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SEMESTRE 4
O Lúdico e a Brincadeira na Educação Infantil e Prática
Créditos e Copyright	
BREJO, Janayna Alves
O Lúdico e a Brincadeira na Educação Infantil e Prática. Janayna Alves Brejo. Núcleo de Educação a Distância da UNIMES. Santos, 2008, 156p. (Material didático. Curso de Licenciatura em Pedagogia).
Modo de acesso: www.unimes.br 
1. Pedagogia 2. Educação Infantil 3.O Lúdico e a Brincadeira na Educação Infantil e Prática
CDD 371.102
Este curso foi concebido e produzido pela Unimes Virtual. Eventuais marcas aqui publicadas são pertencentes aos seus respectivos proprietários.
A Unimes Virtual terá o direito de utilizar qualquer material publicado neste curso oriunda da participação dos alunos, colaboradores, tutores e convidados, em qualquer forma de expressão, em qualquer meio, seja ou não para fins didáticos.
Copyright (c) Unimes Virtual
É proibida a reprodução total ou parcial deste curso, em qualquer mídia ou formato.
	
UNIVERSIDADE METROPOLITANA DE SANTOS
FACULDADE DE EDUCAÇÃO E CIÊNCIAS HUMANAS
PLANO DE ENSINO
CURSO: Licenciatura em Pedagogia
COMPONENTE CURRICULAR: O Lúdico e a Brincadeira na Educação Infantil e Prática
SEMESTRE: 4º
CARGA HORÁRIA TOTAL: 120h/a – teórica: 100h/a – prática: 20h/a
 
EMENTA: 
O Lúdico e a Educação: abordagem teórica e prática. Jogo, desenvolvimento e Aprendizagem Infantil. Criando um espaço de brincar: o jogo, o brinquedo e a brincadeira - significado, características, classificação. Panorama teórico sobre o Brincar. A atividade lúdica e as implicações pedagógicas no cotidiano das instituições de Educação e Ensino Fundamental.
OBJETIVO GERAL:
Compreender a importância do jogo no desenvolvimento e na aprendizagem infantil sob o viés teórico e o prático.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
UNIDADE I: O Lúdico e a Educação: abordagem teórica e prática
Proporcionar esclarecimentos e orientações sobre a importância de trabalhar o lúdico na Educação Infantil, a partir de teorias e práticas que contribuam para o desenvolvimento integral da criança. 
UNIDADE II: Jogo, desenvolvimento e aprendizagem infantil 
Compreender as relações existentes entre o jogo, o desenvolvimento e a aprendizagem infantil, verificando as estruturas e enfoques que norteiam o jogo. Identificar os estágios de desenvolvimento cognitivo e sua influência na aprendizagem das crianças. 
UNIDADE III: Panorama teórico sobre o brincar 
Desenvolver de maneira coerente e responsável o uso do brincar na prática pedagógica, observando-o como um importante instrumento de aprendizagem. 
UNIDADE IV: Criando um espaço de Brincar: O jogo, o brinquedo e a brincadeira – significados, características, classificação 
Conhecer, compreender e refletir acerca dos diversos significados, características e formas de classificação dos jogos, brinquedos e brincadeiras infantis a partir de conhecimentos teóricos e práticos. Estabelecer relações entre: espaço e tempo, criança e grupo, família e escola. 
UNIDADE V: A atividade lúdica e as implicações pedagógicas no cotidiano das instituições de Educação Infantil
Analisar o papel e as implicações pedagógicas da atividade lúdica nas instituições de educação infantil. Perceber as contribuições do lúdico para o desenvolvimento da criança pequena, bem como a função da Educação Infantil. 
UNIDADE VI: O jogo e a brincadeira como processos de crescimento, interação social e inclusão
Mostrar de que maneira os jogos e as brincadeiras podem contribuir para o processo de crescimento infantil, bem como para a interação social e inclusão das crianças. Reconhecer os jogos cooperativos como um importante instrumento pedagógico. 
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO:
UNIDADE I:O Lúdico e a Educação: abordagem teórica e prática.
O lúdico e a criança de zero a 5 anos
Movimento na primeira infância: o lúdico e o corpo. 
O lugar do lúdico nas linhas pedagógicas. 
Cuidar e educar: funções indissociáveis. 
Trabalhando o lúdico com crianças de zero a 3 anos. 
Trabalhando o lúdico com crianças de 4 a 5 anos. 
O lúdico no espaço da sala de aula
O lúdico no universo Infantil. 
UNIDADE II: Jogo, desenvolvimento e aprendizagem infantil 
A essência do Jogo. 
O jogo infantil: diversas considerações. 
Os Jogos tradicionais
Jogo: entre a tradição e a transformação
O jogo e desenvolvimento infantil. 
O jogo e a aprendizagem infantil. 
A criança, o jogo e o outro no universo das interações sociais. 
O jogo e o papel do educador. 
UNIDADE III: Panorama teórico sobre o brincar 
O que é, o que é brincar? 
O papel do brincar. 
O brincar e o faz-de-conta. 
Analisando as situações do brincar. 
O brincar e a aprendizagem. 
O brincar na perspectiva da “recreação”. 
Brincar e aprender com parlendas. 
Brincar e aprender com cantigas. 
UNIDADE IV: Criando um espaço de Brincar: O jogo, o brinquedo e a brincadeira – significados, características, classificação. 
O jogo, o brinquedo e a brincadeira: seus vários significados. 
Caracterizando o jogo, o brinquedo e a brincadeira. 
Classificação: jogos e brincadeiras? 
Espaço e Tempo para brincar. 
Em foco: a atividade em grupo. 
Brincando em grupos. 
Educador também brinca. 
Brincando com a família. 
UNIDADE V: A atividade lúdica e as implicações pedagógicas no cotidiano das instituições de Educação Infantil. 
Processos de Interação. 
O papel do lúdico no desenvolvimento da linguagem.
O papel do lúdico no desenvolvimento afetivo.
O papel do lúdico no desenvolvimento físico. 
O papel do lúdico no desenvolvimento moral. 
Atividade lúdica: condições e implicações. 
Projetos: um caminho ao lúdico. 
Ludicidade e Educação Infantil. 
UNIDADE VI: O jogo e a brincadeira como processos de crescimento, interação social e inclusão. 
O jogo e a brincadeira como processos de crescimento.
Interação Social e Atitude Cooperativa. 
Jogos Cooperativos: solução de conflitos? 
Cooperar: princípios socioeducativos. 
“Brincando de convivência”. 
Práticas inclusivas. 
Crescer: competindo ou cooperando? 
Concluindo, o jogo e a brincadeira: crescimento, interação social e inclusão.
Bibliografia Básica
CAMARGO, Daiana. O brincar corporal na Educação Infantil: reflexões sobre o educador, sua ação e formação. Curitiba: Intersaberes, 2014
CÓRIA-SABINI, Maria Aparecida; LUCENA, Regina Ferreira de. Jogos e brincadeiras na educação infantil. São Paulo: Papirus, 2007. 
DUPRAT, Maria Carolina. Ludicidade e Educação Infantil. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014.
Bibliografia Complementar:
ABRAMOWICS, Anete, VANDENBROECK, Michel (orgs.) Educação infantil e diferença. Campinas, SP: Papirus, 2014.
ALMEIDA, Rosângela Doin; JULIAZS, Paula C. Strinas.Espaço e Tempo na educação infantil. São Paulo: Contexto, 2014.
MALUF. Angela Cristina Munhoz. Atividades lúdicas para educação infantil - Conceitos, orientações e práticas.Petrópolis , RJ: Vozes, 2014
MARINHO, Hermínia Regina Bugeste. et. al. Pedagogia do movimento: universo lúdico e psicomotricidade. Curitiba: InterSaberes, 2012.
RAU; Maria Cristina Tois Dornelles .A Ludicidade na Educação: uma atitude pedagógica.Curitiba. Intersaberes, 2012.
METODOLOGIA:
A disciplina está dividida em unidades temáticas que serão desenvolvidas por meio de recursos didáticos, como: material em formato de texto, vídeo aulas, fóruns e atividades individuais. O trabalho educativo se dará por sugestão de leitura de textos, indicação de pensadores, de sites, de atividades diversificadas, reflexivas, envolvendo o universo da relação dos estudantes, do professor e do processo ensino/aprendizagem.
AVALIAÇÃO:
A avaliação dos alunos é contínua, considerando-se o conteúdo desenvolvido e apoiado nos trabalhos e exercícios práticos propostos ao longo do curso, como forma de reflexão e aquisição de conhecimento dos conceitos trabalhados na parte teórica e prática e habilidades. Prevê ainda a realização de atividades em momentos específicos como fóruns, chats, tarefas, avaliações a distância e Prova Presencial, de acordo com a Portaria de Avaliação vigente.
Sumário
Aula 01: O lúdico e a criança de zero a cinco anos	13
Aula 02_Movimento na primeira infância: olúdico e o corpo	16
Aula 03: O lugar do lúdico nas linhas pedagógicas	19
Aula 04: Cuidar e educar: funções indissociáveis	21
Aula 05: Trabalhando o lúdico com crianças de zero a 3 anos	23
Aula 06: Trabalhando o lúdico com crianças de 4 e 5 anos	27
Aula 07: O lúdico no espaço da sala de aula	29
Aula 08: O lúdico no universo infantil	31
Aula 09: A essência do jogo	34
Aula 10: O jogo infantil: diversas considerações	36
Resumo Unidade I	38
Aula 11: Os jogos tradicionais	42
Aula 12: Jogo: entre a tradição e a transformação	45
Aula 13: O jogo e o desenvolvimento infantil	47
Aula 14: O jogo e a aprendizagem infantil	50
Aula 15: A criança, o jogo e o outro no universo das interações sociais	52
Aula 16: O jogo e o papel do educador	54
Resumo - Unidade II	57
Aula 17: O que é, o que é brincar?	60
Aula 18: O papel do brincar	62
Aula 19: O brincar e o faz-de-conta	64
Aula 20_Analisando as situações do brincar	66
Aula 21_O brincar e a aprendizagem	68
Aula 22_O brincar na perspectiva da “recreação”	70
Aula 23_Brincar e aprender com parlendas	72
Aula 24_Brincar e aprender com cantigas	74
Aula 25_O jogo, o brinquedo e a brincadeira: seus vários significados	76
Aula 26_Caracterizando o jogo, o brinquedo e a brincadeira	78
Resumo - Unidade III	80
Aula 27_Classificação: jogos e brincadeiras?	83
Aula 28_Espaço e tempo para brincar	85
Aula 29_Em foco: a atividade em grupo	87
Aula 30_Brincando em grupos	89
Aula 31_Educador também brinca	91
Aula 32_Brincando com a família	93
Resumo - Unidade IV	95
Aula 33_Processos de interação	98
Aula 34_O papel do lúdico no desenvolvimento da linguagem	101
Aula 35_O papel do lúdico no desenvolvimento afetivo	103
Aula 36_O papel do lúdico no desenvolvimento físico	105
Aula 37_O papel do lúdico no desenvolvimento moral	107
Aula 38_Atividade lúdica - condições e implicações	110
Aula 39_Projetos - um caminho ao lúdico	112
Aula 40_Ludicidade e Educação Infantil	117
Resumo - Unidade V	119
Aula 41_O jogo e a brincadeira como processos de crescimento	121
Aula 42_Interação social e atitude cooperativa	124
Aula 43_Jogos cooperativos: solução de conflitos?	126
Aula 44_Cooperar: princípios sócio-educativos	128
Aula 45_Brincando de convivência	130
Aula 46_Práticas inclusivas	132
Aula 47_Crescer: competindo ou cooperando?	134
Aula 48_Concluindo: o jogo e a brincadeira - crescimento, interação social e inclusão	136
Resumo - Unidade VI	138
Núcleo de Educação a Distância
UNIVERSIDADE METROPOLITANA DE SANTOS
Aula 01: O lúdico e a criança de zero a cinco anos
  
Iniciando a nossa primeira aula, que tal nos reportarmos a algumas lembranças de infância? Do que você mais gostava de brincar? Que brincadeiras e brinquedos estão mais vivos em sua memória? Tais brincadeiras aconteciam em casa, na rua ou na escola? 
Voltar no tempo pode ser um bom exercício para que comecemos a entender a importância do lúdico no ambiente escolar, sobretudo quando pensamos em crianças pequenas, de tenra idade (de zero a cinco anos), que estão na Educação Infantil. 
Já que estamos falando sobre a criança, faz-se necessário conversarmos a respeito da concepção de criança presente atualmente em nossa sociedade. É importante, porém, ressaltar que a própria visão de infância foi paulatinamente construída, uma vez que a criança, atualmente, já não é mais vista como um adulto em miniatura, como ocorreu no passado, mas como um ser humano em fase de crescimento, dotado de inteligência, capacidades, limites e que, principalmente, possui suas especificidades particulares. Assim, a criança é um ser singular, social e histórico, que sofre influências do meio social em que vive, mas que também o influencia. 
A legislação vigente propõe o desenvolvimento integral da criança como uma meta a ser alcançada pela educação, e, se priorizamos realmente uma educação que seja capaz de despertar as potencialidades do educando, não podemos deixar de lado o lúdico, o qual precisa estar presente nas práticas pedagógicas dentro e fora da sala de aula.
Para que isso ocorra, primeiramente é preciso que tenhamos claro o conceito do termo lúdico. 
Conforme o Novo Dicionário Eletrônico Aurélio (século XXI), lúdico é “referente a, ou que tem o caráter de jogos, brinquedos e divertimentos”. 
Vale ainda destacarmos uma outra definição do termo que se refere à “qualidade daquilo que estimula por meio da fantasia, do divertimento ou da brincadeira” (Fontes para a educação infantil: Brasília: UNESCO; São Paulo: Cortez; São Paulo: Fundação Orsa, 2003). 
Sabemos que este conceito é muito utilizado dentro da Educação Infantil, uma vez que vários educadores como Friedrich Fröebel2 , Jean Piaget3 , Maria Montessori4, entre outros, enfatizaram a importância do lúdico na educação. Fato que, atualmente, parece uma conformidade entre os teóricos educacionais, pois o lúdico se configura como um fator determinante e necessário para a aprendizagem da criança. 
A utilização de meios lúdicos torna-se um grande estímulo para o desenvolvimento integral da criança na medida em que o processo de construção de conhecimento ocorre de uma maneira mais atraente e gratificante, pois a criança brinca, movimenta-se e tem a oportunidade de criar e recriar a partir de suas próprias experiências e vivências, interagindo com o ambiente e com o outro. Então, observamos a incrível abrangência dos comportamentos requisitados durante as brincadeiras entre as crianças pequenas, uma vez que estas são capazes de reunir atividades físicas e mentais que corroboram para o seu pleno desenvolvimento.
 
Para concluir nossa primeira aula, gostaria de que refletíssemos um pouco... 
Em geral, como você observa as práticas pedagógicas?
 
•   Destinam maior parte do tempo às atividades intelectuais ligadas à aquisição de números e letras sem relação com a ludicidade? 
•   Privilegiam também os jogos e as brincadeiras? 
•   As brincadeiras se restringem ao recreio? 
• Onde o lúdico realmente aparece? Somente no discurso? 
Respostas coerentes para estas questões você, certamente, descobrirá ao longo dessa disciplina... Então, até a próxima aula!
Para saber mais, visite o site: 
http://www.tvebrasil.com.br/SALTO/boletins2003/jbdd/tetxt1.htm acessado em 30/11/2207.
 1A LEI Nº 11.274, DE 6 DE FEVEREIRO DE 2006 que dispõe sobre a duração de 9 (nove) anos para o ensino fundamental, com matrícula obrigatória a partir dos 6 (seis) anos de idade, altera a redação dos arts. 29, 30, 32 e 87 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Sendo assim, a Educação Infantil adotará a seguinte nomenclatura, conforme a RESOLUÇÃO Nº 3 de 3 de agosto de 2005: Educação Infantil até 5 anos de idade (Creche até 3 anos de idade e Pré-escola para crianças com 4 e 5 anos de idade). (Fonte: www.mec.gov.br).  
2Friedrich Fröebel (Alemanha, 1782-1852), criador do jardim de infância, defendia o uso pedagógico de jogos e brinquedos organizados e sutilmente dirigidos pelo professor. Durante as décadas subseqüentes, vários educadores alertaram para a importância do lúdico na educação. (Fontes para a educação infantil. Brasília: UNESCO; São Paulo: Cortez; São Paulo: Fundação Orsa, 2003). 
3Jean Piaget (Suíça, 1896-1980) foi o nome mais influente no campo da educação durante a segunda metade do século XX, a ponto de quase se tornar sinônimo de pedagogia. Não existe, entretanto, um método Piaget, conforme ele mesmo gostava de frisar. 
Ele nunca atuou como pedagogo. Foi biólogo e dedicou a vida a submeter à observação científica rigorosa o processo de aquisição de conhecimento pelo ser humano, particularmente a criança. (Revista Nova Escola – A Revista do Professor. Edição Especial: Os Pensadores. Editora Abril, 2004).
3Maria Montessori (Itália, 1870-1952) foi pioneira no campo pedagógico ao dar mais ênfase à auto-educação do aluno do que ao professor como fonte de conhecimento. 
“Ela acreditava que a educação é uma conquista da criança”. (Revista Nova Escola – A Revista do Professor. Edição Especial: Os Pensadores. Editora Abril, 2004).
Aula 02_Movimento na primeira infância: o lúdicoe o corpo
  
Na aula anterior vimos a importância da existência do lúdico dentro da educação infantil, uma vez que pode contribuir para uma aprendizagem mais instigante e capaz de proporcionar o pleno desenvolvimento do educando. Discutimos também a concepção de criança e/ou infância que se faz presente em nosso cotidiano.  Dando continuidade às discussões, na aula de hoje falaremos a respeito do corpo e sua união com o lúdico. Afinal, não podemos sequer pensar em desenvolvimento integral da criança sem abranger o corpo e seus movimentos.
Mesmo que a criança não tenha consciência, o seu próprio corpo é, de uma maneira ou de outra, o seu primeiro brinquedo, principalmente porque o utiliza na representação de brincadeiras por meio de movimentos corporais. Crianças, desde a mais tenra idade, já movem os dedinhos brincando, bem como acariciam os próprios pés, depois se arrastam, engatinham, andam, pulam, fantasiam e fazem coisas que, algumas vezes, nem nós adultos conseguimos entender.
Então, como pode essas crianças (tão ativas, brincalhonas e felizes) serem muitas vezes tolhidas, na Educação Infantil, de brincar com seu corpo, sendo submetidas à imobilidade dentro do ambiente escolar?
Imaginemos, então, o que representa para uma criança, acostumada a movimentar-se livremente em casa, ser obrigada a manter-se quieta e sentada, ao entrar na escola, durante quase todo o período de aula...
 
Veja um exemplo comparativo que ilustra bem esta situação, conforme Freire:
 
Seria o mesmo que pegar um professor idoso, que há muito deixou de praticar atividades físicas, a não ser as mais triviais, e obrigá-lo a correr alguns quilômetros em ritmo acelerado. (FREIRE, 1992, p. 12)
 
Não temos aqui a intenção de dizer que, dentro da sala de aula, as crianças teriam uma liberdade incondicional de se movimentarem, pois, para organizar tudo isso, existem os chamados “combinados”, em que educador e educando estabelecem as normas que devem ser respeitadas.  
O problema consiste em não permitir que a criança se movimente esquecendo, que a aquisição da consciência dos limites do próprio corpo colabora para a diferenciação do eu e do outro, ou seja, da construção da própria identidade que se encontra intimamente atrelada ao desenvolvimento da autonomia. 
Contudo, você deve estar se perguntando: como trabalhar o corpo por meio de movimentos corporais de maneira lúdica?
Em primeiro lugar, não podemos esquecer que “o corpo carrega a dimensão de integrar emoções, contatos sociais e relações cognitivas” (WALLON, 1996 apud KISHIMOTO, 2003, p. 406). Portanto, no cotidiano de nossas práticas pedagógicas não pode existir dicotomia entre o corpo e essas dimensões, sendo necessário explorá-las com o auxilio da imaginação e da criatividade da criança.
Afinal, como diz o ditado popular: se uma pessoa não tem corpo sadio, como terá mente sadia? É o que explica a importância de trabalhar corpo e mente nas atividades junto aos educandos.
A sugestão de atividade descrita abaixo é capaz de demonstrar a importância em trabalhar os movimentos corporais de forma lúdica dentro do ambiente escolar? Leia, reflita e responda você mesmo. Até a próxima aula!!!
 
