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Brasília-DF. Estruturas MEtálicas EspEciais Elaboração Giovanna Monique Alelvan Produção Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração Sumário APRESENTAÇÃO ................................................................................................................................. 4 ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA .................................................................... 5 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 7 UNIDADE I ESTRUTURAS METÁLICAS ESPECIAIS ......................................................................................................... 9 CAPÍTULO 1 AÇÕES ATUANTES NA ESTRUTURA .............................................................................................. 9 CAPÍTULO 2 AÇÕES PERMANENTES ........................................................................................................... 18 CAPÍTULO 3 AÇÕES VARIÁVEIS .................................................................................................................. 25 UNIDADE II OBRAS DE ARTE ESPECIAIS ................................................................................................................... 36 CAPÍTULO 1 PONTES, VIADUTOS E PASSARELAS ........................................................................................... 36 CAPÍTULO 2 SISTEMA ESTRUTURAL DA SUPERESTRUTURA .............................................................................. 46 UNIDADE III ESTRUTURAS ESPECIAIS ......................................................................................................................... 60 CAPÍTULO 1 ESCADAS ............................................................................................................................... 60 CAPÍTULO 2 FUNDAÇÕES .......................................................................................................................... 74 REFERÊNCIAS .................................................................................................................................. 85 4 Apresentação Caro aluno A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se entendem necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. Caracteriza-se pela atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como pela interatividade e modernidade de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da Educação a Distância – EaD. Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade dos conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos específicos da área e atuar de forma competente e conscienciosa, como convém ao profissional que busca a formação continuada para vencer os desafios que a evolução científico-tecnológica impõe ao mundo contemporâneo. Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo a facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na profissional. Utilize-a como instrumento para seu sucesso na carreira. Conselho Editorial 5 Organização do Caderno de Estudos e Pesquisa Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em capítulos, de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos básicos, com questões para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam tornar sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também, fontes de consulta para aprofundar seus estudos com leituras e pesquisas complementares. A seguir, apresentamos uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos Cadernos de Estudos e Pesquisa. Provocação Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor conteudista. Para refletir Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa e reflita sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. É importante que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. As reflexões são o ponto de partida para a construção de suas conclusões. Sugestão de estudo complementar Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo, discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso. Atenção Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a síntese/conclusão do assunto abordado. 6 Saiba mais Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões sobre o assunto abordado. Sintetizando Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos. Para (não) finalizar Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar a aprendizagem ou estimula ponderações complementares sobre o módulo estudado. 7 Introdução As estruturas metálicas têm ganhado cada vez mais espaço nas obras civis em decorrência das inúmeras vantagens do uso dos perfis metálicos como, por exemplo, baixo custo de produção, de conformação, a possibilidade de serem empregadas em conjunto com outros materiais de construção (concreto, madeira), sendo esse sistema conhecido como estruturas mistas. Nesse aspecto, o aço ampliou suas aplicações e começou a incorporar elementos estruturais de obras de engenharia de grande porte, como as pontes e viadutos, desde o guarda-corpo até a fundação. Diante desse contexto, nesse caderno de estudos serão abordadas as estruturas especiais de engenharia, buscando dar enfoque à aplicação do aço. Na Unidade I são apresentadas as ações atuantes nas estruturas, uma vez que é de suma importância o seu conhecimento prévio para o dimensionamento da estrutura e elementos metálicos a serem abordados. Na Unidade II estão apresentadas as informações sobre sistema estrutural, seção transversal de pontes, viadutos e passarelas. Por fim, a Unidade III discutirá sobre as escadas, estruturas especiais comumente mais empregadas em edificações, bem como destacará o elemento de fundação de obras civis. Objetivos » Apresentar as ações atuantes nas estruturas metálicas. » Apresentar algumas obras de arte especiais da engenharia: pontes, viadutos e passarelas. » Apresentar o sistema estrutural dessas obras de arte especiais. » Apresentar os aspectos estruturais e arquitetônicos das escadas. » Abordar os tipos de fundações para estruturas especiais. 8 9 UNIDADE IESTRUTURAS METÁLICAS ESPECIAIS Nesta unidade serão apresentadas as ações atuantes em estruturas metálicas especiais – pontes, viadutos e passarelas. Por se tratarem de obras de arte que são destinadas a vencer obstáculos naturais e possibilitar o tráfego de veículos e pessoas, a determinação das ações na estrutura é de suma importância. Desse modo, será destacado cada tipo de ação: permanente, variável e excepcional. CAPÍTULO 1 Ações atuantes na estrutura Todas as estruturas, metálica ou em concreto, são projetadas para desempenhar uma dada função que justifique o investimento e a sua construção para com a pessoas, seja essa uma edificação residencial ou comercial, pontes, viadutos, torres de transmissão, entre outros. Em qualquer uma dessas condições, as estruturas encontram-se solicitadas por cargas permanentes, variáveis e/ou excepcionais que devem ser consideradas em projeto para garantir a segurança, além de a sua determinação ser essencial para o dimensionamento dos elementos que compõem a estrutura. Há três tipos de ações atuantes na estrutura: permanentes, variáveis e excepcionais. Ações permanentes São as que ocorrem com valores praticamente constantes durante toda a vida útil da construção. Também são consideradas permanentes as ações que crescem no tempo, tendendo um valor-limite constante.» Ações permanentes diretas: peso próprio da estrutura – pesos próprios dos elementos construtivos fixos e das instalações permanentes – empuxos permanentes causados por movimento de terra e de outros materiais granulosos quando forem admitidos não removíveis. 10 UNIDADE I │ ESTRUTURAS METÁLICAS ESPECIAIS » Ações permanentes indiretas: deformações impostas por retração, deslocamentos de apoio e imperfeições geométricas. Ações variáveis Apresentam variações significativas de valores durante a vida útil da construção. As comumente existentes são causadas em função do uso, como as cargas móveis ou acidentais, força centrífuga, choque lateral, efeito de frenagem e aceleração, variação de temperatura, ação do vento, pressão hidrostática etc. Ações excepcionais Têm duração extremamente curta e probabilidade muito baixa de ocorrência durante a vida da construção, mas que devem ser consideradas nos projetos de determinadas estruturas. São ações excepcionais aquelas decorrentes de causas como explosões, choques de veículos, incêndios, enchentes e sismos excepcionais. Os próximos capítulos desta unidade irão abordar detalhadamente cada tipo de ação em pontes e viadutos, bem como ressaltar as principais considerações de projeto. Segurança em estruturas metálicas Basicamente existem três métodos de verificação da resistência de uma estrutura: » Método da tensão admissível: o método compara as solicitações nominais com as resistências nominais multiplicadas por coeficientes de segurança menores que 1, levando-se em conta as incertezas de cálculo relacionadas aos efeitos das ações e/ou quanto às resistências propriamente ditas. » Método dos coeficientes das ações: esse método assemelha-se ao anterior, porém, há uma inversão do coeficiente de segurança. Nesse caso, devido às incertezas decorrentes dos efeitos das ações e resistências, são colocados coeficientes maiores que 1, especificados para cada tipo de ação, com o intuito de obter solicitações majoradas para comparar a resistência nominal. » Método dos estados-limites: as incertezas de cálculo relativas aos efeitos das ações são levadas em conta através de coeficientes específicos para cada tipo de ação, no sentido de majorar as solicitações no elemento 11 ESTRUTURAS METÁLICAS ESPECIAIS │ UNIDADE I estrutural analisado. As relativas às resistências são determinadas por coeficientes usados no sentido de minorá-las. Desse modo, são obtidas as solicitações e resistências de cálculo, as quais são comparadas entre si. É indispensável que as solicitações de cálculo sejam menores que as resistências de cálculo. Acompanhando a tendência mundial, foi implantada no Brasil em 1986 a NBR 8800 para o projeto e execução de estruturas de aço de edifícios, revisada em 2008, usando o método dos estados-limites. Estados-limites de segurança São estados a partir dos quais uma estrutura não mais satisfaz a finalidade para a qual foi projetada. Os estados-limites se dividem em dois: » Estados-limites últimos (ELU): “Os estados-limites últimos estão relacionados com a segurança da estrutura sujeita às combinações mais desfavoráveis de ações previstas em toda vida útil, durante a construção ou quando atuar uma ação especial ou excepcional.” (ABNT NBR 8800:2008, p.14). » Estados-limites de serviço (ELS): “Os estados-limites de serviço estão relacionados com o desempenho da estrutura sob condições normais de utilização.” (ABNT NBR 8800:2008, p. 14). Valores das ações Valores característicos (Fk) São valores médios para uma amostragem de corpos de prova ensaiados. Tabela 1. Tipos de ações. Ações permanentes Ações variáveis Os valores característicos das ações permanentes (Fgk) devem ser adotados iguais aos valores médios das respectivas distribuições de probabilidade. Os valores característicos das ações variáveis (Fqk) são estabelecidos por consenso e indicados em Normas Brasileiras específicas. Esses valores têm uma probabilidade preestabelecida de serem ultrapassados no sentido desfavorável, durante um período de 50 anos. Fonte: Prudente, 2012. Para ações que não tenham sua variabilidade adequadamente expressa por distribuição de probabilidade, os valores característicos são substituídos por valores 12 UNIDADE I │ ESTRUTURAS METÁLICAS ESPECIAIS característicos nominais, escolhidos de modo a assegurar o nível de exigência da ABNT NBR 8800:2008. Valores de cálculo d f kF F= γ ⋅ Onde: f f1 f 2 f 3γ = γ ⋅ γ ⋅ γ γf1 é a parcela do coeficiente de ponderação das ações γf, que considera a variabilidade das ações; γf2 é a parcela do coeficiente de ponderação das ações γf, que considera a simultaneidade de atuação das ações; γf3 é a parcela do coeficiente de ponderação das ações γf, que considera os possíveis erros de avaliação dos efeitos das ações, seja por problemas construtivos, seja por deficiência do método de cálculo empregado, de valor igual ou superior a 1,10. Coeficientes de ponderação das ações no estado-limite último (ELU) Os valores-base para verificação dos estados-limites últimos são apresentados nas tabelas 2 e 3, para o produto γf1. γf3 e γf2, respectivamente. O produto γf1 . γf3 é representado por γg e γq. O coeficiente γf2 é igual ao fator de combinação ψ0. O valor do coeficiente de ponderação de cargas permanentes de mesma origem, num dado carregamento, deve ser o mesmo ao longo de toda a estrutura. Tabela 2. Coeficientes de ponderação das ações = γf1 . γf3. Combinações Ações permanentes (γg) IndiretasPeso próprio de estruturas metálicas Peso próprio de estruturas pré-moldadas Peso próprio de estruturas moldadas no local e de elementos construtivos industrializados e empuxos permanentes Peso próprio de elementos construtivos industrializados com adições in loco Peso próprio de elementos construtivos em geral e equipamento Normais 1,25 (1,00) 1,30 (1,00) 1,35 (1,00) 1,40 (1,00) 1,50 (1,00) 1,20 (0) Especiais ou de construção 1,15 (1,00) 1,20 (1,00) 1,25 (1,00) 1,30 (1,00) 1,40 (1,00) 1,20 (0) Excepcionais 1,10 (1,00) 1,15 (1,00) 1,15 (1,00) 1,20 (1,00) 1,30 (1,00) 0 (0) 13 ESTRUTURAS METÁLICAS ESPECIAIS │ UNIDADE I Combinações Ações variáveis (γq) Efeito da temperatura Ação do vento Ações de truncadas Demais variáveis incluindo as decorrentes do uso e ocupação Normais 1,20 1,40 1,20 1,50 Especiais ou de construção 1,00 1,20 1,10 1,30 Excepcionais 1,00 1,00 1,00 1,00 Atentar às observações presentes na normativa. Fonte: ABNT NBR 14672:2010. Tabela 3. Valores dos fatores de combinação e ψ0 de redução ψ1 e ψ2 para as ações variáveis. Ações ψf2 ψ0 ψ1 ψ2 Ações variáveis causadas pelo uso e ocupação Locais em que não há predominância de pesos e de equipamentos que permanecem fixos por longos períodos de tempo, nem de elevadas concentrações de pessoas. 