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@apostilas_medvet 15 É constituído pela Matriz Extracelular (MEC) e alguns tipos de células e fibras e derivado do mesoderma. As células que compõem o TC são diferentes e exercem funções variadas Se originam do mesênquima, tecido formado por células mesenquimais, com núcleo oval, cromatina fina e nucléolo proeminente, com prolongamentos citoplasmáticos e imersas em MEC abundante e viscosa com poucas fibras. O mesênquima se origina do mesoderma. FUNÇÕES DO TECIDO COJUNTIVO • Estabelecimento e manutenção da forma do corpo • Preenchimento e suporte para outros tecidos do corpo • Isolamento e proteção • Transporte de nutrientes, metabólicos e produtos de excreção entre os tecidos e sistema circulatório • Sustentação e locomoção • Defesa, processos de reparação e regeneração • Armazenamento de gordura e íons MATRIZ EXTRACELULAR É formada por diferentes proteínas fibrosas e substância fundamental. Serve como meio de troca de nutrientes e catabólicos entre a célula e a corrente sanguínea. Proteínas adesivas fibrosas, como fibronectina e laminina, unem as fibras estruturais entre si, ou ajudam células a se aderirem à matriz de TC. FIBRAS COLÁGENAS: • Formada por colágeno tipo I. Mais numerosas do TC • Moléculas alongadas, paralelas umas às outras • Resistentes à tração, são flexíveis, se adaptam a movimentos e mudanças. • Acidófilas (coram em rosa-eosina). Fibras frescas possuem cor branca. • Encontradas em tendões, ligamentos e cápsulas de órgãos. X: fibras agregadas // setas: arranjo longitudinal FIBRAS RETICULARES • Formadas por colágeno tipo III • Finas, com disposição frouxa, formando uma rede ao redor das células adiposas, capilares, fibras musculares, nervos e hepatócitos, dando sustentação • Coradas em prata – argirofilas • Parte fundamental das membranas basais Glândula adrenal. Núcleo em preto. Citoplasma não está corado. FIBRAS ELÁSTICAS • Formadas por elastina • Dá elasticidade ao tecido e resistência à tração. • Encontradas na pina auricular, cordas vocais, epiglote, pulmões, ligamento nucal, derme, aorta e artérias musculares. • Produzida por fibroblastos e células musculares lisas dos vasos sanguíneos • Corada em HE: ficam na cor rosa-claro FE: fibras elásticas // FC: fibras colágenas TECIDO CONJUNTIVO @apostilas_medvet 16 SUBSTÂNCIA FUNDAMENTAL Local onde estão mergulhadas as células e fibras do tecido conjuntivo. É composta por glicosaminoglicanos (GAGs), proteoglicanos, constituintes do plasma, metabólitos, água e íons. Forma um gel com propriedades de elasticidade, preenche espaço entre as células, hidrata e facilita a passagem de moléculas, células e íons. É incolor e gelatinosa GLICOSAMINOGLICANOS: • Possui afinidade por sódio e água. Hidrata o tecido • Fornece resistência à compressão e facilita difusão de nutrientes • Formado por polissacarídeos • Ex: hialuronano, heparina. PROTEOGLICANOS • Porção central proteica ligada às GAGs • Retém fatores de crescimento • Regula a passagem de moléculas CÉLULAS DO TECIDO CONJUNTIVO Algumas ficam dentro de células em locais fixos dentro do tecido, enquanto outras se movimentam através do tecido, como células móveis. CÉLULAS MESENQUIMATOSAS Possui formato irregular e múltiplos processos. Menores que fibroblastos, menos organelas citoplasmáticas, núcleo oval e nucléolo visível e cromatina fina. Servem como reservatórios de células pluripotentes que podem se diferenciar em outros tipos celulares. FIBRÓCITOS, FIBROBLASTOS, MIOFIBROBLASTOS Os FIBRÓCITOS são células alongadas, fusiformes, com processos que fazem contato com células vizinhas, núcleo alongado e heterocromático escuro, circundado por citoplasma pálido. Possui vesículas secretórias no citoplasma. Possui RER disperdo, CG pequeno. Nos processos, há filamentos de actina em forma de feixes. Preservam a matriz do tecido conjuntivo, formando fibras e renovando constantemente a substância fundamental. Os FIBROBLASTOS possuem núcleo maior, mais eucromático e alongado, citoplasma basofílico e abundante, RER e CG bem desenvolvido e longos prolongamentos. Produz matriz de tecido conjuntivo de forma