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ESTRUTURA DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS Professora Me. Tatiane Garcia da Silva Santos GRADUAÇÃO Unicesumar C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância; SANTOS, Tatiane Garcia da Silva. Estrutura das Demonstrações Contábeis. Tatiane Garcia da Silva Santos. Maringá-Pr.: UniCesumar, 2017. 136 p. “Graduação - EaD”. 1. Estrutura. 2. Demonstrações. 3. Contábeis. 4. EaD. I. Título. ISBN 978-85-459-0936-1 CDD - 22 ed. 657 CIP - NBR 12899 - AACR/2 Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário João Vivaldo de Souza - CRB-8 - 6828 Impresso por: Reitor Wilson de Matos Silva Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi NEAD - Núcleo de Educação a Distância Diretoria Executiva Chrystiano Minco� James Prestes Tiago Stachon Diretoria de Graduação Kátia Coelho Diretoria de Pós-graduação Bruno do Val Jorge Diretoria de Permanência Leonardo Spaine Diretoria de Design Educacional Débora Leite Head de Curadoria e Inovação Tania Cristiane Yoshie Fukushima Gerência de Processos Acadêmicos Taessa Penha Shiraishi Vieira Gerência de Curadoria Carolina Abdalla Normann de Freitas Gerência de de Contratos e Operações Jislaine Cristina da Silva Gerência de Produção de Conteúdo Diogo Ribeiro Garcia Gerência de Projetos Especiais Daniel Fuverki Hey Supervisora de Projetos Especiais Yasminn Talyta Tavares Zagonel Coordenador de Conteúdo José Manoel da Costa Designer Educacional Ana Claudia Salvadego Projeto Gráfico Jaime de Marchi Junior José Jhonny Coelho Arte Capa Arthur Cantareli Silva Ilustração Capa Bruno Pardinho Editoração Kleber Ribeiro da Silva Qualidade Textual Cintia Prezoto Ferreira Ilustração Bruno Pardinho Em um mundo global e dinâmico, nós trabalhamos com princípios éticos e profissionalismo, não so- mente para oferecer uma educação de qualidade, mas, acima de tudo, para gerar uma conversão in- tegral das pessoas ao conhecimento. Baseamo-nos em 4 pilares: intelectual, profissional, emocional e espiritual. Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos de graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 100 mil estudantes espalhados em todo o Brasil: nos quatro campi presenciais (Maringá, Curitiba, Ponta Grossa e Londrina) e em mais de 300 polos EAD no país, com dezenas de cursos de graduação e pós-graduação. Produzimos e revisamos 500 livros e distribuímos mais de 500 mil exemplares por ano. Somos reconhecidos pelo MEC como uma instituição de excelência, com IGC 4 em 7 anos consecutivos. Estamos entre os 10 maiores grupos educacionais do Brasil. A rapidez do mundo moderno exige dos educa- dores soluções inteligentes para as necessidades de todos. Para continuar relevante, a instituição de educação precisa ter pelo menos três virtudes: inovação, coragem e compromisso com a quali- dade. Por isso, desenvolvemos, para os cursos de Engenharia, metodologias ativas, as quais visam reunir o melhor do ensino presencial e a distância. Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento, formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária. Vamos juntos! Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está iniciando um processo de transformação, pois quando investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou profissional, nos transformamos e, consequentemente, transformamos também a sociedade na qual estamos inseridos. De que forma o fazemos? Criando oportu- nidades e/ou estabelecendo mudanças capazes de alcançar um nível de desenvolvimento compatível com os desafios que surgem no mundo contemporâneo. O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens se educam juntos, na transformação do mundo”. Os materiais produzidos oferecem linguagem dialógica e encontram-se integrados à proposta pedagógica, con- tribuindo no processo educacional, complementando sua formação profissional, desenvolvendo competên- cias e habilidades, e aplicando conceitos teóricos em situação de realidade, de maneira a inseri-lo no mercado de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como principal objetivo “provocar uma aproximação entre você e o conteúdo”, desta forma possibilita o desenvolvimento da autonomia em busca dos conhecimentos necessá- rios para a sua formação pessoal e profissional. Portanto, nossa distância nesse processo de cresci- mento e construção do conhecimento deve ser apenas geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita. Ou seja, acesse regularmente o Studeo, que é o seu Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos fóruns e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe das dis- cussões. Além disso, lembre-se que existe uma equipe de professores e tutores que se encontra disponível para sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de aprendizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranqui- lidade e segurança sua trajetória acadêmica. A U TO R A Professora Me. Tatiane Garcia da Silva Santos Mestre em Gestão do Conhecimento nas Organizações pela Unicesumar (2016), possui especialização em Controladoria e Contabilidade pela Universidade Estadual de Maringá – UEM (2010). Graduada em Ciências Contábeis pela Unicesumar (2004). Atualmente é Professora/Orientadora do curso de Ciências Contábeis do Ensino Presencial da Unicesumar – Centro Universitário Maringá. Professora do curso de Ciências Contábeis da UNIFAMMA – União de Faculdades Metropolitana de Maringá. Também por meio de contrato de serviços, é Professora Formadora do Ensino a Distância da Unicesumar – EAD. Tem experiência na área de Contabilidade. Autora dos livros: Arbitragem (2011), Estágio Supervisionado I (2014) e Estágio Supervisionado II (2015). Participação nos livros: Ética Geral e Profissional em Contabilidade (2015), Pensando o Conhecimento – Uma abordagem teórica à Gestão do Conhecimento (2015), e Envelhecer Saudável – Uma abordagem interdisciplinar do envelhecimento ativo (2015). <http://lattes.cnpq.br/6987439622263692> SEJA BEM-VINDO(A)! Caro(a) aluno(a), seja bem-vindo(a) aos conteúdos sobre a Estrutura das Demonstrações Contábeis. Este livro foi elaborado com muito carinho para o seu aprendizado. Neste contexto, as unidades do livro apresentam os aspectos que envolvem as Demons- trações Financeiras/Contábeis em conformidade com a legislação vigente. Diante disso, na Unidade I serão contextualizados os aspectos introdutórios sobre as De- monstrações Financeiras, em que são regidas pelas Leis nº 6.404/76 e nº 11.638/07, pelo CFC, pela CVM e pelo Regulamento do Imposto de Renda. Desse modo, a abordagem do Balanço Patrimonial, que é uma demonstração que apresenta os saldos das contas patrimoniais e a evidenciação do patrimônio da entidade nos aspectos quantitativos e qualitativos. Na sequência, os componentes do Balanço Patrimonial representados pelo Ativo (Bens e Direitos), Passivo (Obrigações) e o Patrimônio Líquido (Capital Investido). Na Unidade II, será tratado o Demonstrativo do Resultado (DR), que evidencia o resul- tado da entidade, ou seja, lucro ou prejuízo do período. Assim, a Lei n. 6.404/76, em seu art. 187, regulamenta os componentes e processos necessários para a elaboração da DR, em que o relatório é construído a partir dos saldos de encerramento de todas as contas de resultado. Finalizando a unidade, um roteiro sobre apuração do resultado do exercí- cio em função da necessidade de apurar o lucro ou prejuízo das empresas. Na sequência, a Unidade III apresenta duas demonstrações contábeis, a DLPA e a DMPL. Porém, a Lei n: 6.404/76 exige apenas a DLPA, contudo, a CVM determina a elaboração da DMPL para as entidades de capital aberto.Em acordo com o CPC 26, fica estipulado a DMPL para todas as entidades de grande porte. Por fim, a DLPA pode ser sucedida pela Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido, porque a DMPL abrange de forma geral as exposições em torno das variações ocorridas no exercício social. Em continui- dade, mostraremos um modelo da DLPA e da DMPL para uma melhor compreensão dos assuntos sobre esses relatórios. Na Unidade IV será abordada a Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC), que é um rela- tório contábil com objetivo evidenciar as operações ocorridas e que provocam modifi- cações no saldo de caixa e equivalentes de caixa das entidades. Dessa maneira, iremos mostrar a estrutura e elaboração da DFC, bem como verificar a classificação das entradas e saídas de caixa conforme as atividades operacionais, investimentos e financiamentos. E, por fim, estudaremos os modelos e métodos de elaboração, tais como indireto e direto. A Unidade V expõe a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) e as Notas Explicativas para o fechamento dos assuntos sobre as demonstrações financeiras. Assim, a Demons- tração do Valor Adicionado (DVA) é um relatório que avalia quantos recursos uma enti- dade produz em um exercício social. As Notas Explicativas apresentam as informações complementares a respeito das demonstrações contábeis, em que são apresentadas após a publicação dos relatórios pelas entidades. Portanto, convidamos você, caro(a) aluno(a), a conhecer o universo que envolve a Es- trutura das Demonstrações Contábeis para complementar a sua formação profissional. Sucesso! APRESENTAÇÃO ESTRUTURA DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS SUMÁRIO 09 UNIDADE I DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS 15 Introdução 16 Demonstrações Financeiras 22 Balanço Patrimonial 28 Considerações Finais 50 Referências 51 Gabarito UNIDADE II DEMONSTRATIVO DO RESULTADO (DR) 55 Introdução 56 Demonstrativo do Resultado (DR) 66 Demonstração do Resultado do Período e Resultado Abrangente 70 Roteiro para Apuração do Resultado do Exercício 72 Considerações Finais 78 Anexo I 80 Anexo II 84 Referências 85 Gabarito SUMÁRIO 10 UNIDADE III DEMONSTRAÇÃO DOS LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS (DLPA) E DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO (DMPL) 89 Introdução 90 Aspectos Introdutórios 91 Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) 95 Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) 100 Considerações Finais 106 Referências 107 Gabarito UNIDADE IV DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA (DFC) 111 Introdução 112 Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) 117 Métodos de Estruturação da DFC 123 Considerações Finais 128 Referências 129 Gabarito SUMÁRIO 11 UNIDADE V DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO (DVA) E NOTAS EXPLICATIVAS 133 Introdução 134 Demonstração do Valor Adicionado (DVA) 138 Notas Explicativas 141 Considerações Finais 147 Referências 148 Gabarito 149 CONCLUSÃO U N ID A D E I Professora Me. Tatiane Garcia da Silva Santos DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS Objetivos de Aprendizagem ■ Apresentar as Demonstrações Financeiras/Contábeis; Comparar as Leis n. 6.404/76 e 11.638/07. ■ Conhecer o Balanço Patrimonial; Compreender a estrutura do Balanço Patrimonial; Conhecer um modelo de Balanço Patrimonial. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Demonstrações Financeiras ■ Balanço Patrimonial INTRODUÇÃO Caro(a) aluno(a), nesta unidade, vamos abordar os assuntos em torno das Demonstrações Financeiras/Contábeis em conformidade com as Leis n. 6.404/76 e n. 11.638/07, pelo CFC, pela CVM e pelo Regulamento do Imposto de Renda. Contudo, a obrigação em torno das demonstrações financeiras também está associada ao formato jurídico de constituição da organização, assim, se trata de sociedade anônima ou limitada e também em relação ao porte das entidades, ou seja, micro, pequena, média ou grande empresa. Neste sentido, a primeira demonstração contábil que vamos contextualizar é o Balanço Patrimonial, um relatório da contabilidade que apresenta os saldos das contas patrimoniais e, além disso, evidencia o patrimônio da empresa nos aspectos quantitativos e qualitativos. Desse modo, a principal função do Balanço Patrimonial é a de sintetizar, por meio das contas, a posição de cada conta contábil que foi movimentada pelo registro dos fatos que foram escriturados em um determinado exercício social. Assim, o exercício social tem a duração de um ano, ou pode ser em função do ciclo operacional das entidades para processo de escrituração contábil. Logo, o objetivo da escrituração contábil é registrar, de maneira formal e padronizada, os fatos contábeis. Em continuidade, os componentes do Balanço Patrimonial são representa- dos pelo Ativo (Bens e Direitos), Passivo (Obrigações) e o Patrimônio Líquido (Capital Investido). Dessa maneira, o Ativo é subdividido em dois grupos, que são: Circulante e Não Circulante. O componente Passivo tem a subdivisão de: Passivo Circulante, Não Circulante e Patrimônio Líquido. Logo, o Ativo encon- tra-se ao lado esquerdo da demonstração e o Passivo ao lado direito do relatório. A partir da conceituação do Balanço Patrimonial, a unidade apresenta a estru- tura, bem como um modelo prático sobre essa demonstração financeira. Bons estudos! Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 15 DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E16 DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS Demonstrações Financeiras ou Demonstrações Contábeis representam os rela- tórios desenvolvidos por meio da escrituração contábil, que tem como objetivo demonstrar aos usuários internos e externos informações contábeis de natureza patrimonial em relação aos aspectos econômicos e financeiros das entidades. Assim, essas informações são resultados da escrituração contábil de um deter- minado exercício social de uma referida entidade. Em conformidade com o item 9 da NBC TG 26 (R5), as Demonstrações Contábeis apresentam a estrutura da posição patrimonial e financeira e também o desempenho das organizações. Neste sentido, na visão de Ribeiro (2013, p. 355), o objetivo das Demonstrações Contábeis é o de proporcionar informa- ção acerca da posição patrimonial e financeira, do desempenho e dos fluxos de caixa da entidade que seja útil a um grande número de usuá- rios em suas avaliações e tomada de decisões econômicas. Dessa forma, as demonstrações contábeis também demonstram os resultados da administração sobre a gestão da empresa e a sua prestação de contas em relação aos recursos que lhe foram cedidos. Demonstrações Financeiras Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 17 O exercício social representa o período que a contabilidade tem para apu- rar os resultados e elaborar as demonstrações contábeis de uma determinada organização. Logo, esse exercício social tem a duração de um ano, e a data de finalização deve ser fixada pela administração junto com o contador. Desse modo, para uma empresa comercial, pode-se determinar para a escrituração contábil o exercício social com o período previsto para 01/01/XX até 31/12/XX. Porém, o contador também poderá determinar esse período em conformidade com ciclo operacional da empresa. Quando falamos em usuários da informação contábil, estamos expressando as pessoas físicas e jurídicas que necessitam das informações geradas pela conta- bilidade para a tomada de decisões nas organizações. Para Montoto (2011, p. 37), “O objetivo fundamental da contabilidade é: prover os seus usuários de demons- trações financeiras com informações que os ajudarão a tomar decisões”. Assim, seguem os tipos de usuários que usam as informações contábeis(Quadro 1): Quadro 1 - Tipos de usuários INTERNOS INFORMAÇÕES REQUERIDAS Empregados Diretores Encarregados de Produção Encarregados de Vendas Fluxo de caixa capaz de assegurar condições de boa remuneração. Desempenho e rentabilidade. Produtividade e análise das variações de desempe- nho. Desempenho por região, linhas de produtos, ven- dedores etc. EXTERNOS INFORMAÇÕES REQUERIDAS Instituições Financeiras Entidades Governamentais Acionistas ou Quotistas Minoritários (não partici- pantes da administração das entidades) Sindicatos Capacidade de pagamento da empresa. Ao emprestar o dinheiro, sua preocupação é que a empresa tenha uma geração de caixa futura sufi- ciente para pagar com segurança o capital empres- tado atualizado mais o juros. Lucro tributável, produtividade e valor adicionado. Retorno sobre o capital investido. Normalmente esperam que a empresa tenha condições de man- ter um fluxo regular de distribuição de lucros. Fluxo de caixa futuro e rentabilidade. Fonte: Fávero et al. (2011, p. 3). DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E18 A Lei n. 6.404/76 define que, ao fim de cada exercício social, a diretoria das enti- dades deve elaborar a escrituração contábil seguida das demonstrações contábeis, as quais devem demonstrar, de forma clara e objetiva, a situação patrimonial e as mutações ocorridas no exercício social. Logo, a Lei n. 11.638/2007 realizou algumas alterações em relação às demonstrações financeiras determinando nor- matização sobre: ■ BL – Balanço Patrimonial; ■ DR – Demonstração do Resultado; ■ DLPA – Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados; ■ DFC – Demonstração dos Fluxos de Caixa; ■ DVA – Demonstração do Valor Adicionado (se companhia aberta). Para melhor compreensão sobre os assuntos em torno das demonstrações con- tábeis, segue um quadro comparativo da Lei n. 6.404/76 versus Lei n. 11.638/07 em relação às mudanças realizadas (Quadro 2). Quadro 2 – Comparação das Leis n. 6.404/76 e Lei n. 11.638/07 LEI 6.404, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1976 LEI 11.638, DE 28 DE DEZEMBRO DE 2007 Publicação das Demonstrações das Origens e Aplicações de Recursos – Doar. Publicação das Demonstrações dos Fluxos de Caixas – DFC. Não havia a exigência da publicação da De- monstração do Valor Adicionado – DVA para as companhias abertas. Obrigatoriedade da publicação da Demonstra- ção do Valor Adicionado – DVA para as compa- nhias abertas. Os aumentos de valores nos saldos de ativos serão registrados com Reserva de Reavalia- ção, no Patrimônio Líquido. Os aumentos ou diminuições de valores nos saldos de ativos e passivos decorrentes de ava- liações e preço de mercado serão registrados na conta de Ajuste de Avaliação Patrimonial, no Pa- trimônio Líquido. O ativo permanente é dividido em: investi- mentos, ativo imobilizado e ativo diferido. Ativo permanente passa a ser dividido em: inves- timentos, imobilizado, intangível e diferido. Nas operações de incorporação, fusão ou cisão, os saldos vertidos poderão ser regis- trados pelos valores contábeis. Os saldos serão vertidos a valor de mercado nos casos de: fusões, cisões ou incorporações. http://www.contabeis.com.br/termos-contabeis/incorporacao http://www.contabeis.com.br/termos-contabeis/incorporacao http://www.contabeis.com.br/termos-contabeis/incorporacao Demonstrações Financeiras Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 19 O Patrimônio Líquido: capital social, reserva de capital, reservas de reavaliação, reservas de lucros ou prejuízos acumulados. O Patrimônio Líquido: capital social reserva de capital, ajustes de avaliação patrimonial, reser- vas de lucros, ações em tesouraria e prejuízos acumulados. As companhias abertas são obrigadas a publicar suas demonstrações contábeis de- vidamente auditadas. As companhias fecha- das são obrigadas a publicar suas demons- trações contábeis. As companhias abertas e as sociedades de gran- de porte de capital fechado são obrigadas a apresentar demonstrações contábeis segundo os mesmos padrões da Lei das S.As. e auditadas por auditores independentes. A escrituração contábil será efetuada de acordo com os princípios de contabilidade geralmente aceitos, podendo registrar nos livros comercias ou em livros auxiliares os ajustes decorrentes da legislação tributária. Deverá ocorrer segregação entre escrituração mercantil e tributária. A CVM expedirá normas contábeis de acor- do com os princípios de contabilidade geral- mente aceitos. A CVM expedirá normas contábeis em conso- nância com as Normas Internacionais de Conta- bilidade (IFRS) As sociedades controladas devem ser avalia- das pelo método da equivalência patrimo- nial. As sociedades controladas, sociedades que fa- zem parte do mesmo grupo que estejam sob in- fluência e controle comum, devem ser avaliadas pelo método de equivalência patrimonial. Fonte: Portal Contábeis (2017, on-line)¹. Em conformidade com a Lei n. 6.404/76, seu art. 186 determina a dispensa da DLPA nas seguintes condições: Art. 186. A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados discriminará: I. o saldo do início do período, os ajustes de exercícios anteriores e a correção monetária do saldo inicial; II. as reversões de reservas e o lucro líquido do exercício; III. as transferências para reservas, os dividendos, a parcela dos lucros incorporada ao capital e o saldo ao fim do período. §1º Como ajustes de exercícios anteriores serão considerados apenas os decorrentes de efeitos da mudança de critério contábil, ou da retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a fatos subseqüentes. §2º A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados deverá indicar o montante do dividendo por ação do capital social e poderá ser inclu- ída na demonstração das mutações do patrimônio líquido, se elabo- rada e publicada pela companhia (BRASIL, 1976). http://www.contabeis.com.br/termos-contabeis/capital_social http://www.contabeis.com.br/termos-contabeis/capital_social http://www.contabeis.com.br/termos-contabeis/capital_social http://www.contabeis.com.br/termos-contabeis/capital_social http://www.contabeis.com.br/termos-contabeis/capital_social http://www.contabeis.com.br/termos-contabeis/capital_social http://www.contabeis.com.br/termos-contabeis/capital_social http://www.contabeis.com.br/termos-contabeis/capital_social http://www.contabeis.com.br/termos-contabeis/contabilidade http://www.contabeis.com.br/termos-contabeis/contabilidade http://www.contabeis.com.br/termos-contabeis/contabilidade http://www.contabeis.com.br/termos-contabeis/contabilidade http://www.contabeis.com.br/termos-contabeis/contabilidade http://www.contabeis.com.br/termos-contabeis/contabilidade http://www.contabeis.com.br/termos-contabeis/contabilidade http://www.contabeis.com.br/termos-contabeis/ifrs http://www.contabeis.com.br/termos-contabeis/ifrs http://www.contabeis.com.br/termos-contabeis/ifrs DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E20 Portanto, a demonstração do valor adicionado é obrigatória para as sociedades anônimas de capital aberto e companhias fechadas com Patrimônio Líquido, na data do balanço, inferior a R$ 2.000.000,00, fica dispensada da elaboração da DFC. A Lei n. 6.404/76 também determina: §1º As demonstrações de cada exercício serão publicadas com a indicação dos valores correspondentes das demonstrações do exercício anterior. §2º Nas demonstrações, as contas semelhantes poderão ser agrupadas; os pequenos saldos poderão ser agregados, desde que indicada a sua natureza e não ultrapassem 0,1 (um décimo) do valor do res- pectivo grupo de contas; mas é vedada a utilização de designações genéricas, como “diversas contas” ou “contas-correntes”. §3º As demonstrações financeiras registrarãoa destinação dos lucros segundo a proposta dos órgãos da administração, no pressuposto de sua aprovação pela assembléia-geral. §4º As demonstrações serão complementadas por notas explicativas e outros quadros analíticos ou demonstrações contábeis necessários para esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados do exercício (BRASIL, 1976). Com base na Lei n. 6.404/76, as demonstrações contábeis das empresas abertas devem ser submetidas à auditoria por auditores independentes registrados na CVM e devem seguir as normas que regem os padrões internacionais de conta- bilidade adotados pelo mercado de valores mobiliários. Assim, a Lei n. 6.404/76, em seu art. 289, postula: §1º A Comissão de Valores Mobiliários poderá determinar que as pu- blicações ordenadas por esta Lei sejam feitas, também, em jornal de grande circulação nas localidades em que os valores mobiliários da companhia sejam negociados em bolsa ou em mercado de balcão, ou disseminadas por algum outro meio que assegure sua ampla di- vulgação e imediato acesso às informações. (Redação dada pela Lei n. 9.457, de 1997) §2º Se no lugar em que estiver situada a sede da companhia não for edi- tado jornal, a publicação se fará em órgão de grande circulação local. §3º A companhia deve fazer as publicações previstas nesta Lei sempre no mesmo jornal, e qualquer mudança deverá ser precedida de avi- so aos acionistas no extrato da ata da assembléia-geral ordinária. §4º O disposto no final do § 3º não se aplica à eventual publicação de atas ou balanços em outros jornais. Demonstrações Financeiras Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 21 §5º Todas as publicações ordenadas nesta Lei deverão ser arquivadas no registro do comércio. §6º As aplicações do balanço e demonstração de conta de lucros e per- das poderão ser feitas adotando-se como expressão monetária o “milhar de cruzeiros”. §6º As publicações do balanço e da demonstração de lucros e perdas poderão ser feitas adotando-se como expressão monetária o mi- lhar de reais.(Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) §7º Sem prejuízo do disposto no caput deste artigo, as companhias abertas poderão, ainda, disponibilizar as referidas publicações pela rede mundial de computadores (BRASIL, 1976). Esta conjuntura pode ser observada no ANEXO 1, em que vamos apresentar as demonstrações contábeis em conformidade com a Lei n. 6.404/76. Na sequência, sobre as demonstrações contábeis, o CPC 26 (R3) – Demonstrações Contábeis. Você já ouviu falar do CPC (Comitê de Pronunciamentos Contábeis)? O CPC foi criado da união de esforços e comunhão de objetivos das seguintes or- ganizações: ■ ABRASCA; ■ APIMEC NACIONAL; ■ BOVESPA; ■ Conselho Federal de Contabilidade; ■ FIPECAFI; ■ IBRACON. Ele tem as seguintes funções: convergência internacional das normas con- tábeis; centralização na emissão de normas dessa natureza; representação e processo democráticos na produção dessas informações. Acesse o site: <http://www.cpc.org.br/CPC/CPC/Conheca-CPC> e fique por dentro das últimas notícias do CPC. Fonte: adaptado de CPC ([2017], on-line)5. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E22 BALANÇO PATRIMONIAL O Balanço Patrimonial é um relatório elaborado pela contabilidade que tem como objetivo demonstrar o patrimônio das entidades. Assim, esse demons- trativo é um resumo dos saldos das contas que compõem o patrimônio. Dessa forma, o balanço patrimonial informa dados do exercício social finalizado e do anterior. CONCEITO A primeira demonstração contábil a ser contextualizada é Balanço Patrimonial. Assim, em conformidade com a Resolução 1.283/2010, “O balanço patrimonial é a demonstração contábil destinada a evidenciar, quantitativa e qualitativa- mente, numa determinada data, a posição patrimonial e financeira da Entidade”. Dessa maneira, a demonstração evidencia os aspectos quantitativos e qualita- tivos da posição patrimonial de uma estipulada empresa. Neste sentido, a Lei n. 6.404/76 diz que: “Balanço Patrimonial é composto por duas partes: Ativo e Passivo, onde o ativo representa os bens e direitos; e o passivo identifica as obrigações e o Patrimônio Líquido”. Dessa forma, o balanço patrimonial com- preende todos os bens, direitos e obrigações no sentido tangível e intangível, como também as obrigações e o Patrimônio Líquido da organização de acordo com os resultados apurados pela contabilidade. Com base em vários autores da área contábil, seguem alguns conceitos em torno do Balanço Patrimonial (Quadro 3): Balanço Patrimonial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 23 Quadro 3 - Conceitos sobre Balanço Patrimonial Ribeiro (2013, p. 357) O Balanço Patrimonial é a demonstração contábil destinada a eviden- ciar, qualitativa e quantitativamente, em uma determinada data, o Pa- trimônio Líquido da entidade. Montoto (2011, p. 137) O Balanço Patrimonial é um importante relatório da contabilidade por- que apresenta o seu objeto, o Patrimônio. Esse relatório é um resumo dos saldos das contas patrimoniais. O Balanço Patrimonial, assim como os demais relatórios, tem como principal missão a de sintetizar em contas representativas as posições das contas do exercício findo e as mudanças patrimoniais que ocorreram em relação ao exercício anterior. Chagas (2013, p. 40) Demonstra, quantitativa e qualitativamente, o patrimônio da entidade. É elaborado no encerramento de cada exercício (ou a qualquer tempo, para atender à solicitação específica). Poder-se-ia conceituá-lo, tam- bém, como a relação nominal de todos os componentes de certo patri- mônio, com seus valores finais, no último dia do exercício social, numa ordem (estrutura) fixada por lei. Fonte: a autora. ESTRUTURA DO BALANÇO PATRIMONIAL De acordo com a NBC TG26 – do Balanço Patrimonial –, essa demonstra- ção é composta pelo Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido, e as suas contas são classificadas em função dos elementos patrimoniais. Neste contexto, o balanço patrimonial é representado em forma de gráfico, simbolizando um “T”, justa- mente porque possui dois lados, sendo o lado esquerdo o Ativo e o lado direito o Passivo. Neste segmento, o Balanço Patrimonial é regido pelas Leis 6.404/76, 11.638/07, 11.941/09 e CPC PME. Logo, os bens, direitos e obrigações são subs- tituídos por outras nomenclaturas, como segue: Quadro 4 - Representação gráfica do Balanço Patrimonial ATIVO PASSIVO E PATRIMÔNIO LÍQUIDO Ativo Circulante Ativo Não Circulante Passivo Circulante Passivo Não Circulante Patrimônio Líquido Fonte: a autora. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E24 Assim, as contas que compõem os bens e direitos são apresentadas em ordem decrescente de grau de liquidez dos elementos registrados em dois grupos: Ativo Circulante e Não Circulante. Logo, o grau de liquidez significa o maior ou menor prazo no qual bens e direitos podem ser representados em dinheiro. O Passivo evidencia as obrigações - que são as dívidas com terceiros - e tam- bém a parte do Patrimônio Líquido - que representa a participação dos sócios na entidade. Logo, o passivo é constituído pelo Passivo Circulante, Não Circulante e Patrimônio Líquido. Assim, as contas do passivo estão em ordem decrescente a par- tir do grau de exigibilidade dos elementos que são registrados. Portanto, o grau de exigibilidade retrata o maior ou menor prazo em que a obrigação deve ser quitada. Para uma melhor compreensão sobre os elementos que compõem o Balanço Patrimonial, você pode analisar o ANEXO 2, em que temos as considerações sobre o Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido na visão NBC T.3.2 – Do Balanço Patrimonial. Passivoé uma obrigação presente da entidade, derivada de eventos já ocor- ridos, cuja liquidação se espera que resulte em saída de recursos da entida- de capazes de gerar benefícios econômicos. (Montoto, 2011, p. 150) Balanço Patrimonial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 25 MODELO DE BALANÇO PATRIMONIAL O Balanço Patrimonial pode ser exposto no formato horizontal ou no formato vertical. A forma horizontal é exposta em gráfico “T”, no qual posiciona o ativo do lado esquerdo e o passivo do lado direito do gráfico. Porém, em função da quantidade de contas que podem ser alocadas no balanço patrimonial, ele pode ser elaborado em formato vertical, em que o ativo aparece em primeiro plano e, na sequência, o passivo. Veja no ANEXO 3 um modelo de Balanço Patrimonial que apresenta as disposições das contas que compõem o Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido. EXEMPLO PRÁTICO DE BALANÇO PATRIMONIAL Para um melhor entendimento sobre a elaboração do Balanço Patrimonial, segue um exemplo prático de uma empresa fictícia, Comércio de Móveis Souza Ltda., relativo à escrituração contábil realizada com base no exercí- cio social 2016. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E26 Tabela 1 - Exemplo de Balanço Patrimonial. ATIVO 847.366,46 ATIVO CIRCULANTE 749.248,90 Disponível 28.512,85 Caixa 3.957,00 Banco c/Movimento 24.555,85 Valores a Receber 347.854,80 Duplicatas a Receber 263.868,00 Impostos a Recuperar 83.986,80 Estoques 372.881,25 Mercadorias para Revenda 372.881,25 ATIVO NÃO CIRCULANTE 98.117,56 Imobilizado 98.117,56 Móveis e Utensílios 5.413,00 Veículos 78.000,00 Aparelhos Telefônicos 1.423,00 Computadores e Periféricos 15.164,00 (-) Depreciação Acumulada Móveis e Utensílios -45,11 (-) Depreciação Acumulada Veículos -1.300,00 (-) Depreciação Acumulada Aparelhos Telefônicos -284,60 (-) Depreciação Acumulada Computadores e Periféricos -252,73 Balanço Patrimonial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 27 PASSIVO E PATRIMÔNIO LÍQUIDO 847.366,46 PASSIVO CIRCULANTE 672.640,55 Obrigações por Funcionamento 659.100,00 Fornecedores 659.100,00 Obrigações Trabalhistas e Sociais 2.421,07 INSS a Recolher 1.814,65 FGTS a Recolher 453,92 IRRF a Recolher 152,50 13º Salário e Encargos sobre 13º Salário 605,23 Férias e Encargos sobre Férias 806,97 Obrigações Fiscais 9.707,28 Contribuição Social a Recolher 3.098,99 IRPJ a pagar 6.608,30 PASSIVO NÃO CIRCULANTE 0,00 PATRIMÔNIO LÍQUIDO 174.725,91 Capital Social 150.000,00 Capital Subscrito 150.000,00 Lucros ou Prejuízos Acumulados 24.725,91 Lucros Acumulados 24.725,91 Fonte: a autora. De acordo com o modelo de Balanço Patrimonial que foi apresentado, vimos que essa demonstração apresenta os componentes do Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido. No ativo, as contas estão dispostas em ordem decrescente de grau de liquidez e, assim, temos os seguintes grupos: Ativo circulante e Ativo Não Circulante. Logo, no Passivo, as contas são classificadas em Passivo Circulante, Passivo Não Circulante e Patrimônio Líquido. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E28 CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta unidade, verificamos os conteúdos introdutórios em relação às Demonstrações Financeiras/Contábeis de acordo com as Leis n. 6.404/76, Lei n. 11.638/07, e pelas resoluções do CFC e CVM. O Balanço Patrimonial foi a primeira demonstração contábil a ser contex- tualizada, sendo um dos relatórios que demonstram os saldos das contas que pertencem ao patrimônio das entidades. Assim, essa evidenciação abrange os aspectos quantitativos e qualitativos da informação contábil. A função do Balanço Patrimonial é a de sintetizar, por meio das contas con- tábeis, a posição de cada uma, demonstrando a escrituração contábil referente a um exercício social. Portanto, o exercício social representa a movimentação de um ano, ou pode ser estipulado em função do ciclo operacional das organiza- ções. Neste aspecto, a escrituração contábil tem objetivo de registrar de forma padronizada os fatos contábeis que acontecem em virtude das operações de com- pra, vendas, entre outros. Falamos dos componentes que fazem parte do Balanço Patrimonial, que são: Ativo (Bens e Direitos), Passivo (Obrigações) e o Patrimônio Líquido (Capital Investido). Logo, o Ativo representa os recursos controlados pela empresa como resultado de eventos passados — do qual se espera que resultem benefícios futu- ros e que constituam a soma dos bens e direitos —, assim, sendo composto por dois grupos, que são: Circulante e Não Circulante. O Passivo apresenta as obriga- ções da entidade, que são as dívidas ou o capital de terceiros de uma organização vindos de eventos já ocorridos, que resultem em saídas de recursos. Dessa forma, possui a subdivisão de: Passivo Circulante, Não Circulante e Patrimônio Líquido. Assim, o Ativo encontra-se no lado esquerdo do Balanço Patrimonial e o Passivo no lado direito da demonstração. A partir de toda contextualização em volta do Balanço Patrimonial, reconhe- cemos a necessidade de demonstrar sua estrutura e também um modelo prático. 29 1. De acordo com a Lei n. 6.404/76, em seu art. 176, as demonstrações obrigató- rias são: a) Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado do Exercício, Demonstra- ção do Valor Adicionado, DRA. b) Balanço Patrimonial, Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados, De- monstração do Resultado do Exercício, Demonstração dos Fluxos de Caixa e, no caso de companhia aberta, a Demonstração do Valor Adicionado. c) Demonstração do Resultado do Exercício, Demonstração dos Fluxos de Caixa, Balanço Patrimonial, DRP e DRA. d) Demonstração dos Fluxos de Caixa e, no caso de companhia aberta, a De- monstração do Valor Adicionado. e) Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados, Balanço Patrimonial, De- monstração do Resultado do Exercício, DRP. 2. Marque Verdadeiro (V) ou Falso (F) em relação aos usuários da informação con- tábil. ( ) Empregados: também estão interessados em informações sobre a estabi- lidade e lucratividade da empresa, por isso são usuários internos. ( ) Fornecedores: estão interessados em informações que lhe permitam ava- liar se as importâncias que lhe são devidas serão pagas nos respectivos venci- mentos, por isso são usuários externos. ( ) Público: as entidades afetam o público de diversas maneiras. Elas podem, por exemplo, fazer contribuição substancial à economia local, por isso são usuá- rios externos. Assinale a alternativa correta. a) V, V, F. b) F, F, V. c) V, F, V. d) F, F, F. e) V, V, V. 30 3. O Patrimônio Líquido é constituído pelo capital social, contas de reserva e entre outros grupos que o compõe. Desse modo, assinale a alternativa correta em relação ao Patrimônio Líquido. a) Reserva de capital representa as contas que registram o produto de alienação de partes beneficiárias e custos recebidos na emissão de debêntures. b) A conta capital subscrita demonstra a integralização dos bens prometidos pelos sócios à empresa. c) Ações em tesouraria certificam o aumento do capital em função da correção monetária. d) Reservas de prejuízos demonstram a parte da perda retida com apuração do resultado do exercício referente a um determinado período. e) O Patrimônio Líquido sucedeu a abolição dos lucros acumulados somente no Balanço Patrimonial que pertencia ao grupo “Lucros e Prejuízos Acumulados”, no entanto, o saldo anterior dessa conta deve ser destinada. 4. O patrimônio das empresas são os bens, direitos e obrigações. Assinale a alter- nativa correta quanto ao que se entende por obrigações. a) Desempenha a função de fornecer aplicações de recursos para serem consu-midos pelas contas que pertencem ao ativo. b) Apresentam as dívidas em curto prazo que estão no grupo do passivo circu- lante e não circulante. c) Evidencia unicamente as obrigações exigíveis que demonstram as dívidas re- ferentes à compra de imobilizado para as empresas. d) Aplicações de recursos referentes ao patrimônio líquido que vem demonstrar o saldo negativo das organizações. e) Representa os direitos para com terceiros por evidenciar as origens de recur- sos para as contas que pertencem ao grupo do ativo. 5. Saldo em Caixa, Máquinas e Equipamentos, Duplicatas a Receber, Fornecedores, Computadores e Periféricos, Impostos a Recolher, Duplicatas a Pagar, Móveis e Utensílios representam o que para a empresa? a) Três bens — dois direitos e três obrigações. b) Quatro bens — um direito e três obrigações. c) Um direito — quatro obrigações e três bens. d) Oito elementos negativos. e) Cinco elementos positivos e três negativos. 31 ASPECTOS PRINCIPAIS DE UM SISTEMA CONTÁBIL-FINANCEIRO O sistema deve ser alimentado com infor- mações básicas, geradas por todos os ciclos gerenciais — planejamento, execu- ção, acompanhamento e controle — da empresa que tenham implicações contá- beis ou financeiras, compreendendo-se aqui também, no caso de um sistema em computador, a geração de transações pelo próprio sistema ou seus subsistemas. O sistema e seus subsistemas cobrem, em graus de abrangência e integração que podem variar grandemente de uma empresa para outra, as seguintes áreas de aplicações básicas: ■ Planejamento e orçamento; ■ Compras, recepção, contas a pagar e controle de fornecedores; ■ Pessoal, folha de pagamento e suas apropriações; ■ Controle patrimonial e ativo fixo; ■ Controle de projetos; ■ Contabilidade de custos e valorização e controle de estoques; ■ Vendas, faturamento, contas a receber e controle de clientes; ■ Contabilidade financeira, inclusive ban- cos, aplicações financeiras e contratos de financiamento; ■ Consolidação. São usuários típicos do sistema os seto- res da empresa que atuam nessas áreas. Para que o sistema mantenha as informa- ções necessárias para esse processamento, os usuários alimentam informações de entrada, que cobrirão basicamente: ■ Orçamento e suas revisões; ■ Transações em contas de ativo e pas- sivo; ■ Reconhecimento de receitas, custos e despesas; ■ Lançamentos de ajustes, provisões e reavaliações; ■ Registros de consolidações, encer- ramento de ciclos ou fases e outros fechamentos; ■ Transações diversas orçamentárias, financeiras, patrimoniais, de custos etc. Os relatórios cuja extração é possível consti- tuem uma lista inesgotável, da qual alguns exemplos comuns seriam: ■ Contábeis; ■ Legais e fiscais; ■ Gerenciais e societários. IMPORTÂNCIA DA DEFINIÇÃO DO PLANO DE CONTAS Como já foi salientado, o plano de contas é o instrumento principal para a captação das informações que alimentarão o sistema contábil-financeiro e que serão por ele pro- cessadas e armazenadas para a emissão de relatórios. O plano de contas deve ser, portanto, capaz 32 de satisfazer as necessidades de informação das diversas áreas envolvidas. O todo das operações é constituído, em seu detalhe, de diferentes atividades desempenhadas por setores diferentes. As necessidades de acumulação de informações de uma área de custos, por exemplo, nunca serão as mesmas das de uma área de compras. A definição da estrutura do plano de contas deverá cobrir cada segmento dos diferentes tipos de atividades de forma especifica- mente orientada para cada um. Além disso, os detalhamentos devem ser integrados à estrutura de forma homogê- nea, visando a assegurar a compatibilidade de informações e um tratamento consis- tente ao longo da estrutura. A definição adequada dos usuários do sis- tema conduzirá à correta determinação dos centros de lucro e custos, das áreas de res- ponsabilidade, dos agrupamentos lógicos de contas e das próprias contas em si. Definições inadequadas ou insuficientes da estrutura do plano de contas que não consi- derem os múltiplos aspectos mencionados trarão um risco de comprometimento do sistema como um todo, pois, devido à ine- ficácia e falta de capacidade do sistema para fornecer as informações, poderia ser gerado um descrédito entre os usuários, o que implicaria a má utilização das poten- cialidades do sistema. Caro(a) aluno(a), para realizar a leitura na íntegra, acesse o site a seguir: Fonte: Adaptado de Aresta e Souza (1979, on-line). Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Contabilidade Geral e Avançada Esquematizado Eugenio Montoto; Pedro Lenza Editora: Saraiva Sinopse: a obra abrange as matérias de contabilidade geral e avançada. O leitor encontrará temas como: escrituração contábil, operações financeiras e instrumentos financeiros. Indicada para o estudo dos alunos da graduação e dos candidatos aos principais concursos públicos nesse segmento. Integra a Coleção Esquematizado, coordenada por Pedro Lenza, conhecida pela metodologia pioneira, idealizada com base na experiência de vários anos de magistério. REFERÊNCIASREFERÊNCIAS ARESTA, Antonio Jorge Bastos; SOUZA, Ségio Martins de. Plano de Contas: um novo enfoque de definição. Rev. adm. empres., São Paulo, v. 19, n. 4, out./dez. 1979. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi- d=S0034-75901979000400006>. Acesso em: 06 set. 2017. BRASIL. Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007. Brasília: Senado Federal, 2007. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/ l11638.htm>. Acesso em: 06 set. 2017. ______. Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Altera a legislação tributária fede- ral relativa ao parcelamento ordinário de débitos tributários; concede remissão nos casos em que especifica; institui regime tributário de transição, alterando o Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, as Leis nos8.212, de 24 de julho de 1991, 8.213, de 24 de julho de 1991, 8.218, de 29 de agosto de 1991, 9.249, de 26 de dezembro de 1995, 9.430, de 27 de dezembro de 1996, 9.469, de 10 de julho de 1997, 9.532, de 10 de dezembro de 1997, 10.426, de 24 de abril de 2002, 10.480, de 2 de julho de 2002, 10.522, de 19 de julho de 2002, 10.887, de 18 de junho de 2004, e 6.404, de 15 de dezembro de 1976, o Decreto-Lei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e as Leis nos 8.981, de 20 de janeiro de 1995, 10.925, de 23 de julho de 2004, 10.637, de 30 de dezembro de 2002, 10.833, de 29 de dezembro de 2003, 11.116, de 18 de maio de 2005, 11.732, de 30 de junho de 2008, 10.260, de 12 de julho de 2001, 9.873, de 23 de novembro de 1999, 11.171, de 2 de setembro de 2005, 11.345, de 14 de setembro de 2006; prorroga a vigência da Lei no 8.989, de 24 de fevereiro de 1995; revoga dispositivos das Leis nos 8.383, de 30 de dezembro de 1991, e 8.620, de 5 de janeiro de 1993, do Decreto-Lei no 73, de 21 de novembro de 1966, das Leis nos10.190, de 14 de fevereiro de 2001, 9.718, de 27 de novembro de 1998, e 6.938, de 31 de agosto de 1981, 9.964, de 10 de abril de 2000, e, a partir da instalação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Decretos nos 83.304, de 28 de março de 1979, e 89.892, de 2 de julho de 1984, e o art. 112 da Lei no 11.196, de 21 de novembro de 2005; e dá outras providências. Brasília: Presidência da República, 2009. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l11941.htm>. Acesso em: 06 set. 2017. ______. Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Brasília: Senado Federal, 1976. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404consol.htm>. Acesso em: 19 jun. 2017. CFC (Conselho Federal de Contabilidade). Normas brasileiras de contabilidade: NBC TG - geral - normas completas, NBC TG – estrutura conceitual e NBC TG 01 a 40 (exceto 34 e 42). Brasília: Conselho Federal de Contabilidade, 2011. Disponível em: <http://portalcfc.org.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/04/NBC_TG_COM- PLETAS03.2013.pdf>.Acesso em: 19 jun. 2017. 