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Sentença, falha na prestação de serviço

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Sentença: falha na prestação de serviço- seguro! 
Vistos, etc.
Dispensado o relatório, nos termos do artigo 38 da Lei 9.099, de 1995, passo ao breve resumo dos fatos relevantes do feito.
I – BREVE RELATO DOS FATOS
SUELLEN ajuizou ação em face de ZURICH MINAS BRASIL SEGUROS S.A , já qualificados nos autos, alegando que possui firmado seguro automotivo junto a requerida. Aduz que diversos erros por culpa da requerida, em relação ao pagamento de boletos, momento em que na sexta parcela, a requerida, auferiu juros e multa ao boleto. Declara que mesmo o erro sendo da ré, efetuou o pagamento dos juros e multa, no entanto sem aviso prévio ou explicação, teve seu seguro cancelado, encontrando-se sem seu seguro no momento em que se envolveu em acidente. Diante exposto, pleiteia, a nulidade do cancelamento do contrato, restituição de valores pagos na reparação do veículo após acidente sofrido, correção do pagamento das parcelas, bem como, indenização por danos morais.
Frustradas as tentativas conciliatórias, realizou-se audiência de conciliação, onde a autora juntou a impugnação.
A requerida, no mérito argui preliminar de falta do interesse de agir, uma vez que não foi provocada pela autora, para resolução da lide de forma extrajudicial. Alega que não possui dever de reparar veículo e terceiros envolvido em acidentes. Aduz que não houve ilicitude em suas ações,afirma que não houve falha em sua prestação de serviço. Por fim pede a improcedência dos pedidos.
Eis os fatos, passo à fundamentação.
II – PRELIMINARES
Falta de interesse de agir;
O réu arguiu preliminar de carência de ação, por falta de interesse de agir, ao argumento de não opor resistência à resolução da lide e buscar solução extrajudicial.
Todavia, entendo que, a partir do instante em que existe uma discussão sobre vício do produto e cobranças entre supostos credores e devedores, com possível incidência de indenização material, caracterizado resta o litígio. 
Com fulcro no artigo 5º, XXXV da Constituição da República, que garante o livre acesso ao Poder Judiciário, REJEITO a preliminar.
III – MÉRITO
Sem mais preliminares arguidas ou nulidades a serem sanadas e estando regular o feito, passo à análise do mérito. 
Quanto ao direito, trata-se de relação de consumo, por ser a parte autora destinatário final de serviços prestados pelas partes requeridas, enquadrando-se nos conceitos de consumidor e fornecedores, constantes, respectivamente, dos artigos 2º e 3º da Lei nº 8.078, de 1990. Aplicáveis, por conseguinte, os preceitos de tal diploma.
O cerne do litígio está em se aferir a legitimidade dos pagamentos efetuados pela autora, bem como o cancelamento indevido do seguro.
Do conjunto probatório acostado aos autos, verifico que a parte autora apresenta contrato assinado junto a ré, bem como da notas de pagamento efetuado, assim como, verifico a boa fé da requerente em estar em dia com seus deveres, haja vista as diversas vezes que buscou a requerida, para efetuar pagamento dos boletos que não foram disponibilizados, por culpa da ré . Ademais, ressalto a incontestável falha na prestação de serviços, conforme visto as diversas negligências da requerida, para com a requerente.
É verossímil a alegação da parte consumidora, que o contrato veio a ser cancelado contra sua vontade e que encontrava-se de boa fé, despendendo os valores determinados em contrato, sem saber dos supostos erros em boletos alegados pela ré. Goza de verossimilhança de suas alegações e da boa-fé objetiva. Ainda, vale ressaltar que, constitui direito básico do consumidor, instituído no art. 6o, III da lei 8.078/90: “a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade e preço, bem como os riscos que apresentem”.
Além disso, apregoa o art. 46 do mesmo diploma legal, que os contratos que regulam as relações de consumo não obrigarão os consumidores, se não lhes for dada a oportunidade de tomar conhecimento prévio do seu conteúdo.
