Prévia do material em texto
Absorção de Vitamina A e Relação Visual · Os retinoides, uma família de moléculas relacionadas ao retinol (vitamina A), e são essenciais para a visão, a reprodução, o crescimento e a manutenção dos tecidos epiteliais. O ácido retinóico, derivado da oxidação do retinol da dieta, medeia a maioria das reações dos retinoides, exceto para a visão, que depende do retinal, derivado aldeídico do retinol. Obs.: O termo retinoides inclui as formas naturais e sintéticas da vitamina A, as quais podem ou não ter atividade de vitamina A. · A vitamina A é classificada dentro das vitaminas lipossolúveis e é um termo frequentemente usado como coletivo para várias moléculas biologicamente ativas relacionadas. E para que essas sejam absorvidas no intestino, elas precisam se organizar em micelas, necessitando dos sais biliares para que sejam absorvidas (usam o mesmo fundamento da absorção de lipídeos). · Existem 3 formas ativas/compostos de vitamina A: A forma alcoólica (retinol), a forma ácido carboxílico (ácido retinóico) e a forma aldeído (retinal). Todas em forma de cadeia carbônica longa que apresentam insaturações. · Os beta carotenos são a forma inativa dessa vitamina e se encontram na forma pré formada para que se convertam na forma ativa. Esses carotenoides são encontrados na cenoura, abobora, folhas de cor escura (agrião, couve, rúcula), manga, frutas amareladas e etc. Vale destacar que essa substância possui pigmentação amarelada. Obs.: Em humanos a conversão é ineficiente e a atividade da vitamina A do betacaroteno é bem menor que aquela do retinol (cerca de 12x menor). · As moléculas de beta caroteno (substância inativa) encontradas na comida, são convertidas por catálise (ação enzimática) na forma alcoólica, ou seja, em retinol (substância ativa). Obs.: Retinil palmitato tem um ácido graxo de 16C ligado ao retinol, que por ter uma ligação éster se chama retinil. Obs.: O -caroteno é uma molécula muito grande. Obs.: Existem diversas formas de derivados de vitamina A que aparecem no metabolismo (interconversão molecular realizada por enzimas) da mesma. · Essa absorção de vitamina A ocorre nos enterócitos. Assim, por ser um composto lipossolúvel tem a necessidade de se organizar em micelas, precisando da presença dos sais biliares, para que sua tensão superficial diminua e que a interface óleo/água se forme. · Ingestão de vitamina A na dieta: · A vitamina A ingerida na dieta (por ser lipossolúvel pode ser que seja encontrada em alimentos menos aquosos e mais gordurosos) na forma de ésteres de retinil (ex.: retinil palmitato), por hidrólise/catálise enzimática (por uma enzima da classe das hidrolases), será quebrada em retinol e ácido graxo. Esse retinol será absorvido no enterócito, entrando no citosol, onde sofrerá algumas poucas transformações. Entrará na linfa, depois irá para a corrente sanguínea, passando pelo fígado, onde poderá ser armazenado ou levado pela corrente sanguínea até a retina, onde encontrará os cones e bastonetes. Para que lá ocorra o mecanismo chamado de purpura visual. · Quando ingerimos beta caroteno na dieta, esse será absorvido nos enterócitos. Dentro do enterócito será convertido em retinal também por uma enzima (beta caroteno dioxigenase) e, posteriormente, em retinol. · Os ésteres de retinil precisam ser convertidos em retinol. São convertidos diretamente a retinol, enquanto os -carotenos possuem um caminho intermediário. · O retinol encontrado dentro dos enterócitos se ligará com um ácido graxo (é esterificado) na mucosa intestinal, se tornando éster de retinil (ácido graxo de cadeia longa). Assim, será levado pela linfa dos vasos linfáticos na forma de quilomicra até chegar ao sangue. No sangue esse precisa ser transportado por uma proteína carreadora ligante de retinol, já que é uma molécula de cadeia longa e lipossolúvel. · Assim, existe a necessidade da proteína carreadora para que tal molécula seja transportada na corrente sanguínea. Uma vez ligada nessa proteína a vitamina A é levada para o fígado, onde poderá ser armazenada na forma de retinol e ésteres de retinol. Os ésteres de retinila contidos no quilomicra remanescentes são captados pelo fígado e nele armazenados. No citosol dos hepatócitos existem proteínas citosólicas de ligação de retinol (CRBP). · Vale destacar que o fígado pode armazenar vitamina A nas células de Ito na forma de retinol e ésteres de retinol. Obs.: Deficiência de origem nutricional relacionadas a carência de proteínas podem influenciar em problemas de armazenamento de vitamina A. · O retinol que chega ao fígado pode ser transformado em palmitato de retinil (no fígado chega também ácido palmítico, uma vez que esse é o órgão nobre do metabolismo), sendo armazenado principalmente no fígado mas também no tecido adiposo, uma vez que a molécula é lipossolúvel. Quando necessário, o retinol é liberado do fígado e transportado para os tecidos extra-hepáticos por uma proteína plasmática, a proteína ligadora de retinol (PLR). O complexo PLR-retinol e se liga a receptores específicos na superfície das células dos tecidos periféricos permitindo a entrada do retinol. · A função