mais ativa do que o fibrócito. Podem surgir direto de células mesenquimatosas indiferenciadas ou a partir de fibrócitos sob influência de fatores microambientais (ex citocinas).Seu citoplasma é rico em vimentina e actina. Produzem fatores de crescimento e estimulam desenvolvimento e crescimento celular, além de sintetizarem proteínas colágenos e elastinas, glicosaminoglicanos e proteoglicanas. Após lesão, são estimulados pelo fator de crescimento dos fibroblastos, produzido pelos macrófagos, se proliferam e secretam MEC, contribuindo para a cicatrização. Sob influência do fator de crescimento de transformação β1, fibroblastos se diferenciam em miofibroblastos, para retrair o tecido cicatricial. Os MIOFIBROBLASTOS são células que possuem filamentos de actina em corpos densos. Ajudam na contração da ferida durante processo de cicatrização. É uma célula alongada e delgada. MACRÓFAGOS São oriundos de monócitos que migraram do sangue para o tecido conjuntivo. Possuem núcleo ovoide ou com forma de rim e excêntrico, citoplasma com RER e CG bem desenvolvidos, e grande quantidade de lisossomos, superfície irregular com projeções que auxiliam no movimento ameboide e na fagocitose, receptores de IgG n e para proteínas do sistema complemento na membrana. Fagocitam e digerem bactérias, restos celulares e substâncias estranhas, além de secretar colagenase, elastase e enzimas que degradam glicosaminoglicanos, facilitando sua migração pela MEC, e liberam lisozima, que destrói parede das bactérias. São células apresentadoras de antígenos, importante na resposta imune. Constituem o Sistema Fagocitário Mononuclear M: macrófago // N: neutrófilo // VS: vaso sanguíneo @apostilas_medvet 17 MASTÓCITOS Célula globosa/ovoide, grande, citoplasma repleto de grânulos intensamente basófilos, núcleo pequeno, esférico e central e de difícil observação, pequenas quantidades de RER, mitocôndrias e CG no citoplasma. Superfície celular repleta de microvilosidades e pregas. Estocam mediadores químicos da resposta inflamatória em seus grânulos secretores (que são metacromáticos, ou seja, mudam a cor do corante básico que foi utilizado), desencadeiam reação de hipersensibilidade imediata (alergia), como por exemplo, histaminas (provocam vasodilatação) e heparina (anticoagulante) Se originam de células precursoras hematopoiéticas na medula óssea. Sua superfície contém receptores específicos para imunoglobulina E, produzida por plasmócitos. São numerosos nos TC da pele e mucosas, mas não são encontrados no encéfalo e medula espinhal. São divididos em mastócitos do tecido conjuntivo, encontrado na pele e cavidade peritoneal, que contém grânulos secretores de heparina, e mastócitos da mucosa, encontrado na mucosa intestinal e nos pulmões, e contém grânulos secretores condroitim sulfato. Produzem prostaglandinas D2 e interleucina H (IL-5) PLASMÓCITOS São células grandes e ovoides, com citoplasma basófilo com grande quantidade de RER e CG. Núcleo é esférico e excêntrico, aparecendo geralmente pouco corado, e contém grumos de cromatina que se alternam com áreas claras (arranjo lembra roda de carroça). São pouco numerosos no TC normal, exceto em locais sujeitos à penetração de bactérias e proteínas estranhas (ex mucosa intestinal). Abundantes em inflamações crônicas, em que há plasmócitos, linfócitos e macrófagos. São células derivadas dos linfócitos B e responsáveis pela síntese de anticorpos (glicoproteínas). Setas: plasmócitos num processo inflamatório crônico. LEUCÓCITOS Também chamados de glóbulos brancos, que migram do sangue atravésde capilares (processo chamado de diapedese, que aumenta durante invasões locais de microrganismos). São células especializadas na defesa contra microrganismos agressores. Não retornam ao sangue depois de chegar no tecido conjuntivo, exceto os linfócitos, que circulam em vários compartimentos do corpo (sangue, linfa, TC, órgãos linfáticos). São classificados em dois grupos: Granulócitos (neutrófilos, eosinófilos, basófilos) e Agranulócitos (linfócitos ) BASÓFILOS Se desenvolvem e se diferenciam na medula óssea. Circulam na corrente sanguínea e representa menos de 