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Acidentes com animais peçonhentos

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são denominados 
animais venenosos. Entretanto, o termo correto para a maioria dos 
“animais venenosos” seria animais peçonhentos. As peçonhas são produtos 
de atividades de glândulas cujos canais excretores abrem-se para o exterior 
ou para a cavidade bucal. Os venenos, por sua vez, podem ser de origem 
animal, vegetal ou mineral e não são excretados por glândulas especiais, ao 
contrário dos peçonhentos. 
SERPENTES 
- As serpentes estão zoologicamente agrupadas na subordem Ophidia, 
ordem Squamata e classe Reptilia. São encontradas, com poucas exceções, 
em toda a superfície do globo terrestre, vivendo algumas em áreas 
oceânicas ou de água doce. As serpentes podem também ser classificadas 
com base na capacidade inoculadora da peçonha: 
• Áglifas: serpentes com dentes maciços, sem presas na maxila e sem canal 
central e sem sulco externo. 
• Opistóglifas: apresentam um par ou mais de presas no maxilar de 
localização posterior. A peçonha escorre através da canaleta externa do 
dente. 
• Proteróglifa: serpentes com um par ou mais de presas no maxilar de 
localização anterior. A peçonha também escorre pela canaleta do dente. 
• Solenóglifa: apresentam um ou mais pares de presas maxilares grandes e 
canaliculares, com um canal central por onde é inoculada a peçonha. 
- No Brasil, as 
serpentes 
peçonhentas de 
interesse clínico estão 
representadas pelos 
gêneros Bothrops 
(incluindo Bothriopsis 
e Bothridium), 
Crotalus, Lachesis e 
Micrurus, havendo 
relatos de acidentes 
com manifestações 
clínicas locais por 
serpentes dos gêneros 
Philodrya e Clelis (colubrídeos). 
- A peçonha de serpentes é secretada por um par de glândulas supralabiais 
dispostas simetricamente em posição póstero-inferior com relação aos 
olhos. O animal, ao picar, não morde, mas dá o bote com a boca aberta, o 
que faz com que as presas penetrem no tegumento à maneira de uma 
agulha hipodérmica. O conteúdo das glândulas é, então, ejetado sob 
pressão. 
- Do conhecimento desse fato resultam duas conclusões importantes: a 
primeira é que se pode ter uma ideia do tipo de serpente que produziu o 
ferimento pelas marcas deixadas no local da picada; e a segunda diz respeito 
às serpentes proteróglifas e solenóglifas, que, devido à posição das presas, 
são as que têm maior facilidade para inocular a peçonha. 
 
- Exceção das peçonhentas é a cobra coral, esta parece mais com as não 
peçonhentas. 
- Maioria das cobras de interesse clínico são solenóglifas 
- Verifica-se o 
predomínio do acidente 
botrópico, que constitui 
87,4% dos casos 
notificados no país, 
seguidos do crotálico 
(8,8%). Serpentes dos 
gêneros Micrurus (corais) 
e Lachesis (surucucus) 
são mais raras, com 
incidência aproximada de 
0,6% e 3,2% 
respectivamente;10 as 
últimas ocorrem apenas 
na Região Amazônica e em áreas com remanescentes da Mata Atlântica. As 
serpentes do gênero Crotalus, em Minas Gerais, causam quase o dobro de 
acidentes que a média nacional. 
- A natureza química dos venenos de serpentes mostra composição 
heterogênea de proteínas com atividade enzimática. 
 
5 SANNDY EMANNUELLY – 6º PERÍODO 2021.1 
 
Quadro clínico 
- Os efeitos das peçonhas sobre o homem mostram que existe uma 
multiplicidade de ação, podendo-se observar sinais neurotóxicos, 
hemorrágicos, citotóxicos e anticoagulantes. A manifestação clínica 
predominante vai depender da espécie de serpente e do indivíduo. 
 
