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estudo dirigido meio ambiente bucal

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ESTUDO DIRIGIDO MEIO AMBIENTE BUCAL – MINI TBL 
1- Discorra sobre a colonização do meio ambiente bucal. 
A colonização do meio ambiente bucal inicia-se a partir do momento do nascimento do 
indivíduo, seja ele por parto cesariana ou parto normal, sendo o segundo com maior 
colonização. Nas primeiras 6 horas de vida o bebê adquiri uma pequena quantidade de micro-
organismo (normalmente são encontrados Streptococcus salivarius e Streptococcus mitior), 
após essas primeiras horas, no intervalo de 6-10 horas esse micro-organismos se multiplicam, 
aumento seu número e mantendo-se vivos os viáveis. 
No decorrer do crescimento, após a primeira erupção dentária, sendo essa considerada um 
grande marco conhecido como 1º janela de infectividade, o bebê passa a ser colonizado por 
micro-organismos anaeróbicos estritos, principalmente os causadores da cárie e mais comuns 
S. sanguis e S. mutuans. Na região de sulco gengival podem ocorrer quadros de gengivite, devido 
a má higiene do meio ambiente bucal do bebê, com isso favorece a proliferação abundante de 
bastonetes gram anaeróbios e espiroquetas (raramente encontrada em bebê e crianças, porem 
pode acontecer). 
Após o primeiro ano de vida, cerca de 70% dos micro-organismos viáveis são os 
estreptococos, sendo modificada na idade escolar, se assemelhando a de um adulto. O estilo de 
vida e a higienização do meio ambiente bucal, bem como a produção ideal de saliva influenciam 
diretamente em sua colonização, porém grande parte da população apresenta colonização 
semelhante, não igual, mas apresentam micro-organismos semelhantes nessa microbiota bucal. 
2- Por que a boca é considerada um habitat microbiano tão distinto? 
Ecologicamente a boca apresenta um habitat distinto devido a presença da mucosa e dos 
dentes, bem como os tecidos moles e o dorso da língua, que permite que diversos patógenos 
consiga habitar esse local. As condições ecológicas da boca, iniciam nas primeiras horas de 
nascimento e vão modificando de acordo com o desenvolvimento, até a adolescência, no qual 
apresentamos uma microbiota semelhante ao adulto. 
A microbiota bucal é composta por uma variedade de ecossistemas bacterianos distintos 
em diferentes locais, frequentemente com subsistemas existentes no interior do mesmo local. 
Por outro lado, cada um dos ecossistemas é formado por uma variedade de tipos bacterianos 
que preferem certos hábitats no interior da boca. Para facilidade de estudo, a microbiota da 
boca é dividida em quatro nichos principais, representados pelo biofilme dentário, sulco 
gengival, dorso da língua e mucosas da boca. 
3- Discorra sobre a aquisição e implantação da microbiota anfibiôntica. 
Começamos a ser colonizados a partir do momento do nascimento, nas primeiras 6 horas o 
bebê adquire uma pequena quantidade de micro-organismos através do parto, independente 
de qual tenha sido. Cerca de 6-10 horas após ocorre o aumento do número de micro-organismos 
viáveis naquele meio ambiente. 
Após a 1º erupção dentaria, sendo esse considerado um grande marco conhecido como 1º 
janela de infectividade, ocorre uma alta infectividade do bebê, passando a ser colonizado por 
bactérias anaeróbicas estritos (S. sanguis e S.mutans). O desenvolvimento “nichos anaeróbicos” 
conduz a uma gradual mudança na microbiota, de aeróbia para anaeróbia facultativa em que 
micro-organismos, como Micrococcus e Neisseria, são substituídos por Veillonella e 
Actinomyces. Na idade escolar a microbiota é igual à do adulto, com exceção de espiroquetas e 
Prevotella melaninogencia. Na adolescência já se pode considerar a microbiota bastante 
completa e semelhante à da idade adulta 
4- Comente sobre o conceito de biofilme dentário e sua relação com as doenças bucais. 
Biofilme dentário é o termo utilizado para descrever o acúmulo de micro-organismos na 
superfície dos dentes, no qual apresenta uma superfície dura e que não descama, sendo essa 
necessária para que seja formado. A sua formação independe da vontade do hospedeiro, porém 
seu acúmulo só ocorre devido a uma má higienização do meio ambiente bucal. Esse se apresenta 
como os agentes causadores primário da cárie e de doenças periodontais. 
