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VESTIBULAR UFSC/2019 
RELATÓRIO DA PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURA BRASILEIRA 
(PROVA 1 – AMARELA) 
 
1 Introdução 
 
 O Programa de Língua Portuguesa e de Literatura Brasileira (LPLB) – Vestibular 
UFSC/2019 – busca avaliar a capacidade de leitura, compreensão e interpretação, bem como a 
capacidade de análise de recursos linguísticos em diferentes contextos de uso. Além disso, 
pretende valorizar o candidato pela experiência de leitura do texto literário, mais do que pela 
memorização de informações descontextualizadas sobre autores, obras, datas etc. Com base no 
referido programa, a prova de LPLB contemplou três aspectos que compreendem (i) compreensão 
e interpretação de textos, (ii) análise de recursos linguísticos e (iii) conhecimento das seis obras 
literárias selecionadas Quarto de despejo: Diário de uma favelada, de Carolina Maria de Jesus; 
Capitães da areia, de Jorge Amado; Melhores contos (seleção Eduardo Portella), de Lygia 
Fagundes Telles; Melhores Poemas (seleção Francisco de Assis Barbosa), de Manuel Bandeira; 
Valsa no 6, de Nelson Rodrigues e Nós, de Salim Miguel). Cumpre destacar que tal divisão não é 
estanque, pois as proposições de boa parte das questões transitam por dois ou três desses 
aspectos. Ademais, algumas questões focalizam, comparativamente, elementos de mais de uma 
obra literária, correlacionando-as. 
Em relação a (i), a prova contemplou questões cujas proposições abordaram os seguintes 
aspectos: compreensão do significado global do texto; construção de relações intertextuais e 
intratextuais; reconhecimento de ideias principais e secundárias; dedução de ideias e pontos de 
vista implícitos no texto; compreensão e interpretação da linha argumentativa do autor; 
diferenciação entre fatos e opiniões; reconhecimento das diferentes “vozes” enunciadas em um 
texto; compreensão do sentido de palavras, expressões ou estruturas frasais em determinados 
contextos de uso; análise do texto, do ponto de vista do propósito comunicativo, do conteúdo 
temático e das unidades de estilo e de composição; reconhecimento e compreensão do gênero e 
do tipo textual, e da variedade linguística. 
No que tange a (ii), as questões visaram à análise do funcionamento de recursos 
linguísticos no texto, com foco nos seguintes aspectos: reconhecimento de diferentes relações 
entre recursos gramaticais e lexicais e suas funções no texto, em diferentes níveis linguísticos; 
adequação de recursos linguísticos ao contexto de uso; conhecimento da variedade padrão 
(norma culta) da língua escrita e reflexão sobre seu uso. 
Quanto a (iii), as questões abordaram a apreensão da obra literária em sua natureza 
estética; o estabelecimento de relações do texto com o contexto sociocultural, com o movimento 
literário a que se vincula e com outros textos; compreensão da organização e da estrutura de 
textos literários, estabelecendo relações pertinentes entre seus elementos constitutivos; 
percepção das possibilidades de leitura, reconhecendo as singularidades e propriedades 
linguísticas que caracterizam um texto literário; reconhecimento de aspectos estruturais e 
temáticos envolvidos nas obras indicadas para o Vestibular UFSC/2019. 
 
2 Análise 
 
A análise das questões que se apresenta a seguir é baseada no quadro de frequência de 
respostas da prova 1 (amarela) – tido, aqui, como relatório oficial. Trata-se, pois, de uma amostra, 
considerada como 100% para efeitos de análise. O foco principal são os alunos INSCRITOS, 
embora os CLASSIFICADOS possam ser, eventualmente, contemplados. 
 Essa prova foi efetivamente respondida por 7.972 candidatos, dentre os quais 1.512 foram 
classificados, o que resulta em uma aprovação aproximada de 18,97%, dos candidatos que 
realizaram a prova, um acréscimo de 2,39% em relação ao certame do ano anterior. Entre os 
candidatos presentes, o número de respostas inválidas ou absurdas oscilou, respectivamente, 
entre 25 a 59 e entre 0 a 46 nas doze questões propostas. Especificamente entre os classificados, 
o número de respostas inválidas ou absurdas variou, respectivamente, entre 1 a 6 e entre 0 a 8 
nas mesmas questões. Cada questão foi observada em sua totalidade e também foram 
consideradas as proposições isoladamente com o objetivo de melhor compreender o grau de 
dificuldade obtido para a questão. A análise foi feita considerando-se principalmente as 
proposições – verdadeiras ou falsas – que ofereceram maior dificuldade aos candidatos. Para 
efeito da análise realizada a seguir, a distribuição da pontuação para o cálculo do grau de 
dificuldade previsto/obtido é a seguinte: 
 
(I) até 0.15 (15%) = difícil; 
(II) de 0.16 a 0.25 (16 a 25%) = médio; 
(III) acima de 0.26 (26%) = fácil. 
 