34 REFERÊNCIAS 35 ______. Resolução CFC n° 686. Normas brasileiras de contabilidade: NBC T XX – conteúdo e estrutura das demonstrações contábeis, 1990. CHAGAS, Gilson. Contabilidade geral simplificada: demonstrações financeiras após alterações na lei das S.As e as sociedades empresárias à luz do novo Código Civil. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2013. COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. CPC 26 (R3) - Apresentação das De- monstrações Contábeis. Disponível em: <http://www.cpc.org.br/CPC/Documen- tos-Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=57>. Acesso em: 19 jun. 2017. FAVERO, Hamilton Luiz et al. Contabilidade: teoria e prática. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2011. v. 1. MONTOTO, Eugenio. Contabilidade geral esquematizado. São Paulo: Saraiva, 2011. PORTAL CONTÁBEIS. Comparação da Leis n° 6.404/76 e Lei n° 11.638/07. Disponí- vel em: <http://www.contabeis.com.br/artigos/790/a-nova-visao-contabil-apos-a- -lei-116382007/>. Acesso em: 19 jun. 2017. RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade comercial fácil. 18. ed. São Paulo: Saraiva, 2013. REFERÊNCIAS ON-LINE 1 Em: <http://www.contabeis.com.br/artigos/790/a-nova-visao-contabil-apos-a- -lei-116382007/>. Acesso em: 19 jun. 2017. 2 Em: <http://www.cvm.gov.br/export/sites/cvm/audiencias_publicas/ap_snc/ane- xos/2009/deli595-CPC26-sumario.pdf>. Acesso em: 26 jun. 2017. 3 Em: <http://www.cpc.org.br/CPC/CPC/Conheca-CPC>. Acesso em: 06 set. 2017. GABARITO 1. b 2. e 3. e 4. e 5. b GABARITO U N ID A D E II Professora Me. Tatiane Garcia da Silva Santos DEMONSTRATIVO DO RESULTADO (DR) Objetivos de Aprendizagem ■ Apresentar o Demonstrativo do Resultado (DR); Conhecer o conceito, estrutura e elaboração do DR. ■ Compreender a Demonstração do Resultado do Período e a Demonstração do Resultado Abrangente do Período. ■ Estudar o processo de apuração do resultado do exercício; Verificar um exemplo prático do encerramento do exercício. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Demonstrativo do Resultado (DR) ■ Demonstrativo do Resultado do Período e a Demonstração do Resultado Abrangente do Período ■ Roteiro para apuração do resultado do exercício INTRODUÇÃO Olá aluno(a), nesta segunda Unidade do livro, vamos tratar sobre o Demonstrativo do Resultado (DR), conhecido também como a DRE — Demonstração do Resultado do Exercício. Essa demonstração evidencia o resultado que a entidade obteve, ou seja, lucro ou prejuízo, que vem em função do processo da escritura- ção contábil. A Lei n. 6.404/76, em seu art. 187, disciplina os componentes e o processo de elaboração da DR. Assim, a DR é um relatório construído a partir dos saldos de encerramento de todas as contas de resultado. As contas que fazem parte da DR compõem as receitas, deduções da receita, custos, despesas, impostos e participações sobre os lucros. Neste sentido, as recei- tas e despesas são reconhecidas em virtude do princípio da competência que engloba as transações e eventos que devem ser reconhecidos nos períodos a que se referem, independentemente do recebimento ou pagamento. Dessa forma, a DR evidencia, também, a saúde financeira das entidades em função do detalha- mento das informações apresentadas que se tornam relevantes para a tomada de decisão empresarial. Para um melhor entendimento sobre essa demonstração, será apresentado um modelo de estrutura e um exemplo prático de como desenvolver esse relató- rio. Porém, dentro desse processo, também existem outras duas demonstrações que complementam a apuração do período e que precisam ser estudadas, que são: Demonstração do Resultado do Período e a Demonstração do Resultado Abrangente do Período. Por fim, será apresentado um roteiro sobre a apuração do resultado do exer- cício em função da necessidade de apurar o lucro ou prejuízo da entidade. Assim, apurar o resultado do exercício significa verificar, por meio das contas de resul- tado (receitas e despesas), se a movimentação a partir da escrituração contábil apresentará lucro ou prejuízo no decorrer do exercício social. Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 39 DEMONSTRATIVO DO RESULTADO (DR) Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E40 DEMONSTRATIVO DO RESULTADO (DR) Olá caro(a) aluno(a), nesta unidade será abordado o Demonstrativo do Resultado — DR, que é elaborado a partir dos saldos de encerramento de todas as con- tas de resultado, que são: receitas, despesas, custos etc. Neste contexto, também verificaremos a estrutura e a composição desse relatório. CONCEITO O Demonstrativo do Resultado — DR, também conhecida como Demonstração do Resultado do Exercício — DRE, é um relatório que apresenta os saldos de encerramento de todas as contas de resultado. Neste sentido, engloba as contas de resultado que são: receitas, deduções de receitas, custos, despesas, impostos sobre vendas e participações sobre os lucros. Para Ribeiro (2012, p. 347), “essa Demonstração evidencia o Resultado que a empresa obteve (Lucro ou Prejuízo) Demonstrativo do Resultado (DR) Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 41 no desenvolvimento de suas atividades durante um determinado período, geral- mente igual a um ano”. Assim, as receitas e despesas são reconhecidas de acordo com o princípio da competência, trazendo um novo sentido para este: “O Princípio da Competência determina que os efeitos das transações e outros eventos sejam reconhecidos nos períodos a que se referem, independentemente do recebimento ou pagamento” (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, 2011, on-line)¹. Logo, esse princípio sucede à confrontação das receitas e despesas correlatas. As receitas e despesas são realizadas nas seguintes condições: As receitas consideram-se realizadas: 1. nas transações com terceiros, quando estes efetuarem o pagamen- to ou assumirem compromisso firme de efetivá-lo, quer pela in- vestidura na propriedade de bens anteriormente pertencentes à ENTIDADE, quer pela fruição de serviços por esta prestados; 2. quando da extinção, parcial ou total, de um passivo, qualquer que seja o motivo, sem o desaparecimento concomitante de um ativo de valor igual ou maior; 3. pela geração natural de novos ativos independentemente da inter- venção de terceiros; 4. no recebimento efetivo de doações e subvenções. Consideram-se incorridas as despesas: 1. quando deixar de existir o correspondente valor ativo, por transfe- rência de sua propriedade. 2. pela diminuição ou extinção do valor econômico de um ativo; 3. pelo surgimento de um passivo, sem o correspondente ativo. (MONTOTO, 2011, p. 178) Portanto, uma despesa é incorrida quando acontece a diminuição de um ativo, o aumento de um passivo ou ambos. A receita representa a entrada de recur- sos, aumento de ativos ou diminuição de passivos que resultam em aumentos do patrimônio líquido da entidade e que não sejam provenientes do aporte de recursos dos donos da empresa. DEMONSTRATIVO DO RESULTADO (DR) Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E42 Dessa forma, em consonância com CPC 30 (R1), seguem alguns aponta- mentos em relação às receitas: 1. Esta Norma deve ser aplicada na contabilização da receita prove- niente de: a) venda de bens; b) prestação de serviços; e c) utilização, por parte de terceiros, de outros ativos da entidade que geram juros, royalties e dividendos. 2. O termo “bens” inclui bens produzidos pela entidade com a fina- lidade de venda e bens comprados para revenda, tais como mer- cadorias compradas para venda no atacado e no varejo, terrenos e outras propriedades mantidas para revenda. 3. A prestação de serviços envolve tipicamente o desempenho da en- tidade em faceda tarefa estabelecida contratualmente a ser execu- tada ao longo de um período acordado entre as partes. Tais servi- ços podem ser prestados dentro de um ou mais períodos. Alguns contratos para a prestação de serviços estão diretamente relacio- nados a contratos de construção, como, por exemplo, os contratos para gestão de projetos e de arquitetura. As receitas provenien- tes de contratos dessa natureza não são tratadas no âmbito desta Norma, e sim de acordo com os requisitos para os contratos de construção, conforme especificados na NBC T 19.21 – Contratos de Construção (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁ- BEIS, 2017, on-line)². Na visão de Montoto (2011, p. 179), receita é “o ingresso bruto de benefí- cios econômicos, durante o período proveniente das atividades ordinárias da entidade, que resulta no aumento do seu Patrimônio Líquido, exceto as contri- buições dos proprietários”, logo, existe a incidência de tributos sobre as vendas que devem ser excluídos; a receita de ver mensurada pelo valor justo referente à contraprestação recebida ou a receber. Assim, “proveniente de uma transação” significa o acordo estipulado entre a empresa e o comprador, sendo conside- rado pelo valor justo da contraprestação recebida, e desta maneira, deduzida dos descontos comerciais ou das bonificações concedidas pela organização ao comprador. Demonstrativo do Resultado (DR) Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 43 Conforme o CPC 30 (R1), seguem alguns tipos de receitas: a) contratos de arrendamento mercantil (ver a NBC T 10.2 – Opera- ções de Arrendamento Mercantil); b) dividendos provenientes de investimentos que sejam contabiliza- dos pelo método da equivalência patrimonial (ver a NBC TS sobre Investimento em Coligada); c) contratos de seguro (ver a NBC T 19.16 – Contratos de Seguro); d) alterações no valor justo de ativos e passivos financeiros, ou da sua alienação (ver a NBC TS sobre Instrumentos Financeiros: Reco- nhecimento e Mensuração); e) alterações no valor de outros ativos circulantes; f) reconhecimento inicial e alterações no valor justo de ativos bioló- gicos, relacionados com a atividade agrícola (ver a NBC T 19.29 – Ativo Biológico e Produto Agrícola); g) reconhecimento inicial de produtos agrícolas (ver o NBC T 19.29); e h) a extração de recursos minerais (COMITÊ DE PRONUNCIA- MENTOS CONTÁBEIS, 2017, on-line)². Para uma melhor compreensão em relação aos tipos de receitas citadas, segue a conceituação de alguns termos importantes de acordo com o CPC 30 e em con- formidade com a NBC T 19.3 – Receitas: Valor justo é o valor pelo qual um ativo pode ser negociado ou um pas- sivo liquidado, entre partes interessadas, conhecedoras do negócio e in- dependentes entre si, com a ausência de fatores que pressionem para a li- quidação da transação ou que caracterizem uma transação compulsória. 14. A receita proveniente da venda de bens deve ser reconhecida quando forem satisfeitas todas as seguintes condições: a) a entidade tenha transferido para o comprador os riscos e be- nefícios mais significativos inerentes à propriedade dos bens; b) a entidade não mantenha envolvimento continuado na gestão dos bens vendidos em grau normalmente associado à proprie- dade nem efetivo controle de tais bens; c) o valor da receita possa ser confiavelmente mensurado; d) for provável que os benefícios econômicos associados à transa- ção fluirão para a entidade; e e) as despesas incorridas ou a serem incorridas, referentes à tran- sação, possam ser confiavelmente mensuradas (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 2017, on-line)². DEMONSTRATIVO DO RESULTADO (DR) Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E44 Em consonância com CPC 30 e de acordo com a NBC T 19.3 – Receitas, se o desfecho de uma transação que envolva a prestação de serviços puder ser esti- mado, a receita associada à transação deve ser reconhecida tomando por base a proporção dos serviços prestados até a data do balanço. Logo, o desfecho de uma transação pode ser confiavelmente estimado quando todas as seguintes condi- ções forem satisfeitas: a) o valor da receita puder ser confiavelmente mensurado; b) for provável que os benefícios econômicos associados à transação fluirão para a entidade; c) a proporção dos serviços executados até a data do balanço puder ser confiavelmente mensurada; e d) as despesas incorridas com a transação assim como as despesas para concluí-la possam ser confiavelmente mensuradas (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 2017, on-line)². Em relação às receitas, ainda temos as provenientes de juros, royalties e divi- dendos, que são geradas por intermédio da utilização por terceiros, de ativos da empresa que geram juros, royalties e dividendos que devem ser reconhecidos nas bases estabelecidas, de acordo com as condições a seguir: a) for provável que os benefícios econômicos associados com a tran- sação fluirão para a entidade; e b) o valor da receita puder ser confiavelmente mensurado. 30. A receita deve ser reconhecida nas seguintes bases: a) os juros devem ser reconhecidos utilizando-se o método da taxa efetiva de juros tal como definido na NBC TS sobre Ins- trumentos Financeiros: Reconhecimento e Mensuração; b) os royalties devem ser reconhecidos pelo regime de compe- tência de acordo com a essência do acordo; e c) os dividendos devem ser reconhecidos quando for estabeleci- do o direito do acionista de receber o respectivo valor (COMI- TÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 2017, on-line)². Desta forma, o Demonstrativo de Resultado representa um relatório contábil que tem o objetivo de evidenciar a composição do resultado decorrente das opera- ções de um período da empresa. Demonstrativo do Resultado (DR) Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 45 ESTRUTURA DA DR De acordo com a Lei n. 6.404/76, em seu art. 187, a DR – Demonstrativo de Resultado ou DRE – Demonstração do Resultado do Exercício pode ser estru- turada da seguinte forma: I. a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II. a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; III. as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das recei- tas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; IV. o lucro ou prejuízo operacional, as receitas e despesas não opera- cionais e o saldo da conta de correção monetária (artigo 185, § 3º); IV. o lucro ou prejuízo operacional, as receitas e despesas não opera- cionais; (Redação dada pela Lei nº 9.249, de 1995) IV. o lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e as outras despesas; (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) IV. o lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e as outras des- pesas; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) V. o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a pro- visão para o imposto; VI. as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, e as contribuições para instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados; VI. as participações de debêntures, de empregados e administradores, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados, que não se ca- racterizem como despesa; (Redação dada pela Lei nº 11.638, de 2007) VI. as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, mesmo na forma de instrumentos financei- ros, e de instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados, que não se caracterizem como despesa; (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) VI. as participações de debêntures, empregados, administradores e partesbeneficiárias, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência ou previdência de empre- gados, que não se caracterizem como despesa; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) DEMONSTRATIVO DO RESULTADO (DR) Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E46 VII. o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social (BRASIL, Lei n. 6.404/76, on-line)³. Neste relatório, as contas de resultado são todas aquelas que representam as receitas, despesas e custos de acordo com o princípio da competência. Porém, na estrutura da DRE também constam contas patrimoniais que interagem, representando as deduções e as participações no resultado. Assim, no processo de elaboração da DRE, as contas de resultado já estarão com seus saldos devi- damente zerados (encerrados), ou seja, sendo necessário buscar os saldos das contas no livro razão ou razonete. De acordo com os assuntos que foram apresentados sobre a DRE, segue uma estrutura para visualização dessa demonstração, cujo objetivo é apresentar o resultado econômico (lucro ou prejuízo) das entidades. A estrutura a seguir representa um modelo de como pode ser elaborada a DRE: Quadro 1- Estrutura da DRE DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO 1. RECEITA OPERACIONAL BRUTA (+) Vendas de Produtos (+) Vendas de Mercadorias (+) Prestação de Serviços 2. (-) DEDUÇÕES DA RECEITA BRUTA (-) Devoluções de Vendas (-) Abatimentos (-) Impostos e Contribuições Incidentes sobre Vendas 3. (=) RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA (1 – 2) 4. (-) CUSTOS DAS VENDAS Custo dos Produtos Vendidos Custo das Mercadorias Custo dos Serviços Prestados 5. (=) LUCRO OPERACIONAL BRUTO (3 - 4) 6. (-) DESPESAS OPERACIONAIS Despesas Com Vendas Demonstrativo do Resultado (DR) Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 47 Despesas Gerais e Administrativas Outras Despesas Operacionais 7. (+) OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS (+ ou -) Resultado da Equivalência Patrimonial 8. (=) RESULTADO ANTES DAS DESPESAS E RECEITAS FINANCEIRAS (5 – 6 + 7) 9. (-) DESPESAS FINANCEIRAS 10. (+) RECEITAS FINANCEIRAS 11. (=) RESULTADO ANTES DOS TRIBUTOS SOBRE O LUCRO (8 – 9 + 10) 12. (-) Provisão para Imposto de Renda 13. (-) Provisão para Contribuição Social s/ o Lucro 14. (=) RESULTADO LÍQUIDO DAS OPERAÇÕES CONTINUADAS (11 – 12 – 13) 15. (=) RESULTADO DO PERÍODO ANTES DAS PARTICIPAÇÕES (-) Participações (-) Debêntures (-) Empregados (-) Administradores (-) Partes Beneficiárias (-) Instituições ou Fundos Assist. Prev. Empreg. 16. (=) RESULTADO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO Fonte: a autora. No Brasil, infelizmente, a regulamentação do Imposto de Renda fere uma sé- rie de aspectos e princípios contábeis. A modalidade de apuração chamada de “lucro real” é uma das modalidades permitidas pela Receita Federal. (Eugenio Montoto) DEMONSTRATIVO DO RESULTADO (DR) Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E48 EXEMPLO PRÁTICO DA DR/DRE Para uma melhor compreensão sobre a elaboração da DRE, segue um exemplo prático da empresa fictícia Comércio de Móveis Souza Ltda., relativo à escritu- ração contábil realizada com base no exercício social 2015. Tabela 1 – Modelo de DRE DRE – DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO PERÍODO RECEITA OPERACIONAL BRUTA 220.000,00 (+) Vendas de Mercadorias 220.000,00 (-) DEDUÇÕES DA RECEITA BRUTA (59.950,00) (-) Impostos e Contribuições Incidentes sobre Vendas (59.950,00) (-) ICMS s/ Vendas (39.600,00) (-) PIS s/ Vendas (3.630,00) (-) COFINS s/ Vendas (16.720,00) (=) RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA 160.050,00 (-) CUSTOS DAS VENDAS (84.815,33) Custo dos Produtos Vendidos (84.815,33) (=) LUCRO BRUTO 75.234,67 (-) DESPESAS OPERACIONAIS (17.199,82) Despesas Com Vendas (2.124,20) (-) SALÁRIO (1.300,00) (-) INSS (447,20) (-) FGTS (124,22) (-) FÉRIAS (144,44) (-) 13º SALÁRIO (108,33) Despesas Gerais e Administrativas (15.075,62) (-) SALÁRIO (3.800,00) (-) INSS (1.707,20) (-) FGTS (363,11) Demonstrativo do Resultado (DR) Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 49 (-) FÉRIAS (422,22) (-) 13º SALÁRIO (316,67) (-) Depreciação (681,42) (-) Aluguel (3.250,00) (-) Telefone (1.200,00) (-) Energia Elétrica (750,00) (-) Água (585,00) (-) PRÓ-LABORE (2.000,00) (+) OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS 0,00 (+ ou -) Resultado da Equivalência Patrimonial 0,00 (=) RESULTADO ANTES DAS DESPESAS E RECEITAS FINANCEIRAS 0,00 (-) Despesas Financeiras 0,00 (+) Receitas Financeiras 0,00 (=) RESULTADO ANTES DOS TRIBUTOS SOBRE O LUCRO 58.034,85 (-) Provisão para Imposto de Renda (12.508,71) (-) Provisão para Contribuição Social s/ o Lucro (5.223,14) (=) RESULTADO LÍQUIDO DAS OPERAÇÕES CONTINUADAS 40.303,00 (+ ou -) Resultado Líquido (após tributos) das Operações Descontinu- adas (-) Despesas (+) Receitas (=) RESULTADO DO PERÍODO ANTES DAS PARTICIPAÇÕES 0,00 (-) Participações (-) Debêntures (-) Empregados (-) Administradores (-) Partes Beneficiárias (-) Instituições ou Fundos Assist. Prev. Empreg. (=) RESULTADO LÍQUIDO DO PERÍODO 40.303,00 Fonte: a autora. DEMONSTRATIVO DO RESULTADO (DR) Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E50 DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO PERÍODO E A DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO ABRANGENTE DO PERÍODO Conforme vimos, houve a contextualização da DRE em conformidade com a Lei n. 6.404/76, porém, de acordo com as Normas Internacionais de Contabilidade IFRS, existem duas estruturas diferentes para a mensuração do resultado, que são: Demonstração do Resultado do Período e Demonstração do Resultado Abrangente do Período. Para Ribeiro (2013, p. 379), “na Demonstração do Resultado do Período, as despesas e as receitas são agrupadas de forma diferente da demonstrada na DRE segundo o artigo 187 da Lei n. 6.404/76, porém, o resultado final é o mesmo”. Assim, o CFC, por meio da NBC TG 26 (R4), entendeu que o padrão determi- nado na Lei n. 6.404/76 fica em desuso para fins societários. Neste sentido, tanto o CPC 26 (R3) quanto a NBC TG 26 (R4) discorrem que as variações derivadas de receitas realizadas e de despesas incorridas no período devem ser evidenciadas na DRP, ao mesmo tempo em que as variações do Patrimônio Líquido derivadas de fatos que não transitaram pela DRP e que não correspondam a ações dire- tas entre os donos e a entidade devem ser evidenciadas na Demonstração do Resultado Abrangente do Período – DRA. Demonstração do Resultado do Período e do Resultado Abrangente do Período Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 51 Em relação à DRP e segundo o item 82 da NBC TG 26 (R4), devem ser con- sideradas as seguinte observações: a) receitas; b) custo dos produtos, das mercadorias ou dos serviços vendidos; c) lucro bruto; d) despesas com vendas, gerais, administrativas e outras despesas e receitas operacionais; e) parcela dos resultados de empresas investidas reconhecida por meio do método de equivalência patrimonial; f) resultado antes das receitas e despesas financeiras; g) despesas e receitas financeiras; h) resultado antes dos tributos sobre o lucro; i) despesa com tributos sobre o lucro; j) resultado líquido das operações continuadas; k) valor líquido dos seguintes itens (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, 2011, on-line)1. Dessa forma, sobre a Demonstraçãodo Resultado Abrangente do Período, o item 82A, da NBC TG 26 (R4), faz as seguintes considerações: a) resultado líquido do período; b) cada item dos outros resultados abrangentes classificados confor- me sua natureza (exceto montantes relativos ao item (c); c) parcela dos outros resultados abrangentes de empresas investidas reconhecida por meio do método de equivalência patrimonial; e d) resultado abrangente do período CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, 2011, on-line)1. De acordo com a NBC TG 26 (R4), os outros resultados abrangentes em relação à receita e despesa (incluindo ajustes de reclassificação) que não são reconheci- dos na demonstração do resultado como requerido ou permitido pelas normas, interpretações e comunicados técnicos emitidos pelo CFC devem abranger: DEMONSTRATIVO DO RESULTADO (DR) Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E52 a) variações na reserva de reavaliação quando permitidas legalmente (ver a NBC TG 27 – Ativo Imobilizado e a NBC TG 04 – Ativo Intangível); b) ganhos e perdas atuariais em planos de pensão com benefício defi- nido reconhecidos conforme item 93A da NBC TG 33 – Benefícios a Empregados; c) ganhos e perdas derivados de conversão de demonstrações con- tábeis de operações no exterior (ver a NBC TG 02 – Efeitos das Mudanças nas Taxas de Câmbio e Conversão de Demonstrações Contábeis); d) ganhos e perdas na remensuração de ativos financeiros disponíveis para venda (ver a NBC TG 38 – Instrumentos Financeiros: Reco- nhecimento e Mensuração) (Redação alterada pela Resolução CFC n.