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Carolina Pretti – TXIV A Semiologia e Propedêutica 2 CABEÇA E PESCOÇO ........................................................................................................................................................ 51 OFTALMOLOGIA ............................................................................................................................................................. 51 OTORRINOLARINGOLOGIA ............................................................................................................................................. 52 ORELHA ................................................................................................................................................................................ 52 NARIZ .................................................................................................................................................................................. 52 SEIOS DA FACE ....................................................................................................................................................................... 53 TÓRAX ............................................................................................................................................................................ 53 ABDÔMEN ...................................................................................................................................................................... 54 CORAÇÃO ....................................................................................................................................................................... 55 PEDIATRIA ...................................................................................................................................................................... 56 PADRÕES E MEDIDAS ............................................................................................................................................................... 56 PSIQUIATRIA ................................................................................................................................................................... 56 MEMBROS E COLUNA ..................................................................................................................................................... 57 PROCTOLOGIA ................................................................................................................................................................ 59 UROLOGIA ...................................................................................................................................................................... 59 GINECOLOGIA ................................................................................................................................................................. 60 DERMATOLOGIA ............................................................................................................................................................. 61 Carolina Pretti – TXIV A 51 Cabeça e pescoço Local que congrega diversas estruturas com funções respiratórias, fonatórias, di- gestórias, auditivas, visuais e endócrinas o Couro cabeludo: É necessário examinar o tipo de implantação (mulheres costumam ter implantação mais baixa e os homens, entradas laterais), distribuição (alopécia e calvície) quantidade (reparta o cabelo em vários locais para procurar lesões, descamações e nódulos), colo- ração, consistência, brilho e espessura. o Cavidade oral Conjunto de estruturas banhadas pela saliva e repleta de microrganismos comensais com poder de defensa com função de mastigação e início da digestão dos alimentos, além da fonação. É necessário examinar lábios, mucosa bucal (bochechas), sulco vestibular, gengiva, língua, dentes, glândulas salivares, saliva (15 ml/hora) e articulação temporomandibular Na anamnese, verificar se há: Dor: cárie, localização, relação com temperatura dos alimentos Abscessos: dor pulsátil e de forte intensidade, contínua, verificar sinais de SIRS: FC, Tax, FR e linfonodos aumentados Halitose: higiene bucal deficiente (resíduos alimentares, impactação alimentar, placa bacteriana, tártaro, higiene deficiente), doenças gengivais e periodontais, tabagismo, bebidas fortemente aromatizadas, respiratórias (rinite, amigdalite, câncer), digestivas (gastrite, colite, DRGE), metabólicas (DM, uremia) e psicogêni- cas (ansiedade) No exame físico, é necessário remover próteses e analisar: Avaliação geral: Higiene bucal, estado dos dentes, aparelhos protéticos, lesões de partes moles, falta de dentes, tártaros e halitose Lábios: alteração da cor, forma, fissura, lesões, palpação (textura, consistência e flexibilidade) Língua: movimentação, superfícies (lateral, dorso, base, ventral), lesões, tamanho, tipo Avaliação: língua, mucosa bucal, mucosa do sulco vestibular, soalho da boca, pala- tos duro e mole, dentes e glândulas salivares Cânceres estão, na maioria, na face lateral da língua. A articulação temporomandibular promove a abertura e fechamento da boca, o que varia de 35-55 mm entre as arcadas É necessário realizar a palpação pré-tragus (rotação, translação, ruídos, uniformi- dade, dor) e pós-tragus (dedo mínimo no meato acústico). Na ausculta, procurar crepi- tações. o Faringe É necessário examinar o palato, úvula, pilar anterior e posterior, amigdala, parede posterior da faringe Na anamnese, interrogar sobre dor de garganta, dor a deglutição, dispnéia (apnéia do sono → hiperplasia das adenóides), disfagia, tosse, halitose, rouquidão (ficar alerta se ultrapassar 2 semanas), realizar busca com espátula no terço anterior ou médio da língua, nunca posterior devido ao reflexo nauseoso de modo que promova pressão suave e constante para baixo, amígdalas e palatos o Pescoço É necessário examinar a forma, posição (contraturas), deformidades, ausculta caro- tídea, gânglios, tireóide, paratireóide, parótida, secreções e fístula No exame físico, analisar os gânglios informando a localização, tamanho ou volume, consistência, mobilidade, sensibilidade, alterações da pele circunjacente e outros locais o Tireóide: Normalmente não palpável, é responsável pela produção de hormônios tireoidianos. É formada por 2 lobos ligados pelo istmo e anterior a traquéia, os quais medem de 3-5cm, Analisar também os músculos esternocleidomastóideo, esterno-hioideo e esterno-tireói- deo Na anamnese, identificar sexo, idade, naturalidade, profissão, procedência, uso de medicamentos, se há dor (tireoidite aguda ou subaguda), se piora com deglutição ou palpação, se irradia-se para mandíbula, febre, mal-estar, dispnéia após compressão da traquéia, disfonia, disfagia após compressão do esôfago Inspeção: Normalmente não é visualizada, entender a cabeça para trás e solicitar deglutição, ficar atento se é unilateral ou bilateral e se há desvio da traquéia Palpação: em abordagem posterior, com o paciente sentado e examinador atrás. Po- sicionar os polegares fixos na nuca e dedos indicadores e médios quase de tocam ante- riormente. Com a mão direita palpar lobo esquerdo e mão direita afastar o esternoclei- domastóideo e vice-versa. Solicitar deglutição durante a palpação. Procurar contornos e limites, forma, volume, distensões, consistência, temperatura, sopros, frêmitos e nódu- los. Normalmente possui movimentação de 1,5 a 35 cm. Pode haver a presença de Nódulos Únicos ou múltiplos, mensurar o tamanho e diâmetro com fita métrica, mobili- dade, superfície, consistência, sensibilidade, movimentação com deglutição e movimen- tação da língua. Ausculta: Realizar em casos de tireotoxicose, procurar frêmitos e sopros Sinal de Pemberton: Obstrução da traquéia ou veia cava superior pelo bócio multino- dular, solicitar elevação do braço acima da cabeça, causando dispnéia, distensão das veias do pescoço, pletorafacial ou estridor Tupor de hipofarínge: ausente se na palpação da cartilagem laríngea estrala o Parótida: A abertura do ducto parotídeo (ducto de Stenon) é visível na cavidade oral, na forma de uma papila, próxima ao colo do segundo dente molar superior Oftalmologia A anamnese e o exame oftalmológicos realizados por profissionais capacitados, ainda que não especialistas, permitem diagnosticar e tratar determinadas condições oculares, referenciando ao oftalmologista quando necessário Na anamnese, questionar se os sintomas possuem início agudo ou insidioso, duração, forma de apresentação (aguda ou crônica), monocular ou biocular, trauma, alergias, ma- nifestações extraoculares e doenças sistêmicas Principais sinais e sintomas são olho vermelho, dor ocular, orbitária ou retrobulbar, secreção (analisar características e quantidade), redução da acuidade visual, estrabismo, diplopia, erros de refração (miopia, hipermetropia, presbiopia, astigmatismo), sensação de corpo estranho, sensação de olho seco, lacrimejamento, fotofobia, visão amarelada, área de cegueira parcial ou completa, movimentos repetitivos rítmicos, perda da visão (erros de refração, catarata, doenças sistêmicas. Comum em 10% dos adultos maiores de 60 anos → redução acuidade visual → Queda. 50% responde a tratamento) Sinais de alerta sugestivos de gravidade em olhos vermelhos: Dor acentuada, opaci- dade corneana, fotofobia, pupila pouco reagente, redução da acuidade visual que não melhora com o piscar, presença de pus na câmara anterior, náuseas e vômitos associ- ados (glaucoma agudo) e sensação intensa de corpo estranho Nos antecedentes pessoais, questionar uso de óculos, uso de lentes de contato, ci- rurgias oftalmológicas prévias, instilação de colírios, comorbidades (HAS, DM, artrite, HIV, DII), tabagismo e medicamentos em uso Nos antecedentes familiares, questionar estrabismo, glaucoma, descolamento de re- tina e cegueira No exame físico, realizar: o Inspeção: canto lateral, pálpebras, íris, cílios, limbo, pupila, abertura, canto medial, movimentação ocular. Medir a distância interpupilar (DIP), fixando objeto a 40 cm de distância, a medida normal é de aproximadamente 63,7 mm. A fenda palpebral é o espaço entre a pálpebra superior e inferior, sendo o canto externo mais alto que o interno e mede de 25 a 30 mm. Ao analisar os cílios, verificar posição, coloração e quantidade, como também hordéolo (nodulação na pálpebra de consis- tência elástica e sinais inflamatórios) o Sindrome de Horner: ptose palpebral, miose, anidrose e exoftalmia o Exame das pupilas: analisar Tamanho, forma e posição o Exame do reflexo vermelho: Obrigatório nas crianças recém-nascidas no berçário. Reflexo positivo → normal o Exame do reflexo pupilar a luz: na presença de pouca luz a pupila dilata e em muita luz a pupila diminui o Exame do reflexo fotomotor direto com foco de luz pupila diminui o Exame do reflexo fotomotor consensual (indireto) foco de luz em um olho, o outro diminui também As pupilas possuem diâmetro normal de 2 a 5 mm. há miose quando ficam menores que 3 mm e midríase maiores de 7 mm o Estrabismo: Condição em que os dois olhos não focam simultaneamente o mesmo objeto. Analisado pelo Método de Hirschberg o Obstrução do sistema lacrimal: Teste Milder: colírio de fluoreceína → cor amarela nos olhos > 5 min Teste Jones: colírio de fluoreceína → colocar cotonete no nariz e não apresen- tar cor amarela o Exame das pálpebras: Verificar cor, textura, captação, cílios e bordas o Palpação: Lesões nodulares, crepitação, aparelho lacrimal e tumoração o Ausculta: detecta fístula carotídeo cavernosa em casos de trauma Carolina Pretti – TXIV A 52 o Acuidade visual: Carta ou quadro de Snellen. Testada em cada um dos olhos separa- damente. Distância de 20 pés (6 metros). Mostra grau de percepção dos detalhes e contornos dos objetos e visão discriminativa. Otorrinolaringologia Orelha A orelha externa é dividida em pavilhão auricular (cartilagem recoberta por pele) e meato acústico, o qual possui cerca de 22 mm. Neste, a parte mais externa é circundada por cartilagem e a pele desta região apresenta pelos e glândulas produtores de cerume. Já a parte mais interna é