, de acordo com suas necessidades e potencialidades na busca de uma vida independente e plena. A família, a comunidade e outras formas de coletividade são elementos relevantes, muitas vezes condicionantes ou determinantes na vida das pessoas e, por consequência, no cuidado. reforça a importância da Atenção Básica ser resolutiva, utilizandoe articulando diferentes tecnologias de cuidado individual e coletivo, por meio de uma clínica ampliada capaz de construir vínculos positivos e intervenções clínicas e sanitariamente efetivas, centrada na pessoa, na perspectiva de ampliação dos graus de autonomia dos indivíduos e grupos sociais. Deve ser capaz de resolver a grande maioria dos problemas de saúde da população, coordenando o cuidado do usuário em outros pontos da RAS, quando necessário. Pressupõe a continuidade da relação de cuidado, com construção de vínculo e responsabilização entre profissionais e usuários ao longo do tempo e de modo permanente e consistente, acompanhando os efeitos das intervenções em saúde e de outros elementos na vida das pessoas, evitando a perda de referências e diminuindo os riscos de iatrogenia (alterações patológicas ocasionadas pela má prática médica) que são decorrentes do desconhecimento das histórias de vida e da falta de coordenação do cuidado. A Unidade Básica de Saúde como porta de entrada preferencial no SUS deve elaborar, acompanhar e organizar o fluxo dos usuários entre os pontos de atenção das RAS. Atuando como o centro de comunicação entre os diversos pontos de atenção, responsabilizando-se pelo cuidado dos usuários em qualquer destes pontos através de uma relação horizontal, contínua e integrada, com o objetivo de produzir a gestão compartilhada da atenção integral. Articulando também as outras estruturas das redes de saúde e intersetoriais, públicas, comunitárias e sociais. Além de coordenar o cuidado e ser o centro de comunicação e articulação, as UBS e USF devem reconhecer as necessidades de saúde da população sob sua responsabilidade, organizando as necessidades desta população em relação aos outros pontos de atenção à saúde, contribuindo para que o planejamento das ações, assim como, a programação dos serviços de saúde, parta das necessidades de saúde das pessoas. Os serviços de saúde devem estimular a participação das pessoas, a orientação comunitária das ações de saúde na Atenção Básica e a competência cultural no cuidado, como forma de ampliar sua autonomia e capacidade na construção do cuidado à sua saúde e das pessoas e coletividades do território. Considerando ainda o enfrentamento dos determinantes e condicionantes de saúde, através de articulação e integração das ações intersetoriais na organização e orientação dos serviços de saúde, a partir de lógicas mais centradas nas pessoas e no exercício do controle social. Esta portaria, conforme normatização vigente do SUS, define a organização na RAS, como estratégia para um cuidado integral e direcionado às necessidades de saúde da população. “As RAS constituem-se em arranjos organizativos formados por ações e serviços de saúde com diferentes configurações tecnológicas e missões assistenciais, articulados de forma complementar e com base territorial, e têm diversos atributos, entre eles, destaca-se: a Atenção Básica estruturada como primeiro ponto de atenção e principal porta de entrada do sistema, constituída de equipe multidisciplinar que cobre toda a população, integrando, coordenando o cuidado e atendendo as necessidades de saúde das pessoas do seu território.” O Decreto nº 7.508, de 28 de julho de 2011, que regulamenta a Lei nº 8.080/90, define que "o acesso universal, igualitário e ordenado às ações e serviços de saúde se inicia pelas portas de entrada do SUS e se completa na rede regionalizada e hierarquizada". Por que formar as RAS? Superar a fragmentação da assistência; Melhorar o modelo curativo centrado no médico; Considerar as diversidades regionais; Produzir impactos nos indicadores de saúde; Para que a Atenção Básica possa ordenar a RAS, é preciso reconhecer as necessidades de saúde da população sob sua responsabilidade, organizando-as em relação aos outros pontos de atenção à saúde, contribuindo para que a programação dos serviços de saúde parta das necessidades das pessoas, com isso fortalecendo o planejamento ascendente. A Atenção Básica é caracterizada como porta de entrada preferencial do SUS, possui um espaço privilegiado de gestão do cuidado das pessoas e cumpre papel estratégico na rede de atenção, servindo como base para o seu ordenamento e para a efetivação da integralidade. Para tanto, é necessário que a Atenção Básica tenha alta resolutividade, com capacidade clínica e de cuidado e incorporação de tecnologias leves (acolhimento), leve duras (conhecimentos e técnica) e duras (equipamentos e materiais), além da articulação da Atenção Básica com outros pontos da RAS. O sistema de Referência e Contrarreferência caracteriza-se por uma tentativa de organizar os serviços de forma a possibilitar o acesso das pessoas que procuram os serviços de saúde. De acordo com tal sistema, o usuário atendido na unidade básica, quando necessário, é "referenciado" (encaminhado) para uma unidade de maior complexidade, a fim de receber o atendimento de que necessita. Quando finalizado o atendimento dessa necessidade especializada, o mesmo deve ser "contrarreferenciado", ou seja, o profissional deve encaminhar o usuário para a unidade de origem para que a continuidade do atendimento seja feita. Estas devem ser feitas em fichas próprias, preenchidas pelos profissionais de nível superior responsável. Os estados, municípios e o distrito federal, devem articular ações intersetoriais, assim como a organização da RAS, com ênfase nas necessidades locorregionais, promovendo a integração das referências de seu território. Recomenda-se a articulação e implementação de processos que aumentem a capacidade clínica das equipes, que fortaleçam práticas de microrregulação nas Unidades Básicas de Saúde, tais como gestão de filas próprias da UBS e dos exames e consultas descentralizados/programados para cada UBS, que propiciem a comunicação entre UBS, centrais de regulação e serviços especializados, com pactuação de fluxos e protocolos, apoio matricial presencial e/ou à distância, entre outros. Um dos destaques que merecem ser feitos é a consideração e a incorporação, no processo de referenciamento, das ferramentas de telessaúde articulado às decisões clínicas e aos processos de regulação do acesso. A utilização de protocolos de encaminhamento serve como