º 1.376/11); e) efetiva parcela de ganhos ou perdas de instrumentos de hedge em hedge de fluxo de caixa (ver também a NBC TG 38 – Instrumentos Financeiros: Reconhecimento e Mensuração) (Redação alterada pela Resolução CFC n.º 1.376/11) (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, 2011, on-line)1. Por fim, nos itens 83 e 105 da NBC TG 26 (R4), ainda existem outros aspectos rele- vantes em torno da Demonstração do Resultado do Período e da Demonstração do Resultado Abrangente do Período. DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO PERÍODO 1. RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA (+) Vendas de Produtos (+) Vendas de Mercadorias (+) Prestação de Serviços 2. (-) CUSTOS DAS VENDAS 3. (=) LUCRO BRUTO 4. (-) DESPESAS OPERACIONAIS Despesas Com Vendas Despesas Gerais e Administrativas Outras Despesas Operacionais 5. (+) OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS 6. (+ OU -) RESULTADO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL 7. (=) RESULTADO ANTES DAS DESPESAS E RECEITAS FINANCEIRAS (5 – 6 + 7) 8. (-) DESPESAS FINANCEIRAS 9. (+) RECEITAS FINANCEIRAS 10. (=) RESULTADO ANTES DOS TRIBUTOS SOBRE O LUCRO 11. (-) PROVISÃO PARA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL S/ O LUCRO 12. (-) PROVISÃO PARA IMPOSTO DE RENDA 13. (=) RESULTADO LÍQUIDO DAS OPERAÇÕES CONTINUADAS 14. (+ ou -) RESULTADO LÍQUIDO DAS OPERCAÇÕES DESCONTINUADAS 15. (=) RESULTADO DO PERÍODO ANTES DAS PARTICIPAÇÕES 16. (-) PARTICIPAÇÕES (-) Debêntures (-) Empregados (-) Administradores (-) Partes Bene�ciárias (-) Instituições ou Fundos Assit. Prev. Empreg. 17. (=) RESULTADO LÍQUIDO DO PERÍODO 18. LUCRO LÍQUIDO OU PREJUÍZO POR AÇÃO DO CAPITAL Demonstração do Resultado do Período e do Resultado Abrangente do Período Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 53 MODELO DE DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO PERÍODO (DRP) De acordo com a NBC TG 26 (R4), segue o modelo de DRP para melhor com- preensão dos assuntos que foram abordados anteriormente: Quadro 2 - Modelo de DRP Fonte: Ribeiro (2013, p. 381). DEMONSTRATIVO DO RESULTADO (DR) Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E54 ROTEIRO PARA APURAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO De acordo com os conteúdos que foram abordados em relação a DRE, existe a necessidade de trabalhar, nesta unidade, os aspectos sobre o processo de apura- ção do resultado do exercício. Neste segmento, o artigo 175 da Lei n. 6.404/76 determina que o exercício social terá duração de um ano e a data do término será fixada no estatuto da entidade. Na visão de Ribeiro (2013, p. 299), “assim, no final de cada exercício social, as empresas realizam uma série de procedimentos visando à apuração do Resultado do Exercício e à elaboração das Demonstrações Contábeis”. Logo, a primeira etapa a ser considerada no final do exercício social é a elaboração do Balancete de Verificação, que demonstra todas as contas usadas no período e também seus respectivos saldos devedores e credores. Dessa forma, a seguir serão apresenta- dos os procedimentos para o processo de apuração do resultado do exercício, ou seja, apurar o lucro ou prejuízo do período. Caso queria ver, de forma sim- plificada, a apuração do resultado do exercício de acordo com Lucena (2015, on-line)4, verifique o ANEXO I disponível no final da unidade. Roteiro para Apuração do Resultado do Exercício Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 55 EXEMPLO PRÁTICO DO ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO Com base no conteúdo apresentado anteriormente, verifique o ANEXO II, em que apresenta-se um caso prático para melhor compreensão do assunto. De acordo com os assuntos abordados sobre a DR, observa-se que é um rela- tório que a partir dos saldos de encerramento de todas as contas de resultado (receita, despesas etc.) apura o resultado econômico da entidade, ou seja, apre- senta o Lucro ou Prejuízo. Você já ouviu falar da CVM – Comissão de Valores Mobiliários? A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) foi criada em 07/12/1976 pela Lei nº 6.385/76, com o fim de fiscalizar, normatizar, disciplinar e desenvolver o mercado de valores mobiliários no Brasil. Portanto, é uma organização au- tárquica em regime especial, vinculada ao Ministério da Fazenda, com per- sonalidade jurídica e patrimônio próprios, dotada de autoridade adminis- trativa independente, ausência de subordinação hierárquica, mandato fixo e estabilidade de seus dirigentes, autonomia financeira e orçamentária. Acesse o site: <http://www.cvm.gov.br/menu/acesso_informacao/institu- cional/sobre/cvm.html> e fique por dentro das últimas notícias do CVM. Fonte: adaptado de CUM ([2017], on-line)5. DEMONSTRATIVO DO RESULTADO (DR) Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E56 CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro(a) aluno(a), nesta unidade você conheceu os aspectos necessários sobre o Demonstrativo do Resultado – DR. Essa demonstração também tem a finali- dade de auxiliar os diretores das organizações no processo de tomada de decisão empresarial. Logo, esse relatório tem a função apresentar o resultado da entidade em relação ao exercício social, ou seja, demonstrando o lucro ou prejuízo con- tábil por intermédio da confrontação de receitas, despesas e entre outras contas. Essa demonstração discorre sobre os componentes e processo de desenvol- vimento DR. Contudo, Demonstração do Resultado do Exercício é um relatório elaborado com base nos saldos de encerramento de todas as contas contábeis de resultado. Dessa forma, as contas contábeis que estão envolvidas nesse processo são: receitas, deduções da receita, custos, despesas, impostos e participações sobre o lucros. Assim, as receitas e despesas são reconhecidas com base no princípio da competência, que engloba todas as transações e eventos que devem ser reconheci- dos nos períodos referentes, independentemente do recebimento ou pagamento. Estudamos um modelo referente à estrutura da DR e também um exem- plo prático de como elaborar esse relatório. Logo, em virtude desse processo, reconhecemos a necessidade de abordar outras duas demonstrações que com- plementam a apuração do período, que são a Demonstração do Resultado do Períodoe a Demonstração do Resultado Abrangente do Período. Finalizando, contextualizamos um roteiro sobre a apuração do resultado do exercício, no qual explica como é feita a apuração do lucro ou prejuízo das empresas. Por fim, apurar o resultado do exercício representa zerar as contas de resultado (receitas e despesas) em contrapartida à conta resultado do exercício para encontrar o lucro ou prejuízo do exercício. 57 1. De acordo com as Leis nº 11.638/2007 e 11.941/2009, a Demonstração do Resul- tado do Exercício (DRE) demonstra as receitas e despesas das empresas. Assina- le alternativa correta sobre a DRE. a) A DRE de forma completa poderá apresentar informações que apresentam somente dados que são relevantes aos recebimentos das empresas. b) Na DRE, a receita bruta parte da decorrência da dedução das receitas adqui- ridas com as vendas menos as despesas incidentes simplesmente nas opera- ções de vendas. c) A DRE pode ser estruturada de forma simples para micro ou pequenas em- presas que não necessitam de informações tão detalhadas para o processo de tomada de decisões. d) Na DRE, os impostos sobre as vendas figuram as obrigações que serão com- pensadas no final do mês para favorecimento da empresa com geração de créditos. e) Na DRE, o lucro bruto demonstra a compensação das vendas e despesas inci- dentes com produtos vendidos, considerando os impostos incidentes sobre essa operação. 2. De acordo com os regimes de contabilização de receitas e despesas, assinale a alternativa correta. a) O regime de competência é desenvolvido exclusivamente pelas empresas de pequeno porte. b) O regime de caixa afirma que a receita é reconhecida quando recebida e a despesa é legítima no pagamento ou saída de recursos. c) Os dois regimes de caixa e competência têm em vista o reconhecimento das receitas e despesas quando ocorridas independentemente do momento e do evento. d) Para as sociedades anônimas, a legislação obriga a elaboração das demons- trações contábeis apenas pelo regime de caixa. e) O princípio do regime de caixa diz respeito às transações que acontecem nas empresas e que visam ao reconhecimento unicamente das despesas, e não das receitas recebidas durante o mês de movimento contábil. 58 3. Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período prove- niente das atividades de uma entidade que resultam no aumento do seu patri- mônio líquido. Assinale a alternativa que representa transações geradoras de receita. a) Impostos, prestação de serviços, juros e despesas. b) Juros, venda de bens, royalties e prejuízo. c) Venda de imobilizado, juros, prestação de serviços e impostos. d) Venda de sucata, juros pagos, aluguéis e prestação de serviços. e) Venda de bens, prestação de serviços, juros, royalties e dividendos. 4. Uma venda realizada em setembro será recebida 30% em outubro, 40% em no- vembro e 30% em dezembro. Assinale opção que identifica o mês de reco- nhecimento da receita na DRE. a) Dezembro. b) Novembro. c) Outubro. d) Outubro, novembro e dezembro. e) Setembro. 5. Em relação ao reconhecimento da despesa na DRE, assinale a opção correta. a) É reconhecida quando um passivo é incorrido sem o correspondente reco- nhecimento de um ativo. b) É reconhecida no momento da venda de um produto. c) É reconhecida no surgimento de uma dívida do ativo. d) É reconhecida de acordo com o regime da oportunidade. e) É reconhecida conforme o regulamento do imposto de renda. 59 QUANTO CUSTA PAGAR TRIBUTOS? O custo de pagar tributos não se restringe ao tributo em si, mas refere-se a todos os aspectos formais e burocráticos de que os contribuintes têm de cuidar por deter- minação legal. O estudo desses custos iniciou recentemente no mundo e só em 2001 começou a ser pesquisado no Bra- sil. Este trabalho apresenta um panorama dos estudos mundiais a respeito do tema e o resultado de pesquisa realizada junto às companhias de capital aberto no Brasil. A pesquisa confirma as tendências mun- diais e estima que os recursos despendidos no país em 1999 com os Custos de Con- formidade à Tributação alcançaram R$ 7,2 bilhões. Uma legislação tributária mais racional poderia economizar parte desses recursos, reduzindo o Custo Brasil. INTRODUÇÃO Os Custos de Conformidade à tributa- ção — compliance costs of taxation, em inglês — correspondem ao custo dos recursos necessários ao cumprimento das determinações legais tributárias pelos con- tribuintes. Declarações relativas a impostos, informações ao fisco federal, estadual e municipal, inclusões e exclusões realizadas por determinações das normas tributárias, atendimento a fiscalizações, alterações da legislação, autuações e processos admi- nistrativos e judiciais — quanto custam os recursos que se dedicam a essas atividades nas empresas? Trata-se de tema relevante que, surpreendentemente, vem sendo estu- dado há pouco tempo no mundo e sobre o qual não há pesquisas no Brasil. Em nosso país, até a promulgação da Lei de Responsabilidade Fiscal, o adminis- trador público tinha pouco ou nenhum compromisso com o equilíbrio fiscal ou com o controle de seu orçamento. Por esse motivo, os problemas de caixa foram constantes em todos os níveis da admi- nistração e, com frequência, as soluções adotadas para resolvê-los foram aumentos de impostos, por vezes ilegais, decididos em regime de emergência, sem as devidas cautelas para evitar altos Custos de Confor- midade dos contribuintes. O conceito de federação e a multiplicidade de normas estaduais e municipais são fatores que agra- vam esse panorama. Com este quadro, o autor entende que os Custos de Confor- midade no Brasil podem ser superiores aos de outros países e devem ser reduzidos quando possível. Com este trabalho, procura-se dar uma visão panorâmica desse tema em vários países e apresentamos uma pesquisa reali- zada junto às companhias abertas no Brasil, na qual temos os custos estimados pelas companhias e sua incidência sobre a receita bruta. O valor global dos custos das com- panhias abertas incide em 0,32% sobre a receita bruta na média das empresas pes- quisadas, mas, nas empresas menores, com faturamento bruto anual de até R$ 100 milhões, essa incidência aumenta para 1,66%. Calculando a incidência sobre o PIB 60 destas empresas chega-se a 0,75% no total das companhias abertas, e só nas empre- sas menores, a 5,82%. Assumindo que essas incidências sejam válidas para toda a economia, se poderia afirmar que o Brasil desperdiça, no mínimo, R$ 7,2 bilhões por ano para cumprir as determinações das leis tributárias, em vez de alocá-los à atividade produtiva. São apresentadas, ao final deste trabalho, propostas para a redução desses custos pela racionalização das exigências do Fisco em relação aos contribuintes. CUSTOS DOS TRIBUTOS Cedric Sandford, ex-diretor da Universi- dade de Bath, no Reino Unido, é um dos principais pesquisadores dos Custos de Conformidade. Para ele, os custos de tri- butos podem ser classificados em três categorias: a) Os mais óbvios são os próprios impos- tos, que representam sacrifícios da renda em troca das despesas que o poder público faz com essa arrecada- ção. b) Os custos de distorção, ou seja, as mudanças do comportamento na economia em virtude da existência de tributos, alterando preços de produtos e dos fatores de produção. c) Os custos dos recursos emprega- dos para operar o sistema tributário ou um tributo individual, que pode- riam ser poupados se os tributos não existissem. Denominam-se custos ope- racionais tributários. É essa terceira categoria que interessa a este trabalho e há, dentro dela, dois tipos de recursos: ■ Os custos administrativos, que repre- sentam os recursos do poder público destinados a legislar (Poder Legisla- tivo), arrecadar e controlar (Poder Executivo) e julgar (Poder Judiciário) as questões relativas a tributos. Em um país federativo como o Brasil, esses cus- tos são multiplicados por 27 estados e mais de 5.000 municípios.■ Custos de Conformidade na tributa- ção, que abrangem as pessoas físicas e jurídicas que têm de cumprir as obriga- ções principais e acessórias definidas pelo Poder Público e que representam o sacrifício de recursos para atender às disposições legais. No exterior, são designados como compliance costs of taxation. O termo é ambíguo tanto em inglês como em português, mas deve ser compreendido como o custo de conformar a atividade às normas tributárias, de acordo com a forma estabelecida pelo Poder Público. Caro(a) aluno(a), para realizar a leitura na íntegra, acesse: Fonte: Bertoluci e Nascimento (2002, on-line) Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Contabilidade Avançada e Análise Das Demonstrações Financeiras Silverio das Neves; Paulo Viceconti Editora: Saraiva Sinopse: o objetivo deste livro é fornecer informações sobre tópicos de interesse de estudantes/pessoas que já possuem noções básicas de Contabilidade e que desejam aprofundar seus conhecimentos. Redigido em linguagem clara e acessível, é amplamente ilustrado com exemplos e testes de fixação. ANEXOSANEXO I PROCEDIMENTOS PARA APURAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO. 1º Passo: Levantamento do Balancete O levantamento do Balancete a partir dos saldos do Livro-razão é o primeiro pas- so para se chegar ao resultado do período; é no balancete em que irão constar as contas de resultado a serem zeradas em contrapartida com a conta de resultado do exercício. 2º Passo: Efetuar os lançamentos que transferem os saldos das contas de receita e das contas de despesas ou custos para a conta transitória “resultado do exercí- cio” Ao contrário do que é feito via de regra, na transferência dos saldos das receitas e das despesas devemos creditar as despesas e debitar as receitas; em ambos os casos em contrapartida com a conta de resultado. Vejamos: a) Encerramento de uma conta de despesa: D – Resultado do Exercício C – Conta de Despesa a) Encerramento de uma conta de receita: D – Conta de Receita C – Resultado do Exercício 3º Passo: Levantar o saldo da conta transitória Resultado do Exercício A conta Resultado do Exercício só é movimentada quando da ocasião da apu- ração do resultado do período. Após receber os saldos das contas de receita e das contas de despesas, a conta Resultado do Exercício apresentará as seguintes possibilidades: ■ Saldo credor → Lucro ■ Saldo devedor → Prejuízo ■ Saldo nulo →Situação Nula Vejamos abaixo o Razonete da Conta Resultado após a transferência dos saldos das contas de Despesas e das contas de Receitas: ANEXOS 63 ANEXO I 4º Passo: Transferir o saldo da conta transitória Resultado do Exercício (conta de resultado) para conta Lucros ou Prejuízos Acumulados Dependendo do saldo da conta de resultado do exercício, teremos duas possi- bilidades de lançamento para a transferência de seu saldo para a conta patrimo- nial Lucros ou Prejuízos Acumulados, vejamos: ■ Lucro (saldo credor) D – Resultado do Exercício C – Lucros Acumulados ■ Prejuízo (saldo devedor) D – Prejuízos Acumulados C – Resultado do Exercício 5º Passo: Levantar o Balanço Patrimonial O último passo consiste na elaboração do Balanço Patrimonial, em que constará o resultado, já apurado, do exercício na conta patrimonial Lucros ou Prejuízos Acumulados. Fonte: Lucena (2015, on-line)4. RESULTADO DO EXERCÍCIO Saldos oriundos das despesas Saldos oriundos das receitas Saldo devedor Prejuizo Saldo credor Lucro 63 ANEXOSANEXO II CASO PRÁTICO DE APURAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO. Com base nos saldos abaixo, extraídos do Livro Razão da Empresa HFL LTDA em 31 de dezembro de 20XY, vamos proceder à apuração simplificada do resultado: CONTAS SALDOS (R$) Caixa 180.000,00 Bancos 120.000,00 Clientes 50.000,00 Estoques 10.000,00 Móveis e utensílios 30.000,00 Veículos 80.000,00 Despesas de organização 25.000,00 Fornecedores 40.000,00 Promissórias emitidas 10.000,00 Capital Social 224.000,00 Salários 60.000,00 Aluguéis 12.000,00 Água e esgoto 6.000,00 Luz e telefone 12.000,00 Materiais de consumo 24.000,00 Prêmios de seguros 2.000,00 Impostos e taxas 13.000,00 Receita de vendas 150.000,00 Receita de serviços 200.000,00 TOTAL 1.248.000,00 Sigamos os passos descritos anteriormente para solução do nosso caso prático: 1º Levantamento do Balancete de Verificação do período: Observando os dados da tabela anterior, podemos identificar os respectivos sal- dos de cada uma das contas para montar o balancete da Empresa HFL LTDA em 31 de dezembro de 20XY. ANEXOS 6565 ANEXO II Vale observar que existem contas patrimoniais e contas de resultado (receitas e despesas ou custos), e todas elas deverão fazer parte do balancete – essa é uma característica singular do balancete de verificação. Balancete da hfl LTDA em 31/12/20xy CONTAS SALDOS (R$) DEVEDOR CREDOR Caixa 180.000,00 Bancos 120.000,00 Clientes 50.000,00 Estoques 10.000,00 Móveis e utensílios 30.000,00 Veículos 80.000,00 Despesas de organização 25.000,00 Fornecedores 40.000,00 Promissórias emitidas 10.000,00 Capital Social 224.000,00 Salários 60.000,00 Aluguéis 12.000,00 Água e esgoto 6.000,00 Luz e telefone 12.000,00 Materiais de consumo 24.000,00 Prêmios de seguros 2.000,00 Impostos e taxas 13.000,00 Receita de vendas 150.000,00 Receita de serviços 200.000,00 TOTAL 624.000,00 624.000,00 2º Transferência dos saldos das receitas e das despesas ou custos para a conta tran- sitória resultado do exercício: D – Resultado do exercício C – Salários R$ 60.000,00 D – Resultado do Exercício C – Aluguéis R$ 12.000,00 ANEXOSANEXO II D – Resultado do Exercício C – Água e esgoto R$ 6.000,00 D – Resultado do Exercício C – Luz e telefone R$ 12.000,00 D – Resultado do Exercício C – Materiais de consumo R$ 24.000,00 D – Resultado do Exercício C – Prêmios de seguros R$ 2.000,00 D – Resultado do Exercício C – Impostos e taxas R$ 13.000,00 D – Receita de vendas C – Resultado do Exercício R$ 150.000,00 D – Receita de serviços C – Resultado do Exercício R$ 200.000,00 É pertinente observar que foram creditadas todas as despesas e debitadas todas as receitas, ao contrário do que é feito durante todo o exercício. Isso faz com que a conta resultado do exercício mostre de forma consolidada os saldos antes credores nas receitas e devedores nas despesas. 3º Levantamento do saldo da conta transitória Resultado do Exercício: Vejamos o razonete desta conta após a transferência dos saldos de despesas e receitas: Observamos um saldo credor, o que representa que o total das receitas foi supe- rior ao total das despesas do período. Nesse caso, temos um resultado positivo (LUCRO). RESULTADO DO EXERCÍCIO R$ 60.000,00 R$ 12.000,00 R$ 6.000,00 R$ 12.000,00 R$ 24.000,00 R$ 2.000,00 R$ 13.000,00 R$ 150.000,00 R$ 200.000,00 R$ 221.000,00 ANEXOS 67 ANEXO II 4º Transferência do saldo da conta Resultado do Exercício para a conta patrimonial Lucros ou prejuízos acumulados: No nosso caso prático, como houve um resultado positivo (LUCRO), devemos transferir o saldo da conta de resultado Resultado do Exercício para a conta pa- trimonial Lucros Acumulados. Vejamos o lançamento: D – Resultado do Exercício C – Lucros Acumulados R$ 221.000,00 Se o resultado do período fosse prejuízo, o lançamento acima seria feito a débito da conta Prejuízos Acumulados e a crédito da conta Resultado do Exercício. 5º Levantamento do Balanço Patrimonial Vejamos agora como fica o balanço patrimonial simplificado após a apuração do resultado do exercício da empresa HFL Ltda.: BALANÇO PATRIMONIAL SIMPLIFICADO (valores em R$) ATIVO PASSIVO CIRCULANTE 360.000,00 CIRCULANTE 50.000,00 Caixa 180.000,00 Fornecedores 40.000,00 Bancos 120.000,00 Promissórias emit. 10.000,00 Clientes 50.000,00 Estoques 10.000,00 PL 445.000,00 Capital Social 224.000,00 PERMANENTE 135.000,00 Lucros Acumulados 221.000,00 IMOBILIZADO Móveis e utensílios 30.000,00 Veículos 80.000,00 DIFERIDO Despesas de org. 25.000,00 ATIVO TOTAL 495.000,00 PASSIVOTOTAL 495.000,00 Observe que o resultado do exercício aparece agora incorporado ao Patrimônio Líquido da empresa HFL Ltda por meio da conta patrimonial Lucros Acumulados. Fonte: Lucena (2015, on-line)4. 