0,5 0,4 0,3 Locais em que há predominância de pesos e de equipamentos que permanecem fixos por longos períodos de tempo, ou de elevadas concentrações de pessoas. 0,7 0,6 0,4 Bibliotecas, arquivos, depósitos, oficinas e garagens e sobrecargas em coberturas. 0,8 0,7 0,6 Vento Pressão dinâmica do vento nas estruturas em geral. 0,6 0,3 0 Temperatura Variações uniformes de temperatura em relação à média anual local. 0,6 0,5 0,3 Cargas móveis e seus efeitos dinâmicos Passarela de pedestre. 0,6 0,4 0,3 Pilares e outros elementos ou subestruturas que suportam vigas de rolamento de pontes rolantes. 0,7 06 0,4 a. Ver alínea c) de 6.5.3 da Norma. b. Edificações residenciais de acesso restrito. c. Edificações comerciais, de escritórios e de acesso público. d. Para combinações excepcionais onde a ação principal for sismo, admite-se adotar o valor zero. Fonte: ABNT NBR 14672:2010. Combinações últimas de ações Combinações últimas normais As combinações últimas normais decorrem do uso previsto da edificação. Para cada combinação, aplica-se a seguinte expressão: ( ) ( ) m n d gi Gi,k qi Q1,k qj oj Qj,k i 1 j 2 F FF F = = = γ ⋅ +γ ⋅ + γ ⋅ψ ⋅∑ ∑ Onde: FGi,k representa os valores característicos das ações permanentes; FQ1,k é o valor característico da ação variável considerada principal para a combinação; FQj,k representa os valores característicos das ações variáveis que podem atuar concomitantemente com a ação variável principal. 14 UNIDADE I │ ESTRUTURAS METÁLICAS ESPECIAIS Combinações últimas especiais As combinações últimas especiais decorrem do uso previsto da edificação. Para cada combinação, aplica-se a seguinte expressão: ( ) ( ) m n d gi Gi,k qi Q1,k qj oj,ef Qj,k i 1 j 2 F F F F = = = γ ⋅ +γ ⋅ + γ ⋅ψ ⋅∑ ∑ Onde: FGi,k é o valor característico da ação variável especial; FQ1,k representa os fatores de combinação efetivos de cada uma das ações variáveis que podem atuar concomitantemente com a ação variável especial FQ1. Os fatores ψ0j,ef são iguais aos fatores ψ0j adotados nas combinações normais, salvo quando a ação variável especial FQ1 tiver um tempo de atuação muito pequeno, caso em que ψ0j,ef podem ser tomados como os correspondentes fatores de redução ψ2j. Combinações últimas de construção Para cada combinação aplica-se a mesma expressão usada para combinações especiais, onde FQ1,k é o valor característico da ação variável admitida como principal para a situação transitória considerada. Combinações últimas excepcionais As combinações últimas excepcionais decorrem da atuação de ações excepcionais que podem provocar efeitos catastróficos. O carregamento excepcional é transitório, com duração extremamente curta. ( ) ( ) m n d gi Gi,k Q,exc qj oj,ef Qj,k i 1 j 2 F F F F = = = γ ⋅ + + γ ⋅ψ ⋅∑ ∑ Onde: FQ,exc é o valor da ação transitória excepcional. Combinações de serviço As expressões gerais apresentadas a seguir incluem as ações permanentes. Em algumas verificações apresentadas no Anexo C da ABNT NBR 8800:2008, essas ações podem ser desconsideradas. 15 ESTRUTURAS METÁLICAS ESPECIAIS │ UNIDADE I Combinações quase permanentes de serviço As combinações quase permanentes são aquelas que podem atuar durante grande parte do período de vida da estrutura, da ordem da metade desse período. Essas combinações são utilizadas para os efeitos de longa duração e para aparência da construção. Nas combinações quase permanentes, todas as ações variáveis são consideradas com seus valores quase permanentes ψ2.FQ,k: ( ) ( ) m n ser Gi,k 2 j Qj,k i 1 j 2 F F F = = = + ψ ⋅∑ ∑ No contexto dos estados-limites de serviço, o termo “aparência” deve ser entendido como relacionado a deslocamentos excessivos que não provoquem danos a outros componentes da construção, e não a questões meramente estéticas. Combinações frequentes de serviço As combinações frequentes são aquelas que se repetem muitas vezes durante o período de vida da estrutura, da ordem de 105 vezes em 50 anos, ou que tenham duração total igual a uma parte não desprezível desse período, da ordem de 5%. Essas combinações são utilizadas para estados-limites reversíveis, isto é, que não causam danos permanentes à estrutura ou a outros componentes da construção, incluindo os relacionados ao conforto dos usuários e ao funcionamento de equipamentos, tais como vibrações excessivas, movimentos laterais excessivos que comprometam a vedação, empoçamentos em coberturas e aberturas de fissuras. Nas combinações frequentes, a ação variável principal FQ1 é tomada com seu valor frequente ψ1.FQ1,k e todas as demais ações variáveis são tomadas com seus valores quase permanentes ψ2.FQ,k: m n ser Gi,k 1 Q1,k 2 j Qj,k i 1 j 2 F F F ( F ) = = = +ψ ⋅ + ψ ⋅∑ ∑ Combinações raras de serviço As combinações raras são aquelas que podem atuar no máximo algumas horas durante o período de vida da estrutura. Essas combinações são utilizadas para os estados-limites irreversíveis, isto é, que causam danos permanentes à estrutura ou a outros componentes da construção, e para aqueles relacionados ao funcionamento adequado da estrutura, tais como formação de fissuras e danos aos fechamentos. Nas combinações raras, a ação variável principal FQ1 é tomada com seu valor característico FQ1,k e todas as demais ações variáveis são tomadas com seus valores frequentes ψ1.FQ,k: m n ser Gi,k Q1,k 1j Qj,k i 1 j 2 F F F ( F ) = = = + + ψ ⋅∑ ∑ 16 UNIDADE I │ ESTRUTURAS METÁLICAS ESPECIAIS Resistências As resistências dos materiais são representadas pelos valores característicos definidos como aqueles que, em um lote de material, têm apenas 5% de probabilidade de não serem atingidos. Na ABNT NBR 8800:2008, o valor característico pode ser substituído pelo nominal, quando fornecido por norma ou especificação aplicável ao material. Por simplicidade o termo “nominal” aplicado a uma resistência pode significar tanto uma resistência característica quanto uma resistência nominal. Valores de cálculo k d m ff = γ Onde: fk resistência característica ou nominal; γm coeficiente de ponderação da resistência dado por: γm = γm1 ∙ γm2 ∙ γm3 γm1 parcela do coeficiente de ponderação que considera a variabilidade da resistência dos materiais envolvidos; γm2 parcela do coeficiente de ponderação que considera a diferença entre a resistência do material no corpo de prova e na estrutura; γm3 parcela do coeficiente de ponderação que considera os desvios gerados na construção e as aproximações feitas em projeto do ponto de vista das resistências. Coeficientes de ponderação das resistências no estado-limite último (ELU) Os valores dos coeficientes de ponderação das resistências γm do aço estrutural, do concreto e do aço das armaduras, representados respectivamente por γa, γc, e γs, são dados na tabela 4, em função da classificação da combinação última de ações. Outros valores de coeficientes de ponderação de resistências, como os relacionados a conectores de cisalhamento e metal de solda, em partes específicas da ABNT NBR 8800:2008. 17 ESTRUTURAS METÁLICAS ESPECIAIS │ UNIDADE I Tabela 4. Valores dos coeficientes de ponderação das resistências γm. Combinações Aço estrutural * γa Concreto γc Aço das armaduras γs Escoamento, flambagem e instabilidade γa1 Ruptura γa2 Normais 1,10 1,35 1,40 1,15 Especiais ou de construção 1,10 1,35 1,20 1,15 Excepcionais 1,00 1,15 1,20 1,00 * Inclui o aço de fôrma incorporada, usado nas lajes mistas de aço e concreto, de pinos e parafusos. Fonte: <https://www.passeidireto.com/arquivo/17969945/estruturasmetalicas_nbr8800_2008>. Coeficientes de ponderação das resistências no estado- limite de serviço (ELS) Os limites estabelecidos para os estados-limites de serviço não necessitam de minoração, portanto, γm = 1,00. 18 CAPÍTULO 2 Ações permanentes As cargas permanentes consistem em ações que estão sempre presentes na estrutura e, portanto, devem ser consideradas para um período de longa duração. Em pontes, viadutos e passarelas, as cargas permanentes referem-se ao peso próprio dos elementos e dos dispositivos que compõe a estrutura, tais como: » peso próprio; » pavimentação: trilhos, dormentes, lastros, revestimentos, defensas, guarda-rodas; » guarda-corpos, dispositivo de sinalização; » empuxo de terra e de líquidos; » força de protensão; » deformações impostas (fluência e retração do concreto e deslocamento dos apoios). Peso próprio dos elementos estruturais A determinação do peso próprio dos elementos estruturais se dá a partir do cálculo de volume de cada peça obtida através de um pré-dimensionamento. Vale salientar que a diferença de peso da estrutura e da estimativa no pré-dimensionamento deve ser inferior a 5% e para estruturas em concreto considerar os seguintes valores de peso específico: » concreto simples: 24 kN/m3; » concreto armado ou protendido: 25 kN/m3. O pré-dimensionamento da estrutura leva em consideração os três elementos que compõem as pontes e viadutos, sendo elas: a superestrutura, mesoestrutura e a infraestrutura (Figura 1), assim dimensionam-se inicialmente as lajes do tabuleiro,vigas de contraventamento, pilares, estacas de fundação etc. Adicionalmente, estimam-se os guarda-corpo, barreiras de contenção de impacto etc. 19 ESTRUTURAS METÁLICAS ESPECIAIS │ UNIDADE I Figura 1. Elementos estruturais de pontes e viadutos. Fonte: Vitório, 2002. No que se refere a pontes metálicas ou em madeira, para a definição do número de peças estruturais é mais apropriado fazer uso de fórmulas empíricas que são funções diretas das características da obra, e desse modo calcular o peso próprio da estrutura de forma mais aproximada possível. Peso de elementos não estruturais Pavimentação e lastro ferroviário Além disso, o estudo de previsão de cargas permanentes é função da natureza da estrutura, uma vez que essas podem ser construídas para transpor obstáculos e possibilitar o tráfego contínuo de veículos e pessoas. As pontes/viadutos podem ser empregadas para fins rodoviários, ferroviário, passarelas, aeroviário e aqueduto (Figura 2). Nesse contexto, deve-se considerar o peso próprio de elementos não estruturais, tais como: pavimentação, recapeamento, lastro ferroviário, dormentes, trilhos e acessórios. Devem ser tomados, no mínimo, os seguintes valores dos pesos específicos: » Pavimentação = 24 kN/m3. » Lastro ferroviário = 18 kN/m3. » Dormentes, trilhos e acessórios = 8 kN/m por via. » Para o recapeamento deve-se prever uma carga adicional de 2 kN/m2. 20 UNIDADE I │ ESTRUTURAS METÁLICAS ESPECIAIS Figura 2. Ponte e viaduto para tráfego de pessoas e carga - (a) Viaduto ferroviário Ghotour - Irã; (b) Ponte Rio-Niteroi - Brasil. (a) (b) Fonte: (a) Prandi, 2018); (b) Pinterest, 2018. Empuxo de terra e de água Quanto ao aspecto geotécnico, o cálculo envolve o empuxo de terra contra a estrutura de contenção como cortinas e encontros. Admite-se o empuxo ativo (Ea) nas condições mais desfavoráveis e o empuxo passivo, por sua vez, é considerado apenas quando se tratam de cortinas atirantadas, como ilustra a figura 3. O empuxo de terra é determinado seguindo os princípios da mecânica dos solos. De acordo com a sua natureza, as características geotécnicas e geológicas, inclinação dos paramentos etc. » Peso específico do solo úmido = 18kN/m3. » Ângulo de atrito interno = 30°. » Admite-se solo sem coesão. 21 ESTRUTURAS METÁLICAS ESPECIAIS │ UNIDADE I Figura 3. Empuxo de terra – (a) Ativo; (b) Passivo. (a) (b) Fonte: Catai, 2005. Na literatura, há recomendações de que pilares implantados isoladamente no aterro, a largura fictícia igual a 3 vezes a largura do pilar, enquanto que pilares externos alinhados transversalmente devem se manter uma semidistância entre eixos acrescida de uma vez e meia a largura do pilar. Para pilares intermediários, a largura deve ser igual à distância entre eixos. O empuxo de água decorrente dos cursos d’água e do lençol freático deve ser avaliado atentando-se às situações mais desfavoráveis. É necessário um levantamento dos seus níveis máximo e mínimo, registrados em bancos de dados com informações de longos períodos históricos. No caso de estrutura de contrapeso enterrado é indispensável a avaliação do peso e a admissão da hipótese de sua submersão total, ou desde que comprove a impossibilidade de ocorrência de tal condição. 