circundada por osso, a pele é fina e glabra A orelha média é uma cavidade preenchida por ar que contém três ossículos (martelo, bigorna e estribo), é responsável pela transformação das vibrações sonoras em ondas mecânicas que avançam para a orelha interna. É conectada a nasofaringe através da tuba auditiva e é separada da orelha externa através da membrana timpânica A orelha interna é composta pela cóclea, canais semicirculares (labirinto) e extremi- dade distal do nervo vestibulococlear (NC VIII) A orelha é responsável pela audição, nas fases condutiva (orelha externa e média) e senorioneural (orelha interna). Como também do equilíbrio. O labirinto (3 canais semicir- culares) detecta a posição e os movimentos da cabeça. Na anamnese é necessário buscar sinais como: o Disacusia: Déficit auditivo leve/moderado → hipoacusia Déficit acentuado → surdez Déficit auditivo total → anacusia ou cofose Características: Uni ou bilateral? Brusca ou gradual? Sintomas associados? (zum- bido ou chiado) Diferenciar entre perda condutiva ou perda sensorioneural: Sente dificuldade em compreender as pessoas que estão falando? Ambientes barulhentos pioram? Sintomas associados como otalgia e vertigem? Uso de medicações (furose- mida/ASS/ aminoglicosídeas/ AINH)? Exposição persistente a ruídos intensos? Consequências: Problemas perceptuais, os atrasos no desenvolvimento da lingua- gem, os problemas cognitivos, sociais, profissionais e emocionais. A criança surda é desatenta, apresenta rendimento escolar pobre, é irritada, não consegue se comunicar, é isolada das atividades em sala de aula e é rejeitada pelos colegas. O idoso surdo não participa das discussões familiares, ouve a televisão em volume elevado, é rejeitado e torna-se isolado do mundo que o cerca o Desequilíbrio: pode ser causado por vertigem, que são alucinações de movimento do corpo em relação ao espaço → problema labiríntico, geralmente denominado pelo paciente como “labirintite” ou “tontura”. Tontura muitas vezes significa redução do estado de vigília, perda súbita dos sentidos ou perda de consciência por algum tempo. Podem possuir origem periférica (labirinto e nervo vestibulococlear – VIII nervo), com presença de tinido e disacusia ou origem central (núcleos vestibulares no assoalho do 4º ventrículo), com presença de diplopia, disartria e perda de cons- ciência o Otalgia (dor de ouvido): Pode estar associada a febre, odinofagia, tosse, infecção concomitante de VAS e secreção pela orelha o Otorréia (secreção através do meato acústico externo): pode significar infecções, tumores ou otoliquorréia (secreção de líquor nas fraturas de base de crânio) o Otorragia (sangramento através do meato acústico externo) o Tinido (som que não está associado ao estímulo gerador externo): som musical, de campainha, rugido ou bramido. Sintoma comum que costuma aumentar com a idade, pode acompanhar a perda auditiva. Questionar se é unilateral ou bilateral? A Doença de Ménière é composta por diversos sintomas como tinido, vertigem e perda auditiva Durante o exame físico, o ambiente precisa estar silencioso e bem iluminado, e auxili- ado por um otoscópio. Durante a inspeção e palpação do pavilhão auricular é necessário buscar por lesões de pele e tumorações. Caso o paciente queixe de otalgia, é necessário realizar manobras do pavilhão auricular. Desloque o pavilhão auricular para cima e para baixo (se houver piora da dor – otite externa). Pressione o tragus (se houver piora da dor – otite externa). Pressione a região mastoidea (se houver piora da dor – otite média). Usar o maior espéculo auricular que o meato acústico acomodar. Segure firma o pavilhão auricular tracionando-o para cima e para trás, afastando-o discretamenteda cabeça. Introduzir o espéculo direcionando-o um pouco para baixo e para frente o Meato acústico: é normal a presença de pelos e cerume. Apresenta-se alterado caso haja vermelhidão e edema da pele, corpo estranho, secreção o Tímpano: é normal a presença de membrana transparente, cinza perlácea; identi- ficação do cabo e umbigo do martelo; visualização do cone de luz; dividido em qua- drantes. Apresenta-se alterado caso haja vermelhidão e esteja perfurado A avaliação da acuidade auditiva é testada através do teste da orelhinha em recém- nascidos e testes subjetivos: o Teste da voz sussurrada: prova de rastreamento apenas. o Teste com a fricção do indicador e polegar o Testes com diapasão (256Hz): Condução óssea (CO) x Condução aérea (CA) o Teste Rinne: O normal é que a condução óssea seja maior que a aérea. Há perda condutiva quando a condução óssea é igual ou maior a condução aérea. Há perda senorioneural quando a condução óssea é ruim e a condução aérea é maior o Teste Weber: teste da lateralização e utilizado só para quem tem perda auditiva unilateral. O normal é escutar o som dos dois lados. Há perda condutiva quando o som é percebido na orelha alterada. Há perda senorioneural quando o som é per- cebido na orelha sem alterações Avaliação do equilíbrio: o Teste de Romberg: Paciente em pé e sem sapatos, braços em posição de sentido, olhando para frente e encostando um pé ao outro. Teste alterado se houver muita oscilação do corpo o Teste de Fournier: Paciente cruza os braços e levanta a perna projetando o joelho para 5cima, não muito elevado e fecha os olhos. Deve ficar equilibrado por 30 segundos. Repetir com a outra perna Nariz É responsável pela olfação, condução e condicionamento do ar (aquecimento/filtra- ção), recepção de secreções dos seios paranasais e lágrimas e harmonia para a face. Sintomas geralmente associados a espirros, prurido nasal (às vezes ocular), lacrime- jamento e desconforto na garganta. Identificar a associação com resfriados na comu- nidade ou mudanças bruscas na temperatura do ambiente. Questionar se ocorrem de forma sazonal, se é desencadeado por agentes externos. As fossas nasais constituem o segmento inicial da árvore respiratória que se comu- nicam com o exterior através das narinas e são revestidas pela membrana de Schneider Na anamnese, analisar a presença de dor, espirro (crise esternutatória), obstrução nasal, ronco, corrimento nasal, dispnéia, alterações da fonação o Epistaxe: Hemorragia nasal, classificada em anterior (área de Kiesselbach, em 90%) e posterior (nasofaringe). Causas locais (traumas, cirurgias, corpos estranhos, ri- nite, miíase, pólipos, neoplasias) e sistêmicas (febre, distúrbios de coagulação, abai- xamento da pressão atmosférica, crise hipertensiva) o Rinorreia: frequentemente associa-se a congestão nasal, espirros, desconforto na garganta, lacrimejamento e prurido nasal. Se atentar a época do ano, e aos fatores causais, como o pólen e pelos. o Congestão nasal: associada a diferentes graus de obstrução o Dor na face e secreção nasal purulenta por mais de 7 dias pode acusar sinusite (especificidade e sensibilidade de 50%) o Congestão nasal unilateral: desvio de septo, corpo estranho, pólipo nasal, carcinoma o Alterações do olfato: Avaliação unilateral, utilizar Café, canela, cravo ou migalhas de fumo. Pode ocorrer hiposmia (redução do olfato), anosmia (abolição), hiperosmia Carolina Pretti – TXIV A 53 (aumento), cacosmia (sensação de maus odores) e parosmia (interpretação errônea de uma sensação olfatória) o Rinoscopia: Inclinar a cabeça do paciente para trás iluminando-a. Na palpação ante- rior, afastar asa do nariz com espéculo e analisar cornetos, septo, assoalho da fossa, fenda olfativa. Na palpação posterior, realizar o exame através da cavidade bucal e examinar a cauda do corneto inferior e cavum. Identificar os cornetos inferiores e médio, septo nasal, fenda olfativa e assoalho da fossa nasal o Inspeção e palpação: Tipos de nariz, formas de narina, traumas, secreções e cor- rimentos, pregas ou linhas de Dennie-Morgan, dobras no nariz e fácies (sífilis, leish- maniose, hanseníase: leonina, hipotireoidismo e adenoidiana). Deve-se caracterizar: coloração, pilificação, edema, desvio de septo, corpo estranho e tumores Seios da face Cavidades preenchidas por ar localizadas no ossos do crânio/face Na anamnese é necessário questionar sobre a presença de rinorréia, anosmia/ ca- cosmia, dor em arcada dentária superior, se a dor na face que piora quando abaixa a cabeça, se há sensação de pressão na orelha, febre ou tosse característica noturna No exame físico, palpar os seios frontais, comprimindo a parte óssea das sobrance- lhas de baixo para cima e os seios maxilares, comprimindo os seios maxilares de baixo para cima Tórax É composto pela caixa torácica, mamas, traquéia, pulmões, coração e mediastino. Nessa região há a presença de pele, tecido celular subcutâneo, linfonodos, tecido adi- poso, ossos e cartilagens. Há diversos pontos de referência anatômicas do tórax, como ângulo de Louis, ângulo de Charpy (referência ao biotipo), vértebra T4 (mesmo nível do ângulo de Louis), claví- culas, vértebra C7 (quando o pescoço está flexionado, se torna proeminente) e costelas (numeração feita de cima para baixo). O tórax é composto por algumas linhas. Na face anterior, são elas: linha esternal, linhas para-esternais direita e esquerda e linha M clavicular direita e esquerda 1 - Supraclavicular 2 - Clavicular 3 - Infraclavicular 4 - Mamaria 5 - Inframamária 6 - Supraesternal 7 - Esternal superior 8 - Esternal inferior 1 - Supraescapular 2 - Supraespinhosa 3 - Infraespinhosa 4 - Interescapulovertebral 5 - Infraescapular 1 - Axilar 2 - Infra-axilar Durante a inspeção estática, devemos descrever a forma do tórax, abaulamentos ou depressões. Há diversos tipos de tórax, como o normal (diâmetro lateral > diâmetro anteroposterior), tórax em funil (Pectus Excavatum), tórax em barril e tórax em peito de pombo (Pectus Carinatum). Pessoas com raquitismo, possuem rosário raquítico (cos- telas aparentes) e sulco de Harrison (depressões abaixo do externo) Durante a inspeção dinâmica, devemos descrever: o Tipo respiratório: é necessário observar o movimento do tórax e do abdômen. O paciente pode estar em posição costal ou torácica sentado ou em pé ou em decúbito dorsal (diafragmática). Devemos notar sinais de fadiga e paralisia do diafragma o Ritmo da respiração: é necessário observar por no mínimo 2 minutos. É considerado normal, quando os movimentos respiratórios são regulares. Dispneia: desconforto e dificuldade para respirar Ortopnéia: dificuldade para respirar quando se deita Platipnéia: dificuldade para respirar em posição ereta Trepopnéia: desconfortável em decúbito lateral Respiração de cheyne-stokes: dispneia periódica Respiração de biot: “arritmia respiratória” Respiração de kussmaul: inspiração/expiração amplas intercaladas com apnéia Respiração suspirosa: suspiros; ansiedade o Frequência respiratória: IDADE FREQUÊNCIA RESPIRATÓRIA RECEM-NASCIDOS 40 A 45 IRPM LACTENTES 25 A 35 IRPM PRÉ-ESCOLARES 20 A 35 IRPM ESCOLARES 18 A 35 IRPM ADULTOS 16 A 20 IRPM o Amplitude: a respiração pode ser considerada profunda (aumento da amplitude) ou superficial (diminuição da amplitude) o Presença de tiragem: depressão dos espaços intercostais à respiração o Expansibilidade dos pulmões: inspeção/palpação o Inspeção do pescoço: uso de musculatura acessória → sinal precoce de obstrução das vias aéreas Durante a palpação, devemos descrever: o Estrutura da parede torácica: devemos identifica se há dor, edema, enfisema sub- cutâneo e analisar os gânglios axilares e supraclviculares o Expansibilidade ou mobilidade: Solicitar que o paciente respire fundo Paciente sentado: avaliação posterior Paciente em decúbito dorsal ou sentado: avaliação anterior o Frêmito toracovocal: são as vibraçõespalpáveis da árvore broncopulmonar. É ne- cessário usar a parte óssea da palma da mão ou a superfície ulnar. Peça para o paciente falar 33 e compare regiões simétricas dos pulmões A percussão deve ser iniciada pela face posterior, de cima para baixo. Percute-se separadamente cada hemitórax. Posteriormente deve-se percutir comparativamente e simetricamente. Há diversas tonalidades de sons obtidos, como o som claro pulmonar, som claro timpânico no espaço de Traube, som submaciço na região inferior do esterno e som maciço na região inframamária direita (macicez hepática) e na região precordial (redução da relação ar/sólido nos pulmões). Pode haver interferências no som em casos de obesidade, massas musculares ou edema, fazendo com que o som se torne maciço ou submaciço. Devemos prestar atenção em possíveis sinais de: o Derrame pleural: tendem a se localizar nas regiões mais baixas do tórax, é reco- nhecido pela macicez a percussão. Quando além de líquido houver ar, tem-se um hidropneumotórax. Acima da área de macicez encontra-se timpanismo o Enfisema: causa hipersonoridade até timpanismo o Neoplasia de ar nos alvéolos: causa macicez a percussão Durante a ausculta devemos estabelecer um lugar silencioso, com o paciente em po- sição cômoda, com seu tórax desnudo. Se faz com ajuda do estetoscópio, respira-se pausadamente e profundamente. Se inicia com ausculta na face posterior do tórax, em seguida lateral e anterior. A ausculta deve ser simétrica. Sons pulmonares normais: o Som traqueal: auscultado na área de projeção da traquéia. Origina-se da passagem do ar através da fenda glótica e na traquéia o Respiração brônquica: corresponde ao som traqueal audível na projeção de brôn- quios de maior calibre o Murmúrio vesicular: são ouvidos na maior parte do tórax. As principais modificações são a diminuição (em casos de pneumotórax, hidrotórax e enfisema) ou aumento (vicariância do pulmão) da sua intensidade o Respiração broncovesicular: auscultada na região esternal superior. Em outras re- giões pode significar condensação pulmonar, atelectasia, presença de caverna. É necessário que haja, na área lesada, alvéolos mais ou menos normais Sons pulmonares anormais: o Ruídos curtos (descontínuos): Estertores finos ou crepitantes: ocorrem no final da inspiração. São agudos e de duração curta. Não se modifica com a tosse. Compara-se com o atrito de cabelo, ou “o abrir” do velcro Estertores grossos ou bolhosos: tem duração maior, sofrem alteração com a tosse, e ocorrem na inspiração e durante toda a expiração o Ruídos longos (contínuos): Roncos: sons graves, aparecem na inspiração e expiração e desaparecem em curto espaço de tempo Sibilos: aparecem na inspiração e expiração. São múltiplos e disseminados por todo o tórax. Quando aparece em uma determinada região do tórax indicam a pre- sença de uma semi-obstrução por neoplasia ou corpo estranho Estridor: é causado pela semi-obstrução da laringe ou da traquéia. Aumenta com a respiração forçada Carolina Pretti – TXIV A 54 Sopro: ocorre na perda da textura normal do pulmão, como nas cavernas, pneu- monias bacterianas. Chamado de sopro tubário, cavitários e anfóricos o De origem pleural: Atrito pleural: ocorre nos casos de pleurite, onde não ocorre derrame pleural. Há um ruído irregular, mais intenso na inspiração comparado com ranger do couro atritado A ausculta da voz deve ser analisada o Ressonância vocal: pode ser normal, diminuída (espessamento pleural, derrames pleurais) ou aumentada (condensação, neoplasia) o Broncofonia: ausculta da voz sem nitidez(normal) o Ausculta da voz nitidamente pronunciada Pterilóquia fônica: aumento nas condensações, neoplasias Ausculta da voz cochichada: Pterilóquia afônica Egofonia: Broncofonia nasalada (parte superior do derrame pleural) Abdômen Grande cavidade que forma a metade inferior do tronco e onde se aloja a maior parte dos órgãos digestivos e geniturinários. 70% dos diagnósticos gastroenterológicos são feitos com a história clínica e 90% associando-se o exame físico. As linhas horizontais são divididas em superior (tangencia a base do apêndice xifoide), média (une as extremidades das décimas costelas, aproximadamente, no ponto em que as linhas hemiclaviculares, direita e esquerda, cruzam-se com as rebordas costais) e inferior (une as espinhas ilíacas, anterossuperiores). As linhas verticais/oblíquas vão da extremidade da décima costela até a extremidade do ramo horizontal do púbis, respectivamente à direita e à esquerda. Durante o exame, é necessário que haja um ambiente apropriado com boa iluminação, tranquilidade e relaxamento do paciente, solicitar o esvaziamento da bexiga antes do exame. Paciente em decúbito dorsal com exposição total do abdome (acima do apêndice xifóide até a sínfise púbica), membros superiores estendidos ao lado do corpo, cobrir a genitália. Perguntar sobre pontos dolorosos ou hipersensíveis antes do exame para exa- miná-los com cuidado por último. As mãos do examinador sempre aquecidas, evitar mo- vimentos bruscos. Se necessitar maior relaxamento da parede abdominal colocar um travesseiro sob os joelhos, ou solicitar ao paciente que flexione os joelhos; distraia o paciente com conversas ou perguntas. Durante a inspeção, devemos descrever o tipo de abdome, herniações, cicatrizes, circulação colateral, edema, massas, sinais semiológicos, lesões cutâneas, pulsações e movimentos peristálticos. o Simetria, forma e volume do abdome: tem-se diversos tipos de abdomens, como o plano (normal), globoso (predomínio do diâmetro anteroposterior sobre o transver- sal), ventre de batráquio (predomínio do diâmetro transversal sobre o anteropos- terior), em avental (grande obesidade), escavado (parede abdominal retraída) e pen- dular (protrusão da porção inferior da parede abdominal) o Sinais: Grey-Turney: pancreatite hemorrágica → equimose em flancos Cullen: Prenhez ectópica rota → equimose pri-umbilical Nódulo de Sister Mary Joseph: carcinomatose peritoneal → nódulo umbilical o Peristaltismo: considerado normal quando o abdômen é abdome escavado e patoló- gico quando há obstrução gástrica, intestino delgado ou cólon. É necessário definir o local, sentido e frequência Sinal de Kussmaul: engorgitamento permanente das veias jugulares que aumenta com a inspiração o Massas: descrever tamanho, localização, contornos, pulsátil, flogose, pele adjacente e se a bexiga está vazia Na ausculta, é necessário um ambiente tranquilo e auscultar por pelo menos 2 minutos. Devemos observar a presença de motilidade intestinal (5-34/minuto), sopros, vascolejo, borborigmos e ruído hidroaéreo (RHA). Este último pode ser normoativo, ausente, débil, aumentado ou metálico. A percussão é usada para procurar por distensão gasosa do intestino, ar intra-ab- dominal livre, grau de ascite e/ou presença de inflamação peritoneal. É necessário que haja objetividade, que o ouvido do examinador esteja a menos de 1 metro e se necessário realizar até 3 repetições. O som pode ser sequenciais, timpânico, hipertimpânico, sub- maciço ou maciço. Na Hepatimetria, é necessário percutir no tórax anterior sobre a linha hemiclavicular direita, iniciando no 4º espaço intercostal, observando a mudança do som claro pulmonar para macicez correspondente à borda superior do fígado, em geral no 5º espaço in- tercostal. A borda inferior do fígado é melhor avaliada pela palpação. Se a percussão for dolorosa pode ser o sinal de Torres-Homem (abscesso hepático). O espaço de Traube é um espaço localizado em hemitórax esquerdo, entre as linhas hemiclaviculares e axilar média, entre 6º e 10º espaços intercostais. Possui como limites medial o lobo esquerdo do fígado, como superior o diafragma, como lateral a linha axilar anterior esquerda e inferior o rebordo costal esquerdo. É considerado normal quando o Traube está livre. Quando se apresenta ocupado pose ser esplenomegalia, o lobo es- querdo do fígado,aumento da cardiomegalias, derrame pleural esquerdo ou obesidade O sinal de Giordano, é uma percussão dolorosa da região lombar com a borda ulnar da mão direita ou esquerda. O sinal de Jobert é a presença de timpanismo na região da linha hemiclavicular direita onde normalmente se encontra macicez hepática, caracteriza pneumoperitônio A ascite pode ser detectada por algumas técnicas, são elas: o Sinal de Piparote: a face palmar de uma das mãos é posicionada em um dos flancos; a seguir, a ponta do dedo médio, dobrado, apoiado e em estado de tensão contra a face palmar do polegar é disparada contra o outro flanco. Detectada com 1-3L o Semicírculos de Skoda: com o paciente em decúbito dorsal ou em pé, o líquido ascí- tico coleta-se nas partes mais declives, ou seja, flancos e andar inferior do abdô- men. Sendo assim, a percussão, feita desde o andar superior, delimitará uma linha semicircular na transição entre o timpanismo e a macicez ou submacicez das áreas correspondentes às porções mais declives. Detectada com 1-3L o Macicez móvel: como o líquido livre, na cavidade peritoneal, se acumula nas porções mais declives, quando o paciente se coloca em um dos decúbitos laterais, para aquele lado a massa líquida se dirigirá. Detectada com 300-1000ml o Medir a circunferência abdominal o Toque retal: Método mais precoce para detecção de ascite. Detectada com 300ml. A palpação é dividida em superficial, em que se analisa a sensibilidade, espessura da parede, tumorações, solução de continuidade e tensão, em profunda, onde se analisa a palpação das vísceras intracavitárias e descompensassão brusca. Para sua execução, é necessário que o paciente esteja em decúbito dorsal horizontal, com os membros su- periores e inferiores estendidos, com um pequeno travesseiro para suportar a cabeça e os ombros, mantendo os joelhos levemente fletidos e relaxando a musculatura da parede abdominal. O médico precisa estar com as mãos aquecidas. Deve-se evitar per- nas cruzadas, pescoço excessivamente fletido, braços elevados com as mãos sob a nuca, tronco fletido e ausência de suporte para a cabeça e ombros. A palpação é iniciada na fossa ilíaca direita (FID) realizada com ambas as mãos espal- madas, direita sobre a esquerda, Deslocando-as de medial para lateral por todo o ab- dome. Realizar a palpação profunda na expiração. Uma das técnicas de palpação é a Manobra de Galambos, compressão de um ponto do abdome e palpação de outro local Durante a palpação, devemos nos atentar a alguns pontos, como o ponto cístico (ângulo entre borda lateral do reto abdominal com RCD), ponto apendicular (união do terço médio com o distal em linha que une umbigo com crista ilíaca anterossuperior), pontos ureterais (borda lateral reto abdominal e umbigo, e borda lateral reto abdominal e crista ilíaca anterossuperior) e ponto gástrico (entre umbigo e apêndice xifóide) o Esôfago: realizado com exame físico pouco elucidativo, pode detectar divertículo faríngeo e sinais relacionados com a anemia, desnutrição, alterações cutâneas e hipertrofia das glândulas salivares. o Estômago e duodeno: pode detectar massas no epigástrio, palpação superficial e profunda de massas, um peristaltismo visível pode indicar obstrução, sinais de cân- cer gástrico avançado como gânglio de Troisier (região supraclavicular esquerda), gânglio de Irish (região infra-axilar), nódulo de sister Mary Joseph e plateleira de Plummer o Intestino delgado: pode detectar peristaltismo, distensão abdominal, RHA, hipertim- panismo, massas, distensões intestinais e espessamentos de alças localizados (do- ença de Crohn ou tuberculose) o Intestino grosso: pode detectar peristaltismo, distensão abdominal, RHA, Hipertim- panismo, na FID pode indicar gargarejo, no colo sigmóide pode detectar o sinal de Gersuny (Fecaloma). Carolina Pretti – TXIV A 55 o Fígado: na inspeção pode ser detectado massas e irregularidades. Na percussão, o limite superior é a linha hemiclavicular e o limite inferior é a linha hemiclavicular e médio esternal no sentido caudo-cranial. Na palpação pode ser identificado: Se a borda é fina ou romba. Com a mão direita no local onde a percussão identi- ficou o limite inferior através das técnicas de Lemos-Torres e Mathiew. Na ausência de hepatomegalia nenhuma resistência é oferecida ao gradil costal Se a regularidade da superfície é regular ou irregular. Deslizar as palmas dos dedos pela superfície hepática e sentir em todos os locais, verificando nódulos e irregularidades Se a sensibilidade é dolorosa ou indolor. Pressionar com a polpa dos dedos em movimento firme e de curta duração a superfície do fígado Se a consistência é elástica (normal), firme (aumentada) ou diminuída. Pressionar com a polpa dos dedos em movimento firme e de curta duração a superfície do fígado Refluxo hepatojugular: enchimento e turgência da veia jugular externa direita ao se realizar uma compressão firme e contínua da superfície hepática o Baço: é utilizada a posição de Schuster, onde o paciente fica em decúbito lateral direito, perna direita estendida, perna esquerda fletida sobre o abdome (90º), braço esquerdo sobre a cabeça, onde a distância entre o rebordo costal da extremidade inferior do baço na linha hemiclavicular esquerda. Para palpação é necessário ta- manho 2x maior que o normal de 13x8x3,5cm (180-200g) Grau I: baço palpável apenas sob o rebordo costal esquerdo Grau II: entre RCE e umbigo Grau III: abaixo umbigo o Região inguinal o Apêndice: pode ser avaliado por algumas técnicas como Blumberg (ponto da junção do terço médio com o externo na linha que une o umbigo com crista ilíaca anteros- superior), Rovising, punho percussão calcânea, manobra do obturador, sinal do psoas, sinal de Lapinsky (flexão da perna ao pressionar FID) e sinal de Lenander (temperatura retal é maior que a axilar) Quando houver o encontro de massas, descrever a localização, sensibilidade, consis- tência, dimensão, forma, superfície, mobilidade e pulsatilidade. Coração Ao deparar-se com um abaulamento, o observador deve estar posicionado tangencial ou frontalmente. Um abaulamento pode representar aneurismas de aorta, cardiomega- lias, derrames pericárdicos e alterações da própria caixa torácica. O abaulamento im- pacta nas estruturas osteomusculares através de ocorrência de impulsão do precórdio O ictus cordis deve ser analisado de acordo com sua: o Localização: Pode não ser visível ou palpável mesmo em situações normais ou quando há obesidade, grandes mamas, musculatura muito desenvolvida e enfisemas pulmo- nares. Está no 4º ou 5º espaço intercostal na linha hemiclavicular esquerda ou medialmente a ela o Extensão: uma ou duas polpas digitais o Mobilidade: Comparação entre o local do ictus em decúbito dorsal e decúbitos late- rais direito e esquerdo → desloca-se de 1 a 2 cm nas mudanças de posição o Intensidade: varia mesmo em pessoas normais, sendo mais forte em pessoas mais magras ou em situações que provocam aumento da atividade cardíaca, como após exercícios, emoções e hipertireoidismo. Também se encontra mais forte na hiper- trofia ventricular esquerda (choques de ponta). o Ritmo (mais bem analisado pela ausculta) o Frequência (mais bem analisado pela ausculta) Alguns batimentos ou movimentos visíveis e/ou palpáveis, podem ser analisados, como: o Retração sistólica apical: ocorre em casos de hipertrofia ventricular direita ou du- rante a sístole em que se percebe uma retração da ponta, enquanto as regiões esternal e para esternal esquerda são projetadas para diante → movimento em báscula. o Pulsações epigástricas: transmissão à parede abdominal das pulsações da aorta o Pulsação na fúrcula esternal: pode ser observada em pessoas normais e está na dependência da pulsação da croça da aorta. Quando mais intensas podem sugerir hipertensão arterial, aneurisma de aorta ou síndrome hipercinética As bulhas quando se tornam hiperfonéticas podem ser sentidas pela mão como umchoque de curta duração, o choque valvar palpável A pesquisa de frêmito cardiovascular, é dada pela sensação tátil determinada por vibrações produzidas no coração ou nos vasos (correspondem aos sopros da ausculta). Quando encontrado, devem ser analisadas a localização (tendo como referência as áreas de ausculta), situação no ciclo cardíaco (sistólico, diastólico ou sisto-diastólico) e intensi- dade avaliada em cruzes (1+ a 4+) Na ausculta cardíaca é fundamental a posição correta do examinador, instruir o pa- ciente de maneira adequada, realizar a escolha correta do receptor, utilizando o dia- fragma para sons de alta frequência e campânula de baixa frequência (3a e 4a bulhas e ruflar da estenose mitral) e aplicar corretamente o receptor. Devemos auscultar nos focos pulmonar, aórtico, tricúspide e mitral. o Primeira bulha cardíaca (B1): o som se dá pelo fechamento das valvas mitral e tricúspide, sendo o componente mitral ligeiramente antes do tricúspide. Coincide com ictus cordis e com o pulso carotídeo. Possui timbre mais grave e tempo de duração um pouco maior do que da 2a bulha – TUM. Em metade das pessoas normais, percebem-se separadamente os componentes mitral e tricúspide. Fenô- meno não relacionado a respiração e sem características patológicas o Segunda bulha cardíaca (B2): o som se dá pelo fechamento das valvas aórtica e pulmonar e normalmente o aórtico precede o pulmonar. Possui timbre mais agudo e soa de maneira mais seca – TÁ. Durante a inspiração ocorre um maior afluxo de sangue para câmaras direitas, o que prolonga ligeiramente a sístole do ventrículo direito, o que retarda o componente pulmonar, tempo suficiente para percebermos de modo mais nítido os 2 componentes – desdobramento da segunda bulha – TLÁ o Terceira bulha cardíaca (B3): é um ruído protodiastólico de baixa frequência que se origina das vibrações da parede ventricular subitamente distendida pela corrente sanguínea que penetra na cavidade durante a fase de enchimento ventricular rá- pido – TU. É observada habitualmente em crianças e adolescentes e raramente em adultos. Melhor audível no foco mitral, por ser um ruído de baixa frequência o Quarta bulha cardíaca (B4): é um ruído débil que ocorre no fim da diástole ou pré sístole e pode ser ouvida em condições normais nas crianças e jovens. Origina-se pela brusca desaceleração do fluxo sanguíneo, mobilizado pela contração atrial, de encontro à massa sanguínea existente no interior dos ventrículos, no final da diás- tole Ciclo cardíaco: O ritmo é representado por: TUM – s – TÁ – d – TUM – s – TÁ – d – TUM – s – TÁ. Onde “s” é um pequeno silêncio, evidenciando a sístole e “d” é um grande silêncio, evidenciando a diástole. É denominado galope quando há a presença da 3ª ou 4ª bulhas: PÁ – TÁ – TÁ A frequência cardíaca é considerada normal quando há de 50-100 bpm, bradicardia quando há menos que 50 bpm e taquicardia quando há mais de 100 bpm. Em alguns casos podem ocorrer alterações das bulhas cardíacas. Na intensidade das bulhas pode haver hiperfonese ou hipofonese. Pode também haver cliques e estalido, os quais podem ser sistólicos ou diastólicos. Há também desdobramentos. Estes podem ser fisiológicos (área pulmonar – ocorre na inspiração), fixos (ocorre tanto na inspiração, como na expiração) ou invertido (ocorre na expiração com o fechamento da pulmonar antes da aórtica) Os sopros cardíacos são vibrações decorrentes de alterações de fluxos sanguíneos. Estes podem ocorrer através de alguns mecanismos, são eles o aumento da velocidade da corrente sanguínea, diminuição da viscosidade sanguínea (a viscosidade sanguínea exerce efeito amortecedor sobre a turbulência do sangue), passagem do sangue atra- vés de zona estreitada (fluxo deixa de ser laminar e faz turbilhões), passagem do sangue por zona dilatada e passagem do sangue por membrana de borda livre. As caracterís- ticas dos sopros cardíacos, variam de acordo com a situação no ciclo cardíaco, localiza- ção da área de ausculta cardíaca, modificação com a fase da respiração, posição do paciente, exercício físico e efeito de algumas drogas, como também de acordo com: Carolina Pretti – TXIV A 56 o Irradiação: depende da intensidade (quanto mais intenso, maior a área audível) e da direção da corrente sanguínea) o Intensidade: (+) sopros débeis, só audíveis quando se ausculta com atenção e em ambiente silencioso. (++) sopros de intensidade moderada. (+++) sopros intensos. (++++) sopros muito intensos, audíveis mesmo quando afasta o estetoscópio da parede torácica ou quando se interpõe a mão do examinador entre esta e o receptor o Timbre e tonalidade: é a “qualidade do sopro”, relacionada a velocidade do fluxo e tipo de defeito. Pode ser suave, rude, musical, aspirativo, em jato de vapor, granu- loso, piante e ruflar. Quando há estenose mitral, há sopro em ruflar e insuficiência aórtica, tornando-se regurgitativo. Em um ciclo cardíaco, o sopro pode se apresentar como sistólicos, diastólicos ou con- tínuos. Quando há sopro, ocorre o atrito pericárdico, um ruído provocado pelo roçar de folhetos pericárdicos que perderam suas características normais. Pediatria Durante a inspeção é necessário avaliar fácies, nível de consciência, grau de contac- tuação, decúbito, atitude, hidratação, estado nutricional, padrão respiratório, coloração de pele e mucosas (palidez, cianose e icterícia), choro, tônus muscular, malformações congênitas, qualidade e distribuição do tecido celular subcutâneo, lesões de pele, trau- matismos. É importante analisar também a proporcionalidade e simetria dos segmentos corporais. No feto, a cabeça representa 50% do corpo. No recém-nascido, a cabeça representa 25% do corpo. Já no adulto, a cabeça representa 10% do corpo. Durante a palpação é necessário avaliar as cadeias ganglionares (localização, número, consistência, tamanho, mobilidade, coalescência e sensibilidade dolorosa), crânio (simetria, consistência, formato, proporção craniofacial, fontanelas e suturas e implantação do cabelo) e orelhas (formato e implantação). É necessário também verificar o turgor. Este é considerado normal quando se mostra firme e elástico, porém pode ser frouxo, indi- cando desnutrição e pastoso, indicando desidratação. Além da inspeção e da palpação, é fundamental realizar a ausculta e a percussão. A avaliação do processo de amamentação é de extrema importância e busca analisar a integridade dos mamilos, posição adotada pela mãe, “pega” do mamilo, ritmo de sucção e tempo de mamada. A avaliação neurológica é realizada a partir da análise de alguns reflexos transitórios como o moro, preensão palmar e plantar, sucção, procura ou voracidade, tônico-cervical (Magnus de Kleijn → posição de esgrima), apoio plantar, marcha reflexa, cutâneo- plantar. É necessário realizar o exame das regiões inguinal, genital e anal. No menino, tem-se que observar o aspecto e tamanho do pênis, presença de pilosidade, realizar a exposição da glande por meio da retração do prepúcio, observar o aspecto da bolsa escrotal e realizar a palpação dos testículos e realizar a transiluminação, a fim de buscar possivel hérnia inguinal ou hidrocele. Na menina tem-se que observar se há simetria dos grandes lábios, presença de pilosidade, realizar a abdução dos membros, afastando os grandes lábios e inspecionando a coloração da mucosa da vulva (rósea), presença de secreção, pequenos lábios e clitóris. Na inspeção anal, tem-se que observar o pregueamento do esfíncter, malformação e fissuras Ao examinar o aparelho osteoarticular, tem-se que observar a simetria das pregas cutâneas, desvios dos membros, proporcionalidade entre os segmentos corporais, Tônus e Trofismo dos membros, Inspecionar a coluna, palpar as apófises espinhosas e avaliar a articulação coxofemoral Ao examinar o abdômen, realizar palpação superficial com as polpas digitais e a pro- funda em busca de massas e visceromegalias. No fígado, observar a borda superior delimitado pela percussão,submacicez ou macicez no 5º ou 6º espaço intercostal, e a borda inferior delimitado pela palpação. No lactente é normal palpar um fígado à 2 cm rebordo costal direito, com borda fina, lisa e fibroelástica. O baço é delimitado pela percussão no gradeado costal lateral esquerdo e no hipocôndrio esquerdo (evidenciado em 14% dos lactentes). É também necessário observar a loja renal. A inspeção deve ser realizada em decúbito dorsal, de forma simétrica, observando a cicatriz umbilical, a presença de movimentos peristálticos, abaulamentos e circulação colateral. Realizar também ausculta e percussão. Padrões e medidas As fontanelas anteriores são fechadas em 9 a 18 meses, já a posterior de 3 a 6 meses. A infância é dividida em etapas. São considerados recém-nascidos até com 28 dias de vida, pré-termo com menos de 37 semanas de idade gestacional, termo entre 37 e 42 semanas de idade gestacional, pós-termo com mais de 42 semanas de idade gestacional, lactente entre 29 dias e 2 anos de idade, pré-escolar entre 2 e 6 anos de idade, escolar entre 6 e 10 anos de idade e adolescente entre 10 e 20 anos