67 REFERÊNCIASREFERÊNCIAS BERTOLUCCI, Aldo V.; NASCIMENTO, Diogo Toledo do. Quanto custa pagar tributos. Rev. contab. finanç., São Paulo, v. 13, n. 29, maio/ago. 2002. Disponível em: <http://www. scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-70772002000200004>. Acesso em: 11 set. 2017. BRASIL. Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Brasília: Presidência da República, 1976. Disponível em: <http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/leis/L6404consol.htm>. Acesso em: 11 set. 2017. COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. CPC 26 (R3) - Apresentação das De- monstrações Contábeis. Disponível em: <http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-E- mitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=57>. Acesso em: 11 set. 2017. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Normas brasileiras de contabilidade: NBC TG - geral - normas completas, NBC TG – estrutura conceitual e NBC TG 01 a 40 (exceto 34 e 42). Brasília: Conselho Federal de Contabilidade, 2011. Disponível em: <http://por- talcfc.org.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/04/NBC_TG_COMPLETAS03.2013. pdf>. Acesso em: 11 set. 2017. ______. Resolução CFC n° 750/93. Sobre os princípios fundamentais de contabilidade. Disponível em: <http://www.oas.org/juridico/portuguese/res_750.pdf>. Acesso em: 11 set. 2017. LUCENA, Humberto Fernandes de. Processo de apuração do resultado do exercício. Disponível em: <https://www.editoraferreira.com.br/Medias/1/Media/Professores/To- queDeMestre/HumbertoLucena/HumbertoLucena_toque_07.pdf>. Acesso em: 11 set. 2017. MONTOTO, Eugenio. Contabilidade geral esquematizado. São Paulo: Saraiva, 2011. RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade básica fácil. 28. ed. São Paulo: Saraiva, 2012. ______. Contabilidade comercial fácil. 18. ed. São Paulo: Saraiva, 2013. REFERÊNCIAS ON-LINE ¹ Em: <http://portalcfc.org.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/04/NBC_TG_COM- PLETAS03.2013.pdf>. Acesso em: 11 set. 2017. ² Em: <http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-Emitidos/Pronunciamentos/Pronun- ciamento?Id=57>. Acesso em: 11 set. 2017. ³ Em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404consol.htm>. Acesso em: 11 set. 2017. 4 Em: <https://www.editoraferreira.com.br/Medias/1/Media/Professores/ToqueDeMes- tre/HumbertoLucena/HumbertoLucena_toque_07.pdf>. Acesso em: 11 set. 2017. 5 Em: <http://www.cvm.gov.br/menu/acesso_informacao/institucional/sobre/cvm. html>. Acesso: 11 set. 2017. 68 GABARITO 69 1. c 2. b 3. e 4. e 5. a GABARITO U N ID A D E III Professora Me. Tatiane Garcia da Silva Santos DEMONSTRAÇÃO DOS LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS (DLPA) E DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO (DMPL) Objetivos de Aprendizagem ■ Conhecer a DLPA e a DMPL. ■ Verificar os aspectos legais em torno da DLPA e DMPL. ■ Compreender a estrutura da DLPA e DMPL. ■ Conhecer um exemplo prático da DLPA e DMPL. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Aspectos introdutórios ■ Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) ■ Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) INTRODUÇÃO Olá aluno(a), nesta terceira Unidade, vamos abordar outras demonstrações finan- ceiras que fazem parte do processo contábil das entidades. Será apresentada a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) e a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL). No início da unidade, trataremos dos aspectos introdutórios em torno da DLPA e DMPL, em virtude da legislação que rege esses relatórios contábeis. Assim, a Lei n. 6.404/76 exige apenas a DLPA. Contudo, a CVM - Comissão de Valores Mobiliários - define também a elaboração da DMPL para as empresas de Capital Aberto. No entanto, o CPC 26 (R3) exige a DMPL para todas as entidades de grande porte. O CPC 26 (R3) passou a regular a elaboração das demonstrações financeiras no Brasil em virtude da harmonização das normas internacionais. Neste sentido, a DLPA pode ser sucedida pela Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido, porque a DMPL é mais abrangente na exposição das variações ocorridas durante o exercício social. Logo, a DMPL tem objetivo de demonstrar as modificações de todas as contas que fazem parte do patrimônio líquido de uma entidade durante um exercício social, enquanto a DLPA tem o objetivo de apresentar os lançamentos credores e devedores na conta lucros ou prejuízos acumulados que pertencem ao patrimônio líquido. No tópico sobre a estrutura da DLPA, será visto que a elaboração dessa demonstração deve seguir as orientações do art. 186 da Lei n. 6.404/76. Entretanto, para a DMPL não existe um modelo definido, ficando a cargo do contador o desenvolvimento deste relatório. Contudo, para o desenvolvimento da DMPL devem ser utilizados os dados do livro-razão em conformidade com a movimen- tação da escrituração contábil. Por fim, faremos a apresentação de um modelo da DLPA e da DMPL para uma melhor compreensão em relação aos aspectos contábeis que envolvem o processo de elaboração dessas demonstrações financeiras. Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 73 DEMONSTRAÇÃO DOS LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS (DLPA) E DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO (DMPL) Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E74 ASPECTOS INTRODUTÓRIOS A Lei da S.A. (6.404/76) exige apenas a DLPA. Porém, a CVM - Comissão de Valores Mobiliários - determina a elaboração da DMPL para as entidades de Capital Aberto. Contudo, o CPC 26 (R3) solicita a DMPL para todas as empresas de grande porte. Neste contexto, o CPC-PME exige a DMPL para todas organiza- ções de pequeno e médio porte. Porém, as PMEs (Pequenas e Médias Empresas) que tiverem alteração no Patrimônio Líquido em virtude do lucro líquido, do pagamento de dividendos e de ajuste no PL em consequência de erros ou alte- rações deverão fazer somente a DLPA. De acordo com a Lei n. 6.404/76 e as demais instituições envolvidas, segue a contextualização sobre a DLPA e DMPL. Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 75 DEMONSTRAÇÃO DOS LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS (DLPA) A Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) é um relatório advindo da contabilidade que tem como objetivo evidenciar o saldo inicial da conta Lucros ou Prejuízos Acumulados, bem como os ajustes de exercícios ante- riores, as reversões de reservas, o lucro líquido do exercício e sua destinação. Logo, a DLPA não incorpora o conjunto de demonstrações exigidas pelo CFC em conformidade com CPC 26 (R3) para as empresas de grande porte, mas somente na Lei n. 6.404/76 e no CPC-PME. Dessa forma, de acordo com a Lei n. 6.404/76, o que deveria constar na DLPA será apresentado em uma das colu- nas da DMPL. Assim, a empresa que elaborar a DMPL estará cumprindo com a legislação conforme a Lei n. 6.404/76. Neste segmento, Montoto (2011, p. 728) apresenta as seguintes considera- ções sobre a DLPA: O item 3.8 do mesmo CPC-PME permite que a Entidade apresente a demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados no lugar da de- monstração do Resultado Abrangente e da demonstração das muta- ções do Patrimônio Líquido, se as únicas alterações no seu Patrimônio Líquido durante os períodos para os quais as demonstrações contábeis são apresentadas derivarem do resultado, do pagamento de dividendos ou da distribuição outra de lucro, correção de erros de períodos ante- riores e mudanças de políticas contábeis. Conforme Ribeiro (2013, p. 383), “é importante esclarecer que a Lei n. 11.638/2007 excluiudo grupo do Patrimônio Líquido a conta Lucros ou Prejuízos Acumulados, mantendo apenas a conta Prejuízos Acumulados”. Dessa forma, com base nessa nova regra, as empresas devem fazer a destinação do lucro líquido do exercício social, usando-o na compensação de prejuízos acumulados, na constituição de reservas, no aumento do capital ou na distribuição aos acionistas. Por fim, a DLPA pode ser substituída pela Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido, em função da DMPL ser mais abrangente por expor as varia- ções ocorridas durante o exercício em relação a todas as contas do Patrimônio Líquido, destacando o Lucro ou Prejuízos Acumulados. DEMONSTRAÇÃO DOS LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS (DLPA) E DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO (DMPL) Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E76 ESTRUTURA DA DLPA Portanto, a DLPA deve ser estruturada de acordo com as orientações do art. 186 da Lei n. 6.404/76: I. o saldo do início do período, os ajustes de exercícios anteriores e a correção monetária do saldo inicial; II. as reversões de reservas e o lucro líquido do exercício; III. - as transferências para reservas, os dividendos, a parcela dos lu- cros incorporada ao capital e o saldo ao fim do período. §1º Como ajustes de exercícios anteriores serão considerados apenas os decorrentes de efeitos da mudança de critério contábil, ou da retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a fatos subseqüentes. §2º A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados deverá indicar o montante do dividendo por ação do capital social e poderá ser inclu- ída na demonstração das mutações do patrimônio líquido, se elabo- rada e publicada pela companhia (BRASIL, Lei n. 6.404/76). Para a elaboração da DLPA, os dados devem ser extraídos do livro razão, em que constam informações de acordo com as operações escrituradas durante o exercício social. Neste contexto, engloba as conta Lucros Acumulados, Prejuízos Acumulados e Juros sobre o Capital Próprio a Pagar e, ainda, a conta Lucros ou Prejuízos Acumulados. Em função das determinações em relação à DLPA, apresentamos no Quadro 1 uma estrutura básica de como elaborar essa demonstração contábil. Quadro 1 – Modelo de estrutura da DLPA DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO PERÍODO Saldo em 31.12.X0 (Início do período) XXXXXXXXXX (+/-) Ajuste de Exercícios Anteriores Mudança de política contábil ------------------ Retificação de erros ------------------ (+) Lucro líquido do exercício ------------------ Lucro total disponível ------------------ Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 77 (-) Transferências para reservas de lucros a) Reserva legal ------------------ b) Reserva estatutária ------------------ c) Reserva para contingências ------------------ d) Reserva de incentivo fiscal ------------------ e) Reserva orçamentária (Retenção de Lucros) ------------------ f ) Reserva de lucros a realizar ------------------ (-) Lucros ou Dividendos a distribuir ------------------ Saldo de lucros acumulados em 31.12.X1 (final do período) XXXXXXXXXX Fonte: Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo (2012, p. 12, on-line)1. EXEMPLO DA DLPA A seguir aprsenta-se um modelo prático da DLPA na visão de Ribeiro (2013, p. 389): ■ Companhia: Juliana Moura Ribeiro S/A ■ Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados ■ Exercício findo em: 31/12/X1 Tabela 1 – Exemplo prático de DLPA DESCRIÇÃO R$ 1. Saldo no Início do Período - 2. Ajustes de Exercícios Anteriores - 3. Saldo Ajustado - 4. Lucro ou Prejuízo do Exercício 368.202 5. Reversão de Reservas - 6. Saldo a disposição 368.202 7. Destinação do exercício - - Reserva legal (18.410) - Reserva Estatutária - - Reserva para Contingência - DEMONSTRAÇÃO DOS LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS (DLPA) E DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO (DMPL) Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E78 - Outras Reservas (69.958) - Dividendos Obrigatórios (239.714) - Juros sobre Capital Próprio (40.120) 8. Saldo no Fim do Exercício ZERO Fonte: Ribeiro (2013, p. 392). Com as modificações introduzidas pela Lei n. 11.638/2007 na Lei n. 6.404/76, a conta Lucros ou Prejuízos Acumulados não pode mais ter saldos positivos (lucros) sem destinação. Eugenio Montoto DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO (DMPL) Conforme Ribeiro (2013, p. 389), “a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) é um relatório contábil que visa evidenciar as variações ocorri- das em todas as contas que compõem o Patrimônio Líquido em um determinado período”. Neste sentido, essa demonstração apresenta as modificações em con- tas de um determinado exercício que são componentes do Patrimônio Líquido. Desse modo, os fatos contábeis provocam acréscimos ou decréscimos no patri- mônio líquido. Porém, nessa demonstração também podem ser representados os ajustes credores e devedores do patrimônio líquido em virtude de erros ou alterações de critérios contábeis e exercícios sociais anteriores. A Lei n. 6.404/76 não determina um modelo de DMPL, apenas menciona no parágrafo segundo do art. 186: [...] que a DLPA seja incluída nela, se elaborada e publicada pela com- panhia. Assim, as mesmas informações que a lei determina para a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 79 DLPA devem constar da DMPL, considerando que nesta as informa- ções serão relativas à movimentação de todas as contas do Patrimônio Líquido (BRASIL, Lei n. 6.404/76). Assim, as entidades têm elaborado a DMPL em um gráfico com colunas, em que cada coluna retrata uma conta que compõe o Patrimônio Líquido. Logo, em sua estrutura, a DMPL poderá ter quantas linhas forem necessárias para as movimen- tações; na primeira linha, deve-se transcrever os saldos iniciais de cada conta; e na última linha, a apresentação dos saldos finais. Dessa maneira, Ribeiro (2013, p. 390) descreve que [...] a soma algébrica da última linha do demonstrativo, que será in- dicada na última coluna reservada aos totais, coincidirá com o total dessa mesma coluna e corresponderá ao total do grupo do Patrimônio Líquido constante do Balanço Patrimonial”. Logo, para evitar um número excessivo de colunas na demonstração, os dados relativos ao capital social e às reservas de lucros e de capital devem ser demons- trados de forma resumida em seus específicos grupos. Por fim, os fluxos de recursos que transitam de uma conta para outra, que demonstram a mutação, deverão ser informados na notas explicativas. DEMONSTRAÇÃO DOS LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS (DLPA) E DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO (DMPL) Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E80 ESTRUTURA DA DMPL Para elaboração da DMPL, devem ser usados os dados extraídos do livro-razão de acordo com a movimentação realizada em conformidade com a escrituração contábil. De acordo com a Lei n. 6.404/76, não existe um modelo definido para a DMPL, ficando o contador ou as empresas livres para desenvolvê-lo. Portanto, o parágrafo primeiro do art. 176, da Lei n. 6.404/76 estabelece que as demons- trações financeiras de cada exercício devem ser divulgadas com a indicação dos valores correspondentes das demonstrações do exercício anterior. Contudo, as demonstrações financeiras que têm apenas uma coluna de valores, como o Balanço Patrimonial, para acatar a essa determinação legal deverão inse- rir uma coluna adicional para os dados relativos ao exercício anterior. Porém, essa situação não pode acontecer na DMPL,em função da composição de várias colunas que contêm valores. Neste caso, a solução seria elaborar um demonstrativo duplo, o qual pode informar os dados relativos ao exercício anterior e o exercício social atual. Conforme CRC PR (2011, on-line), a empresa deve apresentar a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido contendo: a) o resultado e os outros resultados abrangentes do período, demons- trando separadamente o montante total atribuível aos proprietários da entidade controladora e a participação dos não controladores; b) para cada componente do patrimônio líquido, os efeitos da aplicação retrospectiva ou correção retrospectiva reconhecida de acordo com as Políticas Contábeis, Mudança de Estimativa e Retificação de Erro; c) para cada componente do patrimônio líquido, a conciliação entre o saldo no início e no final do período, evidenciando separadamente as alterações decorrentes: I) do resultado do período; II) de cada item dos outros resultados abrangentes; Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 81 III) dos valores de investimentos realizados pelos proprietários, e divi- dendos e outras distribuições para eles, demonstrando separadamente ações ou quotas emitidas, de transações com ações ou quotas em tesou- raria, de dividendos e outras distribuições aos proprietários, e de alte- rações nas participações em controladas que não resultem em perda de controle (CONSELHO REGIONAL DO PR, 2011, on-line)2. Dessa forma, segue uma sugestão de modelo de DMPL que pode ser utilizado pela contabilidade: Quadro 2- Modelo de estrutura da DMPL DESCRIÇÃO CAPITAL SOCIAL LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS RESERVAS DE LUCROS PATRIMÔNIO LÍQUIDO SALDO INICIAL EM 31 DEZEMBRO... LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO (-) DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS SALDO EM 31 DEZEMBRO... LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO (-) DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS LUCROS A DISTRIBUIR SALDO FINAL EM 31 DEZEMBRO... Fonte: adaptado de Montoto (2011, p. 741). EXEMPLO DA DMPL De acordo com os assuntos que foram abordados sobre a DMPL, segue um exem- plo prático dessa demonstração de acordo com Ribeiro (2013, p. 392): ■ Companhia: Juliana Moura Ribeiro S/A ■ Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido ■ Exercício findo em: 31/12/X1 DEMONSTRAÇÃO DOS LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS (DLPA) E DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO (DMPL) Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E82 Tabela 2 - Exemplo prático de DMPL DESCRIÇÃO CAPITAL SOCIAL RESERVAS DE LUCROS LUCROS A DESTINAR TOTAL Saldo em 01/01/X1 500.000,00 90.000,00 590.000,00 Aumento da Capital Integralização em Di- nheiro 100.000,00 100.000,00 Lucro Líquido do Exer- cício 368.202,00 368.202,00 Destinações do Lucro Líquido Reserva Legal 18.410,00 -18.410,00 Reserva para Investi- mento 69.958,00 -69.958,00 Dividendos -239.714,00 -239.714,00 Juros sobre Capital Próprio 40.120,00 -40.120,00 Saldo em 31/12/X1 600.000,00 218.488,00 818.488,00 Fonte: Ribeiro (2013, p. 392). Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 83 Caro(a) aluno(a), até o momento, vimos algumas demonstrações contábeis que são importantes para apresentação das informações geradas pela contabilidade. Assim, cada relatório apresentado tem sua finalidade no processo de tomada de decisão empresarial. Logo, cabe ao contador, junto com os empresários, avalia- rem essas demonstrações de forma qualitativa para o crescimento das empresas. Você já ouviu falar CRC PR - Conselho Regional de Contabilidade do Paraná? O Conselho Federal de Contabilidade e os Conselhos Regionais são entida- des de registro e fiscalização do exercício profissional, criadas por meio do Decreto-Lei nº 9.295, de 27 de maio de 1946. O CRC é o Conselho Regio- nal de Contabilidade. Para tornar-se um profissional habilitado e exercer a profissão de Contabilista, o interessado, após concluir o Curso de Ciências Contábeis ou Curso Técnico em Contabilidade deverá dirigir-se ao CRC de seu estado. Acesse o site: <http://www.crcpr.org.br/new/index.php> e fique por dentro das últimas notícias do CRC PR. Fonte: a autora. DEMONSTRAÇÃO DOS LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS (DLPA) E DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO (DMPL) Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E84 CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta unidade, tratamos de duas outras demonstrações financeiras que fazem parte do mundo contábil das organizações. Neste cenário, vimos a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) e também a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL). Vimos, no primeiro Tópico da unidade, os aspectos introdutórios a respeito da DLPA e DMPL de acordo a legislação vigente. A elaboração da DLPA é definida pela Lei n. 6.404/76. Porém, a CVM - Comissão de Valores Mobiliários - deter- mina a entrega da DMPL para as entidades de Capital Aberto. Contudo, o CPC 26 (R3) exige a DMPL para todas as organizações de grande porte. A DLPA pode ser substituída pela Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido em função de a DMPL ser mais abrangente na questão sobre as exposi- ções das variações ocorridas no patrimônio líquido. Neste contexto, vimos um tópico que trabalhou a estrutura da DLPA conforme as determinações exigidas pelo art. 186 da Lei n. 6.404/76. Porém, a DLPA apresenta o acúmulo e a desti- nação dos lucros em um período específico, ou seja, os lançamentos devedores e credores na conta lucros ou prejuízos acumulados. Para a DMPL não é definido nenhum modelo, ficando a cargo do contador a criação do relatório. Para a construção da DMPL, deve-se utilizar os dados extraídos do livro-razão de acordo com as operações que foram realizadas pela empresa. Contudo, o objetivo da DMPL é demonstrar as mutações de todas as contas que incorporem o patrimônio líquido de uma organização durante um exercício social. Finalizando, houve a explanação dos modelos da DLPA e da DMPL com o objetivo de mostrar os itens e contas contábeis necessárias para a elaboração des- sas demonstrações financeiras. Porém, cabe destacar que existem vários outros modelos que podem ser seguidos. Abraços! 85 1. Assinale alternativa correta que representa o conceito em torno da DLPA. a) É um relatório contábil que tem por finalidade evidenciar a destinação do lucro líquido apurado no final de cada exercício social. b) É um relatório contábil que visa a evidenciar as variações ocorridas em todas as contas que compõem o patrimônio líquido em um determinado período. c) É um relatório contábil que visa a apresentar o patrimônio das entidades, ou seja, o Ativo e o Passivo. d) É um relatório contábil destinado a evidenciar a composição do resultado formado num determinado período de operações da entidade. e) É um relatório composto por contas de resultado e também por contas pa- trimoniais. 2. A Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados é um relatório contábil que é apresentado no formato vertical. Assinale opção correta que representa a finalidade dessa demonstração. a) Evidenciar a mutação que ocorre no Patrimônio Líquido durante um período e que resulta de transações e outros eventos. b) Evidenciar os custos dos produtos, das mercadorias ou dos serviços vendidos de um determinado período. c) Evidenciar o lucro líquido do exercício e sua destinação, os ajustes contábeis relativos a resultados de exercícios anteriores, as reversões de reservas e os saldos das contas lucros ou prejuízos acumulados no início e no final do pe- ríodo. d) Evidenciar o resultado da divisão do montante do Lucro Líquido pelo núme- ro de açõesem circulação que integram o capital social da companhia. e) Evidenciar os elementos que compõem a origem dos recursos próprios, deri- vados dos proprietários ou derivados da gestão normal do patrimônio. 