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LÍNGUA PORTUGUESA PREPARATÓRIO NP- CONCURSOS 
 
 
2 https://www.facebook.com/np.preparatorio/ 
 Compreensão e Interpretação de Textos 
Compreensão e interpretação de textos é um tema que nos acompanha na vida escolar, nos vestibulares, 
no Enem e em todos os concursos públicos. Comumente encontrarmos pessoas que se queixam de que 
não sabem compreender e interpretar textos. Muitas pessoas se acham incapazes de resolver questões 
sobre compreensão e interpretação de textos. 
Nos concursos públicos, este tema está presente nas mais variadas formas. Nas provas, há sempre 
vários textos, alguns bem grandes, sobre os quais há muitas perguntas com o objetivo de testar a 
habilidade do concurseiro em leitura, compreensão e interpretação de textos. É preciso ler com muita 
atenção, reler, e na hora de examinar cada alternativa, voltar aos trechos citados para responder com 
muita confiança. 
Entender as técnicas de compreensão e interpretação de textos, além de ser importante para responder 
as questões específicas, é fundamental para que você compreenda o enunciado das questões de 
atualidades, de matemática, de direito e de raciocínio lógico, por exemplo. Muitos candidatos, embora 
tenham bastante conhecimentos das matérias que caem nas provas, erram nas questões, simplesmente 
porque não entendem o que a banca examinadora está pedindo. Já pensou, nadar, nadar, nadar... e 
morrer na praia? Então não deixe de estudar e preste atenção nas dicas que vamos dar neste blog. "As 
questões de compreensão e interpretação de textos vêm ganhando espaço nos concursos públicos. 
Também é a partir de textos que as questões normalmente cobram a aplicação das regras gramaticais 
nos grandes concursos de hoje em dia. Por isso é cada vez mais importante observar os comandos das 
questões. Normalmente o candidato é convidado a: 
• Identificar: Reconhecer elementos fundamentais apresentados no texto. 
• Comparar: Descobrir as relações de semelhanças ou de diferenças entre situações apresentadas no 
texto. 
• Comentar: Relacionar o conteúdo apresentado com uma realidade, opinando a respeito. 
• Resumir: Concentrar as ideias centrais em um só parágrafo. 
• Parafrasear: Reescrever o texto com outras palavras. 
• Continuar: Dar continuidade ao texto apresentado, mantendo a mesma linha temática. 
Por isso, consideramos que são condições básicas para o candidato fazer uma correta interpretação de 
textos: o conhecimento histórico (aí incluída a prática da leitura), o conhecimento gramatical e semântico 
(significado das palavras, aí incluídos homônimos, parônimos, sinônimos, denotação, conotação), e a 
capacidade de observação, de síntese e de raciocínio. 
 
Como Interpretar Textos 
É muito comum, entre os candidatos a um cargo público a preocupação com a interpretação de textos. 
Isso acontece porque lhes faltam informações específicas a respeito desta tarefa constante em provas 
relacionadas a concursos públicos. 
 
Por isso, vão aqui alguns detalhes que poderão ajudar no momento de responder as questões relacionadas 
a textos. 
 
TEXTO – é um conjunto de ideias organizadas e relacionadas entre si, formando um todo significativo 
capaz de produzir INTERAÇÃO COMUNICATIVA (capacidade de CODIFICAR E DECODIFICAR). 
 
CONTEXTO – um texto é constituído por diversas frases. Em cada uma delas, há uma certa informação 
que a faz ligar-se com a anterior e/ou com a posterior, criando condições para a estruturação do conteúdo 
a ser transmitido. A essa interligação dá-se o nome de CONTEXTO. Nota-se que o relacionamento entre 
as frases é tão grande, que, se uma frase for retirada de seu contexto original e analisada separadamente, 
poderá ter um significado diferente daquele inicial. 
 
LÍNGUA PORTUGUESA PREPARATÓRIO NP- CONCURSOS 
 
 
3 https://www.facebook.com/np.preparatorio/ 
INTERTEXTO - comumente, os textos apresentam referências diretas ou indiretas a outros autores através 
de citações. Esse tipo de recurso denomina-se INTERTEXTO. 
 
INTERPRETAÇÃO DE TEXTO - o primeiro objetivo de uma interpretação de um texto é a identificação de 
sua ideia principal. A partir daí, localizam-se as ideias secundárias, ou fundamentações, as 
argumentações, ou explicações, que levem ao esclarecimento das questões apresentadas na prova. 
 
Normalmente, numa prova, o candidato é convidado a: 
 
1. IDENTIFICAR – é reconhecer os elementos fundamentais de uma argumentação, de um processo, de 
uma época (neste caso, procuram-se os verbos e os advérbios, os quais definem o tempo). 
 
2. COMPARAR – é descobrir as relações de semelhança ou de diferenças entre as situações do texto. 
 
3. COMENTAR - é relacionar o conteúdo apresentado com uma realidade, opinando a respeito. 
 
4. RESUMIR – é concentrar as ideias centrais e/ou secundárias em um só parágrafo. 
 
5. PARAFRASEAR – é reescrever o texto com outras palavras. 
EXEMPLO 
 TÍTULO DO TEXTO PARÁFRASES 
"O HOMEM UNIDO” A INTEGRAÇÃO DO MUNDO 
A INTEGRAÇÃO DA HUMANIDADE 
A UNIÃO DO HOMEM 
HOMEM + HOMEM = MUNDO 
A MACACADA SE UNIU (SÁTIRA) 
 
CONDIÇÕES BÁSICAS PARA INTERPRETAR 
 
Fazem-se necessários: 
 
a) Conhecimento Histórico – literário (escolas e gêneros literários, estrutura do texto), leitura e prática; 
 
b) Conhecimento gramatical, estilístico (qualidades do texto) e semântico; 
OBSERVAÇÃO – na semântica (significado das palavras) incluem-se: homônimos e parônimos, denotação 
e conotação, sinonímia e antonímia, polissemia, figuras de linguagem, entre outros. 
 
c) Capacidade de observação e de síntese e 
 
d) Capacidade de raciocínio. 
 
 
 
 
 
 
 
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INTERPRETAR x COMPREENDER 
INTERPRETAR SIGNIFICA COMPREENDER SIGNIFICA 
- EXPLICAR, COMENTAR, JULGAR, 
TIRAR CONCLUSÕES, DEDUZIR. 
- TIPOS DE ENUNCIADOS 
• Através do texto, INFERE-SE que... 
• É possível DEDUZIR que... 
• O autor permite CONCLUIR que... 
• Qual é a INTENÇÃO do autor ao afirmar 
que... 
- INTELECÇÃO, ENTENDIMENTO, ATENÇÃO AO 
QUE REALMENTE ESTÁ ESCRITO. 
- TIPOS DE ENUNCIADOS: 
• O texto DIZ que... 
• É SUGERIDO pelo autor que... 
• De acordo com o texto, é CORRETA ou ERRADA 
a afirmação... 
• O narrador AFIRMA... 
 
ERROS DE INTERPRETAÇÃO 
 
É muito comum, mais do que se imagina, a ocorrência de erros de interpretação. Os mais frequentes são: 
 
a) Extrapolação (viagem) 
Ocorre quando se sai do contexto, acrescentado ideias que não estão no texto, quer por conhecimento 
prévio do tema quer pela imaginação. 
 
b) Redução 
É o oposto da extrapolação. Dá-se atenção apenas a um aspecto, esquecendo que um texto é um conjunto 
de ideias, o que pode ser insuficiente para o total do entendimento do tema desenvolvido. 
 
c) Contradição 
Não raro, o texto apresenta ideias contrárias às do candidato, fazendo-o tirar conclusões equivocadas e, 
consequentemente, errando a questão. 
OBSERVAÇÃO - Muitos pensam que há a ótica do escritor e a ótica do leitor. Pode ser que existam, mas 
numa prova de concurso qualquer o que deve ser levado em consideração é o que o AUTOR DIZ e nada 
mais. 
 
COESÃO - é o emprego de mecanismo de sintaxe que relacionam palavras, orações, frases e/ou 
parágrafos entre si. Em outras palavras, a coesão dá-se quando, através de um pronome relativo, uma 
conjunção (NEXOS), ou um pronome oblíquo átono, há uma relação correta entre o que se vai dizer e o 
que já foi dito. 
OBSERVAÇÃO – São muitos os erros de coesão no dia-a-dia e, entre eles, está o mau uso do pronome 
relativo e do pronomeoblíquo átono. Este depende da regência do verbo; aquele do seu antecedente. Não 
se pode esquecer também de que os pronomes relativos têm cada um, valor semântico, por isso a 
necessidade de adequação ao antecedente. 
Os pronomes relativos são muito importantes na interpretação de texto, pois seu uso incorreto traz erros 
de coesão. Assim sendo, deve-se levar em consideração que existe um pronome relativo adequado a cada 
circunstância, a saber: 
 
QUE (NEUTRO) - RELACIONA-SE COM QUALQUER ANTECEDENTE. MAS DEPENDE DAS 
CONDIÇÕES DA FRASE. 
 
QUAL (NEUTRO) IDEM AO ANTERIOR. 
 
QUEM (PESSOA) 
 
CUJO (POSSE) - ANTES DELE, APARECE O POSSUIDOR E DEPOIS, O OBJETO POSSUÍDO. 
 
COMO (MODO) 
 
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ONDE (LUGAR) 
 
QUANDO (TEMPO) 
 
QUANTO (MONTANTE) 
 
EXEMPLO: 
 
Falou tudo QUANTO queria (correto) 
Falou tudo QUE queria (errado - antes do QUE, deveria aparecer o demonstrativo O). 
 
• VÍCIOS DE LINGUAGEM – há os vícios de linguagem clássicos (BARBARISMO, 
SOLECISMO, CACOFONIA...); no dia-a-dia, porém, existem expressões que são mal empregadas, e, por 
força desse hábito cometem-se erros graves como: 
 