ferramenta, ao mesmo tempo, de gestão e de cuidado, pois tanto orientam as decisões dos profissionais solicitantes quanto se constituem como referência que modula a avaliação das solicitações pelos médicos reguladores. Com isso, espera-se que ocorra uma ampliação do cuidado clínico e da resolutividade na Atenção Básica, evitando a exposição das pessoas a consultas e/ou procedimentos desnecessários. Além disso, com a organização do acesso, induz-se ao uso racional dos recursos em saúde, impede deslocamentos desnecessários e traz maior eficiência e equidade à gestão das listas de espera. A gestão municipal deve articular e criar condições para que a referência aos serviços especializados ambulatoriais seja realizada55 preferencialmente pela Atenção Básica, sendo de sua responsabilidade: A. Ordenar o fluxo das pessoas nos demais pontos de atenção da RAS; B. Gerir a referência e contrarreferência em outros pontos de atenção; e C. Estabelecer relação com os especialistas que cuidam das pessoas do território. Os sistemas fragmentados caracterizam-se pela forma de organização hierárquica; a inexistência da continuidade da atenção; o foco nas condições agudas através de unidades de pronto-atendimento,ambulatorial e hospitalar; a passividade da pessoa usuária; a ação reativa à demanda; a ênfase relativa nas intervenções curativas e reabilitadoras; o modelo de atenção à saúde, fragmentado e sem estratificação dos riscos; a atenção centrada no cuidado profissional, especialmente no médico; e o financiamento por procedimentos. Os sistemas fragmentados têm sido um desastre sanitário e econômico em todo o mundo. A solução do problema fundamental do SUS consiste em restabelecer a coerência entre a situação de saúde de tripla carga de doenças, com predominância relativa forte de condições crônicas, e o sistema de atenção à saúde. Isso vai exigir mudanças profundas que permitam superar o sistema fragmentado vigente através da implantação de redes de atenção à saúde. As redes de atenção à saúde são organizações poliárquicas de conjuntos de serviços de saúde e organizações integradas, vinculados entre si por uma missão única, por objetivos comuns e por uma ação cooperativa e interdependente, que permitem ofertar uma atenção contínua e integral a determinada população, coordenada pela atenção primária à saúde prestada no tempo certo, no lugar certo, com o custo certo, com a qualidade certa e de forma humanizada, e com responsabilidades sanitárias e econômicas por esta população. Após pactuação tripartite, em 2011, foram priorizadas as seguintes redes temáticas: A Rede Cegonha é uma estratégia inovadora do Ministério da Saúde que visa implementar uma rede de cuidados para assegurar às mulheres o direito ao planejamento reprodutivo e a atenção humanizada à gravidez, ao parto e ao puerpério e às crianças o direito ao nascimento seguro e ao crescimento e ao desenvolvimento saudáveis. A Rede Cegonha é estruturada a partir de quatro componentes: pré-natal, parto e nascimento, puerpério e atenção integral à saúde da criança e sistema logístico que refere-se ao transporte sanitário e regulação. A Rede de Atenção às Urgências tem como objetivo reordenar a atenção à saúde em situações de urgência e emergência de forma coordenada entre os diferentes pontos de atenção que a compõe, de forma a melhor organizar a assistência, definindo fluxos e as referências adequadas. É constituída pela Promoção, Prevenção e Vigilância em Saúde; Atenção Básica; SAMU 192; Sala de Estabilização; Força Nacional do SUS; UPA 24h; Unidades Hospitalares e Atenção Domiciliar. (com prioridade para o Enfrentamento do Álcool, Crack, e outras Drogas). A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) corresponde a um conjunto articulado de diferentes pontos de atenção à saúde, instituída para acolher pessoas com sofrimento mental e com necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). iniciando-se pelo câncer (a partir da intensificação da prevenção e controle do câncer de mama e colo do útero). Consideram-se doenças crônicas as doenças que apresentam início gradual, com duração longa ou incerta. As doenças crônicas, em geral, apresentam múltiplas causas e o tratamento envolve mudanças de estilo de vida, em um processo de cuidado contínuo que usualmente não leva à cura. A Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência, no âmbito do SUS, parte da necessidade de ampliar, qualificar e diversificar as estratégias para a atenção às pessoas com deficiência física, auditiva, intelectual, visual, estomia e múltiplas deficiências, por meio de uma rede de serviços integrada, articulada e efetiva nos diferentes pontos de atenção para atender às pessoas com deficiência, assim como iniciar precocemente as ações de reabilitação e de prevenção precoce de incapacidades. Todas as redes também são transversalizadas pelos temas: qualificação e educação; informação; regulação; promoção e vigilância à saúde. Este item refere-se ao conjunto de procedimentos que objetiva adequar a estrutura física, tecnológica e de recursos humanos das UBS às necessidades de saúde da população de cada território. A infraestrutura de uma UBS deve estar adequada ao quantitativo de população adscrita e suas especificidades, bem como aos processos de trabalho das equipes e à atenção à saúde dos usuários. Os parâmetros de estrutura devem, portanto, levar em consideração a densidade demográfica, a composição, atuação e os tipos de equipes, perfil da população, e as ações e serviços de saúde a serem realizados. É importante que sejam previstos espaços físicos e ambientes adequados para a formação de estudantes e trabalhadores de saúde de nível médio e superior, para a formação em serviço e para a educação permanente na UBS. As UBS devem ser construídas de acordo com as normas sanitárias e tendo como referência as normativas de infraestrutura vigentes, bem como possuir identificação segundo os padrões visuais da Atenção Básica e do SUS. Devem, ainda, ser cadastradas no Sistema de Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (SCNES), de acordo com as normas em vigor para tal. As UBS poderão ter pontos de apoio para o atendimento de populações dispersas (rurais, ribeirinhas, assentamentos, áreas pantaneiras, etc.), com reconhecimento no SCNES, bem como nos instrumentos de monitoramento e avaliação. A estrutura física dos pontos de apoio deve respeitar as normas gerais de segurança sanitária. A ambiência de uma UBS refere-se ao espaço físico (arquitetônico), entendido como lugar social, profissional e de relações interpessoais, que deve proporcionar uma atenção acolhedora e humana para as pessoas, além de um ambiente saudável para o trabalho dos profissionais de saúde.