3. Escolha opção correta que identifica o conceito sobre a conta Capital a Integra- lizar do Patrimônio Líquido. a) É a parcela do capital já subscrita e ainda não entregue à sociedade pelos sócios. b) É a parcela do capital entregue de uma única vez e reconhecido no estatuto da empresa. c) É a parcela do capital prometido apenas na documentação de abertura da empresa. d) É a parcela do capital simbólico para abertura de uma organização. e) É a parcela do capital social que representa a diferença entre o ativo e passivo. 86 4. Assinale a alternativa que define o tipo de responsabilidade dos sócios para as empresas de Sociedade Anônima (S/A ou Cia) e Sociedade Limitada (Ltda.). a) Limitação sobre as ações em tesouraria e ilimitada nas quotas liberadas. b) Limitadas ao valor das ações e solidária e limitada ao valor do capital social. c) Limitação somente no valor das ações e ilimitada nas distribuições dos divi- dendos. d) Ilimitadas ao valor das ações e solidária e ilimitada ao valor do capital social. e) Limitadas apenas no valor das ações e limitação nas quotas liberadas. 5. As demonstrações contábeis são exigidas pela Lei das Sociedades Anônimas, pelo CFC, pela CVM e pelo Regulamento do Imposto de Renda. Assinale a alter- nativa que representa o conjunto completo de demonstrações contábeis. a) BV, BP, DRE, DLPA, DMPL, DFC e DVA. b) Balancete de Verificação, Razão, DRA e DVA. c) Livro diário, Razonete, Balancete de Verificação e Balanço Patrimonial. d) BP, DRE, DRA, DLPA, DMPL, DFC e DVA. e) Livro diário, Balancete de Verificação, BP, DRE. 87 NÍVEL DE CONVERGÊNCIA DOS PRINCÍPIOS CONTÁBEIS BRASILEIROS E NORTE-AMERICANOS ÀS NORMAS DO IASB: UMA CONTRIBUIÇÃO PARA A ADOÇÃO DAS IFRS POR EMPRESAS BRASILEIRAS A presente pesquisa teve como objetivo avaliar em que nível as informações contá- beis divulgadas nos mercados: brasileiro e norte-americano atendem aos requisitos da adoção inicial das IFRS - International Finan- cial Reporting Standards. A adoção das IFRS por companhias abertas brasileiras nas suas demonstrações contábeis consolidadas foi exigida pela Comissão de Valores Mobiliá- rios (CVM) na Instrução CVM 457/07. Por meio de uma pesquisa descritiva quanto aos seus objetivos e utilizando-se dos procedimentos técnicos de pesquisa docu- mental e de análise de conteúdo clássica, foram analisadas as demonstrações con- tábeis elaboradas para o ano de 2008 de acordo com os US GAAPs e os BR GAAPs de 20 empresas brasileiras listadas simul- taneamente na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) e na Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA) e calculou-se o índice de disclosure proposto na pesquisa de Lopes e Rodrigues (2007). A pesquisa apontou para índices de disclosure calculados para o Form 20F maiores do que aqueles calcu- lados para as Demonstrações Financeiras Padrão (DFP), confirmando um nível de convergência maior entre US GAAP e IFRS e sugerindo que, em função da adoção das IFRS as demonstrações contábeis em BR GAAP tendem a se modificar substancial- mente aumentando o nível de divulgação. Além disso, os resultados confirmam para a amostra, o exposto na literatura sele- cionada de que o setor de atuação e o tamanho da empresa influem diretamente no disclosure das informações. Em relação aos auditores, o fato de as demonstrações serem auditadas pelas empresas globais de auditoria conhecidas como Big Four não foi determinante na extensão do disclosure. INTRODUÇÃO A integração dos mercados de capitais pos- sibilita que investidores sejam capazes de empregar recursos financeiros em qualquer lugar do mundo sem que necessitem residir no país em que seu capital esteja alocado. Assim, a oportunidade, conceituada por Martins (2006) como a possibilidade de esco- lha entre duas ou mais alternativas viáveis de investimentos, se concretiza, permitindo que os investidores obtenham ganhos com redução de riscos e as empresas obtenham o capital necessário para financiamento de seus projetos, reduzindo a escassez de recur- sos e consequentemente o seu custo. Para que seja possível a escolha entre as alternativas de investimentos, a contabili- dade, por meio de seus relatórios contábeis, subsidia os investidores com informações úteis e relevantes para a escolha de tais alternativas. Ademais, Ludícibus (1995, p. 18) assevera que “a função fundamental da contabili- dade tem permanecido inalterada desde os seus primórdios, sendo sua finalidade prover os usuários de demonstrações finan- ceiras com informações que os ajudarão a tomar decisões”. 88 Dessa forma, a comparabilidade das infor- mações produzidas pela contabilidade torna-se relevante no contexto dessas esco- lhas, considerando que ela é a base para a tomada de decisão por parte dos inves- tidores sobre em qual empreendimento empregar seu capital. Como forma de estímulo ao fluxo de capi- tais entre os países-membros da União Europeia, o Parlamento Europeu estabele- ceu, por meio do Regulamento 1.606/2002, a adoção das Normas Contábeis Interna- cionais conhecidas como Internacional Financial Reporting Standards (IFRS) emi- tidas pelo International Accounting Standards Board (IASB), a partir do exercí- cio findo em 31 de dezembro de 2005, para as demonstrações contábeis consolidadas (EUROPEAN UNION PARLIAMENT, 2002). Antunes, Antunes e Penteado (2007) afirmam que a adoção de normas interna- cionais de contabilidade pelas empresas mundiais está associada a benefícios eco- nômicos concretos na forma de atração de maior volume de investimentos, uma vez que o processo de globalização trouxe para o primeiro plano a demanda por informa- ções contábeis confiáveis e comparáveis para suportar a variedade de transações e operações desse mercado. Corroborando com a tendência mundial de convergência para as IFRS e tencionando a acessibilidade ao mercado global de capi- tais por parte das empresas brasileiras, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aprovou, em 13 de julho de 2007, a Instru- ção nº 457, que torna obrigatória a adoção dessas normas para as companhias abertas brasileiras nas suas demonstrações con- tábeis consolidadas a partir do exercício social findo em 31 de dezembro de 2010, sendo seus pressupostos: i) a convergên- cia (tornar as informações comparáveis); ii) a transparência e a confiabilidade e iii) e a acessibilidade ao mercado global de capi- tais (CVM, 2008). Assim, a tendência de convergência contábil mundial insere-se definitivamente no con- texto brasileiro com a obrigatoriedade de adoção das IFRS para as companhias aber- tas listadas na CVM, tornando importante avaliar em quais aspectos as empresas bra- sileiras deverão centrar para o cumprimento dos requisitos da adoção das IFRS em 2010. Dessa forma, a questão-problema que orien- tou a realização deste trabalho foi: qual o nível de aderência das demonstrações contábeis de empresas brasileiras não finan- ceiras listadas simultaneamente na BOVESPA e na NYSE elaboradas em BR GAAP e US GAAP em relação às exigências da IFRS 1? Este estudo tenciona auxiliar na compreen- são de aspectos relevantes na adoção das Normas Internacionais de Contabilidade (IFRS) pelas empresas brasileiras. Fonte: Oliveira e Lemes (2011, on-line). Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR A Lei Das S/A Comentada Nelson Eizirik Editora: Saraiva Sinopse: após anos de discussão em torno do papel a ser exercido pelo juiz na fase de investigação, o projeto do novo Código de Processo Penal, originário do Senado Federal, previu a criação do Juiz das Garantias. Essa nova figura nada mais é que um magistrado com competência exclusiva para atuar na fase primária da persecução penal, estando impedido de atuar na sua fase processual. Em vista disso, o presente estudo se destina a analisara validade dos argumentos utilizados para sua implantação no Brasil e as consequências que disso resultarão. REFERÊNCIASREFERÊNCIAS BRASIL. Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Brasília: Presidência da República, 1976. Disponível em: <http://www.planal- to.gov.br/ccivil_03/leis/L6404consol.htm>. Acesso em: 11 set. 2017. COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. CPC 26 (R3) - Apresentação das De- monstrações Contábeis. Disponível em: <http://www.cpc.org.br/CPC/Documen- tos-Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=57>. Acesso em: 11 set. 2017. MONTOTO, Eugenio. Contabilidade geral esquematizado. São Paulo: Saraiva, 2011. RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade básica fácil. 28. ed. São Paulo: Saraiva, 2012. ______. Contabilidade comercial fácil. 18.ed. São Paulo: Saraiva, 2013. SOARES, Salomão Dantas. Modelo de estrutura da DMPL. Disponível em: <http:// www.ceap.br/material/MAT21032013150510.pdf>. Acesso em: 11 set. 2017. OLIVEIRA, Valdiney Alves; LEMES, Sirlei . Nível de convergência dos princípios con- tábeis brasileiros e norte-americanos às normas do IASB: uma contribuição para a adoção das IFRS por empresas brasileiras. Rev. contab. finanç., São Paulo, v. 22, n. 56, maio/ago. 2011. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_ arttext&pid=S1519-70772011000200003&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt>. Acesso em: 11 set. 2017. REFERÊNCIAS ON-LINE 1Em: <http://www.crcsp.org.br/apostilas/DLPA_Wagner_Mendes_0309.pdf>. Aces- so em: 11 set. 2017. 2Em: <http://www.crcpr.org.br/new/index.php>. Acesso em: 11 set. 2017. 90 GABARITO 91 GABARITO 1. a 2. c 3. a 4. b 5. d U N ID A D E IV Professora Me. Tatiane Garcia da Silva Santos DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA (DFC) Objetivos de Aprendizagem ■ Apresentar a Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC). ■ Explanar o conceito de caixa e equivalente de caixa. ■ Verificar as entradas e saídas de caixa por atividades. ■ Conhecer as transações que não se enquadram na DFC. ■ Verificar a estrutura e modelo da DFC. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) ■ Métodos de estruturação da DFC INTRODUÇÃO Olá caro(a) aluno(a), nesta unidade você terá a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre as Demonstrações Financeiras, abordando os aspectos sobre a Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC). A Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) é um relatório da contabilidade que tem como objetivo evidenciar as operações ocorridas que promovem modi- ficações no saldo de caixa e equivalentes de caixa. Contudo, também demonstra as origens das mudanças no saldo do Caixa das entidades. Assim, caixa neste relatório é o saldo da própria conta caixa mais o somatório dos saldos da conta banco e das contas de aplicações financeiras de liquidez imediata. Além disso, também demonstra quais foram os motivos que levaram às alterações da conta caixa em função das atividades operacionais das entidades. Contudo, a DFC não é obrigatória para todas as sociedades por ações. Logo, uma entidade que tenha o seu patrimônio líquido menor que R$ 2.000.000 na data do fechamento do balanço patrimonial estará desobrigada a entregar e publicar essa demonstração. Em conformidade com a NBC TG 03 (R3), no item 6, a conta caixa repre- senta os numerários em espécie e também os depósitos bancários disponíveis para a organização. Desse modo, o caixa abrange todas as disponibilidades da entidade envolvendo as contas: Caixa, Bancos conta Movimento e Aplicações Financeiras de Liquidez Imediata. Por fim, demonstraremos a estrutura e elaboração da DFC e verificaremos a classificação das entradas e saídas de caixa conforme as atividades operacionais, investimentos e financiamentos. Assim, será possível demonstrar com clareza de onde vieram as variações de caixa. Neste contexto, iremos conhecer o modelo e os métodos de elaboração da DFC, que são: indireto e direto. Logo, veremos que a diferença entre ambos é a forma de determinação da variação do caixa em função das atividades operacionais. Bons estudos! Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 95 DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA (DFC) Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E96 DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA (DFC) A Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) é um relatório que tem como obje- tivo evidenciar as modificações ocorridas no “Caixa” de uma organização de acordo com as operações da entidade em função do exercício social. Para Ribeiro (2013, p. 393), “a Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) é um relatório contábil que tem por fim evidenciar as transações ocorridas em um determinado período e que provocam modificações no saldo de caixa e equivalentes de caixa”. Neste contexto, a DFC resume os fatos administrativos acerca do fluxo de dinheiro que ocorre em virtude das operações de um determinado período nas empresas, em que são registrados por meio da escrituração contábil na conta Caixa, Banco conta Movimento, entre outras. Dessa forma, na visão de Montoto (2011, p. 763), esse relatório também tem que demonstrar as origens das mudanças no saldo do Caixa. O usuário da informação precisa entender se o Caixa se alterou em função da atividade principal (operacional), se a alteração foi em função da venda de imóvel [...]”. Assim, em conformidade com o art. 188 da Lei n. 6.404/76, a DFC deve apresentar: I. demonstração dos fluxos de caixa - as alterações ocorridas, duran- te o exercício, no saldo de caixa e equivalentes de caixa, segregan- do-se essas alterações em, no mínimo, 3 (três) fluxos: (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) a) das operações; (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) b) dos financiamentos; e (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) c) dos investimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) (BRASIL, Lei n. 6.404/76). Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 97 Portanto, a DFC pode ser elaborada a partir de dois métodos: direto ou indi- reto. Contudo, essa demonstração passou a ser requerida pela Lei n. 6.404/76 por meio do seu art. 176. Também considerou-se as alterações feita pela Lei n. 11.638/07, a qual desobriga a DOAR, passando a exigir a DFC e a DVA. Logo, segue um trecho do art. 176 sobre essa determinação: Art. 176. Ao fim de cada exercício social, a diretoria fará elaborar, com base na escrituração mercantil da companhia, as seguintes demonstra- ções financeiras, que deverão exprimir com clareza a situação do patri- mônio da companhia e as mutações ocorridas no exercício: I. balanço patrimonial; II. demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados; III. demonstração do resultado do exercício; e IV. demonstração das origens e aplicações de recursos. IV. demonstração dos fluxos de caixa; e (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007); V. se companhia aberta, demonstração do valor adicionado. (Incluí- do pela Lei nº 11.638,de 2007) §1º As demonstrações de cada exercício serão publicadas com a indi- cação dos valores correspondentes das demonstrações do exercí- cio anterior (BRASIL, Lei n. 6.404/76). A Demonstração dos Fluxos de Caixa não é obrigatória para todas as sociedades por ações. No entanto, uma empresa que tenha o patrimônio líquido menor que R$ 2.000.000 no fechamento do balanço patrimonial está desobrigada da entrega e publicação da DFC. Logo, seguem as orientações de acordo com a Lei n. 6.404/76: §6º A companhia fechada com patrimônio líquido, na data do balanço, não superior ao valor nominal de 20.000 (vinte mil) Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional, não será obrigada à elaboração e publicação da demonstração das origens e aplicações de recursos(BRASIL, Lei n. 6.404/76). A Lei n. 6.404/76, em seu art. 188, determina que sejam observadas as alterações no Caixa em decorrência das operações da empresa, tais como investimentos e financiamentos. Porém, não existe nenhuma determinação sobre essas ativida- des e nem a especificação de uma técnica para elaboração da DFC. DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA (DFC) Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E98 Em conformidade com o CPC 03 (R2), todos os tipos de empresas devem elaborar a DFC, assim, essa determinação está nos itens 1 e 3 a seguir: 1. A entidade deve preparar um demonstração dos fluxos de caixa de acordo com os requisitos deste Pronunciamento Técnico e deve apresentá-la como parte integrante das suas demonstrações contá- beis apresentada ao final de cada período. 2. [...] 3. [...] Assim sendo, este Pronunciamento Técnico requer que todas as entidades apresentem uma demonstração dos fluxos de caixa (CO- MITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 2010, on-line)1. CONCEITO DE CAIXA E EQUIVALENTE DE CAIXA De acordo com o item 6 da NBC TG 03 (R3), a conta caixa representa os nume- rários em espécie e também os depósitos bancários disponíveis. Para Ribeiro (2013, p. 393), o conceito de equivalentes de caixa é: Equivalentes de caixa são aplicações financeiras de curto prazo, de alta liquidez, que são prontamente conversíveis em montante conhecido de caixa e que estão sujeitas a um insignificante risco de mudança de valor. Fluxos de caixa são as entradas e saídas de caixa e equivalentes de caixa. Portanto, em relação à DFC, o caixa abrange todas as disponibilidades da organiza- ção envolvendo as contas: Caixa (dinheiro em espécie), Bancos conta Movimento (dinheiro em poder do bancos comerciais) e Aplicações Financeiras de Liquidez Imediata (dinheiro investido em aplicações de altíssima liquidez com vencimento em três meses). Logo, as contas citadas anteriormente são componentes do Ativo, que integram o grupo do Circulante no Balanço Patrimonial. ESTRUTURA DA DFC De acordo com a Lei n. 6.404/76, não existe um modelo de DFC a ser seguido pelos contadores das empresas. A lei apenas determina, no inciso I do art. 188, que a DFC deve indicar as alterações que acontecem no decorrer do exercício social em relação ao saldo de caixa e equivalentes de caixa, separados em três fluxos: das operações, dos financiamentos e dos investimentos. Equivalentes de caixa são aplicações financeiras de curto prazo, de alta li- quidez, que são prontamente conversíveis em um montante conhecido de caixa e que estão sujeitas a um insignificante risco de mudança de valor. Eugenio Montoto Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 99 CLASSIFICAÇÃO DAS ENTRADAS E SAÍDAS DE CAIXA POR ATIVIDADES A Lei n. 6.404/76, no inciso I do art. 188, estabelece, em concordância com a NBC TG 03 (R3), que as transações relativas às entradas e saídas sejam selecio- nadas em três grupos de atividades: Atividades operacionais são as principais atividades geradoras de re- ceita da entidade e outras atividades que não são de investimento e tampouco de financiamento. Atividades de investimento são as referentes à aquisição e à venda de ativos de longo prazo e de outros investimentos não incluídos nos equi- valentes de caixa. Atividades de financiamento são aquelas que resultam em mudanças no tamanho e na composição do capital próprio e no capital de tercei- ros da entidade (BRASIL, Lei n. 6.404/76). A seguir, será explicada as transações que devem integrar a DFC para um melhor entendimento. Atividades operacionais Conforme a NBC TG 03 (R3), no item 14, existem alguns exemplos em rela- ção às atividades operacionais que compõem o fluxo de caixa, que são: os recebimentos de caixa pela venda de mercadorias e pela prestação de servi- ços; os recebimentos de caixa decorrentes de royalties, honorários, comissões e outras receitas; os pagamentos de caixa a fornecedores de mercadorias e ser- viços; e outros. Em conformidade com o CPC 03 (R2), todos os tipos de empresas devem elaborar a DFC, assim, essa determinação está nos itens 1 e 3 a seguir: 1. A entidade deve preparar um demonstração dos fluxos de caixa de acordo com os requisitos deste Pronunciamento Técnico e deve apresentá-la como parte integrante das suas demonstrações contá- beis apresentada ao final de cada período. 2. [...] 