 
LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURA BRASILEIRA 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 01 
 
Com base na leitura do Texto 1 e de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto 
afirmar que: 
 
01. a publicação de Eliane Brum no site do jornal El País, tendo em vista sua natureza histórica 
e arqueológica, configura-se como um exemplo de texto acadêmico. 
02. o trecho “Nunca salvaram. Há 500 anos não salvam.” (linha 34), faz referência à estátua de 
Dom Pedro II e ao legado deixado por sua família, informação retomada no parágrafo 
posterior, em: “As costas de Pedro ferviam.” (linha 35). 
04. a chegada dos caminhões-pipa marca o fim do incêndio, como evidencia a declaração do 
chefe de bombeiros em uma coletiva diante do Museu Nacional “Está tudo sob controle” 
(linha 61). 
08. no título e no subtítulo, as palavras “água” e “fogo” (linha 01), “Amanhã” (linha 02) e 
“passado” (linha 03) são exemplos de antítese, figura de linguagem em que se opõem 
ideias a fim de reforçar por meio do contraste o significado dos termos. 
16. a repetição desnecessária do verbo queimar (linhas 15-19) configura-se como um vício de 
linguagem chamado hipérbole. 
32. o trecho “O Brasil é um construtor de ruínas. O Brasil constrói ruínas em dimensões 
continentais.” (linhas 46-47) evidencia o tom de revolta e indignação diante do descaso das 
autoridades para com o acervo do Museu Nacional e para com o Brasil. 
 
 
 
 O foco da questão era a leitura e a interpretação do Texto 1. Para respondê-la, o candidato 
deveria mobilizar seu repertório acerca dos gêneros do discurso, diferenciando “crônica” de “texto 
acadêmico”. Também era necessário estabelecer relações semânticas e de referenciação, 
perceber o uso de figuras de linguagem e compreender o significado global do texto. 
 Essa questão contava com seis proposições das quais 08 e 32 eram corretas, com uma 
soma de 40. De acordo com o relatório oficial, 34,74% dos candidatos inscritos marcaram a soma 
correta, resultado esperado pela banca, que havia caracterizado a questão como de grau fácil. Foi 
a questão com maior índice de acerto de toda a prova de LPLB. 
15,13% dos candidatos consideraram apenas a proposição 32 como verdadeira, um 
acerto parcial que demonstra desconhecimento diante da proposição 08, que trata da figura de 
linguagem antítese e está correta. 
Entre aqueles que anularam a questão, 11,16% consideraram corretas além da 08 e 32 a 
proposição 02, assinalando como resposta 42. Uma vez que a proposição 02 é de interpretação 
das informações contidas no texto, faltou identificar de maneira adequada o referente enunciado 
na proposição. O número de respostas inválidas e absurdas foi o mais baixo da prova. 
 
Gabarito 08+32=40 
Número de acertos: 34,74% 
Grau de dificuldade previsto FÁCIL 
Grau de dificuldade obtido FÁCIL 
 
 
Questão 02 
Com base no Texto 1, é correto afirmar que: 
 
01. o uso de aspas (linhas 37-38, 39, 40, 46-47, 61, 63-64) serve para marcar a voz do outro 
por meio de discurso indireto. 
02. o trecho “E eu preciso alcançar o Museu do Amanhã” (linha 52) faz alusão ao fato de que a 
autora estava na cidade para visitar aquele museu, mas devido ao incêndio do Museu 
Nacional do Rio perderia, simbolicamente, a possibilidade de acessar tanto o passadoquanto o futuro do Brasil. 
04. os termos “tinha” (linha 01), “tinha” (linha 03) e a locução “tinha tentado” (linha 27) 
expressam noção de existência, noção de posse e noção temporal de passado mais que 
perfeito, respectivamente. 
08. o incêndio queimou o crânio da primeira múmia brasileira conhecida como Luzia. 
16. é nítida a interface entre o conteúdo jornalístico e o tratamento literário, como é 
característico no gênero resenha acadêmica. 
 
O foco dessa segunda questão também era a leitura e a interpretação do Texto 1, embora 
concedendo maior destaque à análise linguística. As proposições versaram sobre o tipo de 
discurso, o uso de alusões, verbos e locuções verbais, a referenciação e os gêneros do discurso 
“crônica” e “resenha acadêmica”. 
 A questão contava com cinco proposições, das quais 02 e 04 eram corretas, com uma 
soma de 06. De acordo com o relatório oficial, apenas 11,72% dos candidatos inscritos 
assinalaram o valor total correto, resultado abaixo do esperado pela banca, que havia previsto a 
questão como de grau médio. 
12,94% dos candidatos, ou seja, um percentual maior do que os que acertaram 
integralmente a questão, assinalaram apenas a proposição 02 como verdadeira. Tendo em vista 
que a proposição 04 era igualmente correta, o acerto parcial evidencia a dificuldade de muitos 
candidatos em identificar variações semânticas do verbo ter ou, ainda, desconhecimento da 
nomenclatura utilizada (“locução”, “noção de existência”, “noção de posse”, “noção temporal”, 
“mais que perfeito” etc.). 
Entre aqueles que erraram a questão, 8,63% consideraram corretas além da 02 e 04 a 
proposição 01, assinalando como resposta 07. O problema, nesse caso, é que não perceberam 
que, embora seja possível localizar aspas em todos os trechos citados, as aspas sinalizam nesse 
texto o discurso direto, pois reportam a fala de outras testemunhas oculares, da autora e do chefe 
dos bombeiros presentes no momento do incêndio. O número de respostas inválidas e absurdas 
foi, respectivamente, 35 e 18, valor pouco considerável. 
 