\ Para um ambiente adequado em uma UBS, existem componentes que atuam como modificadores e qualificadores do espaço, recomenda-se contemplar: recepção sem grades (para não intimidar ou dificultar a comunicação e também garantir privacidade à pessoa), identificação dos serviços existentes, escala dos profissionais, horários de funcionamento e sinalização de fluxos, conforto térmico e acústico, e espaços adaptados para as pessoas com deficiência em conformidade com as normativas vigentes. .facultando aos gestores locais, conjuntamente com as equipes que atuam na Atenção Básica e O Dá- Pode-se o Conselho Municipal ou Local de Saúde, a possibilidade de definir outro parâmetro populacional de responsabilidade da equipe, podendo ser maior ou menor do que o parâmetro recomendado, de acordo com as especificidades do território, assegurando-se a qualidade do cuidado. ii) - 4 (quatro) equipes por UBS (Atenção Básica ou Saúde da Família), para que possam atingir seu potencial resolutivo. iii) - Fica estipulado para cálculo do teto máximo de equipes de Atenção Básica (eAB) e de Saúde da Família (eSF), com ou sem os profissionais de saúde bucal, pelas quais o Município e o Distrito Federal poderão fazer jus ao recebimento de recursos financeiros específicos, conforme a seguinte fórmula: População/2.000. iv) - Em municípios ou territórios com menos de 2.000 habitantes, que uma equipe de Saúde da Família (eSF) ou de Atenção Básica (eAB) seja responsável por toda população; -As ações e serviços da Atenção Básica, deverão seguir padrões essenciais e ampliados: -Padrões Essenciais - ações e procedimentosbásicos relacionados a condições básicas/essenciais de acesso e qualidade na Atenção Básica; e - Padrões Ampliados -ações e procedimentos considerados estratégicos para se avançar e alcançar padrões elevados de acesso e qualidade na Atenção Básica, considerando especificidades locais, indicadores e parâmetros estabelecidos nas Regiões de Saúde. A oferta deverá ser pública, desenvolvida em parceria com o controle social, pactuada nas instâncias interfederativas, com financiamento regulamentado em normativa específica. Caberá a cada gestor municipal realizar análise de demanda do território e ofertas das UBS para mensurar sua capacidade resolutiva, adotando as medidas necessárias para ampliar o acesso, a qualidade e resolutividade das equipes e serviços da sua UBS. As unidades devem organizar o serviço de modo a otimizar os processos de trabalho, bem como o acesso aos demais níveis de atenção da RAS. Toda UBS deve monitorar a satisfação de seus usuários, oferecendo o registro de elogios, críticas ou reclamações, por meio de livros, caixas de sugestões ou canais eletrônicos. As UBS deverão assegurar o acolhimento e escuta ativa e qualificada das pessoas, mesmo que não sejam da área de abrangência da unidade, com classificação de risco e encaminhamento responsável de acordo com as necessidades apresentadas, articulando-se com outros serviços de forma resolutiva, em conformidade com as linhas de cuidado estabelecidas. -Deverá estar afixado em local visível, próximo à entrada da UBS: - Identificação e horário de atendimento; - Mapa de abrangência, com a cobertura de cada equipe; - Identificação do Gerente da Atenção Básica no território e dos componentes de cada equipe da UBS; - Relação de serviços disponíveis; - Detalhamento das escalas de atendimento de cada equipe; É a estratégia prioritária de atenção à saúde e visa à reorganização da Atenção Básica no país, de acordo com os preceitos do SUS. É considerada como estratégia de expansão, qualificação e consolidação da Atenção Básica, por favorecer uma reorientação do processo de trabalho com maior potencial de ampliar a resolutividade e impactar na situação de saúde das pessoas e coletividades, além de propiciar uma importante relação custo- efetividade. Composta no mínimo por médico, preferencialmente da especialidade medicina de família e comunidade, enfermeiro, preferencialmente especialista em saúde da família; auxiliar e/ou técnico de enfermagem e agente comunitário de saúde (ACS). Podendo fazer parte da equipe o agente de combate às endemias (ACE) e os profissionais de saúde bucal: cirurgião- dentista, preferencialmente especialista em saúde da família, e auxiliar ou técnico em saúde bucal. O número de ACS por equipe deverá ser definido de acordo com base populacional, critérios demográficos, epidemiológicos e socioeconômicos, de acordo com definição local. Em áreas de grande dispersão territorial, áreas de risco e vulnerabilidade social, recomenda-se a cobertura de 100% da população com número máximo de 750 pessoas por ACS. Para equipe de Saúde da Família, há a obrigatoriedade de carga horária de 40 (quarenta) horas semanais para todos os profissionais de saúde membros da ESF. Dessa forma, os profissionais da ESF poderão estar vinculados a apenas 1 (uma) equipe de Saúde da Família, no SCNES vigente. Na PNAB anterior à de 2017, esses profissionais poderiam destinar 8h semanais para atividades de formação (pós-graduação, etc). Na atual versão, a PNAB retirou isso. Atualmente, os médicos da eSF podem cumprir carga horária de 20h e 30h semanais. esta modalidade deve atender aos princípios e diretrizes propostas para a AB. A gestão municipal poderá compor equipes de Atenção Básica (eAB) de acordo com características e necessidades do município. Como modelo prioritário é a ESF, as equipes de Atenção Básica (eAB) podem posteriormente se organizar tal qual o modelo prioritário. As equipes deverão ser compostas minimamente por médicos preferencialmente da especialidade medicina de família e comunidade, enfermeiro preferencialmente especialista em saúde da família, auxiliares de enfermagem e ou técnicos de enfermagem. Poderão agregar outros profissionais como dentistas, auxiliares de saúde bucal e ou técnicos de saúde bucal, agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias. A composição da carga horária mínima por categoria profissional deverá ser de 10 (dez) horas, com no máximo de 3 (três) profissionais por categoria, devendo somar no mínimo 40 horas/semanais. Modalidade que pode compor as equipes que atuam na atenção básica, constituída por um cirurgião-dentista e um técnico em saúde bucal e/ou auxiliar de saúde bucal. Os profissionais de saúde bucal que compõem as equipes de Saúde da Família (eSF) e de Atenção Básica (eAB) e de devem estar