de idade Até o 3º mês o perímetro cefálico é maior que o torácico. No 3º mês o perímetro cefálico e o torácico são iguais (40 cm). Acima do 3º mês o perímetro torácico é maior que o cefálico Ao nascer há perda de 10% do peso, porém é recuperado até o décimo dia de vida. Psiquiatria A Psiquiatria é uma especialidade que utiliza métodos próprios das ciências naturais e humanas e possui como principal objetivo captar e investigar o psíquico. A consciência do eu total é composta pelo eu interior, pelo próprio corpo, pelos obje- tos e pessoas, pelas vivências do tempo espaço e pela realidade. A entrevista psiquiátrica possui como objetivos a formulação de diagnóstico, de prog- nóstico, o planejamento terapêutico e a aliança terapêutica. O exame psíquico também é chamado de exame do estado mental, exame mental, exame psicopatológico ou exame psiquiátrico. Trata-se de um corte transversal do es- tado mental do paciente. O médico experiente é capaz de realizar boa parte do exame mental ao mesmo tempo em que completa a tomada da história. Nele são descritas apenas as alterações presenciadas durante a entrevista. A redação do exame psíquico deve restringir-se a uma descrição dos fenômenos observados, sem o uso de termos técnicos. Nele, objetiva-se analisar a apresentação, contato e atitude, nível de consci- ência, atenção, memória, orientação, humor e afeto, pensamento, senso e percepção, linguagem, volição, psicomotricidade, pragmatismo e noção de doença A apresentação trata-se de uma descrição da impressão geral advinda da aparência física, da atitude e conduta do paciente. É necessário observar a aparência quanto a atitude e à idade, presença de deformidades ou peculiaridades físicas, vestimentas, cuidados pessoais e higiene, expressão fácil e mímicas. Estatura Ao nascer: 50 cm 1º semestre: 15 cm 2º semestre: 10 cm 4 anos: 100 cm > 2 anos: Idade x 6 + 77 Frequência cardíaca Recém-nascido: 140-160 bpm 6 meses: 120-140 bpm 1 ano: 110-120 bpm 6 anos: 100 bpm 10 anos: 90 bpm Frequência respiratória Lactentes < 2 meses: até 60 irpm Lactentes: 2-12 meses: até 50 irpm Acima de 12 meses: até 40 irpm 1-3 anos: 20-30 irpm 3-6 anos: 20-25 irpm 6-12 anos: 14-22 irpm > 12 anos: 12-18 irpm Perímetro cefálico Ao nascer: 34 cm 1º trimestre: 2 cm/mês 2º trimestre: 1 cm/mês 2º semestre: 0,5 cm/mês Peso Ao nascer: 3250 g 1º trimestre: 25-30 g/dia 2º trimestre: 20 g/dia 3º trimestre: 15 g/dia 4º trimestre: 12 g/dia Dobra aos 5 meses Triplica aos 12 meses 4 anos: 16 kg 1-6 anos: idade x 2 + 8 7-12 anos: (idade x 7 + 5)/2 Dentição 6 aos 8 meses: 2 incisivos inferiores centrais Aos 8 meses: 2 incisivos superiores centrais 8 aos 12 meses: 2 incisivos superiores lateais 10 aos 12 meses: 2 incisivos inferiores laterais 14 aos 20 meses: 4 primeiros pré-molares 18 aos 24 meses: 4 caninos 2 aos 3 anos: 4 segundos pré-molares Carolina Pretti – TXIV A 57 A atitude global do paciente, busca observar se este se apresenta ativo ou passivo, colaborativo ou negativista, ou suspicaz. O contato permite analisar se o paciente é fácil ou difícil. A consciência é definida neuropsicológicamente como o grau de clareza do sensório. Este estado do nível de consciência é classificado em desperto, vigil, acordado e lúcido. As alterações da consciência são classificadas em quantitativas e qualitativas. As alte- rações quantitativas normais são o sono e o sonho. Já a quantitativas patológicas são a obnubilação ou turvação da consciência, o sopor, o coma, o delirium e o estado onírico. As alterações qualitativas são o transe religioso (não patológico), estados hipnóticos, dissociação e estados crepusculares A atenção é definida como o estado de concentração da atividade mental. É o conjunto de processos mentais que torna o ser humano capaz de selecionar, filtrar e organizar as informações. Pode ser dividida em voluntária ou espontânea. A voluntária exprime a concentração ativa e intencional da consciência sobre um objeto, pode haver alterações tornando-se aumentada (hipertenacidade) ou diminuída (hipotenacidade). A espontânea trata-se da atenção suscitada pelo interesse momentâneo, incidental, que desperta este ou aquele objeto, pode haver alterações tornando-se aumentada (hipervigilância) ou di- minuída (hipovigilância). Outras alterações são a hipoprosexia (diminuição global), a hiper- prosexia, a distração (aumento da voluntária e diminuição da espontânea) e a distraibili- dade (diminuição da voluntária e aumento da espontânea). A memória é definida como a capacidade de registrar, manter e evocar as experi- ências e os fatos já ocorridos. É dividida em memória de fixação e memória de evocação. As alterações quantitativas são a hipermnésia (aumentada) e a amnésia/hipomnésia (diminuída). A amnésia pode ser psicogênica (transtornos dissociativos) ou orgânica (sín- dromes demências). A orientação é definida como a capacidade de situar-se quanto a si mesmo e quanto ao ambiente. Esta capacidade requer a integração das capacidades de atenção, memória e percepção. Esta é dividida em temporal, espacial e autopsíquica. Os pacientes podem estar orientados, parcialmente orientados ou desorientados. A afetividade é a dimensão psíquica que dá cor, brilho e calor a todas as vivências humanas. Os tipos básicos de vivência afetiva são humor, emoção, sentimento, afeto e paixões. O humor é o estado emocional basal e difuso no qual se encontra a pessoa em de- terminado momento. É a disposição afetiva de fundo que penetra toda a experiência psíquica.. O humor normal é chamado de eutímico. Porém há alterações patológicas que são o humor hipotímico (transtornos depressivos e no transtorno afetivo bipolar episó- dios depressivos), humor hipertímico / exaltado / estado de êxtase (transtorno afetivo bipolar episódios de mania), humor irritado ou disfórico (transtorno afetivo bipolar), hu- mor ansioso (transtornos ansiosos) e humor pueril (retardo mental e transtornos disso- ciativos) O afeto é a reação Afetiva, ou seja, a capacidade de um indivíduo de ser influenciado afetivamente por estímulos externos (sintonização afetiva) e de transmitir aos outros seu estado de ânimo (irradiação afetiva). O afeto normal é chamado de sintônico. Porém há alterações patológicas que são a hipomodulação, o embotamento afetivo, a devasta- ção afetiva, a indiferença ou dissociação (transtornos conversivos e dissociativos) e a labilidade (transtornos do humor). As alterações patológicas das emoções e dos senti- mentos são a anedonia (incapacidade total ou parcial de sentir prazer) e a apatia (inca- pacidade de experimentar sentimentos) No pensamento, o curso que este segue é o modo como o pensamento flui, sua velocidade e ritmo ao longo do tempo, a forma é a sua estrutura básica e o conteúdo são os temas predominantes,é o “assunto em si”. o As alterações do curso são: A aceleração que é o quanto uma ideia sucede a outra rapidamente A lentificação que é quando o pensamento progride lentamente, com dificuldade. Há latência entre as perguntas e respostas. o As alterações na forma são As fugas de ideia, quando ocorre alteração da forma secundária à uma acentuada aceleração do pensamento. A associação entre as palavras deixa de seguir uma lógica do pensamento e passam a seguir outras “regras”. Existe um afastamento da ideia principal. O afrouxamento das associações embora ainda exista uma concatenação lógica das ideias, as associações estão mais livres, não tão bem articuladas. A desagregação do pensamento quando há profunda e radical perda dos laços associativos. Total perda de coerência do pensamento. Pedaços e idéias fragmen- tadas, muitas vezes sem que se perceba uma linha diretriz no pensar. o As alterações de conteúdo são concretas, pobres e restritas: Os delírios são alterações patológicas do juízo da realidade. Caracterizam-se por ser incompreensível, impenetrável, irremovível, ininfluenciável, irredutível e incor- rigível. Os tipos mais comuns de delírio são o persecutório, autorreferente, in- fluência, grandeza, ruína, erótico, ciúmes e hipocondríaco As ideias obsessivas (intrusivas) são pensamentos falsos, recorrentes, que se introduzem de forma repetida e incômoda na consciência do sujeito, que, apesar de sofrer com elas, tem crítica em relação a sua falsidade e caráter absurdo. A sensopercepção é a tomada de consciência do estímulo sensorial (visual, tátil, olfa- tivo, gustativo, auditivo). A imagem verdadeira é caracterizada pela nitidez, corporeidade, estabilidade, extrojeção e completitude. As alterações da sensopercepção são: o Ilusão: percepção deformada de um objeto real presente. São mais comuns em quadros de rebaixamento do nível de consciência, fadiga grave, estados afetivos intensos. o Alucinações: percepção clara e definida do objeto sem a presença do objeto esti- mulante real. Pode ser auditiva, visual, olfativa, gustativa ou tátil. Na alucinose o paciente percebe a alucinação como estranha à sua pessoa. Embora o doente ouça a voz ou ruído, ou veja a imagem, falta a crença. Auditiva: são mais frequentes nos transtornos mentais como esquizofrenia e nos transtornos do humor mas também podem ocorrer no alcoolismo e nos trans- tornos de personalidade Visual: são mais frequentes em quadros psicogênicos como delirium, epilepsia, tumor cerebral, psicoses desencadeadas por drogas (LSD) Olfativa e gustativa: esquizofrenia e crises epilépticas. Tátil: esquizofrenia, delirium tremens e psicoses tóxicas A linguagem verbal é uma criação social de cada um e de todos os grupos humanos, a qual possui função comunicativa. As alterações da linguagem associadas à lesão neu- ronal identificável são afasia de expressão, compreensão, global, parafasias, agrafia, alexia, disartria, disfonia e disfemia (tartamudez). As alterações da linguagem associadas à transtornos psiquiátricos são logorréia (pressão para a fala e loquacidade) e a bradi- fasia (quadros depressivos graves, demência e esquizofrenia crônica). Outras alterações da linguagem são o mutismo por causas neurobiológicas, psicóticas ou psicogênicas, tiques verbais (transtorno de Tourette), perseveração (síndromes demenciais e lesões cere- brais pré-frontais) e ecolalia (esquizofrenia catatônica e quadros psico-orgânicos) A volição é processada a partir das seguintes fases: fase de intenção ou propósito, fase de deliberação, fase de decisão propriamente dita e fase de execução. O processo volitivo normal é chamado de eubulico. As alterações da volição são a hipobulia e abulia atos impulsivos (curto circuito do ato volitivo, caracterizado por ser executado sem uma fase prévia de intenção, deliberação e decisão. É egossintônico) e atos compulsivos (é caracterizado por desconforto subjetivo, ser egodistônico, há a tentativa de resistir, sensação de alívio ao realizar o ato compulsivo e está frequentemente associados a idéias obsessivas). A psicomotricidade é a expressão motora que o paciente dá ao seu estado psíquico interno. As alterações da psicomotricidade são agitação, lentidão ou inibição, rigidez, tre- mores, alterações de marcha e tiques motores. O pragmatismo é definido como a capacidade de realizar condutas volitivas e psico- motoras minimamente complexas, como cuidar da higiene pessoal, limpar o quarto, par- ticipar de trabalhos domésticos, envolver-se em qualquer atividade produtiva para si ou para o meio. As alterações do pragmatismo são hipopragmatismo ou apragmatismo, elas podem existir em vários transtornos mentais, sendo importante por ser um indicador de funcionalidade A crítica no sentido de Juízo de Realidade é a capacidade de discernimento que utili- zamos para julgar a realidade externa. A noção da doença é a capacidade de insight que o indivíduo tem sobre seu quadro patológico. Em geral é descrito como preservado ou comprometido em intensidades va- riáveis. Membros e coluna Tal área abrange os ossos, articulações, músculos, tendões, ligamentos e estruturas nervosas. A integridade e o desempenho desses componentes, além de serem respon- sáveis pelo crescimento, desenvolvimento e a postura humana, possibilita a movimenta- ção para locomoção, práticas esportivas e o trabalho. O processo de envelhecimento aqui