Gabarito 02+04=06 
Número de acertos: 11,72% 
Grau de dificuldade previsto MÉDIO 
Grau de dificuldade obtido DIFÍCIL 
 
 
Questão 03 
Com base na leitura do Texto 1 e de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto 
afirmar que: 
 
01. na frase “E o meteorito estava dentro do museu” (linha 66), a autora defende a tese de que a 
presença do meteorito pode ser a causa do incêndio. 
02. no fragmento “[...] como se mais uma vez fossem eles que estivessem queimando” (linha 31), 
há referência direta a um momento específico da história brasileira, o qual a autora define 
como uma tentativa de invenção de um país, promovida por Dom Pedro II e seus 
predecessores. 
04. a autora organiza o texto expandindo o significado de “queimar” de uma dimensão denotativa 
para uma conotativa, para evidenciar como o incêndio do museu está relacionado a um 
fenômeno mais amplo, de natureza histórica e de relevância social. 
08. na frase “Está tudo sob controle” (linha 61), o referente de “tudo” é o incêndio. 
16. as referências ao crânio de Luzia (linhas 07 e 44) personificam o objeto e reforçam a noção 
de identificação entre a autora e aquela que reconhece como sua ancestral, seu passado 
que se perde. 
 
A questão mantinha como foco o Texto 1, com especial destaque para as relações 
intratextuais, nos processos de referenciação, progressão textual e utilização de linguagem 
conotativa. Trata-se, assim, de uma questão que exigia dos candidatos retomada detalhada de 
elementos linguísticos na superfície textual, articulando-os à relação de sentido proposta pela 
autora. 
 Ao analisarmos os resultados obtidos pelos candidatos, identifica-se nitidamente leitura 
com precisão aquém do demandado para eleição das proposições corretas, que foram alcançadas 
por apenas 6,7% dos candidatos. O resultado sinaliza para um grau de dificuldade acima do 
previsto, caracterizando-a como uma questão difícil. 
 
Gabarito 02+04+16=22 
Número de acertos: 6,7% 
Grau de dificuldade previsto MÉDIO 
Grau de dificuldade obtido DIFÍCIL 
 
Questão 04 
Considere os trechos a seguir, extraídos do Texto 1, e a variedade padrão da língua escrita. 
 
I. O Brasil perdeu a possibilidade da metáfora. Isso já sabíamos. O excesso de realidade nos joga 
no não tempo. No sem tempo. No fora do tempo. (linhas 12-13) 
II. Outras pessoas tentavam furtar o celular e a carteira de quem tentava entrar para ajudar ou só 
estava imóvel diante dos portões tentando compreender como viver sem metáforas. (linhas 19-21) 
III. Brasil é você. Não posso ser aquele que não é. (linha 22) 
IV. Diante do Museu Nacional em chamas, de costas para o palácio, de frente para onde deveria 
estar o povo, Dom Pedro II em estátua. (linhas 26-27) 
 
Em relação aos trechos, é correto afirmar que: 
01. em III, há uma relação metonímica entre “você” e “Brasil”. 
02. em I e II, há o emprego da figura de linguagem metáfora. 
04. em IV, a passagem “de frente para onde deveria estar o povo” apresenta uma crítica ao 
povo, que não se fez presente para ajudar a apagar o incêndio. 
08. na segunda oração de III, há a retomada por elipse do sujeito posto na oração imediatamente 
anterior. 
16. em I, os termos “não”, “sem” e “fora” apresentam a mesma função gramatical. 
32. em I, o pronome “Isso” tem como referente “O excesso de realidade”. 
64. em IV, o período apresenta sentido denotativo. 
 
 
 A questão visava à análise de recursos linguísticos e reconhecimento de relações 
intratextuais. Especificamente, explorava o uso de figuras de linguagem, o funcionamento de 
conectores, o estabelecimento de relações semânticas e referenciação, consideradas no contexto 
linguístico. 
 Essa questão contava com sete proposições das quais 01 e 64 eram corretas, com uma 
soma de 65. De acordo com o relatório oficial, 2,31% dos candidatos inscritos marcaram a soma 
correta. O resultado convergiu para um grau de dificuldade acima do previsto, caracterizando-a 
como uma questão de grau difícil. 
Chama a atenção, o fato de que as alternativas corretas: 01 e 64 tratavam exclusivamente 
de conteúdos de figura de linguagem (metonímia) e de sentido denotativo, respectivamente, 
temas que não apresentam, em geral, dificuldade para os alunos. 
 De acordo com o quadro abaixo, a relação de grau de dificuldade obtido foi maior do que o 
previsto para a questão. 
 