vinculados à uma UBS ou a Unidade Odontológica Móvel, podendo se organizar nas seguintes modalidades: Modalidade I: Cirurgião-dentista e auxiliar em saúde bucal (ASB) ou técnico em saúde bucal (TSB) e; Modalidade II: Cirurgião-dentista, TSB e ASB, ou outro TSB. Cada equipe de Saúde de Família que for implantada com os profissionais de saúde bucal ou quando se introduzir pela primeira vez os profissionais de saúde bucal numa equipe já implantada, modalidade I ou II, o gestor receberá do Ministério da Saúde os equipamentos odontológicos, através de doação direta ou o repasse de recursos necessários para adquiri-los (equipo odontológico completo). Constitui uma equipe multiprofissional e interdisciplinar composta por categorias de profissionais da saúde, complementar às equipes que atuam na Atenção Básica. É formada por diferentes ocupações (profissões e especialidades) da área da saúde, atuando de maneira integrada para dar suporte (clínico, sanitário e pedagógico) aos profissionais das equipes de Saúde da Família (eSF) e de Atenção Básica (eAB). Os diferentes profissionais devem estabelecer e compartilhar saberes, práticas e gestão do cuidado, com uma visão comum e aprender a solucionar problemas pela comunicação, de modo a maximizar as habilidades singulares de cada um. Deve estabelecer seu processo de trabalho a partir de problemas, demandas e necessidades de saúde de pessoas e grupos sociais em seus territórios, bem como a partir de dificuldades dos profissionais de todos os tipos de equipes que atuam na Atenção Básica em suas análises e manejos. Para tanto, faz-se necessário o compartilhamento de saberes, práticas intersetoriais e de gestão do cuidado em rede e a realização de educação permanente e gestão de coletivos nos territórios sob responsabilidade destas equipes. -Compete especificamente à Equipe do Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica (Nasf- AB): Participar do planejamento conjunto com as equipes que atuam na Atenção Básica à que estão vinculadas; Contribuir para a integralidade do cuidado aos usuários do SUS principalmente por intermédio da ampliação da clínica, auxiliando no aumento da capacidade de análise e de intervenção sobre problemas e necessidades de saúde, tanto em termos clínicos quanto sanitários; Realizar discussão de casos, atendimento individual, compartilhado, interconsulta, construção conjunta de projetos terapêuticos, educação permanente, intervenções no território e na saúde de grupos populacionais de todos os ciclos de vida, e da coletividade, ações intersetoriais, ações de prevenção e promoção da saúde, discussão do processo de trabalho das equipes dentre outros, no território.Poderão compor os NASF-AB as ocupações do Código Brasileiro de Ocupações - CBO na área de saúde: Médico Acupunturista; Assistente Social; Profissional/Professor de Educação Física; Farmacêutico; Fisioterapeuta; Fonoaudiólogo; Médico Ginecologista/Obstetra; Médico Homeopata; Nutricionista; Médico Pediatra; Psicólogo; Médico Psiquiatra; Terapeuta Ocupacional; Médico Geriatra; Médico Internista (clinica médica), Médico do Trabalho, Médico Veterinário, profissional com formação em arte e educação (arte educador) e profissional de saúde sanitarista, ou seja, profissional graduado na área de saúde com pós- graduação em saúde pública ou coletiva ou graduado diretamente em uma dessas áreas conforme normativa vigente. Muda-se a política dos Núcleos de Atenção à Saúde da Família (NASF) e entram as Equipes Multiprofissionais na Atenção Primária à Saúde. As mudanças visam ampliar as ações das chamadas Equipes de Saúde da Família, que reúnem uma gama de profissionais que conformam o contato inicial do usuário com o sistema de saúde. A equipe multiprofissional segue atuando de forma integrada com as equipes de Saúde da Família, voltando suas diretrizes ao fortalecimento da saúde básica, continuando com atividade integral no que corresponde aos trabalhos de suas especialidades. As eMulti são definidas como equipes de profissionais de saúde de diferentes áreas de conhecimento que atuam de maneira complementar e integrada à APS, com atuação corresponsável pela população e pelo território, em articulação intersetorial e com a Rede de Atenção à Saúde Foram instituídas três modalidades de equipes, compostas por um conjunto fixo e variável de profissionais. A eMulti Ampliada vincula-se de 10 a 12 equipes de APS e é composta com carga horária mínima de 300 horas. A eMulti Complementar deve atender de cinco a nove equipes e ser composta por mínimo de 200 horas de atuação. Por sua vez, a eMulti Estratégica, composta por uma carga horária mínima de 100 horas, deve prestar atendimento de uma a quatro equipes de APS1. Destaca-se, assim, a oportunidade de universalização da eMulti para todos os municípios do país, inclusive com a perspectiva do modelo intermunicipal. O apoio matricial ou matriciamento é uma estratégia de aproximação dos pontos de atenção envolvidos no cuidado integral ao usuário, visando a corresponsabilização das equipes e fortalecimento do vínculo do usuário com a Atenção Primária. Ele auxilia a equipe a encontrar alternativas para além dos encaminhamentos e procedimentos burocratizados, valorizando os aspectos subjetivos da produção de saúde. Produz ganhos para ambas as partes, é capaz de contribuir para o acompanhamento longitudinal, fortalecendo a coordenação do cuidado no SUS. O matriciamento é uma estratégia de apoio e suporte, em que a equipe eSF aciona a equipe do eMULTI com o objetivo de aprimorar o atendimento e a resolubilidade dos casos. É prevista a implantação da Estratégia de Agentes Comunitários de Saúde nas UBS como uma possibilidade para a reorganização inicial da Atenção Básica com vistas à implantação gradual da Estratégia de Saúde da Família ou como uma forma de agregar os agentes comunitários a outras maneiras de organização da Atenção Básica. São itens necessários à implantação desta estratégia: Existência de uma Unidade Básica de Saúde, inscrita no SCNES vigente que passa a ser a UBS de referência para a equipe de agentes comunitários de saúde; Número de ACS e ACE por equipe deverá ser definido de acordo com base populacional; O cumprimento da carga horária integral de 40 horas semanais por toda a equipe de agentes comunitários, por cada membro da equipe; composta por ACS e enfermeiro supervisor; O enfermeiro supervisor e os ACS devem estar cadastrados no SCNES vigente, vinculados à equipe; Cada ACS deve realizar as ações previstas nas regulamentações vigentes e nesta portaria e ter uma microárea sob