 Sensações corporais1
A professora pediu às crianças que andassem livremente pela sala ocupando todo o espaço. Ela alterava as ordens para que andassem: lentamente; rapidamente; correndo; andando para trás; para um lado; para o outro lado; na ponta dos pés; nos calcanhares; com os pés virados para dentro; com os pés virados para fora; em linha reta; em curva; em círculo; em zigue-zague; de forma desengonçada, em chão encerado, em chão normal; em chão pedregoso; andar na chuva; na neve; contra o vento, entre outros. Em seguida, sugeriu que uma criança por vez imaginasse uma forma de andar e comandasse o grupo.
1Esta atividade foi retirada da Coleção A Hora da Escola: Jogos e atividades pedagógicas para aprender brincando. Volume I – Teatro na sala de aula (p. 21-22) de Marielise Ferreira. Edelbra editora. É importante ressaltar que algumas adaptações foram realizadas pela Professora Janayna Alves Brejo, a fim de que a atividade pudesse atingir os objetivos da presente aula.
Aula 03: O lugar do lúdico nas linhas pedagógicas
 
Na aula passada, trabalhamos a questão da integração entre o corpo, o movimento e a ludicidade. Esta união é fundamental para construção da identidade e autonomia da criança pequena, bem como para o desenvolvimento de suas potencialidades. Sem desmerecer os demais níveis de ensino, pois todos têm seu papel essencial na vida de qualquer estudante, entendemos que a Educação Infantil configura-se como a base de formação de todo o ser humano, uma vez que diversos estudos científicos mostram que o período que compreende desde a gestação até os seis anos de vida caracteriza-se como o mais importante para a construção de competências e habilidades no decorrer de toda a vida humana. Diante desses apontamentos, é necessário que pensemos um pouco acerca das linhas pedagógicas desenvolvidas pelos educadores nas escolas, isto é, o modo como tem sido instituído o trabalho pedagógico e se tem contemplado aspectos lúdicos. De acordo como os estudos realizados pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e pela Fundação Orsa observamos uma preocupação constante por parte dos sistemas de ensino no que se refere às linhas pedagógicas desenvolvidas junto aos educandos, principalmente na Educação Infantil. Tais estudos nos apontam três vias de prática pedagógica desenvolvidas nas instituições: Uma primeira via de ação subestima a criança, ou seja, não a considera capaz, pois simplifica os conteúdos trabalhados e os transmite de forma lenta, gradual, infantilizada, sem levar em conta o saber que os pequenos trazem consigo e desconsiderando também a cultura em que estão inseridos. Desta maneira, essa prática é realizada de forma mecânica, pois seu objetivo é pautado somente na compreensão de cálculos e na conquista da alfabetização. Assim, o lúdico é deixado de lado e ignora-se, de modo geral, o que a criança traz consigo, a vontade de aprender coisas novas, isto é, o impulso pela descoberta por meio da curiosidade. Uma segunda via de ação coloca a criança como aquela que tudo pode e sabe, em outras palavras, como a “personagem principal de uma peça teatral”. Assim, o educador não interfere no processo de aprendizagem, pois não trabalha os conteúdos necessários para essa faixa etária, contribuindo muito pouco para a construção de novos conhecimentos. Observamos que esta prática é bastante limitada e que o lúdico muitas vezes se faz presente, mas de maneira espontânea e isolada, já que não são trabalhadas as potencialidades do educando.
E, por fim, uma terceira via de ação pedagógica, a qual considera a criança como um ser histórico e social, dotado de conhecimentos, inserido numa cultura e, principalmente, um “pequeno” cidadão de direitos. O trabalho do educador é pautado nas necessidades básicas da criança tanto no que se refere à higiene, alimentação, saúde e proteção quanto à construção do conhecimento. Planeja suas atividades a partir do lúdico, respeitando o que a criança já sabe, mas buscando ampliar essas vivências desenvolvendo as “múltiplas linguagens”, como corporal, plástica, oral, escrita, musical, entre outras, considerando importante a alfabetização na tenra idade, porém sem privilegiar esse trabalho, uma vez que isso acontece naturalmente, quando a criança é estimulada, incentivada e respeitada.
Agora reflita com bastante atenção: 
Com qual dessas linhas pedagógicas você se identifica?
Consegue observar o lugar do lúdico em cada uma delas?
Qual delas estaria realmente pensando no desenvolvimento integral da criança? 
Qual das três linhas pedagógicas privilegia a importância das funções de “cuidar e educar”, fatores essenciais na vida da criança?
 
Certamente, descobriremos juntos as respostas para tais indagações na próxima aula. Até lá!!!
1Fontes para a educação infantil. Brasília: UNESCO; São Paulo: Cortez; São Paulo: Fundação Orsa,2003. 
Aula 04: Cuidar e educar: funções indissociáveis
 
Nesta aula, procuraremos respostas às indagações propostas na aula anterior, principalmente com relação à linha pedagógica que privilegia as funções de “cuidar e educar”,  fatores essenciais na vida de qualquer criança.
Desde o nosso primeiro encontro, temos conversado sobre a importância do lúdico na educação da criança pequena, em especial, porque auxilia bastante no desenvolvimento integral do educando. Então, pergunto novamente a você, de acordo com o que estudamos até aqui: qual linha pedagógica realmente estaria preocupada com desenvolvimento das potencialidades infantis?
Podemos dizer que esta resposta está clara, uma vez que a terceira via pedagógica considera a criança um ser social e histórico, um cidadão de direitos, e podemos assim dizer que, ao levar em conta esses fatores, as funções de cuidar e educar devem estar presentes de maneira indissociável.
 
Qual a relação existente entre as funções de cuidar e educar com o lúdico e a educação (tema dessa unidade)?
De acordo com o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil  – Volume 1: 
[...] Educar significa, portanto, propiciar situações de cuidados, brincadeiras e aprendizagens orientadas de forma integrada e que possam contribuir para o desenvolvimento das capacidades infantis de relação interpessoal, de ser e estar com os outros em uma atitude de aceitação, respeito e confiança, e o acesso, pelas crianças, aos conhecimentos mais amplos da realidade social e cultural (Brasília: MEC/SEF, 1998, p. 23).
 Cuidar significa valorizar e ajudar a desenvolver capacidades. O cuidado precisa considerar, principalmente, as necessidades das crianças [...] Os procedimentos de cuidado também precisam seguir os princípios de promoção à saúde. (Brasília: MEC/SEF, 1998, p.24-25).
 
Desta forma, observamos que a integração do cuidar e do educar deve estar presente nas práticas pedagógicas, uma vez a Educação Infantil tem como função trabalhar esses conceitos de maneira indissociável e complementar junto às crianças de zero a cinco anos. Se pensarmos assim, com certeza o lúdico sempre fará parte dessa realidade, pois o “brincar e a fantasia” estão na vida de qualquer criança. Assim,
 
[...] Um trabalho pedagógico em que cuidar e educar são aspectos integrados é realizado pela criação de um ambiente em que a criança sinta-se segura e acolhida em sua maneira de ser, em que ela possa trabalhar adequadamente suas emoções, construir hipóteses sobre o mundo e elaborar sua identidade. (OLIVEIRA, 2003, p. 8) 
 
Para ilustrar melhor essas funções de cuidar e educar assista ao filme francês Quando tudo Começa, cujo roteiro surgiu a partir de histórias reais contadas por professores das séries iniciais. O mesmo retrata emocionante luta de um educador buscando exercer seu papel de ensinar.
 
	
Aula 05: Trabalhando o lúdico com crianças de zero a 3 anos
 
Na aula anterior falamos a respeito das funções de cuidar e educar, uma vez que precisam ser trabalhadas de forma integrada pelo educador junto às crianças. Teoricamente,  tais procedimentos podem nos parecer bem claros e até mesmo óbvios, não é mesmo? Mas como fazer isso na prática? Como estabelecer uma “conexão” entre cuidar e educar de maneira lúdica?
Hoje, além de abordamos esses aspectos, também vamos pensar na prática e, para isso, você verá algumas dicas de atividades para serem aplicadas com as crianças de zero a três anos.
Para Freire (1992, p. 147): “[...] Ser humano é mais que movimentar-se, repito: é estabelecer relações com o mundo de tal maneira que se passe do instintivo ao cultural, da necessidade à liberdade, do fazer ao compreender, do sensível à consciência”.
Portanto, a criança, desde que nasce, já está em interação com o mundo e, ao observamos um bebê, podemos perceber o quanto ele explora o próprio corpo, pois movimenta-se, descobre-se, mexe as mãos, pega os pés, observa, escuta, balbucia...
 
Como trabalhar com crianças tão pequenas? 
Uma dica é utilizar brincadeiras que envolvam o corpo e a música, o que permite que as crianças se movimentem.
Para as crianças menores, as atividades mais indicadas são: a massagem (em especial com os bebês), o canto e o uso do espelho, pois permitem ao educando conhecer e brincar com o próprio corpo.
 
 Vejamos então alguns exemplos:
 
A massagem1
A massagem pode configurar-se em uma importante atividade que permite a interação entre educador e educando, ou seja, uma via de comunicação. Ela pode ser realizada, quando o bebê já tem cerca de um mês de vida. Para isso, é preciso que as crianças estejam calmas, serenas e alimentadas. É também essencial que seja massageado um bebê de cada vez, enquanto os outros estejam dormindo ou descansando. Ao término de cada massagem pode-se dar um banho ou colocá-lo para descansar.
 
Imaginemos então, vamos lá?
 
Coloque o bebê em um lugar confortável, pode ser um colchonete ou mesmo o trocador. Aplique um óleo ou creme apropriado nas mãos e, não es-queça: procure olhar, cantar e conversar com o bebê durante a massagem. Você pode massagear o peito, os braços, as mãos, a barriga, as pernas e os pés do bebê. Sempre com muito carinho e suavidade, pois eles são sensíveis.
 
O canto 
As crianças em roda cantam a música: “Vamos passear no bosque, enquanto seu lobo não vem...”
Uma criança é escolhida para ser o lobo e responder às perguntas.
Durante a brincadeira fazem perguntas, utilizam gestos e expressam assim a mobilidade do próprio corpo...
 
P: Seu lobo está?
R: Estou tomando banho.
As crianças da roda fingem que estão tomando banho. Depois, voltam a rodar cantando e fazem novamente a pergunta:
P: Seu lobo está?
R: Estou me enxugando... Vestindo a cueca (ou calcinha)... O short... A camiseta... As meias... Os sapatos... Penteando os cabelos... Escovando os dentes.
 
Após cada resposta, as crianças voltam a imitar o que o lobo está fazendo e depois voltam a rodar e cantar... Assim deve acontecer, sucessivamente, quando o lobo for substituído por outra criança.
 
O espelho 
Com as crianças sentadas em círculo, o educador (a) mostra uma caixa.  Dentro dela deve haver um espelho, mas as crianças não sabem. 
Peça para que cada um olhe dentro da caixa, mas que não diga aos colegas o que viram.
Após todos terem visto o que havia dentro da caixa, a roda da conversa está aberta e o grupo declara que tinha visto um espelho, ou melhor, o seu próprio reflexo nele.
A partir dessas e muitas outras atividades é possível trabalhar o lúdico com crianças de zero a 3 anos, sem esquecer que as funções de cuidar e educar estão presentes em cada ação do educador. É importante ressaltar a necessidade da formação específica dos profissionais que atuam na Educação Infantil, pois, embora essas brincadeiras possam nos parecer fáceis e corriqueiras, o educador precisa ter embasamento teórico e prático para ser capaz de observar a singularidade dessa faixa etária, suas emoções, seus anseios, suas expressões, enfim, as várias situações expressas pela criança.
 
Na nossa próxima aula, falaremos do trabalho lúdico com crianças de 4 a 5 anos. Até mais!!!
 1As atividades propostas: a massagem, o canto e o espelho são bastante conhecidas, podendo estar contidas em muitos livros, de forma semelhante. Para escrevê-las, não consultei livros, apenas utilizei minhas experiências como professora na educação infantil, de acordo com a proposta da aula e, consequentemente, da disciplina.
Aula 06: Trabalhando o lúdico com crianças de 4 e 5 anos
 
Na aula passada pensamos no desenvolvimento do trabalho lúdico com as crianças de zero a três anos. Hoje, nossa conversa estará direcionada para as crianças de quatro e cinco anos.  As cantigas de roda, por exemplo, podem ser um recurso valioso, uma vez que promovem identificação cultural com as crianças, ao mesmo tempo em que permitem trabalhar dramatizações, diálogos, entre outros, a partir delas. 
Quem de nós, quando criança, não brincou com as cantigas de roda? Tais experiências foram importantes, não é mesmo?
Quem nunca ouviu o ditado popular “quemcanta seus males espanta”?
Sendo assim, com o auxílio de nossa formação acadêmica e de nossas experiências, de quando éramos crianças, torna-se possível estabelecer relações entre o lúdico, o cuidar e o educar, como bem demonstra a brincadeira abaixo:
 
Atividade: A canoa virou1
 
As crianças formam uma roda com o rosto voltado para o centro e iniciam a canção. Uma criança é escolhida pelo grupo para ser o peixinho e fica  “nadando” no centro da roda. Na primeira parte da música, quando for citado o nome de um dos alunos, este deverá inverter sua posição, voltando as costas para o centro da roda, mas mantendo seu lugar de mãos dadas com os colegas. Na segunda parte da música, o peixinho salva a criança que está de costas, retirando-a da roda. A criança que estava de costas toma o lugar do peixinho, que volta para a roda. A canção continua, citando o nome de uma outra criança para ser salva pelo peixinho. Todas as crianças deverão ter o nome citado para que participem.
Esta atividade foi retirada da Coleção A Hora da Escola: Jogos e atividades pedagógicas para aprender brincando. Volume II – Cantigas de Roda (p. 10-11) de Marielise Ferreira. Edelbra editora (ressaltando, ainda, que algumas adaptações foram realizadas pela Professora Janayna Alves Brejo, a fim de que a atividade atingisse os objetivos da presente aula.A partir desta brincadeira, a criança aprende a seguir os combinados, aguardando sua vez de movimentar-se. Ela também favorece a apresentação das crianças entre si, sendo capaz de promover um bom relacionamento entre o grupo. 
Tudo isso deve acontecer de forma lúdica e divertida, e, por que não dizer, utilizando uma prática pedagógica que envolve o cuidar e o educar à medida que proporciona à criança oportunidade de crescimento, ampliando as suas possibilidades e visões do mundo da qual é parte integrante.
 
Ficamos por aqui. Até a próxima aula!!!
1Esta atividade foi retirada da Coleção A Hora da Escola: Jogos e atividades pedagógicas para aprender brincando. Volume II – Cantigas de Roda (p. 10-11) de Marielise Ferreira. Edelbra editora (ressaltando, ainda, que algumas adaptações foram realizadas pela Professora Janayna Alves Brejo, a fim de que a atividade atingisse os objetivos da presente aula.
Aula 07: O lúdico no espaço da sala de aula
  
Durante a nossa última aula, discutimos acerca do trabalho lúdico junto às crianças de quatro a seis anos. Mas como podemos falar em ludicidade sem pensarmos também nos espaços escolares, ou seja, nos espaços onde o conhecimento é construído pela criança? 
Será que esses espaços são atraentes? 
A sala de aula é capaz de propiciar ações que manifestem o jeito próprio da criança? Ela é capaz de acolher e fazer com que se sinta à vontade?
Se o ambiente não agrada, será que a criança conseguirá entrar no mundo do “faz de conta?”
Na maioria das vezes, o espaço da sala de aula já está determinado, pois é parte de uma escola que foi projetada/planejada. Mas cabe ao educador transformar ou não esse espaço em algo acolhedor.
Pensemos, então, na nossa própria casa: mesmo tendo um espaço amplo ou restrito, não procuramos torná-la o mais atraente possível para que nós mesmos nos sintamos bem dentro dela?
O mesmo deve acontecer com a sala de aula. Temos de torná-la aconchegante, planejando a forma de organizar o mobiliário e de decorá-la, respeitando as necessidades da criança pequena. 
Conforme Ferraz e Flores, (1999, p.34)
 
[...]  É  muito  importante refletirmos sobre essas “idéias” e os critérios que nos levam a arrumar uma sala de aula de determinada maneira, com a intenção de podermos entender quais os impactos que essa organização exerce sobre as ações tanto da criança quanto do professor.
De acordo com as mesmas autoras, a organização do espaço demonstra as “[...] concepções do professor sobre a educação, a criança, sua própria prática, os processos de ensino aprendizagem, entre outros”. Por isso, devemos planejar espaços que permitam a interação entre as crianças a todo o momento e não somente quando as convidamos, por exemplo, para ouvir uma história. Não podemos, é claro, desmerecer esse tipo de interação, porém devemos planejar o espaço da sala de aula de modo que seja capaz de permitir que tal interação ocorra também de maneira espontânea e natural. Uma boa sugestão seria a divisão da sala em cantos, com divisórias baixas que permitam a visão geral da sala por parte da criança, os educandos se dividiriam em pequenos grupos, o que favorece as trocas entre eles.
A partir da organização do espaço da sala de aula, que possibilite a interação, as crianças terão a oportunidade de desenvolver sua própria identidade e autonomia na medida em que esse espaço ofereça brinquedos, como bonecas, carrinhos, telefones, ou seja, uma série de materiais que façam parte de seu dia a dia, de modo em que estes estejam realmente ao seu alcance. Assim, gradativamente, o educando vai ampliando a visão a respeito de si mesmo e do outro e adquirindo autoconfiança, já que se sente em um ambiente acolhedor e seguro, onde pode fazer escolhas.
É importante ressaltar que o espaço não deve se limitar à sala de aula, afinal o pátio, o parque, a pracinha próxima à escola, um passeio ou uma excursão podem também contribuir para o aprendizado infantil.
Um outro fator a se pensar é se o ambiente permite uma boa locomoção, de modo que a criança possa “tirar proveito” dos espaços existentes.  Tomando esses devidos cuidados ao organizar o espaço da sala de aula, poderemos dar lugar ao lúdico e, principalmente, cumprir nosso papel enquanto educadores à medida que possibilitamos o desenvolvimento dos aspectos físicos, emocionais, intelectuais e sociais da criança pequena. O que você pensa sobre isso? Reflita! Até a próxima aula!
Aula 08: O lúdico no universo infantil
 
Com esta aula chegamos ao final da primeira unidade, cuja preocupação esteve centrada em abordar de maneira teórica e prática o lúdico dentro da educação. Como você acompanhou as aulas, com certeza já sabe da importância desse tema na Educação Infantil. No nosso último encontro vimos que é preciso planejar os espaços em sala de aula para que possamos atender às necessidades das crianças. Lembra-se? Hoje falaremos sobre a presença do lúdico no universo infantil, pois, se entendemos a ludicidade como algo que estimula o educando por meio da fantasia, do divertimento ou da brincadeira, não há dúvidas de que esta deve fazer parte do ambiente infantil. Então, pensemos juntos: ao trabalharmos as diversas disciplinas e/ou conteúdos, se assim podemos dizer, que fazem parte do planejamento deste nível de ensino, tudo deve ter um caráter lúdico, uma vez que estamos lidando com crianças e que sabemos que é infinitamente possível e saudável “ensinar e aprender” brincando.  O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, documento elaborado pelo Ministério da Educação, pode ser entendido como um guia de reflexão, pois propõe aos sistemas educacionais que tenham como norteadores dos trabalhos junto às crianças de zero a seis anos os eixos: Identidade e Autonomia, Movimento, Música, Matemática, Natureza e Sociedade, Linguagem Oral e Escrita e Artes Visuais. Embora o Referencial tenha se configurado como uma proposta não obrigatória para a Educação Infantil, este tem sido, em sua maioria, adotado pelas escolas que acabaram por tomá-lo como diretriz, uma vez que o documento foi amplamente divulgado e distribuído pelo Governo Federal.  Se tomarmos, então, esses eixos como subsídios orientadores para o trabalho educativo, poderemos dizer que em todos eles a ludicidade precisa se fazer presente, não é mesmo? Principalmente porque contemplam o universo infantil dentro do ambiente escolar.
Vejamos, assim, alguns exemplos de como é possível desenvolver nossa prática educativa, a partir do lúdico, em cada eixo de trabalho:
 
Movimento
Utilizando movimentos realizados e feitos pelas próprias crianças no dia-a-dia, tais como: andar, pular, correr, girar, entre outros, para trabalhar coordenação e equilíbrio. Esse movimento poderátransformar-se, então, na brincadeira Macaco disse, em que uma criança é escolhida pelo grupo para representar o macaco, chefe da floresta, que dirá o que as outras crianças devem fazer: agachar, levantar, parar, inclinar o corpo...
 
Música 
Propor às crianças que cantem as músicas de que mais gostam a fim de explorar diversas produções musicais. A partir disso, o grupo escolherá algumas dessas cantigas para que sejam dramatizadas. Digamos que entre elas surgisse a canção O cravo e a rosa, esta poderia ser encenada pela classe: uma menina representaria a rosa, um menino representaria o cravo e todos cantariam a música.
 
Matemática 
Apresentar os numerais para as crianças a partir de cantigas de roda, a fim de que os reconheçam e compreendam sua utilidade em nosso cotidiano. Por exemplo: para trabalhar o numeral 1 (um), pode-se utilizar a cantiga Se eu fosse 1 (um) peixinho; para trabalhar o numeral 3 (três), pode-se utilizar a parlenda Chapéu de três pontas.
 
Natureza e Sociedade 
Realização do Dia da Fruta. É possível mostrar sua importância para que tenhamos alimentação saudável. Propor que as crianças tragam para a escola a fruta que mais gostam de comer. Cada criança falará para os amigos o porquê de gostarem mais daquela fruta, bem como descrevê-la etc.
 
Linguagem Oral e Escrita 
É possível utilizar histórias de livros infantis, como: O elefantinho malcriado, de Ana Maria Machado (Editora Moderna), na busca de ampliar as possibilidades de expressão e comunicação das crianças. O educador deverá realizar a narrativa da história, mas a interpretação oral da sequência dos fatos e personagens deve ser tarefa dos educandos. É preciso discutir o que é ser, ou não, malcriado e, ao mesmo tempo, levantar opiniões e questões junto ao grupo sobre atitudes e valores que podem ser “bons” ou “ruins”.
 
Artes Visuais 
Sugira que as crianças escolham um lápis que tenha a cor de que mais gostam, buscando desenvolver a concentração e a criatividade. Peça para que, depois, fechem os olhos e rabisquem um papel por alguns segundos. Em seguida, peça para que abram os olhos, observem seus traços e criem um desenho a partir deles.
 
Identidade e Autonomia 
Entendendo que uma ação educativa só é capaz de promover o desenvolvimento integral da criança, se todos os conteúdos e atividades trabalhadas possibilitarem a construção de novos conhecimentos de maneira autônoma, os pequenos poderão fazer escolhas e serão respeitados como seres únicos e dotados de inúmeras potencialidades.
Podemos, assim, perceber que não basta boa vontade para trabalhar o lúdico no universo infantil, pois é preciso desvelar as necessidades, os anseios e as curiosidades das crianças, levando em consideração o que elas pensam, sentem e falam.
 
Para saber mais, consulte: 
http://www.cdof.com.br/recrea22.htm 
Aula 09: A essência do jogo
A partir desta aula, daremos início à nossa segunda unidade. Desta vez, falaremos a respeito das contribuições do jogo para o desenvolvimento e para a aprendizagem infantil. Madalena Freire (2000, p.35), ao escrever sobre o jogo, afirma que “[...] É através do jogo que a criança pensa, reflete a realidade. É através do jogo que ela pensa o outro e a si própria”.
Sabemos que o jogo fascina crianças e que, muitas vezes, elas aprendem um jogo facilmente.
No entanto, você deve estar pensando que não é somente criança que gosta de jogar, pois os jogos fazem parte da realidade dos adultos também. Tem razão! Não existe idade para esta atividade. Atividade? Então, o que é o jogo afinal? Se consultarmos o Novo Dicionário Eletrônico Aurélio (século XXI), veremos que existem mais de vinte significados para esta palavra, e um deles nos diz que o jogo é uma “atividade física ou mental organizada por um sistema de regras que definem a perda ou o ganho”.
Já Friedmann (1996, p.12) ressalta que não existe uma definição única, assim como não há uma teoria universalmente aceita sobre o jogo. O que existe são vários estudos importantes. E, com relação ao jogo infantil, afirma que este “[...] é compreendido como uma brincadeira que envolve regras”.
 