1% dos leucócitos periféricos. Possuem grânulos secretores (basófilos) que secretam mediadores químicos, receptores para anticorpos IgE na membrana celular. Participam das reações alérgicas e liberam histamina, heparina sulfato e etc. NEUTRÓFILOS Células arredondadas, núcleos bilobulado ou mais (frequentemente são 3) ligados entre si por pontes de cromatina. Célula jovem não possui núcleo segmentado em lóbulos, sendo chamada de neutrófilo com núcleo em bastonete, ou bastonete. @apostilas_medvet 18 Em fêmeas, aparece um apêndice em formato de raquete, no núcleo, que contém cromatina sexual formada por cromossomo X heterocromático que não transcreve seus genes. EOSINÓFILOS Menos numerosos que neutrófilos, maiores ou do mesmo tamanho que eles. Núcleo é bilobulado, RER, mitocôndrias e CG pouco desenvolvidos, possui granulações ovoides que coram por eosina. Também realizam fagocitose, porém, de forma mais lenta. LINFÓCITOS Possuem borda fina de citoplasma que circunda núcleo heterocromático intensamente corado. Normalmente, são encontrados em pequena quantidade no TC de todo o corpo, porém, o número aumenta em locais de inflamação causada por agentes patogênicos. São mais numerosos na lâmina própria dos sistemas respiratório e digestório, onde fazem imunovigilância. Possui pelo menos 3 tipos de células funcionais: 1) LINFÓCITOS T: efetoras na imunidade celular 2) LINFÓCITOS B: possui imunoglobulinas IgM e IgG imobilizadas. Reconhecem antígenos, apresentam tempo de vida variável e são efetoras na imunidade mediada por anticorpos (humoral) 3) LINFÓCITOS NK: não são antígeno-específicos, porém destroem células infectadas por vírus e algumas células tumorais por meio de mecanismo citotóxico. TIPOS DE TECIDO CONJUNTIVO TECIDO CONJUNTIVO PROPRIAMENTE DITO É separado em duas classes: TECIDO COJUNTIVO FROUXO (TCF) Possui função de suporte para estruturas que estão sujeitas à pressão e atritos pequenos. Preenche espaços entre células musculares, suporta células epiteliais e formam camadas entre os vasos sanguíneos. Encontrado também em papilas da derme, hipoderme, membrana serosas das cavidades peritoneais e pleurais e também nas glândulas. Contém todos os elementos estruturais típicos, porém sem predominância de nenhum deles. As células mais numerosas são fibroblastos e macrófagos, porém existem todos os outros tipos celulares. Há grandes quantidade de fibras colágenas e elásticas. Possui consistência delicada, flexível e vascularizado. Não é resistente a trações. Setas: vasos sanguíneos // células: fibroblastos @apostilas_medvet 19 TECIDO CONJUNTIVO DENSO (TCD) Possui função de resistência e proteção aos tecidos. É composto pelos mesmos elementos do TCF, porém com menos células e uma predominância de fibras colágenas. É menos flexível, porém mais resistente a trações. Quando as fibras colágenas estão organizadas em feixes sem orientação definida, chama-se Denso não modelado, pois as fibras formam uma trama tridimensional, conferindo resistência exercida em qualquer direção. É encontrado na derme profunda da pele Ponta de seta: núcleos de fibroblastos // seta: vaso sanguíneo Quando as fibras colágenas estão paralelas umas às outras, chama- se Denso Modelado, e confere resistência á trações exercidas em apenas um sentido. Os fibroblastos orientam essas fibras para oferecer o máximo de resistência. São encontrados em tendões Feixes espessos e paralelos de fibrilas de colágeno preenchem os espaços entre os fibroblastos alongados TECIDO RETICULAR É do tipo delicado e forma uma rede tridimensional responsável por suportar células se alguns órgãos, como órgãos linfoides e hematopoiéticos (medula óssea, linfonodos, nódulos linfáticos e baço). É constituído por fibras reticulares associadas a fibroblastos especializados, chamados de células reticulares. Essas células estão espalhadas ao longo da matriz e cobrem, com prolongamentos citoplasmáticos, fibras reticulares e substância fundamental. Isso forma uma estrutura trabeculada como uma esponja, sendo que dentro, as células e fluidos se movem de forma livre. Ao lado dessas células reticulares, há células do Sistema Fagocitário