Gabarito 1+64=65 
Número de acertos: 2,31% 
Grau de dificuldade previsto MÉDIO 
Grau de dificuldade obtido DIFÍCIL 
 
 
 
 
Questão 05 
De acordo com o Texto 2, é correto afirmar que: 
 
01. o patrimônio cultural é o que está na base dos acervos dos museus. 
02. o museu é a única forma de preservação das culturas. 
04. a fumaça pode ser entendida como uma metonímia da falta de ações políticas para a 
manutenção do museu. 
08. o sentido metaforizado da expressão “Aqui jaz o Brasil” é “Aqui queima o Brasil”. 
16. o termo “aqui” funciona como advérbio de lugar e refere-se à palavra “Brasil”. 
32. a composição imagética do museu em chamas é construída por meio da linguagem verbal e 
da linguagem não verbal. 
 
A questão objetivava a compreensão e a interpretação da charge a partir do 
reconhecimento da ideia principal, do significado global e da relação de sentido proposta pelo 
texto a partir do uso de linguagem verbal e não verbal (imagética), bem como do reconhecimento 
de relações intratextuais de ordem informacional e de relações intertextuais com o texto 1 do 
certame. Explorava ainda o uso da metáfora e da metonímia. 
 Essa questão contava com seis proposições das quais apenas as proposições 01 e 32 
eram corretas, com uma soma de 33. Conforme o relatório oficial, 20,12% dos candidatos inscritos 
marcaram a soma correta, caracterizando-a como uma questão de grau médio. O resultado 
convergiu com o grau de dificuldade previsto, que era entre mediano e fácil. 
 Observe-seo quadro demonstrativo: 
 
Gabarito 01+32=33 
Número de acertos: 20,12% 
Grau de dificuldade previsto FÁCIL 
Grau de dificuldade obtido MÉDIO 
 
 
 
Questão 06 
Com base na leitura do Texto 3 e na leitura integral da obra Quarto de despejo: diário de uma 
favelada, publicada pela primeira vez em livro em 1960, no contexto sócio-histórico e literário e, 
ainda, de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que: 
 
01. Quarto de despejo é uma coletânea de relatos pessoais dedicados a narrar o dia a dia do 
ano de 1958 na vida de Carolina Maria de Jesus, de sua família e da comunidade. 
02. reforçando o mito do “homem cordial” na tradição literária brasileira, a obra revela como os 
moradores da favela do Canindé e arredores são acolhedores, solidários e solícitos com 
Carolina e com seus filhos. 
04. há remissão ao dia em que se comemora oficialmente a Abolição da Escravidão no Brasil, 
numa crítica ao controle social exercido pela fome, que marca a existência de outro modo de 
escravidão. 
08. a autora emprega frases e orações curtas, o que confere maior ênfase e ritmo ao texto, 
recurso linguístico utilizado com frequência por autores da literatura brasileira 
contemporânea. 
16. o emprego de metáforas e comparações auxilia na recriação ficcional do cotidiano da favela, 
como é o caso do adjetivo “acinzentado”, tomado como a cor da fome, numa clara alusão às 
casas sem reboco do entorno, e do substantivo “corvos”, num comparativo com os favelados, 
homens e mulheres sempre à procura de comida. 
32. em “Dona Ida peço-te” (linha 02), os termos em destaque servem como vocativo, apesar da 
ausência de vírgula. 
64. a obra tem sido revisitada por críticos contemporâneos em nova abordagem que confere ao 
texto valor literário, superando uma leitura sociológica, pois reconhece nele a existência de 
um projeto estético próprio da autora. 
 
A questão avaliava a apreensão por parte dos candidatos da obra literária “Quarto de 
despejo”, um diário autobiográfico em que a autora narra os anos de 1955 a 1960, ainda que com 
diversas lacunas temporais. A questão também demandava o estabelecimento de relações do 
texto com o contexto sócio-histórico e literário, como é o caso da data oficial em que se comemora 
a Abolição da Escravidão no Brasil, e do emprego estilístico de frases e orações curtas, comum 
entre autores contemporâneos da literatura brasileira. No que se refere aos recursos linguísticos 
empregados no texto, o foco era o contexto de uso e o conhecimento da variedade padrão da 
língua escrita. 
 Essa questão contava com sete proposições das quais 04, 08 e 64 eram corretas, 
totalizando a soma de 76. De acordo com o relatório oficial, apenas 0,95% dos candidatos 
inscritos assinalaram a soma correta. O resultado convergiu para um grau de dificuldade acima do 
previsto, caracterizando-a como a questão de grau mais difícil de toda a prova de LPLB. 
Embora três das proposições estivessem corretas, houve uma pulverização nas respostas 
por duas alternativas corretas e três incorretas. As proposições 04 e 08, sobre a Abolição da 
Escravidão e sobre o estilo de pontuação, foram mais facilmente identificadas como corretas pelos 
candidatos: respectivamente, por 65% e por 40% dos inscritos, o que revela um alto percentual de 
acerto. Fato distinto ocorreu com a proposição 64, a qual versava sobre o tratamento que a obra 
de Carolina Maria de Jesus passou a receber nas últimas décadas, superando a imagem de 
“autora marginalizada” ou “representante da favela”, para valorizar seu projeto estético. Embora 
correta, essa alternativa foi assinalada por apenas 19% dos inscritos, o que demonstra 
desconhecimento da trajetória da autora e de seu reconhecimento atual. 
Entre as proposições incorretas, merece destaque que, excetuando a proposição 02, 
todas as demais foram assinaladas por um elevado número de candidatos. A proposição 01 foi 
considerada correta por 51% dos inscritos, que não perceberam que o diário registra os anos de 
1955 a 1960, portanto, um intervalo de 05 anos na vida da narradora. Já a proposição 16 foi 
considerada correta por 39% dos inscritos, que ignoraram o fato de que, de modo taxativo, a 
narradora afirma que o “amarelo” é a cor da fome e que os vizinhos da favela, pobres, briguentos 
e intrometidos assemelhavam-se a “corvos”. Tratam-se de informações básicas apreendidas na 
leitura integral da obra. 
Não houve respostas absurdas e 47 respostas foram inválidas. 
 