A mesma autora, para analisar tais jogos, utiliza os seguintes enfoques:
Sociológico: a influência do contexto social no qual os diferentes grupos de crianças brincam; educacional: a contribuição do jogo para a educação; desenvolvimento e/ou aprendizagem da criança; psicológico: o jogo como meio para compreender melhor o funcionamento da psique, das emoções e da personalidade dos indivíduos; 
[...] antropológico: a maneira como o jogo reflete, em cada sociedade, os costumes e a história das diferentes culturas; folclórico: analisando o jogo como expressão da cultura infantil através das diversas gerações, bem como as tradições e costumes através dos tempos nele refletidos. (idem p.11-12).
 Sendo nossa proposta aqui estudar o jogo infantil, daremos ênfase ao enfoque Educacional, embora o sociológico e o folclórico o permeiem, uma vez que, se pretendemos que o jogo auxilie no desenvolvimento da criança, este deverá acontecer numa relação de interação com o outro, ou seja, no meio social, ao mesmo tempo em que diversos jogos que utilizamos em sala de aula pertencem ao nosso folclore.
 
Contudo, cabe-nos perguntar: quantas vezes escutamos que os jogos ajudam as crianças a se desenvolverem e que, assim, elas aprendem brincando? De que maneira isso acontece?
 
Bem, essa é uma resposta que descobriremos no decorrer de nossas aulas. Até a próxima!!!
Aula 10: O jogo infantil: diversas considerações
 
Na aula passada iniciamos nossa conversa a respeito jogo no desenvolvimento e na aprendizagem infantil, buscando compreender primeiramente o significado da palavra jogo,  bem como os diferentes enfoques pelos quais pode ser analisado.
Freire (1992), assim como Friedmann (1996), citada na aula anterior, admite que existam várias confusões no que se refere ao termo jogo, à medida que, muitas vezes, sua definição pouco se diferencia dos termos brinquedo e brincadeira. Em seus estudos a respeito do jogo, Freire (1992) relata o desenvolvimento da inteligência e a gênese do conhecimento, com base em Piaget, o qual observou que os jogos ou brinquedos podem dividir-se em três tipos: de exercícios (engloba a fase desde o nascimento até a manifestação da linguagem), quando o bebê levanta um braço, uma perna, por puro prazer de vê-los funcionar, ou seja, por divertimento, pois ainda não se encontram “estruturadas as representações mentais que caracterizam o pensamento” (p.116); de símbolo ou simbólico (engloba a fase desde a manifestação da linguagem até cerca de 6-7 anos), quando a criança, por exemplo, imita um gato ou diz que sua boneca está chorando, reservando um espaço em sua imaginação para realizar o que não foi praticado em situações não-lúdicas, ou seja, “pode-se fazer de conta aquilo que na realidade não foi possível” (p.117) e o de regras (engloba a fase desde os 6-7 anos em diante) que acontece já de maneira estruturada, e a criança compreende as normas pelas quais as pessoas se sujeitam para viver em sociedade, ou seja, quando o educando, por exemplo, brinca de “jogo da memória”, entende as regras e sabe que cometerá uma falta se não respeitá-las.
Estas três estruturas de jogos que permeiam o universo infantil, teorizadas por Piaget, fornecem subsídios para que saibamos que a criança, desde a tenra idade, incorpora o lúdico em suas ações, pois possui o desejo pela descoberta. Por isso, ao trabalharmos jogos, precisamos estar cientes de que estes fazem parte de seu mundo e de sua realidade e que, a partir disso, podemos desenvolvê-los também com objetivos pedagógicos, a fim de tornar a aprendizagem prazerosa, interessante e mais “próxima” dos educandos.
Afinal, tais aprendizagens com certeza vão além dos conteúdos propostos durante o jogo, o que propicia as interações sociais e o desenvolvimento da criança no campo cognitivo, moral e afetivo. Você não acha?
 
 
Para saber mais, consulte:
 
http://www.centrorefeducacional.com.br/ludicoeinf.htm acessado em 03/12/2007.
Resumo Unidade IChegamos ao final da nossa primeira unidade.
 
Durante esse percurso estivemos preocupados em demonstrar a importância de trabalhar o lúdico na educação infantil a partir de teorias e práticas que possam contribuir para o desenvolvimento integral da criança.
Vimos que a utilização de meios lúdicos colaboram para que o processo de construção de conhecimento ocorra de uma maneira mais atraente e gratificante, uma vez que a criança brinca, movimenta-se e tem a oportunidade de criar e recriar a partir de suas próprias experiências e vivências, interagindo com o ambiente e com o outro.
Trabalhamos a questão da integração entre o corpo, o movimento e a ludicidade. Esta união é fundamental para a construção da identidade e a autonomia da criança pequena.
Refletimos acerca das linhas pedagógicas desenvolvidas pelos educadores nas escolas, privilegiando a via de ação que planeja suas atividades a partir do lúdico e que considera a criança um ser histórico e social, inserido numa cultura e, principalmente, um “pequeno” cidadão de direitos. O trabalho do educador é pautado nas necessidades básicas do educando tanto no que se refere à higiene, alimentação, saúde e proteção, quanto à construção do conhecimento, pois respeita aquilo que a criança já sabe e busca ampliar essas vivências.
Observamos também que a integração do cuidar e do educar deve estar presente nessas práticas pedagógicas, uma vez a Educação Infantil tem como função trabalhar esses conceitos de maneira indissociável. Ao pensarmos assim, o lúdico ganha lugar nessa realidade, pois o “brincar e a fantasia” estão na vida de qualquer criança.
Refletimos sobre o desenvolvimento do trabalho lúdico junto às crianças de zero a três anos, propondo atividades para essa faixa etária. Em seguida, direcionamos nossa atenção para as crianças de quatro e cinco.
Percebemos, com isso, que é preciso planejar os espaços em sala de aula para que possamos atender às necessidades dos educandos, bem como propiciar a interação entre eles para que tenham a oportunidade de desenvolver sua própria identidade e autonomia na medida em que esse espaço ofereça brinquedos, como bonecas, carrinhos, telefones, ou seja, uma série de materiais que façam parte de seu dia a dia, desde que estes estejam realmente ao seu alcance.
Por fim, conversamos sobre a presença do lúdico no universo infantil, pois, ao entendermos a ludicidade como algo que estimula a criança pequena por meio da fantasia, do divertimento ou da brincadeira, não há dúvidas de que esta deve fazer parte do ambiente infantil.
Espero que você tenha aproveitado nossas aulas e que esteja pronto e disposto a iniciar uma nova unidade! Até lá!
 
Tendo concluído esta unidade, reflita sobre as seguintes questões:
 
1) Que concepção de criança está presente em nossa sociedade? Qual é a sua concepção de criança?
2) Qual a importância da brincadeira para a criança pequena? Que impor-tância damos para as atividades lúdicas em sala de aula?
3) Que linha pedagógica tem subsidiado nossos trabalhos? Qual o lugar do lúdico dentro dela?
4) Na prática, é possível trabalhar os aspectos do cuidar e educar de ma-neira lúdica e indissociável?
5)  Que tipo de educador construímos dentro de nós mesmos a cada dia? Nós nos preocupamos realmente com a nossa formação profissional?
6)  Como organizamos os espaços em nossas salas de aula? Pensamos nos espaços para brincar? Eles são atraentes para as crianças?
 
Referências Bibliográficas
BRASIL. “Lei nº 9394/1996, de 20 de dezembro de 1996, estabelece as
Diretrizes e Bases da Educação Nacional”. Diário Oficial da União, Ano
CXXXIV, n.248, 23/12/1996, p.27.833-27.841.
________. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Volu-me I: Introdução; Volume II: Formação Pessoal e Social; Volume III: Conhe-cimento de Mundo (Vol. 3). Brasília: MEC/SEF, 1998.
FERRAZ, Beatriz; FLORES, Fernanda. Espaço atraente: espelho de valo-res. Revista Criança do Professor de Educação Infantil. Brasília: MEC/SEF: N. 33, p. 34-39, dezembro 1999.
FERREIRA, Marielise. A Hora da Escola: jogos e atividades pedagógicas para aprender brincando. Rio Grande do Sul: Edelbra Editora, 1997.
Fontes para a educação infantil. Brasília: UNESCO; São Paulo: Cortez; São
Paulo: Fundação Orsa, 2003.
FRIEDMANN, Adriana. Brincar, crescer e aprender - o resgate do jogo infantil. São Paulo: Moderna, 1996.
FREIRE, João Batista. Educação de corpo inteiro: teoria e prática da Edu-cação Física. 3. ed. São Paulo: Scipione, 1992.
KISHIMOTO, Tizuko M. Contextos integrados de educação infantil: uma for-ma de desenvolver a qualidade. In: BARBOSA, Raquel Lazzari Leite [Org.].
Formação de Educadores, desafios e perspectivas. São Paulo: Editora
UNESP, 2003.
LE BOULCH, Jean. O desenvolvimento psicomotor do nascimento até 6 anos. Tradução e prefácio de Ana Guardiola Brizolara. Porto Alegre: Artes Médicas, 1982.
OLIVEIRA, Zilma Moraes Ramos de. Diretrizes para a formação de pro-fessores de educação infantil. Revista Pátio Educação Infantil. Porto Ale-gre: Artmed Editora: Ano I, n. 2, p.6-9, agosto/novembro 2003.
Revista Nova Escola – A Revista do Professor. Edição Especial: Os Pensa-dores. São Paulo: Editora Abril, 2004.
 
Aula 11: Os jogos tradicionais
  
Em nossa última aula, conversamos sobre as três estruturas de jogos que permeiam o universo infantil teorizadas por Piaget: os jogos de exercícios, os simbólicos e os de regras, você se lembra? Vimos, também, que todos eles nos fornecem subsídios para que saibamos que a criança, desde a mais tenra idade, incorpora o lúdico em suas ações, pois possui o desejo pela descoberta.
Hoje, no decorrer dessa aula, faremos uma viagem no tempo, recordando os jogos que fizeram parte da nossa infância, da infância de nossos pais, avós, bisavós, e assim por diante.
De quais jogos você se lembra? Amarelinha, corre-cutia, passa-anel, pega-pega... Quantas e quantas lembranças vêm à nossa cabeça, não é mesmo?
Esses jogos são classificados como tradicionais, ou seja, são aqueles que ganhamos como herança, pois passam de pai para filho e que, na maioria das vezes, não são aprendidos nos ambientes escolares, mas em casa ou na rua de forma livre e natural. Assim,
[...] O jogo tradicional faz parte do patrimônio lúdico-cultural infantil e traduz valores, costumes, formas de pensamento e ensinamentos. Seu valor é inestimável e constitui para cada indivíduo, cada grupo, cada geração, parte fundamental da história de vida (FRIED-MANN, 1996, p. 43).
Ao contrário do que alguns pensam, os jogos tradicionais não devem ser vistos como algo ultrapassado, embora estejamos na era da informática, pois fazem parte dos traços culturais de nossa sociedade. Em consequência disso, não podem ser jamais esquecidos, principalmente na sala de aula, uma vez que os educadores devem trabalhar e respeitar a cultura infantil que é “[...] constituída de elementos folclóricos aprendidos na rua e que provém da cultura do adulto” (idem, p.41). Dentro deste contexto, de que maneira você trabalharia um jogo tradicional no ambiente escolar? Quer uma dica?
Então, vamos lá:
Esconde-esconde :
Trata-se de um jogo bastante conhecido e que provavelmente a maioria das crianças já brincou. Elas escolhem alguém para ser o “pegador”, que vai permanecer, sem olhar, contando até um número determinado (de 0 a 10, por exemplo), enquanto se escondem. Após contar, essa criança vai à procura das demais. Enquanto isso, elas tentam chegar até o local onde o “pegador” contava no início, batem as mãos e se salvam, o que ocorre somente se as crianças conseguirem chegar antes do “pegador”.
Tal atividade contribui imensamente para o desenvolvimento da imagem corporal da criança, na medida em que toma consciência de seu próprio corpo, passando a considerar também o do outro. De acordo com a idade da criança, o esconde-esconde possibilita ao educador perceber como vem se desenvolvendo a imagem de si própria, bem como de que forma ela explora e interage com o meio.
Você poderá perceber isso, principalmente quando lidamos com as crianças menores que, geralmente, escondemapenas o rosto e acreditam que assim o “pegador” não as encontrará.
Bem, a partir desse exemplo de jogo tradicional, podemos notar a importância de trabalhar esse tipo de jogo junto aos educandos.
Vale lembrar que cada educador pode propor variações nesse jogo. Um exemplo seria colocar obstáculos durante a brincadeira para que pulem, passem por cima, por baixo, entre outros, de acordo com sua proposta pedagógica.
E, já que estamos falando em variações, na próxima aula abordaremos as transformações dos jogos no decorrer dos anos.
Por hoje é só! Até lá!
Esta atividade fundamenta-se nos estudos de Freire (1992 p-51-53),
Aula 12: Jogo: entre a tradição e a transformação
 
Conforme combinamos, nesta aula abordaremos as transformações dos jogos no decorrer dos anos e daremos prosseguimento ao nosso encontro anterior em que demonstramos a importância dos jogos tradicionais.
Segundo Friedmann (1996), o jogo tem mudado bastante com o passar dos anos e são vários os fatores que ocasionaram essas transformações, entre eles estão: a diminuição do espaço físico devido ao crescimento urbano e à ausência de segurança; a diminuição do espaço temporal tanto na escola que, em geral, desconsidera o jogo, quanto na família que, com a entrada da mulher no mercado de trabalho, ao lado do espaço ocupado pela televisão, também o deixou em último plano; o aumento das fábricas de brinquedos que diariamente criam objetos mais atraentes e, por fim, a influência da mídia na vida infantil que cada vez mais incentiva a entrada de brinquedos industrializados.
Diante destas considerações podemos entender o porquê de os jogos estarem se modificando ao longo dos anos, uma vez que, em consequência da modernidade, alteram-se os tipos e a maneira de brincar.
Assim, os jogos tradicionais cedem lugar para os brinquedos eletrônicos, a família deixa de valorizá-los por diferentes causas, seja por falta de tempo de brincar com os filhos, por receio de deixá-los brincar na rua devido ao aumento da violência, por ser mais cômodo o fato de as crianças ficarem diante da televisão ou do computador, enquanto a escola prioriza a alfabetização e o desenvolvimento intelectual, destinando pouco tempo às atividades lúdicas.
Enquanto educadores, o que faremos para tentar modificar esse quadro? Estas aulas não têm o objetivo de encarar a modernização como um fator negativo, pois sabemos quantos avanços a sociedade conquistou a partir dela, principalmente no que se refere às contribuições tecnológicas. Porém, é preciso que tenhamos cuidado para não permitir que a atividade lúdica seja esquecida em nossas escolas, principalmente porque, como já falamos em outras aulas, ela possibilita o desenvolvimento dos aspectos afetivos, cognitivos, físicos e sociais. 
Entretanto, precisamos encontrar respostas para a seguinte questão: o que podemos fazer?
ANTIL E PRÁTICAS
Pensemos juntos: o que muitas escolas e seus educadores têm feito? Um trabalho de resgate aos jogos tradicionais. Mas isso está sendo feito de que maneira?
 
Buscando ampliar nossos conhecimentos acerca desses jogos;
· desenvolvendo um trabalho conjunto entre escola, alunos, professores, pais e comunidade, a fim de pesquisar os jogos e brincadeiras tradicionais que fazem parte da cultura dessas pessoas;
· valorizando os jogos tradicionais sem desconsiderar os atuais, realizando variações, se assim forem necessárias;
· reconhecendo o valor e a importância do lúdico em nossa ação pedagógica, não permitindo que o jogo seja trabalhado de forma mecânica e descontextualizada, mas, ao contrário, de acordo com a realidade e com a necessidade das crianças.
 
Essas são apenas algumas das muitas possibilidades. O que você pensa sobre isso?
Aula 13: O jogo e o desenvolvimento infantil
 
 
Em nosso último encontro, refletimos sobre as constantes mudanças sofridas pelos jogos com o passar dos anos e também sobre a necessidade de resgatarmos os jogos tradicionais para o nosso cotidiano, devido às contribuições que podem proporcionar para o desenvolvimento infantil.
Já que falamos em desenvolvimento infantil, você já deve ter percebido que este é o tema da aula de hoje.
Nesta aula vamos caminhar juntos, procurando perceber a relação intrínseca existente entre o jogo e o desenvolvimento da criança pequena, uma vez que, desde a mais tenra idade, como já comentamos, a criança já pratica ações lúdicas. Basta lembrar de quando falamos dos bebês que fazem vários gestos por puro prazer, ou seja, realizando o que Piaget chama de jogos de exercício.  A escola deve possibilitar aos educandos um desenvolvimento integral, que dificilmente irá acontecer se ela não favorecer um ensino dinâmico e abrangente, em que o jogo seja um grande “aliado”. Precisa, para isso, integrar os conteúdos a serem trabalhados de modo a permitir que a interação entre o meio físico e o social aconteça, pois, assim, o conhecimento e o senso moral da criança serão desenvolvidos.
Com relação ao conhecimento, sabemos que a melhor forma de auxiliar a criança nessa construção é tomar como ponto de partida os saberes que ela traz consigo, suas necessidades e sua realidade, buscando ampliar esses conceitos e desafiando sua inteligência. Já o senso moral configura-se numa construção que acontece de maneira autônoma no íntimo de cada criança à medida que vai construindo seus próprios valores morais dentro do meio social em que está inserida, influenciada pela família, pela escola, pela comunidade e por todos aqueles que a cercam.
É importante ressaltar que, quando falamos em desenvolvimento infantil, estamos nos referindo aos processos de formação das funções humanas, tais como linguagem, raciocínio, atenção, memória, entre outras.De acordo com os estudos de Friedmann:
 
“[...] O desenvolvimento é responsável pela formação dos conhecimentos: ele sempre resulta de uma interação entre o sujeito, principal fonte de desenvolvimento e o meio. A aquisição de conhecimentos depende do desenvolvimento: a assimilação de determinadas informações é possível em certos níveis de desenvolvimento”. (FRIEDMANN, 1996, p. 57)
 
Woolfolk (2000), em seu livro Psicologia da Educação, explica os quatro estágios de desenvolvimento teorizados por Piaget. São eles:
 
Sensório motor – fase da percepção, dos sentidos e dos reflexos, que vai de zero aos 2 anos, aproximadamente, quando o bebê começa a fazer uso da memória, da imitação e do pensamento e reconhece que os objetos não deixam de existir quando eles não estão vendo. Paulatinamente, a criança passa das práticas reflexas para centrar-se em atividades voltadas aos objetos. 
Pré-operacional – fase em que ainda predomina o egocentrismo, pois a criança tem dificuldade de enxergar o ponto de vista do outro. Esta fase vai dos 2 aos 7 anos, aproximadamente. O educando desenvolve o uso da linguagem e a capacidade de pensar de forma simbólica, ou seja, dá vida aos seres (sua boneca está dormindo). Não domina ainda as operações mentais, mas está próximo disso.
Operacional Concreto – fase que vai dos 7 aos 11 anos, aproximadamente. É marcada pela lógica e pelo envolvimento da razão (ex.: o coelho não bota ovo de páscoa); é capaz de resolver problemas concretos, classificar, seriar e compreender as leis de conservação e reversibilidade. 
Operacional Formal – fase que vai dos 11 anos, aproximadamente, em diante. Quando a criança começa a compreender os conceitos abstratos; o pensar torna-se mais científico; é capaz de solucionar problemas de maneira lógica.
Qual é a relação entre os jogos e os estágios de desenvolvimento cognitivo de Piaget?
 
Em primeiro lugar, enquanto educadores, precisamos entender como o desenvolvimento infantil se processa, concorda? Em segundo lugar, sabemos que o jogo é capaz de auxiliar positivamente esse desenvolvimento. 
Lembre-se: como nossa proposta é trabalhar com a educação infantil, devemos nos ater principalmente aos dois primeiros estágios, o Sensório Motor e o Pré-operacional, fases que englobam a primeira infância. 
Sendo assim, nós nos encontraremos na próxima aula!
 
Até lá!
Aula 14: O jogo ea aprendizagem infantil
  
Na aula passada falamos sobre a influência do jogo no desenvolvimento infantil e apresentamos os estágios do desenvolvimento cognitivo de Piaget. 
Na aula de hoje, nossa preocupação estará voltada para as questões que envolvem o jogo e a aprendizagem infantil.
Você já deve ter percebido que, nesta unidade, temos trabalhado bastante com a autora Friedmann. Isto ocorre pelo fato de ela ter realizado um estudo aprofundado acerca dos jogos infantis, tema que vem envolvendo nossas aulas. 
Então, novamente Friedmann (1996) vem nos auxiliar por meio dos estudos que realizou sobre as concepções construtivistas de Piaget, quando afirma que a aprendizagem configura-se como um processo de “aquisição em função da experiência (a atuação do sujeito sobre o meio). Aprender é assimilar o objeto a esquemas mentais” (p. 62).
Por isso, a aprendizagem encontra-se intimamente ligada ao desenvolvimento, sendo a primeira dependente do segundo, ou seja, as crianças conhecem conforme o estágio de desenvolvimento em que se encontram, pois é por meio das diferentes maneiras de aquisição de conhecimentos (aqui entra o jogo) que a aprendizagem ocorre.
Para que tudo isso, dito na teoria, fique mais claro para você, vejamos como se dá na prática:
 
Imaginemos que trabalhamos na educação infantil com crianças de 5 anos. Sabemos que estas se encontram no estágio de desenvolvimento cognitivo Pré-operacional (de 2 a 7 anos) e que, se utilizarmos jogos que estimulem a fantasia, mais facilmente alcançarão os objetivos que pretendemos, pois estamos “provocando”, incentivando a aprendizagem.
 
O jogo o Gato e o Rato é um exemplo disso, pois tem como proposta valorizar as conquistas corporais das crianças, trabalhando o equilíbrio, a coordenação e a cooperação. Neste jogo um círculo é formado pelas crianças que ficam de mãos dadas e pernas afastadas. Escolhem então duas delas: uma para representar o gato, e a outra representará o rato. Gato e rato entram no centro da roda; o gato tenta pegar o rato, passando por entre as pernas das crianças; quando o rato é pego pelo gato, trocam-se os personagens para que todas tenham a chance de participar.
 