Mononuclear, dispersas ao longo das trabéculas, monitorando o fluxo de material que passa através dos espaço (seios) e removendo organismos invasores por fagocitose. Células reticulares e fibras reticulares. Interior dos espaços é chamado de seio TECIDO MUCOSO Possui consistência gelatinosa devido à preponderância de MEC composta por ácido hialurônico com pouquíssimas fibras. Tem como células principais os fibroblastos. Faz parte da composição do cordão umbilical, onde é referido como geleia de Wharton. Fibroblastos imersos em MEC frouxa @apostilas_medvet 20 TECIDO ADIPOSO É um tipo de tecido conjuntivo especial onde há predominância de células adiposas, chamadas de adipócitos. Esse tipo celular pode ser encontrado de forma isolada ou em pequenos grupos no tecido conjuntivo frouxo, porém, a maioria forma grandes agregados, formando o tecido adiposo. Nesse tipo de tecido, há moléculas de triglicerídeos ou triacilgliceróis (TAG), formadas por uma molécula de glicerol + 3 moléculas de ácidos graxos (AG). São apolares, hidrofóbicas e insolúveis em água, também sendo denominadas de gordura neutra, podendo ser metabolizadas para extração da energia contida na ligação de seus átomos. Os grandes depósitos de TAG são considerados os principais reservatórios de energia do organismo, se renovando continuamente, e sendo influenciado por estímulos nervosos e hormonais. Há dois tipos de TA (tecido adiposo): tecido adiposo comum, amarelo ou unilocular e o tecido adiposo pardo, ou multilocular. TECIDO ADIPOSO UNILOCULAR Sua cor varia entre branco e amarelo-escuro, dependendo do tipo de dieta. A cor é devido ao acúmulo de caroteno que estão dissolvidos na gordura. Está localizado sobre a pele, formando o panículo adiposo, camada que modela a superfície corporal, forma coxins absorventes de choques mecânicos (planta do pé e palma da mão), possui papel como reserva energética, importante isolante térmico e preenche espaços entre outros tecidos, além de possuir atividade secretora de diversos fatores e hormônios. Suas células são grandes, esféricas quando isoladas e poliédricas quando em conjunto (devido à compressão). Possui gotícula lipídica única, e é removida por solventes quando preparada na técnica histológica. Seu núcleo é alongado e encontrado na região do anel citoplasmático. Cada célula é envolvida por lâmina basal e sua MP possui várias vesículas de pinocitose. G: gotícula lipídica // ponta de seta: citoplasma em forma de anel // VS: vaso sanguíneo Cada gota de gordura está livre no citosol da célula, pois são desprovidas de membrana envolvente. Esse tecido apresenta septos de tecido conjuntivo propriamente dito, que contém vasos e nervos que irrigam essas células adiposas. Partem fibras reticulares de colágeno tipo III desses septos para sustentar cada célula de forma individual. A vascularização é abundante. Os triglicerídeos que são armazenados nessas gotas de gorduras podem se originar:• Através da alimentação, levados até as células adiposas pela circulação na forma de triglicerídeos, formando os quilomícrons • Através do fígado, transportados sob a forma de triglicerídeos de lipoproteínas de pequeno peso molecular • Pela síntese nas próprias células adiposas a partir da glicose, processo chamado de lipogênese. Além de receber AG pela circulação, as células adiposas podem formas ácidos graxos e glicerol a partir da glicose, sendo acelerado pela insulina. Quando necessária, a hidrólise dos triglicerídeos é desencadeada pela norepinefrina. Também sintetiza lipase lipoproteica, que cliva os triglicerídeos do plasma, leptina, que participa da regulação da quantidade de tecido adiposo no corpo e ingestão de alimentos, adiponectina, que diminui liberação de glicose pelo fígado e resistina, que possui função hiperglicemiante. É inervado por fibras simpáticos do sistema nervoso autônomo. TECIDO ADIPOSO MULTILOCULAR É chamado de tecido adiposo pardo, pois possui vascularização abundante e numerosas mitocôndrias que confere sua cor característica. É encontrado apenas em áreas específicas, como por exemplo, cinturas escapular e pélvica. E muito abundante em animais