Gabarito 04+08+64=76 
Número de acertos: 0,95% 
Grau de dificuldade previsto DIFÍCIL 
Grau de dificuldade obtido DIFÍCIL 
 
 
 
 
Questão 07 
Com base na leitura integral da obra Melhores poemas: Manuel Bandeira e do poema “OS 
SAPOS”, no contexto sócio-histórico e literário e, ainda, de acordo com a variedade padrão da 
língua escrita, é correto afirmar que: 
 
01. em “OS SAPOS”, evidencia-se o caráter lúdico e descontraído que marcaria a poesia de 
Manuel Bandeira até o final da vida, quando supera os temas clássicos da juventude, como o 
amor, a morte e uma visão melancólica da existência. 
02. embora inicialmente tenha escrito poemas ligados à poesia simbolista e à parnasiana, 
Manuel Bandeira é considerado um dos autores mais importantes do modernismo brasileiro. 
04. no poema, vários sapos debatem de modo inflamado, até que um sapo-tanoeiro ofende a 
figura de um “parnasiano aguado” e prescreve ao fim de cada estrofe como deveria ser o 
novo cancioneiro nacional. 
08. embora o sapo-tanoeiro recomende que nunca se rimem termos cognatos (versos 15 e 16), o 
eu-poético desrespeita essa orientação ao rimar “deslumbra” e “penumbra” na primeira 
estrofe do poema. 
16. no verso “Em comer os hiatos!”, a palavra grifada apresenta um hiato. 
32. a obra de Manuel Bandeira evoca o cotidiano das metrópoles, a fala simples do povo e as 
misturas de variedades linguísticas, ao abordar temas como o amor irrealizável, o jogo 
erótico, a nostalgia da infância, a ausência e a morte. 
 
A questão buscava avaliar a compreensão dos poemas integrantes da coletânea de 
Manuel Bandeira, selecionados por Francisco de Assis Barbosa. Para tanto, a banca optou por 
eleger e analisar de modo mais minucioso um único poema do autor, intitulado “Os sapos”, o qual 
faz parte de repertório conhecido e estudado em escolas de educação básica brasileiras, além de 
estabelecer um diálogo mais amplo com o restante da obra de Bandeira, suas principais 
características e temáticas. No que se refere ao funcionamento de recursos linguísticos no texto, o 
foco recaía no reconhecimento do eu-poético por meio do uso de discurso direto e no emprego de 
termos cognatos e hiatos, de acordo com a variedade padrão da língua escrita. 
 Essa questão contava com seis proposições das quais 02, 16 e 32 eram corretas, 
totalizando a soma de 50. De acordo com o relatório oficial, apenas 7,95% dos candidatos 
inscritos assinalaram a soma correta. Novamente o resultado convergiu para um grau de 
dificuldade acima do previsto, sobretudo levando-se em conta a popularidade do poeta, do poema 
e dos aspectos abordados pela questão. 
De um modo geral, os candidatos inscritos não tiveram problemas para identificar como 
corretas as proposições 32 e, especialmente, a 02 e a 16 – respectivamente 47,6%, 61,4% e 
53,1% -, mas não assinalaram todas ao mesmo tempo, fazendo acertos parciais em 31,7% dos 
casos. Quanto às proposições 01 e 08, evidentemente faltou conhecimento elementar sobre a 
biografia do poeta, famoso pela visão melancólica do amor e da morte, que o acompanhou por 
toda a vida, e do que seriam termos cognatos. 
Houve um total de 22 respostas absurdas e 52 respostas inválidas. 
 
Gabarito 02+16+32=50 
Número de acertos: 7,95% 
Grau de dificuldade previsto MÉDIO 
Grau de dificuldade obtido DIFÍCIL 
 
 
 
Questão 08 
Com base na leitura do Texto 5 e da peça Valsa no 6, montada pela primeira vez em 1951, no 
contexto sócio-históricoe literário e, ainda, de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é 
correto afirmar que: 
 