Sendo assim, o jogo proporciona grandes contribuições para o desenvolvimento da aprendizagem infantil à medida que enriquece os pensamentos, sentimentos e ações. Afinal, é por meio dele que a criança “reflete, pensa esse mundo, ao mesmo tempo em que vai sendo inserida nele”. (Freire, 2000, p.35)
 
 Para saber mais, consulte: 
http://www.sistemauno.com.br/index.asp?page=institucional/noticia_busca&id=30
Aula 15: A criança, o jogo e o outro no universo das interações sociais
 
 
Na aula anterior nossa preocupação esteve voltada para as questões que envolvem o jogo e a aprendizagem infantil.
Hoje, nosso encontro será com o teórico Lev Semenovich Vigotski , sob a vi-são das autoras Rossetti-Ferreira (1997) e Friedmann (1996), e abordaremos o tema: a criança, o jogo e o outro no universo das interações sociais.
Segundo Friedmann (1996, p. 65) “[...] Vigotski , que se aprofundou no estudo do papel das experiências sociais e culturais a partir da análise do jogo infantil, afirma que no jogo a criança transforma, pela imaginação, os objetos produzidos socialmente”.
Assim, os conhecimentos vão sendo construídos pelos educandos dentro desse processo, bem como a individualidade de cada criança que participa dessa interação, que o própriojogo propicia.
Tais interações configuram-se nos momentos em que a criança tem oportunidade (no nosso caso, dentro do ambiente escolar) de estar com seus pares, demonstrando o seu modo de pensar, sentir, comunicar, expressar e descobrir, compartilhando seus caminhos individuais dentro do grupo, influenciando as demais crianças e sendo por elas também influenciada.
[...] Essa criança e, mais tarde, esse adulto, inserido nos mais diferentes ambientes, através da interação com parceiros diversos, vai ter um mundo à sua volta organizado por regras e códigos simbólicos, diretamente ligados a um determinado momento e contexto sócio-histórico e aos recursos de que dispõe. Torna-se assim uma pessoa que reflete a época histórica e o grupo social em que vive, embora nesse processo construa também suas características individuais e únicas (ROSSETTI-FERREIRA, 1997, p. 33).
Lev Semenovich Vigotski (Rússia, 1896-1934), a parte mais conhecida de sua extensa obra, em seu curto espaço de vida converge para o tema da criação da cultura. Aos educadores interessa em particular os estudos sobre desenvolvimento intelectual. Vigotski atribuía um papel preponderante às relações sociais nesse processo, tanto que a corrente pedagógica que se originou de seu pensamento é o chamado socioconstrutivismo ou sóciointeracionismo. (Revista Nova Escola – A Revista do Professor. Edição Especial: Os Pensadores. Editora Abril, 2004).
Portanto, o meio social oferece experiências e trocas de experiências únicas entre os pequenos, proporcionando a construção de novos conhecimentos, que se dá, sobretudo, pela interação social.
Para concluir, gostaria de que você refletisse acerca dos tipos de jogos que têm como objetivo trabalhar a interação entre as pessoas, mas isso é assunto para um outro momento.
 
Até logo!!!
Aula 16: O jogo e o papel do educador
  
No nosso último encontro abordamos o tema: a criança, o jogo e o outro no universo das interações sociais e constatamos, a partir dos estudos de Vigotski, que o meio social
oferece experiências e trocas de experiências únicas ,entre as crianças, que propiciam a construção de novos conhecimentos.
Sendo esta a última aula de nossa segunda unidade, falaremos sobre o papel do professor na promoção das atividades lúdicas em sala de aula.
 
Antes disso, vamos refletir sobre o que foi estudado nessa unidade, a fim de responder mentalmente às seguintes questões: 
· Em que o professor deve pensar antes de iniciar o trabalho com jogos?
· Como saber os tipos de jogos mais adequados para os alunos?
· O que ele pode fazer para incentivá-los?
· Quais conhecimentos são necessários para que o professor desenvolva uma prática comprometida com o desenvolvimento da criança?
Podemos dizer, em primeiro lugar, que não basta bom senso e, muito menos, gostar de criança para desenvolver um trabalho com qualidade. É preciso muito mais que isso, ou seja, que haja formação específica em educação infantil para efetivar uma prática pedagógica pautada nos princípios de cuidar e educar, conhecendo a grande responsabilidade de sua função como um educador.
Facci (2004), ao falar sobre as Ideias vigotskianas , afirma que o ensino possui um papel muito importante na vida da criança, cabendo ao docente contribuir para a humanização dos indivíduos. E, segundo a autora, a escola tem a função de possibilitar aos alunos a apropriação do conhecimento produzido historicamente, levando em consideração que todo o conhecimento produzido na prática social necessita ser novamente produ-zido em cada indivíduo singular. O professor precisa desenvolver métodos
Referentes aos estudos de Lev SemenovichVigotski que levem ao conhecimento vinculado à prática social. Ele deve auxiliar a criança a expressar e a desenvolver por si mesma o que ainda não é capaz de realizar, provocando o seu desenvolvimento intelectual, físico e afetivo que culminará no desenvolvimento máximo de suas capacidades. Sendo assim, a ação educativa precisa englobar as objetivações produzidas ao longo da história e também a humanização das pessoas, pois o último fato faz com que este trabalho se diferencie de outras formas de educação.
Diante disso, antes de iniciar o trabalho com os jogos, o educador deve planejar tanto o espaço de tempo, ou seja, definir o tempo diário que destinará aos jogos, quanto o espaço físico, isto é, se terá de desenvolver tais atividades na classe, no pátio, no parque ou em outros locais. Deverá selecionar, também, os materiais e/ou brinquedos que serão necessários para utilização durante os jogos.
Contudo, a fim de identificar os jogos mais adequados para trabalhar com nossos alunos,é importante que observemos o comportamento deles enquanto brincam, procurando perceber o grau de interesse e motivação de cada um, bem como o seu desenvolvimento vem acontecendo.
Após observar tudo o que foi sugerido, ainda não devemos partir para o jogo. Estabelecer combinados com as crianças é o próximo passo. Impor regras não é o melhor caminho, pois devemos democratizar as escolhas, pois juntos decidiremos o que pode ou não ser feito. Assim, possibilitaremos um espaço de interação com troca de ideias, vivências e experiências, atitudes que também contribuem para o desenvolvimento do raciocínio lógico.
Se agirmos dessa forma, já estaremos dando um grande passo para despertar na criança o interesse em participar dos jogos que serão propostos, uma vez que tudo foi decidido junto com ela.
Por fim, ainda é importante frisar que: um educador que dispõe de uma boa formação para lidar com a criança pequena, com certeza não irá esquecer que os jogos podem ser propostos por ele, mas nunca impostos. Os educandos devem participar da escolha para que tenham a oportunidade de expressar suas opiniões e para que possam desenvolver, assim, a iniciativa, a criatividade e a tão desejada autonomia, pois a criança não somente aceita as regras, mas as questiona.
Resumo - Unidade II
 
Chegamos ao final da nossa segunda unidade, cuja proposta foi realizar um estudo acerca do jogo no desenvolvimento e na aprendizagem infantil, buscando analisar suas contribuições, principalmente no campo educacional.
Vimos que não existe uma definição única, bem como não há uma teoria universalmente aceita sobre o jogo, mas existem vários estudos importantes.
Concentramos nossos estudos nas três estruturas de jogos que permeiam o universo infantil teorizadas por Piaget. Os jogos de exercícios, os simbólicos e os de regras, nos quais conseguimos perceber que todos eles comprovam que a criança, desde a mais tenra idade, incorpora o lúdico em suas ações possuindo o desejo pela descoberta.
Em seguida, trabalhamos com os jogos tradicionais, destacando sua importância, uma vez que fazem parte dos traços culturais de nossa sociedade. Por isso, não devem ser vistos como algo ultrapassado ou esquecido, principalmente na sala de aula, pois os educadores devem trabalhar e respeitar a cultura infantil.
Por outro lado, observamos que o jogo mudou bastante com o passar dos anos e são vários os fatores que ocasionaram essas transformações, tais como: a diminuição do espaço físico; a diminuição do espaço temporal; o aumento das fábricas de brinquedos e a influência da mídia na vida infantil. É o que explica a necessidade de resgatarmos os jogos tradicionais para o nosso cotidiano devido às contribuições que podem proporcionar para o desenvolvimento da criança pequena.
Constatamos, também, com base nos estágios do desenvolvimento cognitivo de Piaget, a influência do jogo no desenvolvimento infantil. Nós nos preocupamos, inclusive, com as questões que envolvem o jogo e a aprendizagem. Em conseqüência disso, percebemos que o desenvolvimento encontra-se intimamente ligado à aprendizagem, pois as crianças conhecem conforme o estágio de desenvolvimento em que se encontram, uma vez que é por meio das diferentes maneiras de aquisição de conhecimentos (aqui entra o jogo) que a aprendizagem ocorre.
Refletimos sobre a criança, o jogo e o outro no universo das interações sociais e constatamos, a partir dos estudos de Vygotsky, que o meio social oferece experiências e trocas de experiências únicas entre os pequenos, o que proporciona a construção de novos conhecimentos que ocorrem, sobretudo, pela interação social. 
Para concluir, falamos acerca do papel do professor na promoção das atividades lúdicas em sala de aula, sobretudo os jogos, e ressaltamos que não basta bom senso e, muito menos, gostar de criança para desenvolver um trabalho com qualidade. É preciso que haja formação específica em educação infantil para efetivar uma prática pedagógica pautada nos princípios de cuidar e educar, conhecendo a grande responsabilidade de sua função como um educador.
 
Como você pode ver, mais uma unidade ficou para trás. 
Agora, respire fundo e prepare-se, porque a terceira unidade está ainda mais interessante. Vamos lá?
 
Referências Bibliográficas 
BRASIL. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Volume I: Introdução; Volume II: Formação Pessoal e Social; Volume III: Conhecimento de Mundo (Vol. 3). Brasília: MEC/SEF, 1998.
FACCI, Marilda Gonçalves Dias. Valorização ou esvaziamento do trabalho do professor? Um estudo críticocomparativo da teoria do professor reflexivo, do construtivismo e da psicologia vigotskiana. Campinas: Autores Associados, 2004.
FREIRE, João Batista. Educação de corpo inteiro: teoria e prática da educação física. 3. ed. São Paulo: Scipione, 1992.
FREIRE, Madalena. Jogo e pensamento (I). Revista Infância na Ciranda da
Educação. Belo Horizonte: Centro de Aperfeiçoamento dos Profissionais da
Educação: n. 4, p. 35-36, fev. 2000.
FRIEDMANN, Adriana. Brincar, crescer e aprender - o resgate do jogo infantil. São Paulo: Moderna, 1996.
ROSSETTI-FERREIRA, Maria Clotilde. Tornar-se humano. Revista Infância na Ciranda da Educação. Belo Horizonte: Centro de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação: n. 3, p. 29-33, nov. 1997.
WOOLFOLK, Anita E. Psicologia da educação. Tradução: Maria Cristina
Monteiro. Porto Alegre: Artmed, 2000.
Aula 17: O que é, o que é brincar?
 
Neste momento, estamos iniciando nossa terceira unidade, cuja proposta é apresentar um panorama teórico sobre o brincar, mas como faremos isso?
 
Começaremos pelo significado das palavras, obviamente!
 
Ao nos referirmos a um panorama, significa que pretendemos proporcionar uma visão ampla e teórica sobre o assunto, porque buscaremos de maneira racional conhecimentos não ingênuos acerca do brincar. Parece complicado? Mas não é! 
Para que você entenda melhor, explicaremos de outra forma: nosso intuito é mostrar que o brincar deve ser levado a sério, ou seja, deve ter um espaço permanente nas escolas de Educação Infantil. 
Na aula de hoje falaremos sobre essa palavra simples: brincar. Trata-se de uma palavra aparentemente simples, mas que, ao ser praticada, ganha uma dimensão significativa enorme.
 
Afinal, o que é brincar? 
 O Novo Dicionário Eletrônico Aurélio (século XXI) apresenta várias definições para esta palavra. Vejamos três delas: “ [...] 1.Divertir-se infantilmente; entreter-se em jogos de crianças; 2. Agitar-se alegremente; foliar, saltar, pular, dançar; 3.Dizer ou fazer algo por brincadeira; zombar, gracejar.” Você pode perceber que o brincar está intimamente ligado à ludicidade, à alegria, à espontaneidade e, principalmente, às crianças (apesar de sabermos que não só as crianças brincam). Nosso papel, enquanto educadores, é redescobrir as possibilidades da brincadeira no cotidiano escolar, identificando o brincar como instrumento de aprendizagem e, sobretudo, como um grande “parceiro” na construção da autonomia das crianças.
De acordo com o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil
– Volume 1:
 
[...] No ato de brincar, os sinais, os gestos, os objetos, os espaços valem e significam outra coisa daquilo que aparentam ser. Ao brincar as crianças recriam e repensam os acontecimentos que lhes deram origem, sabendo que estão brincando (Brasília: MEC/SEF, 1998, p.27).
 
Podemos perceber, assim, que, por meio da brincadeira, a criança se desenvolve, pois investiga, descobre e compreende o mundo que a cerca, agindo sobre ele.
 
[...] Por fim, o brincar deveria estar sendo posto constantemente em questão e prática em nossas instituições, principalmente aquelas que lidam com crianças, pois no brincar, não se aprendem somente conteúdos escolares, aprende-se algo sobre a vida e a constante peleja que nela travamos. (Pereira, 2002, p.7).
 
Aula 18: O papel do brincar
Na aula passada falamos sobre o significado da palavra brincar, e suas dimensões, com o intuito de mostrar que o brincar deve ser levado a sério, ou seja, deve ter um espaço permanente nas escolasde Educação Infantil.  Na aula de hoje veremos o papel do brincar na vida da criança pequena, bem como as contribuições que esta atividade é capaz de trazer para o desenvolvimento das potencialidades infantis.
É brincando que a criança se apropria do mundo à sua volta, constrói sua própria realidade, e dá a ela um significado. Esta atividade configura-se como uma das muitas formas de construção dos saberes infantis, permite a interação com o outro e o desenvolvimento dos aspectos afetivos, cognitivos, emocionais e físicos a partir da “dramatização” de diferentes papéis.
 
O ato de brincar é tão antigo que não sabemos quem brincou primeiro, não é mesmo?
 
Desde o primeiro jardim de infância1 inaugurado no Brasil em 1875, segundo Kishimoto (1988), já se pensava na importância de se trabalhar o lúdico, uma vez que utilizar a brincadeira como parte da proposta educativa surgiu com Friedrich Froebel em 1840.
Froebel criou, na Alemanha, a modalidade infantil nomeada jardim de infância ou Kindergarten, que priorizava o uso pedagógico de jogos e brinquedos, atribuindo à “professora”, à escola e à família, em conjunto, a função de propiciar o desenvolvimento moral, intelectual, emocional e físico da criança.
Naquela época, o Kindergarten froebeliano, que era frequentado por crianças com idade entre 3 e 7 anos, já pretendia (por meio de sua proposta curricular que estava pautada no contato com a natureza, no cuidado com o corpo, na formação religiosa, no trabalho com o canto, poesias, exercícios manuais, desenhos e passeios) estimular o desenvolvimento integral da criança pequena com base em atividades lúdicas e de cunho educativo.
 Como podemos perceber, a ideia de inserir o lúdico nas instituições infantis não é recente, assim como a prática pedagógica que parte da realidade da criança para ampliar-se, a fim de trabalhar as potencialidades dos educandos. Froebel pensou e implantou essas ideias. A partir dele vários educadores começaram a perceber a importância do brincar e passaram a acreditar e a incentivar o trabalho com o lúdico dentro dos ambientes escolares. 
É difícil elencar todas as contribuições que o brincar pode trazer para a criança, porém, algumas são impossíveis de esquecer, como o favorecimento da autoestima e da interação junto às outras crianças e o desenvolvimento da autonomia a partir da iniciativa que exercita todas as vezes em que a criança entra em contato com o lúdico.
 
Para saber mais, consulte: 
http://www.fe.usp.br/laboratorios/labrimp/escola.htm acessado em 03/12/2007.
 
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1Criado pelo médico/educador Menezes Vieira e instalado na cidade do Rio de Janeiro, o Jardim de Crianças do Colégio Menezes Vieira, tinha como objetivo atender as crianças da elite carioca, sendo de responsabilidade da iniciativa privada.
Aula 19: O brincar e o faz-de-conta
Durante o nosso último encontro discutimos acerca do papel do brincar na vida da criança pequena, bem como as contribuições que esta atividade é capaz de trazer para o desenvolvimento das potencialidades infantis. 
Hoje, falaremos um pouco sobre a relação entre o brincar e o faz-de-conta.
 
De acordo com Pereira:
 
[...] As brincadeiras alimentam o espírito imaginativo, exploratório e inventivo do faz-de-conta e a isso chamamos de lúdico. Brincar tem o sabor de desconhecer o que se conhece, pois cada brincadeira é um universo a ser sempre (re) descoberto, (re) vivido, (re) aprendido. (PEREIRA, 2002, p. 07)
 
Assim, o faz-de-conta possui uma importância e um significado muito grande para a criança e para os adultos que a cercam e se preocupam com ela, pois é capaz expressar seus sentimentos por meio desta atividade, afinal, “não se faz-de-conta que se faz-de-conta, e brincar não é uma mentira, é uma atitude em que tudo de si está presente (idem, p.07)”.
Brincar permite à criança não somente demonstrar alegrias e coisas que a fazem bem; permite também que venham à tona os seus anseios, angústias, conflitos e tristezas, ou seja, as coisas que lhe incomodam, pois muitas vezes, durante essas situações lúdicas, ela expressa o que sente e/ou sofre passivamente.
Enquanto brincam, os educandos estruturam o seu próprio mundo, recordam os acontecimentos que vivenciaram ativamente e dão a eles uma resposta, um significado. Finalmente, por meio do jogo simbólico, eles aprendem a atuar, a possuir iniciativa, pois têm a curiosidade e as atividades autônomas estimuladas.
Então, vejamos:
 
A brincadeira é permeada por coisas que surgem da imaginação da criança, e, apesar de não ser verdadeira, também não é uma mentira. No entanto, ao mesmo tempo, podem expressar verdadeiramente situações boas ou ruins que vivenciam em seu cotidiano, uma vez que tais pensamentos e atitudes vieram do mundo real e foram para o universo do “faz-de-conta”. Isso é muito interessante.
Isso lhe parece complicado? Basta observar uma criança brincando para que você possa descobrir que tudo isso é, de fato, muito simples, pois será possível ver na prática como tudo acontece. Experimente.
 
Até a próxima aula!!!
Aula 20_Analisando as situações do brincar
   
Na aula anterior constatamos que o faz-de-conta possui uma importância e um significado enorme para a criança e para os adultos que a cercam, pois, por meio desta atividade, ela expressa seus sentimentos de maneira saudável e lúdica. 
Nesta aula veremos como são observadas as situações do brincar de acordo os estudos apresentados na Psicologia, na Sociologia, na Antropologia e na Arte. Cada uma dessas áreas procura, segundo Pereira (2002), respostas para entender o que está por trás do “fenômeno” brincar, apontando diversos caminhos e diferentes modos de compreender e interpretar a brincadeira.  A Psicologia observa os significados que a brincadeira representa na vida da criança, em especial, porque é uma ciência que estuda os fenômenos psíquicos e o comportamento. Todos os movimentos e reações são vistos atentamente e indicam vários traços de quem está brincando, ou seja, são expressões de como a criança vê o mundo e como deseja que ele seja. 
Assim, ela representa e demonstra sua realidade brincando de casinha, de escolinha, entre outros. 
A Sociologia, por estudar principalmente as relações que se estabelecem entre pessoas dentro de uma sociedade, e a Antropologia, por refletir acer-ca do ser humano e do que lhe é específico, observam o que está contido numa brincadeira e são capazes de mostrar como se organiza uma cultura, uma vez que a criança, ao brincar, expõe acontecimentos e seres imaginários que simbolizam aspectos da vida humana e representam fatos ou personagens. 
A Arte, por ser uma atividade que supõe a criação de sensações ou de estados de espírito de caráter estético e carregados de vivência pessoal, observa o brincar como algo parecido com o fazer artístico, pois é por meio dele que a criança cria uma música, faz um desenho, pinta, escreve um conto, entre outros.
 
Você deve estar se perguntando... E quanto à educação?
Como observa o brincar?
 
Na educação, o brincar tem sido foco de diversos estudos, os quais têm revelado que a brincadeira começa a ser vista como um importante instrumento pedagógico.
No entanto, os educadores devem refletir como e em que momento podem usar o brincar como um instrumento de aprendizagem.Sei que muitas vezes pensamos: o brincar pode envolver qualquer atividade em sala de aula? A resposta seria: sim e não. Sim, à medida que o conteúdo a ser trabalhado possibilite que a criança desenvolva suas habilidades ao descobrir, imaginar e participar da brincadeira. Não, quando a criança é “obrigada” e limitada a fazer aquilo que o educador espera que ela faça, sem que possa utilizar o faz-de-conta, a imaginação e tenha como função apenas encontrar soluções para perguntas e questionamentos do conteúdo proposto.
 