sua responsabilidade, cuja população não ultrapasse 750 pessoas; A atividade do ACS deve se dar pela lógica do planejamento do processo de trabalho a partir das necessidades do território, com priorização para população com maior grau de vulnerabilidade e de risco epidemiológico; Atuação em ações básicas de saúde deve visar à integralidade do cuidado no território; e cadastrar, preencher e informar os dados através do Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica vigente. Todos os profissionais do SUS e, especialmente, da Atenção Básica são responsáveis pela atenção à saúde de populações que apresentem vulnerabilidades sociais específicas e, por consequência, necessidades de saúde específicas, assim como pela atenção à saúde de qualquer outra pessoa. Isso porque a Atenção Básica possui responsabilidade direta sobre ações de saúde em determinado território, considerando suas singularidades, o que possibilita intervenções mais oportunas nessas situações específicas, com o objetivo de ampliar o acesso à RAS e ofertar uma atenção integral à saúde. -São consideradas equipes de Atenção Básica para Populações Específicas: 1 - Equipes de Saúde da Família para o atendimento da População Ribeirinha da Amazônia Legal e Pantaneira: Considerando as especificidades locorregionais, os municípios da Amazônia Legal e Pantaneiras podem optar entre 2 (dois) arranjos organizacionais para equipes Saúde da Família, além dos existentes para o restante do país: Equipe de Saúde da Família Ribeirinha (eSFR): São equipes que desempenham parte significativa de suas funções em UBS construídas e/ou localizadas nas comunidades pertencentes à área adstrita e cujo acesso se dá por meio fluvial e que, pela grande dispersão territorial, necessitam de embarcações para atender as comunidades dispersas no território. As eSFR são vinculadas a uma UBS, que pode estar localizada na sede do Município ou em alguma comunidade ribeirinha localizada na área adstrita. A eSFR será formada por equipe multiprofissional composta por, no mínimo: 1 (um) médico, preferencialmente da especialidade de Família e Comunidade, 1 (um) enfermeiro, preferencialmente especialista em Saúde da Família e 1 (um) auxiliar ou técnico de enfermagem, podendo acrescentar a esta composição, como parte da equipe multiprofissional, o ACS e ACE e os profissionais de saúde bucal:1 (um) cirurgião dentista, preferencialmente especialista em saúde da família e 1 (um) técnico ou auxiliar em saúde bucal. Nas hipóteses de grande dispersão populacional, as ESFR podem contar, ainda, com: até 24 (vinte e quatro) Agentes Comunitários de Saúde; até 12 (doze) microscopistas, nas regiões endêmicas; até 11 (onze) Auxiliares/Técnicos de enfermagem; e 1 (um) Auxiliar/Técnico de saúde bucal. As ESFR poderão, ainda, acrescentar até 2 (dois) profissionais da área da saúde de nível superior à sua composição, dentre enfermeiros ou outros profissionais previstos nas equipes de Nasf-AB. Para as comunidades distantes da UBS de referência, as eSFR adotarão circuito de deslocamento que garanta o atendimento a todas as comunidades assistidas, ao menos a cada 60 (sessenta) dias. As Unidades Básicas de Saúde (UBS), popularmente conhecidas como postos de saúde, são locais onde o cidadão pode receber os atendimentos gratuitos essenciais em saúde da criança, da mulher, do adulto e do idoso, além de odontologia, requisições de exames por equipes multiprofissionais e acesso a medicamentos. Corresponde a Atenção Primária à Saúde e junto a USF são a porta de entrada do sistema único de Saúde. A USF têm perfil semelhante, tambémvoltada a atendimentos primários e o mesmo acompanhamento de pessoas com doenças crônicas, como diabetes e hipertensão. A diferença, no caso de uma USF, está na promoção da prevenção de doenças com grupos de moradores de cada território, por meio de agentes comunitários e assistentes sociais. Juntas, ambas as unidades resolvem grande parte dos problemas de saúde da população do zoneamento que está sob sua responsabilidade. É importante observar que UBS e USF atuam diretamente nos bairros onde as pessoas vivem. Já as UPAs 24h reorganizam a urgência e a emergência dos hospitais do SUS. Essas unidades são responsáveis por prestar atendimento de média complexidade, como em casos de vítimas de acidentes e problemas cardíacos. As UPAs dão conta de atender, sem a necessidade de encaminhamento ao pronto-socorro hospitalar, uma grande parcela dos pacientes que as procura. Nessas unidades, o usuário é avaliado de acordo com a classificação de risco, podendo ser liberado ou permanecer em observação por até 24 horas ou, se preciso, ser removido ao hospital de referência. 1. Área de atuação: realizar territorialização, mapeamento, cadastro e busca ativa no território; 2. Atenção à saúde: promoção, proteção e recuperação da saúde. Prevenção de doenças e agravos, atendimento à demanda espontânea, ações programáticas, ações coletivas, ações de vigilância em saúde, promoção de palestras, conforme a necessidade da população; 3. Acolhimento - responsabilização - regulação 4. Segurança do paciente 5. Notificação de doenças e agravos 6. Atenção domiciliar 7. Alimentação dos sistemas de informação 8. Trabalho interdisciplinar 9. Ações intersetoriais 10. Participação da comunidade -planejamento - avaliação 11. Educação permanente e continuada a) em saúde 12. Gerenciamento dos insumos I - Realizar atenção à saúde aos indivíduos e famílias vinculadas às equipes e, quando indicado ou necessário, no domicílio e/ou nos demais espaços comunitários (escolas, associações entre outras), em todos os ciclos de vida; II - Realizar consulta de enfermagem, procedimentos, solicitar exames complementares, prescrever medicações conforme protocolos, diretrizes clínicas e terapêuticas, ou outras normativas técnicas estabelecidas pelo gestor federal, estadual, municipal ou do Distrito Federal, observadas as disposições legais da profissão; III - Realizar e/ou supervisionar acolhimento com escuta qualificada e classificação de risco, de acordo com protocolos estabelecidos; IV - Realizar estratificação de risco e elaborar plano de cuidados para as pessoas que possuem condições crônicas no território, junto aos demais membros da equipe; V - Realizar atividades em grupo e encaminhar, quando necessário, usuários a outros serviços, conforme fluxo estabelecido pela rede local; VI - Planejar, gerenciar e avaliar as ações desenvolvidas pelos técnicos/auxiliares de enfermagem, ACS e ACE em conjunto com os outros membros da equipe; VII - Supervisionar as ações do