22 UNIDADE I │ ESTRUTURAS METÁLICAS ESPECIAIS O empuxo também deve ser considerado quando não há sistemas de drenagem ou não são adequados. É o caso dos muros de arrimo, onde deve ser especificado em projeto o sistema de drenagem, estabelecendo uma camada filtrante na face do muro que se encontra em contato com o solo, bem como a instalação de drenos para evitar o aumento da pressão hidrostática. Força de protensão A força de protensão é considerada de acordo com a nova versão da NBR6118:2014, que aborda os princípios do concreto protendido. No entanto, embora não exista uma norma técnica exclusiva para tratar da protensão em peças metálica, pode-se verificar na literatura que diversos autores têm abordado o emprego da protensão em vigas metálicas. É o caso de Nunziata, que em 1999 realizou um estudo sobre estruturas em aço protendido onde apresentou informações relevantes quanto aos princípios básicos da protensão, das características dos materiais, das técnicas e verificação de protensão em aço (FERREIRA, 2007). Para avaliar a protensão em vigas metálicas, o autor realizou ensaios experimentais em uma viga com seguintes as dimensões: 21,4 m de comprimento; 0,80m de altura; 10 cabos de 15 mm de diâmetro foram empregados para protensão da peça. A figura 4 ilustra a realização dos ensaios em vigas protendidas. O carregamento foi aplicado sobre a viga através de blocos de concreto de 25 kN ao logo de todo o comprimento, totalizando aproximadamente 475 kN, e aplicou-se uma força de protensão de 151 kN em cada cabo. O autor pode observar que em termos de resistência e deformação a viga protendida destaca-se ao compará-la com outros tipos de estrutura. Figura 4. Viga metálica protendida. Fonte: Ferreira, 2007. 23 ESTRUTURAS METÁLICAS ESPECIAIS │ UNIDADE I Deformações impostas Fluência A análise de fluência na estrutura é importante devido ao acréscimo de deformação com o tempo quando este é submetido a um estado de tensões constante por um dado período de tempo (Figura 5a). Em termos de deformação por fluência, o que se pode notar é que nos estágios iniciais após a aplicação do carregamento, a deformação aumenta gradativamente até atingir um valor máximo onde se estabiliza tal comportamento (Figura 5b). Figura 5. Fluência. (a) Estado de tensão constante; (b) Deformação por fluência. (a) (b) Fonte: adaptado de Gilbert e Ranzi, 2011. Retração A retração é o nome do fenômeno no qual ocorre o aumento gradual da deformação de um elemento devido à sua exposição a um ambiente externo com umidade relativa inferior à saturação da pasta de cimento, bem como às reações químicas relativas às próprias características do material, como grau de hidratação, microestrutura dos concretos e componentes da mistura. Os principais tipos de retração estão apresentados no esquema a seguir. Figura 6. Retração do concreto Química Evaporação parcial da água capilar Carbonatação Fonte: Catai, 2005. 24 UNIDADE I │ ESTRUTURAS METÁLICAS ESPECIAIS Os fatores que induzem à retração, assim como o fenômeno de fluência, são: » presença de água capilar; » geometria da peça; » grau de exposição; » variação de umidade; » idade do concreto; » condições de cura; » exposição a altas temperaturas; » quantidade de armadura; » magnitude das tensões. Deslocamento de apoio Um dos critérios para escolher entre uma estrutura principal isostática ou outra hiperestática consiste justamente em eliminar a segunda solução quando houver temor de recalques excessivos de fundação. 25 CAPÍTULO 3 Ações variáveis Cargas móveis As cargas móveis são provenientes do tráfego de veículos ou pessoas sobre estruturas como ponte, viadutos e passarelas. Os esforços internos variam tanto em decorrência da intensidade das cargas atuantes, bem como a posição de sua aplicação. O carregamento móvel é estabelecido em projeto de dimensionamento da superestrutura baseando-se no banco de dados coletados em campo e através de simulações trem-tipo estabelecidas e recomendações pelas normativas técnicas (Figura 6). O trem-tipo consiste em um conjunto de carregamento móvel atuante sob estrutura em pontos mais desfavoráveis em cada seção para dimensionamento e as combinações de carregamento. A Norma Técnica Brasileira ABNT NBR 7188: 2013 trata desse tipo de carga, apontando os aspectos quanto à verificação da resistência no estado-limite admissível. A primeira versão da norma foi publicada em 1984 e a partir de então o fluxo de veículos aumentou cada vez mais. Atualmente, o tráfego de veículos leves e pesados aumentou expressivamente, como consequência,pode-se observar que o modal rodoviário é o predominante no país. Tal fato impulsionou para que a Norma passasse por revisões em dados períodos. São razões para revisão: » aumento da densidade do trafágo atual; » magnitude das ações acidentais; » aparecimento constante de anomalias observadas em pontes e viadutos. Figura 7. Cargas moveis. Fonte: Moraes et al., 1994 apud Santos, 2003. 26 UNIDADE I │ ESTRUTURAS METÁLICAS ESPECIAIS Segundo a NBR 6118:2014, a resistência à fadiga no caso de pontes em concreto é minorada pelo método do tempo de vida útil à fadiga, garantido, entretanto, uma calibração a partir de dados de tráfego em rodovias no Brasil. Para análise do comportamento da estrutura, é muito comum utilizar-se do método das linhas de influência, que podem ser determinadas analiticamente ou por meio de softwares. A NBR 7188:2013 e a NB-6/60 estabelecem classes em função da carga máxima permitida para o tráfego (Tabela 5). Tabela 5. Classe de pontes. Ano Classes da ponte Descrição 1960 a 1984 Classe 36 Em rodovias de características da Classe I Classe 24 Em rodovias de características da Classe II Classe 12 Em rodovias de características da Classe III 1984 a 2004 Classe 45 Veículo tipo de 450 kN de peso total Classe 30 Veículo tipo de 300 kN de peso total Classe 12 Veículo tipo de 120 kN de peso total Fonte: ABNT NBR 7188. Linhas de influência Linhas de influência (LI) retratam o efeito dos esforços em função do posicionamento de uma carga vertical unitária aplicada na estrutura, geralmente no sentido de cima para baixo, em diversos trechos. Desse modo, a linha de influência é a representação gráfica de diagramas de momentos fletores, reação de apoio, esforço cortante e normal. A figura 8 ilustra a representação da LI de uma viga apoiada com uma carga unitária aplicada a uma distância x do apoio (da esquerda para a direta). Figura 8. Linha de influência de momento fletor de uma viga. Fonte: Holtz, 2005. No estudo da teoria das estruturas, convencionou-se que os valores positivos dos esforços no diagrama da LI são representados abaixo da linha de referência da viga. 27 ESTRUTURAS METÁLICAS ESPECIAIS │ UNIDADE I Analogamente, os valores negativos são desenhados acima. Essa convenção facilita a compreensão da análise, porém, não é uma regra. O que se recomenda, portanto, é sempre apontar na representação o sinal (+) ou (-). A configuração do traçado possibilita a obtenção das envoltórias limites de esforços necessários para o cálculo de dimensionamento das estruturas que estão sujeitas a atuação desse tipo de carregamento. O método da linha de influência pode ser estabelecido através do princípio dos deslocamentos virtuais (PDV) e se aplica a qualquer estrutura, seja ela isostática ou hiperestática. Holtz (2005) apud Sussekind (1997) destaca que para o traçado da LI deve-se prosseguir da seguinte forma: » O efeito do esforço ou reação parte do vínculo que irá transmitir o efeito, o qual deseja-se determinar a linha de influência. » Na seção de atuação do esforço, confere-se à estrutura um deslocamento unitário, sempre no sentido contrário ao efeito positivo. Vale salientar, para cada tipologia de efeito, que o deslocamento é atribuído distintamente. » O arranjo da deformada obtida é a linha de influência, propriamente dita. A tabela 6 apresenta o deslocamento generalizado para cada tipo de efeito que pode estar atuando na estrutura. Tabela 6. Atribuição dos deslocamentos unitários. Efeito Reação de apoio Esforço normal Esforço cortante Momento fletor Deslocamento generalizado Fonte: Holtz, 2005. Os valores máximos e mínimos dos esforços internos em uma dada seção (S) decorrentes das ações atuantes sobre a estrutura podem ser definidos pelas expressões apresentadas na tabela 7. 28 UNIDADE I │ ESTRUTURAS METÁLICAS ESPECIAIS Tabela 7. Momento fletor em uma viga. Carga atuante Momento Fletor Carga permanente ( ) 12 12 0 0 = ⋅ = ⋅∫ ∫gs s sM M x gdx LIM gdx Carga móvel 4 4 0 0 ( ) = ⋅ + ⋅∫ ∫qs máx s sM LIM qdx LIM qdx 0 4 ( ) = ⋅∫qs mín sM LIM qdx Carga unitária ( ) = ⋅P Máxs smáxM LIM P ( ) = ⋅P Míns smínM LIM P Fonte: Holtz, 2005. Onde: g é carregamento permanente uniformemente distribuído; q é carregamento acidental (carga móvel) uniformemente distribuído; P é carga unitária; LIMs é a maior ordenada positiva ou negativa da linha de influência. Portanto, os valores máximos e mínimos de momento fletor são dados com a somatória de todas as cargas atuantes em cada condição, como indicado nas equações abaixo. Vale salientar que o valor máximo final de um determinado esforço em uma seção não necessariamente será positivo, nem o valor mínimo final será necessariamente negativo, pois os esforços são função da magnitude dos valores provocados pelos carregamentos permanente e acidental. ( ) ( )( )= + +g q Ps s máx smáx máxM M M M ( ) ( )( )= + +g q Ps s min smín mínM M M M Ações atuantes em pontes e viadutos Ações verticais As cargas verticais atuantes sobre o pavimento são oriundas do tráfego de veículos e podem ser determinadas pelas expressões apresentadas abaixo. Q = P ∙ CIV ∙ CNP ∙ CIA q = p ∙ CIV ∙ CNF ∙ CIA 29 ESTRUTURAS METÁLICAS ESPECIAIS │ UNIDADE I P é a carga vertical estática concentrada aplicada no nível do pavimento; p é a carga vertical estática uniformemente distribuída aplicada no nível do pavimento; Q é a carga concentrada vertical móvel aplicada no nível do pavimento; q é a carga móvel distribuída aplicada no nível do pavimento; CIV é o coeficiente de impacto vertical; CNP é o coeficiente do número de faixas; CIA é o coeficiente de impacto adicional. Cargas verticais nos passeios Nos passeios para pedestres das pontes e viadutos deve-se adotar carga vertical uniformemente distribuída de 3kN/m2 na posição mais desfavorável, bem como a atuação simultânea com a carga móvel rodoviária. Posteriormente, deve-se realizar as verificações e dimensionamentos dos diversos elementos estruturais. Efeitos dinâmicos das cargas moveis – coeficientes de impacto Esse coeficiente aplicado às cargas estáticas (trem-tipo), substitui os efeitos das cargas dinâmicas (NBR 7187:2013): 1,4 0,007 1,0ϕ = − × ≥ − obras rodoviária 0,001 (1600 60 2,25 ) 1,2ϕ = × − + × ≥ − obras ferroviária Onde: 𝓵 – comprimento do vão carregado (em metros). Em casos particulares, em que os vãos com comprimentos variados onde o menor comprimento seja equivalente ou superior a 70% do valor máximo, pode-se admitir um vão ideal correspondente à média aritmética dos demais vãos teóricos. Para vigas em balanço, deve-se considerar o comprimento 𝓵 como sendo o dobro do valor existente para fins de dimensionamento. Pela expressão do coeficiente de impacto, pode-se observar que quanto maior o vão, menor será o valor do coeficiente de impacto (φ) mostrando um comportamento inversamente proporcional. 30 UNIDADE I │ ESTRUTURAS METÁLICAS ESPECIAIS Coeficiente de impacto vertical O coeficiente de impacto vertical é empregado no dimensionamento de toda a estrutura, majorando as cargas moveis verticais. O coeficiente é definido como sendo: CIV = 1,35 – para estruturas com vão menor do que 10 m. 20CIV 1 1,06 para estruturas com v oentre10e 20m. LIV ã 50 = + ⋅ − + Onde: − − − L estrutura com vão isotrotipo LIV Média aritmetica dos vãos vão contínuos Comprimento em balanço em balançestr outura Em caso de estruturas com vãos superiores a 200 m, deve-se se realizar um estudo específico para a avaliação do aspecto dinâmico e, desse modo, determinar o coeficiente de impacto vertical. Coeficiente de impacto adicional O coeficiente de impacto ambiental tem por função considerar o aumento dos efeitos dinâmicos provenientes de descontinuidade ou patologias nas extremidades das pontes e nas proximidades das juntas. CIA = 1,25 – para obras em concreto ou mistas CIA = 1,25 – para obras em aço. Coeficiente do número de faixa Esse coeficientetem por objetivo adequar o carregamento móvel vertical de acordo com o número de faixas solicitadas no tabuleiro da estrutura. O coeficiente de número de faixa (CNF) não é empregado com o intuito de majorar as cargas no dimensionamento. O CNF é definido como: CNF = 1 - 0,05 x (n - 2 ) > 0,9 Onde: n é o número de faixas de tráfego rodoviário a serem carregadas no tabuleiro. Não são consideradas as faixas de acostamento e faixas de segurança. 