Ficamos, então, por aqui. Até a próxima aula!
Aula 21_O brincar e a aprendizagem 
 
Na aula anterior verificamos como são observadas as situações do brincar de acordo os estudos apresentados na Psicologia, na Sociologia, na Antropologia e na Arte. Vimos  também que,na educação, a brincadeira tem sido vista como importante instrumento pedagógico. Hoje, daremos prosseguimento ao que falamos na aula anterior, quando começamos a questionar sobre como e em que momento é possível usar o brincar como um instrumento de aprendizagem.
Já falamos, anteriormente, sobre a importância da formação do educador para lidar com crianças pequenas, e também já dissemos que não basta bom senso, ou possuir “dotes” maternais para trabalhar com elas. É preciso, ainda, ir além da formação inicial, buscando um desenvolvimento profissional1, pois é dessa maneira que se “constrói” um profissional capaz de realizar seu papel. Não podemos esquecer, é claro, de que cada um de nós deposita na ação pedagógica não somente os conhecimentos construídos, mas também nossa subjetividade, algo que faz com que nos tornemos únicos e que tenhamos uma prática única.
Assim, o educador, que utiliza sua prática tendo como real finalidade auxiliar no desenvolvimento pleno da criança, consegue trabalhar o brincar como um instrumento pedagógico de maneira coerente e responsável. Consegue, também, ao planejar sua aula, colocar-se no lugar das crianças antes de propor determinada brincadeira, avaliando se esta é realmente adequada ou não.
Portanto, o brincar e a aprendizagem, principalmente na Educação Infantil, podem caminhar juntos, porque, de um lado, as brincadeiras configuram-se como instrumentos valiosos que desafiam a criança a descobrir e a compreender a realidade em que está inserida; por outro lado, a aprendi-zagem acontece de maneira mais agradável e significativa à medida que o lúdico se faz presente e lhe proporciona situações que instigam suas capacidades cognitivas.
Por fim, um fator que nunca deve ser esquecido:
 
O educador precisa ter sensibilidade para respeitar e perceber as iniciativas dos educandos, bem como sempre tomar cuidado para não dirigir, nem interferir na atividade, a não ser que se faça realmente necessário.
1O desenvolvimento profissional abarca a ideia de olhar para o professor como sujeito de sua própria identidade, considerando-o um sujeito reflexivo que olha para sua prática com criticidade e como objeto de pesquisa. Surge, então, um novo paradigma denominado desenvolvimento profissional, pois é aquele que entende que o professor está em constante aprendizado e, consequentemente, em constante evolução, sem, no entanto, desconsiderar a sua identidade profissional. (SILVA, Juliana Motta da. Sugestões para a Constituição de um Programa de Incentivo ao Desenvolvimento Profissional de Professores da Educação do Município de Hortolândia , tese em nível de Pós-Graduação Stricto Sensu).
Aula 22_O brincar na perspectiva da “recreação” 
 
Na nossa última aula discutimos a importância do brincar na aprendizagem, chegando à conclusão de que ambos podem caminhar juntos, principalmente na Educação Infantil, pois as brincadeiras configuram-se como instrumentos valiosos que desafiam a criança a descobrir e a compreender a realidade em que está inserida, e, assim, a aprendizagem acontece de maneira mais agradável e significativa à medida que o lúdico se faz presente e lhe proporciona situações que instigam suas capacidades cognitivas. 
Nesta aula veremos o inverso, pois falaremos a respeito do brincar sem propósito, ou seja, do brincar por brincar, sem que este seja aplicado na aprendizagem da criança. Para isso, teremos como base os estudos de Lima (2005, p. 175), onde argumenta que: “[...] Brincar, nesse contexto, é concebido como ‘recreação’, lugar para a criança gastar energia excedente ou, ainda, um meio para tapar ‘buracos’ que surgem no processo de organização da rotina escolar.” 
Alguns educadores, muitas vezes, não utilizam o brincar em sua prática pedagógica por não possuírem conhecimentos teórico-práticos para fazê-lo. Por isso, acabam usando a brincadeira somente como uma forma de levar a criança para gastar energia, para passar o tempo ou simplesmente para relaxar.
Existem também aqueles que fazem uso do brincar unicamente para atrair a atenção dos educandos ao conteúdo. Neste caso, a brincadeira configura-se como um meio para diversificar o trabalho pedagógico em que o professor determina tudo o que será realizado e a criança apenas executa os passos sugeridos, trazendo o resultado. Tal atividade não pode assim configurar-se como uma brincadeira, uma vez que não foi dada a oportunidade ao educando para escolher os caminhos a serem trilhados e explorados.
Desta forma, as contribuições que a brincadeira poderia proporcionar para o desenvolvimento das “capacidades humanas da criança” (idem, p. 158), não são consideradas e muito menos aproveitadas, uma vez que não houve liberdade de agir sobre ela. Por isso, nós nos reportamos novamente a Lima (2005), quando afirma que é essencial que o educador:
 
[...] Conceba a criança como um ser interativo, imaginativo, ativo e lúdico; descubra o potencial de desenvolvimento e aprendizagem que está por trás das brincadeiras e exerça o seu papel, isto é, ajude a estruturar o espaço, o tempo, os conteúdos e os argumentos da atividade lúdica (p.177).
 
Sendo assim, não basta apenas inserir o brincar em nossa prática pedagógica, pois é preciso que estejamos preparados e seguros para utilizá-lo de maneira adequada, ou seja, permitindo que este desempenhe o seu papel auxiliando no desenvolvimento da criança e preparando-a para viver em sociedade de maneira autônoma e participativa.
 
Aula 23_Brincar e aprender com parlendas
    
Na aula anterior falamos a respeito do brincar na perspectiva da “recreação”, ou seja, do brincar por brincar, sem que haja intenções de aplicar esses momentos na aprendizagem da criança. Verificamos também que, desta forma, as contribuições que a brincadeira poderia proporcionar ao desenvolvimento das “capacidades humanas da criança” não são consideradas, muito menos aproveitadas.
Hoje priorizaremos o campo prático, propondo algumas atividades que podem nos auxiliar no trabalho lúdico com as crianças, embora seja necessário que observemos o momento certo para colocá-las em ação.
Trabalharemos com as parlendas. Você sabe o que é isso? Se não sabe, com certeza já ouviu. Veja só:
 
Jacaré passeando na lagoa
Viu um peixinho
Abriu a boquinha
Nhoct, nhoct, nhoct
Você se lembrou dessa?
As parlendas são rimas infantis, em versos de cinco ou seis sílabas, cujo objetivo é divertir, ajudar a memorizar ou escolher quem fará tal ou qual brinquedo. 
Sabemos que muitas são as formas de brincar, e uma de suas funções é proporcionar a interação entre a criança e o outro com seus pares. Assim, as parlendas permitem que a criança se veja integrada ao grupo, bem como tenha “noção” de sua importância dentro dele. A linguagem melódica, ao ser pronunciada, expressa os sentimentos individuais e coletivos. A criança precisa do outro para dizer uma parlenda, uma vez que pronunciá-la sozinha, “não tem graça”, afinal o que dá vida à brincadeira é a entonação das palavras. Portanto, ao incluir parlendas em nossas aulas, estaremos incluindo também sentimentos, emoções e conhecimentos no processo de aprendizagem.
  
Vejamos1:
Como podemos trabalhar as parlendas propostas?
 
Uma forma seria compor uma roda da conversa, ou seja, sentar em círculo com as crianças a fim de discutir um assunto, neste caso, uma conversa sobre parlendas. Pergunte a elas se sabem o que é uma parlenda, se conhecem as citadas acima, se já ouviram outras e de que maneira gostariam de brincar utilizando-as. Desta forma, será trabalhada, além dos aspectos lúdicos, a linguagem oral, bem como será possível contribuir para a construção de novos conhecimentos. Conforme a atividade decidida pelo grupo, os aspectos trabalhados podem variar...
 
Ficamos por aqui! Até a próxima aula!
______
 1Tais parlendas foram retiradas do livro: Quem canta seus males espanta: mais músicas, parlendas, adivinhas e trava-línguas. Volume 2. Editora Caramelo, 2000. Coordenado por Theodora Maria Mendes de Almeida.
Aula 24_Brincar e aprender com cantigas
   
Estamos chegando ao finalde mais uma unidade. Espero que você tenha aproveitado nossas aulas e que tenha conseguido ampliar seus conceitos a respeito brincar.  Na aula passada vimos algumas possibilidades de trabalhar o brincar junto às crianças a partir das parlendas. Daremos continuidade a esta proposta na aula de hoje, porém utilizando as cantigas de roda.
Antes de começarmos, gostaria de que você procurasse lembrar:
Você brincava por meio de cantigas de roda? Qual cantiga você mais gostava? Se tivesse oportunidade, ainda saberia brincar?
Com certeza alguma cantiga de roda marcou a nossa infância.
As cantigas estimulam, sobretudo, a criatividade, a interação e a atenção, pois trabalham os aspectos físicos por meio do movimento, os psicológicos por meio das emoções, o intelectual por meio da memorização, da atenção e do desafio e os sociais na medida em que, para ser realizada, necessita do envolvimento do grupo. Ao contrário do que muitos pensam, as cantigas de roda não estão ultrapassadas, pois possuem em seu bojo o folclore popular e as tradições regionais, isto é, nunca saem da moda! Ao participar de uma brincadeira desse tipo, a criança entra em contato com as diferentes culturas, expressando espontaneamente sua música e letra, bem como suas emoções.
A cantiga de roda que aqui iremos propor é bastante conhecida, porém apresentaremos também uma variação da mesma, cuja letra pode ser discutida em roda da conversa com as crianças.
 
Atirei o pau no gato1
A cantiga de roda proposta é bastante conhecida e pode estar contida em muitos livros infantis. Para escrevê-la não consultei livros, apenas utilizei minhas experiências como professora na educação infantil, de acordo com a proposta da aula e consequentemente, da disciplina. Quanto à variação da cantiga, aprendi no cotidiano escolar, ou seja, com os demais professores e alunos.
 
Convidar as crianças para fazer uma roda de mãos dadas. Girar enquanto todos cantam música e, ao falarem Miau, todos se agacham juntos. 
Já que falamos bastante a respeito do brincar, nada mais apropriado do que terminarmos mais uma unidade com essa brincadeira, não é mesmo? Até a próxima!
 
Para saber mais, consulte: 
http://efartigos.atspace.org/efescolar/artigo39.html acessado em 03/12/2007.
1A cantiga de roda proposta é bastante conhecida e pode estar contida em muitos livros infantis. Para escrevê-la não consultei livros, apenas utilizei minhas experiências como professora na educação infantil, de acordo com a proposta da aula e consequentemente, da disciplina. Quanto à variação da cantiga, aprendi no cotidiano escolar, ou seja, com os demais professores e alunos.
Aula 25_O jogo, o brinquedo e a brincadeira: seus vários significados
 
A partir desta aula iniciamos nossa quarta unidade, que tem como tema: criando um espaço de brincar: o jogo, o brinquedo e a brincadeira – significados, características, classificação. Privilegiaremos esse espaço para brincar dentro de uma abordagem educacional. 
Para começarmos, nós nos basearemos, nesta aula, nos estudos de Friedmann (1996) para tentar conceituar e caracterizar o jogo, o brinquedo e a brincadeira. Vamos lá?
Como já mencionei em aulas anteriores, existem muitos debates e confusões com relação às noções de jogo, brinca-deira, brinquedo e atividade lúdica, uma vez que não há uma explicação universalmente aceita para esses termos. Por isso, no decorrer de nossos estudos não temos visto apenas um significado para os mesmos, de modo a ampliar nossos conceitos e possibilidades.
 
Segundo Friedmann:
 
[...] Brincadeira refere-se, basicamente, à ação de brincar, ao comportamento espontâneo que resulta de uma atividade não estruturada; Jogo é compreendido como uma brincadeira que envolve regras; Brinquedo é utilizado para designar o sentido do objeto brincar; atividade lúdica abrange, de forma mais ampla osconceitos anteriores. (FRIEDMANN, 1996, p. 12)
 
Tendo em vista que na Unidade I falamos sobre o lúdico, na Unidade II falamos sobre os jogos e na Unidade III sobre o brincar, além de termos trabalhado suas definições, nós nos deteremos, neste momento, aos conceitos de brincadeira e brinquedo.
Então, vejamos:
 
Friedmann (1996) entende que a brincadeira é o brincar realizado na prática, a qual ocorre de forma natural e não organizada, enquanto brinquedo é um objeto que dá sentido ao brincar. 
 
Já no Novo Dicionário Eletrônico Aurélio (século XXI), encontramos as seguintes definições para esses termos:
 
 [...] Brincadeira: entendida como o ato ou efeito de brincar; divertimento, sobretudo entre crianças; brinquedo, jogo; passatempo, entretenimento; gracejo,    pilhéria.
 
Brinquedo: objeto que serve para as crianças brincarem; jogo de crianças; brincadeira. 
Provavelmente, você deve estar percebendo as controvérsias que se fazem presentes nas definições dessas palavras, mas não se desespere, pois o que acontece é que cada uma delas está intimamente ligada à outra, variando conforme o contexto onde são empregadas. 
Para contribuir a esta discussão, consulte o texto sobre jogos e brincadeiras no contexto escolar. No nosso ambiente virtual de aprendizagem indicamos um link sobre o assunto na tela desta aula. Veja e colabore com a sua opinião!
 
Aula 26_Caracterizando o jogo, o brinquedo e a brincadeira 
 
Na aula passada conversamos sobre o significado das palavras: jogo, brinquedo, brincadeira e atividade lúdica. Porém, nós nos preocupamos em conceituar de uma maneira mais ampla os termos brincadeira e brinquedo, à medida que os demais já haviam sido enfocados nas unidades anteriores. O objetivo da aula de hoje é caracterizar o jogo, o brinquedo e a brincadeira. Porém, antes de tentarmos alcançar esse objetivo, é importante destacar que, sendo confusas as definições desses termos ora vistos como sinônimos, ora como opostos, ora como consequência um do outro, ou ainda, como se possuíssem uma relação de interdependência, ao procurarmos caracterizá-los, tal tarefa não é tão simples. Você irá perceber que, ao falarmos sobre o jogo, estará presente a brincadeira e o brinquedo, e vice-versa, como se um dependesse do outro, como se estivessem inseridos, interligados.
Os estudos de Kishimoto (1999) demonstram claramente essas dificuldades de conceituação acerca do jogo, do brinquedo e da brincadeira e, por esse motivo, busca essas definições em diversos autores de diferentes épocas da história e regiões geográficas. Aceita um desafio? Partindo do princípio de que estamos em contato com o jogo, o brinquedo e a brincadeira no ambiente escolar como meio educacional, então, esses devem acontecer de acordo com a realidade, levando em consideração o meio ambiente, os objetos físicos e sociais. De acordo com as ideias de Freire (1992): 
[...] Num contexto de educação escolar, o jogo proposto como forma de ensinar conteúdos às crianças aproxima-se muito do trabalho, não se trata de um jogo qualquer, mas sim de um jogo transformado em instrumento pedagógico, em meio de ensino. 
 
É preciso tomar muito cuidado para que este não perca seu caráter lúdico. Friedmann (1996, p. 78) realizou uma pesquisa em que formulou as características dos jogos tradicionais. Então, utilizaremos como base parte desses estudos, buscando caracterizar o jogo, o brinquedo e a brincadeira dentro do contexto escolar. Assim: estão organizados em um conjunto de regras; acontecem em um determinado espaço de tempo; são, na maioria, coletivos, embora apareçam alguns de caráter individual; são jogos (brincadeiras) que prescindem, em geral, do uso de objetos ou brinquedos. 
Podemos perceber que todas essas características são adequadas às brincadeiras e jogos em geral, principalmente porque esses três conceitos encontram-se intimamente relacionados.  Agora, cabe a você refletir se é preciso ou não que exista distinção conceitual entre os termos jogo, brinquedo e brincadeira. Afinal, se os grandes teóricos possuem ideias divergentes, nós também temos esse direito, não é mesmo? Pense.
Até a próxima aula!!!         
Resumo - Unidade III
   
Chegamos ao final da nossa terceira unidade cujaproposta foi apresentar um panorama teórico sobre o brincar, de modo a proporcionar uma visão ampla do assunto, assim como foram buscados, de maneira racional, conhecimentos não ingênuos acerca do brincar e mostrando que este deve ser levado a sério, a fim de que haja um espaço privilegiado e permanente nas escolas de Educação Infantil.
Conversamos sobre o papel do brincar na vida da criança pequena, bem como as contribuições que esta atividade é capaz de trazer para o desenvolvimento das potencialidades infantis.
Descobrimos que a ideia de inserir o lúdico na prática pedagógica das instituições infantis não é recente, pois Fröebel pensou e implantou essas ideias. A partir dele, vários educadores começaram a perceber a importância do brincar, passando a incentivar o trabalho com o lúdico dentro dos ambientes escolares.
Vimos que o faz de conta possui uma importância e um significado muito grande para a criança e para os adultos que a cercam, pois, por meio desta atividade, ela expressa seus sentimentos de maneira saudável e lúdica.
Verificamos como são observadas as situações do brincar de acordo com os estudos apresentados: na Psicologia, que observa os significados que a brincadeira representa na vida da criança; na Sociologia e na Antropologia, que observam o que está contido numa brincadeira, uma vez que a criança ao brincar expõe acontecimentos e seres imaginários que simbolizam aspectos da vida humana e representam fatos ou personagens; na Arte, que observa o brincar como algo parecido com o fazer artístico, pois é por meio dele que a criança cria uma música, faz um desenho, pinta, escreve um conto, entre outros, e que, na educação, a brincadeira tem sido vista como importante instrumento pedagógico.
Discutimos também a importância do brincar na aprendizagem, chegando à conclusão de que ambos podem caminhar juntos, principalmente na Educação Infantil, pois as brincadeiras configuram-se como instrumentos valiosos que desafiam a criança a descobrir e a compreender a realidade em que está inserida. Assim, a aprendizagem acontece de maneira mais agradável e significativa à medida que o lúdico se faz presente e lhe proporciona situações que instigam suas capacidades cognitivas.
Falamos, ainda, a respeito do brincar na perspectiva da “recreação”, ou seja, do brincar por brincar, sem que este seja aplicado na aprendizagem da criança. Verificamos também que, desta forma, as contribuições que a brincadeira poderia proporcionar para o desenvolvimento das “capacidades humanas da criança” não são consideradas, muito menos aproveitadas.
Por fim, priorizamos o campo prático, propondo algumas atividades que podem nos auxiliar no trabalho lúdico com as crianças, como as parlendas e as cantigas de roda, embora devamos observar o momento certo para colocá-las em ação.
 
Metade do nosso curso já ficou para trás. Você percebeu como foi rápido e fácil? 
Vamos, então, dar início à quarta unidade? 
  
Referências Bibliográficas 
ALMEIDA, Theodora Maria Mendes de. Quem canta seus males espanta: mais músicas, parlendas, adivinhas e trava-línguas. Volume 2. São Paulo: Caramelo, 2000.
BRASIL. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Vo-lume I: Introdução; Volume II: Formação Pessoal e Social; Volume III: Co-nhecimento de Mundo (Vol. 3). Brasília: MEC/SEF, 1998.
FRIEDMANN, Adriana. Brincar, crescer e aprender - o resgate do jogo infantil. São Paulo: Moderna, 1996.
FREIRE, João Batista. Educação de corpo inteiro: teoria e prática da edu-cação física. 3. ed. São Paulo: Scipione, 1992.
KISHIMOTO, Tizuko M. (1988). Os jardins de infância e as escolas ma-ternais de São Paulo no início da República. Cadernos de Pesquisa. São Paulo, n. 64, p. 57-60, 1988.
LIMA, José Milton. A brincadeira na teoria histórico-cultural: de prescin-dível a exigência na educação infantil. In: GUIMARÃES, Célia Maria (org).
Perspectivas para a Educação Infantil. Araraquara: Junqueira & Marin editores, 2005.
PEREIRA, Eugênio Tadeu. Brinquedos e Infância. Revista Criança do Pro-fessor de Educação Infantil. Brasília: MEC/SEF: N. 37, p.7-9, nov. 2002.
 
Aula 27_Classificação: jogos e brincadeiras?
     
A aula anterior teve como objetivo caracterizar o jogo, o brinquedo e a brincadeira como meio educacional, demonstrando que tal tarefa não é tão simples, na medida que existem variadas e diferentes interpretações dos termos em questão. 
Nesta aula nossa preocupação está centrada em classificar os jogos e brincadeiras1
Muitas são as possibilidades para classificar os jogos e as brincadeiras na educação infantil, uma vez que tais classificações variam de acordo com os autores. 
Piaget, conforme vimos em aulas anteriores, classificou os jogos nos diferentes estágios de desenvolvimento da criança. Os jogos de exercícios, os simbólicos e os de regras2, lembra?
Optaremos, então, por utilizar uma classificação que abranja os jogos e brincadeiras mais focadas por diversos estudiosos e, novamente, teremos por base os estudos de Friedmann (1996), uma vez que, conforme ela mesma ressalta, “há quase tantas classificações diferentes quanto autores que tratam do assunto [...]. A lista é grande e não seria possível citar todos aqui.” (p. 78) 
 
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 1Como o foco desta disciplina é a Educação Infantil, optei por classificar os jogos e as brincadeiras num bloco único, como geralmente acontece em nossas instituições de ensino. Vale ainda ressaltar que o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil utiliza o tema jogos e brincadeiras como um único eixo de trabalho. 
2Cabe aqui comentar os jogos de construção que, conforme Piaget apud Friedmann (1996, p.27), “constituem a transição entre os três tipos e as condutas adaptadas”. Eles não caracterizam uma fase entre as outras; assinalam uma transformação interna na noção de símbolo. Ocupam no segundo e no terceiro níveis uma posição entre o jogo e o trabalho inteligente ou entre o jogo e a imitação.
Aula 28_Espaço e tempo para brincar
   
Na última aula nossa preocupação esteve centrada em classificar os jogos e brincadeiras infantis. Na aula de hoje pensaremos no tempo e nos espaços para brincar.
Que espaço é tido como adequado nas instituições de Educação Infantil para que as crianças brinquem, joguem e se divirtam de maneira confortável e adequada? 
O tempo das atividades desenvolvidas é planejado de acordo com as necessidades da criança?
Quantas vezes já ouvimos educadores falando que os conteúdos extensos e as rotinas obrigatórias impedem que exista tempo para brincar?  
Estas questões nos levam a entender o quanto é importante a organização do tempo e do espaço no ambiente escolar, principalmente porque na Educação Infantil é essencial que o brincar preencha grande parte desse tempo, aproveitando todos os espaços disponíveis.
O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil - Volume I propõe que a organização do tempo seja agrupada em três grandes modalidades, assim divididas:
· Atividades permanentes: cujo tempo é direcionado às atividades lúdicas e de necessidades básicas de cuidados, tais como brincadeiras livres nos espaços internos e externos, rodas de conversas e/ou histórias, oficinas de músicas e desenhos, cuidados com o corpo, entre outras.
· Sequências de atividades: cujo tempo é direcionado a atividades que têm como proposta promover uma aprendizagem específica, ou seja, trabalhando de acordo com os conteúdos sugeridos em cada eixo de trabalho proposto no Referencial. Ex.: eixo→matemática→conteúdo→numerais 
· Projetos de trabalho: cujo tempo é direcionado à realização de um projeto pedagógico que deve ter suas etapas planejadas em conjunto com as crianças e um tema relacionado a um dos eixos de trabalho. Ex.: projeto sobre animais de estimação: eixo→natureza e sociedade. 
Essa forma de organização do tempo sugerida pelo Referencial é uma maneira de administrá-lo dentro do ambiente escolar. Desta forma, o educador poderá garantir um tempo específico para a criança brincar.  Porém, não podemos nos esquecer de que é possível inserir o lúdico em todas as atividadesna Educação Infantil, mes-mo naquelas direcionadas a conteúdos específicos, desde que tomemos cuidado para que a brincadeira não perca seu objetivo, tornandose mecânica e imposta, afinal, você já sabe que o jogo, o brinquedo e a brincadeira devem ser sempre vistos como grandes “parceiros” na construção de novos conhecimentos de nossas crianças.
Aula 29_Em foco: a atividade em grupo
  
Na aula anterior discutimos a importância da organização do tempo e do espaço no ambiente escolar, uma vez que na Educação Infantil é essencial que o brincar preencha grande parte do tempo, aproveitando todos os espaços disponíveis.
Nesta aula falaremos sobre a necessidade de realizarmos atividades em grupo com a criança pequena, pois estas proporcionam, além da interação e da troca de vivências e experiências, a oportunidade de construir conhecimentos e compartilhá-los.
O trabalho em grupo permite que as crianças, desde a mais tenra idade, aprendam a dividir tarefas, unindo-se por meio da ajuda e da organização para resolver os problemas, desenvolvendo, assim, atitudes cooperativas. Muitas vezes, estas atividades não acontecem na educação infantil, particularmente porque, em geral, os conteúdos e as aulas já foram planejados e a criança se torna apenas uma executora daquilo que lhe é proposto. Não estamos dizendo que esses conteúdos e aulas não devam ser planejados, ao contrário, mas os educandos devem ser convidados a participar desse planejamento, isto é, durante as rodas da conversa, é preciso que sejam convidados a participar desse processo a fim de que tenham oportunidade para expressar suas opiniões e ideias.
Neste caso, a atividade em um grupo se faz bastante necessária já que, se partimos da roda da conversa para tomarmos as decisões juntamente com todo o grupo classe, o mais recomendável depois disso seria dividi-los em pequenos grupos para que tenham a oportunidade de discussão entre eles. Feita a referida discussão, todos voltariam à roda para expor suas conclusões.Claro que esta prática de divisão em grupos para discussão deve respeitar a maturidade da criança! Geralmente, podemos adotar tal procedimento com crianças entre quatro e cinco anos, não utilizando muito tempo para que conversem nos pequenos grupos, para que a atividade não se disperse nem se torne cansativa.
Precisamos também ter cuidado com a divisão dos grupos; devemos deixar que a criança escolha com quem irá se juntar. Nosso papel é coordenar a atividade, interferindo somente se for necessário. As discussões em grupos permitem que os educandos se tornem autônomos na medida em que são motivados pelo professor a expressarem suas opiniões, a falarem sobre seus interesses, enfim, a tomarem decisões conjuntas. Assim, a criança se sentirá capaz e consequentemente demonstrará mais interesse pelas atividades.
 