- “Ele correu risco de vida”, quando a verdade o risco era de morte. 
- “Senhor professor, eu lhe vi ontem”. Neste caso, o pronome correto oblíquo átono correto é O. 
- “No bar: “ME VÊ um café”. Além do erro de posição do pronome, há o mau uso 
a) Pré-compreensão: toda leitura supõe que o leitor entre no texto já com conhecimentos prévios 
sobre o assunto ou área específica. Isso significa dizer, por exemplo, que se você pegar um texto do 3º 
ano do curso de Direito estando ainda no 1º ano, vai encontrar dificuldades para entender o assunto, 
porque você não tem conhecimentos prévios que possam embasar a leitura. 
b) Compreensão: já com a pré-compreensão ao entrar no texto, o leitor vai se deparar com 
informações novas ou reconhecer as que já sabiam. Por meio da pré-compreensão o leitor “prende” a 
informação nova com a dele e “agarra” (compreende) a intencionalidade do texto. É costume dizer: “Eu 
entendi, mas não compreendi”. Isso significa dizer que quem leu entendeu o significado das palavras, a 
explicação, mas não as justificativas ou o alcance social do texto. 
c) Interpretação: agora sim. A interpretação é a resposta que você dará ao texto, depois de 
compreendê-lo (sim, é preciso “conversar” com o texto para haver a interpretação de fato). É formada 
então o que se chama “fusão de horizontes”: o do texto e o do leitor. A interpretação supõe um novo texto. 
Significa abertura, o crescimento e a ampliação para novos sentidos. 
Sabendo disso, aqui vão quatro dicas para fazer com que você consiga atingir essas três etapas! Confira 
abaixo: 
1) Leia com um dicionário por perto 
Não existe mágica para atingir a primeira etapa, a da pré-compreensão. O único jeito é ter um bom nível 
de leituras. Além de ler bastante, você pode potencializar essa leitura se estiver com um dicionário por 
perto. Viu uma palavra esquisita, que você não conhece? Pegue um caderninho (vale a pena separar um 
só pra isso) e anote-a. Em seguida, vá ao dicionário e marque o significado ao lado da palavra. Com o 
tempo o seu vocabulário irá crescer e não vai ser mais preciso ficar recorrendo ao dicionário toda hora. 
2) Faça paráfrases 
Para chegar ao nível da compreensão, é recomendável fazer paráfrases, que é uma explicação ou uma 
nova apresentação do texto, seguindo as ideias do autor, mas sem copiar fielmente as palavras dele. 
Existem diversos tipos de paráfrase, só que as mais interessantes para quem está estudando para o 
vestibular são três: a paráfrase-resumo, a paráfrase-resenha e paráfrase-esquema. 
– Paráfrase-resumo: comece sublinhando as ideias principais selecione as palavras-chave que 
identificar no texto e parta para o resumo. Atente-se ao fato de que resumir não é copiar partes, mas sim 
fazer uma indicação, com suas próprias palavras, das ideias básicas do que estava escrito. 
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– Paráfrase-resenha: esse outro tipo, além dos passos do resumo, também inclui a sua participação 
com um comentário sobre o texto. Você deve pensar sobre as qualidades e defeitos da produção, 
justificando o porquê. 
– Paráfrase-esquema: depois de encontrar as ideias ou palavras básicas de um texto, esse tipo de 
paráfrase apresenta o esqueleto do texto em tópicos ou em pequenas frases. Você pode usar setinhas, 
canetas coloridas para diferenciar as palavras do seu esquema… Vai do seu gosto! 
3) Leia no papel 
Um estudo feito em 2014 descobriu que leitores de pequenas histórias de mistério em um Kindle, um tipo 
de leitor digital, foram significantemente piores na hora de elencar a ordem dos eventos do que aqueles 
que leram a mesma história em papel. Os pesquisadores justificam que a falta de possibilidade de virar as 
páginas pra frente e pra trás ou controlar o texto fisicamente (fazendo notas e dobrando as páginas) limita 
a experiência sensorial e reduz a memória de longo prazo do texto e, portanto, a sua capacidade de 
interpretar o que aprendemos. Ou seja, sempre que possível, estude por livros de papel ou imprima as 
explicações (claro, fazendo um uso sábio do papel, sem desperdícios!). Vale fazer notas em cadernos, 
pois já foi provado também que quem faz anotações à mão consegue lembrar melhor do que estuda. 
4) Reserve um tempo do seu dia para ler devagar 
Uma das maiores dificuldades de quem precisa ler muito é a falta de concentração. Quem tem dificuldades 
para interpretar textos e fica lendo e relendo sem entender nada pode estar sofrendo de um mal que vem 
crescendo na população da era digital. Antes da internet, o nosso cérebro lia de forma linear, aproveitando 
a vantagem de detalhes sensoriais (a própria distribuição do desenho da página) para lembrar-se de 
informações chave de um livro. Conforme nós aumentamos a nossa frequência de leitura em telas, os 
nossos hábitos de leitura se adaptaram aos textos resumidos e superficiais (afinal, muitas vezes você tem 
links em que poderá “ler mais” – a internet é isso) e essa leitura rasa fez com que a gente tivesse muito 
mais dificuldade de entender textos longos. 
Os especialistas explicam que essa capacidade de ler longas sentenças (principalmente as sem links e 
distrações) é uma capacidade que você perde se você não a usar. Os defensores do “slow-reading” (em 
tradução literal, da leitura lenta) dizem que o recomendável é que você reserve de 30 a 45 minutos do seu 
dia longe de distrações tecnológicas para ler. Fazendo isso, o seu cérebro poderá recuperar a capacidade 
de fazer a leitura linear. Os benefícios da leitura lenta vão bem além. Ajuda a reduzir o estresse e a 
melhorar a sua concentração! 
Ensino de Estratégia de Leitura 
Estratégias de leitura são técnicas ou métodos que os leitores usam para adquirir a informação, ou ainda 
procedimentos ou atividades escolhidas para facilitar o processo de compreensão em leitura. São planos 
flexíveis adaptados às diferentes situações que variam de acordo com o texto a ser lido e a abordagem 
elaborada previamente pelo leitor para facilitar a sua compreensão (Duffy & cols., 1987; Brown, 1994; 
Pellegrini, 1996; Kopke, 2001). 
Duke e Pearson (2002) identificaram seis tipos de estratégias de leitura que as pesquisas realizadas têm 
sugerido como auxiliares no processo de compreensão, a saber: predição, pensar em voz alta, estrutura 
do texto, representação visual do texto, resumo e questionamento. A predição implica em antecipar, 
prever fatos ou conteúdo do texto utilizando o conhecimentojá existente para facilitar a compreensão. 
Pensar em voz alta é quando o leitor verbaliza seu pensamento enquanto lê. Tem sido demonstrado 
melhora na compreensão dos alunos quando eles mesmos se dedicam a esta prática durante a leitura e 
também quando professores usam rotineiramente esta mesma estratégia durante suas aulas. 
A análise da estrutura textual auxilia os alunos a aprenderem a usar as características dos textos, como 
cenário, problema, meta, ação, resultados, resolução e tema, como um procedimento auxiliar para 
compreensão e recordação do conteúdo lido. A representação visual do texto, por sua vez, auxilia leitores 
a entenderem, organizarem e lembrarem algumas das muitas palavras lidas quando formam uma imagem 
mental do conteúdo. 
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Resumir as informações do texto facilita a compreensão global do texto, pois implica na seleção e destaque 
das informações mais relevantes do texto. Questionar o texto auxilia no entendimento do conteúdo da 
leitura, uma vez que permite ao leitor refletir sobre o mesmo. Pesquisas indicam também que a 
compreensão global da leitura é melhor quando alunos aprendem a elaborar questões sobre o texto. 
Além disso, a utilização de estratégias de leitura compreende três momentos: o antes, o durante e o após 
a leitura. Na pré-leitura, é feita uma análise global do texto (do título, dos tópicos e das figuras/gráficos), 
predições e também o uso do conhecimento prévio. Durante a leitura é feita uma compreensão da 
mensagem passada pelo texto, uma seleção das informações relevantes, uma relação entre as 
informações apresentadas no texto e uma análise das predições feitas antes da leitura, para confirmá-las 
ou refutá-las. Depois da leitura é feita uma análise com o objetivo de rever e refletir sobre o conteúdo lido, 
ou seja, a importância da leitura, o significado da mensagem, a aplicação para solucionar problemas e a 
verificação de diferentes perspectivas apresentadas para o tema. Também é realizada uma discussão da 
leitura, com expressão e comunicação do conteúdo lido após análise e reflexão, seguida de um resumo e 
de uma releitura do texto (Kopke, 1997; Duke & Pearson, 2002). 
É importante lembrar que as estratégias de leitura também auxiliam no estudo, favorecendo a obtenção 
de um nível de compreensão melhor. Exigem participação ativa do leitor, podendo ser aplicadas a qualquer 
tipo de texto e em qualquer momento da leitura, com ou sem ajuda externa Oakhill e Garnham (1988). 
Considerando-se esses aspectos, o ensino de estratégias de leitura abre novas perspectivas para uma 
potencialização da leitura, possibilitando aos alunos ultrapassarem dificuldades pessoais e ambientais de 
forma a conseguir obter um maior sucesso escolar. Essas podem e devem ser ensinadas nas séries iniciais 
do ensino fundamental. 
O professor exerce um papel de grande importância ao propiciar não somente a aprendizagem em leitura, 
mas também ao propor modelos técnicos e procedimentos que proporcionem a compreensão em leitura. 
O processo de ensinar seria uma forma de possibilitar ao estudante desenvolver estruturas conceituais e 
procedimentais que implementem seu desempenho. 
Dentre as estratégias de leitura que professores podem ensinar está focar a atenção dos alunos nas idéias 
principais; perguntar aos alunos questões sobre seu entendimento para ajudá-lo a monitorar sua 
compreensão; relacionar o conhecimento prévio dos alunos com nova informação; professores podem 
questionar e designar feedback para ajudar os alunos a aplicarem técnicas e estratégias de estudo 
apropriadas; podem treinar os alunos a usarem essas estratégias e técnicas de maneira mais efetiva; 
utilizar reforços positivos verbais e de escrita com os alunos que apresentam baixa compreensão; podem-
se fazer questões aos alunos para ajudar a reconhecer a contradição entre o que ele realmente conhece 
e o que ele pensou conhecer, mas não conhece; além de considerarem a variedade dos textos 
estruturados na preparação dos textos para alunos e plano de aula. 
Como exemplo de um modelo de instrução que consiste em quatro etapas. Na primeira - O quê - o 
professor informa os tipos de estratégia de leitura que podem ser usadas. Na segunda etapa - Por quê - 
o professor diz ao aluno porquê a estratégia de compreensão é importante e como a aquisição pode 
ajudar a tornar-se um leitor melhor. A terceira etapa - Como - envolve a instrução direta da estratégia. 
Ela pode envolver explanação verbal, modelo ou pensar em voz alta. E a quarta etapa - Quando - envolve 
a comunicação de quando a estratégia deve ser usada ou não, e como evoluir e corrigir seu uso. 
Outra forma é ensinar estratégias específicas, como fez Song (1998) em seu estudo. O professor de uma 
classe de leitura de língua estrangeira de uma universidade ensinava a resumir questionar, esclarecer e 
predizer. Os estudantes, por sua vez, recebiam um guia prático no qual pontuavam quando eram capazes 
de utilizá-las sozinhos. O resultado desse trabalho indicou que o treino de estratégias foi eficaz para o 
aprimoramento da leitura, e que a eficácia variou com a proficiência em leitura inicial do sujeito. Além disso, 
foi possível identificar melhora no desempenho geral em leitura dos alunos. 
Várias pesquisas sobre o ensino das estratégias de leitura têm constatado que essa é uma ação eficaz 
para não somente para alunos com dificuldade em compreensão, mas também para os leitores hábeis 
(Song, 1998; Magliano, Trabasso & Graesser, 1999; Rhoder, 2002; Ferreira & Dias; 2002). Cabe destacar 
que o psicólogo escolar pode ser responsável por avaliar e assessorar os professores para a realização 
dessa atividade de ensino. 
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IMPLÍCITOS E PRESSUPOSTOS 
Muitos candidatos ao ENEM se perguntam como melhorar sua capacidade de interpretação dos textos. 
Primeiramente, é preciso ter em mente que um texto é formado por informações explícitas e implícitas. As 
informações explícitas são aquelas manifestadas pelo autor no próprio texto. As informações implícitas 
não são manifestadas pelo autor no texto, mas podem ser subentendidas. Muitas vezes, para efetuarmos 
uma leitura eficiente, é preciso ir além do que foi dito, ou seja, ler nas entrelinhas. 
Por exemplo, observe este enunciado: 
- Patrícia parou de tomar refrigerante. 
A informação explícita é “Patrícia parou de tomar refrigerante”. A informação implícita é “Patrícia tomava 
refrigerante antes”. 
Agora, veja este outro exemplo: 
-Felizmente, Patrícia parou de tomar refrigerante. 
A informação explícita é “Patrícia parou de tomar refrigerante”. A palavra “felizmente” indica que o falante 
tem uma opinião positiva sobre o fato – essa é a informação implícita. 
Com esses exemplos, mostramos como podemos inferir informações a partir de um texto. Fazer uma 
inferência significa concluir alguma coisa a partir de outra já conhecida. Nos vestibulares, fazer inferências 
é uma habilidade fundamental para a interpretação adequada dos textos e dos enunciados. 
A seguir, veremos dois tipos de informações que podem ser inferidas: as pressupostas e as subentendidas. 
PRESSUPOSTOS 
Uma informação é considerada pressuposta quando um enunciado depende dela para fazer sentido. 
Considere, por exemplo, a seguinte pergunta: “Quando Patrícia voltará para casa?”. Esse enunciado só 
faz sentido se considerarmos que Patrícia saiu de casa, ao menos temporariamente – essa é a informação 
pressuposta. Caso Patrícia se encontre em casa, o pressuposto não é válido, o que torna o enunciado 
sem sentido. 
Repare que as informaçõespressupostas estão marcadas através de palavras e expressões presentes no 
próprio enunciado e resultam de um raciocínio lógico. Portanto, no enunciado “Patrícia ainda não voltou 
para casa”, à palavra “ainda” indica que a volta de Patrícia para casa é dada como certa pelo falante. 
SUBENTENDIDOS 
Ao contrário das informações pressupostas, as informações subentendidas não são marcadas no próprio 
enunciado, são apenas sugeridas, ou seja, podem ser entendidas como insinuações. 
O uso de subentendidos faz com que o enunciador se esconda atrás de uma afirmação, pois não quer se 
comprometer com ela. Por isso, dizemos que os subentendidos são de responsabilidade do receptor, 
enquanto os pressupostos são partilhados por enunciadores e receptores. 
Em nosso cotidiano, somos cercados por informações subentendidas. A publicidade, por exemplo, parte 
de hábitos e pensamentos da sociedade para criar subentendidos. Já a anedota é um gênero textual cuja 
interpretação depende a quebra de subentendidos. 
PALAVRAS E EXPRESSÕES 
Por mais que você leia, releia e pratique a Língua Portuguesa sempre encontra uma brecha para te 
confundir, não é verdade? Vamos a algumas expressões e palavras usadas em concursos que, às vezes, 
levam o candidato a cometerem erros bobos e perderem pontos preciosos. 
Bimensal x Bimestral 
Bimensal: publicação, revista ou documento lançado duas vezes por mês 
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Bimestral: lançamento ou ocorrência com frequência a cada dois meses Aterrisar ou 
Aterrissar? 
NÃO existe a palavra com um R só. O correto para esta palavra é o dígrafo “ss”. 
Onde x Aonde 
Onde: usado quando acompanhado de verbos estáticos, como “onde está meu chapéu?” 
Aonde: usado quando acompanhado de verbos que indicam movimento, como “aonde eles vão?” Custas 
x Custa 
A expressão “custas” só é usada no âmbito jurídico. Você já deve ter ouvido falar em “custas” do processo, 
não é mesmo? Pois bem! Portanto, quando disser que “alguém vive a custa de outrem”, use sempre o 
singular, ok? 
Em princípio x A princípio 
Em princípio: sinônimo de “em tese”. Ex: em princípio, todos concordaram com ela. 
A princípio: o mesmo que “inicialmente, antes de mais nada”. Ex: a princípio, não houve feridos naquele 
acidente. 
Pronomes demonstrativos 
Este: indica aquilo que está próximo da pessoa que fala (espaço), com o tempo atual (tempo) ou o termo 
mais próximo (termos). 
Ex: Esta é Ana / Esta noite está sendo ótima/André e Arthur não são mais amigos. Este (Arthur) mentiu 
para todos. 
Esse: indica aquilo que está próximo da pessoa com quem se fala (espaço), com o passado próximo 
(tempo) ou a ideia mais mencionada (termos). 
Ex: Essa é a comida de que lhe falei / Fui para a Argentina em 2008. Nesse ano, fiquei noiva / Assista ao 
filme Meu irmão é filho único. Esse filme é encantador. 
Aquele: indica aquilo que está distante das duas pessoas (espaço), passado distante (tempo) ou o termo 
mais distante (termos). 
Ex: Aquele rapaz roubou a loja / A ditadura durou várias décadas. Aquele tempo era muito sombrio / Fiz 
três cursos: Hotelaria, Letras e Jornalismo. Aquele (Hotelaria) foi o que me empregou primeiro. 
Preço é caro ou alto? É barato ou baixo? 
O preço nunca é caro ou barato. Precifica-se algo em alto ou baixo. Agora, o produto, sim, pode ser 
classificado como barato ou caro. Sendo assim, o valor daquele carro é alto. Ou, ainda, aquele vestido é 
muito barato. 
Censo ou senso? 
Os dois estão corretos se usado na forma correta (claro). O censo é aquilo que o IBGE faz para mensurar 
a população e suas características econômicas, etc. Concurso IBGE Censo Agropecuário, lembra? Agora, 
quando diz que uma pessoa não tem sua própria opinião ou não opina sobre algo, você diz que não tem 
senso crítico, ok? 
Comprimento e cumprimento 
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Aí outro caso em que não vai errar se souber onde usar cada palavra. Quando você vai comprar um tecido, 
você pede uma peça com dois metros de comprimento. Agora, é falta de educação entrar em um recinto 
sem cumprimentar as pessoas, não é? Deu para entender a diferença entre as duas? 
Mal ou mau? 
Quando você não está passando bem, você está o que? Passando mal! E quando alguém comete uma 
crueldade, você o chame de que? De mau caráter! Ou seja: o mal é o contrário de bem, enquanto mal é 
tudo aquilo que não é bom! 
Significação Contextual de Palavras e Expressões 
Referindo-nos ao adjetivo “recorrente”, estamos justamente enfatizando sobre o uso corriqueiro de alguns 
termos que mediante ao atributo da língua escrita precisam estar em consonância com o padrão formal. 
Esses termos, na maioria das vezes, são alvo de dúvidas entre os usuários, mesmo porque quase todos 
são dotados de extrema semelhança sonora. Todavia, graficamente, apresentam divergências, e são estas 
que lhes atribuem também significados diferentes. 
Entretanto, nada que uma efetiva prática de leitura e escrita não consiga sanar em relação a esses 
“supostos” questionamentos, ampliando, assim, ainda mais a nossa competência como um todo. E para 
tal, algumas dicas tendem a tão somente nos auxiliar rumo à conquista dessas habilidades. Sendo assim, 
eis que segue uma relação precedida dos principais casos: 
Abaixo/ A baixo 
Abaixo revela o sentido de lugar menos elevado, inferior. 
Exemplo: Para Marcela, era inaceitável que ocupasse uma posição abaixo de suas verdadeiras 
pretensões. 
A baixo significa “para baixo”. 
Exemplo: Quando percebemos, lá estava o brinquedo sendo levado correnteza a baixo. 
A cerca de/ Acerca de/ Cerca de/ Há cerca de 
A cerca de ou cerca de retrata o sentido de “aproximadamente, mais ou menos”. 
Exemplo: O parque foi construído a cerca de quinhentos metros do condomínio. 
O tempo estimado pelo profissional foi cerca de três semanas para a conclusão das obras. 
Acerca de corresponde ao sentido de “a respeito de, sobre”. 
Exemplo: Durante a reunião muito se discutiu acerca da problemática ambiental. 
Há cerca de relaciona-se ao sentido de tempo decorrido, haja vista que o verbo haver se encontra na sua 
forma impessoal. 
Exemplo: Há cerca de três anos não visito meus familiares. 
Acima/ A cima 
Acima retrata o sentido de “um lugar mais elevado, superior”. 
Exemplo: Conforme pode perceber, na lista de aprovados seu nome se encontra acima do meu. 
A cima significa “para cima”. 
Exemplo: Todos os convidados me olharam de baixo a cima. 
A fim/ Afim 
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A fim encontra-se relacionado ao sentido de “finalidade, objetivo pretendido”. 
Exemplo: A fim de evitar maiores contratempos, ele resolveu afastar-se de sua amiga. 
Afim classifica-se como um adjetivo invariável, cuja significância se atribui à semelhança, afinidade. 
Exemplo: Como na antiga grade havia matérias afins, pude adiantar bastante o meu curso. 
A menos de/ Há menos de 
A menos, classifica-se como locução prepositiva e retrata o sentido de tempo futuro ou distância 
aproximada. 
Exemplos: 
Encontramo-nos a menos de dois quilômetros do destino almejado. 
A menos de um mês estaremos de férias. 
Há menos de significa “aproximadamente, mais ou menos” e, conjuntamente ao verbo haver na forma 
impessoal, denota tempo decorrido. 
Exemplo: Ele saiu de casa há menos de dois anos. 
Ao encontro de/ De encontro a 
Ao encontro de revela o sentido de a favor de. 
Exemplo: As propostasdos candidatos vão ao encontro do que se espera a população. 
De encontro a significa oposição, ideia contrária. 
Exemplo: Suas opiniões vão de encontro às minhas. 
Ao invés de/ Em vez de 
Ao invés denota o sentido de “ao contrário de”. 
Exemplo: Ao invés de calar-se, continuou discutindo com seu superior. 
Em vez exprime a ideia de substituição, “em lugar de’. 
Exemplo: Em vez de viajar nas férias, optou por descansar em casa. 
A par/ Ao par 
A par significa estar ciente de algo, informado sobre um determinado assunto. 
Exemplo: Quando ela resolveu se abrir, seus pais já estavam a par de tudo. 
Ao par indica o sentido de equivalência cambial. 
Exemplo: O euro e o dólar já estiveram ao par por algum tempo. 
Demais/ De mais 
Demais, caracterizado como advérbio de intensidade, se equivale a muito, excessivamente. 
Exemplo: Nossa! A meu ver você parece egoísta demais. 
Como pronome indefinido corresponde a “os restantes, os outros”. 
Exemplo: Ele foi o único que se sobressaiu entre os demais. 
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De mais se caracteriza como o oposto do termo “de menos”. 
Exemplo: Há alunos de mais nesta sala. 
Há/ A 
Há, depreendendo o sentido de impessoalidade (por isso permanece sempre na terceira pessoa do 
singular), revela o sentido de existir ou fazer. 
Exemplo: Nesta sala há verdadeiros talentos na área de exatas. 
O A tanto pode indicar tempo futuro (que se conta de hoje para o futuro) ou apenas se revelar como uma 
preposição. 
Exemplos: 
Daqui a alguns meses concluiremos nossa pesquisa. 
Não entregue está encomenda a ele. 
Mas/ Mais 
Mas integra a classe das conjunções, revelando o sentido de ideia contrária, oposição. 
Exemplo: Não pôde comparecer ao aniversário, mas enviou o presente. 
Mais pode ser classificado como advérbio de intensidade ou pronome indefinido. 
Exemplo: Clarice foi à menina que mais se destacou durante a apresentação. 
Mau/ Mal 
Mau pertence à classe dos adjetivos, podendo ser utilizado quando significar o contrário de “bom”. 
Exemplo: Ele é um mau aluno. (Poderíamos substituí-lo por bom) Mal 
pode adquirir os seguintes valores morfológicos: advérbio de modo – 
podendo ser substituído por “bem”. 
Exemplo: Carlos foi mal sucedido durante o tempo em que atuou nesta profissão. (O contrário poderia ter 
acontecido) conjunção subordinativa temporal – denota o sentido de “assim que, quando”. 
Exemplo: Mal chegava em casa, já começavam as discussões. 
Substantivo – neste caso, sempre aparece precedido de artigo ou qualquer outro determinante. 
Exemplo: Este mal só pode ser resolvido com a chegada dele. 
Onde/ Aonde 
Onde é utilizado mediante o emprego de verbos que indicam sentido estático, permanente. 
Exemplo: Gostaria muito de saber onde ele mora. 
Aonde é utilizado com verbos que indicam movimento. 
Exemplo: Aonde vais com tamanha pressa? 
Por que/ Porque/ Por quê/ Porquê 
Por que – Trata-se de duas palavras – preposição (por) + pronome (que). Desta forma assume as 
seguintes posições: quando equivale a “pelo qual” e demais variações: 
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Exemplo: Esta é a conquista por que sempre busquei. (pela qual) quando equivale a “por qual razão”, 
“por qual motivo”. Neste caso, trata-se da preposição “que” + o pronome interrogativo “quê”. 
Exemplo: Por que não compareceu à reunião? (por qual motivo) 
Por quê – ocorrência esta que se efetiva quando o pronome interrogativo se posiciona no final da frase ou 
aparece seguido de uma pausa forte, fato que permite que o monossílabo átono (que) passe a ser 
concebido como tônico (quê). 
Exemplo: Vocês saíram mais cedo da festa, por quê? 
Porque somente pode ser utilizado quando retratar o sentido das conjunções equivalentes a visto que, 
uma vez que, pois ou para que. 
Exemplo: Não poderemos viajar porque minhas férias não coincidem com as suas. 
Porquê é empregado quando se classifica como um substantivo, revelando o sentido de causa, motivo. 
Nesse caso, sempre aparece acompanhado por um determinante. 
Exemplo: Desconhecemos o porquê de tanta desorganização. (o motivo) 
Se não/ Senão 
Se não equivale a caso não, indicando, assim, uma probabilidade. 
Exemplo: Se não chover, iremos ao cinema amanhã. 
Senão equivale a “caso contrário” ou “a não ser’. 
Exemplo: Espero que estejas bem preparado, senão não conseguirás obter bom resultado. 
Na medida em que/ À medida que 
Na medida em que exprime relação de causa, equivalendo-se a porque, já que, uma vez que. 
Exemplo: Na medida em que os inquilinos não cumpriam com o pagamento em dia, iam sendo despejados. 
À medida que indica proporção, simultaneidade. 
Exemplo: À medida que o tempo passa, mais aumenta a saudade. 
Tampouco/ Tão pouco 
Tampouco equivale a “também não”. 
Exemplo: Quem não respeita a si próprio, tampouco respeita a seus semelhantes. 
Tão pouco equivale a muito pouco. 
Exemplo: Como posso me divertir se ganho tão pouco? 
SIGNIFICAÇÃO DE PALAVRAS E EXPRESSÕES 
I) Sabemos que as palavras podem associar-se de várias maneiras, ou seja, quando as palavras se 
relacionam pelo sentido, temos um campo semântico. Não se trata de sinônimos ou antônimos, mas de 
aproximação de sentido num dado contexto. 
Ex.: perna, braço, cabeça, olhos, cabelos, nariz -> partes do corpo humano 
azul, verde, amarelo, cinza, marrom, lilás – cores martelo, serrote, alicate, 
torno, enxada -> ferramentas 
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II) As palavras têm de assumir significados variados de acordo com o contexto – POLISSEMIA. 
Ex.: Ele anda muito. 
Mário anda doente. 
Aquele executivo só anda de avião. 
Meu relógio não anda mais. 
ATENTEM-SE! 
O verbo andar tem origem no latim ambulare. 
Possui inúmeros significados em português, portanto polissêmico. 
III) Há sinonímia quando duas ou mais palavras têm o mesmo significado em determinado contexto. Diz-
se, então, que são sinônimos. 
Ex.: O comprimento da sala é de oito metros. 
A extensão da sala é de oito metros. 
ATENTEM-SE! 
Em verdade, as palavras são sinônimas em certas situações, mas podem não ser em outras. Por exemplo, 
pode-se dizer, em princípio, que face e rosto são dois sinônimos: ela tem um belo rosto, ela tem uma bela 
face. Mas não se consegue fazer a troca de face por rosto numa frase do tipo: em face do exposto, 
aceitarei. 
IV) A ideia antonímica, o emprego de palavras de sentido contrário, requer os mesmos cuidados da 
sinonímia. 
Na realidade, tudo é uma questão de bom vocabulário. 
Ex.: É um menino corajoso. 
É um menino medroso. 
V) Relações de hominínia e/ou paronímia 
* Palavras homônimas ou homônimos são palavras que são pronunciadas da mesma forma, mas têm 
significados diferentes. 
Existem três tipos de homônimos: homônimos perfeitos, homófonos e homógrafos. 
Acender – pôr fogo a ascender – 
elevar-se acento – inflexão da voz 
assento – objeto onde se senta 
asado – com asas azado – 
oportuno caçar – perseguir cassar 
– anular cegar – tirar a visão segar 
– ceifar, cortar cela – cômodo 
pequeno 
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Sela – arreio censo – 
recenseamento 
Senso – juízo 
Cerração – nevoeiro serração – ato 
de serrar cheque – ordem de 
pagamento xeque – lance do jogo 
dexadrez 
Cidra – certa fruta sidra – um tipo de 
bebida conserto – reparo concerto – 
harmonia estático – firme parado 
extático – em êxtase espiar – olhar 
expiar – sofrer estrato – camada; 
tipo de nuvem extrato – que se 
extraiu 
Passo – passada paço – palácio 
imperial incerto – duvidoso inserto 
– inserido incipiente – que está no 
início insipiente – que não sabe 
lasso – cansado laço – tipo de nó 
remissão – perdão remição – 
resgate seda – tipo de tecido ceda 
– flexão do verbo ceder taxa – 
imposto tacha – tipo de prego 
viagem – jornada viajem – flexão 
do verbo viajar 
* Palavras parônimas ou parônimos são palavras que são escritas de forma parecida e são pronunciadas 
de forma parecida, mas que apresentam significados diferentes. 
Ex.: O tráfego era intenso naquela estrada. 
O tráfico de escravos é uma nódoa em nossa história. 
As palavras tráfego e tráfico são parecidas, mas não se trata de homônimos, pois a pronúncia e a grafia 
são diferentes. Tráfego é movimento de veículo; tráfico, comércio. 
Amoral – sem o senso da moral imoral – 
contrário à moral 
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Apóstrofe – chamamento apóstrofo 
– tipo de sinal gráfico cavaleiro – 
que anda a cavalo cavalheiro – 
gentil comprimento – extensão 
cumprimento – saudação 
Conjetura – hipótese conjuntura – 
situação delatar – denunciar dilatar 
– alargar descrição – ato de 
descrever discrição – qualidade de 
discreto descriminar – inocentar 
discriminar – separar despercebido 
– sem ser notado desapercebido – 
desprevenido 
Destratar – insultar distratar – 
desfazer docente – professor 
discente – estudante emergir – vir à 
tona, sair imergir – mergulhar emigrar 
– sair de um país imigrar – entrar em 
um país eminente – importante 
iminente – que está para ocorrer 
estada – permanência de alguém 
estadia – permanência de veículo 
flagrante – evidente fragrante – 
aromático fluir – correr; manar fruir-
desfrutar 
Inflação – desvalorização infração – 
transgressão 
Infligir – aplicar pena infringir – 
transgredir 
Mandado – ordem judicial mandato – 
procuração 
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Prescrever – receitar; expirar (prazo) 
proscrever – afastar, desterrar ratificar – 
confirmar retificar – corrigir 
Sortir – abastecer surtir – 
resultar 
Tráfego – movimento de veículo 
tráfico – comércio vultoso – grande 
vultuoso – vermelho e inchado 
DISTINÇÃO DE FATO E OPINIÃO SOBRE ESSE FATO 
Fato: 
O fato é algo que é de conhecimento de todos. Sendo um fato, ele pode ser provado através de 
documentos, ou de outras formas de registros. O crescimento acelerado dos grandes centros econômicos 
mundiais aumenta os problemas sociais; O aumento dos estudantes estrangeiros nas universidades 
brasileiras. 
Opinião: 
A opinião é a maneira particular de olhar um fato. A opinião vai divergir de acordo com inúmeros fatores 
socioculturais. Se meu amigo não fosse tão baixinho, ele poderia jogar futebol; Homens que assistem 
novelas são bons maridos. 
Quando é importante saber a diferença 
Várias são as oportunidades de usar a diferença com propriedade, mas duas delas são principais. 
Quando nos engajamos em um debate de algum tema polêmico; Quando 
somos testados e devemos escrever um texto dissertativo. 
As variantes dissertativas são: 
Expositiva: Quando as ideias do texto estão claramente vinculadas a alguma reportagem ou notícia de 
jornais, revistas impressas ou eletrônicas, cujo conteúdo é conhecido por todos através do rádio ou da 
televisão, sendo, por sua vez, inquestionável. A dissertação expositiva tem como objetivo expor o fato, 
ficando em segundo plano a discussão sobre ele. 
Argumentativa: A dissertação argumentativa é aquela que exige de nós maior reflexão ao escrever sobre 
certos temas, mas que possui por objetivo a exposição do ponto de vista pessoal. Quem disserta, através 
de sua opinião bem embasada, faz com que os fatos ali apresentados e discutidos tenham uma conclusão. 
Esta é uma das maneiras mais difíceis de dissertar por apresentar juízos de valores que endossam a 
análise crítica de quem escreve. 
Mista: Esta é uma forma de dissertação que tem inseridos nela os elementos dos dois outros tipos 
dissertativos. Nela podemos expor os fatos como forma de exemplo, ou mesmo como argumento de 
autoridade para dar força às opiniões, juízos e análise crítica a serem feitos sobre o tópico ou tópicos 
discutidos. 
Resumindo: O fato é aquilo que realmente aconteceu, que existe e pode ser provado enquanto que a 
opinião é o que alguém pensa que ocorreu, uma interpretação dos fatos, é o ponto de vista que uma 
pessoa tem a respeito de algo, que pode ser verdadeiro ou não. 
É importante considerar: 
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Vivemos num mundo em que tomamos decisões a partir de informações; 
Estas nos chegam por meio de relatos de fatos e expressões de opiniões; 
Fatos usualmente podem ser submetidos à prova: por números, documentos, registros; 
Opiniões, por outro lado, refletem juízos, valores, interpretações; 
Muitas pessoas confundem fatos e opiniões, e quando isso ocorre temos de ter cuidado com as 
informações que vêm delas; 
Igualmente temos de estar atentos às nossas próprias opiniões, pois elas podem ser tomadas como fatos 
por outros; 
Nossas decisões devem ser baseadas em fatos, mas podem levar em conta as opiniões de gente 
qualificada sobre tais fatos. 
DIFERENÇA ENTRE TEMA E TÍTULO 
Tema: é o assunto a ser desenvolvido em seu texto dissertativo argumentativo, que é o estilo cobrado na 
Redação do Enem. 
Título: o título indica o enfoque do texto, traz o aspecto central das ideias desenvolvidas no texto da 
Redação do Enem. Por isso, recomenda-se que seja o último elemento criado. 
Exemplo de diferença entre Tema e Título: 
Vamos supor que o Tema da Redação fosse “Amor incondicional”. Você começou a desenvolver seu texto 
listando tudo o que você conhece sobre o assunto: amor de mãe e filho; amor de irmãos; amor pelos 
animais; amar o próximo e assim por diante. 
Em seguida, você optou por dar o seguinte enfoque ao seu texto: “amor de mãe e filho”. Sua 
Redação poderia ter Títulos como: “Um amor que nasceu no ventre” ou “Mãe: meu amor e gratidão”. 
No entanto, se você repetir no Título da redação o Tema sugerido (Amor incondicional), ou criar algo muito 
próximo, “Mãe: amor incondicional”, provavelmente sua redação vai perder pontos por falta de criatividade. 
Pior que não ser criativo é se esquecer de escrever o Título, então não fique de bobeira. 
GÊNEROS TEXTUAIS 
Ao longo de nossas vidas, somos expostos a variados tipos de leituras e envolvemo-nos em diversas 
situações comunicacionais. Elaboramos diferentes métodos para interagir com as pessoas e, de acordo 
com a circunstância, o discurso oral ou escrito pode ser alterado. Assim é a linguagem, um veículo 
poderoso de ação e adaptação. 
Da necessidade de nos comunicar nasceram os gêneros textuais e, antes mesmo deles, os tipos textuais, 
estruturas nas quais os mais variados textos apoiam-se. Os tipos são limitados e estão relacionados com 
a forma, enquanto os gêneros são incontáveis e estão relacionados com o tipo de conteúdo veiculado. Os 
gêneros estão ancorados em modelos predefinidos e assim se apresentam para os leitores e 
interlocutores. São também tipos estáveis de enunciados, com estruturas e conteúdos temáticos que 
facilitam sua definição.Observe alguns exemplos de gêneros textuais: Artigo 
Crônica 
Conto 
Reportagem 
Notícia 
E-mail 
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Carta 
Relatório 
Resumo 
Resenha 
Biografia 
Diário 
Fábula 
Ofício 
Poema 
Piada 
Acompanhando o dinamismo da linguagem e da comunicação, os gêneros podem sofrer modificações ao 
longo do tempo. Esse fenômeno é chamado de transmutabilidade, ou seja, novas formas surgem a partir 
de formas já existentes. Foi o que aconteceu com as cartas, que antigamente escrevíamos e enviávamos 
via correios. As inovações tecnológicas praticamente substituíram esse gênero por outro bastante usual, 
utilizado para as mais variadas finalidades: o e-mail. Contudo, embora as cartas não sejam mais tão 
usuais, os e-mails que mandamos para nossos amigos ou os utilizados em nossas relações profissionais 
guardam traços comuns com seu gênero matricial. 
Os gêneros textuais apresentam uma função social em uma determinada situação comunicativa, ou seja, 
a cada texto produzido, seleciono, ainda que inconscientemente, um gênero em função daquilo que desejo 
comunicar e em função do efeito que espero produzir em meu interlocutor. Os gêneros estão 
intrinsecamente ligados à história da comunicação e da linguagem e não importa à situação, nós nos 
comunicamos estritamente por meio desses enunciados relativamente estáveis, seja no bilhete que 
deixamos afixados na geladeira, nos comentários feitos nas redes sociais ou até nas anedotas que 
contamos para nossos amigos. 
FUNÇÃO SOCIOCOMUNICATIVA DOS GÊNEROS TEXTUAIS 
São realizações linguísticas concretas definidas por propriedades sociocomunicativas, ou seja, dentro de 
um contexto cultural e com função comunicativa. 
Primeiramente, vamos entender a diferença entre tipos textuais e gêneros textuais, muito cobradas no 
Enem. Muitas vezes não se faz distinção entre esses conceitos, mas eles são bem diferentes! Analisemos 
o quadro a seguir, em que há uma coluna que explica “tipos textuais” e outra que explica “gêneros textuais”: 
Tipos Textuais Gêneros Textuais 
São definidos por propriedades 
linguísticas que vão caracterizar os 
gêneros: vocabulário, relações 
lógicas, tempos verbais, construções 
frasais, etc. 
São realizações linguísticas concretas definidas por 
propriedades sociocomunicativas, ou seja, dentro de um 
contexto cultural e com função comunicativa. 
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São eles: narração, argumentação, 
descrição, injunção (ordem) e 
exposição (que é o texto informativo). 
Abrangem um conjunto praticamente ilimitado de 
características determinadas pelo estilo do autor, conteúdo, 
composição e função. 
Geralmente variam entre 5 e 9 tipos. Alguns exemplos de gêneros: telefonema, sermão, carta 
comercial, carta pessoal, aula expositiva, romance, reunião 
de condomínio, lista de compras, conversa espontânea, 
cardápio, receita culinária, inquérito policial, blog, e-mail, 
etc. São infinitos! 
 