01. a identificação da fala “MOCINHA” (linha 04) poderia ser substituída desde o início pelo nome 
próprio “SÔNIA”, sem prejuízos para a dramaticidade da peça. 
02. o trecho faz menção a uma brincadeira infantil em que um dos participantes dá uma ordem e 
os demais devem obedecer, recurso utilizado em outras passagens para reforçar a relação 
que a protagonista ainda mantém com a infância. 
04. embora a intenção original de Nelson Rodrigues fosse a elaboração de um monólogo, o 
dramaturgo optou por incluir em cena atores que representam Paulo e Dr. Junqueira, a fim de 
aumentar a tensão presente nos diálogos com Sônia. 
08. Valsa no 6 narra o assassinato cometido por uma adolescente de 15 anos que tocava de forma 
compulsiva a peça musical homônima de Chopin. 
16. a instrução à paródia (linha 13) consiste na recriação de uma obra já existente a partir de um 
ponto de vista predominantemente sisudo com fins de reproduzir o mesmo conteúdo de 
outrem. 
32. as linhas postas em itálico são denominadas rubricas e servem para orientar o comportamento 
dos atores e/ou descrever o cenário e a cena. 
64. Nelson Rodrigues, referência do nosso modernismo teatral e crítico da moral pequeno-
burguesa brasileira, banaliza o significado trágico da morte por meio do deboche, da ironia e 
do ataque pessoal à vítima e ao agressor. 
 
 A questão visava à compreensão e interpretação da peça “Valsa no 6”, de Nelson 
Rodrigues. 
Em termos gerais, as proposições envolviam o estabelecimento de relações do referido 
texto literário com o contexto sociocultural e com o movimento literário da época, estabelecendo 
relações pertinentes entre seus elementos constitutivos; apreensão da obra literária como produto 
de um conhecimento de natureza estética; percepção das possibilidades de leitura, reconhecendo 
as singularidades que caracterizam uma peça. 
 Das sete proposições, são corretas: 02, 32 e 64, somando 98. Um percentual de 5,06% 
dos inscritos acertaram integralmente a questão. Essas alternativas demandavam dos candidatos 
reflexões acerca de elementos gerais da obra: a proposição 02 envolvia a percepção da 
personagem protagonista em sua relação ainda com a infância; a 32 compreendia o entendimento 
a respeito de características da escrita de uma peça, a saber, a rubrica; e a 64 contemplava a 
ênfase dada pelo autor Nelson Rodrigues em forma de crítica à moral pequeno burguesa 
brasileira. 
Cabe salientar que as proposições 02 e 32 obtiveram um índice de acerto de 62% e 76%, 
respectivamente, o que caracterizaria a questão como fácil; no entanto, a proposição 64 teve 
apenas 18% a acertos, o que aumentou consideravelmente o grau de dificuldade da questão em 
sua totalidade. 
 De acordo com o quadro abaixo, a relação de grau de dificuldade obtido foi maior do que o 
previsto para a questão. 
 
 
Gabarito 2+32+64=98 
Número de acertos: 5,09% 
Grau de dificuldade previsto MÉDIO 
Grau de dificuldade obtido DIFÍCIL 
 
 
 
 
Questão 09 
Com base na leitura do Texto 6, da coletânea Melhores contos de Lygia Fagundes Telles e dos 
demais livros recomendados para o Vestibular UFSC/2019, no contexto sócio-histórico e literário 
das obras e, ainda, de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que: 
 
01. a obra de Telles é escrita em prosa, no contexto do pós-modernismo, cuja ficção intimista e 
de penetração psicológica desenvolve-se em narrativas permeadas de fluxo de consciência. 
02. em “Anoiteceu e faz frio” (linha 01), temos uma oração com sujeito oculto e com verbos na 
terceira pessoa do singular. 
04. os vocábulos “que” (linha 02), “logo” (linha 03) e “se” (linha 05) funcionam, respectivamente, 
como conjunção integrante, conjunção conclusiva e conjunção condicional. 
08. “Xenofonte” (linha 06) é um apelido carinhoso que Luisiana, narradora protagonista, dá ao 
seu estimado saxofone. 
16. a exemplo da personagem Carolina Maria de Jesus, do romance Quarto de despejo: diário 
de uma favelada, a protagonista do conto “Apenas um saxofone” se prostitui, porém, 
diferentemente daquela, o faz não para sustentar os filhos, mas para ostentar um padrão de 
vida glamouroso. 
32. o jogo de luz e sombra característico na obra de Telles também está presente nesse conto, 
em que as reflexões da narradora sobre a passagem do tempo se materializam na sala que 
escurece com ela, numa espécie de lamento pela juventude que se foi. 
64. ao final do conto “Apenas um saxofone”, a personagem se dá conta de que envelheceu, de 
que os homens se foram, de que o amor não resistiu, e comete suicídio. 
 
A questão, apoiada num fragmento da obra “Melhores contos”, de Lygia Fagundes Telles, 
explorava, em termos gerais: relações do texto com o contexto sociocultural; compreensão da 
organização e da estrutura de textos literários, estabelecendo relações pertinentes entre seus 
elementos constitutivos e percepção das possibilidades de leitura, além de inquirir acerca de 
particularidades linguísticas do fragmento textual. Além disso, buscava relacionar a obra da autora 
com de outros livros recomendados pelo Vestibular da UFSC/2019, a citar: Quarto de despejo: 
diário de uma favelada, de Carolina Maria de Jesus. 
 Das sete proposições, eram corretas as alternativa 01, 04 e 32, somando 37. O percentual 
de candidatos que assinalou esse total foi de 7,95%, indicando ter sido essa questão difícil para 
eles. Tal resultado aproxima-se do previsto pela banca, que avaliara a questão entre mediana e 
difícil. 
Como se pode notar no quadro abaixo, a relação de grau de dificuldade previsto 
assemelha-se ao grau obtido. 
 