técnico/auxiliar de enfermagem e ACS; VIII - Implementar e manter atualizados rotinas, protocolos e fluxos relacionados a sua área de competência na UBS; e IX - Exercer outras atribuições conforme legislação profissional, e que sejam de responsabilidade na sua área de atuação. I - Realizar a atenção à saúde às pessoas e famílias sob sua responsabilidade; II - Realizar consultas clínicas, pequenos procedimentos cirúrgicos, atividades em grupo na UBS e, quando indicado ou necessário, no domicílio e/ou nos demais espaços comunitários (escolas, associações entre outros); em conformidade com protocolos, diretrizes clínicas e terapêuticas, bem como outras normativas técnicas estabelecidas pelos gestores (federal, estadual, municipal ou Distrito Federal), observadas as disposições legais da profissão; III - Realizar estratificação de risco e elaborar plano de cuidados para as pessoas que possuem condições crônicas no território, junto aos demais membros da equipe; IV - Encaminhar, quando necessário, usuários a outros pontos de atenção, respeitando fluxos locais, mantendo sob sua responsabilidade o acompanhamento do plano terapêutico prescrito; V - Indicar a necessidade de internação hospitalar ou domiciliar, mantendo a responsabilização pelo acompanhamento da pessoa; VI - Planejar, gerenciar e avaliar as ações desenvolvidas pelos ACS e ACE em conjunto com os outros membros da equipe; e VII - Exercer outras atribuições que sejam de responsabilidade na sua área de atuação. Recomenda-se a inclusão do Gerente de Atenção Básica com o objetivo de contribuir para o aprimoramento e qualificação do processo de trabalho nas Unidades Básicas de Saúde, em especial ao fortalecer a atenção à saúde prestada pelos profissionais das equipes à população adscrita, por meio de função técnico-gerencial. Entende-se por Gerente de AB um profissional qualificado, preferencialmente com nível superior, com o papel de garantir o planejamento em saúde, de acordo com as necessidades do território e comunidade, a organização do processo de trabalho, coordenação e integração das ações. Importante ressaltar que o gerente não seja profissional integrante das equipes vinculadas à UBS e que possua experiência na Atenção Básica, preferencialmente de nível superior, e dentre suas atribuições estão: I - Conhecer e divulgar, junto aos demais profissionais, as diretrizes e normas que incidem sobre a AB em âmbito nacional, estadual, municipal e Distrito Federal, com ênfase na Política Nacional de Atenção Básica, de modo a orientar a organização do processo de trabalho na UBS; II - Participar e orientar o processo de territorialização, diagnóstico situacional, planejamento e programação das equipes, avaliando resultados e propondo estratégias para o alcance de metas de saúde, junto aos demais profissionais; III - Acompanhar, orientar e monitorar os processos de trabalho das equipes que atuam na AB sob sua gerência, contribuindo para implementação de políticas, estratégias e programas de saúde, bem como para a mediação de conflitos e resolução de problemas; IV - Mitigar a cultura na qual as equipes, incluindo profissionais envolvidos no cuidado e gestores assumem responsabilidades pela sua própria segurança de seus colegas, pacientes e familiares, encorajando a identificação, a notificação e a resolução dos problemas relacionados à segurança; V - Assegurar a adequada alimentação de dados nos sistemas de informação da Atenção Básica vigente, por parte dos profissionais, verificando sua consistência, estimulando a utilização para análise e planejamento das ações, e divulgando os resultados obtidos; VI - Estimular o vínculo entre os profissionais favorecendo o trabalho em equipe; VII - Potencializar a utilização de recursos físicos, tecnológicos e equipamentos existentes na UBS, apoiando os processos de cuidado a partir da orientação à equipe sobre a correta utilização desses recursos; VIII - Qualificar a gestão da infraestrutura e dos insumos (manutenção, logística dos materiais, ambiência da UBS), zelando pelo bom uso dos recursos e evitando o desabastecimento; IX - Representar o serviço sob sua gerência em todas as instâncias necessárias e articular com demais atores da gestão e do território com vistas à qualificação do trabalho e da atenção à saúde realizada na UBS; X - Conhecer a RAS, participar e fomentar a participação dos profissionais na organização dos fluxos de usuários, com base em protocolos, diretrizes clínicas e terapêuticas, apoiando a referência e contrarreferência entre equipes que atuam na AB e nos diferentes pontos de atenção, com garantia de encaminhamentosresponsáveis; XI - Conhecer a rede de serviços e equipamentos sociais do território, e estimular a atuação intersetorial, com atenção diferenciada para as vulnerabilidades existentes no território; XII - Identificar as necessidades de formação/qualificação dos profissionais em conjunto com a equipe, visando melhorias no processo de trabalho, na qualidade e resolutividade da atenção, e promover a Educação Permanente, seja mobilizando saberes na própria UBS, ou com parceiros; XIII - Desenvolver gestão participativa e estimular a participação dos profissionais e usuários em instâncias de controle social; XIV - Tomar as providências cabíveis no menor prazo possível quanto a ocorrências que interfiram no funcionamento da unidade; e XV - Exercer outras atribuições que lhe sejam designadas pelo gestor municipal ou do Distrito Federal, de acordo com suas competências. Assim, além das atribuições comuns a todos os profissionais da equipe de AB, são atribuições dos ACS e ACE: I - Realizar diagnóstico demográfico, social, cultural, ambiental, epidemiológico e sanitário do território em que atuam, contribuindo para o processo de territorialização e mapeamento da área de atuação da equipe; II - Desenvolver atividades de promoção da saúde, de prevenção de doenças e agravos, em especial aqueles mais prevalentes no território, e de vigilância em saúde, por meio de visitas domiciliares regulares e de ações educativas individuais e coletivas, na UBS, no domicílio e outros espaços da comunidade, incluindo a investigação epidemiológica de casos suspeitos de doenças e agravos junto a outros profissionais da equipe quando necessário; III - Realizar visitas domiciliares com periodicidade estabelecida no planejamento da equipe e conforme as necessidades de saúde da população, para o monitoramento da situação das famílias e indivíduos do território, com especial atenção às pessoas com agravos e condições que necessitem de maior número de