3. [...] Assim sendo, este Pronunciamento Técnico requer que todas as entidades apresentem uma demonstração dos fluxos de caixa (CO- MITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 2010, on-line)1. CONCEITO DE CAIXA E EQUIVALENTE DE CAIXA De acordo com o item 6 da NBC TG 03 (R3), a conta caixa representa os nume- rários em espécie e também os depósitos bancários disponíveis. Para Ribeiro (2013, p. 393), o conceito de equivalentes de caixa é: Equivalentes de caixa são aplicações financeiras de curto prazo, de alta liquidez, que são prontamente conversíveis em montante conhecido de caixa e que estão sujeitas a um insignificante risco de mudança de valor. Fluxos de caixa são as entradas e saídas de caixa e equivalentes de caixa. Portanto, em relação à DFC, o caixa abrange todas as disponibilidades da organiza- ção envolvendo as contas: Caixa (dinheiro em espécie), Bancos conta Movimento (dinheiro em poder do bancos comerciais) e Aplicações Financeiras de Liquidez Imediata (dinheiro investido em aplicações de altíssima liquidez com vencimento em três meses). Logo, as contas citadas anteriormente são componentes do Ativo, que integram o grupo do Circulante no Balanço Patrimonial. ESTRUTURA DA DFC De acordo com a Lei n. 6.404/76, não existe um modelo de DFC a ser seguido pelos contadores das empresas. A lei apenas determina, no inciso I do art. 188, que a DFC deve indicar as alterações que acontecem no decorrer do exercício social em relação ao saldo de caixa e equivalentes de caixa, separados em três fluxos: das operações, dos financiamentos e dos investimentos. Equivalentes de caixa são aplicações financeiras de curto prazo, de alta li- quidez, que são prontamente conversíveis em um montante conhecido de caixa e que estão sujeitas a um insignificante risco de mudança de valor. Eugenio Montoto DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA (DFC) Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E100 Atividades de investimento De acordo com a NBC TG 03 (R3), em conformidade com o item 14, exis- tem alguns casos de fluxos de caixa advindos das atividades de investimento, que são: pagamento em caixa para aquisição de Ativo Imobilizado, Intangível e Ativos de longo prazo; e os recebimentos de caixa resultantes da venda de Ativo Imobilizado, Intangíveis e outros ativos de longo prazo. Atividades de financiamento Segundo a NBC TG 03 (R3), no item 7, seguem alguns exemplos de atividades de financiamento no fluxo de caixa, que são: caixa recebido pela emissão de ações ou outros instrumentos patrimoniais; pagamento em caixa a investidores para adquirir ou resgatar ações da entidade; caixa recebido pela emissão de debêntu- res, empréstimos, notas promissórias, outros títulos de dívida, hipotecas e outros empréstimos de curto e longo prazo. TRANSAÇÕES QUE NÃO DEVEM INTEGRAR A DFC Segundo Ribeiro (2013, p. 396), “sendo o objetivo da DFC apresentar as transa- ções que correspondem a entradas e saídas de recursos financeiros na empresa, obviamente, aquelas transações que não movimentam dinheiro não devem inte- grá-la”. Neste sentido, o item 44 da NBC TG 03 (R3) discorre sobre as atividades de financiamentos e investimentos que não causam impacto sobre os fluxos de caixa corrente e não afetam a estrutura de capital e os ativos da empresa. Assim, seguem alguns exemplos dessas situações: ■ aquisição de Ativos quer seja assunção direta do Passivo respectivo, querseja por meio de arrendamento financeiro; ■ a aquisição de entidade por meio de emissão de instrumentos patrimoniais; ■ a conversão de dívida em instrumentos patrimoniais e etc. Métodos de Estruturação da DFC Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 101 MÉTODOS DE ESTRUTURAÇÃO DA DFC Conforme mencionado anteriormente, existem dois métodos para a estrutura- ção da DFC, a saber, o método direto e indireto. MÉTODO INDIRETO Segundo Ribeiro (2013, p. 397), “[...] também denominado Método da Reconciliação, os recursos derivados das atividades operacionais são demons- trados a partir do Resultado do Exercício antes das deduções - CSLL e IR sobre o Lucro Líquido”. Logo, o método indireto ajusta as adições das despesas e exclui as receitas reconhecidas na apuração do resultado, que não alteram o caixa da organização e que não representam as saídas e entradas de dinheiro. Além dessas situações, também há a exclusão das receitas consideradas no exercício e recebi- das no exercício anterior; a adição das receitas recebidas antecipadamente que não forem consideradas na apuração de resultados, entre outras considerações. DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA (DFC) Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E102 O método considera os ajustes e as variações positivas ou negativas que acon- tecem no período, nos itens do estoque e nas contas operacionais a receber e a pagar em função dessas operações não representarem despesas e nem receitas porque não foram incluídas na apuração do resultado do exercício. De acordo com o item 20 da NBC TG 03 (R3), seguem algumas considerações: De acordo com o método indireto, o fluxo de caixa líquido advindo das atividades operacionais é determinado ajustando o lucro líquido ou prejuízo quanto aos efeitos de: a) variações ocorridas no período nos estoques e nas contas opera- cionais a receber e a pagar; b) itens que não afetam o caixa, tais como depreciação, provisões, tri- butos diferidos, ganhos e perdas cambiais não realizados e resulta- do de equivalência patrimonial quando aplicável; e c) todos os outros itens tratados como fluxos de caixa advindos das atividades de investimento e de financiamento. Alternativamente, o fluxo de caixa líquido advindo das atividades ope- racionais pode ser apresentado pelo método indireto, mostrando-se as receitas e as despesas divulgadas na demonstração do resultado ou resultado abrangente e as variações ocorridas no período nos estoques e nas contas operacionais a receber e a pagar (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, 2016, on-line). Métodos de Estruturação da DFC Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 103 Modelo de DFC pelo método indireto Por fim, segue, no Quadro 1, um modelo de estrutura de DFC pelo método indi- reto que pode ser utilizado para fins contábeis: Quadro 1 - Modelo de DFC indireto DESCRIÇÃO EXERCÍCIO ATUAL R$ ANTERIOR R$ 1. FLUXOS DE CAIXA DAS ATIVIDADES OPERACIONAIS Resultado do Exercício antes do IR e da CSLL Ajuste por: (+) Depreciação, amortização etc. (+/-) Resultado na venda de Ativos Não Circulantes (+/-) Equivalência patrimonial Variações nos Ativos e Passivos (Aumento) Redução em Clientes (Aumento) Redução em contas a receber (Aumento) Redução dos estoques Aumento (Redução) em Fornecedores Aumento (Redução) em Contas a Pagar Aumento (Redução) no IR e na CSl (=) Disponibilidades líquidas geradas pelas (aplicadas nas) ativida- des operacionais 2. FLUXOS DE CAIXA DAS ATIVIDADES DE INVESTIMENTO (-) Compras de Investimentos (-) Compras do Imobilizado (-) Compras do Intangível (+) Recebimento por vendas de Investimentos (+) Recebimento por vendas do Imobilizado (+) Recebimento por vendas do Intangível (+) Recebimento de dividendos (=) Disponibilidades líquidas geradas pelas aplicadas nas) ativida- des de investimento 3. FLUXO DE CAIXA DAS ATIVIDADES DE FINANCIAMENTO (+) Integralização de capital (+) Empréstimos tomados (-) Pagamento de dividendos (-) Pagamento de Empréstimos (=) Disponibilidades líquidas geradas pelas (aplicadas nas) ativida- des de financiamento 4. AUMENTO (REDUÇÃO) NAS DISPONIBILIDADES (1+/-2+/-3) 5. DISPONIBILIDADES NO INÍCIO DO PERÍODO 6. DISPONIBILIDADES NO FINAL DO PERÍODO (4+/-5) Fonte: Ribeiro (2013, p. 398). DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA (DFC) Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E104 MÉTODO DIRETO A DFC, pelo método direto, é parecida com a DFC pelo método indireto. Porém, os dois métodos são diferentes na apresentação das atividades operacionais. Assim, pelo método direto, os recursos derivados das operações são indicados a partir dos recebimentos e pagamentos decorrentes das operações normais no decorrer do período. Neste contexto, a NBC TG 03 (R3), no item 18, afirma que as atividades operacionais são apresentadas por intermédio das principais clas- ses de recebimentos brutos e pagamentos brutos. Modelo de DFC pelo método direto A seguir, será apresentado um modelo de estrutura de DFC pelo método direto na visão de Ribeiro (2013): Métodos de Estruturação da DFC Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 105 Quadro 2 - Modelo de DFC direto DESCRIÇÃO EXERCÍCIO ATUAL R$ ANTERIOR R$ 1. FLUXOS DE CAIXA DAS ATIVIDADES OPERACIONAIS Valores recebidos de clientes Valores pagos a fornecedores e empregados Imposto de renda e contribuição social pagos Pagamento de contingências Recebimento por reembolso de seguros Recebimentos de lucros e dividendos de subsidiárias Outros recebimentos (pagamentos) líquidos (=) Disponibilidades líquidas geradas pelas (aplicadas nas) ativi- dades operacionais 2. FLUXOS DE CAIXA DAS ATIVIDADES DE INVESTIMENTO (-) Compras de Investimentos (-) Compras do Imobilizado (-) Compras do Intangível (+) Recebimento por vendas de Investimentos (+) Recebimento por vendas do Imobilizado (+) Recebimento por vendas do Intangível (+) Recebimento de dividendos (=) Disponibilidades líquidas geradas pelas aplicadas nas) ativi- dades de investimento 3. FLUXO DE CAIXA DAS ATIVIDADES DE FINANCIAMENTO (+) Integralização de capital (+) Empréstimos tomados (-) Pagamento de dividendos (-) Pagamento de Empréstimos (=) Disponibilidades líquidas geradas pelas (aplicadas nas) ativi- dades de financiamento 4. AUMENTO (REDUÇÃO) NAS DISPONIBILIDADES (1+/-2+/-3) 5. DISPONIBILIDADES NO INÍCIO DO PERÍODO 6. DISPONIBILIDADES NO FINAL DO PERÍODO (4+/-5) Fonte: Ribeiro (2013, p. 399). DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA (DFC) Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E106 Caro(a) acadêmico(a), de acordo com o que foi apresentado, pode-se perceber a importância da DFC para as organizações em virtude das informações em torno das modificações que acontecem no caixa. Porém, vale ressaltar que caixa na DFC representa o saldo da conta caixa, banco e aplicações de liquidez imediata. Vantagens e desvantagens dos métodos direto e indireto para a confecção da Demonstração dos Fluxos de Caixa (IAS 7) A reportagem aborda as vantagens e desvantagens dos dois métodos per- mitidos para a elaboração da DFC: método indireto e o direto. O método direto é aquele segundo o qual as principais classes de recebi- mentos e pagamentos brutos são divulgadas. O método indireto é aquele segundo o qual o lucro líquido ou prejuízo é ajustado pelos efeitos. Para saber mais, acesse: <http://ifrsbrasil.com/demonstracoes-contabeis/apresentacao/vantagens- -e-desvantagens-dos-metodos-direto-e-indireto-para-a-confeccao-da-de- monstracao-dos-fluxos-de-caixa-ias-7>. Fonte: IFRSBRASIL (2012, on-line)2. Considerações Finais Re prod uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 107 CONSIDERAÇÕES FINAIS Para melhor compreensão dos assuntos que abordamos nesta unidade, vamos relembrar alguns aspectos em torno da Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC), que é um dos relatórios de maior relevância em torno dos recursos sobre o dinheiro disponível das organizações. No decorrer da unidade, vimos o conceito que envolve a Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC), que visa evidenciar as operações que acontecem e que modificam os saldos de caixa e equivalentes de caixa (banco e contas de aplica- ções financeiras de liquidez imediata). Neste aspecto, evidencia as origens das modificações no saldo do caixa das entidades. Contudo, caixa é o saldo da pró- pria conta caixa mais a soma dos saldos da conta banco e contas de aplicações financeiras de liquidez imediata. Logo, também apresenta quais foram as causas que levaram às modificações da conta caixa em função das atividades princi- pais das organizações. Neste contexto, este relatório não é obrigatório para todas as sociedades por ações. Porém, uma empresa que tenha o seu patrimônio líquido menor que R$ 2.000.000 na data do fechamento do balanço patrimonial fica desobrigada da entrega e da publicação deste relatório. Assim, a NBC TG 03 (R3), no item 6, define que a conta caixa identifica os numerários em espécie e os depósitos bancários disponíveis para as entidades. Neste sentido, o caixa engloba todas as disponibilidades, que são: Caixa, Bancos conta Movimento e Aplicações Financeiras de Liquidez Imediata. Enfim, houve apresentação da estrutura e do processo de elaboração da DFC e também verificamos a classificação das entradas e saídas de caixa de acordo com as atividades operacionais, investimentos e financiamentos. Além disso, apresen- tamos os métodos e elaboração da DFC, que são indireto e direto. Até a próxima unidade. 108 1. A contabilidade utiliza algumas técnicas para alcançar os seus objetivos. Assina- le a alternativa que representa essas técnicas. a) Perícia, auditoria, demonstrações contábeis e livro diário. b) Livro diário, razão, balancete de verificação e balanço patrimonial. c) Escrituração, demonstrações contábeis, auditoria e análise das demonstra- ções. d) Balanço patrimonial, DRE, DMPL e DOAR. e) Escrituração, perícia, auditoria e análise das demonstrações. 2. Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período prove- niente das atividades de uma entidade que resultam no aumento do seu patri- mônio líquido. Assinale alternativa que representa transações geradoras de receita. a) Impostos, prestação de serviços, juros e despesas. b) Juros, venda de bens, royalties e prejuízo. c) Venda de imobilizado, juros, prestação de serviços e impostos. d) Venda de sucata, juros pagos, aluguéis e prestação de serviços. e) Venda de bens, prestação de serviços, juros, royalties e dividendos. 3. De acordo com a finalidade da demonstração do fluxos de caixa, assinale o ob- jetivo dessa demonstração aos seus usuários. a) Apresentar as modificações ocorridas no banco de uma organização durante o ano comercial. b) Apresentar as modificações somente da conta caixa em um determinado pe- ríodo. c) Apresentar as modificações apenas da conta banco referente ao exercício social. d) Apresentar as modificações ocorridas no caixa de uma organização durante o exercício social. e) Apresentar as modificações que acontecem nas aplicações financeiras de um determinado período. 109 4. A DFC passou a ser exigida pela Lei n. 6.404/76 no art. 176. Assim, em relação a Demonstração dos Fluxos de Caixa, é correto afirmar que: a) É um relatório contábil que tem por fim evidenciar as transações ocorridas em um determinado período e que provocaram modificações no saldo da conta caixa. b) É um relatório contábil destinado a evidenciar a composição do resultado formado em determinado período de operações da entidade. c) É um relatório contábil para evidenciar o patrimônio líquido de um deter- minado período que deve ser estruturado observando as normas para sua elaboração. d) É um relatório contábil que visa a evidenciar as variações ocorridas em todas as contas que compõem o patrimônio líquido em um determinado período. e) É um relatório que não é obrigatório porque não evidencia as mutações do patrimônio líquido da empresa. 5. De acordo com a Lei das Sociedades por Ações, é determinada a elaboração das demonstrações financeiras ao fim de cada exercício social. Assinale alternativa que identifica as demonstrações financeiras exigidas por lei. a) Balanço Patrimonial, Demonstração dos Lucros, Demonstração do Resultado e Livro-diário. b) Livro Diário, Livro-razão e Balancete de Verificação em quatro colunas. c) Balanço Patrimonial, Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados, Demonstração do Resultado e Demonstração dos Fluxos de Caixa. d) Livro-diário, Livro-razão ou Razonetes e Balancete de Verificação em duas colunas. e) Balanço Patrimonial, Demonstração dos Fluxos de Caixa, Demonstração da Mutação do Patrimônio Líquido e Livro-diário. 110 DFC - DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA A Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) indica quais foram as saídas e entradas de dinheiro no caixa durante o período e o resultado desse fluxo. Assim como a Demonstração de Resultados de Exercícios, a DFC é uma demonstração dinâmica e deve ser incluída no balanço patrimonial. A DFC passou a ser de apresentação obri- gatória para todas as sociedades de capital aberto ou com patrimônio líquido superior a R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais). Esta obrigatoriedade vigora desde 01/01/2008, por força da Lei 11.638/2007, e, desta forma, torna-se mais um impor- tante relatório para a tomada de decisões gerenciais. A Deliberação CVM 547/2008 aprovou o Pronunciamento Técnico CPC 03, que trata da Demonstração do Fluxo de Caixa. Para as Pequenas e Médias Empresas (PMEs), a DFC também é de elaboração obrigatória, conforme item 3.17 (e) da NBC TG 1000. Portanto, independentemente do tipo societário adotado, as entidades devem apresentar o referido demonstra- tivo pelo menos anualmente, por ocasião da elaboração das demonstrações finan- ceiras (“balanço”). APRESENTAÇÃO DO RELATÓRIO DE FLUXO DE CAIXA Seguindo as tendências internacionais, o fluxo de caixa pode ser incorporado às demonstrações contábeis tradicionalmente publicadas pelas empresas. Basicamente, o relatório de fluxo de caixa deve ser segmen- tado em três grandes áreas: I. Atividades Operacionais; II. Atividades de Investimento; III. Atividades de Financiamento. As Atividades Operacionais são explica- das pelas receitas e gastos decorrentes da industrialização, comercialização ou prestação de serviços da empresa. Estas atividades têm ligação com o capital cir- culante líquido da empresa. As Atividades de Investimento são os gas- tos efetuados no Realizável a Longo Prazo, em Investimentos, no Imobilizado ou no Intangível, bem como as entradas por venda dos ativos registrados nos referidos subgrupos de contas. As Atividades de Financiamento são os recursos obtidos do Passivo Não Circulante e do Patrimônio Líquido. Devem ser incluí- dos aqui os empréstimos e financiamentos de curto prazo. As saídas correspondem à amortização dessas dívidas e os valores pagos aos acionistas a título de dividen- dos, distribuição de lucros. Fonte: Portal de Contabilidade ([2017], on-line)3. http://www.portaldecontabilidade.com.br/nbc/NBC-TG-1000.htm http://www.portaldecontabilidade.com.br/nbc/NBC-TG-1000.htm http://www.portaldecontabilidade.com.br/nbc/NBC-TG-1000.htm http://www.portaldecontabilidade.com.br/nbc/NBC-TG-1000.htm Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Normas e Práticas Contábeis. Uma Introdução José Carlos Marion; Renato M. Porto Rei. Editora: Atlas Sinopse: a elaboração deste livro representa uma contribuição concreta para a classecontábil pelo fato de ser uma publicação que surge na academia, que tão de perto tem participado neste novo modelo contábil, em que a contabilidade brasileira está sendo globalizada em convergência com as Normas Internacionais de Contabilidade (IFRS). Os textos desta coletânea foram elaborados por alunos do mestrado em Contabilidade da PUC-SP, integrado por coordenadores de cursos de contabilidade, professores, auditores (e até gerentes e sócios de empresas de auditoria), empresários contábeis, executivos, controllers, contadores participantes de órgãos de classe, escritores contábeis e profissionais de diversos estados do Brasil. REFERÊNCIASREFERÊNCIAS BRASIL. Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Brasília: Presidência da república, 1976. Disponível em: <http://www.planal- to.gov.br/ccivil_03/leis/L6404consol.htm>. Acesso em: 11 set. 2017. COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. CPC 26 (R3) - Apresentação das De- monstrações Contábeis. Disponível em: <http://www.cpc.org.br/CPC/Documen- tos-Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=57>. Acesso em: 11 set. 2017. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Normas brasileiras de contabilidade: NBC TG - geral - normas completas, NBC TG – estrutura conceitual e NBC TG 01 a 40 (exceto 34 e 42). Brasília: Conselho Federal de Contabilidade, 2011. Disponível em: <http://portalcfc.org.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/04/NBC_TG_COM- PLETAS03.2013.pdf>. Acesso em: 11 set. 2017. MONTOTO, Eugenio. Contabilidade geral esquematizado. São Paulo: Saraiva, 2011. RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade básica fácil. 28. ed. São Paulo: Saraiva, 2012. ______. Contabilidade comercial fácil. 18. ed. São Paulo: Saraiva, 2013. REFERÊNCIAS ON-LINE 1Em: <http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-Emitidos/Pronunciamentos/Pro- nunciamento?Id=57>. Acesso em: 11 set. 2017. 2Em: <http://ifrsbrasil.com/demonstracoes-contabeis/apresentacao/vantagens-e- -desvantagens-dos-metodos-direto-e-indireto-para-a-confeccao-da-demonstra- cao-dos-fluxos-de-caixa-ias-7>. Acesso em: 11 set. 2017. 3Em: <http://www.portaldecontabilidade.com.br/tematicas/ademonstracaodosflu- xos.htm>. Acesso: 11 set. 2017. 112 GABARITO 113 1. c 2. e 3. d 4. a 5. c GABARITOGABARITO U N ID A D E V Professora Me. Tatiane Garcia da Silva Santos DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO (DVA) E NOTAS EXPLICATIVAS Objetivos de Aprendizagem ■ Apresentar a Demonstração do Valor Adicionado (DVA). ■ Conhecer a elaboração da DVA. ■ Conhecer a estrutura da DVA. ■ Verificar o modelo de DVA. ■ Conhecer o conceito de Notas Explicativas. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Demonstração do Valor Adicionado (DVA) ■ Notas Explicativas INTRODUÇÃO Olá aluno(a), conforme estudamos anteriormente sobre os assuntos da Demonstrações Financeiras/Contábeis, iremos abordar agora o último relató- rio da contabilidade denominado Demonstração do Valor Adicionado (DVA). Em seguida, a complementação das informações em volta das demonstrações contábeis com base na contextualização sobre as Notas Explicativas. Diante disso, a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) é um relatório que demonstra quantos recursos uma empresa produz em um exercício social. Assim, verificar o quanto foi adicionado de valor aos seus fatores de produção, quanto e de que forma essa riqueza foi gerada e distribuída entre os funcionários, governo, acionistas, entre outros. Neste contexto, o valor adicionado representa o negócio em torno da venda de mercadorias, ou seja, é o cálculo da diferença entre o valor da venda e o custo da mercadoria vendida. Dessa forma, a DVA é elaborada a partir dos dados da DR, assim, a receita a ser considerada nesse relatório vem da receita bruta com impostos, considerando as deduções e adi- ções conforme a estrutura da DR. Com base na alteração da Lei n. 6.404/76, em seu art. 176, inciso V, e revista pela Lei n. 11.638/07, essa demonstração tornou-se obrigatória somente para as sociedades por ações de capital aberto. Logo, as informações necessárias para construção da DVA são retiradas das contas de resultado (DRE) e também das contas patrimoniais (Balanço Patrimonial). Desta forma, vamos contextualizar a elaboração, estrutura e modelo da DVA. Por fim, explanaremos sobre as Notas Explicativas que são regidas pela NBC TG 26 (R4), no itens 112 a 116. Assim, as notas explicativas complementam as informações a respeito dos dados sobre as demonstrações contábeis, que são apresentadas após a publicação das demonstrações contábeis. Abraços! Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 117 DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO (DVA) E NOTAS EXPLICATIVAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E118 DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO (DVA) A Demonstração do Valor Adicionado (DVA) é uma demonstração que eviden- cia quantos recursos uma entidade produziu em um determinado período. Ou melhor, o quanto foi adicionado de valor aos seus fatores de produção, quanto e de que maneira a riqueza gerada foi distribuída entre os funcionários, governo, acio- nistas entre outros, assim como em relação à parcela da riqueza não distribuída. Em conformidade com a Lei n. 6.404/76, no art. 188, em seu inciso II, a DVA é: II. demonstração do valor adicionado - o valor da riqueza gerada pela companhia, a sua distribuição entre os elementos que contribuí- ram para a geração dessa riqueza, tais como empregados, financia- dores, acionistas, governo e outros, bem como a parcela da riqueza não distribuída. (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) (BRA- SIL, Lei n. 6.404/76). Contudo, a partir da alteração da Lei n. 6.404/76, em seu art. 176, inciso V, e revista pela Lei n. 11.638/07, a DVA passou a ser obrigatória no Brasil somente para as sociedades por ações de capital aberto. Desse modo, no CPC 09 foram estipula- dos todos os critérios para elaboração da DVA, bem como as entidades que devem apresentar esse relatório. Segue um trecho do CPC 09 sobre essas determinações: Demonstração do Valor Adicionado (DVA) Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 119 A entidade, sob forma jurídica de sociedade por ações, com capital aberto, e outras entidades que a lei assim estabelecer, devem elaborar a DVA e apresentá-la com parte das demonstrações contábeis divulgadas ao final de cada exercício social. É recomendado, entretanto, a sua ela- boração por todas as entidades que divulgam demonstrações contábeis (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 2008). A DVA tem como objetivo apresentar a origem da riqueza formada pela entidade, ou seja, de que forma essa riqueza foi distribuída entre as diversas áreas que con- tribuíram para a sua geração. Dessa forma, para Ribeiro (2013, p. 403), “o valor adicionado que é demonstrado na DVA representa a riqueza criada pela empresa, de forma geral medida pela diferença entre o valor das vendas e os insumos adqui- ridos de terceiros”. Neste contexto, é incluído o valor adicionado recebido em transferência, ou seja, gerado por terceiros e transferido para empresa. Contudo, para melhor entendimento, segue um exemplo na visão de Ribeiro (2013, p. 403): [...] consideramos que uma determinada unidade de mercadoria, ad- quirida do fornecedor por R$ 20, tenha sido vendida pela empresa co- mercial por R$ 30. Nesse caso, o valor adicionado pela empresa comer- cial corresponde a R$ 10 (R$ 30 - R$ 20). Note bem, embora a receita bruta de vendas dessa empresa comercial tenha sido de R$ 30, ela agregou à economia do país apenas R$ 10, uma vez que os outros R$ 20 representam riquezas geradas por empresas integrantes da cadeia produtiva, porém em outras etapas (agricultura, indústria, comércio atacadistae serviços). O valor adicionado de R$ 10, portanto, corresponde à remuneração dos esforços que a empresa despendeu no desenvolvimento de suas atividades. Entre esses esforços, incluem-se os financiadores (fonte de mão de obra), os investidores (fonte de Capital próprio), os financia- dores (fonte de capitais de terceiros) e o governo, que será remunerado por meio dos impostos como contrapartida dos benefícios sociais que oferece a toda a sociedade, inclusive às empresas. Portanto, o valor adicionado de cada entidade significa o quanto a empresa aju- dou na formação do PIB - Produto Interno Bruto - de um país. Isto é, o PIB é indicador de atividade econômica de uma área, sendo a soma de todos os bens e serviços finais produzidos em uma determinada região referente a um período estipulado. Assim, os investidores e outros usuários que usam a DVA têm como objetivo a promoção do conhecimento partir dos dados de natureza econômica e social, com a finalidade de contribuir com a melhoria de avaliação das opera- ções das empresas que estão inseridas no mercado. DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO (DVA) E NOTAS EXPLICATIVAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E120 ELABORAÇÃO DA DVA As informações necessárias para construção da DVA são retiradas das contas de resultado (DRE) e também das contas patrimoniais (Balanço Patrimonial), ou seja, as contas de resultado usadas por esse relatório são as despesas, os custos e as receitas com base no princípio da competência. Assim, as contas patrimoniais que são utilizadas na DVA são as contas de participação de terceiros, tais como tributos sobre o lucro líquido, debenturistas, empregados e administradores. Dessa forma, na elaboração da DVA, o contador deve usar os dados que constam no livro-razão. ESTRUTURA DA DVA Em conformidade com a Lei n. 6.404/76, em seu art. 188, as informações neces- sárias para construção da DVA são: o valor da riqueza gerada pela companhia; a sua distribuição entre os elementos que contribuíram para a geração dessa riqueza, tais como empregados, financiadores, acionistas, governo e outros; e a parcela da riqueza não distribuída. MODELO DA DVA Enfim, segue um modelo de estrutura da DVA que pode ser utilizada para evi- denciar a riqueza gerada pela entidade na visão de Ribeiro (2013, p. 406): A receita bruta na DVA é o valor que a empresa fatura incluindo todos os impostos de venda (IPI, ICMS, PIS e COFINS), deduzindo as devoluções, aba- timentos [...]