Gabarito 01+04+32=37 
Número de acertos: 7,95% 
Grau de dificuldade previsto DIFÍCIL 
Grau de dificuldade obtido DIFÍCIL 
 
 
 
 
Questão 10 
Com base na leitura do Texto 7 e da obra Capitães da Areia, publicada originalmente em 1937, no 
contexto sócio-histórico e literário e, ainda, de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é 
correto afirmar que: 
 
01. os termos “menino” (linha 14), “tu” (linha 15), “frangote” (linha 15) e “filho do Loiro” (linha 16) 
têm como referente Pedro Bala. 
02. o emprego do termo “frangote” (linha 15) pode ser tomado como exemplo de personificação 
por adjetivação. 
04. no texto, a palavra “destino” (linha 08 e linha 10) é tratada pelas personagens de modo 
distinto, até antagônico, revelando a visão delas sobre a vida, compreendida de modo fatalista 
ou como resultado da ação humana. 
08. a obra Capitães da Areia foi perseguida após sua publicação devido à perspectiva comunista, 
dada a atuação política do escritor Jorge Amado. 
16. os verbos “ocuparam” (linha 01), “interessaram” (linha 02), “esperavam” (linha 02) e “pediram” 
(linha 06) têm como sujeito parte do grupo denominado Capitães da Areia. 
32. os termos “alguém” (linha 05) e “ninguém” (linha 08) marcam de forma indefinida a presença 
de um enunciador externo e interno à troca de turnos de fala, respectivamente. 
 
A questão, elaborada a partir de um capítulo da obra “Capitães da areia”, contemplou 
relações do texto com o contexto sociocultural, mas enfatizou as relações intratextuais. Sobre 
estas últimas, o enfoque recaiu sobre a compreensão da organização e da estrutura textual e das 
particularidades linguísticas do texto em causa, quais sejam: retomadas referenciais, derivação 
sufixal, polissemia, indefinição pronominal. 
 Das seis proposições, as alternativas 01, 04 e 08 eram corretas, somando 13. O percentual 
de candidatos que assinalou esse total foi de 8,09%, indicando ter sido essa questão difícil para 
eles. Tal resultado apresenta convergência com o previsto pela banca, que avaliara a questão 
como difícil, como evidencia-se no quadro abaixo. 
 
 
Gabarito 01+04+08=13 
Número de acertos: 8,09% 
Grau de dificuldade previsto DIFÍCIL 
Grau de dificuldade obtido DIFÍCIL 
 
 
Questão11 
Com base na leitura do Texto 8 e da obra Nós, publicada originalmente em 2015, no contexto 
sócio-histórico e literário e, ainda, de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto 
afirmar que: 
 
01. a obra explora a intertextualidade com a tradição do romance policial, como atestam as 
referências a Edgar Allan Poe e a investigadores famosos na literatura, como Sherlock Holmes 
e Nero Wolfe. 
02. o escritor líbano-catarinense Salim Miguel é um dos expoentes da literatura catarinense 
contemporânea e tematiza em Nós a chegada dos imigrantes libaneses ao Brasil. 
04. em “Estou aqui é para ajudar a desfazer os nós” (linha 15), ao contrário do que acontece no 
restante da obra, a remissão a “nós” diz respeito a um substantivo concreto, e não a um 
pronome pessoal. 
08. Salim Miguel recria ficcionalmente a cidade de Florianópolis, onde vivia quando escreveu a 
obra, tratando-a como uma espécie de polo para onde convergem personagens oriundas das 
cinco regiões brasileiras. 
16. em “O tempo escorre, vamos ao que importa” (linhas 14-15), observa-se uma relação de 
coordenação em que a segunda oração manifesta resultado ou consequência da primeira. 
 
A questão privilegiou o enquadramento sócio-histórico do autor (proposições 02 e 08), a 
partir do qual contempla as relações intertextuais (proposições 01 e novamente 08) e a questão 
pronominal (proposição 04), recobrindo dois aspectos proeminentes na obra “Nós”, de Salim 
Miguel, além de uma especificidade sintática frequente no trabalho escolar com a norma padrão 
escrita: período composto (proposição 16). 
 Das cinco proposições, são corretas: 01, 04 e 16, somando 21. Um percentual de 13,85% 
dos inscritos acertaram integralmente a questão. Tal índice evidencia que o grau de dificuldade 
obtido foi significativamente maior do que o previsto para a questão. 
Vale destacar diante do resultado que as proposições 01, 02, 04 e 08 abordam aspectos 
bastante elementares da obra e do autor. Além disso, a questão estritamente linguística 
(proposição 16) contempla, como destacado anteriormente, aspecto de natureza sintática 
recorrente ao longo de praticamente toda a Educação Básica, os períodos compostos. 
 