31 ESTRUTURAS METÁLICAS ESPECIAIS │ UNIDADE I A American Association of State Highway and Transportation Officials (ASSHTO) estabelece para o cálculo do número de faixas como sendo a razão entre a largura da pista (considerando a distância entre as barreiras ou meio-fio) por 3,66. A tabela 8 apresenta as recomendações da normativa quanto ao número de faixa e ao coeficiente do número de faixa, respectivamente. Tabela 8. Determinação de número de faixas. Número de faixas Percentual para carregamento CNF Uma faixa carregada 100% m = 1,20 Duas faixas carregadas 100% m = 1,20 Três faixas carregadas 90% m = 0,85 Quatro ou mais faixas 75% m = 0,65 Fonte: Santos, 2003. Ações horizontais Força centrífuga (Fc) As cargas horizontais provenientes da força centrífuga nas obras em curva horizontal, aplicadas no nível da pista de rolamento são um percentual da carga vertical do veículo-tipo aplicado sobre o tabuleiro, na posição mais desfavorável, concomitante com a respectiva carga vertical. » Pontes ferroviárias com bitola larga (1,60 m): › Raio ≤ 1200 m: Fc = 0,15 ∙ (carga móvel) + impacto; › Raio > 1200 m: Fc = (18000/R) ∙ (carga móvel) + impacto. » Pontes ferroviárias com bitola estreita (1,00 m): › Raio ≤ 750 m: Fc = 0,10 ∙ (carga móvel) + impacto; › Raio > 750 m: Fc = (7500/R) ∙ (carga móvel) + impacto. » Ponte rodoviária: › Raio ≤ 300 m: Fc = 0,25 ∙ (peso do veículo tipo); › Raio > 750 m: Fc = (75/R) ∙ (peso do veículo tipo). Onde: R é raio de curvatura horizontal, dado em metros. 32 UNIDADE I │ ESTRUTURAS METÁLICAS ESPECIAIS Frenagem e aceleração As cargas horizontais. devido à frenagem e/ou aceleração, aplicadas no nível do pavimento são um percentual da carga vertical característica dos veículos aplicados sobre o tabuleiro, na posição mais desfavorável e concomitante com a respectiva carga vertical. Hf = 0,25 ∙ B ∙ L ∙ CNF > 135 kN Onde: Hf carga horizontal de frenagem e aceleração, dada em kN; B largura efetiva, dada em metros, da carga distribuída de 5 kN/m2; L comprimento concomitante, em metros, da carga distribuída. Impacto lateral Pontes e viadutos dispõem de dispositivos projetados para minimizar o efeito do impacto em virtude da colisão lateral de veículos e garantir, portanto, a segurança dos usuários em caso de acidentes. Os guarda-corpos, ou barreiras laterais, são estruturas instaladas nas extremidades da via para proteger os pedestres e amortecer o choque dos veículos, bem como induzir o condutor do veículo à posição inicial ou próximo a ela (Figura 9). Esse elemento é dimensionado para uma carga horizontal perpendicular à direção do tráfego de 100kN e carga vertical concomitante de 100kN. Figura 9. Impacto em barreiras laterais. (a) (b) Fonte: (a) Beier e Tiemerman, 2012; (b) Catai, 2005. 33 ESTRUTURAS METÁLICAS ESPECIAIS │ UNIDADE I Em ferrovias, o impacto lateral ou choque lateral, ocorrem devido à folga entre o friso e o boleto do trilho. Essa folga é necessária para evitar um atrito excessivo e consequentemente o desgaste do trilho e da roda do veículo. Porém, essa folga também induz a um choque mecânico horizontal no trilho e deve ser cuidadosamente avaliada. De acordo com a NBR 7187:2013, o impacto lateral é representado por uma força horizontal normal ao eixo da linha e concentra-la no topo do trilho, aplicada na região mais desfavorável. A força deve ser igual a 20% da carga máxima do eixo. Figura 10. Força horizontal de impacto em ferrovias. Fonte: Catai, 2005. Fadiga O fenômeno de fadiga consiste na acumulação de esforços desuniformes aplicados ciclicamente sobre estruturas decorrentes do tráfego de veículos. É um processo de modificações progressivas e irreversíveis que ocorre na estrutura de um material quando esse é submetido ciclicamente a variações de tensões. Essas modificações podem acarretar na formação de fissuras internas ou no aumento delas, o que, caso o número de ciclos de tensões seja suficientemente grande, pode conduzir a fraturas no material. O estudo de fenômeno de fadiga é amparado pelas normas brasileiras NBR 8800:2008 e NBR 6118:2014, embora elas não sejam especificamente para pontes e viadutos, mas para projeto de estrutura de aço e mista em edifícios e estruturas de concreto, respectivamente. 34 UNIDADE I │ ESTRUTURAS METÁLICAS ESPECIAIS A análise de fadiga é essencial no estudo do comportamento estrutural devido ao esforço atuante, podendo ser determinada através do método do tempo de vida garantido e do dano controlado. Esses métodos podem ser classificados em três categorias, conforme indicado na figura 11, considerando a complexidade da análise e dos modelos de carga a serem aplicados. Figura 11. Verificação de fadiga. Fonte: Santos, 2013 apud CEB, 1987. A figura 12 apresenta a análise do tráfego de veículos na estrutura em termos de tensões aplicadas na região mais solicitada de uma ponte, em duas condições: pavimento em bom estado com e sem ressalto. É possível observar que a resposta quase dinâmica apresenta um ciclo maior, enquanto que a resposta dinâmica apresenta ciclos menores advindos da vibração da estrutura. 35 ESTRUTURAS METÁLICAS ESPECIAIS │ UNIDADE I Figura 12. Análise de fadiga na estrutura. Fonte: Pfeil et al., 2007. Ação do vento A determinação da ação do vento em pontes/viadutos é baseada na NBR 6123:1990, uma vez que a NBR 7187:2013 não aponta indícios de cálculo para tal ação. A ação do vento, portanto, deve ser considerada como uma carga distribuída uniformemente, admitindo duas situações de operação: com e sem tráfego no tabuleiro, como indicada na figura 13. Figura 13. Ação do vento em pontes. (a) (b) Fonte: NBR 7187:2013. 36 UNIDADE IIOBRAS DE ARTE ESPECIAIS Esta unidade será destinada à discussão sobre as obras de arte especiais como pontes, viadutos e passarelas, abordando suas funções, aspectos estruturais, a concepção de projeto entre outros. Por se tratar de um material didático voltado a estruturas metálicas especiais, os temas apresentados terão como foco especial a aplicação do aço na construção dessas estruturas. CAPÍTULO 1 Pontes, viadutos e passarelas A necessidade de interligar dois pontos distintos não acessíveis, vencendo os obstáculos naturais ou artificiais existentes, sempre foi um grande desafio. Desde os primórdios da civilização, há evidência da dificuldade de acesso a outras localidades que se encontravam inacessíveis devido à dificuldade de transpor rios, vales entre outros acidentes geográficos. Tal ocorrência foi impulsionando ao longo dos anos o surgimento de medidas alternativas para solucionar tal questão. Surgiu, portanto, o conceito de estrutura de transposição – como pontes e aquedutos – que tinha por finalidade permitir a livre circulação de pessoas e veículos diante do cenário descrito anteriormente. Inicialmente, utilizavam-se blocos de rocha e madeira para construção dessas estruturas, entretanto, um dos principais problemas na construção de pontes estava na construção de fundações no leito dos rios, não permitindo a construção de estruturas com grandes vãos. A solução encontrada foi à construção fazendo uso do aço. Com o advento das siderúrgicas, foi possível empregar peças metálicas e possibilitar, assim, pontes mais leves e, consequentemente, com maiores vãos. A construção de pontes metálicas foi 37 OBRAS DE ARTE ESPECIAIS │ UNIDADE II recorrente no final do século XVII, elas ainda continuamsendo muito utilizadas como soluções estruturais. Atualmente, com o desenvolvimento tecnológico e da engenharia, é possível identificar obras de arte especiais de grande porte. Essas estruturas estão inseridas nas áreas urbanas ou em conjunto com o traçado dos modais rodoviários e ferroviários. Nesse contexto, as estruturas apresentam diversas designações, embora, em sua totalidade, elas desempenhem a mesma função. São elas: » Ponte: estrutura empregada para atravessar vales profundos com a presença de água. » Viaduto: transpõe vales secos ou com linhas de água de pequena importância, comumente inserida nas áreas urbanas em cruzamento entre vias de comunicação. » Pontilhão: estrutura com vão único inferior a 10 m. » Passarela: passagem elevada sobre vias que permita o trânsito de pedestres. Basicamente, as pontes e viadutos são compostos essencialmente por três partes, são elas: infraestrutura, mesoestrutura e superestrutura, como indica a figura 14. Cada elemento possui uma função específica no sistema de sustentação e redistribuição dos esforços atuantes, que será discutido mais adiante nesta unidade. Alguns autores apontam os encontros como sendo um quarto elemento estrutural, porém, aqui esse elemento será abordado dentro da mesoestrutura. Figura 14. Elementos estruturais de pontes. Fonte: Vitório, 2002. 38 UNIDADE II │ OBRAS DE ARTE ESPECIAIS No que se refere à construção de pontes metálicas, sabe-se que a primeira ponte metálica foi a ponte de Coalbrookdale, construída sobre o Rio Severn, em 1775. A ponte foi projetada por T.M. Pritchard e construída por Abraham Darby III, ela possui um comprimento de 60 metros de vão livre. Outras pontes metálicas foram sendo construídas com tipologias construtivas variadas como, por exemplo, a Ponte Carrousel e o Viaduto Garabit, desenvolvidas por Reichenbach e Gustave Eiffel, respectivamente, utilizando o sistema de estruturas em arco. Além disso, houve o conceito de ponte sustentada por cabos, cordas ou correntes, que começou a ser empregado em 1784, quando um C. T. Lescher apresentou um projeto de uma ponte estaiada completamente em madeira. A partir disso, os engenheiros e arquitetos adotaram este tipo de ponte, projetando estruturas com formatos diversos, como por exemplo a passarela estaiada de King’s Meadow, outras. No entanto, houve muitos fracassos na tentativa de construir as pontes estaiadas devido à dificuldade de manter estável o tabuleiro e evitar deslocamentos excessivos em virtude da ação do vento e cargas acidentais. Assim, as pontes pênseis que estavam ganhando mais espaço, paralelamente às pontes estaiadas, tiveram seu desenvolvimento coibido em decorrência dos diversos acidentes e fracassos nas suas construções. Esse cenário só mudou depois que engenheiros defenderam a necessidade de estudos mais específicos e aprofundados quanto ao comportamento estrutural das pontes (CARDOSO, 2013). A ponte de Tacoma Narrows é dos exemplos mais conhecidos de fracasso, uma vez que a ponte entrou em colapso pouco tempo após a sua inauguração, pois apresentava oscilações excessivas no tabuleiro. Após tal episódio, uma junta de engenheiros estudou o efeito de ressonância em pontes. Cabe salientar que outros tipos de pontes foram desenvolvidos, como as pontes em pórtico e as treliçadas, fazendo uso de perfis metálicos na sua concepção. Nesta unidade será abordado detalhadamente cada tipo de estrutura. Além disso, embora seja destacado o uso do aço, é importante destacar que o concreto é um dos materiais mais empregados nessas estruturas e em alguns casos é utilizado juntamente com o aço. Essas são denominadas pontes mistas. Função As principais funções para as pontes e viadutos estão associadas à questão viária, estática, estética e ligação da obra com a estrada, elas são apresentadas da seguinte forma: 39 OBRAS DE ARTE ESPECIAIS │ UNIDADE II » Viária: consiste em possibilitar o tráfego contínuo à estrada na transposição de um obstáculo, sendo desempenhada por elementos ligados ao usuário. » Estática: consiste em conduzir as cargas da posição onde elas se encontram até a fundação. » Estética: é representada pela preocupação, durante o projeto, de se ter uma obra com características geométricas equilibradas, com formas arquitetônicas que se enquadrem ao meio ambiente. » Ligação da obra com a estrada: é feita pelos elementos situados nas extremidades da obra, tais como encontros, cortinas, alas laterais, muros auxiliares etc. Classificação As estruturas, objeto de estudo deste capítulo, podem ser classificadas sobre distintos fatores, apresentados na tabela 9. Tabela 9. Classificação de pontes. Classificação quanto à Descrição Material da superestrutura madeira; alvenaria; concreto simples; concreto armado; concreto protendido; aço; mista: concreto e aço. Natureza rodoviária; ferroviária; passarelas; aeroviárias; aquedutos; mista. Comprimento galeria ou bueiros – 2 a 3 metros; pontilhões ou passarelas – 3 a 10 metros; pontes – acima de 10m; ponte de pequeno vão – até 20 metros; ponte de médio vão – de 20 a 60 metros; pontes de grande vão – acima 60 metros. 40 UNIDADE II │ OBRAS DE ARTE ESPECIAIS Classificação quanto à Descrição Desenvolvimento planimétrico retas: aquelas que apresentam eixo reto, porém em virtude do ângulo formado entre o eixo da estrutura com a linha de apoio da superestrutura pode-se subdividir em: ortogonais: 0 = 90°; esconsas: 0 ≠ 90°; curvas. Desenvolvimento altimétrico horizontal; em rampa; tabuleiro convexo; tabuleiro côncavo. Sistema estrutural da superestrutura em pórtico; em arco; pênsil; treliça; estaiada. Seção transversal em laje; em viga. Posição do tabuleiro tabuleiro superior; tabuleiro intermediário; tabuleiro inferior; Método construtivo in loco; pré-moldada; em balanço sucessivo; deslocamento progressivo. Fonte: Vitório, 2002. Elementos estruturais Superestrutura A superestrutura é o elemento da ponte ou viaduto que transpõe o vão necessário e recebe diretamente as cargas oriundas da circulação de veículos, as quais são redirecionadas à mesoestrutura. Geralmente, esse elemento estrutural, também conhecido como tabuleiro ou estrato, é constituído por: Lajes do tabuleiro As lajes do tabuleiro são as primeiras estruturas a receber diretamente os carregamentos móveis. São confeccionadas em concreto armado, concreto protendido ou até mesmo pelo sistema de lajes pré-moldadas. 