. Eugenio Montoto Demonstração do Valor Adicionado (DVA) Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 121 Quadro 1 - Modelo de DVA DESCRIÇÃO EXERCÍCIO ATUAL R$ ANTERIOR R$ 1. RECEITAS (1.1 a 1.4) 1.1 Vendas de mercadorias, produtos e serviços 1.2 Outras receitas 1.3 Receitas relativas à construção de ativos próprios 1.4 Provisão para créditos de liquidação duvidosa - Reversão/(Constituição) 2. INSUMOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS (inclui tributos: ICMS, IPI, PIS e COFINS) (2.1 a 2.4) 2.1 Custos dos produtos, das mercadorias e dos serviços vendidos 2.2 Materiais, energia, serviços de terceiros e outros 2.3 Perda/Recuperação de valores ativos 2.4 Outras (especificar) 3. VALOR ADICIONADO BRUTO (1 - 2) 4. DEPRECIAÇÃO, AMORTIZAÇÃO E EXAUSTÃO 5. VALOR ADICIONADO LÍQUIDO PRODUZIDO PELA ENTIDADE (3 - 4) 6. VALOR ADICIONADO RECEBIDO EM TRANSFERÊNCIA (6.1 a 6.3) 6.1 Resultado de equivalência patrimonial 6.2 Receitas financeiras 6.3 Outras 7. VALOR ADICIONADO TOTAL A DISTRIBUIR (5 + 6) 8. DISTRIBUIÇÃO DO VALOR ADICIONADO (8.1 a 8.6) 8.1 Pessoal (8.1.1 a 8.1.3) 8.1.1 Remuneração direta 8.1.2 Benefícios 8.1.3 FGTS 8.2 Impostos, taxas e contribuições (8.2.1 a 8.2.3) 8.2.1 Federais 8.2.2 Estaduais 8.2.3 Municipais 8.3 Remuneração de capitais de terceiros (8.3.1 a 8.3.3) 8.3.1 Juros 8.3.2 Aluguéis 8.3.3 Outras 8.4 Remuneração de capitais próprios (8.4.1 e 8.4.2) 8.4.1 Juros sobre o Capital próprio 8.4.2 Dividendos 8.5 Lucros retidos/Prejuízo do exercício 8.6 Participação dos não controladores nos lucros retidos (Só para consolidação) Fonte: Ribeiro (2013, p. 406). DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO (DVA) E NOTAS EXPLICATIVAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E122 NOTAS EXPLICATIVAS As Notas Explicativas são explicações que complementam as Demonstrações Financeiras, ou seja, são informações a respeito de composição dos saldos das contas contábeis, métodos de depreciação, entre outros critérios usados pela contabilidade para avaliação patrimonial. Neste contexto, as notas explicativas ajudam no processo de interpretação dos dados das demonstrações contábeis. Portanto, as notas explicativas devem ser alocadas logo após a apresentação das demonstrações contábeis. Sendo assim, na NBC TG 26 (R4), no itens 112 a 116, as notas explicativas devem ter a seguinte estrutura: 112. As notas explicativas devem: a) apresentar informação acerca da base para a elaboração das de- monstrações contábeis e das políticas contábeis específicas utiliza- das de acordo com os itens 117 a 124; b) divulgar a informação requerida pelas normas, interpretações e comunicados técnicos que não tenha sido apresentada nas de- monstrações contábeis; e c) prover informação adicional que não tenha sido apresentada nas demonstrações contábeis, mas que seja relevante para sua com- preensão. Notas Explicativas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 123 113. As notas devem ser apresentadas, tanto quanto seja praticável, de forma sistemática. Cada item das demonstrações contábeis deve ter re- ferência cruzada com a respectiva informação apresentada nas notas explicativas. 114. As notas explicativas são normalmente apresentadas pela ordem a seguir, no sentido de auxiliar os usuários a compreender as demonstra- ções contábeis e a compará-las com demonstrações contábeis de outras entidades: a) declaração de conformidade com as normas, interpretações e co- municados técnicos do CFC (ver item 16); b) resumo das políticas contábeis significativas aplicadas (ver item 117); c) informação de suporte de itens apresentados nas demonstrações contábeis pela ordem em que cada demonstração e cada rubrica sejam apresentadas; e d) outras divulgações, incluindo: i) passivos contingentes (ver NBC TG 25 – Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes) e compromissos contra- tuais não reconhecidos; e ii) divulgações não financeiras, por exemplo, os objetivos e polí- ticas de gestão do risco financeiro da entidade (ver NBC TG 40 – Instrumentos Financeiros: Evidenciação). 115. Em algumas circunstâncias, pode ser necessário ou desejável alte- rar a ordem de determinados itens nas notas explicativas. Por exemplo, a informação sobre variações no valor justo reconhecidas no resultado pode ser divulgada juntamente com a informação sobre vencimentos de instrumentos financeiros, embora a primeira se relacione com a de- monstração do resultado e a última se relacione com o balanço patri- monial. Contudo, até onde praticável, deve ser mantida uma estrutura sistemática das notas. 116. As notas explicativas que proporcionam informação acerca da base para a elaboração das demonstrações contábeis e as políticas con- tábeis específicas podem ser apresentadas como seção separada das de- monstrações contábeis. DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO (DVA) E NOTAS EXPLICATIVAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E124 Caro(a) aluno(a), finalizamos a abordagem sobre as demonstrações financeiras com a DVA - Demonstração do Valor Adicionado. Neste contexto, buscou-se apresentar todos os relatórios que devem ser emitidos pela contabilidade em conformidade com a legislação vigente. Espero que vocêtenha assimilado essas informações que serão muito úteis na sua vida profissional. Sucesso! Casos especiais - alguns exemplos Depreciação de itens reavaliados ou avaliados ao valor justo (fair value). 16. A avaliação e a reavaliação de ativos ao seu valor justo provocam altera- ções na estrutura patrimonial da empresa e, por isso, normalmente reque- rem o registro contábil dos seus efeitos tributários. 17. Os resultados da empresa são afetados sempre que houver a realização dos respectivos ativos reavaliados ou avaliados ao valor justo. Quando a rea- lização de determinado ativo ocorrer pelo processo normal de depreciação, por consequência, a DVA também é afetada. Assim, no momento da realiza- ção da reavaliação ou da avaliação ao valor justo, deve-se incluir esse valor como “outras receitas” na DVA, bem como se reconhecem os respectivos tri- butos na linha própria de impostos, taxas e contribuições. Veja mais em: <http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-Emitidos/Pronun- ciamentos/Pronunciamento?Id=40>. Fonte: CPC ([2017], on-line)1. Considerações Finais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 125 CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta unidade, foi abordado a última demonstração financeira elaborada pela contabilidade, chamada de Demonstração do Valor Adicionado (DVA). Neste contexto, houve a necessidade de apresentar o conceito de Notas Explicativas em função da relevância das informações geradas por meio delas. Diante disto, a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) é uma demonstra- ção que visa evidenciar quantos recursos uma entidade produz em determinado período. Logo, também observa o quanto foi adicionado de valor aos seus fatores de produção, quanto e de que maneira a riqueza foi gerada e alocada aos seto- res envolvidos. Portanto, o valor adicionado significa a negociação em torno da venda de mercadorias, ou seja, o cálculo da diferença entre o valor da venda e o custo da mercadoria vendida. Assim, a DVA é desenvolvida com os dados da Demonstração de Resultado, em que a receita considera a receita bruta com impostos, incluindo as deduções e adições de acordo com a estrutura da DR. Portanto, a Lei n. 6.404/76, em seu art. 176, inciso V, e a Lei n. 11.638/07 determinam que essa demonstração é obrigatória para as sociedades por ações de capital aberto. Assim, os dados para a construção da DVA são retirados a partir das contas de resultado (DRE) e as contas patrimoniais (Balanço Patrimonial). Tal como para o fechamento da DVA houve a contextualização da elaboração, estrutura e modelo deste relatório. Finalizando a unidade, abordamos as Notas Explicativas, que têm o objetivo de complementar as informações em volta das demonstrações contábeis, em que apresentam dados complementares a respeito dos relatórios contábeis. Assim, as Notas Explicativas devem ser usadas para enriquecer o conjunto das informações que são extraídas por meio dos relatórios contábeis emitidos pela contabilidade. Abraços e sucesso! 126 1. De acordo com os conteúdos que foram abordados em torno das informações relevantes vindas da contabilidade, discorra sobre o conceito e importância das Notas Explicativas. 2. Faça um comentário sobre o conceito e aplicação da DVA para as empresas. 3. A entidade sob forma jurídica de sociedade por ações, com capital aberto, e outras entidades que a lei estabelece devem elaborar a DVA. Em relação a De- monstração do Valor Adicionado, é correto afirmar que: a) O valor adicionado é calculado pela simples diferença entre o valor da venda e o custo da mercadoria vendida. b) O valor adicionado é calculado pela diferença entre o valor da compra e o custo da mercadoria comprada. c) O valor adicionado é a diferença entre as despesas e receitas referentes a um determinado período. d) O valor adicionado representa a diferença entre o ativo e o passivo. e) O valor adicionado é a diferença entre o valor do bem do imobilizado menos os valores da depreciação incorrida no mês. 4. A análise das demonstrações financeiras representa um dos ramos da Contabili- dade. Neste sentido, assinale a alternativa correta que representa a função da análise das demonstrações financeiras. a) Consiste em verificar se os saldos das demonstrações contábeis estão corre- tos. b) Consiste em verificar a escrituração do livro diário e demais livros obrigatórios. c) Consiste em utilizar métodos, conjuntos de procedimentos, técnicas, sistemas ou arte para verificar as demonstrações contábeis. d) Consiste em fornecer informações sobre a evolução do patrimônio para os seus parceiros de negócios. e) Consiste em verificações, comparações, cálculos e estatísticas a partir de de- monstrações, pelo menos, de dois exercícios. 127 5. De acordo com os regimes de contabilização de receitas e despesas, assinale a alternativa correta. a) O regime de competência é desenvolvido exclusivamente pelas empresas de pequeno porte. b) O regime de caixa afirma que a receita é reconhecida quando recebida e a despesa é legítima no pagamento ou saída de recursos. c) Os dois regimes de caixa e competência têm em vista o reconhecimento das receitas e despesas quando ocorridas independente do momento e do even- to. d) Para as sociedades anônimas, a legislação obriga a elaboração das demons- trações contábeis apenas pelo regime de caixa. e) O princípio do regime de caixa diz respeito às transações que acontecem nas empresas e visa ao reconhecimento unicamente das despesas e não das re- ceitas recebidas durante o mês de movimento contábil. 128 O QUE SÃO AS NOTAS EXPLICATIVAS NO BALANÇO? As denominadas “Notas Explicativas” con- têm informações adicionais em relação à apresentada nas demonstrações contá- beis, oferecendo descrições narrativas ou segregações e aberturas de itens divulga- dos nessas demonstrações e informação acerca de itens que não se enquadram nos critérios de reconhecimento nas demons- trações contábeis. As Notas Explicativas são necessárias e úteis para melhor entendimento e análise das demonstrações contábeis, aplicáveis em todos os casos que forem pertinentes. A Resolução CFC 1.185/2009 – NBC TG 26 (R4), que trata da apresentação das demonstrações, faz menção à forma de como se fazer e estruturar as referidas Notas Explicativas. Com relação à obrigatoriedade legal da fei- tura das Notas Explicativas, destaque-se o § 4° do artigo 176 da Lei 6.404/76: §4º As demonstrações serão complemen- tadas por notas explicativas e outros quadros analíticos ou demonstrações contábeis necessários para esclareci- mento da situação patrimonial e dos resultados do exercício. Os dispositivos supramencionados apli- cam-se às sociedades anônimas regidas pela Lei 6.404/76e por extensão aplicada às demais sociedades. Observe que não há citação de regime de tributação, portanto, mesmo as entidades tributadas com base na sistemática do Simples Nacional estão obrigadas à elaboração das ditas notas. A Resolução CFC 1.255/2009, que aprovou a NBC TG 1000 – Contabilidade para Peque- nas e Médias Empresas. No item 3.17 da referida NBC, tem-se a lista do conjunto completo das Demonstrações Contábeis que as referidas entidades devem elabo- rar, no qual está contemplada na letra “f” a inclusão das Notas Explicativas. Desta forma, com base nos textos normati- vos mencionados, podemos afirmar que as Demonstrações Contábeis devem ser com- plementadas por Notas Explicativas, que passam a ser de elaboração obrigatória para todas as entidades, independentemente de porte, atividade ou forma de tributação. O § 5º do art. 176 da Lei das S/A menciona, sem esgotar o assunto, as bases gerais e as normas a serem incluídas nas demonstra- ções financeiras, as quais deverão: I. apresentar informações sobre a base de preparação das demonstrações financeiras e das práticas contábeis específicas selecionadas e aplicadas para negócios e eventos significativos; II.divulgar as informações exigidas pelas práticas contábeis adotadas no Bra- sil que não estejam apresentadas em nenhuma outra parte das demonstra- ções financeiras; III. fornecer informações adicionais não indicadas nas próprias demonstrações financeiras e consideradas necessárias para uma apresentação adequada; e IV. indicar: http://www.contabeis.com.br/termos-contabeis/notas_explicativas 129 a) os principais critérios de avaliação dos elementos patrimoniais, especialmente estoques, dos cálculos de depreciação, amortização e exaustão, de constituição de provisões para encargos ou riscos e dos ajustes para atender a perdas pro- váveis na realização de elementos do ativo; b) os investimentos em outras sociedades, quando relevantes; c) o aumento de valor de elementos do ativo resultante de novas avaliações; d) os ônus reais constituídos sobre ele- mentos do ativo, as garantias prestadas a terceiros e outras responsabilidades eventuais ou contingentes; e) a taxa de juros, as datas de vencimento e as garantias das obrigações a longo prazo; f ) o número, espécies e classes das ações do capital social; g) as opções de compra de ações outor- gadas e exercidas no exercício; h) os ajustes de exercícios anteriores; e i) os eventos subsequentes à data de encerramento do exercício que tenham, ou possam vir a ter, efeito relevante sobre a situação financeira e os resul- tados futuros da companhia. Fonte: Contábeis (2016, on-line)2. MATERIAL COMPLEMENTAR Manual Das Demonstrações Contábeis Cleônimo dos Santos Editora: Iob Sinopse: demonstrações Contábeis são o conjunto de informações extraídas fundamentalmente dos registros contábeis que toda empresa deve manter. Trata-se, na verdade, da “prestação de contas” mais significativa que os administradores fazem aos sócios ou acionistas ou, ainda, ao empresário individual. Essa prestação de contas acontece no mínimo uma vez por ano e é composta basicamente pelas demonstrações contábeis. REFERÊNCIAS 131 BRASIL. Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Brasília: Presidência da república, 1976. Disponível em: <http://www.planal- to.gov.br/ccivil_03/leis/L6404consol.htm>. Acesso em: 11 set. 2017. COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. CPC 26 (R3) - Apresentação das De- monstrações Contábeis. Disponível em: <http://www.cpc.org.br/CPC/Documen- tos-Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=57>. Acesso em: 11 set. 2017. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Normas brasileiras de contabilidade: NBC TG - geral - normas completas, NBC TG – estrutura conceitual e NBC TG 01 a 40 (exceto 34 e 42). Brasília: Conselho Federal de Contabilidade, 2011. Disponível em: <http://portalcfc.org.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/04/NBC_TG_COM- PLETAS03.2013.pdf>. Acesso em: 11 set. 2017. MONTOTO, Eugenio. Contabilidade geral esquematizado. São Paulo: Saraiva, 2011. RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade básica fácil. 28. ed. São Paulo: Saraiva, 2012. ______. Contabilidade comercial fácil. 18. ed. São Paulo: Saraiva, 2013. REFERÊNCIAS ON-LINE 1Em: <http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-Emitidos/Pronunciamentos/Pro- nunciamento?Id=40>. Acesso em: 11 set. 2017. 2Em: <http://www.contabeis.com.br/noticias/30007/o-que-sao-as-notas-explicati- vas-no-balanco/>. Acesso em: 11 set. 2017. REFERÊNCIAS GABARITO 1. As Notas Explicativas são explicações que complementam as Demonstrações Financeiras, ou seja, são informações a respeito da composição dos saldos das contas contábeis, métodos de depreciação, entre outros critérios usados pela contabilidade para avaliação patrimonial. Neste contexto, as notas explicativas ajudam no processo de interpretação dos dados das demonstrações contábeis. 2. A Demonstração do Valor Adicionado (DVA) é uma demonstração que eviden- cia quantos recursos uma entidade produziu em um determinado período. Ou melhor, o quanto foi adicionado de valor aos seus fatores de produção, quanto e de que maneira a riqueza gerada foi distribuída entre os funcionários, gover- no, acionistas e entre outros, assim como em relação à parcela da riqueza não distribuída. 3. a 4. e 5. b GABARITO CONCLUSÃO 133 Caro(a) aluno(a), chegamos ao final do nosso livro e espero que este material tenha sido útil para o processo de ensino e aprendizagem. Abordamos os aspec- tos que envolvem a Estrutura das Demonstrações Contábeis em conformidade com a legislação vigente. Assim, também vimos a importância desses relatórios para o processo de tomada de decisão dentro das organizações. Neste contexto, estudamos os assuntos introdutórios sobre as Demonstrações Contábeis em acordo com as Leis n. 6.404/76 e n. 11.638/07, pelo CFC, pela CVM e pelo Regulamento do Imposto de Renda. Também vimos o Balanço Patrimonial, um relatório que visa os saldos das contas patrimoniais e a eviden- ciação do patrimônio das entidades. Na sequência, tivemos a explanação do Demonstrativo do Resultado (DR), que evidencia o resultado da entidade, ou seja, lucro ou prejuízo do período. Também tratamos de apresentar um roteiro sobre apuração do resultado do exercício em função da necessidade de apurar o lucro ou prejuízo das empre- sas. Logo, na unidade, ficou clara a relevância do processo do encerramento do resultado para apuração da DR, que inclui também o zeramento das contas que fazem parte desse processo. Em continuidade, foi apresentado a DLPA e a DMPL, em que a DLPA pode ser sucedida pela Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido, porque a DMPL abrange as exposições em torno das variações ocorridas no exercí- cio social da entidades. Em função da necessidade de informação, verificamos a Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC), que é um relatório com a visão de evidenciar as operações ocorridas e que provocam modificações no saldo de caixa e equivalentes de caixa. Por último, tratamos da Demonstração do Valor Adicionado (DVA) e das Notas Explicativas para o fechamento das temáticas em relação às demonstrações contábeis. Abraços! CONCLUSÃO ANOTAÇÕES ANOTAÇÕES 135 ANOTAÇÕES h.zcvpjrtaqvcj UNIDADE I DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS Introdução Demonstrações Financeiras Balanço Patrimonial Considerações Finais Referências GABARITO UNIDADE II DEMONSTRATIVO DO RESULTADO (DR) Introdução Demonstrativo do Resultado (DR) Demonstração do Resultado do Período e Demonstração do Resultado Abrangente do Período Roteiro para Apuração do Resultado do Exercício Considerações Finais ANEXO i ANEXO II Referências GABARITO UNIDADE III DEMONSTRAÇÃO DOS LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS (DLPA) E DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO (DMPL) Introdução Aspectos Introdutórios Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) Considerações Finais Referências GABARITO UNIDADE IV DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA (DFC) Introdução Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) Métodos de Estruturação da DFC Considerações Finais Referências GABARITO UNIDADE V DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO (DVA) E NOTAS EXPLICATIVAS Introdução Demonstração do Valor Adicionado (DVA) Notas Explicativas Considerações Finais Referências GABARITO Conclusão _GoBack _GoBack _GoBack _GoBack _GoBack