Tipologia Textual 
1. Narração 
Modalidade em que um narrador, participante ou não, conta um fato, real ou fictício, que ocorreu num 
determinado tempo e lugar, envolvendo certos personagens. Refere-se a objetos do mundo real. Há uma 
relação de anterioridade e posterioridade. O tempo verbal predominante é o passado. Estamos cercados 
de narrações desde as que nos contam histórias infantis até as piadas do cotidiano. É o tipo predominante 
nos gêneros: conto, fábula, crônica, romance, novela, depoimento, piada, relato, etc. 
2. Descrição 
Um texto em que se faz um retrato por escrito de um lugar, uma pessoa, um animal ou um objeto. A classe 
de palavras mais utilizada nessa produção é o adjetivo, pela sua função caracterizadora. Numa abordagem 
mais abstrata, pode-se até descrever sensações ou sentimentos. Não há relação de anterioridade e 
posterioridade. Significa "criar" com palavras a imagem do objeto descrito. É fazer uma descrição 
minuciosa do objeto ou da personagem a que o texto se Pega. É um tipo textual que se agrega facilmente 
aos outros tipos em diversos gêneros textuais. Tem predominância em gêneros como: cardápio, folheto 
turístico, anúncio classificado, etc. 
3. Dissertação 
Dissertar é o mesmo que desenvolver ou explicar um assunto, discorrer sobre ele. Dependendo do objetivo 
do autor, pode ter caráter expositivo ou argumentativo. 
3.1 Dissertação-Exposição 
Apresenta um saber já construído e legitimado, ou um saber teórico. Apresenta informações sobre 
assuntos, expõe, reflete, explica e avalia ideias de modo objetivo. O texto expositivo apenas expõe ideias 
sobre um determinado assunto. A intenção é informar, esclarecer. Ex: aula, resumo, textos científicos, 
enciclopédia, textos expositivos de revistas e jornais, etc. 
3.1 Dissertação-Argumentação 
Um texto dissertativo-argumentativo faz a defesa de ideias ou um ponto de vista do autor. O texto, além 
de explicar, também persuade o interlocutor, objetivando convencê-lo de algo. Caracteriza-se pela 
progressão lógica de ideias. Geralmente utiliza linguagem denotativa. É tipo predominante em: 
Sermão, ensaio, monografia, dissertação, tese, ensaio, manifesto, crítica, editorial de jornais e revistas. 
4. Injunção / Instrucional 
Indica como realizar uma ação. Utiliza linguagem objetiva e simples. Os verbos são, na sua maioria, 
empregados no modo imperativo, porém nota-se também o uso do infinitivo e o uso do futuro do presente 
do modo indicativo. Ex: ordens; pedidos; súplica; desejo; manuais e instruções para montagem ou uso de 
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aparelhos e instrumentos; textos com regras de comportamento; textos de orientação (ex: recomendações 
de trânsito); receitas, cartões com votos e desejos (de natal, aniversário, etc.). 
OBS1: Muitos estudiosos do assunto listam apenas os tipos acima. Alguns outros consideram que existe 
também o tipo predição. 
5. Predição 
Caracterizado por predizer algo ou levar o interlocutor a crer em alguma coisa, a qual ainda está por 
ocorrer. É o tipo predominante nos gêneros: previsões astrológicas, previsões meteorológicas, previsões 
escatológicas/apocalípticas. 
OBS2: Alguns estudiosos listam também o tipo Dialogal, ou Conversacional. Entretanto, esse nada mais 
é que o tipo narrativo aplicado em certos contextos, pois toda conversação envolve personagens, um 
momento temporal (não necessariamente explícito), um espaço (real ou virtual), um enredo (assunto da 
conversa) e um narrador, aquele que relata a conversa. 
Dialogal / Conversacional 
Caracteriza-se pelo diálogo entre os interlocutores. É o tipo predominante nos gêneros: entrevista conversa 
telefônica, chat, etc. 
Gêneros Textuais 
Os Gêneros textuais são as estruturas com que se compõem os textos, sejam eles orais ou escritos. Essas 
estruturas são socialmente reconhecidas, pois se mantêm sempre muito parecidas, com características 
comuns, procuram atingir intenções comunicativas semelhantes e ocorrem em situações específicas. 
Pode-se dizer que se tratam das variadas formas de linguagem que circulam em nossa sociedade, sejam 
eles formais ou informais. Cada gênero textual tem seu estilo próprio, podendo então, ser identificado e 
diferenciado dos demais através de suas características. Exemplos: 
Carta: quando se trata de "carta aberta" ou "carta ao leitor", tende a ser do tipo dissertativo argumentativo 
com uma linguagem formal, em que se escreve à sociedade oua leitores. Quando se trata de "carta 
pessoal", a presença de aspectos narrativos ou descritivos e uma linguagem pessoal é mais comum. No 
caso da "carta denúncia", em que há o relato de um fato que o autor sente necessidade de expô-lo ao seu 
público, os tipos narrativos e dissertativo-expositivo são mais utilizados. 
Propaganda: é um gênero textual dissertativo-expositivo onde há a o intuito de propagar informações sobre 
algo, buscando sempre atingir e influenciar o leitor apresentando, na maioria das vezes, mensagens que 
despertam as emoções e a sensibilidade do mesmo. 
Bula de remédio: trata-se de um gênero textual descritivo, dissertativo-expositivo e injuntivo que tem por 
obrigação fornecer as informações necessárias para o correto uso do medicamento. 
Receita: é um gênero textual descritivo e injuntivo que tem por objetivo informar a fórmula para preparar 
tal comida, descrevendo os ingredientes e o preparo destes, além disso, com verbos no imperativo, dado 
o sentido de ordem, para que o leitor siga corretamente as instruções. 
Tutorial: é um gênero injuntivo que consiste num guia que tem por finalidade explicar ao leitor, passo a 
passo e de maneira simplificada, como fazer algo. 
Editorial: é um gênero textual dissertativo-argumentativo que expressa o posicionamento da empresa 
sobre determinado assunto, sem a obrigação da presença da objetividade. 
Notícia: podemos perfeitamente identificar características narrativas, o fato ocorrido que se deu em um 
determinado momento e em um determinado lugar, envolvendo determinadas personagens. 
Características do lugar, bem como dos personagens envolvidos são, muitas vezes, minuciosamente 
descritos. 
Reportagem: é um gênero textual jornalístico de caráter dissertativo-expositivo. A reportagem tem, por 
objetivo, informar e levar os fatos ao leitor de uma maneira clara, com linguagem direta. 
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Entrevista: é um gênero textual fundamentalmente dialogal, representado pela conversação de duas ou 
mais pessoas, o entrevistador e o(s) entrevistado(s), para obter informações sobre ou do entrevistado, ou 
de algum outro assunto. Geralmente envolve também aspectos dissertativoexpositivos, especialmente 
quando se trata de entrevista a imprensa ou entrevista jornalística. Mas pode também envolver aspectos 
narrativos, como na entrevista de emprego, ou aspectos descritivos, como na entrevista médica. 
História em quadrinhos: é um gênero narrativo que consiste em enredos contados em pequenos quadros 
através de diálogos diretos entre seus personagens, gerando uma espécie de conversação. 
Charge: é um gênero textual narrativo onde se faz uma espécie de ilustração cômica, através de 
caricaturas, com o objetivo de realizar uma sátira, crítica ou comentário sobre algum acontecimento atual, 
em sua grande maioria. 
Poema: trabalho elaborado e estruturado em versos. Além dos versos, pode ser estruturado em estrofes. 
Rimas e métrica também podem fazer parte de sua composição. Pode ou não ser poético. Dependendo 
de sua estrutura, pode receber classificações específicas, como haicai, soneto, epopeia, poema figurado, 
dramático, etc. Em geral, a presença de aspectos narrativos e descritivos são mais frequentes neste 
gênero. Importante também é a distinção entre poema e poesia. Poesia é o conteúdo capaz de transmitir 
emoções por meio de uma linguagem, ou seja, tudo o que toca e comove pode ser considerado como 
poético. Assim, quando aplica-se a poesia ao gênero <poema>, resulta-se em um poema poético, quando 
aplicada à prosa, resulta-se na prosa poética (até mesmo uma peça ou um filme podem ser assim 
considerados). 
Canção: possui muitas semelhanças com o gênero poema, como a estruturação em estrofes e as rimas. 
Ao contrário do poema, costuma apresentar em sua estrutura um refrão, parte da letra que se repete ao 
longo do texto, e quase sempre tem uma interação direta com os instrumentos musicais. A tipologia 
narrativa tem prevalência neste caso. 
Adivinha: é um gênero cômico, o qual consiste em perguntas cujas respostas exigem algum nível de 
engenhosidade. Predominantemente dialogal. 
Anais: um registro da história resumido, estruturado ano a ano. Atualmente, é utilizado para publicações 
científicas ou artísticas que ocorram de modo periódico, não necessariamente a cada ano. Possui caráter 
fundamentalmente dissertativo. 
Anúncio publicitário: utiliza linguagem apelativa para persuadir o público a desejar aquilo que é oferecido 
pelo anúncio. Por meio do uso criativo das imagens e da linguagem, consegue utilizar todas as tipologias 
textuais com facilidade. 
Boletos, faturas, carnês: predomina o tipo descrição nestes casos, relacionados a informações de um 
indivíduo ou empresa. O tipo injuntivo também se manifesta, através da orientação que cada um traz. 
Profecia: em geral, estão em um contexto religioso, e tratam de eventos que podem ocorrer no futuro da 
época do autor. A predominância é a do tipo preditivo, havendo também características dos tipos narrativo 
e descritivo. 
Gêneros literários: 
· Gênero Narrativo: 
Na Antiguidade Clássica, os padrões literários reconhecidos eram apenas o épico, o lírico e o dramático. 
Com o passar dos anos, o gênero épico passou a ser considerado apenas uma variante do gênero literário 
narrativo, devido ao surgimento de concepções de prosa com características diferentes: o romance, a 
novela, o conto, a crônica, a fábula. Porém, praticamente todas as obras narrativas possuem elementos 
estruturais e estilísticos em comum e devem responder a questionamentos, como: quem? O que? 
Quando? Onde? Por quê? Vejamos a seguir: 
Épico (ou Epopeia): os textos épicos são geralmente longos e narram histórias de um povo ou de uma 
nação, envolvem aventuras, guerras, viagens, gestos heróicos, etc. Normalmente apresentam um tom de 
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exaltação, isto é, de valorização de seus heróis e seus feitos. Dois exemplos são Os Lusíadas, de Luís de 
Camões, e Odisséia, de Homero. 
Romance: é um texto completo, com tempo, espaço e personagens bem definidos e de caráter mais 
verossímil. Também conta as façanhas de um herói, mas principalmente uma história de amor vivida por 
ele e uma mulher, muitas vezes, “proibida” para ele. Apesar dos obstáculos que o separam, o casal vive 
sua paixão proibida, física, adúltera, pecaminosa e, por isso, costuma ser punido no final. É o tipo de 
narrativa mais comum na Idade Média. Ex: Tristão e Isolda. 
Novela: é um texto caracterizado por ser intermediário entre a longevidade do romance e a brevidade do 
conto. Como exemplos de novelas, podem ser citadas as obras O Alienista, de Machado de Assis, e A 
Metamorfose, de Kafka. 
Conto: é um texto narrativo breve, e de ficção, geralmente em prosa, que conta situações rotineiras, 
anedotas e até folclores. Inicialmente, fazia parte da literatura oral. Boccacio foi o primeiro a reproduzi-lo 
de forma escrita com a publicação de Decamerão. Diversos tipos do gênero textual conto surgiram na 
tipologia textual narrativa: conto de fadas, que envolve personagens do mundo da fantasia; contos de 
aventura, que envolvem personagens em um contexto mais próximo da realidade; contos folclóricos (conto 
popular); contos de terror ou assombração, que se desenrolam em um contexto sombrio e objetivam 
causar medo no expectador; contos de mistério, que envolvem o suspense e a solução de um mistério. 
Fábula: é um texto de caráter fantástico que busca ser inverossímil. As personagens principais são não 
humanos e a finalidade é transmitir alguma lição de moral.Crônica: é uma narrativa informal, breve, ligada à vida cotidiana, com linguagem coloquial. Pode ter um 
tom humorístico ou um toque de crítica indireta, especialmente, quando aparece em seção ou artigo de 
jornal, revistas e programas da TV.. 
Crônica narrativo-descritiva: Apresenta alternância entre os momentos narrativos e manifestos descritivos. 
Ensaio: é um texto literário breve, situado entre o poético e o didático, expondo ideias, críticas e reflexões 
morais e filosóficas a respeito de certo tema. É menos formal e mais flexível que o tratado. Consiste 
também na defesa de um ponto de vista pessoal e subjetivo sobre um tema (humanístico, filosófico, 
político, social, cultural, moral, comportamental, etc.), sem que se paute em formalidades como 
documentos ou provas empíricas ou dedutivas de caráter científico. Exemplo: Ensaio sobre a tolerância, 
de John Locke. 
· Gênero Dramático: 
Trata-se do texto escrito para ser encenado no teatro. Nesse tipo de texto, não há um narrador contando 
a história. Ela “acontece” no palco, ou seja, é representada por atores, que assumem os papéis das 
personagens nas cenas. 
Tragédia: é a representação de um fato trágico, suscetível de provocar compaixão e terror. Aristóteles 
afirmava que a tragédia era "uma representação duma ação grave, de alguma extensão e completa, em 
linguagem figurada, com atores agindo, não narrando, inspirando dó e terror". Ex: Romeu e Julieta, de 
Shakespeare. 
Farsa: A farsa consiste no exagero do cômico, graças ao emprego de processos como o absurdo, as 
incongruências, os equívocos, a caricatura, o humor primário, as situações ridículas e, em especial, o 
engano. 
Comédia: é a representação de um fato inspirado na vida e no sentimento comum, de riso fácil. Sua origem 
grega está ligada às festas populares. 
Tragicomédia: modalidade em que se misturam elementos trágicos e cômicos. Originalmente, significava 
a mistura do real com o imaginário. 
Poesia de cordel: texto tipicamente brasileiro em que se retrata, com forte apelo linguístico e cultural 
nordestinos, fatos diversos da sociedade e da realidade vivida por este povo. 
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· Gênero Lírico: 
É certo tipo de texto no qual um eu lírico (a voz que fala no poema e que nem sempre corresponde à do 
autor) exprime suas emoções, ideias e impressões em face do mundo exterior. Normalmente os pronomes 
e os verbos estão em 1ª pessoa e há o predomínio da função emotiva da linguagem. 
Elegia: é um texto de exaltação à morte de alguém, sendo que a morte é elevada como o ponto máximo 
do texto. O emissor expressa tristeza, saudade, ciúme, decepção, desejo de morte. É um poema 
melancólico. Um bom exemplo é a peça Roan e yufa, de William Shakespeare. 
Epitalâmia: é um texto relativo às noites nupciais líricas, ou seja, noites românticas com poemas e cantigas. 
Um bom exemplo de epitalâmia é a peça Romeu e Julieta nas noites nupciais. 
Ode (ou hino): é o poema lírico em que o emissor faz uma homenagem à pátria (e aos seus símbolos), às 
divindades, à mulher amada, ou a alguém ou algo importante para ele. O hino é uma ode com 
acompanhamento musical; 
Idílio (ou écloga): é o poema lírico em que o emissor expressa uma homenagem à natureza, às belezas e 
às riquezas que ela dá ao homem. É o poema bucólico, ou seja, que expressa o desejo de desfrutar de 
tais belezas e riquezas ao lado da amada (pastora), que enriquece ainda mais a paisagem, espaço ideal 
para a paixão. A écloga é um idílio com diálogos (muito rara); 
Sátira: é o poema lírico em que o emissor faz uma crítica a alguém ou a algo, em tom sério ou irônico. 
Acalanto: ou canção de ninar; 
Acróstico: (akros = extremidade; stikos = linha), composição lírica na qual as letras iniciais de cada verso 
formam uma palavra ou frase; 
Balada: uma das mais primitivas manifestações poéticas são cantigas de amigo (elegias) com ritmo 
característico e refrão vocal que se destinam à dança; 
Canção (ou Cantiga, Trova): poema oral com acompanhamento musical; 
Gazal (ou Gazel): poesia amorosa dos persas e árabes; odes do oriente médio; 
Haicai: expressão japonesa que significa “versos cômicos” (=sátira). E o poema japonês formado de três 
versos que somam 17 sílabas assim distribuídas: 1° verso= 5 sílabas; 2° verso = 7 sílabas; 3° verso 5 
sílabas; 
Soneto: é um texto em poesia com 14 versos, dividido em dois quartetos e dois tercetos, com rima 
geralmente em a-ba-b a-b-b-a c-d-c d-c-d. 
Vilancete: são as cantigas de autoria dos poetas vilões (cantigas de escárnio e de maldizer); satíricas, 
portanto. 
RELAÇÃO ENTRE TEXTOS 
Assunto comum no Enem, a intertextualidade acontece quando um texto retoma uma parte ou a totalidade 
de outro texto – o texto fonte. Geralmente, os textos fontes são aqueles considerados fundamentais em 
uma determinada cultura. No exemplo dado, compositores brasileiros contemporâneos retomam um dos 
textos mais reverenciados da literatura portuguesa. 
Nos anos 90, Pedro Luis e Fernanda Abreu lançaram a canção “Tudo vale à pena”, cujo refrão diz o 
seguinte: “Tudo vale a pena, sua alma não é pequena”. O mote, na verdade, faz referência ao famoso 
poema “Mar português” (1934), do poeta Fernando Pessoa: 
Valeu à pena? Tudo vale à pena Se a 
alma não é pequena. Quem quer passar 
além do Bojador Tem que passar além da 
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dor. Deus ao mar o perigo e o abismo deu, 
Mas nele é que espelhou o céu. 
Como podemos ver, temos dois textos que, apesar de distantes no tempo e no espaço, dialogam entre si. 
A intertextualidade é exatamente essa relação, uma forma de diálogo entre dois ou mais textos. 
É importante considerar que a intertextualidade pode ocorrer entre textos de mesma natureza ou de 
naturezas diferentes. 
 
Veja, por exemplo, que o cartum de Caulos tem como texto fonte o poema No Meio do Caminho de 
Carlos Drummond de Andrade, de 1930. 
No meio do caminho tinha uma pedra 
Tinha uma pedra no meio do caminho 
Tinha uma pedra 
No meio do caminho tinha uma pedra. 
A seguir, veremos vários exemplos de intertextualidade, seja em forma de citação, paródia ou paráfrase. 
CITAÇÃO 
Esse procedimento intertextual acontece quando um texto reproduz outro texto ou parte dele. Para sinalizar 
que houve a reprodução de outro texto, são utilizados alguns marcadores, como as aspas. Dessa forma, 
o texto deixa claro que o trecho ou o texto citado foi tirado de outra fonte. 
A compreensão adequada de um intertexto depende, naturalmente, do conhecimento do texto fonte. No 
exemplo dado, a propaganda buscou inspiração no texto bíblico "Do pó vieste e ao pó voltarás", marcando 
sua reprodução por meio de aspas. 
LOCUÇÕES COM DUAS PREPOSIÇÕES 
A norma aceita as sequências de duas preposições (por exemplo, «para com», «por entre», «de entre»), 
mas tal não significa que essas expressões sejam todas classificadas como locuções prepositivas. 
Também não se pode dizer que existam regras; o mais que se deteta são tendências na associação de 
preposições. 
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Evanildo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa, 2002, p. 301/302), referindo-se à possibilidade de 
acúmulo de preposições, faz as seguintes observações: 
«Não raro duas preposições se juntam para dar maior efeito expressivo às ideias, guardando cada uma 
seu sentido primitivo: 
Andou por sobre o mar. 
Estes acúmulos de preposições não constituemuma locução prepositiva porque valem por duas 
preposições distintas. Combinam-se com mais frequência as preposições: de, para e por com entre, sob 
e sobre. 
"De uma vez olhou por entre duas portadas mal fechadas para o interior de outra sala..." [CBr. 1, 175]. 
"Os deputados oposicionistas conjuravam-no a não levantar mão de sobre os projetos depredadores" [CBr. 
1] 
OBSERVAÇÕES: 
1.ª) Pode ocorrer depois de algumas preposições acidentais (exceto, salvo, tirante inclusive, etc. de sentido 
exceptivo ou inclusivo) outra preposição requerida pelo verbo, sendo que esta última preposição não é 
obrigatoriamente explicitada: 
Gosto de todos daqui, exceto ela (ou dela). 
Sem razão, alguns autores condenam, nestes casos, a explicitação da segunda preposição (dela, no 
exemplo acima): 
Senhoreou-se de tudo, exceto dos dois sacos de parta [CBr apud MBa. 3 326] [...].» 
Note-se que «a locução prepositiva até a é a única formada por duas preposições simples: a preposição 
de base até, seguida da preposição de ligação a», conforme observa a Gramática do Português da 
Fundação Calouste Gulbenkian (2013, p. 1505), que não inclui sequências como «por entre», «de entre», 
«para com» e «para depois» entre as locuções prepositivas, com a seguinte justificação: 
«[Nestas sequências] as duas preposições mantêm o seu significado e uso básicos: trata-se de casos em 
que uma preposição toma como complemento outro sintagma preposicional independente [...]; p. e. [...], 
ele foi generoso [SP para [SP com [SN o Luís]]].» 
* A sigla CBr refere-se ao escritor português Camilo Castelo Branco. 
DIFERENTES SENTIDOS DAS PREPOSIÇÕES 
Vamos relembrar um fato que nos ajudará a compreender melhor as características do assunto a ser 
estudado agora: 
As muitas palavras existentes na língua portuguesa, dependendo do momento e das circunstâncias em 
que são empregadas, adquirem sentidos, significados diferentes. Sendo assim, esse fato ocorre também 
nas preposições, pois uma mesma preposição pode obter sentidos diferentes, dependendo da forma como 
é utilizada. Mas antes de partirmos para o nosso objetivo, qual é o significado da palavra “preposição”? 
Preposição é uma palavrinha que serve para ligar dois termos em uma oração, de modo que a ideia fique 
completa. Vamos ver um exemplo? 
Urso de pelúcia 
Notamos que entre as palavras “urso” e “pelúcia” há um outro termo que as une – que é exatamente ela 
(a preposição). 
INTERTEXTUALIDADE 
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A intertextualidade é um recurso realizado entre textos, ou seja, é a influência e relação que um estabelece 
sobre o outro. Assim, determina o fenômeno relacionado ao processo de produção de textos que faz 
referência (explícita ou implícita) aos elementos existentes em outro texto, seja a nível de conteúdo, forma 
ou de ambos: forma e conteúdo. 
Grosso modo, a intertextualidade é o diálogo entre textos, de forma que essa relação pode ser estabelecida 
entre as produções textuais que apresentem diversas linguagens (visual, auditiva, escrita), sendo expressa 
nas artes (literatura, pintura, escultura, música, dança, cinema), propagandas publicitárias, programas 
televisivos, provérbios, charges, dentre outros. 
TIPOS DE INTERTEXTUALIDADE 
Há muitas maneiras de realizar a intertextualidade sendo que os tipos de intertextualidade mais comuns 
são: 
Paródia: perversão do texto anterior que aparece geralmente, em forma de crítica irônica de caráter 
humorístico. Do grego (parodès) a palavra “paródia” é formada pelos termos “para” (semelhante) e “odes” 
(canto), ou seja, “um canto (poesia) semelhante à outra”. Esse recurso é muito utilizado pelos programas 
humorísticos. 
Paráfrase: recriação de um texto já existente mantendo a mesma ideia contida no texto original, entretanto, 
com a utilização de outras palavras. O vocábulo “paráfrase”, do grego (paraphrasis), significa a “repetição 
de uma sentença”. 
Epígrafe: recurso bastante utilizado em obras, textos científicos, desde artigos, resenhas, monografias, 
uma vez que consiste no acréscimo de uma frase ou parágrafo que tenha alguma relação com o que será 
discutido no texto. Do grego, o termo “epígrafhe” é formado pelos vocábulos “epi” (posição superior) e 
“graphé” (escrita). Como exemplo podemos citar um artigo sobre Patrimônio Cultural e a epígrafe do 
filósofo Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.): "A cultura é o melhor conforto para a velhice". 
Citação: Acréscimo de partes de outras obras numa produção textual, de forma que dialoga com ele; 
geralmente vem expressa entre aspas e itálico, já que se trata da enunciação de outro autor. Esse recurso 
é importante haja vista que sua apresentação sem relacionar a fonte utilizada é considerado “plágio”. Do 
Latim, o termo “citação” (citare) significa convocar. 
Alusão: Faz referência aos elementos presentes em outros textos. Do Latim, o vocábulo “alusão” (alludere) 
é formado por dois termos: “ad” (a, para) e “ludere” (brincar). 
Outras formas de intertextualidade são o pastiche, o sample, a tradução e a bricolagem. 
Exemplos 
Segue abaixo alguns exemplos de intertextualidade na literatura e na música: 
Intertextualidade na Literatura 
Fenômeno recorrente nas produções literárias, segue alguns exemplos de intertextualidade. 
O poema de Casimiro de Abreu (1839-1860), “Meus oito anos”, escrito no século XIX, é um dos textos que 
gerou inúmeros exemplos de intertextualidade, como é o caso da paródia de Oswald de Andrade “Meus 
oito anos”, escrito no século XX: 
Texto Original 
“Oh! que saudades que tenho 
Da aurora da minha vida, Da 
minha infância querida 
Que os anos não trazem mais! 
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Que amor, que sonhos, que flores, 
Naquelas tardes fagueiras 
À sombra das bananeiras, 
Debaixo dos laranjais!” 
(Casimiro de Abreu, “Meus oito anos”) 
Paródia 
“Oh que saudades que eu tenho 
Da aurora de minha vida 
Das horas 
De minha infância 
Que os anos não trazem mais 
Naquele quintal de terra! 
Da rua de Santo Antônio 
Debaixo da bananeira 
Sem nenhum laranjais” 
(Oswald de Andrade) 
Outro exemplo é o poema de Gonçalves Dias (1823-1864) intitulado Canção do Exílio o qual já rendeu 
inúmeras versões. Dessa forma, segue um dos exemplos de paródia, o poema de Oswald de Andrade 
(1890-1954), e de paráfrase com o poema de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987): 
Texto Original 
“Minha terra tem palmeiras 
Onde canta o sabiá, 
As aves que aqui gorjeiam 
Não gorjeiam como lá.” 
(Gonçalves Dias, “Canção do exílio”) 
Paródia 
“Minha terra tem palmares 
onde gorjeia o mar os 
passarinhos daqui não cantam 
como os de lá.” 
(Oswald de Andrade, “Canto de regresso à pátria”) 
Paráfrase 
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“Meus olhos brasileiros se fecham saudosos Minha 
boca procura a ‘Canção do Exílio’. 
Como era mesmo a ‘Canção do Exílio’? 
Eu tão esquecido de minha terra... 
Ai terra que tem palmeiras 
Onde canta o sabiá!” 
(Carlos Drummond de Andrade, “Europa, França e Bahia”) 
Intertextualidade na Música 
Há muitos casos de intertextualidade nas produções musicais, veja alguns exemplos: 
A música “Monte Castelo” da banda legião urbana cita os versículos bíblicos 1 e 4, encontrados no livro 
de Coríntios, no capítulo 13: “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, 
seria como o metal que soa ou como o sino que tine” e “O amor é sofredor,é benigno; o amor não é 
invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece”. Além disso, nessa mesma canção, ele 
cita os versos do escritor português Luís Vaz de Camões (1524-1580), encontradas na obra “Sonetos” 
(soneto 11): 
“Amor é um fogo que arde sem se ver; 
É ferida que dói, e não se sente; É 
um contentamento descontente; É 
dor que desatina sem doer. 
É um não querer mais que bem querer; 
É um andar solitário entre a gente; 
É nunca contentar-se e contente; 
É um cuidar que ganha em se perder; 
É querer estar preso por vontade; É 
servir a quem vence, o vencedor; 
É ter com quem nos mata, lealdade. 
Mas como causar pode seu favor 
Nos corações humanos amizade, 
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?” 
Igualmente, a música “GoBack” do grupo musical Titãs, cita o poema “Farewell” do escritor chileno Pablo 
Neruda (1904-1973): 
“Ya no se encantarán mis ojos en tus ojos, ya no se 
endulzará junto a ti mi dolor. Pero hacia donde vaya 
llevaré tu mirada y hacia donde camines llevarás mi 
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dolor. Fui tuyo, fuiste mía. ¿Qué más? Juntos hicimos 
un recodo en la ruta donde el amor pasó. Fui tuyo, 
fuiste mía. Tú serás del que te ame, del que corte en 
tu huerto lo que he sembrado yo. 
Yo me voy. Estoy triste: pero siempre estoy triste. 
Vengo desde tus brazos. No sé hacia dónde voy. 
...Desde tu corazón me dice adiós un niño. 
Y yo le digo adiós.” 
Coesão 
Coesão é a conexão, ligação, harmonia entre os elementos de um texto. Percebemos tal definição quando 
lemos um texto e verificamos que as palavras, as frases e os parágrafos estão entrelaçados, um dando 
continuidade ao outro. 
Os elementos de coesão determinam a transição de ideias entre as frases e os parágrafos. 
Observe a coesão presente no texto a seguir: 
“Os sem-terra fizeram um protesto em Brasília contra a política agrária do país, porque consideram injusta 
a atual distribuição de terras. Porém o ministro da Agricultura considerou a manifestação um ato de 
rebeldia, uma vez que o projeto de Reforma Agrária pretende assentar milhares de sem-terra.” 
As palavras destacadas têm o papel de ligar as partes do texto, podemos dizer que elas são responsáveis 
pela coesão do texto. 
Há vários recursos que respondem pela coesão do texto, os principais são: 
- Palavras de transição: são palavras responsáveis pela coesão do texto, estabelecem a interrelação 
entre os enunciados (orações, frases, parágrafos), são preposições, conjunções, alguns advérbios e 
locuções adverbiais. 
 