41 OBRAS DE ARTE ESPECIAIS │ UNIDADE II Vigas longitudinais e transversais As vigas do tabuleiro são dispostas de duas formas para dar sustentação à laje do tabuleiro, sendo: longitudinais e transversais. O vigamento longitudinal ou principal recebe os esforços da laje e os transmite aos elementos da mesoestrutura, como pilares ou encontros. Já o vigamento transversal, ou apenas transversinas, tem por função o travamento da estrutura, bem como auxiliar na redistribuição das cargas do tabuleiro para as vigas principais. As vigas do tabuleiro também podem ser utilizadas como formas para a execução das lajes moldadas in loco, evitando, assim, o seu sistema de escoramento. A figura 15 mostra a seção transversal de uma superestrutura destacando os elementos estruturais: laje e os vigamentos do tabuleiro. Figura 15. Superestrutura de ponte. Fonte: Vitório, 2002. Guarda-corpo e barreira de impacto Os guarda-corpos são estruturas dispostas lateralmente à pista de pedestre com a finalidade de proteger os usuários contra quedas. Geralmente, apresentam alturas variando de 0,75m (áreas rurais) a 1,10m (áreas urbanas), produzidos em concreto ou com peças metálicas. As barreiras de proteção, por sua vez, são estruturas instaladas nas extremidades das pistas de rolamento de veículos com o intuito de impedir a saída desses da pista, assim como o guarda-roda. Além disso, no caso de colisão, as barreiras servem para conter o impacto de um veículo desgovernado. A figura16 ilustra a disposição desses elementos de proteção. 42 UNIDADE II │ OBRAS DE ARTE ESPECIAIS Figura 16. Elementos de proteção dos usuários: (a) guarda corpo; (b) guarda roda; (c) barreira. (a) (b) (c) Fonte: Vitório, 2002. Juntas de dilatação Dispositivos de interrupção estrutural do tabuleiro, uma vez que os tabuleiros podem apresentar grandes comprimentos. Além disso, as juntas devem permitir os movimentos do tabuleiro em decorrência da variação de temperatura, retração e fluência do concreto, impedir a entrada de água ou outros elementos prejudiciais ao concreto, garantir a transmissão das cargas nas placas. Placa de transição A placa de transição tem como função minimizar a diferença de nível entre o aterro das cabeceiras e o estrado da ponte, provocada por deslocamentos diferenciais verticais do terrapleno. A placa de transição se apoia em uma extremidade sobre a ponte e na outra, sobre o terrapleno ou terreno natural. Sistema de drenagem O sistema de drenagem da estrutura é indispensável para garantir o desempenho da estrutura ao longo de sua vida útil. Devem, portanto, ser instalados para assegurar o escoamento de águas superficiais da via através de drenos nas extremidades das pistas de rolamento. Faixas de rolamento A superestrutura pode ser projetada para o trânsito de veículos e/ou pessoas. Assim, o dimensionamento das faixas (largura e inclinação) se dá em função da sua aplicação. Para pista de tráfego de veículos, a largura mínima da faixa é de 3,00m. A plataforma pode ser composta de faixa de rolamento, de segurança, acostamentos e passeios (Figura 17). 43 OBRAS DE ARTE ESPECIAIS │ UNIDADE II Figura 17. Faixas de rolamentos. Fonte: Vitório, 2002. Mesoestrutura A mesoestrutura tem como objetivo receber as cargas aplicadas na superestrutura devido ao tráfego de veículos e pessoas e transmiti-las ao elemento de fundação ou infraestrutura. Os elementos que compõem a mesoestrutura são: Pilares São elementos verticais de sustentação da estrutura que possibilitam a interligação entre a superestrutura e a infraestrutura para auxiliar na condução dos esforços. Os pilares são dispostos ao longo do traçado das pontes e viadutos, podendo apresentar altura e largura variadas. Aparelhos de apoio São elementos de transição entre as vigas do tabuleiro e os pilares ou encontros com a função de transmitir as reações de apoio e permitir a movimentação da estrutura (rotação, translação ou ambos), indicados na figura 18. Os aparelhos de apoio podem ser classificados em: fixos e móveis. Figura 18. Aparelhos de apoio. Fonte: Lencioni, 2005. Os aparelhos de apoio fixos permitem apenas os movimentos de rotação e a transferência de esforços verticais e horizontais. Os aparelhos móveis, no entanto, possibilitam a movimentação da estrutura devido à rotação, como por translação horizontal. Podem ser constituídos de pêndulos ou rolos, ou por dispositivos de deslizamento em bronze ou teflon. 44 UNIDADE II │ OBRAS DE ARTE ESPECIAIS Figura 19. Aparelhos de apoio de pontes: (a) fixo; (b) móvel. (a) (b) Fonte: Lencioni, 2005. Encontros Os encontros são elementos que recebem as cargas oriundas da superestrutura, bem como, tem a função de conter o maciço e os empuxos causados à estrutura nas extremidades da ponte, absorver os esforços horizontais aplicados no tabuleiro, decorrentes da frenagem dos veículos. Servem ainda de apoio para o estrado/tabuleiro. Figura 20. Encontro de pontes. Fonte: adaptado de Vitório, 2002. Infraestrutura A infraestrutura, ou fundação, tem como função o recebimento das cargas totais da estrutura, e transmitindo-as ao elemento com capacidade suficiente para suportar as cargas – o solo – e dissipá-las ao longo da profundidade. As fundações podem ser classificadas em rasas ou diretas (sapatas) ou profundas (estacas ou tubulões). 45 OBRAS DE ARTE ESPECIAIS │ UNIDADE II As pontes e viadutos são obras de arte especiais na engenharia que muitas vezes apresentam diversas dificuldades, desde a concepção de projeto até a sua construção. Entretanto, essas estruturas ganharam ao longo dos anos uma atenção especial dos arquitetos que atribuíram a elas um aspecto estético impressionante. Desse modo, a tabela 10 apresenta as pontes, viaduto e passarelas mais incríveis do mundo. Tabela 10. Pontes incríveis no mundo. Nome da estrutura País Infinity Brigde Reino Unido Rolling Brigde Reino Unido Millau Viaduct França Danyang-Kunshan Grand Bridge China Golden Gate Bridge Estados Unidos The Bridge of peace Geórgia Sydney Harbour Bridge Austrália Te Rewa Rewa Bridge Nova Zelândia Gateshead Millennium Bridge Reino Unido Henderson Waves Bridge Singapura Helix Bridge Singapura Bridge Vlaardingse Holanda Ponte Vecchio Itália Langhawi Sky Bridge Malásia Kurilpa Bridge Austrália Fonte: Tecmundo, 2018. 46 CAPÍTULO 2 Sistema estrutural da superestrutura A superestrutura de pontes, viadutos e passarelas pode ser constituída por seções transversais em lajes e vigas. As tipologias dessas estruturas são apresentadas a seguir e serão detalhadas nos próximos itens. Figura 21. Superestrutura Em laje Em viga Laje maciça Laje vazada Alma cheia Viga de alma vazada Seção celular ou caixão Viga mista Fonte: Vitório, 2002. Em viga As vigas contínuas são interessantes, sempre que houve a possibilidade de execução, pois se observa uma redução expressiva do momento fletor no vão. Esse tipo de viga é empregado para vencer um único vão, pode apresentar seção constante ou variada. No entanto, o comportamento de vigas contínuas apresenta limitações quanto à variação de temperatura. Elas podem ser aplicadas apenas em pontes curvas cujo raio seja pequeno. O sistema em viga é geralmente empregado para estrutura com grandes vãos, o que dificulta a construção de ponte com tabuleiros contínuos. Desse modo, as vigas podem ser divididas em diversos trechos através de juntas nos pilares ou rótulas, conhecida como vigas Gerber. Uma vantagem da viga Gerber é a concepção de vãos com comprimentos desiguais. 47 OBRAS DE ARTE ESPECIAIS │ UNIDADE II Viga de alma cheia As vigas de sustentação do tabuleiro de pontes e viadutos podem ser compostas por perfis de alma, especialmente quando tais tabuleiros são constituídos por grelhas de vigas. Para essa aplicação pode-se empregar perfis metálicos laminados ou soldados. O uso de perfis de alma cheia restringe-se a obras com vão livre entre 14 a 20 metros de extensão. No caso dos perfis laminados, há uma limitação na altura e no comprimento do perfil devido ao processo de fabricação e transporte, uma vez que uma viga com de grande comprimento requer uma área de produção maior e à medida que o comprimento aumenta, acaba tornando-se inviável, pois os caminhões que transportam esses perfis são padronizados. Os perfis soldados, em contrapartida, não apresentam restrições na altura para fabricação, o que propicia sua aplicação para vãos maiores. No entanto, é válido salientar que a análise da verificação de flambagem local e global da peça para ambos tipos de perfis metálicos é indispensável. O dimensionamento da estrutura é uma das partes mais importantes do projeto de tipo de obra de arte. A figura 22 mostra as instabilidades possíveis de ocorrer em vigas de alma cheia. Figura 22. Condições de instabilidade em vigas metálicas. Fonte: Sardá, 2018. Existem algumas soluções estruturais para evitar o fenômeno de flambagem das vigas de alma cheia, de modo a impedir a rotação e translação laterais, tais como: contenção lateral contínua (laje) ou discreta (viga lateral ou enriquecedores) (Figura 23). 48 UNIDADE II │ OBRAS DE ARTE ESPECIAIS Figura 23. Viga de alma cheia com enrijecedores. Fonte: Sardá, 2018. Viga-caixão ou estrato celular A superestrutura formada por duas lajes, sendo uma superior e outra inferior, interligadas entre si por vigas longitudinaise transversais são conhecidas como seção caixão ou celular. A vantagem desse tipo de superestrutura está na elevada rigidez à torção, sendo indicada para elementos curvas e pilares isolados. Além disso, esse tipo de seção possibilita a implantação de sistema de drenagem de pontes e viadutos na parte interna da estrutura, o que facilita a operação de manutenção das tubulações. O emprego de seções celulares, geralmente, é função do estudo comparativo com demais soluções sobre o aspecto econômico. As seções podem ser confeccionadas em concreto pré-moldado, concreto armado ou peças metálicas. As seções pré-moldadas, denominadas aduelas, são fabricadas nas proximidades da obra e posteriormente transportadas ao local de aplicação (Figura 24). Assim, as aduelas vão sendo encaixadas uma a uma, sendo sua ligação realizada por protensão longitudinal. Figura 24. Seção celular. Fonte: Vitório, 2002. 49 OBRAS DE ARTE ESPECIAIS │ UNIDADE II As vigas-caixão metálicas são constituídas por dois ou mais perfis com uma única mesa inferior, podendo formar diversas configurações, como as ilustradas na figura 25. Segundo Vitório (2002), as vigas em caixão apresentam bom desempenho para serem empregadas em pontes curvas devido à resistência à torção do aço. Figura 25. Viga seção caixão. (a) (b) Fonte: Marques, 2011; Malveiro, 2009. Estrutura mista As pontes e os viadutos em estruturas mistas são amplamente utilizados, onde o vigamento do tabuleiro é uma estrutura metálica e as lajes e pilares são produzidos utilizando o concreto (Figura 26). Esse tipo de estrutura faz uso das melhores propriedades de cada de seus materiais (concreto e aço) para resistir aos esforços de compressão e tração, bem como a existência de solicitações de momentos fletores e torção. 50 UNIDADE II │ OBRAS DE ARTE ESPECIAIS Figura 26. Ponte mista. (a) (b) Fonte: (a) LNEC 2010; (b) Ferraz, 2009. Treliça ou viga de alma vazada A estrutura em treliças consiste em barras conectadas entre si que são solicitadas tanto por forças de tração ou compressão. Esse tipo de estrutura permite a execução de maiores alturas com pequeno peso e limitação da flecha. A utilização desse tipo de estrutura deve ser condicionada a uma análise de custos, considerando as etapas de fabricação, proteção e manutenção ao longo do tempo. Figura 27. Estrutura treliçada. Fonte: (a) Procomet 2018; (b) ENC 2018. As treliças são muito empregadas na construção de pontes, especialmente, no caso de pontes em arco onde a disposição espacial das barras auxilia na curvatura do elemento de sustentação (arco). Porém, as treliças são empregadas, em sua maioria, para a construção de passarelas de pedestre, principalmente, sobre rodovias e vias urbanas com grande fluxo de veículos. A passarela é uma alternativa para possibilitar o trânsito de pessoas acima do nível das pistas de rolamento dos veículos evitando a interrupção do tráfego e acidentes envolvendo pedestre. 51 OBRAS DE ARTE ESPECIAIS │ UNIDADE II Figura 28. Passarela treliçada. Fonte: Metalsoma, 2018. Arco Com o advento das siderúrgicas e, consequentemente, da aplicação do aço na construção civil, o sistema estrutural de pontes em arco apresentou uma vasta aplicação com solução viável para vencer grandes vãos diante de dificuldades de execução de apoios intermediários e escoramentos sobre cursos d’água ou vales profundos (VITÓRIO, 2002). Nesse tipo de ponte ou viaduto há predominância dos esforços de compressão com pequena excentricidade. As estruturas em arco podem ser classificadas quanto à posição do tabuleiro, como sendo: » com tabuleiro superior (Figura 29a); » com tabuleiro inferior (Figura 29b); » com tabuleiro intermediário (Figura 29c). Figura 29. Ponte em arco. (a) (b) (c) Fonte: Vitório, 2002. 