mais citada e mais importante da vitamina A está relacionada aos processos fisiológicos da visão. Porém, também atua no crescimento, desenvolvimento e na diferenciação de tecidos, mas para essas funções será usada na forma de ácido retinóico (relacionado a expressão gênica nos tecidos da pele).Presente no plasma/soro · O retinol sai do fígado e se liga novamente a PLR (proteína sérica de ligação ao retinol), para que através da corrente sanguínea se desloque até os olhos. Onde será convertido em cis-retinal, que faz parte de uma proteína/composto chamado de rodopsina (só é formada se o composto derivado do retinol [cis-retinal] estiver presente). Assim, o retinol precisa ser levado até os bastonetes da retina para que tal substancia ativa se forme. · A luz/fótons ao alcançarem os olhos convertem a forma cis do retinol em forma trans. · Já o ácido retinóico (produto da oxidação de retinol), acredita-se que possa ser transportado tanto pela albumina, quanto por uma proteína específica de ligação ao ácido retinóico (RABP). Ambas são necessárias devido a polaridade desse composto (perfil lipossolúvel/gorduroso). Obs.: O complexo ativado receptor-ácido retinóico interage com a cromatina nuclear regulando a síntese de RNA retinoide-específico, resultando no controle da produção de proteínas específicas que medeiam várias funções fisiológicas. Ex.: controlam a expressão do gene da queratina na maior parte dos tecidos epiteliais do corpo. · O retinol é captado por um receptor de membrana na retina. Os bastonetes da retina transforma o trans-retinol em trans-retinal, para que esse seja convertido em cis-retinal. Esse, por sua vez, se liga a opsina (proteína inativa presente nos bastonetes e na retina) e formará a rodopsina. Essa, por ação dos fótons (unidade de energia luminosa), será convertida em trans-retinal (ou seja, é um ciclo). Esse ciclo vai desencadear um sinal elétrico que será transmitido para o córtex cerebral e será percebido por nós como luz. · O retinol é convertido da forma alcoólica para a forma aldeídica e essa forma se liga a opsina para a formação da rodopsina. Essa, quando exposta a ação da luz, resulta no desbotamento do pigmento visual e na liberação de retinal todo-trans e opsina, o que disparará impulsos elétricos (vão para o cérebro via nervo óptico). Assim, a vitamina A é componente dos segmentos visuais das células cones e bastonetes. · Na retina, mais de cem milhões de células fotossensíveis transformam a luz em impulsos eletroquímicos que são enviados ao cérebro pelo nervo óptico. No córtex visual ocorre o processamento das imagens recebidas pelos olhos completando a sensação visual (gerando a visão). · É na retina que ocorrem diversos mecanismos bioquímicos e fisiológicos que permitem a sensação da visão. Essa possui um epitélio pigmentado. · Os cones e os bastonetes possuem discos intercalares (dobraduras de membrana)e mitocôndrias (aeróbicas). São considerados fotorreceptores, ou seja, únicas células sensíveis à luz na retina. Esses transmitem a informação recebida por meio de seu terminal sináptico para células bipolares, que farão sinapses com as células ganglionares (são a única fonte de sinais de saída na retina). · Na pilha de discos membranosos do segmento externo encontram-se os fotopigmentos sensíveis à luz. A absorção de luz, determina as alterações no potencial de membrana do fotorreceptor. O fato dos bastonetes possuírem maior número de discos membranosos e maior concentração de fotopigmentos o tornam mais sensíveis à luz que os cones. Ambientes com iluminação noturna (condição escotópicas), apenas os bastonetes contribuem para a visão. Em ambientes com iluminação diurna (condição fotópicas), os cones assumem. · Vale destacar que os cones conferem melhores detalhamentos em relação a coloração e que os cones e bastonetes só alcançam o espectro de luz visível. · A rodopsina é quebrada em momentos muito rápidos e terá alterações conformacionais que passam pelo espectro de luz. Essa está presente de forma ativa na membrana dos cones e bastonetes. · Fototransdução: Na presença de luz os fótons são absorvidos pelos fotorreceptores (cones e bastonetes) e causarão isomerização do pigmento visual (rodopsina), transformando a 11-cis-retinal na forma todo-trans retinal. Essa modificação causa alteração na condutância iônica na membrana do receptor e provoca alterações no potencial de membrana (esse processo está ligado a proteína G. A presença da luz estimula a abertura de canais de Na) e provoca a liberação de neurotransmissor (glutamatoaminoácido) pelo fotorreceptor. · A não ocorrência da fototransdução pode ocorrer por deficiência de vitamina A e gerar: · Cegueira noturna: Sintoma precoce de deficiência de vitamina A. Em países em desenvolvimento é comum em crianças devido a desnutrição calórico proteica. · Deficiência severa leva a queratinização progressiva da córnea (estrutura flexível e transparente, por onde passa a luz) que ocasiona xeroftalmia (ressecamento) em estágios mais avançados. · Associado a todos esses problemas infecções se estabelecem com consequente hemorragias do olho e perda permanente da visão.