Seu acúmulo pode ocorrer não só nos dentes, mas também superfícies duras e que não 
descame como restaurações, coroas protéticas, próteses removíveis totais ou parciais, 
aparelhos ortodônticos, implantes e restaurações inadequadas. 
5- Discorra, detalhadamente, sobre todas as fases de formação do biofilme dentário. 
A formação do biofilme dentário ocorre em 5 etapas, todas elas serão descritas sob 
condições laboratoriais: 
 1º Formação da Película Adquiria do Esmalte (PAE): 
É uma camada fina e acelular formada sobre o esmalte dentário através a adsorção de 
componentes da saliva como, proteínas, glicoproteínas, lipídeos e componentes do fluído 
gengival. Sua formação é rápida ocorre em minutos/horas, em condição laboratoriais, já em 
indivíduos ocorre no momento zero em que ele passa a língua sobre a superfície do dente, 
dando a sensação de lubrificação dos elementos. Sua espessura varia de 0,01-10 µm. 
Seu processo ocorre na superfície de um dente limpo, no qual apresenta, em sua 
composição cálcio e fosfato, através de propriedades físico-químicas o fosfato, devido a sua 
carga negativa, se acumula na superfície do dente formando uma nuvem negativa de íons. Essa 
nuvem irá atrair os íons de carga positiva presente na saliva, que irá se acumular formando a 
camada de hidratação. A partir dos íons carregados positivamente, os componentes presentes 
da saliva e no fluido gengival, por apresentarem cargas negativas se unem, por adsorção, ou 
seja, se acumulam, formando a PAE. 
 2º Aderência de Células Bacterianas Simples (Colonização Microbiana Inicial): 
 Após a formação da PAE, os micro-organismos iniciam o seu processor de aderência a 
essa película. As bactérias presentes no nosso meio ambiente bucal, são atraídos pela PAE, 
devido ao fornecimento de substratos para a sobrevivência das mesmas. Os micro-organismos 
antes se aderirem a superfície do dente, encontra-se disperso, em meio líquido na saliva, na 
forma de planctônica, com isso os colonizadores iniciais (S. sanguinis, S. oralis, S. mitis os da 
espécie Actinomycis sp. e Neisseria sp.) aproximam-se da PAE dando inicio ao processo de 
aderência bacteriana. 
 Esse processo pode ocorrer de 2 forma: ou as bactérias irão se aderir a uma superfície 
recoberta pela PAE sem que haja bactérias agindo como ponte de adesão ou uma bactéria irá 
usar outra como ponte de aderência. Os mecanismos de aderência são divididos em interações 
especificas (irreversíveis) e interações não especificas (interações eletrostáticas e reversíveis). 
 - Interações Eletrostáticas: 
* Força de Van der Waals: Totalmente reversível e inespecífica, é uma forma de aproximação do 
micro-organismo a superfície da PAE. Acontece devido a superfície do micro-organismo possuir 
uma carga negativa, igualmente a superfície dos componentes da PAE. Quando esses, micro-
organismos e componentes, encontram-se em solução liquida, a uma certa distância, duas 
forças irão atuar sobre eles: a força de repulsão eletrostática, por apresentarem as mesmas 
cargas e a força de atração pela força de Van der Waals, por estarem em mesma solução. Com 
isso é a 1º aproximação microbiana a estrutura dentaria e necessita de uma distância mínima 
de 5-10 µm, para que ocorra a repulsão e a atração. 
* Ponte de Cálcio e Hidrogênio: Quando as bactérias e a PAE apresentam cargas negativas e os 
íons de cálcio e hidrogênio, positivos presente na saliva, agem como ponte de união 
aproximando o micro-organismo da PAE. 
 - Interações Específicas: 
*Lectina: É um mecanismo de aderência microbiana inicial e irreversível, possui especificidade 
devido a estruturas chamadas de adesinas presentes em estruturas das superfícies bacterianas 
(fibrilas e fimbrias), que são estruturas proteicas que interagem com os carboidratos da PAE e 
possuem alta especificidade.