52 UNIDADE II │ OBRAS DE ARTE ESPECIAIS Conforme já mencionado, as pontes em arco, em geral, fazem uso da estrutura treliçada para sua construção. Porém, esse tipo de ponte também pode estar associado a outras tipologias, como é o caso, por exemplo, da Ponte do Observatório, em Liége, em que o tabuleiro inferior é sustentado por cabos de aço (sistema de ponte estaiada) que transmitem as cargas para uma estrutura de arco metálico (Figura 30). Figura 30. Estrutura em arco. (a) Viaduto de Garadit; (b) Ponte Eads (c) Ponte Hohenzollen; (d) Ponte do Observatório. (a) (b) (c) (d) Fonte: LNEC, 2010. Pórtico As pontes em pórtico se caracterizam pela unificação da superestrutura e a mesoestrutura em um elemento estrutural monolítico, isto é, há a ligação das vigas com os pilares e com os encontros (Figura 31). Esse tipo de ponte é interessante em casos em que existam pilares esbeltos, bem como quando se deseja ter a mínima manutenção em decorrência da ausência de articulações e aparelho de apoio. Uma vantagem dessa estrutura consiste na distribuição homogênea das ações. Em contrapartida, nas emendas há uma solicitação, que são maiores em virtude da sua angularidade. 53 OBRAS DE ARTE ESPECIAIS │ UNIDADE II Figura 31. Ponte em pórtico. Fonte: Lobato, 2018. Como as vigas são todas engastadas, os momentos negativos dos engastamentos reduzem os momentos positivos, possibilitando reduções de alturas dos vãos dos tabuleiros. Os pórticos apresentam diferentes configurações geométricas, como mostrado na figura 32, e são definidos de acordo com as condições geológicas e geotécnicas do local. Figura 32. Esquema de pontes e viadutos em pórticos. (a) (b) (c) Fonte: Lobato, 2018. 54 UNIDADE II │ OBRAS DE ARTE ESPECIAIS Estaiada As pontes estaiadas consistem em estruturas sustentadas por cabos de aço inclinados que são fixados a mastros (torres) dispostos ao logo da estrutura. Figura 33. Ponte estaiada. Fonte: Vitório, 2002. A superestrutura é composta basicamente por três elementos: o tabuleiro, o sistema de cabos e o mastro. O tabuleiro deve apresentar rigidez elevada quanto à torção, uma vez que essa se encontra solicitada pela ação do vento, podendo gerar movimento vibratório e, consequentemente, patologias. Desse modo, comumente o tabuleiro é confeccionado em concreto protendido ou metálico. Analogamente, o mastro por se tratar de um elemento estrutural onde são ancorados os cabos (ou estais), geralmente são de concreto armado, moldado in loco ou por peças pré-moldadas, ou por perfis metálicos. Figura 34. Elementos da superestrutura de pontes estaiadas. Fonte: Cardoso, 2013. As estruturas estaiadas podem ser classificadas em função dos cabos quanto aos seguintes aspectos: » espaçamento longitudinal dos estais; » distribuição transversal do estais; » distribuição vertical dos estais. 55 OBRAS DE ARTE ESPECIAIS │ UNIDADE II No que se refere ao espaçamento longitudinal dos cabos, pode-se notar que o posicionamento dos estais nem sempre segue uma simetria em relação ao mastro. Desse modo, Mazarim (2011) aponta três categorias para definir a configuração dos estais. Tabela 11. Classificação quanto ao espaçamento longitudinal dos estais. Categoria 1 Apresentam vãos simétricos e a instalação de números menores de cabos ao longo do vão, o que implica em espaçamentos maiores entre os cabos. Categoria 2 Possui um número maior de estais, distribuídos ao longo do vão, comparados à Categoria 1. Esse aspecto permite a confecção de tabuleiro mais esbelto, bem como lhe garante uma maior estabilidade. Categoria 3 Distribuição assimétrica dos cabos, sendo que geralmente as cargas não são totalmente equilibradas pelo mastro, fazendo-se necessária a utilização de dispositivos de ancoragens externos. Fonte: Cardoso, 2013. Cardoso (2013) aponta que a disposição transversal dos cabos pode ser atribuída de forma variada em relação ao eixo vertical. A figura 35 ilustra as três configurações dos cabos quanto ao plano vertical. O autordestaca que a distribuição em um único plano é a mais empregada nesse tipo de ponte, porém, ressalta que os cabos, nesse caso, além de serem projetados para suportar o peso próprio do tabuleiro, devem considerar os esforços advindos do tráfego de veículos. Figura 35. Distribuição vertical dos cabos. Plano vertical único Dois ou mais planos verticais Plano inclinado Fonte: Cardoso, 2013. 56 UNIDADE II │ OBRAS DE ARTE ESPECIAIS Por fim, classificamos as pontes segundo à distribuição longitudinal dos cabos apontados como sendo de três tipos: harpa, leque e radial (TROITSKY, 1988). A tabela 12 ilustra os tipos de pontes. Tabela 12. Classificação quanto à distribuição dos cabos. Harpa Leque Radial Fonte: Cardoso, 2013. Pênsil As pontes do tipo pênsil são caracterizadas pelo seu sistema de sustentação do tabuleiro através de cabos de aço ou barras articuladas estendidas que se apoiam em torres e se ancoram em rochas ou blocos de concreto (Figura 36). Esse sistema se desenvolveu em paralelo com o sistema de ponte estaiada. 57 OBRAS DE ARTE ESPECIAIS │ UNIDADE II O desenvolvimento da siderurgia propiciou que o aço fosse empregado na construção dessas estruturas, bem como possibilitou a execução de vãos maiores. Além disso, o avanço do conhecimento aerodinâmico também foi um fator importante para que esse sistema se perpetuasse ao longo dos anos, aprendendo com os acidentes ocorridos e melhorando o conceito estrutural das pontes. Figura 36. Ponte pênsil. Fonte: Vitório, 2002. Analogamente à ponte estaiada, a ponte pênsil é composta por três elementos: o tabuleiro, mastros e os cabos de aço. O que difere as duas estruturas é que no caso da ponte pênsil, a sustentação se dá por meio dos cabos de sustentação, que são ancorados nos cabos principais. Como mencionado, os cabos se apoiam nos mastros, porém, os esforços atuantes são direcionados aos elementos mais resistentes localizados nas extremidades. Não são estruturas apropriadas para concreto e por isso são executadas geralmente em vigamentos metálicos suspensos em cabos principais de aço. Os vigamentos do tabuleiro podem ser em treliças ou vigas de alma cheia, devem ter grande rigidez à flexão e principalmente à torção. Uma das mais famosas é a Ponte Golden Gate, em São Francisco (EUA). Figura 37. Ponte Golden Gate. Fonte: Pinterest, 2018. 58 UNIDADE II │ OBRAS DE ARTE ESPECIAIS Em laje As superestruturas em lajes representam um sistema estrutural sem a necessidade de nenhum tipo de vigamento, ou seja, refere-se à solução para o caso de vão de no máximo 15 metros. Esse tipo de superestrutura tem como vantagem: » construção com pequena altura; » elevada resistência à torção; » elevada resistência ao fissuramento; » simplicidade e rapidez de construção; » boa solução para obras esconsas. Em contrapartida, as pontes em lajes maciças apresentam elevado peso próprio. Assim, para aliviar o peso da estrutura, podem ser empregadas lajes ocas com formas tubulares perdidas, reduzindo assim o peso próprio (Figura 38). Figura 38. Ponte em laje: (a) maciça; (b) vazada. (a) (b) Fonte: Vitório, 2002. Para a concepção de projeto de pontes e viadutos é necessária a realização de estudos prévios, os quais estão apresentados abaixo. 59 OBRAS DE ARTE ESPECIAIS │ UNIDADE II Figura 39. - traçado do perfil longitudinal do terreno; - execução da planta topográfica do trecho; - detalhes de transição (encontro). Estudo topográfico - área da bacia hidrológica; - nível máximo e mínimo das águas; - precipitação média anual das chuvas; - dados de vazão, declividade, permeabilidade do solo; - informações sobre intervenções realizadas anteriormente no trecho do traçado; - outros aspectos como regularização, drenagem, retificação, proteção das margens. Estudo hidrológico - sondagem local; - planta de locação dos furos referida ao eixo da obra; - perfil individual de cada furo, assinalando as diversas camadas atravessadas com as respectivas espessuras, classificação e número de golpes a cada metro de perfuração; - posição de nível d’água. Estudo geotécnico - agressividade da água e do meio ambiente em geral; - condições de acesso ao local da obra; - disponibilidade de materiais na região; - infraestrutura disponível no local; - informações sobre o período chuvoso e o regime do rio; - outras peculiaridades locais que facilitem (ou dificultem) a execução e possam influenciar no custo da obra e no sistema construtivo adotado. Estudo complementares Fonte: Vitório, 2002. 60 UNIDADE IIIESTRUTURAS ESPECIAIS Nesta unidade será feita a apresentação de duas estruturas especiais presentes em edificações, a escada e a fundação, dando enfoque primordialmente na confecção dessas estruturas com o uso do aço. No primeiro capítulo será apresentada uma breve contextualização sobre o surgimento e o desenvolvimento das escadas até os dias atuais, uma vez que essa estrutura é de suma importância para edificações com múltiplos níveis. A discussão progride para a construção das escadas em aço, ressaltando sua funcionalidade estrutural, bem como seu aspecto estético e arquitetônico ao ambiente. No capítulo 2, o objeto de estudo são as fundações de edificações, principalmente as fundações com estacas metálicas. A título de informação complementar, serão apresentadas algumas estruturas de contenção metálica que podem ser empregadas para auxiliar na execução das fundações. CAPÍTULO 1 Escadas As escadas são estruturas empregadas para interligar níveis verticais distintos de uma determinada construção, por meio de degraus sucessivos. Outro modo de possibilitar a circulação vertical é mediante ao uso de rampas e elevadores, de modo que, independente do acesso especificado na construção, é importante que atenda às especificações de acessibilidade. Relatos históricos indicam que as escadas já eram elementos construtivos empregados pelos Zikkurats, na Mesopotâmia em 6.000 a.C. As primeiras escadas registradas foram feitas à mão, e à medida que as edificações se tornavam cada vez mais altas, surgiram as escadas de pedra. Essas eram geralmente suntuosas, representando toda a luxúria, sendo amplamente utilizada pelos faraós, reis e papas. 61 ESTRUTURAS ESPECIAIS │ UNIDADE III Na construção das pirâmides, inicialmente, as rampas para acesso a níveis superiores eram predominantemente utilizadas, porém, à medida que a construção evoluiu o declive das rampas se tornou mais acentuado. Desse modo, o acesso ficava cada vez mais escorregadio e perigoso, uma vez que os materiais de construção eram transportados pelas rampas. Assim, para aliviar o esforço tanto na subida quanto na descida, foram realizadas escavações nas rampas naturais, dando a forma de entalhes nivelados (patamares) espaçados a uma dada distância entre si. A figura 40 ilustra o aspecto construtivo das pirâmides no México. Ao longo dos séculos, as rampas foram assumindo distintas configurações, cumprindo com o seu objetivo de permitir o acesso de pessoas e materiais em uma condução vertical. No entanto, surgiu a necessidade de vencer o espaço compreendido entre o ponto de partida e o de chegada, primitivamente com a ajuda de paredes e pilares e posteriormente, lançadas ao vazio sem qualquer ponto de apoio. Diante desse desafio, o homem abdicou das configurações em lances retos, mais convencional, e arriscou-se a novas disposições para facilitar a chegada no ponto de chegada estabelecido. Na Idade Média, as escadas eram apenas um utilitário, porém, com a advento do Renascimento, as escadas ganharam destaque nos edifícios, evidenciam-se principalmente nos palácios aristocratas italianos. No Barroco, podem ser notadas algumas influências dos conceitos renascentistas, porém, as escadas não apresentam ainda a concepção de comodidade e segurança. Figura 40. Pirâmides do México. Fonte: Novaescola, 2018. Atualmente, as escadas, além de constituírem umelemento de circulação vertical, incorporam o conceito de elemento estético do ambiente. A arquitetura moderna tem 62 UNIDADE III │ ESTRUTURAS ESPECIAIS explorado as escadas com o intuito de integrá-las como um objeto de sofisticação e requinte ao ambiente ou até mesmo como parte de manifestações artísticas, como a Escadaria Selarón, no Rio de Janeiro (figura 41a). Surgem, assim, as escadas com trechos retos e patamares curvos, ou com lances curvos e patamares retos, helicoidais e outras. Diferentes materiais e técnicas de sustentação, que muitas vezes as fazem parecer flutuar nos ambientes. Figura 41. Incorporação da escada a manifestações culturais e arquitetônicas. (a) (b) (c) (d) Fonte: (a) Silveira, 2018; (b,c,d) AEC, 2018. Especificações técnicas Para o dimensionamento de escada, é preciso inicialmente conhecer os elementos constituintes e suas definições técnicas. A partir desses elementos é possível especificar detalhadamente a concepção da escada em projeto e, assim, posteriormente possa ser executada, garantindo sua funcionalidade. Os elementos presentes na escada são: » Degrau: é cada subnível em que se modula uma escada. A parte horizontal do degrau chama-se piso ou base e a parte vertical de espelho. 63 ESTRUTURAS ESPECIAIS │ UNIDADE III » Espelho: distância vertical entre as extremidades inferior e superior de degraus consecutivos. » Piso: consiste na parte horizontal do degrau a qual se apoiam os pés do usuário. » Guarda-corpo: parapeito, vedação que serve para suportar o corrimão e eventuais quedas. » Corrimão: parte superior do guarda-corpo destinada ao apoio da mão. » Patamares: consistem em um piso com largura superior aos demais posicionados entre dois lances consecutivos de uma escada. » Lances: uma série de degraus entre dois patamares. A figura 42 indica cada elemento da escada, englobando-os em um todo. É importante atentar-se à altura e ao comprimento dos degraus, uma vez que esses devem ser proporcionais para uma melhor acomodação do movimento do corpo. Assim, recomenda-se que os degraus possuam espelho com altura de aproximadamente 18 cm e o piso tenha no mínimo 25 cm ou a largura suficiente para acomodar o calcanhar rente ao espelho ao descer, a fim de evitar acidentes. Figura 42. Elementos presentes nas escadas. Fonte: ADE, 2018. 