se faz mais acentuado, seja por processos de- generativos em ossos e articulações, ou por involução da massa muscular. Assim, ocorre limita limitação acentuada das atividades humanas e fraturas, tornando-se um grande problema de saúde pública, refletindo na invalidez e aposentadoria precoce. Dessa Carolina Pretti – TXIV A 58 forma, é importante avaliar essas estruturas no contexto da saúde integral do indivíduo. Afecções em ossos, articulações e músculos podem ser decorrentes ou causas de outros agravos. Durante a identificação do paciente, é necessário se atentar a faixa etária do indiví- duo. Uma vez que displasias ósseas são vistas no período neonatal, raquitismo na infância, osteoporose no idoso, osteocondrite de quadril (Calvé-Legg-Perthes) na primeira década de vida e o osteossarcoma e as metástases ósseas em adultos. Quanto ao sexo, algumas doenças são comuns em mulheres, como a artrite reumatoide, lúpus eritematoso sistê- mico e osteoporose. Enquanto outras são comuns em homens, como a gota e a distrofia muscular congênita. Quanto a procedência, há algumas doenças como a talassemia que são comuns em pessoas de certas regiões, no caso desta, o Mediterrâneo. Quanto a raça, a anemia falciforme é mais comum em pessoas negras, as quais apresentam dor em pequenas articulações de mãos e pés. Quanto a atividade profissional, a ostealgia e deformidades ósseas, indicam trabalho pesado ou prática de esportes. Quanto ao estado civil, ocorre influência no equilíbrio emocional, contribuindo para a somatização de algumas doenças ou agravamento das já existentes. As queixas principais mais comuns relacionadas com os membros e a coluna são dores, deformidades e incapacidade funcional Quando a queixa for dor é necessário que ocorra a caracterização da mesma, bem como seja evidenciado o fator desencadeante, o início da dor (pacientes com hérnia de disco vertebral possuem um início súbito desencadeada por exercício físico, já a artrose possui caráter mais insidioso), localização da dor (a osteomielite e o tumor ósseo refletem a dor em um único osso, já doenças mieloproliferativa, como a leucemia e metástases ósseas, refletem a dor em múltiplos segmentos ósseos), irradiação da dor, intensidade da dor, tipo da dor (hérnia de disco intervertebral, é refletida como agulhada, queimação, peso ou choque elétrico), fator de melhora e piora Quando a localização é epifisária, geralmente no osso subcondral, significa doenças inflamatórias e degenerativas como artrite e artrose. Quando a localização é metafisá-ria, significa neoplasias, traumas e infecções. Já quando a localização é diafisária, significa fraturas ou vícios posturais Quando há irradiação para os membros superiores ou inferiores pode significar hérnia de disco. Quando há irradiação para a nádega e para a face posterior da coxa podendo se estender até o pé, pode significar lombociatalgia. Já quando a localização é lombar sem irradiação, pode significar lombalgia. Quando a intensidade é grande, indica trauma ou infecção. Quando é moderada, indica doenças degenerativas (osteoporose), neoplasias benignas ou alterações posturais. Quanto a piora e a melhora da dor, fraturas pioram com o movimento, doenças de- generativas pioram no início dos movimentos e melhoram com o decorrer deles, a ten- dinite do ombro piora com movimentos de abdução e rotação interna do braço. Hérnia de disco intervertebral piora com o ato de tossir e espirrar Quando a queixa é deformidade óssea, pode indicar doença de longa duração decor- rente de doenças congênitas ou adquiridas, como a tumefação (nódulo) que é uma se- quela de fratura mal consolidada Quando a queixa é incapacidade funcional, está muito relacionada a síndromes doloro- sas. No interrogatório sistemático dos diversos aparelhos, algumas doenças apresentam queixas comuns, como: o Osteomielite: dor, febre, inapetência, prostração e presença de sinais flogísticos em determinado segmento ósseo o Lúpus eritematoso sistêmico: mulher jovem, febre recorrente, dor articular, peté- quias, queda de cabelo, lesão de pele hipercrômica em região malar e dorso do nariz (aspecto asa de borboleta), astenia e anorexia o Artrite reumatoide: rigidez articular pós repouso o Colite ulcerativa: poliartrite e diarreia crônica o Artrite gonocócica: disúria, corrimento uretral e artrite Os antecedentes pessoais fisiológicos são importantes pois, por exemplo, na doença muscular congênita (distrofia muscular) geralmente há abortos anteriores, diminuição dos movimentos fetais, dificuldade para respirar, sugar, deglutir, chorar no período neonatal e desenvolvimento motor atrasado É necessário perguntar sobre o uso de medicamentos, pois nos dá uma noção das queixas do paciente. Sinvastatina é utilizado para dor muscular, antirretrovirais para artralgia e corticosteroide para osteopenia. Algumas doenças, como a gota são de caráter familiar, há casos semelhantes na mesma família É necessário questionar sobre a alimentação pois algumas doenças estão intimamente ligadas a ela. Como o escorbuto, onde há deformidades ósseas decorrente da carência de vitamina C e o raquitismo carencial onde há deformidades ósseas decorrentes da carência de Vitamina D. É importante confirmar a imunização do paciente, uma vez que certas doenças são previníveis pela imunização, como a poliomielite e a tuberculose óssea Dessa maneira, as queixas referentes a cada aparelho ou sistema poderá dar pistas para a formulação de um correto diagnóstico e a instituição de uma terapêutica ade- quada. Ao realizar o exame físico, é necessário descrever e observar: o Medidas antropométricas: avaliam o peso e a estatura. O sobrepeso pode ser causa de dor em membros inferiores ao nível de articulações de joelhos, tornozelos e pés. o Proporcionalidade entre cabeça, membros e tronco o Avaliação completa do paciente: Fácies: artrite reumatoide juvenil causa micro e retrognatismo. A hérnia de disco intervertebral causa fácies de dor. A miastenia causa fronte franzida e a cabeça elevada para contrabalancear a ptose palpebral Pele: a esclerodermia deixa a pele inelástica, atrófica e sem pregueamento cau- sando rigidez articular. O lúpus eritematoso sistêmico deixa mancha hipercrômica em região malar. A psoríase deixa lesão eritematosa coberta por escamas es- branquiçadas e artrite psoriática. A dermatomiosite é acompanhada por lesão de pele e fraqueza muscular proximal. Artrites apresentam sinais flogísticos (dor, calor, rubor e edema). A hemofilia é acompanhada hematomas e artropatia. Palpação de gânglios e abdômen: em doenças como a mieloproliferativa (leucemia) há a presença de linfonodomegalia, hepatoesplenomegalia e dor óssea Durante a inspeção dos membros é necessário que o paciente esteja em pé, sentado ou deitado, como também é preciso ter boa iluminação, as áreas a serem examinadas necessitam estar descobertas (fornecer avental descartável) e o paciente deve estar descalço. Realizar o exame de segmentos homólogos para possibilitar uma comparação. É necessário respeitar a limitação física pela presença de dor ou pela idade do paciente. Analisar na: o Simetria o alinhamento de membros superiores, inferiores e pés, tamanho dos membros, orientação das patelas, simetria de pregas cutâneas, dor à palpação, atrofia muscular, presença de sinais flogísticos, crepitações, nódulos subcutâneos e deformidades ósseas e articulares. Nos membros superiores, há o chamado ân- gulo de carregamento, no homem mede em torno de 5º e na mulher 10º. Nos membros inferiores, há um discreto Genu valgo (desvio medial dos joelhos), o ângulo medial formado pelo fêmur e a tíbia mede em torno de 7º e a distância entre os pés é de, aproximadamente, 5-10cm. A planta dos pés pode apresentar-se de forma plana (pé chato), onde ocorre a inexistência do arco plantar frequentemente associada ao desvio medial do calcanhar ou cava, ocorrendo a acentuação do arco plantar. Para avaliar o tamanho dos membros, mede-se a distância entre a crista ilíaca anterossuperior e o maléolo interno ou medial. Uma discrepância até 1,25cm pode ser compensada pelo quadril. Ao analisar a orientação das patelas notamos que do nascimento até os 2 anos de idade é Genu varum (o ângulo interno formado pelo fêmur e a tíbia, mede de 10 a 15º) e dos 2 aos 7 anos de idade é Genu valgo. A simetria das pregas cutâneas é verificada na sua porção posterior. A presença de assimetria pode indicar a presença de displasia do desenvolvimento do quadril. o Motricidade a marcha, a força muscular (diminuída nas doenças neuromusculares), o tônus muscular (grau de contração permanente do músculo) que é classificado em hipotônico, normotônico e hipertônico, o trofismo muscular, classificado em atrofia, hipotrófico, normotrófico e hipertrófico, a mobilidade das articulações e os movimentos. A coluna cervical saudável deve realizar flexão, extensão, lateralidade esquerda e direita e rotação direita e esquerda. As colunas torácica e lombar sau- dáveis devem realizar flexão e extensão, rotação direita e esquerda e lateralidade esquerda e direita. Os ombros saudáveis devem realizar flexão, extensão, abdução, adução, circundação, rotação externa e abdução e rotação interna e adução. Os cotovelos saudáveis devem realizar flexão, extensão, pronação e supinação. O pu- nho saudável deve realizar flexão, extensão e desvio radial e cubital. Os metacarpos e as falanges saudáveis devem realizar a flexão, extensão, abdução do polegar e oposição do polegar. O quadril saudável deve realizar flexão, hiperextensão, rotação esquerda e direita e inclinação esquerda e direita.. Os joelhos saudáveis devem re- alizar a flexão e a extensão. Os tornozelos saudáveis devem realizar a dorsiflexão, a flexão plantar, a inversão e a eversão. Os metatarsos e as falanges saudáveis devem realizar a extensão e a flexão. O exame físico da coluna vertebral deve ser realizado em repouso e em movimento, a roupa deve ser adequada, deve haver presença de luz natural e deve ser analisada nos planos frontal anterior e posterior e sagital. As vertebras são divididas em 7 cer- vicais, 12 torácicas, 5 lombares, 5 sacrais e 4 coccígeas. Vista do plano frontal, ela deve ser retilínea. Já no plano frontal ela é formada, respectivamente, por lordose, cifose, lordose e cifose. No plano frontal, analisar a simetria das cinturas escapular e pélvica, o ângulo tóracobraquial (ângulo de talhe) que é formado pelos membros superiores em Carolina Pretti – TXIV A 59 sua face medial eface lateral do tronco de cada lado, o alinhamento dos membros inferiores, a orientação das patelas, o posicionamento dos pés e a posição antálgica. No plano sagital é necessário analisar o grau das lordoses lombar e cervical e o grau da cifose torácica. Ombros de alturas desiguais são encontrados na escoliose. Cristas ilíacas de alturas desiguais sugere membros inferiores de comprimento desigual. Teste da inclinação anterior: paciente inclina-se para a frente (flexão da coluna tora- colombar) enquanto o examinador se abaixa para ter seus olhos no mesmo nível da coluna do paciente. Verifica-se a presença de giba costal ou lombar sinal indireto de escoliose Pesquisa de cifose: paciente inclina-se para a frente, tentando tocar o solo, com os joelhos em extensão. Essa posição acentua a cifose Sinal de Laségue: Elevação do membro inferior estendido sobre a bacia: acarreta estiramento do nervo ciático. Se houver compressão, ocorre dor no trajeto do nervo Sinal de Breagard: Dorsiflexão do pé quando o membro inferior estiver elevado, pro- vocando exacerbação da dor em caso de lombociatalgia. Teste de Patrick ou Fabere: detecta patologias do quadril e da articulação sacroilíaca. Paciente em decúbito dorsal, Coloque o pé do membro inferior acometido sobre o joelho oposto. A articulação coxofemoral estará fletida, abduzida e rodada externamente. Para forçar a articulação sacroilíaca, amplie o alcance de movimentação colocando uma das mãos sobre o joelho fletido e a outra mão sobre a espinha ilíaca supero anterior con- tralateral. Sinal de Brudzinski: paciente realiza o levantamento involuntário das pernas em irritação meníngea quando levantada a cabeça do