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SEMIOLOGIA MAMÁRIA

Material sobre semiologia mamária: descreve manifestações clínicas, anamnese especializada (tempo, evolução, fatores, história hormonal, cirurgias e antecedentes familiares) e protocolo de exame clínico detalhado com inspeção estática e dinâmica, técnicas de palpação e achados.

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SEMIOLOGIA MAMÁRIA 
Manifestações clínicas 
➔ Modularidade (percebida pela paciente ou achado de exame); 
➔ Descarga mamilar; 
➔ Dor; 
➔ Alterações de pele (estática ou dinâmica); 
➔ Alterações de mamilo/aréola; 
➔ Nódulo axilar; 
Anamnese especializada 
➔ Descrição detalhada da queixa mamária: 
o Tempo de aparecimento; 
o Evolução desde o aparecimento (crescimento, estável, regressão, outras manifestações); 
o Fatores de piora e melhora (relacionar com ciclo menstrual, atividade física = movimentos dos MMII, 
etc); 
o Exames e/ou terapias prévias (resultados obtidos); 
➔ Aspectos hormonais relevantes: 
o Menacme/climatério; 
o Uso de TH/ACO (idade de uso e tempo de utilização); 
o Perfil menstrual; 
o Idade da menarca/menopausa; 
o Método contraceptivo; 
o Distúrbios endócrino-ginecológicos (diagnóstico e tratamentos); 
➔ Antecedentes mamários: 
o Doenças mamárias prévias: diagnóstico e tratamento; 
o Cirurgias mamárias prévias: indicação, anátomo-patológico e plástica (redução, pexia, prótese); 
➔ Antecedentes familiares: 
o Câncer de mama na família (grau de parentesco, tipo histológico); 
o Outros casos de câncer na família (prioridade para intestino, pâncreas, endométrio, estômago, 
próstata); 
o Outras doenças mamárias em parentes próximas. 
➔ Dados clínicos complementares: 
o Doenças metabólicas – obesidade (IMC); 
o Perfil nutricional – ingesta de gorduras; 
o Atividade física – tipo de atividade (aeróbica x musculação), regularidade (dias por semana/horas por 
dia), tempo de atividade (idade de início); 
o Outras doenças e aspectos epidemiológicos relevantes; 
Exame clínico 
➔ Inspeção estática; 
o Posição da paciente: sentada pela lateral da maca, com as pernas pendentes, braços relaxados ao lado 
do corpo; 
 
o Dados clínicos: 
▪ Simetria das mamas: comparativa – simétricas ou assimétricas (volume, posição de complexo 
aréolo-mamilar); 
▪ Alterações da pele/aréola/mamilo: descrição detalhada com posição pelo lado comprometido e 
horas do relógio, exemplo: mama direita às 3 horas; 
• Abaulamentos ou retrações – pele ou mamilo (unilateral ou bilateral); 
• Hiperemia ou pigmentação alterada (focal ou difusa); 
• Edema de pele (Peau D’Orange – aspecto de casca de laranja); 
• Ulcerações; 
• Cicatrizes; 
 
 
 
 
➔ Inspeção dinâmica; 
o Posicionamento: mantida a posição da inspeção estática; 
o Paciente deve ser orientada a movimentar os braços para cima em um arco amplo até juntar as mãos 
acima da cabeça; 
o Mãos na cintura realizando deslocamento anterior do ombro com força; 
o Pendência assistida das mamas – médico anteriormente à paciente segura as mãos dela que pende para 
frente. 
 
o Observa-se o movimento natural e simétrico de ambas as mamas com elevação e lateralização; 
o Complexo aréolo-mamilar tem o mesmo padrão de mobilização com deslocamento delicado em 
direção às axilas; 
o Alterações mais evidentes: 
▪ Intensificação de alterações de retração de pele ou mamilo vistas na inspeção estática; 
▪ Novas áreas de retração de pele ou mamilo (mais comuns) ou abaulamento (menos frequente); 
▪ As retrações “apontam” para a área tumoral em casos de câncer. 
➔ Palpação (clavícula – m. reto abdominal – linha axilar média – linha esternal média); 
o Paciente deitada em decúbito dorsal com braços dobrados e mãos apoiadas abaixo da cabeça, com 
ombros relaxados; 
o Examinador se posiciona lateralmente à mesa de exame, podendo realizar a palpação de ambas as 
mamas por um único lado, ou se deslocar ao lado contrário após o exame da primeira mama; 
o Área de palpação para cada mama: quadrado delimitado pela clavícula, linha axilar média, linha do 
mm. reto abdominal e linha esternal média; 
o Ambas as mamas devem ter toda sua área palpada. 
o Há varias técnicas palpatórias com a mais utilizada sendo o dedilhamento em dois eixos: 
▪ Em linha no sentido medial até lateral descendo gradativamente da clavícula ao músculo reto-
abdominal; 
▪ Em linha no sentido crânio-caudal indo da porção esternal da mama até a linha axilar média; 
▪ Outras técnicas utilizadas incluem palpação radial em relação ao mamilo e ainda palpação 
circular da mama – não há incremento na utilização de múltiplas técnicas. 
 