64 UNIDADE III │ ESTRUTURAS ESPECIAIS Os lances da escada também devem ser avaliados atentamente no dimensionamento. Escadas de lance único podem ser fisicamente cansativas, desse modo, limita-se a distância vertical entre patamares em 19 degraus de 17 cm (ADE, 2018). Os patamares devem ter uma dimensão, no sentido do deslocamento, igual à largura da escada (mínimo 76 cm para escada de uso privativo). Classificação O surgimento de novos materiais de construção e o desenvolvimento dos métodos construtivos também influenciaram na execução de escadas. Atualmente, existem escadas diversificadas quanto ao material, ao formato, disposição etc. Desse modo, as escadas foram classificadas da seguinte forma: Figura 43. CLASSIFICAÇÃO DE ESCADAS Formato Número de voltas Posição no edifício Inclinação Tipo de material Fonte: próprio autor, 2018. Quanto à forma A configuração geométrica dos lances das escadas é definida conforme a função a ser desempenhada, pelo tipo de material e método construtivo, dimensão do espaço da caixa de escada e do desnível a ser alcançado. Existem diversos formatos de escadas, podendo ser divididos em dois grandes grupos: lances e lances curvos, ambos com ou sem patamares. A forma geométrica da escada pode caracterizar um determinado local, é o caso, por exemplo, das escadas de duas voltas, que normalmente são construídas em edificações residenciais coletivas. As escadas com lance em T, por sua vez, são características de palácios ou edificações públicas sofisticadas. 65 ESTRUTURAS ESPECIAIS │ UNIDADE III Lances retos A tabela 13 apresenta os tipos de lances de escadas retilíneas empregados em construções habitacionais, comerciais etc., bem como a sua representação gráfica em planta e em perspectiva. Tabela 13. Lances retos. Tipo de lance reto Planta Projeção Lance reto Lance em L (dois lances) Lance em U (dois a quatro lances) Lance em T Fonte: ADE, 2018. 66 UNIDADE III │ ESTRUTURAS ESPECIAIS » Lances curvos: › dois lances; › escada em arco; › escada espiral ou caracol. » Escada radial: › escada mista. Número de voltas Essa característica possibilita avaliar de imediato a forma geométrica que se adequa melhor às condições dimensionais disponíveis em projeto. As escadas podem ser classificadas em: » escada de uma volta; » escada de duas voltas; » escada de três voltas; » escada de quatro voltas. Posição no edifício As escadas se encontram no espaço de utilização do edifício (escada livre) ou inseridas em uma área restrita, definida como caixa de escada. A escada livre, para além da função que desempenha, é um importante elemento de arquitetura no espaço em que ela se insere. Nessa classe podem ser inseridas escadas retas, curvas e em caracol. Esse tipo de escada não liga mais que dois ou três níveis. A escada em caixa é mais utilizada nos edifícios de habitação coletiva ou nos edifícios administrativos. O isolamento desse tipo de escada confere uma independência entre os níveis a ligar. Pode ser uma escada principal ou secundaria, como no caso de ser uma escada de socorro, se o edifício estiver equipado com elevador. Os tipos de escadas mais correntes são as escadas retas de duas voltas, com patamar. Para além da escada livre ou em caixa, existe a escada de socorro exterior. Essa serve para a evacuação do edifício em caso de incêndio. Puramente funcional, esse tipo de 67 ESTRUTURAS ESPECIAIS │ UNIDADE III escada deve ser constituído por material resistente ao fogo. As escadas em caracol são desaconselhadas por razões de segurança. Existem ainda outros tipos de escadas, as chamadas escadas especiais: escadas móveis ou fixas contra o muro, desmontáveis, retráteis etc. Figura 44. Posição das escadas. (a) (b) Fonte: (a) Vector, 2018; (b) Projetaço, 2018. Inclinação As escadas, assim como outros elementos constituintes de uma edificação, apresentam limitações quanto à sua inclinação. Além disso, o que se pode constar é que para circulação vertical com baixíssima elevação (até 15º) as escadas se tornam inviáveis, sendo mais prática e simples a execução de rampas de acesso. Entretanto, no momento em que o desnível aumenta significativamente o uso de escadas se torna desconfortável e perigoso, recomendando-se a implementação de elevadores na edificação. 68 UNIDADE III │ ESTRUTURAS ESPECIAIS A tabela 14 apresenta o tipo de acesso conforme a inclinação atingida entre dois pontos a serem ligados. Tabela 14. Indicação de inclinações. 1 – até 15° Rampas 2 – até 20° Escadas de planos inclinados 3 – 30° Escadas mais confortáveis 4 – até 45° Escadas ainda admissíveis 5 – até 60° Escadas sem espelho 6 – 75° Escadotes 7 – 90° Elevadores Fonte: Güldner, 2018. Tipo de material As escadas podem ser confeccionadas por diversos tipos de materiais, empregando um ou mais tipos de material. Nesse caso, são denominadas escadas mistas. Comumente, os materiais mais utilizados tanto no espelho quanto para a sustentação são: a madeira, o concreto, pedras naturais ou artificiais e o aço. O material é definido levando em consideração o aspecto arquitetônico do ambiente, mas também em função da funcionalidade da escada na edificação como, por exemplo, as escadas de emergência. Esses aspectos são especificados em projeto e devem estar de acordo com as correspondentes normativas técnicas. Desse modo, serão apresentados sucintamente os tipos de materiais e suas aplicações.Escadas em madeira A madeira é um excelente material para ser empregado na confecção de escadas em virtude de sua estrutura, inúmeras possibilidades de geometrias, tonalidades diversificadas, entre outros. As madeiras mais utilizadas são o carvalho, pinheiro, a teca, nogueira e a faia. Esses tipos de material apresentam resistência suficiente para suportar as cargas atuantes, possibilitando escadas com largura de até 100 cm, com degraus com tabuas de espessura 69 ESTRUTURAS ESPECIAIS │ UNIDADE III entre 4,5 a 5,5 cm ou com espessuras maiores. A figura 45 ilustra escadas em madeira com diferentes aspectos. No caso da madeira, é importante ressaltar que a sua aplicação em área com elevado risco de incêndio, assim como especificamente em escada de emergência, não é recomendada. Figura 45. Escadas em madeira. Fonte: TUDCONSTRU, 2018. Escada em concreto armado O tipo de material mais empregado em escadas é o concreto armado, tendo em vista sua facilidade em adaptação de diversas geometrias, bem como a segurança em caso de incêndio. As escadas em concreto têm como vantagem a sua confecção, uma vez que essa pode ser moldada (concretada) in loco ou montada com peças pré-moldadas fabricadas. No caso das escadas moldadas no local, é necessário um sistema de formas a qual confere a geometria desejada como por exemplo, as escadas em espiral ou caracol dispõem de fôrmas curvas. Além disso, ela pode ser feita em um único bloco com perfil lateral em degraus ou sustentando degraus independentes (Figura 46). Ainda no que se refere às escadas em concreto, essas podem ser com ou sem espelho, com um ou dois patamares, com lances retos ou curvos. No primeiro caso, o espelho é um elemento importante na sustentação da escada, de tal modo que em projetos que dispensem o seu emprego, deve-se projetar adequadamente a redistribuição das cargas atuantes para outros pontos de apoio, garantindo a eficiência do elemento e evitando patologias. 70 UNIDADE III │ ESTRUTURAS ESPECIAIS Figura 46. Escada em concreto armado: (a) sem espelho, (b) com espelho. (a) (b) Fonte: (a) Chatuba, 2018; (b) Daldegan, 2017. Escadas em pedra natural ou artificial As primeiras escadas foram confeccionadas utilizando-se blocos de rochas cortados (pedras) sobrepostos sucessivamente, vencendo o desnível existente (Figura 47). Figura 47. Escadas Incas. Fonte: El Pais, 2016. Ao longo dos anos, esse tipo de escada foi aos poucos sendo substituído por outros tipos de escadas, que apresentavam uma maior facilidade construtiva como o concreto armado. Desse modo, as pedras deixaram de ser desempenhar um papel estrutural e passaram a ser empregadas no piso de escada, assumindo um papel estético (Figura 48). As pedras mais utilizadas são: granito, mármore, porcelanato etc. Esses materiais, apesar de apresentarem uma elevada resistência a esforços de flexão, são extremamente resistentes ao fogo, ao esmagamento e à deterioração por atrito. 71 ESTRUTURAS ESPECIAIS │ UNIDADE III Figura 48. Escadas em pedras artificiais: (a) mármore; (b) porcelanato. (a) (b) Fonte: DOCEOBRA, 2018. Escadas em aço As escadas metálicas são comumente empregadas em edificações comerciais, industriais e habitacionais. Esse tipo de escada apresenta grandes vantagens em relação a outros materiais, como a possibilidade de desmontá-la facilmente e poder ser montada em outra localidade. Conforme destacando ao longo desse capítulo, a questão estética da escada como um elemento adicional à decoração do ambiente, as escadas metálicas não diferem das demais. A inserção desse tipo de escada pode dar ao espaço um destaque pela sua presença bem como pode estar associada com a iluminação e o ornamento de obras de arte ou móveis. O aço apresenta propriedades mecânicas que conferem resistência suficiente à estrutura para suportar as cargas atuantes. O aço pode ser empregado em toda a estrutura, ou seja, desde o degrau ao corrimão, ou ainda, pode ser utilizado concomitantemente com outros materiais como a madeira, concreto e vidro. Para tanto, dispõem-se de perfis tubulares e retangulares, chapas planas e dobradas, perfis I, entre outros. As escadas com lances retos, em L e U são confeccionadas com o piso dos degraus em chapa dobrada lisa, madeira ou pedras artificiais sustentadas por uma ou duas vigas tubulares inferiores, podendo ser dispostas nas extremidades ou na região central da escada. Nesse caso, a escada é dimensionada com uma viga uni-apoiada ou bi-apoiada, definido, assim, as cargas atuantes em cada ponto de apoio para que possa, em seguida, especificar o tipo de perfil metálico adequado para a sustentação. O guarda-corpo e o corrimão são em perfis tubulares. A figura 49 apresenta escadas metálicas em lances retilíneos. 72 UNIDADE III │ ESTRUTURAS ESPECIAIS Figura 49. Escadas em aço. Fonte: Soescada, 2018. As escadas metálicas com lances circulares são o grande destaque desse tipo de escada, uma vez que a curvatura dos perfis é realizada na fábrica, com controle de qualidade e precisão. A escada helicoidal ou espiral possui um eixo central em perfis tubulares e os degraus saem a partir dessa estrutura em formato de caracol. A maior vantagem do uso desse tipo de escada é sua compacidade, já que requer muito pouco espaço disponível. A escada circular, por sua vez, difere da espiral por apresentar curvas mais suaves e apresentar um eixo central. Porém, ela demanda uma grande área disponível, sendo sua utilização indicada apenas em construções amplas (Figura 50). Figura 50. Escada metálica: (a) espiral; (b) circular. (a) (b) Fonte: Casa e construção, 2018. 73 ESTRUTURAS ESPECIAIS │ UNIDADE III No caso de escada em áreas industriais feitas exclusivamente com material metálico, é indispensável que essas apresentem corrimão, guarda-corpo e o piso em chapa dobrada deve ser antiderrapante por questões de segurança. No caso de escadas com piso de outro material é preciso instalar uma faixa antiderrapante na extremidade do degrau para desempenhar a mesma função. 74 CAPÍTULO 2 Fundações A fundação é o elemento estrutural que tem por função transmitir as cargas da estrutura para as camadas de solo mais resistentes, sem causar danos ao terreno. A definição do tipo de fundação é estabelecida considerando a intensidade da carga e da profundidade da camada resistente do solo. Existem dois tipos de fundações: superficiais ou rasas e profundas. As fundações superficiais distribuem essencialmente as pressões sob a base da fundação. São comumente empregadas em edificações de pequeno porte, necessitando de escavações no solo em pequenas profundidades. Tais fundações podem ser classificadas em sapatas, blocos e radiers, cada qual tem uma indicação específica, conforme a NBR 6122:1996. As fundações profundas, por sua vez, são tipicamente empregadas em construções de grande porte que apresentam cargas elevadas a serem transmitidas ao solo. Além disso, esse tipo de fundação também é recomendado para obras onde as camadas superficiais do terreno não possuem capacidade de carga suficiente para receber e dissipar as tensões provenientes da edificação. Diante desse contexto, é possível constar que as fundações profundas são elementos estruturais para grandes profundidades, de modo que para atingir tais comprimentos são utilizadas estacas e tubulões com blocos de coroamento, com o objetivo de realizar a junção de diversos elementos sob uma determinada área. As fundações do tipo tubulão são executadas em concreto armado e se diferem das estacas convencionais em virtude do alargamento da base, enquanto que as estacas conferem uma continuidade da geometria da estrutura. As estacas podem ser em concreto armado, pré-moldadas, de madeira ou metálicas. Este capítulo será dedicado ao estudo das estacas metálicas. As estacas metálicas, inicialmente, eram empregadas apenas com estrutura auxiliar para a construção de estruturas de contenção e comopilares de divisa. As estruturas de contenções são intervenções provisórias ou permanentes, realizadas em obras com o intuito de conter o terreno natural e isolar a área de escavação. Um dos tipos de contenção muito utilizado é a estaca prancha. As estacas metálicas sempre foram consideradas uma solução de alta eficiência. O mesmo se pode dizer quando é necessário atravessar lentes de pedregulhos ou concreções. 