Veja Algumas Palavras e Expressões de Transição e seus Respectivos Sentidos: 
- inicialmente (começo, introdução) 
- primeiramente (começo, introdução) 
- primeiramente (começo, introdução) 
- antes de tudo (começo, introdução) 
- desde já (começo, introdução) 
- além disso (continuação) 
- do mesmo modo (continuação) 
- acresce que (continuação) 
- ainda por cima (continuação) 
- bem como (continuação) 
- outrossim (continuação) 
- enfim (conclusão) 
- dessa forma (conclusão) 
- em suma (conclusão) 
- nesse sentido (conclusão) 
- portanto (conclusão) 
- afinal (conclusão) 
- logo após (tempo) 
- ocasionalmente (tempo) 
- posteriormente (tempo) 
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- atualmente (tempo) 
- enquanto isso (tempo) 
- imediatamente (tempo) 
- não raro (tempo) 
- concomitantemente (tempo) 
- igualmente (semelhança, conformidade) 
- segundo (semelhança, conformidade) 
- conforme (semelhança, conformidade) 
- assim também (semelhança, conformidade) 
- de acordo com (semelhança, conformidade) 
- daí (causa e consequência) 
- por isso (causa e consequência) 
- de fato (causa e consequência) 
- em virtude de (causa e consequência) 
- assim (causa e consequência) 
- naturalmente (causa e consequência) 
- então (exemplificação, esclarecimento) 
- por exemplo (exemplificação, esclarecimento) 
- isto é (exemplificação, esclarecimento) 
- a saber (exemplificação, esclarecimento) 
- em outras palavras (exemplificação, esclarecimento) 
- ou seja (exemplificação, esclarecimento) 
- quer dizer (exemplificação, esclarecimento) 
- rigorosamente falando (exemplificação, esclarecimento). 
Ex.: A prática de atividade física é essencial ao nosso cotidiano. Assim sendo, quem a pratica possui uma 
melhor qualidade de vida. 
- Coesão por referência:existem palavras que têm a função de fazer referência, são elas: 
- pronomes pessoais: eu, tu, ele, me, te, os... 
- pronomes possessivos: meu, teu, seu, nosso... 
- pronomes demonstrativos: este, esse, aquele... 
- pronomes indefinidos: algum, nenhum, todo... 
- pronomes relativos: que, o qual, onde... - advérbios de lugar: aqui, aí, lá... 
Ex.: Marcela obteve uma ótima colocação no concurso. Tal resultado demonstra que ela se esforçou 
bastante para alcançar o objetivo que tanto almejava. 
- Coesão por substituição: substituição de um nome (pessoa, objeto, lugar etc.), verbos, períodos ou 
trechos do texto por uma palavra ou expressão que tenha sentido próximo, evitando a repetição no corpo 
do texto. 
 
Ex.: Porto Alegre pode ser substituída por “a capital gaúcha”; 
Castro Alves pode ser substituído por “O Poeta dos Escravos”; 
João Paulo II: Sua Santidade; Vênus: A Deusa da Beleza. 
Ex.: Castro Alves é autor de uma vastíssima obra literária. Não é por acaso que o "Poeta dos Escravos" 
é considerado o mais importante da geração a qual representou. 
Assim, a coesão confere textualidade aos enunciados agrupados em conjuntos. Tipos de 
Coerência 
São seis os tipos de coerência: sintática, semântica, temática, pragmática, estilística e genérica. Conhecê-
los contribui para a escrita de uma boa redação. 
Conhecer os tipos de coerência pode ajudar na construção da coerência global de um texto, seja ele oral 
ou escrito. 
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Você já deve saber que alguns elementos são indispensáveis para a construção de um bom texto. Entre 
esses elementos, está a coerência textual, fator que garante a inteligibilidade das ideias apresentadas em 
uma redação. Quando falta coerência, a construção de sentidos fica seriamente comprometida. 
É importante que você saiba que existem tipos de coerência, elementos que colaboram para a construção 
da coerência global de um texto. São eles: 
• Coerência sintática: está relacionada com a estrutura linguística, como termo de ordem dos 
elementos, seleção lexical etc., e também à coesão. Quando empregada, eliminamos estruturas 
ambíguas, bem como o uso inadequado dos conectivos. 
• Coerência semântica: Para que a coerência semântica esteja presente em um texto, é preciso, 
antes de tudo, que o texto não seja contraditório, mesmo porque a semântica está relacionada com as 
relações de sentido entre as estruturas. Para detectar uma incoerência, é preciso que se faça uma leitura 
cuidadosa, ancorada nos processos de analogia e inferência. 
• Coerência temática: Todos os enunciados de um texto precisam ser coerentes e relevantes para 
o tema, com exceção das inserções explicativas. Os trechos irrelevantes devem ser evitados, impedindo 
assim o comprometimento da coerência temática. 
• Coerência pragmática: Refere-se ao texto visto como uma sequência de atos de fala. Os textos, 
orais ou escritos, são exemplos dessas sequências, portanto, devem obedecer às condições para a sua 
realização. Se o locutor ordena algo a alguém,é contraditório que ele faça, ao mesmo tempo, um pedido. 
Quando fazemos uma pergunta para alguém, esperamos receber como resposta uma afirmação ou uma 
negação, jamais uma sequência de fala desconectada daquilo que foi indagado. Quando essas condições 
são ignoradas, temos como resultado a incoerência pragmática. 
• Coerência estilística: Diz respeito ao emprego de uma variedade de língua adequada, que deve 
ser mantida do início ao fim de um texto para garantir a coerência estilística. A incoerência estilística não 
provoca prejuízos para a interpretabilidade de um texto, contudo, a mistura de registros — como o uso 
concomitante da linguagem coloquial e linguagem formal — deve ser evitada, principalmente nos textos 
não literários. 
• Coerência genérica: Refere-se à escolha adequada do gênero textual, que deve estar de acordo 
com o conteúdo do enunciado. Em um anúncio de classificados, a prática social exige que ele tenha como 
objetivo ofertar algum serviço, bem como vender ou comprar algum produto, e que sua linguagem seja 
concisa e objetiva, pois essas são as características essenciais do gênero. Uma ruptura com esse padrão, 
entretanto, é comum nos textos literários, nos quais podemos encontrar um determinado gênero 
assumindo a forma de outro. 
É importante ressaltar que em alguns tipos de texto, especialmente nos textos literários, uma ruptura 
com os tipos de coerência descritos anteriormente pode acontecer. Nos demais textos, a coerência 
contribui para a construção de enunciados cuja significação seja aceitável, ajudando na compreensão 
do leitor ou do interlocutor. Todavia, a coerência depende de outros aspectos, como o conhecimento 
linguístico de quem acessa o conteúdo, a situacionalidade, a informatividade, a intertextualidade e a 
intencionalidade. 
A TESE NO TEXTO ARGUMENTATIVO 
A tese nada mais é do que a apresentação do tema a ser discutido e a sua opinião sobre ele. Pense assim, 
o seu leitor não faz ideia do assunto que será abordado – por mais que ele seja o corretor e já tenha 
decorado a proposta –, por isso você precisa informá-lo sobre o que será dito. Depois disso, ele precisa 
saber qual é a sua opinião sobre o tema, para que ele entenda o caminho que você irá percorrer ao 
construir o desenvolvimento. Ok. Na teoria é tudo muito bonito, mas e na prática? 
Trouxe para você o primeiro parágrafo de um dos textos nota 1000 no ENEM 2012, cujo tema era 
“Movimento imigratório para o Brasil no século XXI”, para que você veja como se constrói a tese. 
Catalisador Estrangeiro 
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No final do século XX, o país passou por um período de grande prosperidade econômica que ficou 
conhecido como “Milagre econômico”. O otimismo gerado por essa conjuntura traduziu-se em uma frase 
que permanece, até hoje, na cultura popular: “Brasil: o país do futuro”. O crescente número de imigrantes 
que buscam terras tupiniquins, porém, revela que talvez o futuro esteja próximo de chegar. Dessa forma, 
é preciso enxergar a oportunidade de crescimento que tal fenômeno representa e propor medidas que 
maximizem os benefícios e minimizem os problemas. 
O trecho em negrito corresponde à tese do texto. Observe que, na primeira parte, ele constrói a 
contextualização do tema para o leitor “O crescente número de imigrantes” e, na segunda, já traz o seu 
posicionamento “revela que talvez o futuro esteja próximo de chegar”. Desse modo, ele já traz os dois 
requisitos necessários para que o leitor entenda que o texto defenderá que o movimento imigratório para 
o Brasil no século XXI será benéfico. 
ESTRATÉGIAS ARGUMENTATIVAS PARA MELHORAR SUA REDAÇÃO 
Em um texto de opinião, nosso objetivo é apresentar e defender um posicionamento crítico. Como bem 
sabemos, para que isso seja alcançado, são necessários alguns cuidados com a elaboração de nosso 
projeto de texto e o desenvolvimento de cada ideia selecionada por nós. 
No texto dissertativo-argumentativo, temos esta organização textual: 
Introdução: problematização do tema; 
Desenvolvimento: argumentação/fundamentação/defesa do ponto de vista; 
Conclusão: balanço da discussão realizada ao longo do texto. 
Com essa divisão textual, podemos notar que o desenvolvimento é o maior representante da função 
principal de um texto dissertativo-argumentativo, uma vez que a parte de maior concentração da 
argumentação está localizada ali. 
Hoje, o sítio de Português, pensando na relevância do desenvolvimento de um texto de opinião, separou 
três estratégias argumentativas para auxiliá-los na produção de textos argumentativos melhores. 
→ Argumentação por exemplificação 
Um exemplo é sempre um elemento que traz força para a defesa de um ponto de vista, visto que é a 
melhor forma de comprovar uma opinião. Além desse benefício, há outro ganho ao fazer uso dessa 
estratégia: é um mecanismo bastante acessível. O que isso quer dizer? Há, no geral, três formas de 
exemplificação, e isso faz com que as possibilidades de uso pelos falantes sejam inúmeras. Observem: 
– Fatos divulgados na mídia 
“O artigo 5° da Constituição Federal diz que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer 
natureza''. Mas, na prática, a legislação brasileira confere o privilégio de não ficar em cárcere comum até 
o trânsito em julgado de uma decisão penal condenatória para alguns grupos. Como os detentores de 
diploma de curso superior. Com a decisão do Supremo, esse tempo vai se encurtar, mas a cela especial 
continua lá. 
O Senado Federal havia derrubado essa aberração presente no artigo 295, inciso VII, do Código de 
Processo Penal, mas a Câmara os Deputados barrou a mudança. Isso é bastante paradigmático em um 
país em que milhares de pobres seguem presos sem julgamento de primeira instância – um escárnio.” 
Dados estatísticos 
“Pesquisa realizada pelo Instituto Data Popular, encomendada pelo Catraca Livre para a campanha 
“Carnaval sem assédio'', apontou que 61% dos homens abordados afirmaram que uma mulher solteira 
que vai pular carnaval não pode reclamar de ser cantada e, para 49% dos mancebos, bloco de carnaval 
não é lugar para mulher “direita”. Além disso, 70% acreditam que as mulheres se sentem felizes quando 
ouvem um assobio e 59% acham que elas ficam felizes quando ouvem uma cantada na rua. 
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Nessa hora, não tem como não sonhar com o meteoro vindo e dando reset nas coisas.” Situações 
fictícias 
“Noite de quarta-feira em Ipanema, bairro carioca de classe média alta. Restaurante da moda, repleto de 
jovens bem-nascidos, sofre o terceiro ‘arrastão’ do mês. Clientes e funcionários são assaltados e 
ameaçados de morte. Eis aqui o cotidiano violento da cidade maravilhosa.’’ 
Argumento de autoridade 
A argumentação de autoridade consiste em apresentar e interpretar a opinião de outros autores. Por que 
fazer isso em nosso texto? É simples essa resposta: com o objetivo de dar maior sustentação às nossas 
ideias e credibilidade ao nosso texto, acessamos reflexões de autoridades no assunto (líderes políticos, 
artistas, filósofos, historiadores) a fim de que as nossas ideias tenham como fundamentação os 
argumentos de especialistas no tema abordado. 
Os argumentos de autoridade podem ser colocados em prática por meio de: 
Citações: é quando citamos, precisamente, a ideia de determinado autor. Nesse caso, as palavras do autor 
devem estar entre aspas. 
“O sociólogo Michel Foucault afirma que 'nada é político, tudo é politizável, tudo pode tornar-se político'. A 
publicidade politiza o que é imprescindível ao consumidor à medida que abarca a função apelativaassociada à linguagem empregada na disseminação da imagem de um produto, persuadindo o público-
alvo a adquiri-lo.” 
Paráfrases: é quando, com as nossas palavras, apresentamos a ideia de outro autor. 
Frase de Karl Marx: “A religião é o ópio do povo.” 
“Marx considera que a religião é uma forma de alienação. Nela verifica-se a fractura entre o mundo 
concreto e um mundo ideal, entre o mundo em que o homem vive e o mundo em que ele desejaria viver. 
Por que razão surge esse mundo ideal? Marx diz que o mundo celeste é o resultado de um protesto da 
criatura oprimida contra o mundo em que vive e sofre. Ou seja, procura-se um refúgio no mundo divino 
porque o mundo em que o homem vive é desumano.” 
Argumento por alusão histórica 
Assim como na argumentação por citação, a intertextualidade é uma das intenções dessa estratégia. Há, 
além disso, a relação com a argumentação por exemplificação, uma vez que fatos históricos também são 
meios que podem comprovar determinada afirmação/reflexão crítica. 
Dessa forma, temos, com a alusão histórica, dois benefícios: possibilidade de comprovar a nossa opinião 
e dar maior credibilidade ao texto, uma vez que ser entendedor da história é demonstrar autoridade no 
assunto recortado. 
O autor, ao fazer uso dessa estratégia argumentativa, estará comparando o passado e o presente e, a 
partir dessa comparação, tecerá sua reflexão crítica em relação ao recorte histórico realizado. Observem: 
“Há exatos 122 anos, era declarada ilegal a propriedade de um ser humano sobre outro no Brasil. 
Contudo, a Lei Áurea – curta, grossa e lacônica – não previu nenhuma forma de inserir milhões de recém-
libertos como cidadãos do país, muitos menos alguma compensação pelos anos de cárcere para que 
pudessem começar uma vida independente. Para substituir os escravos, veio a imigração de mão-de-obra 
estrangeira, agora assalariada. Os fazendeiros não precisavam mais comprar trabalhadores, podiam 
apenas pagar-lhes o mínimo necessário à subsistência. Ou nem isso. 
Enquanto isso, o trabalho escravo moderno deu lugar a formas contemporâneas de escravidão, em que 
trata-se o trabalhador como animal, explora-se sua força física aos limites da exaustão e cria-se maneiras 
de prendê-lo à terra, seja por dívidas ilegais, seja por qualquer outra forma.” 
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DIFERENCIAR AS PARTES PRINCIPAIS DA SECUNDÁRIA EM UM TEXTO 
Conceito de Ideias Secundárias 
Em todo argumento ou raciocínio existem ideias que são principais, ou seja, são os pontos destacados 
desse discurso pessoal. 
Ideias que valorizam determinado ponto de vista. Entretanto, estas ideias principais contam com o reforço 
das ideias secundárias, estas últimas que são muito valiosas e contribuem com aspectos positivos do 
ponto de vista pessoal. 
Saber distinguir a ideia principal das complementares 
Um dos pontos mais importantes na oratória consiste precisamente em saber diferenciar claramente quais 
são os pontos de destaque numa exposição oral e quais são as ideias secundárias para poder contribuir 
com uma estrutura lógica nesta exposição. 
Contribuir com argumentos 
Do mesmo modo, está diferenciação também é essencial ao aplicar uma das técnicas de estudo mais 
habituais na compreensão de um texto: o sublinhado. Ao sublinhar em um texto as ideias destacadas com 
alguma cor chamativa é indispensável grifar apenas as informações que são valiosas. As ideias 
secundárias de um texto são aquelas que trazem informação complementar, ideias derivadas de um 
argumento principal. Atuam como se tratasse de um complemento. 
Existe uma relação de ligação entre a ideia principal e a ideia secundária de um texto, estão relacionadas 
entre si na qual o significado completo de uma ideia secundária pode ser compreendido melhor em relação 
ao ponto de vista principal. Estas ideias têm uma função de reforço na mensagem, como também trazem 
mais justificativas e aspectos concretos à mesma. 
Como identificar a ideia principal do texto 
O uso das ideias secundárias não significa dar rodeios. Existe um ponto importante para diferenciar qual 
é a ideia principal de um texto daquela que é secundária. A ideia principal é aquela que mesmo com a 
diminuição do parágrafo continua tendo o mesmo valor e significado por si só. Em compensação, não 
ocorre o mesmo com o resto das ideias. 
Esta aprendizagem tem grande valor, uma vez que permite melhorar a compreensão da leitura, da 
comunicação oral e a ter melhor domínio da linguagem através da expressão escrita com uma estrutura 
mais coerente. Por outro lado, esta compreensão traz mais eficiência para a comunicação. 
Um texto contém muito mais ideias secundárias do que ideias principais. Os conteúdos das ideias 
secundárias não são os mais importantes, mas sem eles o texto não flui – torna-se pesado. Na verdade, 
não é possível escrever um texto sem as ideias secundárias. 
Para lembrar 
As ideias secundárias funcionam como atores coadjuvantes. Cumprem um papel secundário, mas 
imprescindível. Redigir bem depende muito do domínio que o autor tem dessas ideias. 
Colocadas em excesso, as ideias secundárias dificultam a compreensão do essencial. Mas quando há 
ideias de menos, o texto fica sintético demais, telegráfico. As ideias secundárias são dispensáveis somente 
quando queremos fazer uma síntese ou um resumo do conteúdo. 
No texto seguinte, as ideias principais compõem todo o primeiro parágrafo. O segundo e o terceiro 
parágrafos desenvolvem ideias principais e secundárias ou complementares. 
Esta primeira conferência será dedicada à oposição leveza-peso e argumentarei a favor da leveza. Não 
quer dizer que considero menos válido o argumento do peso, mas apenas que penso ter mais coisas a 
dizer sobre a leveza. →Ideias principais 
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Depois de haver escrito ficção por quarenta anos, de haver explorado vários caminhos e realizado 
experimentos diversos, chegou o momento de buscar uma definição global de meu trabalho. →Ideia 
principal. 
Gostaria de propor o seguinte: no mais das vezes, minha intervenção se traduziu por uma subtração do 
peso; esforcei-me por retirar peso, ora às figuras humanas, ora aos corpos celestes, ora às cidades; 
esforcei-me sobretudo por retirar peso à estrutura da narrativa e à linguagem. Nesta conferência, buscarei 
explicar – tanto para mim quanto para os ouvintes – a razão por que fui levado a considerar a leveza antes 
um valor que defeito; →Ideia principal direi quais são, entre as obras do passado, aquelas em que 
reconheço o meu ideal de leveza; indicarei o lugar que reservo a esse valor no presente e como o projeto 
no futuro. 
(Italo Calvino, Seis propostas para o próximo milênio) 
LINGUAGEM VERBAL E NÃO VERBAL 
Comunicação é o processo de troca de informações entre um emissor e um receptor. Um dos aspectos 
que pode interferir nesse processo é o código a ser utilizado, que deve ser entendível para ambos. 
Quando falamos com alguém, lemos um livro ou revista, estamos utilizando a palavra como código. Esse 
tipo de linguagem é conhecido como linguagem verbal, sendo a palavra escrita ou falada, a forma pela 
qual nos comunicamos. Certamente, essa é a linguagem mais comum no nosso dia a dia. Quando alguém 
escreve um texto, por exemplo, está usando a linguagem verbal, ou seja, está transmitindo informações 
através das palavras. 
A outra forma de comunicação, que não é feita nem por sinais verbais nem pela escrita, é a linguagem não 
verbal. Nesse caso, o código a ser utilizado é a simbologia. A linguagem não verbal também é constituída 
por gestos, tom devoz, postura corporal, etc. Se uma pessoa está dirigindo e vê que o sinal está vermelho, 
o que ela faz? Para. Isso é uma linguagem não verbal, pois ninguém falou ou estava escrito em algo que 
ela deveria parar, mas como ela conhece a simbologia utilizada, apenas o sinal da luz vermelha já é 
suficiente para compreender a mensagem. 
Ao contrário do que alguns pensam, a linguagem não verbal é muito utilizada e importante na vida das 
pessoas. Quando uma mãe diz de forma áspera, gritando e com uma expressão agressiva, que ama o 
filho, será que ele interpretará assim? Provavelmente não. Esse é apenas um exemplo entre muitos, para 
ilustrar a importância da utilização da linguagem não verbal. 
Outra diferença entre os tipos de linguagens é que, enquanto a linguagem verbal é plenamente voluntária, 
a não verbal pode ser uma reação involuntária, provindo do inconsciente de quem se comunica. 
ARGUMENTO DE CAUSA E CONSEQUÊNCIA, COMPARAÇÃO E DEDUÇÃO – SILOGISMO 
HIPOTÉTICO E SILOGISMO DISJUNTIVO 
Argumento de causa e consequência 
• Se uma determinada causa provoca uma determinada consequência, é lógico concluir que causa 
e consequência estão correlacionadas, mas é preciso demonstrar por que razão isso ocorre. 
 