que hibernam e fetos. Possui células menores e com forma poligonal, citoplasma repleto de gotículas lipídicas de tamanhos variados e com grande n° de mitocôndrias, com cristas longas. Células apresentam arranjo epitelióides, formando compactações associados a capilares sanguíneos, ficando parecidas com glândulas endócrinas. É especializado em produzir calor, importante em animais que hibernam, e nos recém nascidos é importante para termorregulação. Ao ser estimulado por noradrenalina o tecido acelera a lipólise e a oxidação dos ácidos graxos, produzindo calor. Setas: núcleos esféricos centrais @apostilas_medvet 21 TECIDO CARTILAGINOSO É um tecido que possui consistência rígida e tem diversas funções, como suporte de tecidos moles, revestimento de superfícies articulares (absorção de choques mecânico e diminuição de atrito, deslizamento de ossos nas articulações). É também extremamente importante para formar e fazer crescer ossos longos na vida intrauterina e depois do nascimento. Possui células denominadas de condrócitos e muito MEC. As células se organizam em lacunas, na matriz (que é formada por colágeno ou colágeno e elastina). As cartilagens (exceto as articulares e as fibrosas) são envolvidas por pericôndrio (bainha conjuntiva), onde nervos e vasos sanguíneos e linfáticos estão presentes, e que continua, de forma gradual, com a face interna e face externa da cartilagem. Esse tipo de tecido não possui vasos sanguíneos, e sua nutrição é feita através do pericôndrio, por capilares. As cartilagens das articulações móveis não possuem pericôndrio (recebem nutrientes vindos do líquido sinovial) e as cartilagens fibrosas também não. Há 3 tipos de cartilagens: CARTILAGEM HIALINA É o tipo mais encontrado, sendo branco-azulada e translúcida quando fresco. É encontrada em fossas nasais, traqueia e brônquios, extremidade ventral das costelas e recobrindo superfícies articular dos ossos longos nos adultos. Constitui o primeiro esqueleto do embrião e o disco epifisário, entre a diáfise e epífise de ossos longos em crescimento. Sua cartilagem é formada por fibras de colágeno tipo II associadas a ácido hialurônico e outros glicosaminoglicanos, proteoglicanos e glicoproteínas. Uma glicoproteína estrutural extremamente importante é a condronectina. O pericôndrio é o envoltório das cartilagens hialinas. É considerado uma fonte de novos condrócitos para crescimento e é responsável pela nutrição, oxigenação e eliminação de refugos metabólicos da cartilagem, pois estão localizados nele vasos sanguíneos e linfáticos. Possui muitas fibras de colágeno tipo I e poucas células na sua região externa. As que estão situadas mais próximas à cartilagem, podem multiplicar-se por mitose e originar condrócitos, sendo chamadas de condroblastos. Os condrócitos são células mais internas que sintetizam colágeno, são arredondadas, núcleo redondo e citoplasma basófilo. Vivem sob baixas tensões de oxigênio devido à ausência de capilares nas cartilagens. Esboços de cartilagem surgem no mesênquima no embrião → arredondamento das células mesenquimatosas → formam aglomerados → são condroblastos (citoplasma basófilo) → inicio da síntese da MEC → afastamento dos condroblastos uns dos outros → diferenciação das cartilagens do centro para periferia. Pode crescer através de dois processos: aposição (a partir das células do pericôndrio, ou seja, forma-se uma nova cartilagem na superfície de uma já existente) ou intersticial (divisão mitótica dos condrócitos preexistentes, ou seja, forma uma nova cartilagem dentro de uma passa de cartilagem existente) CARTILAGEM ELÁSTICA É encontrada no pavilhão auditivo, conduto auditivo externo, tuba auditiva, epiglote e cartilagem cuneiforme da laringe. É semelhante à hialina, porém, além das fibras de colágeno tipo II, possui fibras elásticas contínuas com as do pericôndrio. Possui cor amarelada a fresco. Apresenta pericôndrio e cresce principalmente por aposição. CARTILAGEM FIBROSA É intermediário entre tecido conjuntivo denso modelado e cartilagem hialina. Encontrado em discos intervertebrais, inserção de tendões e ligamentos nos ossos e sínfise pubiana. Está