75 ESTRUTURAS ESPECIAIS │ UNIDADE III Estacas metálicas As estruturas de contenção têm papel preponderante em função da facilidade de cravação, de sua alta resistência e da versatilidade de integração com elementos construtivos complementares. Esse tipo de estaca destaca-se pelas inúmeras vantagens da sua utilização quando comparado aos outros tipos de material mencionados anteriormente. Aplicação: » construções industriais; » edifícios de múltiplos andares; » pontes e viadutos; » portos; » torres de transmissão. Vantagens: » reduz a vibração durante sua cravação; » possibilidade de cravação em solos de difícil transposição; » resistência a esforços elevados de tração e de flexão; » possibilidade de tratamento à base de betume especial (pintura), com o intuito de reduzir o efeito do “atrito negativo”; » facilidade de corte e emenda, de modo a reduzir “perdas” decorrentes da variação da cota de apoio do extrato resistente, principalmente em solos residuais jovens. Desvantagem: » apresentam uma carga estrutural baixa, uma vez que se trata de elementos com materiais reutilizados (Figura 51); » no caso de trilhos usados, é frequente a necessidade de composição de dois ou três trilhos soldados longitudinalmente para se formar uma estaca com capacidade estrutural maior; 76 UNIDADE III │ ESTRUTURAS ESPECIAIS » já no caso dos tubos de aço, normalmente há disponível no mercado bitolas pequenas de 10 a 25 cm de diâmetro, o que propicia pequenas cargas unitárias por estaca, de modo que se necessita de um número maior de estacas por pilar; » tanto os trilhos como os tubos são fornecidos sem garantias dimensionais e de linearidade devido à deterioração pelo uso anterior, o que leva à necessidade de cortes e emendas de difícil estimativa no que se refere a quantidade e custos. Figura 51. Cargas atuantes em estacas. Rt2 = Rt1 – Rl1 Rt3 = Rt2 – Rl2 Fonte: Techne, 2018. Onde: Rt1 = carga no topo do 1o elemento; Rl1= resistência lateral no 1o elemento; Rt2 = carga no topo do 2o elemento; Rl2 = resistência lateral no 2o elemento; Rt3 = carga no topo do 3o elemento; Rl3 = resistência lateral no 3o elemento. Perfis metálicos As estacas metálicas caracterizam-se por sua inserção no terreno sem demandar escavação prévia do terreno. Por se tratar de material metálico, as estacas são produzidas industrialmente, o que garante ao produto um maior controle de qualidade e precisão 77 ESTRUTURAS ESPECIAIS │ UNIDADE III dentro do padrão tolerável. Assim, para a confecção das estacas, são utilizados os perfis de aço laminado ou soldado com seção transversal I e H, perfis laminados a frio como chapa dobradas de seção circular, quadrada e retangular. Além disso, as estacas ainda podem ser constituídas de trilhos ferroviários, uma vez que se tende a reaproveitar esse material quando é retirado da linha férrea devido ao desgaste. De modo geral, os perfis de aço e os trilhos podem ser utilizados associados a outros vários elementos paralelos e até mesmo com diferentes geometrias e seções dentro de um mesmo bloco. Figura 52. Perfis metálicos: (a) perfil I; (b) trilho; (c) tubos metálicos. (a) (b) (c) Fonte: (a) Archiexpo, 2018; (b) Barbosa, 2016; (c) Centerval, 2018. Método construtivo A execução da cravação das estacas requer equipamento pesado e de grande porte, que tenha capacidade em erguer a estaca, bem como consiga levar à estaca a atingir sua resistência de ponta, oferecida pelo solo na sua penetração. O equipamento mais utilizado é o bate-estaca, constituído por uma torre, uma base e um martelo. É válido ressaltar que a escolha do equipamento deve ser feita de acordo com o tipo, dimensão da estaca, características do solo, condições de vizinhança, características do projeto e peculiaridades do local. A figura 53 apresenta a sequência construtiva para a cravação de estacas metálicas no terreno, bem como o equipamento empregado para tal função. 78 UNIDADE III │ ESTRUTURAS ESPECIAIS Figura 53. Cravação de estacas metálicas. Fonte: Serki, 2018. O método de execução segue as seguintes etapas: 1. Inicialmente, a estaca é içada em uma de suas extremidades pelo equipamento, de modo que ela esteja posicionada corretamente a 90º do terreno e sobre o ponto de cravação. A outra extremidade da estaca fica em contato com o solo ao longo de toda a cravação. 2. Posicionada a estaca, dá-se início à sua penetração no solo. Esse processo pode ser realizado por vibração ou por impacto mecânico (golpes) proveniente da queda de um determinado peso sobre a estaca. 3. Os perfis metálicos podem ser produzidos com comprimentos de 6 a 12 metros, ou ainda, em casos particulares, com comprimentos superiores. Entretanto, a questão a se considerar é que há uma limitação estrutural e logística do comprimento da peça de tal modo que fundações com profundidades elevadas devem ser compostas pela junção de sucessivos perfis através de emendas. As emendas consistem em talas extraídas da aba do próprio perfil com o intuito de certificar a mesma resistência da estaca. As emendas são realizadas, a princípio, no perfil que ainda não foi içado, isto é, no chão e em seguida interrompe-se a cravação 79 ESTRUTURAS ESPECIAIS │ UNIDADE III da estaca a uma dada distância da ponta e posiciona-se a estaca com as talas sobre a outra. Por fim, faz-se a junção dessas através da alma e da aba. A figura 54 apresenta os detalhes das emendas feitas na alma e na aba do perfil metálico. Realizada a emenda, deve-se verificar o alinhamento da estaca para que possa prosseguir com o processo de cravação. As emendas são realizadas sempre que necessário. Figura 54. Emendas em perfis metálicos. Vista geral Seção longitudinal Seção transversal . Fonte: Gerdau, 2008. 4. A cravação da estaca prossegue até atingir a profundidade estabelecida em projeto. 5. Ao finalizar a cravação dos perfis metálicos ou estacas, realiza-se o embutimento dos perfis no bloco de coroamento, que consiste num bloco maciço de concreto armado construído sobre a cabeça das estacas que têm por função transferir as cargas da estrutura para uma única estaca ou para um conjunto de estacas espaçadas. A configuração geométrica dos blocos de coroamento é função do arranjo das estadas no solo podendo ser quadrado ou retangular, como mostrado na figura 55. 80 UNIDADE III │ ESTRUTURAS ESPECIAIS Figura 55. Blocos de coroamento retangulares: (a) uma única estaca; (b) duas estacas. (a) (b) Fonte: adaptado da Gerdau, 2008. A norma NBR 6122:1996 não especifica espaçamentos mínimos entre os elementos, apenas estabelece que a carga admissível do conjunto de estaca não deva exceder o valor de uma sapata de um mesmo contorno. Desse modo, o que se recomenda na prática, é que o espaçamento não seja menor que 100 cm entre os eixos de estacas, no caso de perfis com diâmetros inferiores a 40 cm. Para estacas com diâmetros maiores, deve-se utilizar espaçamento mínimo de 150 cm. Assim, podem ser observados outros tipos de geometria do bloco, além dos arranjos regulares apresentados, de modo que o contorno do bloco deva acompanhar o contorno das estacas, envolvendo e mantendo-as a uma distância mínima de 15 cm entre a estaca e a borda do bloco. A figura 56 apresenta outra geometria do bloco de coroamento. 81 ESTRUTURAS ESPECIAIS │ UNIDADE III Figura 56. Bloco de coroamento com três estacas. Fonte: Gerdau, 2008. Estruturasde contenção com perfis metálicos As estacas-prancha são em uma solução de engenharia para conter a massa de solo verticalmente, cravando no solo perfis metálicos justapostas às cortinas. Esse tipo de estrutura de contenção é comumente empregado em obras geotécnicas com a função de impermeabilização ou para a realização de escavação de uma dada área, podem ser de maneira provisoria ou de forma definitiva. São aplicadas em terminais portuários, contenções de valas e trincheiras, acesso a túneis etc. Os perfis metálicos mais utilizados para a confecção de cortinas de contenção são os do tipo AU, AZ, combinação do HZ com AZ e os perfis de alma reta. Figura 57. Estaca-prancha. Seção AZ Seção AU Fonte: Pini, 2007. 82 UNIDADE III │ ESTRUTURAS ESPECIAIS Outro modo de contenção vertical ao solo para garantir a estabilização do talude contra a ruptura e evitar o escorregamento da massa de solo devido ao peso próprio ou por cargas externas é através do sistema convencional de contenção. Esse sistema corresponde à cravação de perfis espaçados entre si, ao longo do perímetro desejado. Posteriormente, é realizada a escavação manual do terreno entre os perfis para possibilitar a instalação de pranchas de madeira ou pré-moldadas (Figura 58). Os painéis têm por função tanto de travamento quanto de vedação da face escavada. Nessa condição, são empregados perfis do tipo I e H. Figura 58. Estruturas de contenções. Fonte: Geofort, 2018. Fundações de pontes A Unidade II deste caderno de estudos abordou os aspectos estruturais das obras de artes especiais como pontes, viadutos e passarelas. A infraestrutura é o elemento estrutural que concentra todas as tensões da estrutura para que possa transmiti-la ao solo de modo a não provocar sua ruptura, e no caso desses tipos de obras, são comumente executadas as fundações profundas. As fundações rasas também podem ser empregadas nas extremidades da estrutura, desde que seja projetada devidamente. No que se refere ao método construtivo das fundações profundas, cabe ressaltar que no caso específico das pontes que são construídas para transpor cursos d’agua como rios e lagos, é possível afirmar que a execução da infraestrutura requer uma dinâmica diferente da dos métodos convencionais em áreas secas. Em alguns casos, a execução das fundações requer obras de engenharia auxiliares, como a execução de ensecadeiras e outras estruturas de contenção, bem como necessitam de equipamentos apropriados. 83 ESTRUTURAS ESPECIAIS │ UNIDADE III A figura 59 ilustra o procedimento construtivo para a realização de cravação de estacas metálicas para compor o sistema de fundação de uma ponte. Nesse caso, a execução só foi possível devido à criação de uma área de trabalho seca que permitisse a instalação dos equipamentos e a presença dos funcionários da obra. Essa área foi construída por meio da construção de uma cortina de contenção impermeável com perfis metálicos, cujas características foram apresentadas no item anterior. Concluída a cravação dos perfis da cortina de contenção, a água no interior da área delimitada é bombeada por um sistema de pressurização por ar comprimido, mantendo sempre seco e assim, possibilitando a escavação ou cravação das estacas. Figura 59. Execução da fundação de uma ponte. Fonte: VLG, 2018. A cravação submersa de estacas também pode ser realizada com a utilização de uma estrutura flutuante (balsa) que possibilite o transporte do maquinário e das estacas ao local especificado em projeto (Figura 60). Geralmente, tratam-se de estruturas de grande comprimento para acomodação de todos os utensílios necessários. Nesse caso, não há a necessidade de realizar as ensecadeiras, o que proporciona uma redução do tempo no cronograma final da obra. A figura 60 ilustra a cravação por vibração de tubos metálicos. Figura 60. Estaleiros para execução de fundação submersa. Fonte: Brasfix, 2018. 84 UNIDADE III │ ESTRUTURAS ESPECIAIS Figura 61. Cravação de tubos metálicos. Fonte: Brasfix, 2018. Cabe ressaltar que os métodos apresentados se referem à execução de fundações submersas, o que não implica que essa abordagem seja exclusiva para a aplicação de perfis metálicos. Em muitos casos, os tubos metálicos são empregados para encamisamento da estaca de concreto ou ainda, os perfis sejam utilizados apenas para as estruturas de contenção. No entanto, nota-se que o aço está presente em todo esse cenário, seja na fundação propriamente dita ou na constituição dos equipamentos, estruturas auxiliares e outros. 85 Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT (2003). Projeto de estruturas de concreto – Procedimentos NBR 6118. Rio de Janeiro. 2014. ______. Projeto e execução de pontes de concreto armado e protendido – Procedimentos: NBR 7187. Rio de Janeiro, 2013. ______. Projeto carga móvel rodoviária e de pedestre em pontes, viadutos, passarelas e outras estruturas. NBR 7188. Rio de Janeiro. 2013. ______. Projeto de estruturas de aço e de estruturas mistas de aço concreto de edifícios: NBR 8800. Rio de Janeiro, 2008. ______. Projeto de execução de fundações: NBR 6122. Rio de Janeiro, 2010. ______. 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