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Assim, é correto afirmar que “falar demais e alto” (A) causa/provoca/tem como consequência a “afonia” 
(B), apresentando a razão que liga A e B: as cordas vocais se cansam. 
• Mais de uma causa pode ser apresentada para uma consequência: “falar alto” (A), “fumar muito” 
(B), “beber demais” (C) podem provocar “afonia” (D). 
A, B e C são causas da consequência D. Nesse caso, a eliminação de uma ou mais causas não garante 
a eliminação da consequência. 
• Quando há várias causas para uma consequência, é necessário selecionar a mais expressiva. A 
violência, como consequência de condições sociais desfavoráveis, tem como causa maior a miséria. 
• Na relação de causa e consequência, os fatos devem estar relacionados e comprovados: se 
alguém fica afônico porque fala demais, é necessário comprovar se “falar demais” foi a causa da afonia, 
ou ainda, se todas as pessoas que falam demais tornamse afônicas. • Várias consequências podem ser 
fruto de uma única causa “maior”: afonia, estafa, cansaço respiratório, comprometimento do coração 
podem ter como causa “fumar demais”. • As causas, geralmente, são complexas, porque podem ser efeitos 
de outras causas/conseqúên cias: um indivíduo fuma demais porque é nervoso; é nervoso porque sofre 
de rejeição; sofre de rejeição porque foi abandonado pelos pais etc. • Não se deve concluir além do que 
a(s) causa(s) su gere(m)/suporta(m), pois o fato de se ter encontrado pelo menos uma causa já demonstra 
capacidade de percepção por parte do enunciador. Argumento de comparação (analogia) • Para se criar 
o argumento por analogia, não é necessário comparar mais de dois termos (duas ideias, duas situações, 
dois indivíduos etc). Basta destacar o que os assemelha. Há inúmeros aspectos que servem de elementos 
comparativos entre o ensino ministrado nas escolas particulares e nas escolas públicas. É preciso eleger 
o mais expressivo. 
• Os termos confrontados na comparação devem partir de premissas verdadeiras. • Analogia que 
elege um modelo, há pessoas que preferem tratamento com a medicina alternativa, portanto tudo que se 
aproxima dessa área é confiável. • Analogia que privilegia um termo em detrimento de outro: cigarros sem 
filtro são mais saborosos que os com filtro. Argumento por dedução • É possível haver um grau de 
incerteza em todos os argumentos, mas, no raciocínio dedutivo bem construído, a verdade contida nas 
premissas nos dá segurança de que as conclusões são verdadeiras. Se as premissas “todos os homens 
são mortais” e “sou homem” são verdadeiras, então também é verdadeira a conclusão de que “sou mortal”. 
Para se discordar desse argumento, é necessário discordar das premissas o que garantiria um atestado 
de loucura a quem ousasse ser discordante, pois se trata de premissas incontestáveis. • Apresentamos 
em seguida dois tipos de silogismo com o quais se pode elaborar um argumento lógico: 
a) Silogismo hipotético 
Premissa: Se a prática de exercícios físicos contribui para uma vida saudável. Premissa: Se a vida 
sedentária não é saudável. Conclusão: Portanto serei mais saudável praticando exercícios físicos. b) 
Silogismo disjuntivo 
Premissa: O jovem ou se entrega ao convívio social para ser aceito, ou se afasta da companhia de todos 
e vive em seu mundo ocluso. Premissa: O jovem não pode se isolar de seu grupo porque corre o risco de 
ser marginalizado. 
Conclusão: Logo o jovem deve entregarse ao convívio social. 
• Argumento dedutivo em várias etapas: “Aquele jovem não olhou para ninguém (A), o seu rosto estava 
abatido e os olhos avermelhados (B); evitou todas as aproximações (C); sua namorada não veio à aula 
(D); quando lhe perguntaram onde ela estava, respondeu que não queria saber (E). Com certeza, ele levou 
um fora (F). As etapas de A a E conduzem à conclusão F. 
RELAÇÕES DISCURSIVAS 
Pode-se prever que as questões sobre essa temática certamente irão versar sobre aspectos relacionados 
à interpretação de texto e à substituição de termos vinculados às expressões originais (sem que haja 
mudança de contexto). 
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Assim, para que o candidato tenha noção dessas relações lógico-discursivas, decidimos separar algumas 
dicas sobre como perceber essas relações e as diferenças entre elas. Antes de mais nada, o candidato 
precisa reparar que as relações discursivas são aquelas que dão sentido ao texto, como em “Lá no fundo 
do rio, vivia Pepita”, em que a frase após a vírgula denota a relação de explicação. 
Causalidade 
A causalidade é aquela que representa o motivo, a causa, pela qual uma ação aconteceu. A principal 
conjunção utilizada é o ‘porque’, entretanto, no próprio texto pode não haver uma conjunção e aí será 
necessário compreender o sentido de causa e efeito por si só, conforme o contexto. Exemplo: 
"Porque/como/visto que estava doente, fui na farmácia". 
Consequência 
A consequência é o efeito que é declarado na oração principal. Geralmente, utiliza-se apenas a 
conjunção ‘que’ para exprimir essa relação, como em: "Estava com tanta sede que bebi muitos litros de 
água". Condição 
As relações condicionais são aquelas que expressam uma imposição para que algo aconteça. É 
necessário impor para que seja realizado ou não. A conjunção mais conhecida da condição é a partícula 
‘se’, que já indica a probabilidade. Exemplo: "Se todo mundo concordar, libero a festa". 
Concessão 
Para o concurseiro não esquecer jamais o que indica concessão, tenha em mente a palavra contraste, 
porque é esse tipo de simbologia que essa relação lógica-discursiva oferece. É na concessão que 
acontece contradição, por exemplo, nesta frase: "Eu irei, mesmo que ela não vá". 
Comparação 
Para essa relação, utiliza-se muito a conjunção ‘como’, para estabelecer uma comparação entre os 
elementos e pelas ações que serão proferidas na oração principal. Olhe um exemplo: "Ele come como um 
leão". Mesmo que haja uma metáfora inserida, a comparação ainda existe metaforicamente, indicando o 
quanto a pessoa se alimenta bem, por exemplo. 
Conformidade 
A conformidade é aquela relação em que só poderá realizar um fato se seguir uma regra, uma norma, 
conforme como se pede. Pode-se utilizar “Segundo”, “De acordo”, “Conforme”. Exemplo: "Conforme foi 
dito, realizei a tarefa". 
Temporalidade 
É no tempo que conseguimos exprimir as noções de posterioridadee anterioridade, além de 
simultaneidade. É o fato que pode expressar essa causa de tempo, que geralmente está acompanhado 
pela expressão ‘quando’. Por exemplo: "Sempre que acontece isso, você fica assim" (expressa a condição 
do tempo, do que aconteceu). 
Finalidade 
A finalidade é aquilo que você responde: qual o objetivo da ação? A onde você quer chegar? Através da 
construção ‘a fim de que’, ‘para que’, você consegue exprimir essa relação lógica-discursiva, como 
acontece no período a seguir: "Fui viajar, para que pudesse esquecer de você". 
RECONHECER O EFEITO DE SENTIDO DECORRENTE DO USO DA PONTUAÇÃO E DE OUTROS 
RECURSOS GRÁFICOS 
Leia o texto abaixo: 
Sobre a liberdade 
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[...] Quando falo de liberdade, é a isso que estou me referindo: ao que nos diferencia das térmitas e das 
marés, de tudo o que se move de modo necessário e inevitável. É certo que não podemos fazer qualquer 
coisa que queiramos, mas também é certo que não somos obrigados a querer fazer uma única coisa. Aqui 
convém fazer dois esclarecimentos a respeito da liberdade: 
Primeiro: Não somos livres para escolher o que nos acontece (termos nascido num determinado dia. de 
determinados pais, num determinado país, [...] mas livres para responder ao que nos acontece de um ou 
outro modo (obedecer ou nos rebelar, ser prudentes ou temerários, (...) 
Segundo: Sermos livres para tentar algo não significa consegui-lo infalivelmente. A liberdade (que consiste 
em escolher dentro do possível) não é o mesmo que a onipotência (que seria conseguir sempre o que se 
quer, mesmo parecendo impossível). Por isso, quanto maior for nossa capacidade de ação, melhores 
resultados poderemos obter de nossa liberdade. [...) Há coisas que dependem da minha vontade (e isso 
é ser livre), mas nem tudo depende de minha vontade (senão eu seria onipotente), pois no mundo há 
muitas outras vontades e muitas outras necessidades que não controlo conforme meu gosto. Se eu não 
conhecer a mim mesmo e ao mundo em que vivo. minha liberdade às vezes irá esbarrar com o necessário. 
Mas - isso é importante - nem por isso deixarei de ser livre... mesmo que me queime. 
SAVATER. Fernando. Ética para meu filho. São Paulo: Martos Pontes. 1993. p. 28, 29. (P090690EX_SUP) 
(P090693EX) No trecho "... a respeito da liberdade:" (linha 5), o uso dos dois pontos introduz uma 
a) enumeração de questões envolvendo a liberdade. 
b) explicação sobre problemas da liberdade. 
c) opinião sobre como exercer a liberdade. 
d) síntese das vantagens da liberdade. 
GABARITO - A 
Este item avalia a habilidade de identificar o efeito de sentido decorrente da escolha de um sinal de 
pontuação. O suporte é um fragmento de uma obra literária, gênero familiar a alunos desse nível de 
escolarização no ambiente escolar. 
A temática e a linguagem do texto podem ser obstáculos à compreensão. Há várias interrupções e 
comentários no interior do texto que podem dificultar a leitura. 
O comando solicita que o aluno escolha, entre as alternativas de resposta, aquela que justifica o uso dos 
dois-pontos no fragmento selecionado. 
O aluno que atentou para a sequência textual optou pela letra A, o gabarito. 
O estudante que optou pela letra B pode ter se confundido entre enumeração e explicação. 
O aluno que optou pela letra C pode ter presumido que o autor iria expor suas opiniões e aquele que optou 
pela letra D considerou apenas o lado positivo da liberdade. 
A IRONIA E O HUMOR 
Muitas vezes, as falas e os textos não devem ser interpretados ao pé da letra. 
A função crítica da ironia 
É frequente encontrarmos ironia em diferentes textos com os quais entramos em contato diariamente. Para 
o desenvolvimento da nossa competência de bons leitores, é essencial que saibamos identificar a 
ocorrência da ironia nos textos, pois somente assim seremos capazes de dar a esses textos a interpretação 
pretendida pelo seu autor. 
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O cartum é um gênero textual que tem como uma de suas características promover uma reflexão crítica 
sobre situações políticas, econômicas e sociais da atualidade. 
Espera-se que, em uma sociedade democrática, todos os cidadãos tenham direitos e deveres iguais. No 
cartum, observa-se uma família de brasileiros pobres barrada à porta do Clube Brasil por não serem 
“sócios”. 
É irônico que brasileiros pobres, vivendo em um país supostamente democrático, não possam participar 
da “festa”. Esse termo, usado também em sentido irônico, leva a concluir que apenas os privilegiados (os 
“sócios”) têm direito, em uma sociedade com grande desigualdade social, de fazer parte do “clube da 
democracia” a que, constitucionalmente, todos deveriam ter acesso. O cartunista, por meio da ironia, 
denuncia a existência no Brasil de diferentes “categorias” de cidadãos. 
A ironia como recurso literário 
A ironia é um recurso muito utilizado por autores de textos literários. Em alguns casos, ela chega a definir 
um estilo. É o que acontece com Machado de Assis. Nos seus romances, o grande escritor brasileiro dirige 
um olhar claramente irônico para a sociedade do Segundo Reinado.Veja um exemplo: 
“Óbito do autor” 
Na cena, Brás Cubas narra seu próprio enterro. Quando fala dos poucos amigos que acompanharam a 
cerimônia, destaca um dos “fiéis da última hora” que chegou a comparar o estado da natureza à tristeza 
provocada pela morte de Brás. O comentário final do narrador revela a força da sua ironia e desnuda os 
interesses do amigo “fiel”: “Não, não me arrependo das vinte apólices que lhe deixei”. Essa observação 
obriga o leitor a reavaliar os motivos que levaram esse “amigo” a fazer um discurso emocionado. Na 
verdade, era alguém movido somente por interesses financeiros (iria herdar algumas apólices) e não por 
um sentimento sincero. 
Em todas as obras de Machado de Assis são inúmeros os exemplos de observações como essa, o que 
faz com que a ironia seja uma das características definidoras do seu estilo literário. 
Humor 
 
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1. Considerando as falas das personagens no primeiro quadrinho, explique por que Hagar imagina que o 
homem com quem conversa seria “sentimental”. 
2. A resposta dada pelo homem à pergunta de Hagar é a esperada? Justifique. 
3. Qual pode ter sido a intenção do autor da tira ao mudar o foco do diálogo? Explique. 
Uma das características que distinguem os seres humanos das demais espécies é a capacidade de rir e 
de provocar o riso. 
Muitas vezes relacionado a um uso específico da linguagem, esse comportamento manifesta-se em 
diferentes circunstâncias. Rimos de situações que parecem absurdas, cômicas, inesperadas, 
surpreendentes (como o diálogo da tira acima). 
O discurso humorístico 
Certamente você já ouviu e já contou piadas. Mas já parou para analisá-las? Já se perguntou o que, nesse 
gênero textual, desencadeia o riso? Veremos, a seguir, que a raiz de humor das piadas liga-se a duas 
situações: ao que é tematizado ou ao modo como a linguagem é utilizada: 
O presente 
A mãe de Juca estava grávida e perguntou a ele o que preferia ganhar: um irmãozinho ou uma irmãzinha. 
Juca respondeu: 
— Mamãe, se não for pedir muito eu preferiria uma bicicleta. 
Na piada acima, o riso nasce da resposta inesperada dada pelo filho a uma pergunta da mãe. Tratase, 
portanto, de um humor gerado pela questão tematizada: a reação de filhos à notícia de que“ganharão” 
um irmão ou uma irmã de “presente”. 
Riso e linguagem 
Duplo sentido, interpretação literal de algo que precisa ser entendido em sentido figurado, representações 
estereotipadas de variedades linguísticas estigmatizadas são recursos associados à linguagem presentes 
em muitas piadas. Observe: 
Haja coração! 
A professora pergunta: 
— Quantos corações nós temos? 
O aluno: 
— Temos dois, professora! 
— Dois? 
— Sim: o meu e o seu! 
A graça desse texto está na interpretação que o aluno faz do pronome nós utilizado pela professora. Em 
situações como essa, geralmente o pronome deve ser entendido como fazendo referência à raça humana. 
O aluno faz uma interpretação mais específica e entende que o pronome se refere a duas pessoas: ele e 
a professora. 
Cuidado com o preconceito: 
Verbos 
A professora pergunta para a Mariazinha: 
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— Mariazinha, me dê um exemplo de verbo. 
— Bicicreta! — respondeu a menina. 
— Não se diz “bicicreta”, e sim “bicicleta”. Além disso, bicicleta não é verbo. Pedro, me diga você um 
verbo. 
— Prástico! — disse o garoto. 
— É “plástico”, não “prástico”. E também não é verbo. Laura, é sua vez: me dê um exemplo correto de 
verbo — pediu a professora. 
— Hospedar! — respondeu Laura. 
— Muito bem! — disse a professora. Agora, forme uma frase com este verbo. 
— Os pedar da bicicreta é de prástico! 
Várias piadas trabalham com o estereótipo da fala “caipira” para provocar o riso. Mas, não se deve recorrer 
ao modo como as pessoas falam para justificar qualquer tipo de discriminação ou preconceito. Mesmo que 
a brincadeira com a interpretação equivocada de Os pedar, na piada, provoque o riso, é preciso reconhecer 
que o texto faz uma caracterização estereotipada e preconceituosa dos alunos que são falantes de 
variedades de português diferentes da chamada norma culta. 
A PONTUAÇÃO E OS EFEITOS DE SENTIDO 
A pontuação só interfere nos aspectos sintáticos do texto? Seguramente, não. Ela pode influenciar também 
nos aspectos semânticos, ou seja, na significação. 
Ensinar pontuação é sempre um desafio, porque muitas vezes os alunos decoram os sinais, mas não se 
preocupam em entender a intencionalidade discursiva que há por trás de cada um. Então, é muito 
importante que os profissionais que trabalham com a língua portuguesa mostrem não só os aspectos 
sintáticos que a envolvem, mas também o semântico. A proposta de aula abaixo pretende aliar esses dois 
aspectos. 
Todos sabem o gosto que os adolescentes têm por desafios, por isso o objetivo é ensinar sobre pontuação 
usando exercícios desafiadores e que demostrem, na prática, a importância da pontuação para o sentido 
do texto. Apresentaremos um exemplo, mas há muitos outros que podem ser utilizados em sala com êxito. 
Antes de iniciar o desafio seria interessante que houvesse uma revisão sobre a pontuação. Destaque, 
principalmente, aqueles sinais de pontuação que em geral os alunos apresentam mais dificuldade, como 
a vírgula, por exemplo. Além disso, procure revisar a função das aspas no texto, pois é comum restringir 
seu uso à indicação de citação, mas poucos a associam ao diálogo. O importante é que a revisão seja 
rápida para dar tempo para os alunos “brincarem” com os exercícios. 
O objetivo do exercício, como dito anteriormente, é levar o aluno a entender a importância da pontuação 
para a construção de sentido do texto, e o enunciado a ser utilizado como desafio é: Felipe toma banho e 
sua mãe diz ele quero banho frio. 
Peça que pontuem da forma que acharem melhor, sempre buscando dar sentido à frase. (Separe uns 5 
minutos para essa atividade.) 
É provável que fiquem irritados, dizendo que a frase não faz sentido. Neste momento é interessante 
começar a facilitar um pouco; para isso, diga-lhes que podem usar duas vezes a vírgula e duas vezes o 
ponto final. Dê mais um tempinho para que possam praticar. (Aproximadamente 10 minutos.) A essa altura, 
muitos estarão próximos de decifrar o “enigma” e outros estarão aflitos pela resposta correta. Chegou a 
hora de dizer-lhes que trata-se de um diálogo, portanto, as aspas devem aparecer para marcar a fala das 
personagens. Indique que as aspas também apareceram duas vezes. (Dê mais uns minutos) 
Agora consiga a atenção dos alunos para o quadro e responda o “enigma”, que ficará assim:. Felipe 
toma banho e sua. “Mãe”, diz ele, “quero banho frio”. 
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Após a resolução do desafio, enfatize a importância da pontuação para que o texto faça sentido. Se 
quiser, é possível também ampliar a proposta fazendo uma revisão sobre o vocativo. 
VARIAÇÃO LINGUÍSTICA – A LÍNGUA EM MOVIMENTO 
A variação linguística é um interessante aspecto da língua portuguesa. Pode ser compreendida por meio 
das influências históricas e regionais sobre os falares. 
A variação linguística é um fenômeno que acontece com a língua e pode ser compreendida por intermédio 
das variações históricas e regionais. Em um mesmo país, com um único idioma oficial, a língua pode sofrer 
diversas alterações feitas por seus falantes. Como não é um sistema fechado e imutável, a língua 
portuguesa ganha diferentes nuances. O português que é falado no Nordeste do Brasil pode ser diferente 
do português falado no Sul do país. Claro que um idioma nos une, mas as variações podem ser 
consideráveis e justificadas de acordo com a comunidade na qual se manifesta. 
As variações acontecem porque o princípio fundamental da língua é a comunicação, então é 
compreensível que seus falantes façam rearranjos de acordo com suas necessidades comunicativas. Os 
diferentes falares devem ser considerados como variações, e não como erros. Quando tratamos as 
variações como erro, incorremos no preconceito linguístico que associa, erroneamente, a língua ao status. 
O português falado em algumas cidades do interior do estado de São Paulo, por exemplo, pode ganhar o 
estigma pejorativo de incorreto ou inculto, mas, na verdade, essas diferenças enriquecem esse patrimônio 
cultural que é a nossa língua portuguesa. Leia a letra da música “Samba do Arnesto”, de Adoniran Barbosa, 
e observe como a variação linguística pode ocorrer: 
Samba do Arnesto 
O Arnesto nos convidou pra um samba, ele mora no Brás 
Nós fumos não encontremos ninguém 
Nós voltermos com uma baita de uma reiva 
Da outra vez nós num vai mais Nós não 
semos tatu! 
No outro dia encontremo com o Arnesto 
Que pediu desculpas mais nós não aceitemos 
Isso não se faz, Arnesto, nós não se importa 
Mas você devia ter ponhado um recado na porta 
Um recado assim ói: "Ói, turma, num deu pra esperá Aduvido que 
isso, num faz mar, num tem importância, Assinado em cruz 
porque não sei escrever. 
Samba do Arnesto, Adoniran Barbosa 
Há, na letra da música, um exemplo interessante sobre a variação linguística. É importante ressaltar que 
o código escrito, ou seja, a língua sistematizada e convencionalizada na gramática, não deve sofrer 
grandes alterações, devendo ser preservado. Já imaginou se cada um de nós decidisse escrever como 
falamos? Um novo idioma seria inventado, aboliríamos a gramática e todo o sistema linguístico 
determinado pelas regras cairia por terra. Contudo, o que o compositor Adoniran Barbosa fez pode ser 
chamado de licença poética, pois ele transportou para a modalidade escrita a variação linguística presente 
na modalidade oral. 
As variações linguísticas acontecem porque vivemos em uma sociedade complexa, na qual estão inseridos 
diferentes grupos sociais. Alguns desses grupos tiveram acesso à educação formal, enquantooutros não 
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tiveram muito contato com a norma culta da língua. Podemos observar também que a língua varia de 
acordo com suas situações de uso, pois um mesmo grupo social pode se comunicar de maneira diferente, 
de acordo com a necessidade de adequação linguística. Prova disso é que você não vai se comportar em 
uma entrevista de emprego da mesma maneira com a qual você conversa com seus amigos em uma 
situação informal, não é mesmo? 
 
A tirinha Calvin e Haroldo, do quadrinista Bill Watterson, mostra-nos um exemplo bem divertido sobre a 
importância da adequação linguística. Já pensou se precisássemos utilizar uma linguagem tão rebuscada 
e cheia de arcaísmos nas mais corriqueiras situações de nosso cotidiano? Certamente perderíamos a 
espontaneidade da fala, sem contar que a dinamicidade da comunicação seria prejudicada. Podemos 
elencar também nos tipos de variação linguística os falares específicos para grupos específicos: os 
médicos apropriam-se de um vocabulário próprio de sua profissão quando estão exercendo o ofício, mas 
essas marcas podem aparecer em outros tipos de interações verbais. O mesmo acontece com os 
profissionais de informática, policiais, engenheiros etc. 
Portanto, apesar de algumas variações linguísticas não apresentarem o mesmo prestígio social no Brasil, 
não devemos fazer da língua um mecanismo de segregação cultural, corroborando com a ideia da teoria 
do preconceito linguístico, ao julgarmos determinada manifestação linguística superior a outra, sobretudo 
superior às manifestações linguísticas de classes sociais ou regiões menos favorecidas. 
MARCAS LINGUÍSTICAS 
São os termos (as palavras) que fazem parte dos enunciados e que, obviamente, fazem parte da língua. 
Exemplo: 
«Este vai ser o meu próximo empreendimento: "sombra e água fresca".» 
No enunciado acima, temos muitas marcas: não somente as palavras como também as pontuações são 
marcas linguísticas. Por exemplo, as aspas acima representam um rótulo humorístico, uma chamada 
especial; os dois pontos indicam que, em seguida, vem uma explicação. A marca linguística 'este' aponta 
para alguma coisa que vai ser mostrada; a marca linguística 'vai' remete para uma afirmativa futura, e 
assim por diante. Todas as palavras e pontuações são marcas da língua, portanto - "linguísticas". 
LOCUTOR OU INTERLOCUTOR 
Estas duas palavras existem na língua portuguesa e estão corretas. Porém, seus significados são 
diferentes e devem ser usadas em situações diferentes. A palavra locutor se refere a uma pessoa falante, 
podendo ser qualquer emissor ou apresentador e a palavra interlocutor se refere a um colocutor, ou seja, 
a qualquer pessoa que fala com outra. 
Locutor é um substantivo masculino com origem na palavra em latim locutore, que significa aquele que 
fala. Locutore tem sua origem na palavra loqui, que significa falar. Assim, se refere a uma pessoa que fala, 
ou seja, um falante, um emissor, um enunciador ou um destinador. Pode significar também um profissional 
que apresenta programas, notícias, comunicações,…, ou seja, um apresentador, comentador, 
comentarista ou narrador. 
Exemplos: 
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Num processo de comunicação, o locutor assume o papel de emissor. 
Ele é locutor de rádio e tem a voz mais bonita que eu já ouvi. 
Ele é o melhor locutor de rodeio da atualidade. 
Interlocutor é também um substantivo masculino, sendo formado a partir de derivação prefixal, ou seja, é 
acrescentado um prefixo a uma palavra já existente, alterando o sentido da mesma. Assim, temos o prefixo 
inter- mais a palavra em latim locutore, proveniente de loqui. O prefixo inter- é de origem latina e pode 
transmitir uma noção de posição média ou de relação recíproca. Assim, indica a relação de reciprocidade 
existente entre cada uma das pessoas que participam numa conversa. Pode significar também uma 
pessoa que que fala em nome de outra. 
Exemplos: 
Os interlocutores participam no processo de comunicação. 
Estava tão distraído que mal ouvia as palavras de seu interlocutor. 
Por favor, faça de meu interlocutor e resolva esse assunto para mim. 
DIALETOS E REGISTROS 
Os diferentes dialetos e registros comprovam que a língua portuguesa é um elemento dinâmico que sofre 
modificações históricas, culturais e sociais. 
A língua portuguesa é o código mais utilizado entre os brasileiros. Poderoso instrumento de interação 
social, a língua pertence a todos os membros de uma comunidade, o que faz dela um patrimônio social e 
cultural que evolui e transforma-se historicamente. Pensar na língua como um elemento imutável é um 
grande equívoco: a língua é dinâmica e modifica-se de acordo com a necessidade dos grupos sociais que 
dela fazem uso. 
As variedades linguísticas corroboram a ideia de dinamismo da língua: de acordo com as condições 
sociais, culturais, regionais e históricas, a língua sofre variações que melhor se adaptam às necessidades 
de determinado grupo. Entre os tipos de variações linguísticas estão os dialetos e registros, fenômenos 
que comprovam na prática que não existe um modelo linguístico a ser seguido na modalidade oral. Mas o 
que são dialetos e registros? 
É chamada de dialeto a variedade de uma língua própria de uma região ou território. Devem ser 
consideradas também as diferenças linguísticas originadas em virtude da idade dos falantes, sexo, classes 
ou grupos sociais e da própria evolução histórica da língua: pessoas que se identificam e utilizam uma 
linguagem mais ou menos comum, com vocabulário, expressões e gírias próprias do grupo. As diferenças 
regionais, no que diz respeito ao vocabulário, são exemplos de variação territorial. É caso, por exemplo, 
da raiz que em determinadas regiões é conhecida como “mandioca”, mas que em outras áreas recebe o 
nome de “aipim” ou “macaxeira”. Observe o exemplo: 
“A farinha é feita de uma planta da família das euforbiáceas, 
euforbiáceas de nome manihot utilíssima que um tio meu apelidou de 
macaxeira e foi aí que todo mundo achou melhor!... A farinha tá no 
sangue do nordestino eu já sei desde menino o que ela pode dar e 
tem da grossa, tem da fina se não tem da quebradinha vou na vizinha 
pegar pra fazer pirão ou mingau farinha com feijão é animal! O cabra 
que não tem eira nem beira lá no fundo do quintal tem um pé de 
macaxeira a macaxeira é popular é macaxeira pr`ali, macaxeira pra 
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cá e em tudo que é farinhada a macaxeira tá você não sabe o que é 
farinha boa 
farinha é a que a mãe me manda lá de Alagoas...”. (Farinha - 
Djavan) 
Chamamos de registros as variações que ocorrem de acordo com o grau de formalismo existente em uma 
determinada situação: há situações em que a variedade padrão, ou norma culta, é a melhor opção, aquela 
que estabelecerá uma maior sintonia entre os interlocutores. Nas entrevistas de emprego, em redações 
para concursos e vestibulares e em exposições públicas, por exemplo, a variedade linguística exigida, na 
maioria das vezes, é a padrão, por isso é indispensável conhecê-la bem para adequarmos a comunicação 
de acordo com a pertinência do momento. Em contrapartida, há situações de uso em que a variedade não 
padrão (gírias, regionalismos, jargões) é aquela que melhor se encaixa no contexto comunicacional. 
 
