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FIOS DE SUTURA - MEDICINA / UFCSPA

Resumo sobre fios de sutura: classifica absorvíveis e inabsorvíveis, discute resistência tênsil, reações teciduais, manuseio e coeficiente de atrito, e descreve características de: categute simples e cromado, poliglicólico (Dexon), poliglactina (Vicryl), seda, algodão e náilon.

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FIOS DE SUTURA – UFCSPA MEDICINA 
Os fios de sutura podem ser classificados em absorvíveis e não absorvíveis. Sua função é, basicamente, unir 
tecidos, enquanto o processo de cicatrização vai se estabilizando. Cada tipo de fio tem uma resistência tênsil, 
que deve ser adequada ao tipo de tecido em questão. O fio funciona até que a resistência tênsil do tecido em 
si possa se sustentar. Atenta-se para o fato de que o melhor fio é aquele que menos provoca reação tecidual e 
consequente fase exsudativa da cicatrização. O fio deve ser de fácil manuseio, além de não ser alergênico e 
carcinogênico. Além disso, devem ser baratos e esterilizáveis. Outro ponto importante é o coeficiente de 
atrito dos fios, que deve ser adequado a cada tecido especificamente. 
 
 
 
 
Acima podemos ver uma tabela com os principais tipos de fio e suas características. Quanto à absorbância, 
os fios podem ser classificados em: 
-Absorvíveis: categute simples, categute cromado, ácido poliglicólico (Dexon), poliglactina 910 (Vicryl), 
poliglecaprone 25 (Monocryl) e polidioxanona (PDS II). São utilizados nas suturas nas quais o fio não deve 
permanecer por muito tempo, pois sua absorção varia de 1 a 3 meses. 
-Inabsorvíveis: seda, algodão, náilon, polipropileno, poliéster e fios metálicos. 
 
•Categute: obtido do intestino de carneiro ou gado. Se seco, possui boa 
maleabilidade e fixação do nó. Quando úmido, incha e perde a resistência 
tênsil, podendo afrouxar os nós. O fio desfia após certo uso, e perda 
daresistência tênsil se dá de acordo com o tecido no qual está fixado. Há 
dois tipos de categute: 
-Categute simples: desperta reação exsudativa inicial mais intensa. Perde 
rapidamente sua resistência tênsil (1 semana) e é digerido por células 
polimorfonucleares. 
-Categute cromado: a reação proliferativa na fase exsudativa é mais tímida com esse fio. No tecido, 
predominam células gigantes e histiócitos, linfócitos e fibroblastos. Perde sua resistência tênsil apenas após 
21 dias. Seus nós são mais seguros que o categute simples, porém menos eficientes que os da seda. 
 
•A resistência do nó à tração e a própria umidade do ar são os fatores mais importantes na resistência tênsil! 
•O nó é sempre a parte mais fraca de um laço sob tensão! O nó, ainda, é uma local de aglomeração de bactérias, 
por isso quanto menos melhor! 
•Poliglicólico (Dexon): é um tipo de fio sintético criado em 1970. É polímero 
do ácido glicólico e utilizado de forma multifilamentar. A flexibilidade é 
equivalente à ceda, mas fixa bem o nó e é mais resistente que o categute. Não 
desfia, não incha e não perde resistência tênsil durante a cirurgia. No entanto, 
perde 40% da resistência tênsil depois de uma semana, sendo, após 120 dias, 
completamente reabsorvido. Gera reação de corpo estranho, mas não é afetado 
por enzimas digestivas. É absorvido por hidrólise e, após a absorção, o infiltrado inflamatório desaparece. 
 