sempre associada a TCD, e os limites entre os dois são imprecisos. Os condrócitos formam fileiras alongadas entre as fibras colágenas, que são espessas. A matriz é acidófila pois possui várias fibras colágenas do tipo I e do tipo II. A substância fundamental é escassa e limitada em regiões próximas às lacunas que contém os condrócitos. Não existe pericôndrio nesse tipo de cartilagem. @apostilas_medvet 22 Fibras colágenas tipo 1 constituem feixes de orientação irregular entre os condrócitos ou um arranjo paralelo ao longo dos condrócitos em fileiras. TECIDO ÓSSEO É o principal componente do esqueleto, sustenta tecidos moles, protege órgãos vitais, aloja e protege a medula óssea, dá apoio aos músculos esqueléticos, constitui sistema de alavancas que amplia forças originadas na contração muscular, são depósitos de cálcio, fosfato e outros íons, absorvem toxinas e metais pesados. É formado por células e material extracelular calcificado, chamado de matriz óssea. Essas células podem ter origem da linhagem osteoblástica (formada por osteoblastos e osteócitos, derivadas de células osteoprogenitoras do mesênquima) e da linhagem osteoclástica (osteoclastos, originados de monócitos na medula hematopoiética) Osteócitos mantém a MEC e se encontram no interior dos ossos, ocupando pequenos espaços da matriz chamados de lacunas (estão de forma individual nesses locais). De cada lacuna saem canalíticos com prolongamentos desses osteócitos, que irão fazer contato com osteócitos adjacentes, por onde irá passar moléculas e íons de uma célula para outra. A nutrição então, dos osteócitos, depende desses canalíticos. Os osteócitos possuem pequena quantidade de RER, CG pouco desenvolvido e núcleo com cromatina condensada. Sua morte é seguida por reabsorção da matriz ao seu redor. Osteoblastos sintetizam a parte orgânica da matriz (colágeno I, proteoglicanos e glicoproteínas) e estão na superfície dos ossos, lado a lado. Quando em intensa atividade, são cuboides e com citoplasma basófilo e, quando pouco ativos, são achatados e citoplasma pouco basófilo. Podem concentrar fosfato de cálcio, participando da mineralização da matriz. Após sintetizar a MED, é aprisionado pela própria e passa a ser chamado de osteócito. Osteoclastos são células gigantes, móveis e multinucleadas que fazem a reabsorção do tecido ósseo para remodelação destes. São derivados dos monócitosque se fundem para formar os osteoclastos multinucleados. Possuem citoplasma granuloso, às vezes contendo vacúolos e fracamente basófilos quando jovens e muito acidófilo quando maduros. Estão na superfície do tecido ósseo ou em túneis no interior destes. Todos os ossos são revestidos, de forma externas e internas por periósteo e endósteo, respectivamente. No periósteo, há fibras colágenas e fibroblastos. Feixes de fibras colágenas formam as Fibras de Sharpey, que penetram o tecido ósseo e prendem o periósteo ao osso. Há células osteoprogenitoras na camada mais interna. O endósteo reveste as superfícies internas do osso, e é formado por células osteogênicas achatadas em uma delgada camada, que reveste tanto as cavidades dos ossos esponjosos como o canal medular, canais de Havers e os de Volkmann. Fornecem novos osteoblastos para crescimento, remodelação e recuperação dos ossos. A matriz óssea é formada por uma parte orgânica(fibras colágenas do tipo I, proteoglicanos e glicoproteínas) e uma parte inorgânica (íons cálcio, fosfato, bicarbonato, magnésio, potássio, sódio e citrato). OSSO COMPACTO E OSSO ESPONJOSO Um osso é formado externamente por um tecido sem cavidades visíveis, chamado de osso compacto, e interiormente, por cavidades intercomunicantes, o osso esponjoso. Em ossos longos, as extremidades, chamadas de epífises, são compostas por tecido esponjoso. A diáfise (parte cilíndrica) é @apostilas_medvet 23 formada quase totalmente por osso compacto, porém possui uma pequena região de osso esponjoso, delimitando o canal medular. Ossos curtos possuem centro esponjoso e periferia de ossos compactos. As cavidades do osso esponjoso e canal medular da diáfise dos ossos longos são ocupados pela medula óssea, que nos