visitas domiciliares; IV - Identificar e registrar situações que interfiram no curso das doenças ou que tenham importância epidemiológica relacionada aos fatores ambientais, realizando, quando necessário, bloqueio de transmissão de doenças infecciosas e agravos; V - Orientar a comunidade sobre sintomas, riscos e agentes transmissores de doenças e medidas de prevenção individual e coletiva; VI - Identificar casos suspeitos de doenças e agravos, encaminhar os usuários para a unidade de saúde de referência, registrar e comunicar o fato à autoridade de saúde responsável pelo território; VII - Informar e mobilizar a comunidade para desenvolver medidas simples de manejo ambiental e outras formas de intervenção no ambiente para o controle de vetores; VIII - Conhecer o funcionamento das ações e serviços do seu território e orientar as pessoas quanto à utilização dos serviços de saúde disponíveis; IX - Estimular a participação da comunidade nas políticas públicas voltadas para a área da saúde; X - Identificar parceiros e recursos na comunidade que possam potencializar ações intersetoriais de relevância para a promoção da qualidade de vida da população, como ações e programas de educação, esporte e lazer, assistência social, entre outros; XI - Exercer outras atribuições que lhes sejam atribuídas por legislação específica da categoria, ou outra normativa instituída pelo gestor federal, municipal ou do Distrito Federal. I - Trabalhar com adscrição de indivíduos e famílias em base geográfica definida e cadastrar todas as pessoas de sua área, mantendo os dados atualizados no sistema de informação da Atenção Básica vigente, utilizando-os de forma sistemática, com apoio da equipe, para a análise da situação de saúde, considerando as características sociais, econômicas, culturais, demográficas e epidemiológicas do território, e priorizando as situações a serem acompanhadas no planejamento local; II - Utilizar instrumentos para a coleta de informações que apoiem no diagnóstico demográfico e sociocultural da comunidade; III - Registrar, para fins de planejamento e acompanhamento das ações de saúde, os dados de nascimentos, óbitos, doenças e outros agravos à saúde, garantindo o sigilo ético; IV - Desenvolver ações que busquem a integração entre a equipe de saúde e a população adscrita à UBS, considerando as características e as finalidades do trabalho de acompanhamento de indivíduos e grupos sociais ou coletividades; V - Informar os usuários sobre as datas e horários de consultas e exames agendados; VI - Participar dos processos de regulação a partir da Atenção Básica para acompanhamento das necessidades dos usuários no que diz respeito a agendamentos ou desistências de consultas e exames solicitados; VII - Exercer outras atribuições que lhes sejam atribuídas por legislação específica da categoria, ou outra normativa instituída pelo gestor federal, municipal ou do Distrito Federal. - Poderão ser consideradas, ainda, atividades do Agente Comunitário de Saúde, a serem realizadas em caráter excepcional, assistidas por profissional de saúde de nível superior, membro da equipe, após treinamento específico e fornecimento de equipamentos adequados, em sua base geográfica de atuação, encaminhando o paciente para a unidade de saúde de referência. I - Aferir a pressão arterial, inclusive no domicílio, com o objetivo de promover saúde e prevenir doenças e agravos; II - Realizar a medição da glicemia capilar, inclusive no domicílio, para o acompanhamento dos casos diagnosticados de diabetes mellitus e segundo projeto terapêutico prescrito pelas equipes que atuam na Atenção Básica; III - Aferição da temperatura axilar, durante a visita domiciliar; IV - Realizar técnicas limpas de curativo, que são realizadas com material limpo, água corrente ou soro fisiológico e cobertura estéril, com uso de coberturas passivas, que somente cobre a ferida; V - Indicar a necessidade de internação hospitalar ou domiciliar, mantendo a responsabilização pelo acompanhamento da pessoa; VI - Planejar, gerenciar e avaliar as ações desenvolvidas pelos ACS e ACE em conjunto com os outros membros da equipe; I - Executar ações de campo para pesquisa entomológica, malacológica ou coleta de reservatórios de doenças; II - Realizar cadastramento e atualização da base de imóveis para planejamento e definição de estratégias de prevenção, intervenção e controle de doenças, incluindo, dentre outros, o recenseamento de animais e levantamento de índice amostral tecnicamente indicado; III - Executar ações de controle de doenças utilizando as medidas de controle químico, biológico, manejo ambiental e outras ações de manejo integrado de vetores; IV - Realizar e manter atualizados os mapas, croquis e o reconhecimento geográfico de seu território; e V - Executar ações de campo em projetos que visem avaliar novas metodologias de intervenção para prevenção e controle de doenças; e VI - Exercer outras atribuições que lhes sejam atribuídas por legislação específica da categoria, ou outra normativa instituída pelo gestor federal, municipal ou do Distrito Federal; O programa Previne Brasil foi instituído pela Portaria nº 2.979, de 12 de novembro de 2019. O novo modelo de financiamento altera algumas formas de repasse das transferências para os municípios, que passam a ser distribuídas com base em três critérios: capitação ponderada, pagamento por desempenho e incentivo para ações estratégicas. Figura 1. Diferenças na estrutura orçamentária considerando os anos de 2019 e 2020 Conforme exposto pela Figura 1, nota-se que, as formas de repasse das transferênciaspara os municípios nesse modelo são definidas a partir de três componentes: Capitação Ponderada, Pagamento por Desempenho e Incentivo a ações estratégicas. A Capitação ponderada consiste em um repasse calculado com base no número de pessoas cadastradas e sob responsabilidade das equipes de Saúde da Família (eSF) ou equipes de Atenção Primária (eAP) credenciadas. Ela considera fatores de ajuste como a vulnerabilidade socioeconômica, o perfil de idade e a classificação geográfica (rural- urbana) do município, compreendendo, desta forma, o conceito de “ponderação”. Com um intuito de promover o alcance dos propósitos estabelecidos pelo componente de capitação ponderada, foi estabelecida pela Portaria nº 3.263, de 11 de dezembro de 2019 a estratégia “Cadastre Já!”, que consiste em um incentivo financeiro de custeio federal para implementação e fortalecimento das ações de cadastramento dos usuários do SUS, no âmbito da APS. Esse incentivo destinado aos municípios teve