•Poliglactina (Vicryl): Fio sintético criado em 1974. Composto de 
lactida e glicolida, e usado de forma trançada. Possui um revestimento 
bactericida. A flexibilidade se equivale à seda e tem melhor manuseio 
que o categute. Não desfia, não incha, não perda a resistência durante a 
cirurgia, fixa bem o nó e é mais resistente que categute, seda e 
poliéster. Perde 10-20% da resistência tênsil (RT) depois de 1 semana, 
sendo completamente absorvido depois de 90 dias. É um pouco afetado 
pelas secreções digestivas. É absorvido por hidrólise e, após a 
absorção, o infiltrado inflamatório desaparece. 
 
•Seda: fio inabsorvível com filamento produzido pelo bicho da 
seda. É o mais utilizado desde a primeira guerra mundial. É usado 
de maneira multifilamentar e torcido. É menos resistente que os 
absorvíveis sintéticos, mas mais resistente que o algodão. Não 
desfia, tem excelente manuseio, fixa bem o nó, porém incha. Não 
perde RT no momento da cirurgia. Perda de 30% da RT após 6 
meses. Pouco afetado pelas secreções digestivas. Após o 
desaparecimento da reação inicial, a área é rodeada de tecido conjuntivo com mononucleares, histiócitos, 
linfócitos e granuloma. Essa reação persiste por anos. O fio pode sim ser absorvido após alguns anos. 
 
•Algodão: extraído da planta de algodão. Ficou popular na segunda guerra mundial, quando faltava seda. É 
multifilamentar e torcido. Não desfia, tem excelente manuseio, fixa 
bem o nó, porém incha, assim como a seda. Não perde RT no 
momento da cirurgia. Resiste menos que a seda, porém perde apenas 
5% da RT após 6 meses. É pouco afetado pelas enzimas digestivas. 
Provoca uma reação semelhante à da seda, porém suas fibras se 
desgarram da massa principal, provocando uma reação própria. 
 
•Náilon: produto sintético que pode ser monofilamentar e 
multifilamentar. O monofilamentar é liso e deslizante, porém mais 
rígido e menos flexível. Já o multifilamentar é mais maleável, porém 
desliza menos. Não desfia e tem bom manuseio, mas os nós podem 
afrouxar. Não perde a RT ao longo do tempo, e é mais resistente que 
a seda, algodão e categute. Tem baixo coeficiente de atrito e é pouco 
afetado pela secreção gástrica. Permite uma discreta reação tecidual 
(menor que a seda). Forma uma fina camada de tecido conectivo. 
 
•Polipropileno (Prolene): polímero sintético com pigmento azul (monofilamentar). É liso, porém rígido. 
Afrouxa menos que o náilon. Não desfia, não incha e possui bom 
manuseio. Sua RT é equivalente à do náilon, e não se perde ao longo do 
tempo. Coeficiente de atrito maior que o náilon e menos que o poliéster. 
Não é afetado por secreções digestivas. 
 
•Fio metálico: usado desde a Grécia antiga. É formado por vários metais 
diferentes e pode ser mono ou multifilamentar. É liso, com boa 
maleabilidade, porém o manuseio é ruim. Não desfia, não incha, não afrouxa 
os nós e não perde RT ao longo do tempo. Na verdade, é o de maior RT 
existente. Possui reação inflamatória mínima, semelhante à do náilon ou 
polipropileno. Não é afetado por secreções digestivas, mas causa desconforto 
ao paciente. Possui sim reação tissular (cápsula fibrosa), mas menor que a da 
seda. 
 
•Escolha do fio adequado: tem que ser levado em consideração a propriedade do fio e sua interação com os 
tecidos. O mais indicado é o mais fino possível que 
cause poucas complicações. A sutura deve 
desaparecer com o mínimo ou ausência de vestígio 
reacional. 
•Agulhas de sutura: pode ser com cabo (Reverdin e 
Doyen) ou sem cabo. Quanto à forma, são 
divididas em retas, semirretas e curvas. Outra 
classificação atribuída é o formato da ponta e cabo, 
como pode ser visto ao lado. 
No fio de sutura, há todas as especificações 
necessárias, conforme imagem abaixo.

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