recém nascidos tem cor vermelha (pois possuem muito sangue) e nos adultos, se torna amarela. TECIDO ÓSSEO LAMELAR E NÃO LAMELAR O tecido não lamelar, também chamado de imaturo ou primário, é o primeiro a ser formado, tanto no desenvolvimento embrionário como na reparação de fraturas, sendo temporário e posteriormente substituído por tecido secundário. Nesse tecido, as fibras colágenas estão dispostas de forma irregular, sem orientação definida. O tecido lamelar, também chamado de maturo ou secundário, é o que substitui o tecido não lamelar, e suas fibras colágenas se organizam em lamelas, em disposição ordenada. Lamelas organizadas concentricamente formam os Sistemas de Havers ou ósteons, sendo um cilindro longo, às vezes bifurcado, paralelo á diáfise formado por 4 a 20 lamelas ósseas concêntricas. Dentro desse cilindro, na região central, existe o Canal de Havers, que contém vasos e nervos. O cimento separa os conjuntos de lamelas. Os canais de Havers se comunicam entre si, com a cavidade medular e com a superfície externa do osso por meio de túneis transversais ou oblíquos á diáfise, chamados de Canais de Volkmann, que não são envolvidos por lamelas concêntricas. O tecido ósseo pode ser formado por dois processos: 1) Ossificação intramembranosa: ocorre dentro de membranas do tecido mesenquimal durante vida uterina e de membranas de TC na vida pós-natal. Forma osso frontal e parietal e partes do occipital, do temporal e dos maxilares superior e inferior. Ajuda no crescimento de ossos curtos e espessura dos ossos longos. Inicia numa região chamada centro de ossificação primária, com a diferenciação de células mesenquimatosas que se transformam em osteoblastos que sintetizam osteoide (matriz ainda não mineralizada) que logo se mineraliza. Os vários centros de ossificação crescem e substitui a membrana conjuntiva preexistente. @apostilas_medvet 24 2) Ossificação endocondral: Inicia a partir de uma peça de cartilagem hialina, que tem formato semelhante ao osso que vai se formar, porém possui tamanho menor. É o tipo de ossificação que será responsável pela formação dos ossos curtos e longos. As células hialínicas sofrem modificações (condrócitos aumentam de volume), matriz cartilaginosa reduz e sofre calcificação, cavidades ocupadas por condrócitos são invadidas por capilares sanguíneos e células osteogênicas. Essas células se diferenciam em osteoblastos, que depositarão matriz óssea sobre as cartilagens calcificadas. Osteócitos derivados dos osteoblastos são envolvidos por matriz óssea, aparecendo dessa forma, tecido ósseo onde antes havia tecido cartilaginoso. FORMAÇÃO DE OSSOS LONGOS Ossificação intramembranosa no pericôndrio que recobre a parte média da diáfise (centro de ossificação primário) → formação de colar ósseo → células cartilaginosas que são envolvidas por esse colar hipertrofiam e morrem por apoptose → matriz da cartilagem se mineraliza → vasos sanguíneos que partem do periósteo do colar ósseo vão em direção à cartilagem calcificada levando células osteoprogenitoras → proliferação e diferenciação em osteoblastos → camadas continuas → início da síntese de matriz óssea, que se mineraliza → surge tecido ósseo primário Desde o início do centro de ossificação primário, osteoclastos absorvem tecido ósseo formado na cartilagem e formam o canal medular, que cresce longitudinalmente. Surgem centros secundários de ossificação, um em cada epífise, porém um de cada vez e com crescimento radial em vez de longitudinal. Na porção central se instala a medula óssea, onde ossos foram formados nos centros secundários das epífises. A cartilagem hialina, restrita a apenas dois locais, forma a cartilagem articular, que persistirá por toda a vida, e o disco epifisário. O osso aumenta de largura ou diâmetro quando ocorre crescimento aposicional de novo osso entre as lamelas corticais e periósteo. Em seguida, a cavidade medular aumenta por reabsorção do osso sobre a superfície endosteal do córtex do osso. À medida que o osso se alonga, é necessário haver remodelação que consiste na reabsorção preferencial de osso em algumas áreas e na deposição de osso em outras áreas