como finalidade: I – Estimular estratégias para a realização e atualização, pelo município e pelo Distrito Federal, do cadastro dos usuários no SISAB, visando à ampliação do acesso da população aos serviços da APS; II – Fomentar o aperfeiçoamento dos processos de trabalho das Unidades de Saúde da Família, com vistas a oportunizar a realização do cadastro dos usuários durante sua permanência no serviço; III – Apoiar a divulgação de informações à população por meio de mídias sociais, veículos de comunicação e impressos sobre a necessidade, importância e incentivo da realização do cadastro dos usuários no âmbito da APS. Já no caso do componente de Pagamento por desempenho, considera-se os resultados de indicadores alcançados pelas equipes credenciadas e cadastradas no SCNES. Para o ano de 2020, foi publicado, por meio da Portaria Nº 3.222, de 10 de dezembro de 2019, um total de sete indicadores, os quais abrangem as ações estratégicas de Saúde da Mulher, Pré-Natal, Saúde da Criança e Doenças Crônicas (Hipertensão Arterial e Diabetes Melittus). 1. Proporção de gestantes com pelo menos 6 (seis) consultas pré-natal realizadas, sendo a 1 a (primeira) até a 12 a (décima segunda) semana de gestação. 2. Proporção de gestantes com realização de exames para sífilis e HIV. 3. Proporção de gestantes com atendimento odontológico realizado. 4. Proporção de mulheres com coleta de citopatológico na APS. 5. Proporção de crianças de 1 (um) ano de idade vacinadas na APS contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B, infecções causadas por haemophilus influenzae tipo b e poliomielite inativada. 6. Proporção de pessoas com hipertensão, com consulta e pressão arterial aferida no semestre. 7. Proporção de pessoas com diabetes, com consulta e hemoglobina glicada solicitada no semestre. Por fim, no caso do Incentivo a ações estratégicas, os municípios que aderirem a projetos específicos do Governo Federal receberão mais recursos financeiros de custeio condicionados às regras das ações, aos programas e às estratégias do Ministério da Saúde, conforme disposto no art. 12-G da Portaria de Consolidação Nº 6, de 28 de setembro de 2017. Abaixo são listados as ações, os programas e as estratégias contemplados por esse incentivo, de acordo com a Portaria de Consolidação Nº 6, de 28 de setembro de 2017: I – Programa Saúde na Hora; II- Equipe de Saúde Bucal (eSB); III – Unidade Odontológica Móvel (UOM); IV – Centro de Especialidades Odontológicas (CEO); V – Laboratório Regional de Prótese Dentária (LRPD); VI – Equipe de Consultório na Rua (eCR); VII – Unidade Básica de Saúde Fluvial (UBSF); VIII – Equipe de Saúde da Família Ribeirinha (eSFR); IX – Microscopista; X – Equipe de Atenção Básica Prisional (eABP); XI – Custeio para o ente federativo responsável pela gestão das ações de Atenção Integral à Saúde dos Adolescentes em Situação de Privação de Liberdade; XII – Programa Saúde na Escola (PSE); XIII – Programa Academia da Saúde; XIV- Programas de apoio à informatização da APS; XV – Incentivo aos municípios com residência médica e multiprofissional; XVI – Estratégia de Agentes Comunitários de Saúde (ACS); e XVII – Outros que venham a ser instituídos por meio de ato normativo específico. (Ministério da Saúde. Redação dada pela Portaria nº 2.979/GM/MS/2019). O processo de trabalho das equipes de Atenção Básica é o que diferencia o diferente alcance de metas e objetivos. O processo de trabalho em saúde é um conjunto de ações coordenadas dos membros da equipe com as famílias, grupos sociais e os pacientes (objetos do trabalho) e os saberes e métodos constituem os instrumentos do trabalho. Envolve a força de trabalho em que a energia potencial, a capacidade de trabalhar é posta em ação na criação de uma determinada mercadoria ou resultado que possui valor. O trabalho em saúde é um ato vivo e deve ser centrado na produção de cuidados, saberes compartilhados e saúde. Todos aqueles produtos- meios que estão envolvidos no processo de trabalho – como ferramenta, matéria-prima ou um saber estruturado – e que são resultantes de um trabalho vivo anterior e não irá realizar nenhum produto. O trabalho vivo interage todo o tempo com instrumentos, normas, máquinas, formando assim um processo de trabalho, no qual interagem diversos tipos de tecnologias. As práticas do trabalho na atenção básica devem incluir diversas tecnologias de maneira adequada, conforme as necessidades de saúde, que são as ações e os serviços de saúde dos quais os sujeitos precisam para ter melhores condições de vida, sem prejuízo do atendimento que requer tecnologias materiais. A tecnologia em saúde pode ser entendida como um leque de ferramentas, dispositivos e sistemas direcionados a otimizar a qualidade dos serviços de saúde prestados, de forma a promover saúde, prevenir e tratar doenças. As tecnologias podem ser classificadas como: leve, leve-dura e dura. Diz respeito às relações de: ● Vínculo ● Acolhimento ● Empoderamento ● Humanização ● Gestão como uma forma de governar processos de trabalho diz respeito aos saberes bem estruturados, que operam no processo de trabalho em saúde, como: ● Clinica médica ● Clínica psicanalítica ● Epidemiologia ● Conhecimentos ● Teórico-científicos ● Protocolos ● Fluxo de atendimentos ● Clínica Ampliada refere-se ao uso de equipamentos e máquinas tecnológicos: ● Máquinas ● Estruturas organizacionais ● Exames laboratoriais ● Exames de imagem ● Equipamentos ● Medicamentos Em um processo de trabalho, há alguns termos importantes a serem compreendidos: *Objeto de trabalho: é o que será transformado, criado pelo trabalho. *Meios de produção do trabalho: são instrumentos que permitem que o trabalho seja realizado, podem ser conhecimentos sistematizados, equipamentos e maquinários. *Agentes: são as pessoas que realizam o processo de transformação de um objeto. Por exemplo, num processo de cuidado, os profissionais de saúde são os agentes e utilizam-se de meios para exercer alguma ação transformadora sobre o objeto/paciente. No trabalho normativo, cada membro de uma equipe tem suas atribuições definidas, a equipe não discute entre si, está “programada” a cuidar de problemas técnicos, não realiza planejamento ou objetivos. Esse tipo de trabalho se baseia em objetivos definidos de forma estratégica e discussões de forma a otimizar e alcançar melhores resultados. Por meio do planejamento identifica e traça rotas. no trabalho comunicativo, os membros da equipe tem grande facilidade de se comunicar e criar relações dentro do processo de trabalho, o que favorece o trabalho em equipe.