Os diferentes dialetos e registros comprovam que a língua é um conjunto de variedades, ou seja, há 
diversasmaneiras de falar ou escrever. Em relação à fala, jugar que existe o certo e o errado significa 
desconsiderar e desprestigiar determinado dialeto ou registro, manifestações culturais, sociais e históricas 
legítimas de um grupo. Quando entendemos que as línguas são conjuntos de variedades, entendemos 
também que as regras da língua portuguesa são variáveis, e não categóricas. Dizer que alguém fala o 
português melhor ou pior do que alguém, desconsiderando fatores sociais como o nível de escolaridade 
ou grupo e classes diferentes, só reforça a combatida ideia do preconceito linguístico, tão presente em 
nossa cultura. 
Semântica Semântica (do grego σημαντικός, sēmantiká, plural neutro de sēmantikós, derivado de sema, 
sinal), é o estudo do significado. Incide sobre a relação entre significantes, tais como palavras, frases, 
sinais e símbolos, e o que eles representam, a sua denotação. 
A semântica linguística estuda o significado usado por seres humanos para se expressar através da 
linguagem. Outras formas de semântica incluem a semântica nas linguagens de programação, lógica 
formal, e semiótica. 
A semântica contrapõe-se com frequência à sintaxe, caso em que a primeira se ocupa do que algo 
significa, enquanto a segunda se debruça sobre as estruturas ou padrões formais do modo como esse 
algo é expresso (por exemplo, as relações entre predicados e seus argumentos). Dependendo da 
concepção de significado que se tenha, têm-se diferentes semânticas. A semântica formal, a semântica 
da enunciação ou argumentativa e a semântica cognitiva, descrevem o mesmo fenômeno, mas com 
conceitos e enfoques diferentes. 
Na língua portuguesa, o significado das palavras leva em consideração: 
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Sinonímia: É a relação que se estabelece entre duas palavras ou mais que apresentam significados iguais 
ou semelhantes, ou seja, os sinônimos. Exemplos: Cômico - engraçado / Débil - fraco, frágil / Distante - 
afastado, remoto. 
Antonímia: É a relação que se estabelece entre duas palavras ou mais que apresentam significados 
diferentes, contrários, isto é, os antônimos: Exemplos. Economizar - gastar / Bem - mal / Bom - ruim. 
Homonímia: É a relação entre duas ou mais palavras que, apesar de possuírem significados diferentes, 
possuem a mesma estrutura fonológica, ou seja, os homônimos. 
As homônimas podem ser: 
• Homógrafas: palavras iguais na escrita e diferentes na pronúncia. Exemplos: gosto (substantivo) - gosto 
/ (1ª pessoa singular presente indicativo do verbo gostar) / concerto (substantivo) - conserto (1ª pessoa 
singular presente indicativo do verbo consertar); 
• Homófonas: palavras iguais na pronúncia e diferentes na escrita. Exemplos: cela (substantivo) - sela 
(verbo) / cessão (substantivo) - sessão (substantivo) / cerrar (verbo) - serrar ( verbo); 
• Perfeitas: palavras iguais na pronúncia e na escrita. Exemplos: cura (verbo) - cura (substantivo) / verão 
(verbo) - verão (substantivo) / cedo (verbo) - cedo (advérbio); 
• Paronímia: É a relação que se estabelece entre duas ou mais palavras que possuem significados 
diferentes, mas são muito parecidas na pronúncia e na escrita, isto é, os parônimos: Exemplos: cavaleiro 
- cavalheiro / absolver - absorver / comprimento - cumprimento/ aura (atmosfera) - áurea (dourada)/ 
conjectura (suposição) - conjuntura (situação decorrente dos acontecimentos)/ descriminar 
(desculpabilizar) - discriminar (diferenciar)/ desfolhar (tirar ou perder as folhas) - folhear (passar as folhas 
de uma publicação)/ despercebido (não notado) - desapercebido (desacautelado)/ geminada (duplicada) 
- germinada (que germinou)/ mugir (soltar mugidos) - mungir (ordenhar)/ percursor (que percorre) - 
precursor (que antecipa os outros)/ sobrescrever (endereçar) - subscrever (aprovar, assinar)/ veicular 
(transmitir) - vincular (ligar) / descrição - discrição / onicolor - unicolor. 
• Polissemia: É a propriedade que uma mesma palavra tem de apresentar vários significados. Exemplos: 
Ele ocupa um alto posto na empresa. / Abasteci meu carro no posto da esquina. / Os convites eram de 
graça. / Os fiéis agradecem a graça recebida. 
• Homonímia: Identidade fonética entre formas de significados e origem completamente distintos. 
Exemplos: São(Presente do verbo ser) - São (santo) 
• Hiperônimo: é uma palavra que pertence ao mesmo campo semântico de outra mas com o sentido mais 
abrangente, podendo ter várias possibilidades para um único hipônimo. 
Por exemplo, a palavra flor está associada a todos os tipos de flores: rosa, dália, violeta, etc. 
• Hipônimo: têm sentido mais restrito que os hiperônimos, ou seja, hipônimo é um vocábulo mais 
específico. Por exemplo: Observar, examinar, olhar, enxergar são hipônimos de ver. 
Hiperônimo e hipônimo são dois termos usados pela semântica moderna. São elementos importantes na 
coesão do texto evitando repetições através da retomada de ideias anteriores. 
Conotação e Denotação: 
• Conotação: é o uso da palavra com um significado diferente do original, criado pelo contexto. Exemplos: 
Você tem um coração de pedra. 
• Denotação: é o uso da palavra com o seu sentido original. Exemplos: Pedra é um corpo duro e sólido, 
da natureza das rochas. A construção de um muro de pedras. 
Concordância Nominal e Verbal 
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Concordância verbalé a concordância em número e pessoa entre o sujeito gramatical e o verbo. 
Exemplos de concordância verbal 
• Eu li; 
• Ele leu; 
• Nós lemos; • Eles leram. 
Casos Particulares de Concordância Verbal 
Concordância com pronome relativo que 
O verbo estabelece concordância com o antecedente do pronome: sou eu que quero, somos nós que 
queremos, são eles que querem. 
Concordância com pronome relativo quem 
O verbo estabelece concordância com o antecedente do pronome ou fica na 3.ª pessoa do singular: sou 
eu quem quero, sou eu quem quer. 
Concordância com: a maioria, a maior parte, a metade,... 
Preferencialmente, o verbo estabelece concordância com a 3.ª pessoa do singular. Contudo, o uso da 3.ª 
pessoa do plural é igualmente aceitável: a maioria das pessoas quer, a maioria das pessoas querem. 
Concordância com um dos que 
O verbo estabelece sempre concordância com a 3.ª pessoa do plural: um dos que ouviram, um dos que 
estudarão, um dos que sabem. 
Concordância com nem um nem outro 
O verbo pode estabelecer concordância com a 3.ª pessoa do singular ou do plural: nem um nem outro 
veio, nem um nem outro vieram. 
Concordância com verbos impessoais 
O verbo estabelece sempre concordância com a 3.ª pessoa do singular, uma vez que não possui um 
sujeito: havia pessoas, houve problemas, faz dois dias, já amanheceu. 
Concordância com a partícula apassivadora se 
O verbo estabelece concordância com o objeto direto, que assume a função de sujeito paciente, 
podendo ficar no singular ou no plural: vende-se casa, vendem-se casas. 
Concordância com a partícula de indeterminação do sujeito se 
O verbo estabelece sempre concordância com a 3.ª pessoa do singular quando a frase é formada por 
verbos intransitivos ou por verbos transitivos indiretos: precisa-se de funcionário, precisa-se de 
funcionários. 
Concordância com o infinitivo pessoal 
O verbo no infinitivo sofre flexão sempre que houver um sujeito definido, quando se quiser definir o sujeito, 
quando o sujeito da segunda oração for diferente do da primeira: é para eles lerem, acho necessário 
comprarmos comida, eu vi eles chegarem tarde. 
Concordância com o infinitivo impessoal 
O verbo no infinitivo não sofre flexão quando não houver um sujeito definido,quando o sujeito da segunda 
oração for igual ao da primeira oração, em locuções verbais, com verbos preposicionados e com verbos 
imperativos: eles querem comprar, passamos para ver você, eles estão a ouvir. 
Concordância com o verbo ser 
O verbo estabelece concordância com o predicativo do sujeito, podendo ficar no singular ou no plural: isto 
é uma mentira, isto são mentiras; quem é você, quem são vocês. 
Concordância nominal é a concordância em gênero e número entre os diversos nomes da oração, 
ocorrendo principalmente entre o artigo, o substantivo e o adjetivo. 
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Concordância em gênero indica a flexão em masculino e feminino. Concordância em 
número indica a flexão em singular e plural. 
Concordância em pessoa indica a flexão em 1.ª, 2.ª ou 3.ª pessoa. 
Exemplos de concordância nominal 
• O vizinho novo; 
• A vizinha nova; • Os vizinhos novos; 
• As vizinhas novas. 
Casos particulares de concordância nominal 
Concordância com pronomes pessoais 
O adjetivo estabelece concordância em gênero e número com o pronome pessoal: ela é simpática, ele é 
simpático, elas são simpáticas, eles são simpáticos. 
Concordância com vários substantivos 
O adjetivo estabelece concordância em gênero e número com o substantivo que está mais próximo: 
caderno e caneta nova, caneta e caderno novo. Pode também estabelecer concordância com a forma no 
masculino plural: caneta e caderno novos, caderno e caneta novos. 
Concordância com vários adjetivos 
Quando há dois ou mais adjetivos no singular, o substantivo permanece no singular apenas se houver um 
artigo entre os adjetivos. Sem a presença de um artigo, o substantivo deverá ser escrito no plural: o escritor 
brasileiro e o chileno, os escritores brasileiro e chileno. 
Concordância com: é proibido, é permitido, é preciso, é necessário, é bom 
Estas expressões estabelecem concordância em gênero e número com o substantivo quando há um artigo 
que determina o substantivo, mas permanecem invariáveis no masculino singular quando não há artigo: é 
permitida a entrada, é permitido entrada, é proibida a venda, é proibido venda. 
Concordância com: bastante, muito, pouco, meio, longe, caro e barato 
Estas palavras estabelecem concordância em gênero e número com o substantivo quando possuem 
função de adjetivo: comi meio chocolate, comi meia maçã, há bastante procura, há bastantes pedidos, vi 
muitas crianças, vi muitos adultos. 
Concordância com menos 
A palavra menos permanece sempre invariável, quer atue como advérbio ou como adjetivo: menos tristeza, 
menos medo, menos traições, menos pedidos. 
Concordância com: mesmo, próprio, anexo, obrigado, quite, incluso 
Estas palavras estabelecem concordância em gênero e número com o substantivo: resultados anexos, 
informações anexas, as próprias pessoas, o próprio síndico, ele mesmo, elas mesmas. 
Concordância com um e outro 
Com a expressão um e outro, o adjetivo deverá ser sempre escrito no plural, mesmo que o substantivo 
esteja no singular: um e outro aluno estudiosos, uma e outra pergunta respondidas. 
Regência 
No funcionamento da língua, um importante mecanismo estabelecedor de relações é o de subordinação 
ou regência, que atua desde a estrutura dum morfema até a relação complexa entre orações num período 
composto, ou mesmo além, na própria malha textual. 
Assim, um prefixo ou sufixo se subordine ao radical a que se adiciona. Por exemplo, sabemos que o sufixo 
–oso, formador de adjetivos, indica abundância, plenitude e ideias afins, só totalmente explicitadas quando 
anexo a um radical; daí gostoso, perigoso, medroso e tantos outros exemplos. 
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De modo similar, podemos pensar, em nível da oração, o sujeito como termo que subordina a forma verbal, 
essa, por sua vez, regente/subordinante de complementos verbais, quando se tratar de verbos transitivos, 
claro. 
Mesmo em níveis mais amplos, poderíamos, facilmente, observar e comprovar que um dado parágrafo de 
um texto argumentativo, por exemplo, subordina-se ao conjunto desse texto e seus objetivos gerais. 
Subordinar é reger. Em contrapartida, há os termos regidos e subordinados. Nomes e verbos, 
frequentemente, estabelecem uma relação de regência sobre seus complementos, respectivamente, 
nominais e verbais (esses últimos, mais comumente, chamados objetos). Vejamos isso mais claramente. 
 
 
No exemplo temos um termo regente, o verbo gostar. Consequentemente, há um termo regido, no caso, 
um objeto, cinema italiano. Esse objeto é dito indireto pois necessita de uma preposição para ser regido 
pelo verbo em questão. 
O estudo dos processos de regências, habitualmente, diz respeito à análise das situações em que 
nomes e verbos pedem ou não determinada preposição para desempenhar sua função regente sobre 
seus complementos. 
No exemplo acima, o verbo apresenta o mesmo padrão de regência tanto em linguagem corrente quanto 
no uso culto da língua. Contudo, muitos são os exemplos que destoam disso, havendo um padrão de 
regência, usualmente, divergente do praticado em linguagem espontânea. 
Um caso recorrente é o do verbo assistir, indicado, em linguagem padrão, como regente da preposição 
a. Então, teríamos, Assistimos ao jogo de vôlei ontem. Ocorre que, como dito, essa regência, bem 
comumente, realiza-se diretamente, ou seja, sem qualquer intermédio de preposição. Uma consequência 
efetiva e prática disso é a possibilidade da versão passiva O jogo de vôlei foi assistido ontem por nós, o 
que não seria de se esperar de uma construção, afinal, com objeto indireto. 
Também é transitivo indireto assistir em sentido de caber, dizer respeito a: Tratava-se dum princípio que 
assistia a todos. 
Considere-se ainda o verbo assistir significando dar assistência a, como em Assistia os filhos enquanto 
estavam doentes, em construção de regência direta. 
REGÊNCIA VERBAL 
Além do verbo assistir, há outros que apresentam um padrão distinto do uso corrente. Desses, vale 
lembrar, em termos de regência verbal: 
Aspirar 
a) regência transitiva indireta, significando pretender, almejar, com a preposição 
a: Aspiramos a uma boa formação intelectual. 
b) regência transitiva direta, no sentido de inalar, inspirar, respirar. É bom 
aspirar esse ar aqui da serra. 
Chamar 
 
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a) é transitivo indireto, regendo a preposição por, no sentido de invocar, conclamar: - No ritual, 
chamava por várias divindades. 
b) é transitivo direto, na acepção de convocar: 
- Chamaram urgentemente os responsáveis dela à escola. 
c) pode ser transitivo tanto direto quanto indireto, acompanhado da preposição de e/ou a, alternando as 
seguintes possibilidades de construções: 
- Chamam-no doidivanas. 
- Chamam-lhe doidivanas. 
- Chamam-no de doidivanas. 
- Chamam-lhe de doidivanas. 
Esquecer/(Re)Lembrar 
a) quando transitivos indiretos, são pronominais e regem a preposição de: 
- Lembrei-me de nossa reunião. 
b) quando transitivos diretos, perdem a faceta pronominal. - 
Esqueci a carteira em casa. 
Implicar 
Assume regência transitiva direta: 
Tal decisão implicará sérios prejuízos a todos nós. 
(Des)Obedecer 
a) transitivo direto, quando o objeto corresponde a coisa. - 
Obedeceram rigorosamente as regras de trânsito. 
b) transitivo indireto quando o objeto corresponde a 
alguém. - Insensatamente, desobedeceram aos guardas de 
trânsito. 
Obs.: lembrandoque, devido à flutuação de regência entre esse registro padrão e a linguagem corrente, 
encontramos, por isso, Os guardas de trânsito foram desobedecidos. 
Preferir 
É bitransitivo, tendo objeto indireto, introduzido por preposição a: - 
Preferia cinema a teatro. 
Responder 
a) É transitivo indireto, na acepção de dar resposta a: - Respondeu 
a todas as perguntas do teste. 
Obs.: aí também pode assumir comportamento intransitivo. Ex.: Foi chamado, mas não respondeu. 
b) É transitivo direto, introduzindo oração objetiva direta, em seu 
uso como verbo narrativo/declarativo; - Ele respondeu que não viria. 
Obs.: nessa mesma acepção, pode ser ainda bitransitivo. Ex.: Ele respondeu aosecretário que não viria. 
Visar 
a) É transitivo indireto, exigindo a preposição a, se equivalente a ter em vista, desejar, almejar: - Visava 
a uma ambiciosa carreira. 
b) É transitivo direto, se corresponde a mirar ou dar visto: 
- O despachante já havia visado todos os documentos. - 
Visou o alvo e disparou. 
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REGÊNCIA NOMINAL 
Já os casos de regência nominal são de sistematização ainda mais esparsa. Apresentamos abaixo alguns 
exemplos emblemáticos. 
Nome Preposição 
acessível, alheio, alusão, análogo, atento, benéfico, estranho, favorável, 
fiel, grato, habituado, leal, necessário, nocivo, obediência, paralelo, 
posterior, preferível, prejudicial, propício, referente, relativo, sensível, 
simpático 
A 
alheio, contemporâneo, junto, próximo A/DE 
admiração, aversão, preferência, respeito, simpatia A/POR 
curioso A/DE/POR 
apto, atenção, odiável, propenso, tendência, útil A/PARA 
atento A/PARA/EM 
acostumado, permissivo A/COM 
ódio A/CONTRA 
compatível, cuidadoso, liberal, misericórdia, respeitoso COM (para com: uso 
enfático) 
satisfeito COM/DE/EM/POR 
capaz, culpado, distante, maior, natural, necessidade, suspeito, DE 
ambicioso, querido DE/POR 
bacharel, hábil, indeciso, residente, versado EM 
ansioso POR 
 
CRASE 
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Note-se que, normalmente, os antônimos, sejam formados por prefixos ou sejam palavras novas, 
mantêm a mesma regência preposicional. Assim, simpático/ antipático a ou (in) acessível a, 
(des)favorável a. Uma curiosa exceção ocorre com o par leal a/desleal com. 
Há ainda situações em que a mudança de preposição indica mudança de significação como ser próprio 
de ou ser próprio para. 
Chama a atenção a recorrência, em língua padrão, da preposição a, em contraposição ao verificado em 
uso espontâneo e cotidiano. Aí se assenta a suposta dificuldade com a marcação da crase, fenômeno que 
envolve o encontro de dois a, em geral, preposição e artigo feminino. Teríamos, então: 
Vamos para a praia. = Vamos a a praia. = Vamos aa praia. = Vamos À praia. 
Pode-se dizer que a forma À corresponde ao feminino da forma ao: 
- Ainda não chegaram ao fim da discussão. 
- Ainda não chegaram à conclusão da discussão. 
A crase ocorrerá, portanto, nos contextos em que puder haver a artigo, junto a a preposição. 
Logo, não cabe o uso de crase diante de nomes masculinos, nem de verbos, por exemplo. 
Pode-se ainda marcar crase no encontro da preposição a com o pronome aquele(a)/ aquilo, como 
podemos ver em: 
Estávamos desacostumados àqueles hábitos. 
Com verbos de movimento, o uso da crase ficará condicionado à presença do artigo feminino. 
Comparemos: 
 
Vim da Bahia. Uso de artigo feminino Vou À Bahia. 
Vim de Belo Horizonte. Ausência de artigo Vou a Belo Horizonte. 
Vim do Rio de Janeiro. Uso de artigo masculino Vou ao Rio de Janeiro. 
 
Por fim, lançamos mão da indicação de crase em expressões/locuções formadas a partir de substantivo 
feminino: às claras, à meia-noite, à espera, às voltas, etc. Dispensa-se essa marcação em caso de 
repetição do substantivo: cara a cara. 
A regência verbalé a relação sintática de dependência que se estabelece entre o verbo — termo regente 
— e o seu complemento — termo regido. A regência determina se uma preposição é necessária para ligar 
o verbo a seu complemento. 
Os termos, quando exigem a presença de outro chamam-se regentes ou subordinantes; os que 
completam a significação dos anteriores chamam-se regidos ou subordinados. 
Quando o termo regente é um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio), ocorre a regência nominal. 
Quando o termo regente é um verbo, ocorre a regência verbal. 
Na regência verbal, o termo regido pode ser ou não preposicionado. Na regência nominal, ele é 
obrigatoriamente preposicionado. 
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Exemplos 
Agradar 
a) Com sentido de acariciar: transitivo direto 
Ele sempre agradava a namorada quando se encontravam. 
b) Com sentido de satisfazer, ser agradável: transitivo indireto. 
As mudanças que fizemos na loja agradou aos consumidores. 
Aspirar 
a) Quando tem o sentido de sorver, tragar, inspirar: transitivo direto 
Ele aspirou toda a poeira. 
b) Quando tem o sentido de pretender, desejar, almejar: transitivo indireto ( necessita do uso da 
preposição a) 
O jogador aspirava a uma falta. 
Obs.: Quando o verbo aspirar for transitivo indireto, não se admite a substituição da preposição (a) por lhe 
ou lhes. Deve-se-á usar em seu lugar (a ele, a eles, a ela ou a elas). 
Obs.: Quando o verbo aspirar vier acompanhado por (àquele ou àquela), o à craseado terá função 
de preposição, transformando assim o verbo em transitivo indireto. 
Assistir 
a) Quando tem sentido de ver: transitivo indireto Eu assisti ao jogo. 
Obs: Não se admite a substituição da preposição (a) por lhe ou lhes. Deve-se-á usar em seu lugar (a ele, 
a eles, a ela ou a elas). 
b) Quando tem sentido de morar, residir: transitivo indireto (exige-se a preposição em). 
Eu assisto em São Paulo 
c) Quando tem sentido de ajudar: verbo transitivo direto ou indireto (indiferentemente). 
O médico assistiu o doente/ ao doente. 
d) Quanto tem sentido de pertencer, caber (direito a alguém): transitivo indireto 
Não lhe assiste o direito de escolher agora. 
Atender 
a) Se o complemento for pessoa: transitivo direto ou indireto. O professor 
atendeu os/aos alunos. (O professor os atendeu) 
b) Se o complemento for coisa: transitivo direto. Modernamente já é aceito o 
complemento direto para coisa. 
Quem vai atender o/ao telefone? 
Chamar 
a) Quando significa convocar, fazer vir: transitivo direto. 
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Ela chamou minha atenção. 
b) Quando tem o significado de invocar, pedir auxílio ou atenção: transitivo indireto. 
Ele chamava por seus poderes. 
c) Com o sentido de apelidar ele pode ou não necessitar de preposição: transitivo direto ou indireto. 
Chamaram-no medroso. 
Chamaram-no de medroso. 
Chamaram-lhe medroso. 
Chamaram-lhe de medroso. 
Chegar/ir 
Estes e outros verbos de movimento são tradicionalmente regidos pela preposição a. 
Vou ao dentista. 
Cheguei a Belo Horizonte. 
Em português brasileiro vernáculo, esse uso é raro. É extremamente comum que tais verbos sejam regidos 
pelas preposições para e em. Estes usos são diferentes da norma-padrão, porém, pesquisas mostram que 
eles provêm de usos que já existiam desde o latim antigo, e é possível encontrar esse tipo de utilização 
emtextos escritos até mesmo antes da colonização do Brasil por Portugal. 
Comunicar 
Eu COMUNICO ALGO A ALGUÉM pois neste caso a ênfase cai sobre a coisa em detrimento da pessoa 
Comunicamos ao proprietário a nossa decisão. 
Cientificar 
Eu CIENTIFICO ALGUÉM DE ALGO pois neste caso a ênfase cai sobre a pessoa em detrimento da coisa 
Cientifiquei o réu da sentença. 
Implicar 
a) com o sentido de não estar de acordo, não concordar com: transitivo indireto 
A irmã todo dia implica com o irmão mais novo. 
b) com o sentido de acarretar, ter como consequência, originar: transitivo direto 
Um escolha errada que implicou grandes prejuízos a empresa. 
Morar/residir 
Normalmente vêm introduzidos pela preposição em. 
-Ele mora em Guarapirópolis dos alferes. 
-Maria reside em Santa Catarina. 
Namorar 
Não se usa "com" como preposição. 
Gabriel namora Giulia. 
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Jhuliana de Almeidas namora Alberto. 
Como eu namorarei Fernanda Moraes. 
Antonio namora Gabrielle. (em vez de: Antonio namora com Gabrielle.) 
Obedecer/desobedecer Exigem a 
preposição a. 
As crianças obedeceram aos pais. 
O aluno desobedeceu ao professor. 
Obs.: Mesmo sendo verbo transitivo indireto, ele pode ser usado na voz passiva. 
Simpatizar/antipatizar 
Exigem a preposição com. 
Simpatizo com Lúcio. 
Ver 
O verbo ver é transitivo direto, por isso não necessita de preposição. 
Ele veria muitos filmes em cartazes. 
Visar 
a) no sentido de mirar, apontar a mira: transitivo direto 
Visei o alvo. 
b) no sentido de pôr o visto: transitivo direto Ele visou o documento. 
c) no sentido de pretender, ter em vista: transitivo indireto. Modernamente já se aceita o complemento 
direto 
Visei o/ao lucro. 
Suceder 
a) No sentido de substituir; vir depois: transitivo 
indireto. Os atuais supermercados sucederam aos 
antigos armazéns. 
b) no sentido de ocorrer: intransitivo Uma 
catástrofe sucedeu no México. 
Ensinar 
a) no sentido de educar: intransitivo. 
O professor ensina bem. 
b) no sentido de castigar, adestrar, educar: transitivo direto. 
A experiência ensina os professores. 
c) É verbo transitivo direto e indireto, admitindo objeto direto de coisa e indireto de pessoa. 
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Os professores ensinam os alunos a decorar. 
Emprego do Sinal Indicativo de Crase 
CRASE: é uma palavra de origem grega e significa "mistura", "fusão". Nos estudos de Língua Portuguesa, 
é o nome dado à fusão ou contração de duas letras "a" em uma só. A crase é indicada pelo acento grave 
(`) sobre o "a". Crase, portanto, NÃO é o nome do acento, mas do fenômeno (junção a + a) representado 
através do acento grave. 
A crase pode ser a fusão da preposição a com: 
1) o artigo feminino definido a (ou as): Fomos à cidade e assistimos às festas. 
2) o pronome demonstrativo a (ou as): Irei à (loja) do centro. 
3) os pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s), aquilo: Refiro-me àquele fato. 
4) o a dos pronomes relativos a qual e as quais: Há cidades brasileiras às quais não é possível enviar 
correspondência. 
Observe que a ocorrência da crase depende da verificação da existência de duas vogais "a" 
(preposição + artigo ou preposição + pronome) no contexto sintático. 
REGRAS PRÁTICAS 
1- Substitua a palavra feminina por uma masculina, de mesma natureza. Se aparecer a combinação ao, 
é certo que OCORRERÁ crase antes do termo feminino: 
Amanhã iremos ao colégio / à escola. 
Prefiro o futebol ao voleibol / à natação. 
Resolvi o problema / a questão. 
Vou ao campo / à praia. 
Eles foram ao parque / à praça. 
c) - Substitua o termo regente da preposição a por outro que exija uma preposição diferente (de, 
em, por). Se essas preposições não se contraírem com o artigo, ou seja, se não surgirem as formas 
da(s), na(s) ou pela(s), não haverá crase: 
Refiro-me a você. (sem crase) - Gosto de você / Penso em você / Apaixonei-me por você. 
Refiro-me à menina. (com crase) - Gosto da menina / Penso na menina / Apaixonei-me pela menina. 
Começou a gritar. (sem crase) - Gosta de gritar / Insiste em gritar / Optou por gritar. 
d) - Substitua verbos que transmitem a idéia de movimento (ir, voltar, vir, chegar etc.) pelo verbo 
voltar. Ocorrendo a preposição "de", NÃO haverá crase. E se ocorrer a preposição "da", HAVERÁ 
crase: 
Vou a Roma. / Voltei de Roma. 
Vou à Roma dos Césares. / Voltei da Roma dos Césares. 
Voltarei a Paris e à Suiça. / Voltarei de Paris e da Suiça. 
Ocorrendo a preposição "de", NÃO haverá crase. E se ocorrer a preposição "da", HAVERÁ crase: 
Vou a Roma. / Voltei de Roma. 
Vou à Roma dos Césares. / Voltei da Roma dos Césares. 
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Voltarei a Paris e à Suiça. / Voltarei de Paris e da Suiça. 
e) - A crase deve ser usada no caso de locuções, ou seja, reunião de palavras que equivalem a 
uma só idéia. Se a locução começar por preposição e se o núcleo da locução for palavra feminina, 
então haverá crase: 
Gente à toa. 
Vire à direita. 
Tudo às claras. 
Hoje à noite. 
Navio à deriva. 
Tudo às avessas. 
No caso da locução "à moda de", a expressão "moda de" pode vir subentendida, deixando apenas o 
"à" expresso, como nos exemplos que seguem: 
Sapatos à Luiz XV. 
Relógios à Santos Dummont. 
Filé à milanesa. 
Churrasco à gaúcha. 
No caso de locuções relativas a horários, somente no caso de horas definidas e especificadas ocorrerá a 
crase: 
À meia-noite. 
À uma hora. 
À duas horas. 
Às três e quarenta. 
Pontuação: 
 