Contudo, você deve estar se perguntando: quando as crianças devem trabalhar em grupo?
 
Sempre que possível! Claro que o trabalho individual é importante, mas é principalmente durante as atividades em grupo que as crianças descobrem suas habilidades, visualizam suas funções e responsabilidades, aprendem a dividir tarefas com os outros, enfim, desenvolvem o “espírito” de colaboração.
 
Onde entram o jogo, o brinquedo e a brincadeira nas atividades em grupo?
 
Com certeza, a resposta para essa pergunta você já sabe, porém, falaremos a respeito na próxima aula. Até lá!!!
 
Aula 30_Brincando em grupos
  
Na nossa última aula falamos sobre a necessidade de realizarmos atividades em grupo com a criança pequena, pois estas proporcionam, além da interação, da troca de vivências e experiências, a oportunidade de construir conhecimentos e compartilhá-los.
Dando continuidade a esse assunto, veremos a importância de brincar em grupo utilizando jogos, brinquedos e brincadeiras, uma vez que tal procedimento permite que as crianças entendam as regras de convivência, respeitem o outro, colaborem umas com as outras, construindo, assim, novos saberes e experiências.
As crianças desde pequeninas já podem ser incentivadas a brincar em grupo pelo educador, principalmente se este disponibiliza a sala de aula em cantos, por exemplo, cantinho do brinquedo, cantinho da história, entre outros. Desta forma, a criança tem oportunidade de escolha e começa a brincar em grupo de maneira natural, aprendendo a dividir brinquedos, a tomar decisões, a esperar a sua vez.
Sabemos que não é tão fácil para elas entenderem e se adaptarem às chamadas regras de convivência.
Muitas vezes, uma criança quer um brinquedo e a outra não quer lhe emprestar, particularmente porque se encontram numa fase em que o egocentrismo predomina. Porém, são essas situações que permitem que a criança “aprenda” a resolver problemas e a socializar materiais com o outro. Isto é o que explica a importância de se construir os combinados com os educandos, uma vez que eles mesmos saberão como agir diante das adversidades cotidianas, com o auxílio do educador, é claro!
Em geral, os jogos e as brincadeiras que propomos no ambiente escolar, ou seja, dentro e fora da sala de aula, já privilegiam as atividades em grupo. Por isso, ao utilizarmos essa atividade voltada para uma aprendizagem mais específica, que demande mais atenção e responsabilidade, devemos partir das experiências vividas durante as brincadeiras para que alcancemos nossos objetivos. Quer um exemplo? 
Se tivermos como proposta pedagógica trabalhar como tema a questão do trânsito e pedirmos às crianças que dramatizem uma situação formando grupos, o que você acha que pode acontecer?
 Podemos direcionar a brincadeira, sugerindo que não utilizem nenhum material, mas que representem uma situação de trânsito a partir da brincadeira simbólica. Ou seja, elas próprias simularão carros, bicicletas, caminhões, pedestres, semáforos, entre outros. 
Provavelmente, as crianças decidirão o que cada grupo irá representar.
Deste modo, a dramatização será realizada por todos, configurando-se uma brincadeira que, para ser efetivada com certeza, elas buscarão aquilo que já tinham vivenciado durante os jogos, isto é, a função de cada um, o momento de executá-la, as estratégias para desenvolvê-las, entre outros.
Aula 31_Educador também brinca
 
Na aula passada, vimos a importância de brincar em grupo utilizando jogos, brinquedos e brincadeiras, uma vez que tal procedimento permite que as crianças entendam as regras de convivência, respeitem o outro e colaborem umas com as outras, construindo, assim, novos saberes e experiências. 
Hoje, nossa proposta é mostrar que o educador também pode brincar... 
Brincar com as crianças. 
Conforme o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil – Volume 1:
 
[...] É o adulto, na figura do professor, portanto, que na instituição infantil ajuda a estruturar o campo de brincadeiras na vida das crianças. Consequentemente, é ele quem organiza sua base estrutural por meio da oferta de determinados objetos, fantasias, brinquedos ou jogos, da delimitação e arranjo dos espaços e do tempo para brincar. (Brasília: MEC/SEF, 1998, p. 28).
 
Como vimos, se o educador é o responsável pela organização das brincadeiras e dos materiais, se é ele quem deve pensar no espaço e no tempo a ser reservado para essas atividades, sua participação também se faz necessária. 
Por meio da brincadeira sabemos que as crianças interagem, elaboram suas emoções, sentimentos e conhecimentos e desenvolvem também a criatividade. Se o educador propicia, a partir de sua prática, esses momentos para os educandos, sua presença nas brincadeiras fará com que se sintam mais seguros, valorizados e também amados. A participação do professor na brincadeira infantil aumenta seu vínculo com a criança, além de permitir que ambos troquem experiências e aprendam um com o outro. Desta forma, a criança se sentirá mais “à vontade” para expressar opiniões e sentimentos, ou seja, suas vontades, suas ale-grias, angústias, tristezas.
 
Você deve estar pensando: de que forma ele pode brincar com os educandos? Em que momento?
  
- Contando histórias: dramatizando e brincandocom fantoches;
- Cantando músicas e parlendas;
- Falando trava-línguas e adivinhas junto com o grupo-classe;
- Participando das brincadeiras de roda;
- Pulando amarelinha, corda;
- Brincando de jogos de montar, entre outros.
 
Muitas são as formas de brincar com os nossos alunos - basta usarmos nossos conhecimentos e, neste caso, um pouco de criatividade e bom senso. Afinal, podemos brincar com as crianças, mas não “agir como crianças”, uma vez que nossa postura enquanto educadores as influencia diretamente. 
Por fim, não somente observando as crianças brincarem, mas também brincando com elas, permite que as conheçamos mais amplamente, entendendo melhor sua forma de ver o mundo, bem como suas atitudes, seu modo de ser e interagir com os outros.
 
Aula 32_Brincando com a família
  
Na aula anterior nossa conversa esteve voltada à participação do educador na brincadeira infantil, uma vez que tal procedimento aumenta seu vínculo com a criança, além de  permitir que ambos troquem experiências e aprendam um com o outro.
Na aula de hoje falaremos ainda sobre participação, mas, desta vez, sobre a participação da família no ambiente escolar.
 Se o educador brinca com as crianças, os familiares também podem. , não é verdade? 
O que em geral acontece é que os pais e familiares das crianças somente são chamados à escola para participarem de reuniões, de festas que envolvam as datas comemorativas (dia das mães, dia dos pais, festas juninas), de exposições dos trabalhos infantis (meio ambiente, folclore, primavera) ou por motivos específicos (comportamento da criança, faltas excessivas, necessidade de acompanhamento psicológico). 
Não faz muito tempo, as escolas começaram a convidar as famílias a paticiparem do universo escolar em momentos diferentes dos já citados. Tal procedimento vem sendo adotado recentemente pelas instituições, porque se percebeu que a colaboração dos familiares é indispensável para o desenvolvimento integral da criança.
Porém, para que a relação família-escola aconteça, é importante que os pais se sintam acolhidos no ambiente escolar e recebam o apoio de seus profissionais. Para que a instituição estabeleça esse vínculo, é preciso que a mesma demonstre a importância do papel da família quanto ao cuidado e à educação dos filhos e que ambos, família e escola, favoreçam a construção da autonomia das crianças pautada em valores morais, éticos e sociais.
Desta maneira, a escola e/ou educador podem criar possibilidades para que a família se faça presente, como convidar um pai que goste de histórias infantis para contá-las às crianças, uma mãe que goste de cozinhar para ensinar uma receita, escolher um dia e horário durante a semana para que alguns familiares venham participar de brincadeiras, como jogar bola, pular corda, brincar de roda, entre outros.
Essas iniciativas permitirão que o relacionamento entre a família e a escola se fortaleça e que ambos compartilhem as responsabilidades da educação da criança. Mas, para isso, é necessário que estas relações estejam permeadas de princípios e valores, como o diálogo, a autonomia, o respeito, a afetividade e, sobretudo, a democracia.
 
Somente assim essas relações realmente se consolidarão, e com esta aula chegamos ao final de nossa quarta unidade, espero que você tenha gostado e ampliado seus conhecimentos.
Resumo - Unidade IV
 
Chegamos ao final da nossa quarta unidade. Criando um espaço de brincar: o jogo, o brinquedo e a brincadeira – significados, características, classificação, foi o tema trabalhado nesta unidade, discutido segundo uma abordagem educacional. 
Recordamos que existem muitos debates e confusões com relação às noções de jogo, brincadeira, brinquedo e atividade lúdica, uma vez que não há uma explicação universalmente aceita para esses termos. A partir disso, vimos alguns significados das palavras brincadeira e brinquedo, tendo em vista que já havíamos discutido os conceitos de jogo e atividade lúdica nas unidades anteriores.
 
Em seguida, procuramos caracterizar o jogo, o brinquedo e a brincadeira como meio educacional, demonstrando que tal tarefa não é tão simples, já que existem variadas e diferentes interpretações dos termos em questão. Para isso, utilizamos como base parte dos estudos de Friedmann (1996, p. 78) que assim os caracterizou:
 
• Estão organizados em um conjunto de regras;
• Acontecem em um determinado espaço de tempo;
• São, na maioria, coletivos, embora apareçam alguns de caráter individual;
• São jogos (brincadeiras) que prescindem, em geral, do uso de objetos ou brinquedos.
 
Falamos também das possibilidades para classificar os jogos e as brincadeiras na educação infantil e que tais classificações variam de acordo com os autores. Piaget classificou os jogos, como: de exercícios, os simbólicos e os de regras nos diferentes estágios de desenvolvimento da criança. Friedmann (1996) utilizou uma classificação que abrange os jogos e brincadeiras mais focadas por diversos estudiosos, dividindo-os em doze tipos: 1- Fórmulas de escolha; 2- Jogos de perseguir, procurar e pegar; 3-Jogos de correr e pular; 4- Jogos de atirar; 5- Jogo de agilidade, destreza e força; 6- Brincadeiras de roda; 7- Jogo de adivinhar e pegas; 8- Prendas; 9- Jogos de representação; 10- Jogos de faz de conta; 11-Jogos com brinquedos construídos; 12- Jogos de salão.
Discutimos, ainda, a importância da organização do tempo e do espaço no ambiente escolar, pois, na Educação Infantil, é essencial que o brincar preencha grande parte do tempo, aproveitando todos os espaços disponíveis.
Falamos sobre a necessidade de realizarmos atividades em grupo com a criança pequena, pois estas proporcionam, além da interação e da troca de vivências e experiências, a oportunidade de construir conhecimentos e compartilhá-los.
Dando continuidade a esse assunto, constatamos a importância de as crianças brincarem em grupo, utilizando jogos, brinquedos e brincadeiras, já que tal procedimento permite que as crianças entendam as regras de convivência, respeitem o outro, colaborem umas com as outras e construiam, assim, novos saberes e experiências.
Por fim, enfocamos a participação do educador na brincadeira infantil, uma vez que essa ação aumenta seu vínculo com a criança, além de permitir que troquem experiências e aprendam um com o outro. Em seguida, falamos também sobre a necessidade da participação da família no ambiente escolar à medida que tal relacionamento entre a família e a escola permite que ambos compartilhem as responsabilidades da educação da criança.
 
Nossa quarta unidade termina aqui. Até a próxima unidade!
 
Referências Bibliográficas
BRASIL. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Volume I: Introdução; Volume II: Formação Pessoal e Social; Volume III: Conhecimento de Mundo (Vol. 3). Brasília: MEC/SEF, 1998.
DUTOIT, Rosana A. Interação de Crianças de idades diferentes como conteúdo da Educação Infantil. Revista Criança do Professor de Educação Infantil. Brasília: MEC/SEF: n. 32, p.38-43, junho 1999.
FRIEDMANN, Adriana. Brincar, crescer e aprender - o resgate do jogo infantil. São Paulo: Moderna, 1996.
FREIRE, João Batista. Educação de corpo inteiro: teoria e pratica da educação física. 3.ed. São Paulo : Scipione, 1992.
KISHIMOTO, Tizuko M. [org.]. Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. São Paulo: Cortez, 1996.
MEDEIROS, Tereza Régia Araújo de. Rumo a uma aprendizagem participativa entre iguais. Revista Pátio Educação Infantil. Porto Alegre: Artmed Editora: Ano II, n. 5, p.42-44, agosto/novembro 2004.
Aula 33_Processos de interação
 
Estamos agora iniciando nossa quinta unidade, e nossos trabalhos estarão voltados para a atividade lúdica e suas implicações pedagógicas no cotidiano das instituições de Educação Infantil. Isso significa pensar no lúdico como um meio educacional capaz de estimular o desenvolvimento integral da criança em seus aspectos: físico, psicológico, intelectual e social.
Nesta aula veremos como a atividade lúdica pode colaborar para o processo de interação das crianças pequenas.
Vários fatores podem contribuirpara que a criança desenvolva sua capacidade de se relacionar. Entre eles está o brincar, pois, por meio de brinquedos e brincadeiras, elas desenvolvem a autoestima e interagem com os outros.
Desta forma, o educador precisa realizar atividades lúdicas com as crianças, porque contribuirá para que construam sua própria identidade à medida que passarem a diferenciar o eu do outro, bem como começarem a desenvolver atitudes como respeito, cooperação, solidariedade.
As crianças de zero a 2 anos podem ser incentivadas a interagir dentro da sala de aula, por exemplo, se puderem se locomover livremente sem que haja obstáculos, ou seja, onde elas possam caminhar ao encontro dos colegas.
Nesta faixa etária, devem-se deixar brinquedos disponíveis, pois o contato com diferentes objetos permite que os educandos se comuniquem, observem, imitem, entre outros. Contar histórias, trabalhando com o faz-de-conta, e brincar com as cantigas de roda também são atitudes que contribuem para a interação. 
As atividades lúdicas podem ser mais elaboradas quando utilizadas junto às crianças um pouco maiores, com idades entre 3 e 5 anos, principalmente, porque já possuem o domínio da fala.
 
 Veja um exemplo:
 
Esta cantiga de roda permite trabalhar com o nome das crianças, fazendo com que se conheçam melhor, bem como percebam e respeitem as dife-renças entre elas. Contribui também para o desenvolvimento da expressão verbal e corporal, da memorização, do ritmo e principalmente da interação, nosso maior objetivo no momento.
 
Como brincar? 
Formar um círculo com as crianças em pé e de mãos dadas. Uma criança será escolhida pelo grupo para ficar em pé no centro do círculo. Todos giram e cantam a primeira parte da música, falando o nome da criança que está no centro da roda. Em seguida, a criança que está no centro canta sozinha a segunda parte da música, falando o nome de outra que a substituirá. Ambas, então, trocam de lugar. A brincadeira continua até que todos tenham sido convidados a entrar no centro da roda. Por fim, se o educador, em sua prática educacional, tem como objetivo desenvolver a interação das crianças por meio de atividades lúdicas, este procura direcionar todas as suas ações com responsabilidade e criatividade, a fim de estimular as potencialidades infantis. O que você pensa a respeito disso?
Aula 34_O papel do lúdico no desenvolvimento da linguagem
  
Na aula passada foi possível observar como a atividade lúdica pode colaborar no processo de interação das crianças pequenas, pois, por meio de brinquedos e brincadeiras, elas desenvolvem a autoestima, a autonomia e interagem com os outros. 
Na aula de hoje falaremos sobre o papel do lúdico no desenvolvimento da linguagem das crianças pequenas. 
Porém, antes vamos conversar a respeito do significado da palavra desenvolvimento, em especial, pelo fato de ela sempre aparecer em nossas aulas e por estar muito presente nos estudos relativos às crianças.
Vamos lá?
 O Novo Dicionário Eletrônico Aurélio (século XXI) define a pala-vra desenvolvimento como um “[...] ato ou efeito de desenvol-ver(-se); adiantamento, crescimento, aumento, progresso”.
 
Já para Woolfolk:
 
O termo desenvolvimento, em seu sentido psicológico mais amplo, refere-se a certas mudanças que ocorrem nos seres humanos (ou animais) entre a concepção e a morte. O termo não se aplica a todas as mudanças, mas sim àquelas que aparecem de maneira ordenada e que se mantêm por um período razoavelmente longo. (WOOLFOLK, 2000, p. 36)
 
A partir destas definições, podemos perceber porque a palavra desenvolvimento é tão utilizada na Educação Infantil, uma vez que a finalidade desse nível de ensino é proporcionar o desenvolvimento da criança em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, de maneira integral.
 
Diante disso, como a atividade lúdica pode contribuir para o desenvolvimento da linguagem das crianças?
 
A partir da linguagem, o educando aumenta suas possibilidades de interagir no meio social em que vive, pois, por meio dela, ele pode se comunicar e se expressar. Falando, lendo e escrevendo, o ser humano tem acesso aos conhecimentos historicamente construídos pela sociedade. 
As atividades lúdicas que colaboram para o desenvolvimento da linguagem são, principalmente, aquelas que envolvem memorização, criatividade e imaginação.
 
Veja alguns exemplos:
 
Memorização: parlendas, advinhas, trava-línguas, cantigas de roda, entre outros. 
Criatividade: ler ou ouvir uma história e dramatizá-la. 
Imaginação: brincadeiras que envolvem o faz-de-conta.
 
Aula 35_O papel do lúdico no desenvolvimento afetivo
  
Na aula anterior, trabalhamos o significado da palavra desenvolvimento e, em seguida, falamos sobre o papel do lúdico no desenvolvimento da linguagem das crianças pequenas.
Para a aula de hoje, nossa proposta é mostrar as contribuições que as atividades lúdicas podem proporcionar ao desenvolvimento afetivo dos educandos. 
Em seus estudos, Friedmann aponta a importância do lúdico para o desenvolvimento afetivo, afirmando que:
 
[...] O jogo espelha e melhora o progresso da criança na pré-escola, através da afirmação do eu e na idade escolar, ajudando na tarefa de consolidação do eu. No jogo pode ser comprovada a importância dos intercâmbios afetivos das crianças entre elas ou com adultos significativos (os pais e professores). O jogo é uma ‘janela’ da vida emocional das crianças. (FRIE-DMANN, 1996, p.66)
 
Deste modo, podemos entender que o jogo auxilia o desenvolvimento afetivo à medida que leva a criança, ao se relacionar com os outros, a descobrir seu próprio eu, ou seja, a construir sua identidade a partir das relações e dos afetos despertados durante essas interações.
Quais sentimentos podem ser despertados durante um jogo ou uma brincadeira?
Sentimentos que podem vir acompanhados da impressão de dor ou prazer, de satisfação ou insatisfação, de agrado ou desagrado, de alegria ou tristeza.
Por isso, o educador deve estar preparado não somente para estimular as brincadeiras, mas também para trabalhar com as questões de afetividade que irão surgir.
A criança, por exemplo, pode sentir-se insatisfeita quando tiver de dividir um brinquedo ou ficar triste ao perder um jogo. Assim, o educador deverá lhe mostrar a importância de compartilhar, deverá argumentar que tal situação faz parte do processo e que haverá novas chances. Um outro fator que colabora imensamente para o desenvolvimento da afetividade durante as atividades lúdicas é o incentivo. Por isso, o educador precisa proporcionar um ambiente motivador para que as crianças sintam vontade de participar. Quando o incentivo é grande, o educando, consequentemente, esforça-se mais. 
Como você pode observar, não basta propor uma atividade lúdica, de qualquer natureza, como correr, pular, ir ao parque, dramatizar ou brincar de roda. Para que os afetos sejam, estimulados é preciso ainda que as crianças estejam motivadas. Para isso, além de muita animação e criatividade por parte do professor, bem como um ambiente favorável e adequado, é necessário que os educandos tenham oportunidade de escolher a brincadeira ou brinquedo (carrinhos, bonecas, baldes de areia, jogos de montar, entre outros) e saibam como participar.
Aula 36_O papel do lúdico no desenvolvimento físico
   
A proposta da nossa última aula foi mostrar as contribuições que as atividades lúdicas podem proporcionar ao desenvolvimento afetivo das crianças, pois o educador deve estar preparado não somente para estimular as brincadeiras, mas também para trabalhar com as questões de afetividade que irão surgir. 
Na aula de hoje enfocaremos o papel do lúdico no desenvolvimento físico da criança. Os jogos e brincadeiras são essenciais nesse processo.
 