O princípio da transparência deixou de ser, portanto, apenas um mero dever contratual de cooperação entre as partes, sendo erigido a uma obrigação legal imposta ao fornecedor que deverá informar adequadamente o consumidor proporcionando-lhe um conhecimento pormenorizado de todas as características, circunstâncias e cláusulas que serão necessárias à tomada da decisão de adquirir ou não o produto ou contratar ou não o serviço.
Determino portanto que, proceda a ré com a continuação de sua prestação de serviços, visto que não houve cancelamento da parte autora, bem como, estabeleço que ajuste os pagamentos e suas correções, da parcela sete, com vencimento no mês de outubro de 2020. 
De acordo com os documentos juntados pela autora, especialmente o boletim de ocorrência, juntado em ID 1247389794, que goza da presunção de veracidade, onde é claro que houve acidente, ao qual, requer a restituição dos valores despendidos, é forçoso concluir, que a mesma faz jus dos valores despendidos, haja vista ser um direito estipulado via contrato, bem como, encontrava-se com todas as parcelas em dias. Portanto, determino que seja restituído o valor pago pela mesma, em acidente descrito pelo boletim de ocorrência. Isso porque, o contrato é acordo de vontades que produz uma relação jurídica obrigacional. É ato jurídico perfeito, cuja força no Direito Brasileiro é protegida por garantia constitucional, conforme artigo 5º, XXXVI. 
O direito civil reconhece que os contratos, desde o momento em que adquirem existência jurídica, tornam-se definitivos quanto ao seu conteúdo e obrigatórios, vez que resultantes da autonomia de vontades e do consenso, nos exatos termos do “pacta sunt servanda”. 
Contudo, subsiste ainda análise dos danos morais que alega a parte autora ter suportado, em razão dos vícios apresentados na prestação do serviço. 
Para que a indenização por danos morais seja cabível, mister se faz estejam presentes três requisitos: ato ilícito, dano moral e nexo causal entre ambos. Ausente qualquer dos mencionados requisitos, não pode ser acolhido o pleito indenizatório. Para que se possa falar em dano moral, é preciso que a pessoa seja atingida em sua honra, sua reputação, sua personalidade, seu sentimento de dignidade, passe por dor, humilhação, constrangimentos, tenha os seus sentimentos violados. Simples aborrecimentos e chateações do dia-a-dia não podem ensejar indenização por danos morais. (TJMG. Apelação Cível n.º 1.0145.05.220333-1/001, Nona Câmara Cível, Relator Desembargador: Pedro Bernardes, j. 30.01.2007).
E, ainda:
AÇÃO DE INDENIZAÇÃO - DANOS MORAIS - INEXISTÊNCIA - MERO ABORRECIMENTO - EXISTÊNCIA - OBRIGAÇÃO DE PAGAR A INDENIZAÇÃO. Não configura dano moral mero aborrecimento decorrente do
descumprimento contratual, sendo necessário, para que surja o direito à compensação, que haja intenso abalo psicológico ou à imagem, capaz de agredir a honra e o conceito profissional do apelante. - Mero dissabor não é objeto de tutela pela ordem jurídica. Do contrário, estaríamos diante da banalização do instituto da reparabilidade do dano extrapatrimonial, que teria como resultado prático uma corrida desenfreada ao Poder Judiciário, impulsionada pela possibilidade de locupletamento às custas de aborrecimentos do cotidiano. (...) (TJMG. Apelação Cível n.º: 1.0313.04.131146-2/001(1), Décima Terceira Câmara Cível, Relator Desembargador: Elpídio Donizetti, j. 05.10.2006).
Assim, não merece acolhida o pedido de indenização por danos morais formulado pela parte autora.
IV– DISPOSITIVO
Ante o exposto, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE o pedido formulado na exordial, nos termos do art. 487, I, do Código de Processo Civil, para:
-condenar a restituir o dano material sofrido, acrescido de juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, a partir da data do evento danoso, seja ele, dia 21/10/2020 e corrigida monetariamente pelos índices da CGJ/TJMG, da data da ciência desta sentença;
- condenar a parte ré a ativação do seguro em questão;
- proceder a ré com a devida