Os sinais de pontuação são recursos de linguagem empregados na língua escrita e desempenham a 
função de demarcadores de unidades e de sinalizadores de limites de estruturas sintáticas nos textos 
escritos. Assim, os sinais de pontuação cumprem o papel dos recursos prosódicos, utilizados na fala para 
darmos ritmo, entoação e pausas e indicarmos os limites sintáticos e unidades de sentido. 
Como na fala temos o contato direto com nossos interlocutores, contamos também com nossos gestos 
para tentar deixar claro aquilo que queremos dizer. Na escrita, porém, são os sinais de pontuação que 
garantem a coesão e a coerência interna dos textos, bem como os efeitos de sentidos dos enunciados. 
Vejamos, a seguir, quais são os sinais de pontuação que nos auxiliam nos processos de escrita: 
Ponto ( . ) 
Indicar o final de uma frase declarativa: 
Gosto de sorvete de goiaba. 
b) Separar períodos: 
Fica mais um tempo. Ainda é cedo. 
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c) Abreviar palavras: 
Av. (Avenida) 
V. Ex.ª (Vossa Excelência) 
p. (página) 
Dr. (doutor) 
Dois-pontos ( : ) 
Iniciar fala de personagens: 
O aluno respondeu: 
– Parta agora! 
b) Antes de apostos ou orações apositivas, enumerações ou sequência de palavras que explicam 
e/ou resumem ideias anteriores. 
Esse é o problema dos caixas eletrônicos: não tem ninguém para auxiliar os mais idosos. 
Anote o número do protocolo: 4254654258. 
c) Antes de citação direta: 
Como já dizia Vinícius de Morais: “Que o amor não seja eterno posto que é chama, mas que seja infinito 
enquanto dure.” 
Reticências ( ... ) 
Indicar dúvidas ou hesitação: 
Sabe... andei pensando em uma coisa... mas não é nada demais. 
b) Interromperuma frase incompleta sintaticamente: 
Quem sabe se tentar mais tarde... 
c) Concluir uma frase gramaticalmente incompleta com a intenção de estender a reflexão: 
“Sua tez, alva e pura como um foco de algodão, tingia-se nas faces duns longes cor-de-rosa...” 
(Cecília - José de Alencar) 
d) Suprimir palavras em uma transcrição: 
“Quando penso em você (...) menos a felicidade.” (Canteiros - Raimundo Fagner) 
Parênteses ( ) 
Isolar palavras, frases intercaladas de caráter explicativo, datas e também podem substituir a vírgula 
ou o travessão: 
Manuel Bandeira não pôde comparecer à Semana de Arte Moderna (1922). 
"Uma manhã lá no Cajapió (Joca lembrava-se como se fora na véspera), acordara depois duma grande 
tormenta no fim do verão.” (O milagre das chuvas no Nordeste- Graça Aranha) 
Ponto de Exclamação ( ! ) 
Após vocativo Ana, 
boa tarde! 
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b) Final de frases imperativas: 
Cale-se! 
c) Após interjeição: 
Ufa! Que alívio! 
d) Após palavras ou frases de caráter emotivo, expressivo: 
Que pena! 
Ponto de Interrogação (?) Em 
perguntas diretas: Quantos 
anos você tem? 
b) Às vezes, aparece com o ponto de exclamação para enfatizar o enunciado: 
Não brinca, é sério?! 
Vírgula ( , ) 
De todos os sinais de pontuação, a vírgula é aquele que desempenha o maior número de funções. Ela 
é utilizada para marcar uma pausa do enunciado e tem a finalidade de nos indicar que os termos por 
ela separados, apesar de participarem da mesma frase ou oração, não formam uma unidade sintática. 
Por outro lado, quando há umarelação sintática entre termos da oração, não se pode separá-los por 
meio de vírgula. 
Antes de explicarmos quais são os casos em que devemos utilizar a vírgula, vamos explicar primeiro os 
casos em que NÃO devemos usar a vírgula para separar os seguintes termos: 
Sujeito de Predicado; 
Objeto de Verbo; 
Adjunto adnominal de nome; 
Complemento nominal de nome; 
Predicativo do objeto do objeto; 
Oração principal da Subordinada substantiva (desde que esta não seja apositiva nem apareça na ordem 
inversa). 
Casos em que devemos utilizar a vírgula: 
A vírgula no interior da oração 
Utilizada com o objetivo de separar o vocativo: 
Ana, traga os relatórios. 
O tempo, meus amigos, é o que nos confortará. 
b) Utilizada com o objetivo de separar apostos: 
Valdirene, minha prima de Natal, ligou para mim ontem. 
Caio, o aluno do terceiro ano B, faltou à aula. 
c) Utilizada com o objetivo de separar o adjunto adverbial antecipado ou intercalado: 
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Quando chegar do trabalho, procurarei por você. 
Os políticos, muitas vezes, são mentirosos. 
d) Utilizada com o objetivo de separar elementos de uma enumeração: 
Estamos contratando assistentes, analistas, estagiários. 
Traga picolé de uva, groselha, morango, coco. 
e) Utilizada com o objetivo de isolar expressõesexplicativas: Quero o meu suco com gelo e açúcar, ou 
melhor, somente gelo. 
f) Utilizada com o objetivo de separar conjunções intercaladas: 
Não explicaram, porém, o porquê de tantas faltas. 
g) Utilizada com o objetivo de separar o complemento pleonástico antecipado: 
A ele, nada mais abala. 
h) Utilizada com o objetivo de isolar o nome do lugar na indicação de datas: 
Goiânia, 01 de novembro de 2016. 
Utilizada com o objetivo de separar termos coordenados assindéticos: 
É pau, é pedra, é o fim do caminho. 
Utilizada com o objetivo de marcar a omissão de um termo: 
Ele gosta de fazer academia, e eu, de comer. (omissão do verbo gostar) Casos 
em que se usa a vírgula antes da conjunção e: 
Utilizamos a vírgula quando as orações coordenadas possuem sujeitos diferentes: 
Os banqueiros estão cada vez mais ricos, e o povo, cada vez mais pobre. 
2) Utilizamos a vírgula quando a conjunção “e” repete-se com o objetivo de enfatizaralguma ideia 
(polissíndeto): 
E eu canto, e eu danço, e bebo, e me jogo nos blocos de carnaval. 
3) Utilizamos a vírgula quando a conjunção “e” assume valores distintos que não retratam sentido 
de adição (adversidade, consequência, por exemplo): 
Chorou muito, e ainda não conseguiu superar a distância. 
A vírgula entre orações 
A vírgula é utilizada entre orações nas seguintes situações: 
Para separar as orações subordinadas adjetivas explicativas: 
Meu filho, de quem só guardo boas lembranças, deixou-nos em fevereiro de 2000. 
b) Para separar as orações coordenadas sindéticas e assindéticas, com exceção das orações 
iniciadas pela conjunção “e”: 
Cheguei em casa, tomei um banho, fiz um sanduíche e fui direto ao supermercado. 
Estudei muito, mas não consegui ser aprovada. 
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c) Para separar orações subordinadas adverbiais (desenvolvidas ou reduzidas), principalmente se 
estiverem antepostas à oração principal: 
"No momento em que o tigre se lançava, curvou-se ainda mais; e fugindo com o corpo apresentou o 
gancho." (O selvagem - José de Alencar) 
d) Para separar as orações intercaladas: 
"– Senhor, disse o velho, tenho grandes contentamentos em estar plantando-a...” 
e) Para separar as orações substantivas antepostas à principal: 
Quando sai o resultado, ainda não sei. 
Ponto e vírgula ( ; ) 
Utilizamos ponto e vírgula para separar os itensde uma sequência de outros itens: 
Antes de iniciar a escrita de um texto, o autor deve fazer-se as seguintes perguntas: 
O que dizer; 
A quem dizer; 
Como dizer; 
Por que dizer; 
Quais objetivos pretendo alcançar com este texto? 
Utilizamos ponto e vírgula para separar orações coordenadas muito extensas ou orações 
coordenadas nas quais já se tenha utilizado a vírgula: 
“O rosto de tez amarelenta e feições inexpressivas, numa quietude apática, era pronunciadamente 
vultuoso, o que mais se acentuava no fim da vida, quando a bronquite crônica de que sofria desde moço 
se foi transformando em opressora asma cardíaca; os lábios grossos, o inferior um tanto tenso." (O 
Visconde de Inhomerim - Visconde de Taunay) 
Travessão ( — ) 
Utilizamos o travessão para iniciar a fala de um personagem no discurso direto: 
A mãe perguntou ao filho: 
— Já lavou o rosto e escovou os dentes? 
b) Utilizamos o travessão para indicar mudança do interlocutor nos diálogos: 
—Filho, você já fez a sua lição de casa? — Não 
se preocupe, mãe, já está tudo pronto. 
c) Utilizamos o travessão para unir grupos de palavras que indicam itinerários: 
Disseram-me que não existe mais asfalto na rodovia Belém—Brasília. 
d) Utilizamos o travessão também para substituir a vírgula em expressões ou frases explicativas: 
Pelé — o rei do futebol — anunciou sua aposentadoria. 
Aspas ( “ ” ) 
As aspas são utilizadas com as seguintes finalidades: 
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Isolar palavras ou expressões que fogem à norma culta, como gírias, estrangeirismos, palavrões, 
neologismos, arcaísmos e expressões populares: 
A aula do professor foi “irada”. 
Ele me pediu um “feedback” da resposta do cliente. 
b) Indicar uma citação direta: 
“Ia viajar! Viajei. Trinta e quatro vezes, às pressas, bufando, com todo o sangue na face, desfiz e refiz a 
mala”. (O prazer de viajar - Eça de Queirós) FIQUE ATENTO! 
Caso haja necessidade de destacar um termo que já está inseridoem uma sentença destacada por aspas, 
esse termo deve ser destacado com marcação simples ('), não dupla ("). 
VEJA AGORA ALGUMAS OBSERVAÇÕES RELEVANTES: 
Dispensam o uso da vírgula os termos coordenados ligados pelas conjunções e, ou, nem. 
Observe: 
Preferiram os sorvetes de creme, uva e morango. 
Não gosto nem desgosto. 
Não sei se prefiro Minas Gerais ou Goiás. 
Caso os termos coordenados ligados pelas conjunções e, ou, nem aparecerem repetidos, com a finalidade 
de enfatizar a expressão, o uso da vírgula é, nesse caso, obrigatório. 
Observe: 
Não gosto nem do pai, nem do filho, nem do cachorro, nem do gato dele. 
Classes de Palavras 
Você sabe o que são as classes gramaticais e para que elas servem? 
Bom, a língua portuguesa é um rico objeto de estudo – você certamente já percebeu isso. Por apresentar 
tantas especificidades, é natural que ela fosse dividida em diferentes áreas, o que facilita sua análise. 
Entre essas áreas, está a Morfologia, que é o estudo da estrutura, da formação e da classificação das 
palavras. Na Morfologia, as palavras são estudadas isoladamente, desconsiderando-se a função que 
exercem dentro da frase ou do período, estudo realizado pela Sintaxe. Nos estudos morfológicos, as 
palavras estão agrupadas em dez classes, que podem ser chamadas de classes de palavras ou classes 
gramaticais. São elas: 
Classes de Palavras 
Substantivo: palavra que dá nome aos seres em geral, podendo nomear também ações, conceitos físicos, 
afetivos e socioculturais, entre outros que não podem ser considerados “seres” no sentido literal da 
palavra; 
Artigo: palavra que se coloca antes do substantivo para determiná-lo de modo particular (definido) ou 
geral (indefinido); 
Adjetivo: palavra que tem por função expressar características, qualidades ou estados dos seres; 
Numeral: palavra que exprime uma quantidade definida, exata de seres (pessoas, coisas etc.), ou a 
posição que um ser ocupa em determinada sequência; 
Pronome: palavra que substitui ou acompanha um substantivo (nome), definindo-lhe os limites de 
significação; 
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Verbo: palavra que, por si só, exprime um fato (em geral, ação, estado ou fenômeno) e localiza-o no 
tempo; 
Advérbio: palavra invariável que se relaciona com o verbo para indicar as circunstâncias (de tempo, de 
lugar, de modo etc.) em que ocorre o fato verbal; 
Preposição: palavra invariável que liga duas outras palavras, estabelecendo entre elas determinadas 
relações de sentido e dependência; 
Conjunção: palavra invariável que liga duas orações ou duas palavras de mesma função em uma oração; 
Interjeição: palavra (ou conjunto de palavras) que, de forma intensa e instantânea, exprime sentimentos, 
emoções e reações psicológicas. 
A classificação das palavras sofreu alterações ao longo do tempo, o que é normal, haja vista que a língua 
é mutável, isto é, sofre alterações e adaptações de acordo com as necessidades dos falantes. Classificar 
uma palavra não é tarefa fácil, porém, possível, prova disso é que na língua portuguesa todos os vocábulos 
estão incluídos dentro de uma das dez classes de palavras. Conhecer a gramática que rege nosso idioma 
é fundamental para aprimorarmos a comunicação. Foi por essa razão que o Brasil Escola preparou uma 
seção voltada ao estudo das classes gramaticais. Nela você encontrará diversos artigos que explicarão a 
morfologia da língua de maneira simples e direta por meio de textos e variados exemplos. 
A primeira gramática do ocidente foi de autoria de Dionísio de Trácia, que identificava oito partes do 
discurso: nome, verbo, particípio, artigo, preposição, pronome, advérbio e conjunção. Atualmente, são 
reconhecidas dez classes gramaticais pela maioria dos gramáticos: substantivo, adjetivo, advérbio, 
verbo, conjunção, interjeição, preposição, artigo, numeral e pronome. 
Como podemos observar, houve alterações ao longo do tempo quanto às classes de palavras. Isso 
acontece porque a nossa língua é viva, e portanto vem sendo alterada pelos seus falantes o tempo todo, 
ou seja, nós somos os responsáveis por estas mudanças que já ocorreram e pelas que ainda vão ocorrer. 
Classificar uma palavra não é fácil, mas atualmente todas as palavras da língua portuguesa estão incluídas 
dentro de uma das dez classes gramaticais dependendo das suas características. A parte da gramática 
que estuda as classes de palavras é a MORFOLOGIA (morfo = forma, logia = estudo), ou seja, o estudo 
da forma. Na morfologia, portanto, não estudamos as relações entre as palavras, o contexto em que são 
empregadas, ou outros fatores que podem influenciá-la, mas somente a forma da palavra. 
Há discordância entre os gramáticos quanto a algumas definições ou características das classes 
gramaticais, mas podemos destacar as principais características de cada classe de palavras: 
SUBSTANTIVO – é dita a classe que dá nome aos seres, mas não nomeia somente seres, como também 
sentimentos, estados de espírito, sensações, conceitos filosóficos ou políticos, etc. 
Exemplo: Democracia, Andréia, Deus, cadeira, amor, sabor, carinho, etc. 
ARTIGO – classe que abriga palavras que servem para determinar ou indeterminar os substantivos, 
antecedendo-os. 
Exemplo: o, a, os, as, um, uma, uns, umas. 
ADJETIVO – classe das características, qualidades. Os adjetivos servem para dar características aos 
substantivos. 
Exemplo: querido, limpo, horroroso, quente, sábio, triste, amarelo, etc. 
PRONOME – Palavra que pode acompanhar ou substituir um nome (substantivo) e que determina a 
pessoa do discurso. 
Exemplo: eu, nossa, aquilo, esta, nós, mim, te, eles, etc. 
VERBO – palavras que expressam ações ou estados se encontram nesta classe gramatical. 
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Exemplo: fazer, ser, andar, partir, impor, etc. 
ADVÉRBIO – palavras que se associam a verbos, adjetivos ou outros advérbios, modificando-os. 
Exemplo: não, muito, constantemente, sempre, etc. 
NUMERAL – como o nome diz, expressam quantidades, frações, múltiplos, ordem. 
Exemplo: primeiro, vinte, metade, triplo, etc. 
PREPOSIÇÃO – Servem para ligar uma palavra à outra, estabelecendo relações entre elas. 
Exemplo: em, de, para, por, etc. 
CONJUNÇÃO – São palavras que ligam orações, estabelecendo entre elas relações de coordenação ou 
subordinação. 
Exemplo: porém, e, contudo, portanto, mas, que, etc. 
INTERJEIÇÃO – Contesta-se que esta seja uma classe gramatical como as demais, pois algumas de suas 
palavras podem ter valor de uma frase. Mesmo assim, podemos definir as interjeições como palavras ou 
expressões que evocam emoções, estados de espírito. 
Exemplo: Nossa! Ave Maria! Uau! Que pena! Oh! 
Segundo um estudo morfológico da língua portuguesa, as palavras podem ser analisadas e catalogadas 
em dez classes de palavras ou classes gramaticais distintas, sendo elas: substantivo, artigo, adjetivo, 
pronome, numeral, verbo, advérbio, preposição, conjunção e interjeição. 
Substantivo 
Substantivos são palavras que nomeiam seres, lugares, qualidades, sentimentos, noções, entre outros. 
Podem ser flexionados em gênero (masculino e feminino), número (singular e plural) e grau (diminutivo, 
normal, aumentativo). Exercem sempre a função de núcleo das funções sintáticas onde estão inseridos 
(sujeito, objeto direto, objeto indireto e agente da passiva). 
Artigo 
Artigos são palavras que antecedem os substantivos, determinando a definição ou a indefinição dos 
mesmos. Sendo flexionados em gênero (masculino e feminino) e número (singular e plural), indicam 
também o gênero e o número dos substantivosque determinam. 
Adjetivo 
Adjetivos são palavras que caracterizam um substantivo, conferindo-lhe uma qualidade, característica, 
aspecto ou estado. Podem ser flexionados em gênero (masculino e feminino), número (singular e plural) 
e grau (normal, comparativo, superlativo). 
Pronome 
Pronomes são palavras que substituem o substantivo numa frase (pronomes substantivos) ou que 
acompanham, determinam e modificam os substantivos, atribuindo particularidades e características aos 
mesmos (pronomes adjetivos). Podem ser flexionados em gênero (masculino e feminino), número (singular 
e plural) e pessoa (1.ª, 2.ª ou 3.ª pessoa do discurso). 
Numeral 
Numerais são palavras que indicam quantidades de pessoas ou coisas, bem como a ordenação de 
elementos numa série. Alguns numerais podem ser flexionados em gênero (masculino e feminino) e 
número (singular e plural), outros são invariáveis. 
Verbo 
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Verbos são palavras que indicam, principalmente, uma ação. Podem indicar também uma ocorrência, um 
estado ou um fenômeno. Podem ser flexionados em número (singular e plural), pessoa (1.ª, 2.ª ou 3.ª 
pessoa do discurso), modo (indicativo, subjuntivo e imperativo), tempo (passado, presente e futuro), 
aspecto (incoativo, cursivo e conclusivo) e voz (ativa, passiva e reflexiva). 
Advérbio 
Advérbios são palavras que modificam um verbo, um adjetivo ou um advérbio, indicando uma circunstância 
(tempo, lugar, modo, intensidade,…). São invariáveis, não sendo flexionadas em gênero e número. 
Contudo, alguns advérbios podem ser flexionados em grau. 
Preposição 
Preposições são palavras que estabelecem conexões com vários sentidos entre dois termos da oração. 
Através de preposições, o segundo termo (termo consequente) explica o sentido do primeiro termo (termo 
antecedente). São invariáveis, não sendo flexionadas em gênero e número. Preposições simples 
essenciais 
Conjunção 
Conjunções são palavras utilizadas como elementos de ligação entre duas orações ou entre termos de 
uma mesma oração, estabelecendo relações de coordenação ou de subordinação. São invariáveis, não 
sendo flexionadas em gênero e número. 
Pronomes 
Pronome é a palavra variável em gênero, número e pessoa que substitui ou acompanha o nome, 
indicando-o como pessoa do discurso. Quando o pronome substituir um substantivo, será 
denominado pronome substantivo; quando acompanhar um substantivo, será denominado pronome 
adjetivo. Por exemplo, na frase Aqueles garotos estudam bastante; eles serão aprovados com louvor. 
Aqueles é um pronome adjetivo, pois acompanha o substantivo garotos e eles é um pronome 
substantivo, pois substitui o mesmo substantivo. 
Pronome substantivo x pronome adjetivo 
Esta classificação pode ser atribuída a qualquer tipo de pronome, podendo variar em função do contexto 
frasal. 
pron. substantivo: substitui um substantivo, representando-o. (Ele prestou socorro) pron. adjetivo: 
acompanha um substantivo, determinando-o. (Aquele rapaz é belo) 
Obs.: Os pronomes pessoais são sempre substantivos 
Pessoas do discurso São três: 
1ª pessoa: aquele que fala, emissor 
2ª pessoa: aquele com quem se fala, receptor 
3ª pessoa: aquele de que ou de quem se fala, referente 
Tipos de pronomes 
· pessoal · demonstrativo · indefinido 
· possessivo · relativo · interrogativo 
 
Pessoal 
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Indicam uma das três pessoas do discurso, substituindo um substantivo. Podem também representar, 
quando na 3ª pessoa, uma forma nominal anteriormente expressa. 
Ex.:A moça era a melhor secretária, ela mesma agendava os compromissos do chefe. 
Apresentam variações de forma dependendo da função sintática que exercem na frase, dividindo-se em 
retos e oblíquos. 
Pronomes Pessoais 
número pessoa pronomes retos pronomes oblíquos 
 tônicos átonos 
 
singular 
1a. 
2a. 
3a. 
eu tu ele, ela mim, comigo 
ti, contigo ele, ela, si, 
consigo 
me 
te 
se, o, a, lhe 
 
plural 
1a. 
2a. 
3a. 
nós vós eles, 
elas 
nós, conosco vós, 
convosco eles, elas, si, 
consigo 
nos vos 
se, os, as, lhes 
Os pron. pessoais retos desempenham, normalmente, função de sujeito; enquanto os oblíquos, 
geralmente, de complemento. 
Obs.: os pron. oblíquos tônicos devem vir regidos de preposição. 
Em comigo, contigo, conosco e convosco, a preposição com já é parte integrante do pronome. 
Os pron. de tratamento estão enquadrados nos pron. pessoais. São empregados como referência à 
pessoa com quem se fala (2ª pess.), entretanto, a concordância é feita com a 3ª pess. 
Abrev. Tratamento Uso 
V. A. Vossa Alteza príncipes, arquiduques, duques 
V. Em.ª Vossa Eminência cardeais 
V. Ex.ª Vossa Excelência altas autoridades do governo e das 
classes armadas 
V. Mag.ª Vossa Magnificência reitores das universidades 
V. M. Vossa Majestade reis, imperadores 
V. Rev.ma Vossa Reverendíssima sacerdotes em geral 
V. S. Vossa Santidade papas 
V. S.ª Vossa Senhoria funcionários públicos graduados, 
oficiais até coronel, pessoas de 
cerimônia 
Obs.: também são considerados pron. de tratamento as formas você, vocês (provenientes da redução 
de VossaMercê), Senhor, Senhora e Senhorita. 
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Emprego 
· você hoje é usado no lugar das 2as pessoas (tu/vós), levando o verbo para a 3ª pessoa 
· as formas de tratamento serão precedidas deVossa, quando nos dirigirmos diretamente à pessoa e de 
Sua, quando fizermos referência a ela. Troca-se na abreviatura o V. pelo S. 
· quando precedidos de preposição, os pron. retos (exceto eu e tu) passam a funcionar como oblíquos 
· os pron. acompanhados das palavras só ou todos assumem a forma reta (Estava só ele no banco / 
Encontramos todos eles ali) 
· as formas oblíquas o, a, os, as não vêm precedidas de preposição; enquanto lhe e lhes vêm regidos 
das preposições a ou para (não expressas) 
· eu e tu não podem vir precedidos de preposição, exceto se funcionarem como sujeito de um verbo no 
infinitivo (Isto é para eu fazer ? para mim fazer) · me, te, se, nos, vos- podem ter valor reflexivo 
· se, nos, vos - podem ter valor reflexivo e recíproco 
· si e consigo - têm valor exclusivamente reflexivo 
· conosco e convosco devem aparecer na sua forma analítica (com nós e com vós) quando vierem com 
modificadores (todos, outros, mesmos, próprios ou um numeral) 
· o, a, os e as viram lo(a/s), quando associados a verbos terminados em r, s ou z e viram no(a/s), se a 
terminação verbal for em ditongo nasal 
· os pron. pess. retos podem desempenhar função de sujeito, predicativo do sujeito ou vocativo, este 
último com tu e vós (Nós temos uma proposta / Eu sou eu e pronto / Ó, tu, Senhor Jesus) 
pode-se omitir o pron. sujeito, pois as DNPs verbais bastam para indicar a pessoa gramatical 
· plural de modéstia - uso do "nós" em lugar do "eu", para evitar tom impositivo ou pessoal 
· num sujeito composto é de bom tom colocar o pron. de 1ª pess. por último (José, Maria e eu fomos ao 
teatro). Porém se for algo desagradável ou que implique responsabilidade, usa-se inicialmente a 1ª pess. 
(Eu, José e Maria fomos os autores do erro) 
· não se pode contrair as preposições de e em com pronomes que sejam sujeitos (Em vez de ele 
continuar, desistiu ? Vi as bolsas dele bem aqui) 
· os pronomes átonos podem assumir valor possessivo (Levaram-me o dinheiro) 
Obs.: as regrasde colocação dos pronomes pessoais do caso oblíquos átonos serão vistas em 
separado 
Possessivo 
Fazem referência às pessoas do discurso, apresentando-as como possuidoras de algo. Concordam em 
gênero e número com a coisa possuída. 
Pronomes possessivos 
pessoa um possuidor vários possuidores 
1ª meu (s), minha (s) nosso (a/s) 
2ª teu (a/s) vosso (a/s) 
3ª seu (a/s) seu (a/s) 
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Emprego 
· normalmente, vem antes do nome a que se refere; podendo, também, vir depois do substantivo que 
determina. Neste último caso, pode até alterar o sentido da frase 
· seu (a/s) pode causar ambiguidade, para desfazê-la, deve-se preferir o uso do dele (a/s) (Ele disse que 
Maria estava trancada em sua casa - casa de quem?) 
· pode indicar aproximação numérica (ele tem lá seus 40 anos) 
· nas expressões do tipo "Seu João", seu não tem valor de posse por ser uma alteração fonética de 
Senhor 
Demonstrativo 
Indicam posição de algo em relação às pessoas do discurso, situando-o no tempo e/ou no espaço. São: 
este (a/s), isto, esse (a/s), isso, aquele (a/s), aquilo. 
Mesmo, próprio, semelhante, tal e o (a/s) podem desempenhar papel de pron. demonstrativo. 
Emprego 
· indicando localização no espaço - este (aqui), esse (aí) e aquele (lá) 
· indicando localização temporal - este (presente), esse (passado próximo) e aquele (passado remoto ou 
bastante vago) 
· fazendo referência ao que já foi ou será dito no texto - este (ainda se vai falar) e esse (já mencionado) 
· o, a, os, as são demonstrativos quando equivalem a aquele (a/s) 
 
tal é demonstrativo se puder ser substituído por esse (a), este (a) ou aquele (a) 
· mesmo e próprio são demonstrativos quando significarem "idêntico" ou "em pessoa". Concordam com o 
nome a que se referem 
· podem apresentar valor intensificador ou depreciativo, dependendo do contexto frasal (Ele estava com 
aquela paciência / Aquilo é um marido de enfeite) 
· nisso e nisto (em + pron.) podem ser usados com valor de "então" ou "nesse momento" (Nisso, ela 
entrou triunfante) 
 
