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Bruna França / Medicina CHOQUE O que é? Uma anormalidade do sistema circulatório, que resulta em perfusão orgânica e oxigenação tecidual inadequadas Causa: O segundo passo na abordagem inicial do choque é identificar sua provável causa. Para os doentes traumatizados, esse processo de identificação está diretamente relacionado com o mecanismo de trauma. Em sua maioria, os traumatizados em choque apresentam hipovolemia; entretanto, podem apresentar também choque cardiogênico, obstrutivo, neurogênico e, ocasionalmente, séptico. O pneumotórax hipertensivo e o tamponamento cardíaco podem produzir choque obstrutivo, aquele por reduzir o retorno venoso e este porque o sangue no saco pericárdico inibe a contratilidade e o débito cardíaco. Quadro clínico: Quando ocorre um traumatismo, a resposta à perda aguda de volume circulante dá-se por meio de um aumento da frequência cardíaca na tentativa de preservar o débito cardíaco. Na maioria das vezes, a taquicardia representa o sinal circulatório mensurável mais precoce do choque. A liberação de catecolaminas endógenas aumenta a resistência vascular periférica. Como decorrência, a pressão sanguínea diastólica aumenta e a pressão de pulso se reduz, embora tais alterações não resultem em aumentos significativos da perfusão orgânica. Outros hormônios com propriedades vasoativas são liberados na circulação durante os estados de choque, dentre os quais a histamina, a bradicinina, as betaendorfinas e uma cascata de prostanoides e de outras citocinas. Essas substâncias têm efeito na permeabilidade vascular. A maneira mais efetiva de restaurar o débito cardíaco e a perfusão a órgãos-chave é o restabelecimento do retorno venoso ao normal, através da localização e interrupção do foco de sangramento e de reposição volêmica apropriada. Inicialmente, a compensação é realizada pela mudança para o metabolismo anaeróbico, que leva à formação de ácido lático e ao desenvolvimento de acidose metabólica. Se o choque for prolongado e a oferta de substrato para a produção de adenosina-trifosfato (ATP) for inadequada, a membrana celular perde a capacidade de manter a sua integridade e o gradiente elétrico normal desaparece. Os mediadores pró-inflamatórios como óxido nítrico sintetase (iNOS), fator de necrose tumoral (TNF) e outras citocinas são liberados, propiciando um cenário de dano orgânico final e subsequente disfunção de múltiplos órgãos e sistemas. Se o processo não for revertido, o dano celular progride, podendo ocorrer alterações na permeabilidade endotelial, edema tecidual adicional e morte celular. O tratamento inicial do choque é direcionado no sentido de restabelecer a perfusão celular e orgânica com sangue adequadamente oxigenado. Os objetivos do tratamento do choque hemorrágico são o controle da hemorragia e o restabelecimento do volume circulante adequado. A maioria dos doentes traumatizados que está em choque hipovolêmico exige uma intervenção cirúrgica precoce ou uma angioembolização para reverter o estado de choque. Todo doente traumatizado que está frio e taquicárdico está em choque, até prova em contrário Hemorrágico: A hemorragia é a causa mais comum de choque após trauma. Virtualmente todo doente com traumatismos múltiplos tem um componente de hipovolemia. Focos potenciais de perda sanguínea - tórax, abdome, pelve, retroperitônio, membros e sangramentos externos - devem ser rapidamente avaliados no exame físico e estudos complementares apropriados. Radiografia do tórax, da pelve, ou mesmo a avaliação abdominal com ultrassonografia direcionada para trauma (FAST) ou lavagem peritoneal diagnóstica e sondagem vesical, podem ser necessários para determinar o foco da perda sanguínea. Bruna França / Medicina Tipos de hemorragia: A hemorragia classe I é exemplificada pela condição do doador de uma unidade de sangue (até 15%). A hemorragia classe II é representada pela hemorragia não complicada, mas na qual é necessária a reposição de cristaloides (15-30%). A hemorragia classe III é um estado hemorrágico mais complicado no qual é necessária a reposição de, no mínimo, cristaloides e, possivelmente, de sangue (30-40%). A hemorragia classe IV deve ser considerada como um evento pré-terminal, no qual, a menos que medidas terapêuticas muito agressivas sejam adotadas (mais de 40%). As classes de hemorragia servem como um guia inicial para a reanimação adequada. Não hemorrágico: O choque não hemorrágico inclui o choque cardiogênico, o tamponamento cardíaco, o pneumotórax hipertensivo, o choque neurogênico e o choque séptico. Choque cardiogênico: A disfunção miocárdica pode ser causada por traumatismo fechado do coração, por tamponamento cardíaco, por embolia gasosa ou, mais raramente, por infarto do miocárdio associado ao trauma. Tamponamento Cardíaco: é mais comum no ferimento penetrante do tórax, mas pode ocorrer como resultado de contusões torácicas. Taquicardia, bulhas abafadas, veias do pescoço dilatadas e engurgitadas com hipotensão que não responde à reposição volêmica sugerem tamponamento cardíaco. Pneumotórax hipertensivo: Ele aparece quando se forma um mecanismo valvular que permite a entrada de ar no espaço pleural, mas não a sua saída. A pressão intrapleural aumenta progressivamente, causando colapso total do pulmão e desvio do mediastino para o lado oposto, e resulta em diminuição do retorno venoso e redução no débito cardíaco. Choque Neurogênico: Uma lesão medular cervical ou torácica alta pode provocar hipotensão por perda do tônus simpático. A perda do tônus simpático acentua o efeito fisiopatológico da hipovolemia e a hipovolemia acentua o efeito fisiopatológico da denervação simpática. O quadro clássico do choque neurogênico é hipotensão sem taquicardia e sem vasoconstrição cutânea. O tratamento do choque hemorrágico inclui hemostasia rápida e reanimação balanceada com cristaloides e sangue. A identificação e o controle precoces da fonte de sangramento são essenciais. Respostas ao tratamento: débito urinário e equilíbrio ácido-base. A monitoração cuidadosa da resposta fisiológica e o controle do sangramento vão orientar a reanimação subsequente necessária. O sangue é administrado para melhorar a capacidade de carrear o oxigênio do volume intravascular. Os desafios no diagnóstico e tratamento do choque incluem equacionar a pressão sanguínea com o débito cardíaco, os extremos da idade, atletas, gravidez, medicamentos, hipotermia e marca-passos.