Conforme Le Boulch (1982),
 
[...] A educação psicomotora1 concerne uma formação de base indispensável a toda criança [...]. Responde a uma dupla finalidade: assegurar o desenvolvimento funcional tendo em conta possibilidades da criança e ajudar a expandir-se e a equilibrar-se através do intercâmbio com o ambiente humano. (p.13)
 
O autor nos falasobre as contribuições de uma “educação psicomotora” para o desenvolvimento infantil, bem como afirma que isso acontece a partir da interação com o meio. 
Portanto, o educador tem como função auxiliar a criança em seu desenvolvimento físico, pois esse trabalho contribui para que ela reconheça os elementos de seu corpo, experimente diferentes posturas corporais, amplie suas possibilidades de deslocar-se, conhecendo e controlando seus movimentos e o próprio corpo, bem como aperfeiçoe habilidades manuais. 
Por isso, utilizar atividades lúdicas configura-se como a maneira ideal para trabalhar com movimentos físicos. 
Veja agora algumas brincadeiras e jogos e o modo como estes podem colaborar para o desenvolvimento físico infantil: 
Atividades com cordas (ex.: pular corda) → equilíbrio e coordenação. 
Atividades com bolas (ex.: passes com as mãos em brincadeira de roda)   → equilíbrio, coordenação, velocidade de deslocamento. 
Atividades com arcos (ex.: girar o arco (bambolê) em vários sentidos) → coordenação espacial, velocidade de deslocamento, agilidade. 
Atividades com latas (ex.: escravos de Jó) →ritmo e coordenação.
 
Espero que, com esta aula, você tenha conseguido perceber a importância da utilização de atividades lúdicas para o desenvolvimento físico da criança.
 Vale ainda ressaltar o papel fundamental dos jogos e das brincadeiras ao proporcionar que as crianças construam novos conhecimentos, compartilhando espaços, objetos,  brinquedos, enfim, socializando-se. 
 
 _________
1Relativo aos movimentos corporais determinados diretamente pela mente ou à atividade mental (neurológica) que controla e coordena os movimentos corporais. Psicomotricidade: capacidade de determinar e coordenar mentalmente os movimentoscorporais; a atividade ou conjunto de funções psicomotoras. Motricidade: Capacidade que têm certas células nervosas de determinar a contração muscular; capacidade de realizar movimento. (Fonte: Novo Dicionário Eletrônico Aurélio - (século  XXI)).
Aula 37_O papel do lúdico no desenvolvimento moral
 
Enfocamos, na aula passada, o papel do lúdico no desenvolvimento físico da criança, onde os jogos e brincadeiras são essenciais nesse processo.
Desta vez, falaremos das contribuições da atividade lúdica para o desenvolvimento moral da criança pequena. Sabemos que todos os jogos e que muitas das brincadeiras possuem regras, não é verdade? Tais regras são apreendidas pelas crianças paulatinamente, de acordo com seu estágio de desenvolvimento cognitivo. Lembra-se de que conversamos sobre isso em aulas anteriores? Da mesma forma acontece com o desenvolvimento moral, que se configura em um processo de construção interior. Assim, a criança aceita as regras exteriores, particularmente quando estas não são impostas.
Trabalhar atividades lúdicas, em grupo, com os educandos é o melhor caminho para que as crianças desenvolvam seus princípios morais, pois, brincando juntos, vivenciam regras que são acordadas por consenso, normalmente decididas por todos, durante as rodas da conversa. Assim, podem adquirir capacidade para “abrir mão” de benefícios próprios e imediatos, em favor do grupo.Se o professor desenvolver as atividades num clima de respeito e confiança, estimulará também a cooperação, aspecto que está intimamente relacionado à conquista da autonomia por parte da criança. A brincadeira Dança da Serpente, por exemplo, é uma maneira de administrar regras e também trabalhar em grupo, explorando o movimento, estimulando a atenção, a concentração e a socialização.
 
Veja como aplicá-la: 
A brincadeira proposta é bastante conhecida e pode estar contida em muitos livros infantis. Para escrevê-la, não consultei livros, apenas utilizei minhas experiências como professora na educação infantil, de acordo com a proposta da aula e, consequentemente, da disciplina. 
 
· As crianças ficam sentadas uma ao lado da outra no pátio, sendo uma delas a cabeça da serpente (aquela que o grupo escolhe).
· Ela (a cabeça) andará com as pernas abertas ao som da música cantada por todos:
· Essa é a dança da serpente que desceu do morro para procurar um pedaço do seu rabo..
· Em seguida a “cabeça” canta, apontando para um colega: “Você também, você também, faz parte do meu rabão ão-ão-ão”...
· Este colega se levanta e passa por baixo das pernas da “cabeça” segurando em sua cintura.
· A música novamente é cantada e uma outra criança é chamada para formar o rabo da serpente.
· Isso acontece repetidas vezes até que todos entrem e formem uma grande serpente.
 
A brincadeira citada estimula a cooperação, pois, sem a participação intensiva do grupo, seria impossível brincar, na medida em que os papéis são interdependentes e que cada um depende do que o outro irá fazer para que a atividade dê certo. Desta forma, as crianças percebem sua importância dentro do grupo e esperam sua vez tranquilamente, adotando as regras.
Podemos verificar também que essa relação de confiança e  de cooperação entre as crianças permite o desenvolvimento da autonomia, uma vez que respeita as regras e pode, inclusive, questioná-las.
E, segundo Friedmann (1996) “[...] Nessa linha de pensamento, Piaget constata que a forma mais interessante para promover a cooperação, fator essencial do progresso intelectual, é o trabalho em grupo”. (p.67)
Por fim, essa visão interacionista de Piaget, em que o sujeito conhece e se desenvolve num ciclo repetitivo e, assim sendo, sua inteligência não é herdada, mas se constrói a partir de sua interação com o meio, ajuda-nos a perceber a responsabilidade social que o educador possui, pois as crianças precisam ser estimuladas para que seu desenvolvimento moral ocorra de maneira consciente e saudável, sendo as atividades lúdicas um instrumento essencial.
 
 Ficamos, então, por aqui. Até a próxima aula!!!
Aula 38_Atividade lúdica - condições e implicações
  
Durante a aula passada falamos a respeito das contribuições da atividade lúdica para o desenvolvimento moral da criança pequena.
Na aula de hoje veremos quais são as condições essenciais para o desenvolvimento de um trabalho lúdico na escola de Educação Infantil, bem como suas implicações na prática pedagógica.
Atividades lúdicas, como brincar ao ar livre, em contato com a natureza, com a terra, com a água e o banho de sol, devem ser proporcionadas não somente pelo professor, mas também pela instituição. O educador precisa levar as crianças ao encontro do lúdico de maneiras diversificadas, mas também a instituição de educação infantil deve oferecer espaços adequados para que o trabalho aconteça, o que colabora para o desenvolvimento integral de seus educandos.
Cabe à escola organizar os espaços e os tempos de modo que as crianças tenham acesso ao mundo físico e social que as envolve para que seja possível ampliar o seu conhecimento de mundo. Para isso, é necessário um pátio, um parque de areia, brinquedos disponíveis dentro e fora da sala de aula, bem como oportunidades de passeios diversificados a locais próximos ou afastados da instituição. Atender às necessidades do brincar é uma questão com a qual a instituição precisa se preocupar, uma vez que um trabalho educativo pautado no lúdico é capaz de estimular as crianças a construirem conhecimentos de modo prazeroso individualmente e, sobretudo, em grupo. A partir do momento em que a escola organiza uma rotina com base nas necessidades e interesses das crianças, bem como pensando em seu bem-estar no que se refere a espaço físico, tempo, alimentação, higiene e interação com outras pessoas diferentes da família e do meio escolar, ela fornece subsídios ao professor para que trabalhe em sala de aula de forma flexível, motivadora e dinâmica, respeitando o ritmo de cada aluno.
Um ambiente de trabalho onde as pessoas se respeitem e cooperem umas com as outras também colabora para que as crianças se sintam amadas, tranquilas e seguras, bem como dispostas a atuarem naquele espaço, interagindo e explorando na busca de novas descobertas e saberes. Diante desses apontamentos, observamos ainda que, em nosso meio, muitas escolas de educaçãoinfantil não conseguem proporcionar aos educandos um ambiente que possibilite uma diversidade de ações e práticas pedagógicas, limitando, assim, o trabalho lúdico. 
Desta forma, caberá ao professor criar alternativas, buscando novos materiais, ideias, jogos, brincadeiras, brinquedos e lugares que sejam capazes de motivar a criança a “aprender” e a brincar.
Aula 39_Projetos - um caminho ao lúdico
Falamos na aula passada sobre as condições essenciais para o desenvolvimento de um trabalho lúdico na escola de Educação Infantil, bem como suas implicações na prática pedagógica.  Hoje vamos tratar da elaboração de projetos, tendo como principal objetivo o desenvolvimento de atividades lúdicas, visando um trabalho integrado com outras áreas de conhecimento.
Nossa intenção, neste momento, não é construir um projeto político pedagógico que se configura como um projeto global de toda uma escola e que implica no engajamento democrático de todos. Pretendemos apresentar aqui o projeto educativo, aquele desenvolvido e elaborado dentro da sala de aula com os alunos, de acordo com suas necessidades e que, é claro, deve estar inserido no projeto maior da instituição. Entendendo-o como um recurso para o desenvolvimento de atividades lúdicas, bem como para a construção de conhecimentos específicos e elaborados historicamente pela humanidade, como diria Vygotsky, citado por Facci (2004), que acreditava que os objetivos da educação estavam intimamente vinculados ao desenvolvimento histórico e, consequentemente, às necessidades colocadas pelos homens.
 
Veja, então, o exemplo de um projeto educativo que trabalha diferentes áreas a partir de uma atividade lúdica:
 
Título: Aprendendo e brincando com a Caixa Surpresa.
Público-alvo: crianças de 4 e 5 anos.
Duração: Dois meses.
Justificativa:
 
Observando que a criança pequena é capaz de construir conhecimentos a partir do contato com diversas formas de linguagem, jogos, brincadeiras e interações cotidianas com o outro, e que ela traz consigo suas próprias
 
Apresentação e desenvolvimento: 
A Caixa Surpresa: com ela iremos nos divertir, aprender e entrar no mundo da imaginação. Vamos começar?! 
Utilizaremos a caixa surpresa para aprendermos as letras do alfabeto.
 
A caixa surpresa será levada pelo aluno para casa e deverá trazê-la para a escola no dia seguinte com um objeto que comece com a letra solicitada pela professora em sala de aula.
 
Começaremos pela letra A e assim por diante: B, C, D, E, F, G, H, I, J, L, M, N, O, P, Q, R, S, T, U, V, X e Z. 
A cada dia aprenderemos uma nova letra, por meio de um objeto trazido por um amiguinho. 
Tudo isso será levado para as rodas da conversa e dialogado com o grupo-classe.
 O objeto que o aluno trouxer dentro da caixa será devolvido no mesmo dia em que o levar para a escola no horário da saída. 
Um adulto responsável pela criança deverá escrever no caderno que acompanha a Caixa Surpresa o nome do objeto que foi escolhido para ser colocado na caixa, por que escolheu este objeto, como ele é etc. Tudo isto deverá ter a participação contínua da criança. Ela poderá também escrever algumas palavras ou até mesmo copiá-las com o auxílio do adulto. 
Em seguida, a criança deverá desenhar, no caderno, o objeto que colocou dentro da caixa e assinar seu nome.
Agora, é só levar a caixa para casa e depois vir à escola, para que possamos começar a brincadeira!!!
 
Objetivos: 
· trabalhar as letras do alfabeto de maneira lúdica e acessível;
· estimular a exploração dos recursos disponíveis no meio ambiente com atitude de criatividade por meio da imaginação;
· propiciar condições favoráveis à criança para que entre em contato com as letras, permitindo que faça escolhas;
· sensibilizar os familiares no sentido da importância da participação e auxílio à criança durante a escolha do objeto cujo nome inicia com a letra do alfabeto estipulada, bem como ao registro no caderno de anotações da caixa de surpresa;
· mostrar a importância da participação dos familiares junto aos educandos;
· valorizar os saberes trazidos pelos alunos, como forma de construção de conhecimento;
· proporcionar o aprendizado completo do alfabeto, tanto no que se refere ao reconhecimento das letras quanto a realização da grafia das mesmas.
 
Eixos de trabalho e conteúdos: 
Formação pessoal e social / identidade e autonomia: convívio social (interação com os colegas, em brincadeiras, rodas da conversa, na sala de aula, entre outros); valorização e respeito à cultura e à opinião dos amiguinhos; expressão e comunicação (que perpassa as questões de escolhas, preferências, vontades e necessidades, a importância da criança tomar “decisões” próprias, independentes); regras de convivência (participação, relação com os colegas, cooperação).
Movimento e música: jogos e brincadeiras (durante as rodas da conversa: movimentos corporais, gestos para tentar descobrir o que tem na caixa; adivinhações por meio de músicas, perguntas e respostas levantadas pelo aluno para tentar descobrir o objeto).
Matemática: classificação e comparação oral (de objetos trazidos dentro da caixa); registro de dados (em cartazes, com o nome (palavra) dos obje-tos trazidos pelos alunos); registro de quantidades (número de letras do alfabeto, número de letras do nome do objeto encontrado na caixa); observação, manuseio e represen-tação por meio de desenho (no caderno que acompanha a caixa) do objeto escolhido.
Natureza e sociedade: desenvolvimento de atitudes que priorizem o respeito ao meio ambiente durante a escolha do objeto a ser colocado na caixa.
Linguagem oral e escrita: utilização da linguagem oral nas diferentes situações, sobretudo nas rodas da conversa; saber ouvir com atenção; participar de situações que compreendam descrições, questionamentos, narração, explicações; reconhecimento e escrita do alfabeto e de palavras (respeitando o ritmo da classe); produção de pequenos textos coletivos com o auxílio da professora.
Artes visuais: respeito e cuidado (com os objetos trazidos de casa e com a própria caixa de surpresa que é de uso coletivo); valorização das próprias produções e dos colegas (desenhos feitos no caderno que acompanha a caixa); exploração de diferentes materiais para a realização dos desenhos.
Recursos utilizados: Caixa-baú de plástico e caderno brochura.
Avaliação:
Será realizada diariamente por meio dos relatos de experiência dos alunos, das atividades orais e escritas, observando as anotações no caderno que acompanha a Caixa Surpresa. 
Portanto, o trabalho com projetos educativos permite utilizar o lúdico como um meio educacional, estimulando, assim, o desenvolvimento cognitivo, afetivo, físico, moral, linguístico e social da criança, sem que se perca a criatividade e a fantasia que a brincadeira é capaz de proporcionar.
_____
1O projeto educacional proposto é de minha autoria. Porém, não o objeto (caixa surpresa) cuja ideia pode estar contida em muitos livros de cunho pedagógico. 
vivências, optou-se por iniciar o trabalho com o alfabeto por meio do lúdico, ou seja, utilizando uma simples brincadeira (Caixa Surpresa) pela qual seria possível estimular o aprendizado das letras de forma criativa, divertida e espontânea.
 
Aula 40_Ludicidade e Educação Infantil 
 
Na aula passada conversamos acerca da elaboração de projetos, tendo como principal objetivo o desenvolvimento de atividades lúdicas. Para isso, visamos um trabalho integrado com outras áreas de conhecimento. Na aula de hoje falaremos sobre o papel fundamental que a Educação Infantil possui em proporcionar atividades lúdicas no contexto escolar, na medida em que lida com crianças, sendo o brincar parte da vida de cada uma delas.
Sabendo da importância da educação infantil e da atividade lúdica para o desenvolvimento das potencialidades da criança, torna-se claro que ambas devem caminhar juntas. Ou seja, não se pode pensar neste nível de ensino sem que os princípios educativos estejam vinculados à brincadeira ou, dizendo de outra forma, a conhecimentos construídos sempre com base na ludicidade.
A educação infantil deve ser um ambientepropício para a construção de novos saberes a partir da exploração lúdica, dando oportunidade para que as crianças descubram coisas novas, vençam desafios, brinquem livremente, tomem decisões e desenvolvam os aspectos físicos, cognitivos, psicológicos e sociais. 
A instituição que valoriza uma prática pedagógica a partir do lúdico organiza os espaços físicos de acordo com as ne-cessidades das crianças, dispõe brinquedos que propiciam a expressão livre para que se façam presentes as brincadeiras de faz-de-conta que tanto contribuem para o desenvolvimento da linguagem, da personalidade e para a interação social.
 Terminamos, com esta aula, a nossa quinta unidade. Quantos saberes 
construímos, quantas vivências compartilhamos...
 
Iniciaremos a sexta e última unidade, mas, antes disso, gostaria de que você relacionasse a importância da presença do trabalho lúdico nas instituições de Educação Infantil com o que escreve Madalena Freire:
  
[...] É através do jogo que a criança entra em contato com seus desejos.  É através do jogo, mediado pela função simbólica, que ela os representa. É através do jogo, que o mundo do desejo é simbolizado. (FREIRE, 2000, p. 35)
   
Enfim, a educação infantil pode proporcionar um mundo de oportunidades lúdicas. O que você pensa sobre isso?
Resumo - Unidade V
 
Chegamos ao final da nossa quinta unidade.
Nossos estudos estiveram voltados para a atividade lúdica e suas implicações pedagógicas no cotidiano das instituições de Educação Infantil, o que significou pensar no lúdico como um meio educacional capaz de estimular o desenvolvimento integral da criança em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social.
Assim, observamos como a atividade lúdica pode colaborar no processo de interação das crianças pequenas, pois, por meio de brinquedos e brincadeiras, elas desenvolvem a auto-estima e a autonomia, interagindo com os outros.
Falamos sobre o papel do lúdico no desenvolvimento da linguagem, trabalhando inclusive o significado da palavra desenvolvimento.
Foram mostradas as contribuições que as atividades lúdicas podem proporcionar ao desenvolvimento afetivo das crianças, pois o educador deve estar preparado não somente para estimular as brincadeiras, mas também para trabalhar com as questões de afetividade que irão surgir.
Enfocamos o papel do lúdico no desenvolvimento físico do educando, sendo os jogos e brincadeiras essenciais nesse processo.
Conversamos, ainda, sobre as contribuições da atividade lúdica para o desenvolvimento moral da criança pequena, verificando que realizar tarefas em grupo com os educandos é o melhor caminho para que desenvolvam seus princípios morais, pois, brincando juntos, vivenciam regras que são acarretadas por consenso, normalmente decididas por todos, durante as rodas da conversa.
Vimos as condições essenciais para o desenvolvimento de um trabalho lúdico na escola de Educação Infantil, bem como suas implicações na prática pedagógica.
Discutimos a respeito da elaboração de projetos tendo como principal objetivo, o desenvolvimento de atividades lúdicas, contudo, visando ações integradas com outras áreas de conhecimento.
Por fim, conversamos sobre o papel fundamental da Educação Infantil em proporcionar atividades lúdicas no contexto escolar, na medida em que lida com crianças, sendo que o brincar faz parte da vida de cada uma delas. 
Parece que foi ontem que começamos nossa primeira unidade, não é mesmo? Nossa! Já estamos indo para última... Vamos lá?
Referências Bibliográficas
DUTOIT, Rosana A. Interação de crianças de idades diferentes como conteúdo da Educação Infantil. Revista Criança do Professor de Educação Infantil. Brasília: MEC/ SEF: n. 32, p.38-43, junho 1999.
FACCI, Marilda Gonçalves Dias. Valorização ou esvaziamento do trabalho do professor? Um estudo crítico-comparativo da teoria do professor reflexivo, do construtivismo e da psicologia vigotskiana. Campinas: Auto-res Associados, 2004.
FRIEDMANN, Adriana. Brincar, crescer e aprender - o resgate do jogo infantil. São Paulo: Moderna, 1996.
FREIRE, João Batista. Educação de corpo inteiro: teoria e pratica da educação física. 3. ed. São Paulo: Scipione, 1992.
FREIRE, Madalena. Jogo e pensamento (I). Revista Infância na Ciranda da
Educação. Belo Horizonte: Centro de Aperfeiçoamento dos Profissionais da
Educação: n. 4, p. 35-36, fev. 2000.
LE BOULCH, Jean. O desenvolvimento psicomotor: do nascimento até 6 anos. Tradução e prefácio de Ana Guardiola Brizolara. Porto Alegre: Artes Médicas, 1982.
MEDEIROS, Tereza Régia Araújo de. Rumo a uma aprendizagem participativa entre iguais. Revista Pátio Educação Infantil. Porto Alegre: Artmed Editora: Ano II, n. 5, p. 42-44, agosto/novembro 2004.
WOOLFOLK, Anita E. Psicologia da educação. Tradução: Maria Cristina
Monteiro. Porto Alegre: Artmed, 2000.
Aula 41_O jogo e a brincadeira como processos de crescimento
  
Iniciamos, neste momento, a primeira aula de nossa sexta e última unidade. Acredito que muitos conhecimentos já foram construídos e compartilhados até o momento e espero que, ao término desta disciplina, tenhamos atingido os objetivos estabelecidos, bem como sejamos capazes de realmente colocá-los em prática.
 
Vamos, então, à aula de hoje?
 
Bem, a finalidade desta aula é mostrar a maneira como os jogos e as brincadeiras podem contribuir para o processo de crescimento infantil, obser-vando essas crianças enquanto indivíduos, enquanto pessoas, enquanto seres humanos.
Muitas vezes, falamos que as atividades lúdicas colaboram para o desenvolvimento integral da criança em seus aspectos físicos, cognitivos, psi-cológicos e sociais, não é mesmo?
Agora, daremos ênfase aos dois últimos aspectos, já que falaremos sobre a importância da cooperação e suas contribuições para o “crescimento” infantil. Esse crescimento passa pela formação dos princípios e valores morais que a criança constrói em seu meio social.
Assim, ao trabalharmos os jogos e as brincadeiras no ambiente escolar, devemos e podemos priorizar ações que visem desenvolver a cooperação entre as crianças.
Diante disso, é importante que saibamos, claramente, a diferença entre cooperação e competição para que, depois, seja possível propor um trabalho lúdico dentro de uma consciência cooperativa.
 