 
Gabarito 01+04+16=21 
Número de acertos: 13,85% 
Grau de dificuldade previsto FÁCIL 
Grau de dificuldade obtido DIFÍCIL 
 
Questão 12 
Com base na leitura dos Textos 9 e 10 e de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é 
correto afirmar que: 
 
01. o termo “modernizar”, no título do Texto 9, complementa o verbo com a ideia de finalidade. 
02. o substantivo “Modernidade”, no balão do Texto 10, faz alusão a um contexto histórico que 
denota a ideia de progresso, o que contrasta com a imagem do navio sendo movido por 
pessoas em trabalho análogo à escravidão. 
04. o termo “modernizar”, no que se refere às leis trabalhistas (Texto 9), pode ser compreendido 
como objeto de crítica pela charge de Laerte (Texto 10). 
08. os Textos 9 e 10 expressam posicionamentos convergentes em relação ao mesmo fato 
social: a alteração das leis trabalhistas. 
16. no título do Texto 9, a palavra “modernizar” pode ser substituída por “ampliar”, sem prejuízo 
de significado. 
32. o Texto 9 é um exemplo de reportagem, no qual elementos constitutivos do gênero são 
claramente identificáveis: título, manchete e lide. 
64. na expressão “A brisa da modernidade trabalhista!” (Texto 10), o substantivo “brisa” é 
utilizado em sentido figurado, remetendo, por associação, à noção de “bons ventos”, 
“novidade” e “progresso”, interpretação fundamental para a charge operar o efeito de humor. 
 
 
A questão visava à compreensão, à interpretação e à relação de dois textos com temáticas 
comuns, ainda que em gêneros textuais distintos, os quais mantêm vinculação pela esfera 
interacional jornalística e são evocados nas proposições também para identificação das 
especificidades que os caracterizam, centralmente nas proposições 32 e 64. Em linhas gerais, as 
proposições envolviam, ainda, o estabelecimento de relações inter e intratextuais. No que diz 
respeito às relações intertextuais, vale destaque para os efeitos de sentido produzidos pelo 
emprego dos termos “modernizar” e “modernidade” nos textos; quanto às intratextuais, projeta-se 
o emprego de linguagem conotativa, o caso das proposições 02 e 64. 
 Das sete proposições, são corretas: 02, 04 e 64, somando 70. Um percentual de 15,28% 
dos inscritos acertaram integralmente a questão, o que caracteriza a questão como média, um 
grau de dificuldade maior do que o previsto pela comissão – fácil. 
Cabe salientar que as proposições 02 e 04 obtiveram um índice de acerto de 
aproximadamente 80%, enquanto proposição 64 teve mais de 50% de acerto, o que caracterizaria 
a questão como fácil. Concorreu para a baixa performance dos candidatos na questão em voga 
marcação inadequada de questões erradas, a saber: proposições 01, 08, 16 e 32. Nesse sentido, 
a questão 16 merece destaque: com ela, buscava-se depreender a compreensão, pelo candidato, 
do efeito de sentido produzido pelo emprego do termo “modernizar” na manchete da notícia – 
Texto 9. 
 
Gabarito 02+04+64=70 
Número de acertos: 15,28% 
Grau de dificuldade previsto FÁCIL 
Grau de dificuldade obtido MÉDIO 
 
3 Considerações finais 
Consideremos, inicialmente, a relação entre o grau de dificuldade previsto (GDP) para 
cada questão e o grau de dificuldade obtido (GDO), de acordo com os índices fornecidos pela 
Coperve (com percentuais de acertos arredondados). Lembrando: até 15% = difícil; de 16 a 25% = 
médio; acima de 25% = fácil. 
 
 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 
GDP F M M M F D M M D D F F 
GDO F+ D D D M D+ D D D D D M 
% 34,7 11,7 6,7 2,3 20,2 0,9 7,9 5,1 8 8,1 13,8 15,3 
 
A previsão da banca foi de quatro questões por grau de dificuldade (F, M, D), o que 
caracterizava a prova como de complexidade mediana. O resultado obtido divergiu dessa 
previsão, pois apenas uma das questões se mostrou fácil para os candidatos, duas foram médias 
e nove se mostraram difíceis, o que configurou a prova como difícil para os candidatos. Duas 
questões inicialmente tidas como fáceis, foram médias (05 e 12) e uma das fáceis foi difícil (11) 
para os candidatos. Cinco questões inicialmente avaliadas como médias resultaram difíceis (02, 
03, 04, 07 e 08). Nota-se, a partir do quadro acima, que as questões mais fáceis da prova de 
LPLB foram a 01 e a 05, com proposições eminentemente de interpretação do texto 01 e do texto 
02 – uma crônica e uma charge com temática afim. Já a mais difícil foi a questão 06, a qual toma 
um fragmento da obra Quarto de despejo, mas demanda a leitura integral da obra, sua inserção 
atual no contexto literário e cultural, além de aspectos de variedade padrão da língua escrita. 
 Em termos gerais, a análise das questões/proposições apontou que aquelas que se 
apresentaram com maior grau de dificuldade para os candidatos exploram a leitura integral e 
atenta das obras, em seu contexto literário, cultural e sócio-histórico; a produção de sentidos, em 
diferentes níveis, nos textos; o funcionamento de recursos gramaticais. Depreende-se, portanto, 
que os elementos-chave para o bom desempenho do(a)s candidato(a)s, considerando-se a prova 
de LPLB do Vestibular UFSC/2019), são leitura, em diferentes níveis, e análise do funcionamento 
de recursos linguísticos no texto.

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