o Segundo tempo: 
▪ Paciente sentada na mesma posição da inspeção estática e dinâmica; 
▪ Palpação da mama apoiada pela outra mão do examinador; 
▪ Aumento da sensibilidade a nodulações profundas pré-peitorais; 
▪ Melhora do exame de pacientes com prótese mamária; 
 
o Achados da palpação: 
▪ Nodularidade: áreas focais de padrão palpatório alterado, não necessariamente correspondendo 
a nódulos verdadeiros (cistos, etc...); 
▪ Espessamento: áreas difusamente espessadas em relação ao parênquima mamário, podendo 
corresponder a um setor da mama (delimitado pela demarcação do relógio), a um quadrante da 
mama, ou ainda à mama inteira (em comparação à outra mama); 
▪ Espessamento ductal (periareolar) com aspecto de um cordão espessado. 
o Descrição: 
▪ Localização: (direita/esquerda, posição no esquema do relógio, distância do mamilo); 
▪ Forma: arredondado, ovalado, formas específicas (feijão, amendoim), macrolobulado, 
microlobulado ou irregular. 
▪ Consistência: em comparação ao parênquima mamário (cístico, amolecido, parenquimatoso, 
endurecido, pétreo); 
▪ Mobilidade: móvel, pouco móvel ou firmemente aderido à pele e/ou ao músculo peitoral; 
▪ Delimitação: bordas nítidas, imprecisas ou totalmente apagadas. 
 
➔ Expressão x palpação peri-areolar (gatilhos): muito questionável atualmente. 
o Conduta padrão no passado, realizada em todas as mulheres através da expressão retroareolar em 
ordenha – atualmente é contraindicada em rotina; 
o Expressão é realizada mediante queixa específica de descarga, com priorização de gatilhos; 
o Realização de palpação direta de gatilhos periareolares, mediante palpação unidigital com leve 
pressão na aréola em toda sua circunferência. 
 
➔ Axila e cadeias linfonodais supra e infra-claviculares. 
o Paciente em posição sentada (mesma da inspeção) com examinador apoiando o membro superior 
correspondente e a mão contralateral entrando no cavo axilar com compressão da gordura contra a 
parede torácica lateral e deslizamento palpatório. 
o Avaliação de nodulações descritas em número, consistência (amolecida/endurecida), coalescência 
(nódulos aderidos uns aos outros, aderência à parede torácica); 
 
o Posição do examinador: lateral à paciente; 
o Um braço do examinador segura o membro superior da paciente enquanto a mão contralateral 
espalmada comprime a gordura axilar abaixo do músculo peitoral maior, contra a parede torácica. 
Avaliar o número e características dos linfonodos palpáveis. 
o Cadeias supra e infra-claviculares: sempre são examinadas; 
▪ Examinador pode estar anterior à paciente ou posterior; 
▪ Mão espalmada com polpas digitais na cava clavicular (supra) e abaixo da clavícula (infra); 
o Cadeias cervical anterior e outras cervicais: casos selecionados (câncer tratado ou acometimento 
axilar evidente em caso inicial); 
 
Diagnóstico em mastologia 
➔ Achados clínicos relacionados prioritariamente a quadros benignos: 
o Idade abaixo de 30 anos de idade; 
o Longa duração da queixa clínica; 
o Queixas clínicas de dor; 
o Nódulos palpáveis arredondados, ovalados, formas especiais (feijão, amendoim), lisos, móveis, 
crescimento lento (ou estáveis), eventual dor associada ao ciclo menstrual; 
o Descarga mamilar láctea, bilateral, variável em quantidade ao longo do ciclo menstrual em múltiplos 
ductos. 
o Axilas sem linfonodos. 
➔ Achados clínicos relacionados prioritariamente a quadros malignos: 
o Idade acima de 50 anos de idade; 
o Curta duração da queixa clínica; 
o Sem queixas clínicas de dor; 
o Nódulos palpáveis irregulares, bordas imprecisas, pouco móveis ou aderidos a planos profundos e/ou 
à pele, crescimento rápido (principalmente após 2 cm); 
o Descarga mamilar sanguinolenta, unilateral, de aparecimentoespontâneo (sem expressão), por ducto 
isolado. 
o Axilas com linfonodos.