Brotto (1997) define, de maneira bem humorada, os dois termos em questão e sua relação com o:
 
[...] Jogar – e viver- é uma oportunidade criativa para encontrar: 
• Com a gente mesmo.
• Com os outros.
• Com o todo.
 
A partir daí, o ”jogo” passa a ser consequência de nossas visões, ações e relações. Existem dois “estilos” básicos de jogos: 
1º) Jogar COM O OUTRO – COOPERAÇÃO.
2º) Jogar CONTRA O OUTRO – COMPETIÇÃO. (p. 35)
 
Assim, ao trabalharmos os jogos e as brincadeiras com as crianças pequenas, é importante que utilizemos aqueles que envolvam a cooperação para que elas joguem “COM O OUTRO” e não “CONTRA O OUTRO”.
 
O mesmo autor, procurando esclarecer ainda mais os termos, argumenta que:
 
[...] Cooperação: é um processo onde os objetivos são comuns, as ações são compartilhadas e os resultados são benéficos para todos.
 
Competição: é um processo onde os objetivos são mutuamente exclusivos, as ações são individuais e somente alguns se beneficiam dos resultados. (BROTTO, 2001, p. 27)
 
Pensemos juntos então: 
Devemos trabalhar com os jogos e as brincadeiras que estimulam a cooperação ou a competição?
Qual postura gostaríamos de que nossos alunos tivessem durante o jogo?
Aquela que privilegia a si próprio ou aquela que beneficia a todos?
 
É provável que você já tenha as respostas para estas questões. Entretanto, no decorrer da unidade falaremos mais sobre o assunto. Até lá!
Aula 42_Interação social e atitude cooperativa
   
A finalidade da aula passada foi mostrar de que maneira os jogos e brincadeiras podem contribuir para o processo de “crescimento” infantil. Esse crescimento passa pela formação dos princípios e valores morais que a criança constrói em seu meio social. Por isso, ao trabalharmos com atividades lúdicas no ambiente escolar, devemos priorizar ações que visem desenvolvera cooperação entre as crianças. 
Hoje, nosso intuito é dar continuidade a estas questões, demonstrando que os jogos e as brincadeiras podem contribuir para a interação social, principalmente se estiverem pautados em atitudes cooperativas. 
Sabemos que a criança, ao realizar atividades lúdicas, tem a oportunidade de conversar, de se expressar, de trocar experiências e vivências com seus pares e que tais relações  promovem a interação social.
Sabemos também que, durante essas interações, conflitos e desentendimentos podem ocorrer. Isso explica a importância de realizar jogos e brincadeiras que incentivem o respeito ao outro, a ajuda ao próximo, a amizade e a afetividade. 
Tais atividades podem ser chamadas de jogos cooperativos, ou seja,” [...] São jogos com uma estrutura alternativa onde os participantes jogam uns com os outros ao invés de uns contra os outros. (DEACOVE apud BROTTO, 2001, p. 54)
 
Desta maneira, todas as crianças se divertem e têm a oportunidade de ganhar, desenvolvendo, assim, sentimentos de confiança e união, pois o desafio está realmente no jogo e não se tem a preocupação de alcançar a vitória ou sofrer uma derrota, pois o objetivo é participar por puro divertimento e prazer.
  
Veja agora um exemplo de jogo cooperativo:
  
Observamos que, neste jogo, as pessoas precisam se unir e cooperar uns com os outros. Caso contrário, não conseguiriam realizá-lo.
Quando utilizado com a criança, o mesmo acontece, pois permite que ela vivencie e construa seus princípios morais a partir do meio externo, já que está socializando seus próprios sentimentos com o grupo e este com ela numa relação de interdependência e confiança. 
Vale ressaltar, ainda, que não temos aqui a intenção de menosprezar os jogos que envolvem a competição, uma vez que eles também contribuem para o desenvolvimento infantil. Afinal, se o educador “prepara para a vida”, a criança precisa saber  administrar suas conquistas e perdas. 
A diferença é: por meio dos jogos cooperativs, o educando experimenta somente sentimentos bons e agradáveis tão necessários para o mundo atual, que se encontra extremamente marcado pela violência. 
Enfim, a partir do momento em que a criança experimenta o amor, a alegria, o companheirismo, a união, o respeito e a solidariedade, ela tende a praticá-los.
 
 ______
1 Fonte: BROTTO, Fabio Otuzi. Jogos cooperativos: se o importante é competir, o funda-mental é cooperar. Santos: Projeto Cooperação, 1997. (p.121-122).
Aula 43_Jogos cooperativos: solução de conflitos? 
 
Na aula passada verificamos que os jogos e as brincadeiras podem contribuir para a interação social, em especial, quando estão pautados em atitudes cooperativas. Com base nisso, vimos nos jogos cooperativos a possibilidade de resolver desentendimentos e conflitos, lembra-se? 
Dando continuidade ao assunto, gostaríamos que você imaginasse a seguinte situação:
Diante disso, podemos imaginar como se sentem as crianças que perdem esse jogo? Para algumas tal acontecimento não implica em tristeza ou rivalidade, pois entendem que nos jogos e brincadeiras cada um tem a sua vez de ganhar e perder. Porém, certamente, outras ficarão muito chateadas por não terem conseguido a vitória; algumas se sentirão derrotadas e desanimadas. Podem até sentir raiva do vencedor, o que provoca a desunião e gera conflitos. 
Por esses motivos é que podemos dizer que os jogos cooperativos são capazes de auxiliar na resolução de conflitos, uma vez que se desenvolvem dentro de um clima participativo, solidário e humano, em que todos se unem em busca de um mesmo objetivo.
 
 Veja agora e compare: 
Neste caso, ao invés de causar tristeza, desentendimentos e sensações de impotência entre os participantes que perdem, como ocorreu na escola de Educação Infantil A, na escola de Educação Infantil B todos tiveram um desafio comum, trabalharam em equipe, persistiram para alcançar e todos ganharam. Assim, a escola de Educação Infantil A evitaria conflitos e desconforto entre seus alunos, se tivesse desenvolvido um jogo cooperativo. 
Portanto:
 
[...] É importante ajudar a criar um ambiente de cooperação, solidariedade e comunicação. Assim poderemos superar as atitudes de confronto e do ganha/perde nas situações de conflito. Muitas vezes, o conflito é percebido como uma situação de ‘ganhar/perder’ e com jogo cooperativo, podemos inverter a situação para que se perceba que é possível buscar soluções ’ganha/ganha’. (BROWN, 2001, p.5)
 
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1Competição, em geral entre equipes motorizadas: leva-se em conta não apenas a rapidez com que os concorrentes cumprem as tarefas predeterminadas, mas também a habilidade com que o fazem. Fonte: Novo Dicionário Eletrônico Aurélio (século XXI).
2daptação do jogo criado por Roberto Gonçalves Martini e Cláudia da Silva Miranda. Fonte: Revista Jogos Cooperativos. Ano I, n. 2, p. 11, setembro 2001
Aula 44_Cooperar: princípios sócio-educativos
     
Por meio da discussão da aula passada concluímos que os jogos cooperativos são capazes de auxiliar a resolução de conflitos, uma vez que se desenvolvem dentro de um clima participativo, solidário e humano em que todos se unem em busca de um mesmo objetivo.
 Hoje, nosso propósito é apresentar a dinâmica de ensino-aprendizagem dos jogos cooperativos, conforme Brotto:
 
Convivência: ter vivência compartilhada como o contexto fundamental para a aprendizagem. É preciso experimentar para poder reconhecer a si e aos outros. Consciência: Criando um clima de cumplicidade entre os participantes, incentivando-os a refletir sobre a vivência do jogo e sobre as possibilidades de modificar comportamentos, relacionamentos e até o próprio jogo, na perspectiva de melhorar a participação, o prazer e a aprendizagem de todos. Transcendência: Ajudando a sustentar a disposição para dialogar, decidir em consenso, experimentar as mudanças propostas e integrar no jogo e na vida, as transformações desejadas. 
A pedagogia proposta pelo Jogo Cooperativo apoia-se na interdependência dessas três dimensões, enquanto nexos de um processo mais amplo de manifestação da Consciência Pessoal e Grupal. (BROTTO, 2001, p. 63)
 
Assim, para utilizar os jogos cooperativos, é preciso conhecer e relacionar as três dimensões apresentadas pelo autor, principalmente porque, se o educador pretende estimular a construção de princípios morais das crianças, como a união, a colaboração, a ajuda, o respeito e a solidariedade, ele precisa saber compartilhar e ter condições de proporcionar um ambiente pautado na cumplicidade entre os alunos, de modo a integrar o jogo com a vida. O uso dos jogos cooperativos na vida da criança pequena certamente contribuirá para o seu desenvolvimento integral, pois desde a mais tenra idade exercita o trabalho em grupo que, neste caso, envolve a troca, a cumplicidade, o companheirismo, a harmonia, a parceria, a confiança e o sucesso compartilhado. O objetivo só é alcançado com a união de todos e o educando percebe que individualmente não conseguiria atingi-lo. Assim, ele paulatinamente vai adquirindo habilidades de relacionamento. 
Com o jogo Salve-se com um Abraço, por exemplo, a criança irá perceber que os demais participantes são seus parceiros, e não seus rivais, na medida em que todos precisam se ajudar. Observe:
 
Por fim, quando o educador exercita com as crianças, em particular e durante as rodas da conversa, o diálogo, a decisão por consenso, a comunicação sincera, a importância dos trabalhos em grupo, da cumplicidade e da união, ou seja, os princípios em que estão pautados os jogos cooperativos, estará contribuindo para o crescimento dos educandos em seus aspetos: físico (trabalhando o corpo), psicológico (trabalhando a afetividade), cognitivo (trabalhando o raciocínio por meio de desafios coletivos) e social (trabalhando a convivência em grupo e a interação social).
 
Ficamos, então, por aqui. Até a próxima aula!!!
Aula 45_Brincando de convivência
 
  
“Cooperação e Convivência são princípios do Jogo de Interdependência, no qual tudo e todos estão envolvidos. Praticar a Convivência e a Cooperação é umexercício para o cotidiano. Como tal é necessário que seja aprendido, aperfeiçoado, incluído como uma experiência interior, compartilhado com o mundo exterior, então reaprendido... num ciclo permanente de ensinagem”. 
 
A citação acima revela que cooperar e conviver são aprendizados que acontecem ao longo de nossas vidas e precisam ser aprimorados, trabalhados e vivenciados.  Sabemos que a criança pequena não possui, ainda, maturidade para compreender o fluxo da vida, mas sabemos também que ela constrói os seus valores morais interiormente e que, na maioria das vezes, aceita as regras externas, se essas não forem impostas, lembra-se?
É por esse motivo que os jogos e, podemos dizer ainda, as brincadeiras cooperativas podem auxiliar imensamente o desenvolvimento integral da criança à medida que ela constrói seus valores pautados em atitudes vivenciadas no grupo, principalmente quando se unem para jogar, compartilhando as experiências e confiando uns nos outros. Para que o educando incorpore os sentimentos que são despertados pelos jogos cooperativos, é preciso que os experimente de uma forma natural, não imposta, porque assim será possível absorvendo os valores do meio exterior para o seu interior, construindo seus próprios princípios morais.
Todavia, o educador tem um papel fundamental quanto ao estímulo desse desenvolvimento moral e, uma vez que utiliza em sua prática pedagógica o jogo cooperativo, este precisa entender, ampliar e aprimorar seus conhecimentos em relação aos caminhos que precisará traçar para a realização pessoal e coletiva de seus alunos, trabalhando consigo mesmo os seguintes propósitos essenciais desse jogo:
  
Tocar-Despertar-Tocar-Reencontrar nossa habilidade de viver uns COM os outros.
Tocar aquele que está além da aparência e dos diferentes papéis sociais que representamos, tocar o Ser humano por trás da camisa, especialmente, aquele por trás da camisa do “outro time”;
Despertar com os outros a lembrança de nosso estado de Interdependência e Cooperação essencial, presente em todas as coisas;
Trocar nossas possibilidades de realização do (im) possível, quando operamos juntos os desafios do cotidiano;
Reencontrar quem Eu Sou e quem Somos Nós. E qual nosso papel neste vasto e permanente Jogo da Vida. (BROTTO, 2001, p.107) 
 
Sendo assim, ao internalizar esses propósitos que envolvem a consciência e a convivência cooperativa, o educador terá subsídios para trabalhar os jogos cooperativos junto às crianças como um meio estimulador para o crescimento, a interação e a inclusão infantil, afinal: “[...] Podemos vitalizar a Convivência e a Cooperação de uma forma simples, complexa, desafiadora, divertida e, fundamentalmente, inclusiva”. (idem, p. 96)
Aula 46_Práticas inclusivas 
 
Nas aulas anteriores conversamos sobre a importância da convivência e da cooperação no processo de crescimento e interação social das crianças pequenas, em especial, na Educação  Infantil, em que os jogos cooperativos podem contribuir imensamente. 
Dentro desse contexto, um outro aspecto a ser observado é a questão da inclusão. 
Os jogos e as brincadeiras, quando entendidos como veículo de colaboração, união e respeito ao outro, possibilitam a inclusão, uma vez que todos exercitam a participação sem que ninguém seja excluído.  O jogo cooperativo, quando desenvolvido dentro desses princípios, nunca exclui alguma criança, seja por diferenças de movimento, de ritmo, de conhecimento, entre outros, pois proporciona a todas a igualdade de oportunidades. Em sua dinâmica, todos contribuem, colaboram e são importantes. 
O educador, em sua própria sala de aula, observa que as crianças são únicas e diferentes umas das outras e, por isso, elas se desenvolvem em ritmos diferentes, não é mesmo? Assim, ao trabalhar com o lúdico de maneira consciente e comprometida, utilizará os jogos e as brincadeiras, respeitando essas diferenças e valorizando a todos, pois as atividades lúdicas permitem a participação, uma vez que visam principalmente o divertimento, a descontração e a alegria.
 
Como isso acontece na prática?
 
Acontece, segundo Brotto (2001, p. 62), porque “[...] Aprendendo a jogar cooperativamente descobrimos que podemos criar inúmeras possibilidades de participação e inclusão através da modificação gradativa das regras e estruturas básicas do jogo”.
 
Podemos verificar claramente que, mudando as estruturas e regras do jogo, conforme diz o autor, será possível desenvolver uma prática inclusiva.
 
Veja, então, um exemplo de como essas práticas ocorrem por meio de uma brincadeira que não exclui, pois tem o objetivo de incluir:
 
Dança das cadeiras cooperativas 
Essa brincadeira é uma transformação da convencional dança das cadeiras. No jogo tradicional apenas um componente do grupo sai como vitorioso, predominando o interesse individual e a competição.
 
 Conseguiu observar como a inclusão acontece?
 
Espero que sim. Então, até a próxima aula!
Aula 47_Crescer: competindo ou cooperando?
  
No decorrer de nossas aulas, temos visto a importância do trabalho com o lúdico na Educação Infantil, uma vez que uma prática pedagógica pautada no brincar como um meio educacional contribui intensamente para o desenvolvimento das potencialidades infantis. 
Uma série de jogos, brinquedos e brincadeiras podem ser propostas às crianças, levando em conta a ludicidade. Porém, antes de serem trabalhadas, devem ser planejadas e pensadas à medida que é preciso que saibamos o que queremos alcançar, a partir de uma ou outra brincadeira e, principalmente, que tipo de crianças queremos formar.
 
O que devemos priorizar: a competição ou a cooperação ao propormos as atividades lúdicas?
 
A criança precisa estar preparada para as adversidades. Então, por que não trabalhar atividades competitivas? O mundo está cada vez mais marcado pela violência, até mesmo entre as crianças. Então, devemos trabalhar atividades cooperativas? O que devemos fazer diante dessas questões?
A competição faz com que as crianças se distanciem afetivamente umas das outras. Consequentemente, tornam-se desunidas. O adversário pode até ser considerado um inimigo, pois o objetivo de cada um é, somente, vencer. 
A cooperação aproxima as crianças, principalmente, porque elas devem se unir para realizar o jogo. O intuito não é derrotar o “inimigo”, mas ganhar junto com o “amigo”. 
Diante dessas considerações, o educador deve refletir acerca dos jogos e brincadeiras capazes de contribuir de maneira mais positiva no crescimento da criança de modo que valores humanos, como o amor, o respeito, a compreensão, e a paz, sejam estimulados no cotidiano escolar. Dificilmente tais valores serão cultivados se a competição estiver presente. Portanto, se pretendemos desenvolver uma prática pedagógica que proporcione a interação social, a inclusão, enfim, o crescimento infantil, temos um grande e importante recurso: os jogos cooperativos que:
 
Possibilitam um maior nível de aceitação entre as pessoas que passam a valorizar mais os diferentes tipos de relacionamento que têm na vida, responsabi-lizando-se mais por seus comportamentos e escolhas com maturidade e um posicionamento mais compromissado com as relações. É desejável que possamos estar conscientes deste processo (...) Talvez, jogando, jogando, jogando... possamos aprender (PERON, 2001, p.10).
 
Aula 48_Concluindo: o jogo e a brincadeira - crescimento, interação social e inclusão
 
Com essa aula chegamos ao final de nossa última unidade e encerramos, também, nossa disciplina. Espero que você tenha conseguido aprimorar seus conhecimentos, construindo novos.  Para concluirmos, nossa proposta é ressaltar que o jogo e a brincadeira contribuem favoravelmente para os processos de crescimento, interação social e inclusão dos educandos, uma vez que:
 
· brincando, a criança apropria-se da realidade e constrói novos saberes que colaboram para o seu crescimento;
· brincando, a criança interage com os outros por meio de gestos, movimentos, palavras e representações que contribuem para a sua interação social;
· brincando, a criança compartilhasentimentos, vivências e experiências em grupo que possibilitam a inclusão.
  
Portanto, a Educação Infantil:
  
· tem a responsabilidade de proporcionar tempo e ambientes que priorizem o brincar, respeitando o potencial infantil e as diferenças entre as crianças;
· deve prestar atendimento adequado, observando os princípios do cuidar e educar, acolhendo as iniciativas infantis;
· ter uma equipe de professores que veja o educando como centro do seu trabalho, valorizando as discussões pedagógicas;
· acima de tudo, deve-se atender aos direitos e interesses das crianças, favorecendo a construção de novos conhecimentos, a autoestima, a autonomia e, principalmente, o seu desenvolvimento integral e de suas inúmeras potencialidades.
 
Enfim, para construir novos conhecimentos, a Educação Infantil deve priorizar o brincar, o brincar e o brincar.
 
“Pois qualidade que não seja meio para a felicidade é como panela importada que faz angu encaroçado. É melhor parar de importar panelas. É preciso desenvolver antes a capacidade de sentir prazer. Mas, para isso, as escolas teriam de ser diferentes, as cabeças dos pais teriam de ser diferentes, as cabeças dos professores teriam de ser diferentes: menos saber e mais sabor...” Rubem Alves
 Resumo - Unidade VI
  
Chegamos ao final da sexta e última unidade.
Nossa proposta foi mostrar a maneira como os jogos e brincadeiras podem contribuir para o processo de “crescimento” infantil, bem como para a interação social e inclusão.
Vimos que o crescimento passa pela formação dos princípios e valores morais que a criança constrói em seu meio social. Portanto, percebe-se a necessidade do trabalho lúdico no ambiente escolar, priorizando ações capazes de desenvolver a cooperação entre os educandos.
Demonstramos que os jogos e as brincadeiras podem contribuir para a interação social, principalmente se estiverem pautados em atitudes cooperativas, pois, a partir do momento em que a criança experimenta o amor, a alegria, o companheirismo, a união, o respeito e a solidariedade, tende a praticá-los.
Enfocamos, também, que os jogos cooperativos são capazes de auxiliar a resolução de conflitos, uma vez que se desenvolvem dentro de um clima participativo, solidário e humano, em que todos se unem na busca do mesmo objetivo.
Apresentamos a dinâmica de ensino-aprendizagem dos jogos cooperativos, proposta por Brotto (2001); enfatizamos que para utilizá-los é preciso conhecer e relacionar três dimensões: a Convivência, a Consciência e a Transcendência, principalmente porque, se o educador pretende estimular a construção de princípios morais das crianças, como a união, a colaboração, a ajuda, o respeito e a solidariedade, ele precisa saber compartilhar e ter condições de proporcionar um ambiente pautado na cumplicidade entre os alunos de modo a integrar o jogo com a vida.
Falamos, ainda, sobre a importância em internalizar os propósitos que envolvem a consciência e a convivência cooperativa por parte do educador, pois, desta forma, ele terá subsídios para trabalhar os jogos cooperativos junto às crianças, como um meio estimulador para o crescimento, a interação e a inclusão infantil.
Diante dessas considerações, propomos que o educador reflita acerca dos jogos e brincadeiras capazes de contribuir de maneira mais positiva no crescimento da criança, de modo que valores humanos, como o amor, o respeito, a compreensão e a paz, sejam estimulados no cotidiano escolar. Dificilmente tais valores serão cultivados, se a competição estiver presente. 
Nossa disciplina termina aqui, mas lembre-se de que o nosso desenvolvimento profissional não deve terminar nunca. É preciso que busquemos, sempre, aprimorar e construir conhecimentos.
 
 
Referências Bibliográficas 
BROTTO, Fábio Otuzi. Jogos cooperativos: o jogo e o esporte como um exercício de convivência. Santos: Projeto Cooperação, 2001.
________. Jogos cooperativos: se o importante é competir, o fundamen-tal é cooperar. Santos: Projeto Cooperação, 1997.
BROWN, Guillermo. Jogos cooperativos como auxiliar na resolução de conflitos. Revista Jogos Cooperativos. Barueri: Lannes Consulting S/C: Ano I, n. 2, p.5-6, setembro 2001.
DUTOIT, Rosana A. Interação de crianças de idades diferentes como conteúdo da Educação Infantil. Revista Criança do Professor de Educa-ção Infantil. Brasília: MEC/SEF: n. 32, p.38-43, junho 1999.
MEDEIROS, Tereza Régia Araújo de. Rumo a uma aprendizagem partici-pativa entre iguais. Revista Pátio Educação Infantil. Porto Alegre: Artmed Editora: Ano II, n. 5, p. 42-44, agosto/novembro 2004.
PERON, Ana Paula. É mais fácil cooperar ou competir? Revista Jogos Cooperativos. Barueri: Lannes Consulting S/C: Ano I, n. 2, p.10, setembro 2001.

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