- Todas as serpentes do gênero Bothrops produzem manifestações clínicas 
semelhantes, variando apenas a intensidade, de acordo com a quantidade 
de peçonha inoculada e com a idade da serpente. A sequência de eventos 
é: dor no local da picada, edema progressivo, manchas avermelhadas, 
manchas arroxeadas, bolhas com sangue em seu interior, febre e infecção 
secundária. Abscessos ocorrem em 10% a 20% dos acidentes; já a síndrome 
compartimental é identificada em menos de 1% e está associada ao uso de 
torniquete. 
- Uma importante característica do acidente botrópico é a ausência de ação 
neurotóxica. Sangramento do trato gastrintestinal, vômitos biliosos, 
sudorese, hemorragia gengival e hematúria podem ocorrer, sobretudo 
quando o soro específico é aplicado tardiamente. O distúrbio de coagulação 
ocorre 30 a 60 min após a picada e pode ser o único sinal de 
envenenamento, principalmente nos acidentes ocasionados por filhotes de 
Bothrops. 
 
- Em regra, a picada de cascavel não provoca dor, ou, quando provoca, é de 
pequena intensidade. O edema é discreto, e as vítimas referem sensação de 
dormência ou formigamento no local. Trinta a 60 min após, aparecem dores 
musculares generalizadas, ptose palpebral, obnubilação, tonturas, 
diminuição da acuidade visual, diplopia, urina de coloração vinhosa 
(mioglobinúria). Em alguns casos podem ocorrer vômitos. O perigo maior é 
a insuficiência renal aguda, que constitui a principal causa de óbito. 
Insuficiência respiratória pode ocorrer também. 
 
- As picadas por coral não causam dor. Parestesia da região ocorre logo após 
a picada, com irradiação para a raiz do membro afetado. Trinta a 60 min 
após, pode ocorrer ptose palpebral, salivação viscosa e disfagia. A morte 
pode ser causada por paralisia respiratória. Todos os acidentes por coral são 
considerados graves. 
 
- As pessoas picadas por serpentes do grupo laquético apresentam sintomas 
semelhantes aos das picadas pelas do grupo botrópico. Os casos relatados 
são poucos, o que contribui para que os aspectos relacionados com a 
morbidade e mortalidade nesses acidentes sejam ainda pouco conhecidos. 
 
- As serpentes não venenosas podem também, eventualmente, picar o 
homem, e, embora não ocorra nenhuma consequência grave, a vítima sente 
grande ansiedade. De maneira geral, podem ocorrer alterações locais, como 
dor moderada, edema discreto e eritema da área atingida, sobretudo nos 
acidentes por colubrídeos (cobra-ver-de e cobra-cipó). 
Exames complementares 
- Embora os exames complementares tenham pouca importância na 
classificação do acidente, sua realização pode contribuir para a condução 
dos casos. Após acidentes ofídicos, podem ocorrer complicações como 
insuficiência renal aguda, distúrbios de coagulação, choque circulatório e 
insuficiência respiratória aguda. 
- Por isso, já no primeiro atendimento, deve ser colhido sangue para estudo 
da coagulação sanguínea (tempo de coagulação, plaquetas, fibrinogênio, 
atividade de protrombina com RNI e TTP), hemograma, eletrólitos e 
determinação do grupo sanguíneo. Posteriormente, caso necessário, serão 
feitos exames especiais, como ECG, radiografias, ecocardiograma. 
 
Tratamento 
- O paciente picado por serpente peçonhenta deve ser levado o mais rápido 
possível para um local que disponha de facilidades para administrar o 
antiveneno específico. No Brasil, os óbitos causados por acidentes ofídicos 
ocorrem sobretudo nos pacientes que recebem o tratamento específico 
com mais de 6 h após o acidente. O tratamento consiste em medidas gerais 
e específicas. 
- Medidas gerais 
1. Tranquilizar o paciente. 
2. Manter o paciente em repouso para reduzir a absorção da peçonha. 
3. Manter o membro afetado elevado e estendido para reduzir a 
intensidade do edema, sobretudo nos acidentes botrópicos. 
4. Lavar cuidadosamente o local da picada com água e sabão. 
5. Não administrar sedativos, anti-histamínicos nem medicamentos 
depressores do SNC, pois esses medicamentos prejudicam a avaliação 
clínica do estado mental. 
6. Não garrotear o membro acometido, não fazer incisões no local da 
picada e não fazer sucção da área afetada, pois esses procedimentos 
podem agravar as lesões locais e predispor a infecções. 
 
6 SANNDY EMANNUELLY – 6º PERÍODO 2021.1 
7. Remover o paciente para local onde soroterapia específica possa ser 
feita. 
Tratamento específico 
- A medida mais importante do tratamento dos acidentes ofídicos é a 
soroterapia específica. No

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