paciente Teste de Kernig: paciente em decúbito dorsal, realiza-se a flexão da coxa sobre a bacia com a perna em extensão. Os reflexos profundos a serem analisados são o bicipital (integridade de C5), braquir- radial (integridade de C6), tricipital (integridade de C7), patelar (integridade de L4), e patelar e aquileu (integridade de L5 e S1). Os reflexos superficiais a serem analisados são o cutâneo plantar e cutâneo abdominal Ao se tratar de coordenação motora é necessário realizar o teste de detecção da dismetria, são eles a prova dedo-nariz e a prova calcanhar-joelho. Para a detecção de diadococinesia, realizar a prova dos movimentos alternados. Para avaliar o equilíbrio estático do paciente, realizar a prova de Romberg Na hérnia de disco intervertebral há contratura muscular, posição antálgica, hipoes- tesia ou hiperestesia nos membros, reflexos diminuídos ou ausentes e redução do es- paço intervertebral Proctologia Estuda-se o seguimento final do trato digestivo com funções principais de eliminação fecal e contenção quando em momentos inapropriados. Esta área estende-se desde sigmóide até margem anal e possui cerca de 17 a 19cm. Apesar de profundamente íntimo e de lidar com área do corpo na qual imperam preconceitos deve ser realizado, quando pertinente, através das queixas do paciente, por todos os médicos assistentes, não se relegando ao cirurgião geral, cirurgiões do aparelho digestivo e mais especifica- mente ao coloproctologista Os possíveis sinais e sintomas são: o Dor: Proctalgia fugaz: dor retal ou anal, com possível irradiação para o glúteo, que dura não mais que um a dois minutos, desaparece completamente e que recorre em intervalos irregulares. A maioria dos pacientes são mulheres, perfeccionistas, tensos, ansiosos e hipocondríacos Coccigodínea: dor no cóccix, mais comum em mulheres, comum em trauma local; piora aos movimentos e ao sentar-se Abscesso perianal: principal urgência proctológica; mais comum em homens, jo- vens e obesos; pode apresentar dor, hiperemia e abaulamento Fissura anal: 11% durante a vida; 1/3 das mulheres no pós-parto ou gravidez; pode apresentar dor, dispareunia e sangramento anal o Incontinência anal: é necessário perguntar função mental, volume e consistência das fezes, trânsito colônico, distensibilidade retal, função esfincteriana, sensibilidade e reflexos anorretais. São considerados como fatores de risco lesões no parto, mulheres, DM, gestação, menopausa, cirurgias orificiais prévias, radioterapia e obe- sidade o Sangramento anal: é necessário perguntar início, duração, evolução, característi- cas, sangra no papel ou vaso, alteração de hábito intestinal, perda de peso e dor. Hemorroida: 50% dos indivíduos com idade superior a 50 anos irão experimentar sintomas relacionados à hemorroida em algum momento de suas vidas. Graus: 1 – não exterioriza, II – redução espontânea, III – redução manual e IV – não reduz o Alteração de hábito intestinal: é necessário perguntar início, duração, evolução, ca- racterísticas, fatores associados, perda de peso, dor e história familiar de câncer Durante o exame físico, é necessário privacidade, respeito, confiança, iluminação, silêncio e reduzir ansiedade. Ao realizar a inspeção estática, haverá a exposição suave das nádegas, coaptação do ânus, observação de fezes residuais, patologias, cicatrizes e alteração da coloração Ao realizar a inspeção dinâmica, haverá a exposição suave das nádegas, manobra de Valsalva e contração esfincteriana A palpação adequada no exame proctológico deve ser realizada nas regiões sacro- coccígea, perineal e perianal e tem como objetivos principais identificar áreas endura- das, amolecidas ou dolorosas. Observar o reflexo musculocutâneo o Toque retal: usar luva de procedimento, dedo indicador da mão dominante, lubrifi- cante, pressão suave e constante. O exame possui como objetivos analisar a prós- tata, paredes do canal anal e reto distal, anismus, esfíncteres anais e aspecto das fezes o Anuscopia: permite a avaliação direta do ânus, canal anal e ampola retal distal. Como também a observação de tumores, biópsias, lesões venéreas, prolapsos mucosos e hemorróidas o Retossigmoidoscopia rígida: parte do exame físico proctológico que necessita maior expertise, especialização e conhecimento dessa região. Visualização direta da su- perfície mucosa do reto e do cólon sigmóide distal em extensão variável. É neces- sário rapidez, mínima insuflação de ar, conversar com o paciente e não provocar iatrogenias (sangramentos, laceração de mucosa e perfuração) O exame proctológico deve ser sempre realizado quando o paciente apresenta quei- xas relacionadas ao cólon distal, reto e ânus, tais como sangramento, alteração do hábito intestinal, dor abdominal ou perineal, mucorréia, tenesmo, puxo, incontinência anal, pro- cidência ou tumoração anal. Urologia Ramo da ciência que se ocupa do estudo e tratamento dos órgãos urinários de ambos os sexos e do aparelho genital masculino. Analisa os órgãos envolvidos na síntese de hormônios para a manutenção da homeostasia e função sexual, a excreção de escórias através da urina e a reprodução sexual masculina O rim é um órgão par, estruturas retroperitoneais, com tamanho aproximado de 11x3x5cm, localizado entre 12ª vértebra torácica e 3ª lombar. O rim direito está 1,5cm mais baixo que o esquerdo. Os possíveis sinais e sintomas são: o Alterações da micção, volume e ritmo urinário A diurese é de 800-2500ml/dia. A capacidade vesica é de 400-600ml. O desejo de urinar se inicia com 200ml e a micção é de 2-8x/dia (normal: 5-6x/dia) É considerada oligúria quando é menor de 400ml/dia ou menor que 20ml/hora. Anúria quando é menos que 100ml/dia. Poliúria quando é mais que 2500ml/dia. Esta última pode aparecer como diurese osmótica no DM descompensado ou quando há incapacidade de concentração no DM insipidus Disúria: sensação de dor, queimar ou desconforto ao urinar: inicial x terminal Urgência: necessidade súbita e imperiosa de urinar Polaciúria: aumento da frequência urinária sem aumento do débito → 2/2h Estrangúria: dificuldade e dor à micção acompanhada de espasmos Enurese: urinar na cama após 3 anos Hesitação: intervalo maior para iniciar o jato Nictúria: micção noturna Noctúria: diurese noturna é maior que a diurna Retenção urinária: incapacidade de esvaziar a bexiga apesar da produção ade- quada de urina e desejo de esvaziá-la. Pode ser completa, não elimina nada de urina ou incompleta, há permanência de resíduo vesical pós-miccional Nunca Raramente (1x no mês) Às vezes (+ 1x no mês) Geralmente (3x na semana) Sempre Gás 0 1 2 3 4 Fezes líquidas 0 1 2 3 4 Fezes sólidas 0 1 2 3 4 Uso de proteção 0 1 2 3 4 Alteração na qualidade de vida 0 1 2 3 4 Carolina Pretti – TXIV A 60 Incontinência urinária o Alterações da cor da urina Hematúria: presença de sangue na urina originário acima da uretra anterior. Con- siderada quando há 1cm3 de sangue em 1,5 litros de urina. Pode ser classificada como microscópica (verificada no exame de urina), macroscópica (paciente iden- tifica), franca (maior quantidade de sangue) e maciça (presença de coágulos) Hematúria inicial: lesões entre colo vesical e uretra, próstata Hematúria terminal: trígono vesical Hematúria total: renal, ureteral ou paredes da bexiga Uretrorragia: sangue proveniente da uretra distal a anterior Hemoglobinúria: presença de hemoglobina livre na urina Mioglobúria: destruição maciça decorrente de traumatismos e queimaduras e após exercícios intensos o Alterações no aspecto da urina Urina turva: depósito de cristais, infecção Piúria: aumento de leucócitos na urina Aumento da espuma: excesso de proteínas Mau cheiro: concentrada, infecção, medicamentos Pneumatúria: eliminação de gases pelo trato urinário → fístulas o Sintomas do trato urinário inferior (LUTS): chamado de “prostatismo”, são divididos em irritativos (polaciúria, disúria, urgência miccional, noctúria, nictúria, ardor) ou obstrutivos (redução do jato urinário, gotejamento terminal, hesitação, retenção urinária) o Dor: costuma ser bastante intensa e normalmente associa-se a inflamação ou a obstrução. Deve ser caracterizada quanto ao tipo (contínua ou intermitente), loca- lização, irradiação, intensidade e fatores desencadeantes de melhora ou de piora e associados. Pode estar associada a febre, náuseas, vômitos, sintomas urinários. A dor renal se localiza na região lombar na 12ª costela, é do tipo cólica, com forte intensidade e irradiação para flanco, hipogástrio, região inguinal, escroto e grandes lábios. Pode estar associada a náuseas e vômitos e até a sintomas urinários Durante o exame físico, normalmente o rim não é palpável. Pode-se palpar o polo inferior em pessoas magras e crianças e até os pontos dolorosos ureterais. Pode ser avaliado de acordo com algumas técnicas, são elas a Manobra de Glenard e Sinal de Giordano, como também: o Punho-percussão: o ângulo costovertebral se localiza na borda inferior da 12ª cos- tela e apófise transversas das vértebras lombares superiores o Manobra de Guyon: com o paciente em decúbito dorsal, para se examinar o rim direito põe-se a mão esquerda na região dorsal tracionando-a para frente enquanto a mão direita entra abaixo do rebordo costal durante a inspiração ao encontro da mão esquerda, tentando “pegar” o rim entre as duas mãos. Para o rim esquerdo deve-se passar para o lado esquerdo e realizar a mesma manobra Nos antecedentes pessoais é necessário perguntar sobre Diabetes Melittus (altera- ções urinárias e função sexual), HAS (disfunção sexual e uso de medicamentos), tuber- culose (estenoses, função renal, ITU), anemia falciforme (priapismo, função renal), ta- bagismo e etilismo. Nos antecedentes familiares, buscar por cálculo renal e tumores Ao perguntar dos medicamentos em uso, buscar disfunção erétil e ejaculatória, re- dução da espermatogênese, priapismo, incontinência urinária e retenção urinária. Nas cirurgias anteriores, buscar por fibrose e planejamento cirúrgico Os órgãos genitais masculinos externos são os pênis, escroto, testículos, epidídimos, cordões espermáticos e canais deferentes. Os internos são próstata, vesículas seminais e bexiga. Os testículos possuem comprimento de 4-5cm, largura de 3cm e espessura de 2cm. A próstata mede transversalmente 4cm, verticalmente 3cm e pesa: 20-30g Os possíveis sinais e sintomas são: o Dor: no pênis buscar por trauma, ITU e ereção. Nos testículos, buscar por orqui- epididimite (inflamação no testículo e epidídimo), torção, trauma, tumor e varicocele. Na próstata buscar por dor perineal e sacral. o Priapismo: ereção peniana dolorosa, independente de desejo sexual, durante um período superior a duas horas, sem levar à ejaculação, causada por insuficiência de drenagem do sangue que enche os corpos cavernoso. Pode ser por uma ereção persistente, prolongada e dolorosa sem desejo sexual, por anemia falciforme ou uso de medicações para ereção o Hemospermia: presença de sangue no esperma o Corrimento uretral: pode ser por uretrite ou prostatite, buscar por ardor, colora- ção, tempo, trauma e contato sexual. No exame físico, é necessário realizar a inspeção e palpação em decúbito dorsal ou posição ortostática, sempre avaliando a região inguinal. Ao analisar o pênis, observar e descrever o tamanho (micro ou macropênis), se há fimose, realizar a palpação dos corpos esponjosos e cavernosos, retrair o prepúcio e sempre expor a glande. A uretra possui diâmetro de 8mm e pode apresentar-se hipos- pádica (deformação congênita das vias urinárias, na qual a abertura da uretra se en- contra na face inferior ou ventral do pênis ou, na mulher, dentro da vagina) ou epispádia (deformação congênita das vias urinárias que determina a abertura da uretra na face dorsal do pênis) Ao analisar o escroto, observar e descrever a forma, tamanho, características da pele, aspectos vasculares e hidrocele Ao analisar os testículos, notar que normalmente o testículo esquerdo é mais baixo. Observar e descrever a localização, forma, tamanho, consistência, contornos e nódulos. Após realizar tais manobras, palpa-se os cordões espermáticos e canal inguinal. Ano analisar o epidídimo, realizar a Manobra de Chevassu Ao analisar a próstata, posicionar o paciente em decúbito lateral esquerdo, genipeito- ral ou supino, observar e descrever tamanho (aproximadamente 1 polpa ou 10g), con- sistência, superfície, bordas, contornos, mobilidade, sulco mediano e pirâmide invertida Ginecologia Os casos mais relatados são sobre menstruação, dor pélvica, corrimento, prurido vaginal, infecção urinária, ciclo menstrual e queixas sexuais. Durante uma consulta ginecológica, perguntar sobre a coitarca, dispareunia (dor ao ter relações), frequência da relação sexual, tipo de relação sexual, métodos contracep- tivos, métodos de barreira (prevenção de IST), número de parceiros sexuais e possíveis doenças sexualmente transmissíveis Nos antecedentes ginecológicos, perguntar sobre os marcos, como telarca (apareci- mento do primeiro botão mamário), pubarca (começo do aparecimento dos pelos pubia- nos), axilarca (começo do aparecimento dos pelos axilares), menarca (primeira menstru- ação), coitarca (primeira relação sexual) e o método anticoncepcional (pílula mensal, pílula continua, DIU, diafragma, camisinha, implante intradérmico, adesivo cutâneo, anel vagina). Ao analisar o ciclo menstrual é necessário perguntar sobre o método anticoncepcional, doenças sexualmente transmissíveis, data da última menstruação e número de parcei- ros. A quantidade normal de sangue menstruado é de 30 a 150 ml, menos que isso é chamado de oligomenorréia e mais que isso é chamado de menorragia. O intervalo que fica sem menstruar normal é de 21 a 35 dias, quando se fica um período menor de 24 dias sem menstruar é chamado de polimenorreia e um período maior de 30 dias sem menstruar é chamado de ppsomenorreia. A duração normal de uma menstruação é de 2 a 8 dias, caso possua duração menor de 3 dias é chamado de hipomenorreia e caso possua duração maior de 7 dias é chamado de hipermenorreia. O primeiro dia da mens- truação é considerado o primeiro dia do ciclo menstrual. Há algumasalterações relacionadas com o ciclo menstrual, como dismenorreia (dor na menstruação), metrorragia (sangramento fora do ciclo, visto sempre como sinal de alerta, principal causa é a atrofia do endométrio, a segunda causa é câncer de endo- métrio) e a amenorreia (ausência de menstruação ou mais de 3 meses sem menstruar) O GPAE obstétrico é utilizado para saber o número de gestações (conta o bebê da gestação atual), partos, abortos e gestação ectópica Ao analisar a parte obstétrica, questionar sobre o tipo de parto, número de gestações e antecedentes de gestações anteriores. Bem como algumas doenças que são especí- ficas da gestação como hipertensão e diabetes (a diabetes pode continuar depois da gestação). A data prevista do parto é o dia da última menstruação + 7 e o mês da última mens- truação – 3. Os corrimentos vaginais são muito comuns e são divididos em: o Vaginose bacteriana: não há processo inflamatório (dispareunia, irritação vulvar e disúria. O corrimento vaginal é fluido, homogêneo, branco-acinzentado ou amarelado, normalmente em pequena quantidade e não aderente, e pode formar microbolhas. Sintoma típico: odor de peixe podre o Candidíase: corrimento branco, grumoso, aderido às paredes vaginais, aspecto de “leite coalhado”, apresenta prurido vaginal e ardor. o Tricomoníase vaginal: corrimento abundante, amarelo ou amarelo-esverdeado, mal- cheiroso e bolhoso. Prurido vulvar intenso, hiperemia e edema de vulva e vagina (disúria, polaciúria e dor suprapúbica) Durante o exame físico, realizar a inspeção, a palpação (descrevendo a consistência, aderência, mobilidade e dimensão) e a percussão, onde o som se apresenta timpânico ou maciço (como o útero) A inspeção da vulva busca analisar os lábios menores, lábios maiores, vulva, clitóris, vagina, uretra, glândula de Bartholin, glândula de Skene e ânus. É dividida em estática, buscando ulcerações, lesões verrucosas, obstrução da glândula de Bartholin formando Carolina Pretti – TXIV A 61 um cisto que se infeccionado forma um abscesso, cisto de Skene, larvas, hematoma vulvar e dinâmica, pedindo para o paciente fazer força e analisar prolapso do útero Na inspeção do colo do útero de preferência para o espéculo transparente para visualizar as paredes da vagina. O cuco vaginal é normal em período de ovulação A inspeção da mama é dividida em estática, onde analisa-se a simetria, abaulamentos, depressões e o tipo de mama, é possível identificar a polimastia (mamilo ou mamas fora do local usual, na linha embriológica de formação), inversão de mamilos (mamilo invertido para dentro), retração cutânea, erosão do mamilo, linfonodos na axila, ulcerações e abertura dos pontos após uma cirurgia. E em dinâmica, onde solicita-se que a paciente levante as mãos, coloque as mãos nas costas, rotacione os braços avaliando o músculo peitoral. Durante o exame ocorre a divisão da mama em quadrantes. A linha hemiclavicular e o mamilo, formam o quadrante superior interno, superior externo, inferior interno, e in- ferior externo. Esta determinação é utilizada principalmente em pacientes que vão ope- rar (os quadrantes caem após a anestesia, assim, a avaliação deve ser feita antes da anestesia). A palpação das mamas ocorre através das técnica de Bloodgood (palpação com a ponta dos dedos) e a técnica de Velpeau (palpação com a palpa das mãos). É necessário palpar os gânglios axilares, supraclaviculares e infraclaviculares Algumas doenças se caracterizam pela saída de secreção dos mamilos, assim é im- portante ficar atento. Dermatologia A pele serve para proteção, manter a temperatura, revestir outros órgãos e realizar parte do metabolismo da vitamina D. É dividida em camadas, sendo elas a epiderme, a qual contém queratina, derme, a qual abriga as fibras colágenas, vasos e inervação e a hipoderme, a qual abriga a gordura. A epiderme possui células córneas, onde ocorre transformações de queratinócitos em células córneas ocorrendo assim, a queratinização que dura cerca de 26-28 dias (tempo de renovação da pele), as células granulosa, as células de Malpighi e a camada basal, que possui melanócitos e queratinócitos. O exame da pele necessita de iluminação adequada, exposição da parte a ser exami- nada e utiliza da inspeção e palpação. A coloração da pele normal depende de 4 pigmentos: melanina (acastanhado da pele; depende da luz solar), caroteno (pigmento amarelo ouro; tecido subcutâneo e regiões queratinizadas; palmas das mãos e planta dos pés), oxi-hemoglobina (vermelhidão) e de- soxihemoglobina (cianose). É necessário analisar: o Palidez: generalizada (desaparecimento da cor rósea da pele em todo os locais) ou localizada/segmentar (desaparecimento da cor rósea da pele em locais específicos) o Vermelhidão: aumento da quantidade de sangue na rede vascular cutânea. Genera- lizada (escarlatina) ou localizada (“fogacho” do climatério) o Cianose: cianose por alteração na hemoglobina, é denominado metemoglobinemia. Na Tetralogia de Fallot a criança tem pouca oxigenação do sangue e suas extremidades ficam cianóticas. o Icterícia: Pele amarelada devido a ingestão de alimentos contendo caroteno. Quando a pele e as mucosas estão amareladas é icterícia e pode significar hepatites infec- ciosas, hepatopatia medicamentosa, leptospirose ou lesões obstrutivas das vias bi- liares o Albinismo: indivíduo não produz melanina. Albinismo oculocutâneo ou ocular o Bronzeamento: exposição ao sol. Na Doença de Addison, há insuficiência da adrenal e hemocromatose, ocorrendo depósito de ferro no organismo o Dermatografismo: reação vasomotora o Fenômeno de Reynaud: há palidez inicial, seguido de cianose e depois rubor (verme- lhidão). Doenças reumatológicas ou exposição ao frio, ocorre mais em mulheres, apresenta fenômeno vasomotor de várias causas como lúpus. A integridade da pele é vista pela presença de erosão, ulceração, fissura ou rágade A umidade da pele é vista por sensação tátil. É classificada em umidade normal, pele seca (idosos, esclerodermia) ou umidade aumentada ou pele sudorenta (febre, hiperti- reoidismo). A textura da pele é vista por sensação tátil. É classificada em textura normal, pele lisa ou fina (idosos, hipertireoidismo), pele áspera (pele muito exposta ao sol, trabalha- dores braçais) e pele enrugada (idosos, emagrecimento rápido, após edema) A espessura da pele é avaliada pinçando a epiderme e derme (antebraço, tórax, abdômen). Avalia-se epiderme e derme, mas não a hipoderme. É classificada em espes- sura normal, pele atrófica (idosos, prematuros) ou pele hipertrófica/espessa (expostos ao sol, trabalhadores braçais). A temperatura corporal (termômetro) é diferente da temperatura da pele (dorso da mão). É necessário comparar regiões homólogas (é classificada em temperatura normal, aumentada e diminuída). O processo inflamatório causa calor e rubor. A isquemia leva a palidez e hipotermia localizada. A elasticidade da pele é vista quando tracionada. É classificada em elasticidade normal, hiperelasticidade (S. de Ehler-Danlos) e hipoelasticidade (idosos, desnutridos) A mobilidade da pele é vista pelos movimentos da pele sobre os planos profundos. É classificada em mobilidade normal, motilidade diminuída/ausente (cicatrizes) ou mobilidade aumentada (S. de Ehler-Danlos) O turgor da pele é avaliado através do pinçamento com o polegar e indicador de uma prega da pele que engloba o tecido subcutâneo. É classificado em turgor normal (pele hidratada) ou turgor diminuído (desidratação) A sensibilidade da pele é classificada em sensibilidade dolorosa (analgesia/hiperestesia), sensibilidade tátil (perda ou diminuição=anestesia) ou sensibilidade térmica (frio e calor) As lesões elementares são decorrentes de processos inflamatórios, degenerativos, neoplásicos, distúrbios metabólicos ou defeito de formação. o Alteração da cor: Mancha ou mácula são áreas circunscritas de coloração diferente da pele que a circunda no mesmo plano do tegumento. Podem serpigmentares nas quais podem ocorrer alterações do pigmento melânico (hipocrômicas ou acrômicas/hansení- ase ou vitiligo/melasma/pelagra), vasculares que desaparecem com a digito pres- são e são eritematosas (telangiectasua venocapilar/aranhas vasculares/pele sensil/doenças exantemáticas/escarlatina/sifilis), hemorrágicas que não desa- parecem com a digito pressão (púrpuras) ou deposição pigmentar Equimoses são manchas hemorrágicas em placas. Nas primeiras 48 horas são avermelhadas, até 96 horas ficam arroxeadas; do quinto ao sexo dia azuladas; do sexto ao oitavo dia amareladas e voltam ao normal. Caso haja elevação da pele chamamos de hematoma. o Elevações edematosas: Urticária são lesões eritemato-edematosas, de contorno geográficos Pápulas são elevações sólidas de pequeno tamanho (hanseníase, acnem verruga, picas de inseto) Nevo são pequenas manchas marrons regulares na pele, salientes ou não; popu- larmente conhecidas por pintas e verrugas; a maioria surge por exposição ao sol; malformação congênita e circunscrita da pele, formato de macha ou tumor. Po- dem ser melânicos, vasculares Melanomas podem ser benignos ou malignos, suspeitar desses últimos em caso de assimetria, bordas irregulares, múltiplas cores e maiores que 6cm o Formações sólidas: Placa são lesões elevadas de 1 cm ou mais Nódulos são formações sólidas na hipoderme, com mais de 0,5 cm Vegetações são lesões sólidas salientes em couve flor o Coleções liquidas: Vesículas são elevações circunscritas da pele com o conteúdo liquido de até 1 cm Bolhas possuem diâmetro maior que 1 cm Pústula são vesículas com conteúdo purulento Abcessos o Alterações da espessura: Queratose é o espessamento da camada córnea Liquenificação é o espessamento da pele com acentuação das estrias Atrofia é o adelgaçamento da pele, pode ser senil/estrias o Perda e reparações teciduais Escama é um fino floco na epiderme que se desprende da superfície Erosão ou exulceração atinge somente a epiderme e é classificada como não traumática ou traumática Úlcera atinge a derme Crosta é o ressecamento da secreção na evolução da lesão Escaras é um tecido cutâneo necrosado em decorrência do atrito Cicatriz é a reposição de tecido destruído por tecido fibroso circunjacente. Possui formas e cores variadas