Relativo 
Retoma um termo expresso anteriormente (antecedente). 
São eles que, quem e onde - invariáveis; além de o qual (a/s), cujo (a/s) e quanto (a/s). 
Emprego 
· quem será precedido de preposição se estiver relacionado a pessoas ou seres personificados 
· quem = relativo indefinido quando é empregado sem antecedente claro, não vindo precedido de 
preposição 
· cujo (a/s) é empregado para dar a idéia de posse e não concorda com o antecedente e sim com seu 
consequente 
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· quanto (a/s) normalmente tem por antecedente os pronomes indefinidos tudo, tanto (a/s) Indefinido 
Referem-se à 3ª pessoa do discurso quando considerada de modo vago, impreciso ou genérico. Podem 
fazer referência a pessoas, coisas e lugares. Alguns também podem dar idéia de conjunto ou quantidade 
indeterminada. 
Pronomes indefinidos 
pessoas quem, alguém, ninguém, outrem 
lugares onde, algures, alhures, nenhures 
coisas que, qual, quais, algo, tudo, nada, todo (a/s), algum (a/s), vários (a), nenhum 
(a/s), certo (a/s), outro (a/s), muito (a/s), pouco (a/s), quanto (a/s), um (a/s), 
qualquer (s), cada 
Emprego 
· algum, após o substantivo a que se refere, assume valor negativo (= nenhum) (Computador algum 
resolverá o problema) 
· cada deve ser sempre seguido de um substantivo ou numeral (Elas receberam 3 balas cada uma) 
· certo é indefinido se vier antes do nome a que estiver se referindo. Caso contrário é adjetivo (Certas 
pessoas deveriam ter seus lugares certos) 
· bastante pode vir como adjetivo também, se estiver determinando algum substantivo 
· o pronome outrem equivale a "qualquer pessoa" 
· o pronome nada, colocado junto a verbos ou adjetivos, pode equivaler a advérbio (Ele não está nada 
contente hoje) 
· o pronome outro (a/s) ganha valor adjetivo se equivaler a diferente" (Ela voltou outra das férias) existem 
algumas locuções pronominais indefinidas - quem quer que seja, seja quem for, cada um etc. 
Interrogativo 
Usados na formulação de uma pergunta direta ou indireta. Referem-se à 3ª pessoa do discurso. 
Na verdade, são os pronomes indefinidos que, quem, qual (a/s) e quanto (a/s) em frases interrogativas. 
(Quantos livros você tem? / Não sei quem lhe contou) 
 
Flexão 
É a variação de forma e, consequentemente, de significado de uma palavra. 
* Flexão de Gênero 
Gênero é o termo que a gramática utiliza para enquadrar as palavras variáveis da língua em masculinas 
e femininas. Temos os gêneros masculino e feminino. 
As classes de palavras que apresentam flexão de gênero são: substantivo, adjetivo, artigo, pronome e 
numeral. 
- palavras do gênero masculino. seres animais: moço, menino, leão, gato, cantor. coisas: pente, 
lápis, disco, amor, mar. 
- palavras do gênero feminino. seres animais: moça, menina, leoa, gata, cantora. coisas: colher, 
revista, fumaça, raiva, chuva. 
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As demais palavras que admitem esse tipo de flexão (artigo, adjetivo, pronome e numeral) acompanham 
o gênero do substantivo a que se referem. Exemplos: 
As crianças órfãs. 
Pequenos índios. 
Esses meninos. 
Duas crianças. 
* Flexão de Número 
As palavras variáveis podem mudar sua terminação para indicar singular ou plural. Apresentam flexão 
de número: o substantivo, o artigo, o adjetivo, o numeral e o verbo. 
Exemplo: 
Sua irmã sofreu um arranhão. (singular) Suas irmãs sofreram uns arranhões. (plural) OBS: 
1) A flexão de gênero e de número do substantivo implica flexão correspondente do adjetivo. 
alunos espertos 
subst. adj. 
masc. pl. masc. pl. 
2) Há casos de erro de concordância em que a concordância de número pode não acontecer de 
fato e um dos termos pode ficar sem flexão numérica. 
Tinha mãos grande. 
Achei coisas meio esquisita por aqui ... 
* Flexão de Grau 
São as mudanças efetuadas na terminação para indicar tamanho (nos substantivos) e intensidade (nos 
adjetivos). 
O menino estava nervoso. 
O menininho estava nervoso. 
O menino estava nervosíssimo. 
O grau pode expressar estado emotivo e não somente intensidade ou tamanho: 
Que doutorzinho, hein ! (ironia) 
Filhinho, venha cá. (carinho) 
O advérbio, embora seja uma palavra invariável, admite flexão de grau: 
O fato aconteceu cedo. (advérbio não flexionado) 
O fato aconteceu cedinho. (advérbio flexionado) 
Pronomes Pessoais 
Os pronomes pessoais são aqueles que indicam uma das três pessoas do discurso: a que fala, a com 
quem se fala e a de quem se fala. 
 
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Pronomes pessoais do caso reto 
 
Pronomes pessoais do caso reto são os que desempenham a função sintática de sujeito da oração. São 
os pronomes:eu, tu, ele, ela, nós, vós eles, elas. 
 
Pronomes pessoais do caso oblíquo 
 
São os que desempenham a função sintática de complemento verbal (objeto direto ou indireto), 
complemento nominal, agente da passiva, adjunto adverbial, adjunto adnominal ou sujeito acusativo 
(sujeito de oração reduzida). 
 
Os pronomes pessoais do caso oblíquo se subdividem em dois tipos: os átonos, que não são 
antecedidos por preposição, e os tônicos, precedidos por preposição.Pronomes oblíquos átonos: 
 
Os pronomes oblíquos átonos são os seguintes: me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes. 
 
Pronomes oblíquos tônicos: 
 
Os pronomes oblíquos tônicos são os seguintes: mim, comigo, ti, contigo, ele, ela, si, consigo, nós, 
conosco, vós, convosco, eles, elas. 
 
Usos dos Pronomes Pessoais 
01) Eu, tu / Mim, ti 
 
Eu e tu exercem a função sintática de sujeito. Mim e ti exercem a função sintática de complemento 
verbal ou nominal, agente da passiva ou adjunto adverbial e sempre são precedidos de preposição. 
 
Ex. 
Trouxeram aquela encomenda para mim. 
Era para eu conversar com o diretor, mas não houve condições. 
Agora, observe a oração Sei que não será fácil para mim conseguir o empréstimo. O pronome mim 
NÃO é sujeito do verbo conseguir, como à primeira vista possa parecer. Analisando mais 
detalhadamente, teremos o seguinte: O sujeito do verbo ser é a oração conseguir o empréstimo, pois 
que não será fácil? resposta: conseguir o empréstimo, portanto há uma oração subordinada substantiva 
subjetiva reduzida de infinitivo, que é a oração que funciona como sujeito, tendo o verbo no infinitivo. O 
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verbo ser é verbo de ligação, portanto fácil é predicativo do sujeito. O adjetivo fácil exige um 
complemento, pois conseguir o empréstimo não será fácil para quem? resposta: para mim, que 
funciona como complemento nominal. Ademais a ordem direta da oração é esta: Conseguir o 
empréstimo não será fácil para mim. 
 
02) Se, si, consigo 
 
Se, si, consigo são pronomes reflexivos ou recíprocos, portanto só poderão ser usados na voz reflexiva 
ou na voz reflexiva recíproca. 
 
Ex. 
Quem não se cuida, acaba ficando doente. 
Quem só pensa em si, acaba ficando sozinho. 
Gilberto trouxe consigo os três irmãos. 
03) Com nós, com vós / Conosco, convosco 
 
Usa-se com nós ou com vós, quando, à frente, surgir qualquer palavra que indique quem "somos nós" 
ou quem "sois vós". 
 
Ex. 
Ele conversou com nós todos a respeito de seus problemas. 
Ele disse que sairia com nós dois. 
04) Dele, do + subst. / De ele, de o + subst. 
 
Quando os pronomes pessoais ele(s), ela(s), ou qualquer substantivo, funcionarem como sujeito, não 
devem ser aglutinados com a preposição de. 
 
Ex. 
É chegada a hora de ele assumir a responsabilidade. 
No momento de o orador discursar, faltou-lhe a palavra. 
05) Pronomes Oblíquos Átonos 
 
Os pronomes oblíquos átonos são me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os as, lhes. Eles podem exercer 
diversas funções sintáticas nas orações. São elas: 
 
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A) Objeto Direto 
Os pronomes que funcionam como objeto direto são me, te, se, o, a, nos, vos, os, as. 
 
Ex. 
Quando encontrar seu material, traga-o até mim. 
Respeite-me, garoto. 
Levar-te-ei a São Paulo amanhã. 
Notas: 
 
01) Se o verbo for terminado em M, ÃO ou ÕE, os pronomes o, a, os, as se transformarão em no, 
na, nos, nas. 
 
Ex. 
Quando encontrarem o material, tragam-no até mim. 
Os sapatos, põe-nos fora, para aliviar a dor. 
02) Se o verbo terminar em R, S ou Z, essas terminações serão retiradas, e os pronomes o, a, os, 
as mudarão paralo, la, los, las. 
 
Ex. 
Quando encontrarem as apostilas, deverão trazê-las até mim. As apostilas, tu perde-las toda semana. 
(Pronuncia-se pérde-las) 
As garotas ingênuas, o conquistador sedu-las com facilidade. 
03) Independentemente da predicação verbal, se o verbo terminar em mos, seguido de nos ou de 
vos, retira-se a terminação -s. 
 
Ex. 
Encontramo-nos ontem à noite. 
Recolhemo-nos cedo todos os dias. 
04) Se o verbo for transitivo indireto terminado em s, seguido de lhe, lhes, não se retira a 
terminação s. 
 
Ex. 
Obedecemos-lhe cegamente. 
Tu obedeces-lhe? 
B) Objeto Indireto 
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Os pronomes que funcionam como objeto indireto são me, te, se, lhe, nos, vos, lhes. 
 
Ex. 
Traga-me as apostilas, quando as encontrar. 
Obedecemos-lhe cegamente. 
C) Adjunto adnominal 
Os pronomes que funcionam como adjunto adnominal são me, te, lhe, nos, vos, lhes, quando indicarem 
posse (algo de alguém). 
 
Ex. 
Quando Clodoaldo morreu, Soraia recebeu-lhe a herança. (a herança dele) 
Roubaram-me os documentos. (os documentos de alguém - meus) 
D) Complemento nominal 
Os pronomes que funcionam como complemento nominal são me, te, lhe, nos, vos, lhes, quando 
complementarem o sentido de adjetivos, advérbios ou substantivos abstratos. (algo a alguém, não 
provindo a preposição a de um verbo). 
 
Ex. 
Tenha-me respeito. (respeito a alguém) 
É-me difícil suportar tanta dor. (difícil a alguém) 
E) Sujeito acusativo 
Os pronomes que funcionam como sujeito acusativo são me, te, se, o, a, nos, vos, os, as, quando 
estiverem em um período composto formado pelos verbos fazer, mandar, ver, deixar, sentir ou ouvir, e 
um verbo no infinitivo ou no gerúndio. 
 
Ex. 
Deixei-a entrar atrasada. 
Mandaram-me conversar com o diretor. 
Pronomes Relativos 
O Pronome Relativo Que 
Este pronome deve ser utilizado com o intuito de substituir um substantivo (pessoa ou "coisa"), evitando 
sua repetição. Na montagem do período, deve-se colocá-lo imediatamente após o substantivo repetido, 
que passará a ser chamado de elemento antecedente. 
 
Por exemplo, nas orações Roubaram a peça. A peça era rara no Brasil há o substantivo peça 
repetido. Pode-se usar o pronome relativo que e, assim, evitar a repetição de peça. O pronome será 
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colocado após o substantivo. Então teremos Roubaram a peça que... . Este que está no lugar da 
palavra peça da outra oração. Deve-se, agora, terminar a outra oração: ...era rara no Brasil, ficando 
Roubaram a peça que era rara no Brasil. 
Pode-se, também, iniciar o período pela outra oração, colocando o pronome após o substantivo. Então, 
tem-se A peça que... Este que está no lugar da palavra peça da outra oração. Deve-se, agora, terminar 
a outra oração:...roubaram, ficando A peça que roubaram... . Finalmente, conclui-se a oração que se 
havia iniciado: ...era rara no Brasil, ficando A peça que roubaram era rara no Brasil. 
Outros exemplos: 
 
01) Encontrei o garoto. Você estava procurando o garoto. 
Substantivo repetido = garoto 
Colocação do pronome após o substantivo = Encontrei o garoto que ... 
Restante da outra oração = ... você estava procurando. 
Junção de tudo = Encontrei o garoto que você estava procurando. 
Começando pela outra oração: 
Colocação do pronome após o substantivo = Você estava procurando o garoto que ... 
Restante da outra oração = ... encontrei 
Junção de tudo = Você estava procurando o garoto que encontrei. 
02) Eu vi o rapaz. O rapaz era seu amigo. 
Substantivo repetido = rapaz 
Colocação do pronome após o substantivo = Eu vi o rapaz que ... 
Restante da outra oração = ... era seu amigo. 
Junção de tudo = Eu vi o rapaz que era seu amigo. 
Começando pela outra oração: 
Colocação do pronome após o substantivo = O rapaz que ... 
Restante da outra oração = ... eu vi ... 
Finalização da oração que se havia iniciado = ... era seu amigo Junção de tudo = O rapaz que eu vi era 
seu amigo. 
03) Nósassistimos ao filme. Vocês perderam o filme. 
Substantivo repetido = filme 
Colocação do pronome após o substantivo = Nós assistimos ao filme que ... 
Restante da outra oração = ... vocês perderam. 
Junção de tudo = Nós assistimos ao filme que vocês perderam. 
Começando pela outra oração: 
Colocação do pronome após o substantivo = Vocês perderam o filme que ... 
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Restante da outra oração = ... nós assistimos 
Junção de tudo = Vocês perderam o filme que nós assistimos. 
Observe que, nesse último exemplo, a junção de tudo ficou incompleta, pois a primeira oração é Nós 
assistimos ao filme, porém, na junção, a prep. a desapareceu. Portanto o período está inadequado 
gramaticalmente. A explicação é a seguinte: Quando o verbo do restante da outra oração exigir 
preposição, deve-se colocá-la antes do pronome relativo. Então teremos: Vocês perderam o filme a 
que nós assistimos. 
 
04) O gerente precisa dos documentos. O assessor encontrou os documentos 
Substantivo repetido = documentos 
Colocação do pronome após o substantivo = O gerente precisa dos documentos que ... 
Restante da outra oração = ... o assessor encontrou 
Junção de tudo = O gerente precisa dos documentos que o assessor encontrou. 
Começando pela outra oração: 
Colocação do pronome após o substantivo = O assessor encontrou os documentos que ... 
Restante da outra oração = ... o gerente precisa. 
O verbo precisar está usado com a prep.de, portanto ela será colocada antes do pronome relativo. 
Junção de tudo = O assessor encontrou os documentos de que o gerente precisa. 
Obs: O pronome que pode ser substituído por o qual, a qual, os quais e as quais sempre. O gênero e 
o número são de acordo com o substantivo substituído. 
 
Os exemplos apresentados ficarão, então, assim, com o que substituído por qual: 
Encontrei o livro o qual você estava procurando. Você estava procurando o livro o qual encontrei. 
Eu vi o rapaz o qual é seu amigo. O rapaz o qual vi é seu amigo. 
Nós assistimos ao filme o qual vocês perderam. Vocês perderam o filme ao qual nós assistimos. 
O gerente precisa dos documentos os quais o assessor encontrou. O assessor encontrou os 
documentos dos quais o gerente precisa. 
Obs: Todos os pronomes relativos iniciam Oração Subordinada Adjetiva, portanto todos os períodos 
apresentados contêm oração subordinada adjetiva. 
O Pronome Relativo Cujo 
Este pronome indica posse (algo de alguém). 
Na montagem do período, deve-se colocá-lo entre o possuidor e o possuído (alguém cujo algo) 
Por exemplo, nas orações Antipatizei com o rapaz. Você conhece a namorada do rapaz. o 
substantivo repetido rapaz possui namorada. Deveremos, então usar o pronome relativo cujo, que será 
colocado entre o possuidor e o possuído: Algo de alguém = Alguém cujo algo. Então, tem-se a 
namorada do rapaz = o rapaz cujo a namorada. Não se pode, porém, usar artigo (o, a, os, as) depois 
de cujo. Ele deverá contrair-se com o pronome, ficando: cujo + o = cujo; cujo + a = cuja; cujo + os = 
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cujos; cujo + as = cujas. Então a frase ficará o rapaz cuja namorada. Somando as duas orações, tem-
se: 
Antipatizei com o rapaz cuja namorada você conhece. 
Outros exemplos: 
 
01) A árvore foi derrubada. Os frutos da árvore são venenosos. 
Substantivo repetido = árvore - o substantivo repetido possui algo. 
Algo de alguém = Alguém cujo algo: os frutos da árvore = a árvore cujos frutos. Somando as duas 
orações, tem-se: 
A árvore cujos frutos são venenosos foi derrubada. 
Começando pela outra oração: 
Colocação do pronome que após o substantivo = Os frutos da árvore que... 
Restante da outra oração = ...foi derrubada ... 
Finalização da oração que se havia iniciado = ...são venenosos Junção de tudo = Os frutos da árvore 
que foi derrubada são venenosos. 
02) O artista morreu ontem. Eu falara da obra do artista. 
Substantivo repetido = artista - o substantivo repetido possui algo. 
Algo de alguém = Alguém cujo algo: a obra do artista = o artista cuja obra. Somando as duas orações, 
tem-se: 
O artista cuja obra eu falara morreu ontem. 
Observe que, nesse último exemplo, a junção de tudo ficou incompleta, pois a segunda oração é: Eu 
falara da obra do artista, porém, na junção, a prep. de desapareceu. Portanto o período está 
inadequado gramaticalmente. A explicação é a seguinte: Quando o verbo da oração subordinada 
adjetiva exigir preposição, deve-se colocá-la antes do pronome relativo. Então, tem-se: O artista de cuja 
obra eu falara morreu ontem. 
 
03) As pessoas estão presas. Eu acreditei nas palavras das pessoas. 
Substantivo repetido = pessoas - o substantivo repetido possui algo. 
Algo de alguém = Alguém cujo algo: as palavras das pessoas = as pessoas cujas palavras. Somando as 
duas orações, tem-se 
As pessoas cujas palavras acreditei estão presas. 
O verbo acreditar está usado com a prep. em, portanto ela será colocada antes do pronome relativo. As 
pessoas em cujas palavras acreditei estão presas. 
 
Começando pela outra oração: 
Colocação do pronome que após o substantivo = Eu acreditei nas palavras das pessoas que ... 
Restante da outra oração = ... estão presas 
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Junção de tudo = Eu acreditei nas palavras das pessoas que estão presas. 
Obs: Todos os pronomes relativos iniciam Oração Subordinada Adjetiva, portanto todos os períodos 
apresentados contêm oração subordinada adjetiva. 
O Pronome Relativo Quem 
Este pronome substitui um substantivo que representa uma pessoa, evitando sua repetição. Somente 
deve ser utilizado antecedido de preposição, inclusive quando funcionar como objeto direto, Nesse caso, 
haverá a anteposição obrigatória da prep. a, e o pronome passará a exercer a função sintática de objeto 
direto preposicionado. Por exemplo na oração A garota que conheci está em minha sala, o pronome 
que funciona como objeto direto. Substituindo pelo pronome quem, tem-se A garota a quem conheci 
ontem está em minha sala. 
Há apenas uma possibilidade de o pronome quem não ser precedido de preposição: quando funcionar 
como sujeito. Isso só ocorrerá, quando possuir o mesmo valor de o que, a que, os que, as que, aquele 
que, aquela que, aqueles que, aquelas que, ou seja, quando puder ser substituído por pronome 
demonstrativo (o, a, os, as, aquele, aquela, aqueles, aquelas) mais o pronome relativo que. Por 
exemplo: Foi ele quem me disse a verdade = Foi ele o que me disse a verdade. Nesses casos o 
pronome quem será denominado de Pronome Relativo Indefinido. 
 
Na montagem do período, deve-se colocar o pronome relativo quem imediatamente após o substantivo 
repetido, que passará a ser chamado de elemento antecedente. 
 
Por exemplo: nas orações Este é o artista. Eu me referi ao artista ontem, há o substantivo artista 
repetido. Pode-se usar o pronome relativo quem e, assim, evitar a repetição de artista. O pronome será 
colocado após o substantivo. Então, tem-se Este é o artista quem... Este quem está no lugar da 
palavra artista da outra oração. Deve-se, agora, terminar a outra oração: ...eu me referi ontem, ficando 
Este é o artista quem me referi ontem. Como o verbo referir-se exige a preposição a, ela será 
colocada antes do pronome relativo. Então tem-se: 
Este é o artista a quem me referi ontem. 
Não se pode iniciar o período pela outra oração, pois o pronome relativo quem só funcionacomo sujeito, 
quando puder ser substituído por o que, a que, os que, as que, aquele que, aqueles que, aquela que, 
aquelas que. 
 
Outros exemplos: 
 
01) Encontrei o garoto. Você estava procurando o garoto. 
Substantivo repetido = garoto 
Colocação do pronome após o substantivo = Encontrei o garoto quem... 
Restante da outra oração = ...você estava procurando. 
Junção de tudo = Encontrei o garoto quem você estava procurando. Como procurar é verbo transitivo 
direto, o pronome quem funciona como objeto direto. Então, deve-se antepor a prep. aao pronome 
relativo, funcionando como objeto direto preposicionado. 
Encontrei o garoto a quem você estava procurando. 
Começando pela outra oração: 
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Colocação do pronome após o substantivo = Você estava procurando o garoto quem ... 
Restante da outra oração = ... encontrei 
Junção de tudo = Você estava procurando o garoto quem encontrei. Novamente objeto direto 
preposicionado: 
Você estava procurando o garoto a quem encontrei. 
02) Aquele é o homem. Eu lhe falei do homem. 
Substantivo repetido = homem 
Colocação do pronome após o substantivo = Aquele é o homem quem... 
Restante da outra oração = ...lhe falei. 
Junção de tudo = Aquele é o homem quem lhe falei. Como falar está usado com a prep. de, deve-se 
antepô-la ao pronome relativo, ficando Aquele é o homem de quem lhe falei. 
Não se esqueça disto: 
 
O pronome relativo quem somente deve ser utilizado antecedido de preposição; Quando for objeto 
direto, será antecedido da prep. a, transformando-se em objeto direto preposicionado; 
 
Somente funciona como sujeito, quando puder ser substituído por o que, os que, a que, as que, aquele 
que, aqueles que, aquela que, aquelas que. 
O Pronome Relativo Qual 
Este pronome tem o mesmo valor de que e de quem. 
 
É sempre antecedido de artigo, que concorda com o elemento antecedente, ficando o qual, a qual, os 
quais, as quais. 
 
Se a preposição que anteceder o pronome relativo possuir duas ou mais sílabas, só poderemos usar o 
pronome qual, e não que ou quem. Então só se pode dizer O juiz perante o qual testemunhei. Os 
assuntos sobre os quais conversamos, e não O juiz perante quem testemunhei nem Os assuntos 
sobre que conversamos. 
 
Outro exemplo: 
 
Meu irmão comprou o restaurante. Eu falei a você sobre o restaurante. 
Substantivo repetido = restaurante 
Colocação do pronome após o substantivo = Meu irmão comprou o restaurante que ... 
Restante da outra oração = ... eu falei a você. 
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Junção de tudo = Meu irmão comprou o restaurante que eu falei a você. Observe que o verbo falar, na 
oração apresentada, foi usado com a preposição sobre, que deverá ser anteposta ao pronome relativo: 
Meu irmão comprou o restaurante sobre que eu falei a você. Como a preposição sobre possui duas 
sílabas, não se pode usar o pronome que, e sim o qual, ficando, então: 
Meu irmão comprou o restaurante sobre o qual eu falei a você. 
O Pronome Relativo Onde 
Este pronome tem o mesmo valor de em que. 
 
Sempre indica lugar, por isso funciona sintaticamente como Adjunto Adverbial de Lugar. 
 
Se a preposição em for substituída pela prep. a ou pela prep. de, substituiremos onde por aonde e 
donde, respectivamente. Por exemplo: O sítio aonde fui é aprazível. A cidade donde vim fica longe. 
 
Será Pronome Relativo Indefinido, quando puder ser substituído por O lugar em que. Por exemplo, na 
frase: Eu nasci onde você nasceu. = Eu nasci no lugar em que você nasceu. 
 
Outro exemplo: 
 
Eu conheço a cidade. Sua sobrinha mora na cidade. 
Substantivo repetido = cidade 
Colocação do pronome após o substantivo = Eu conheço a cidade que... 
Restante da outra oração = ... sua sobrinha mora. 
Junção de tudo = Eu conheço a cidade que sua sobrinha mora. O verbo morar exige a prep. em, pois 
quem mora, mora em algum lugar. Então: 
Eu conheço a cidade em que sua sobrinha mora.Eu conheço a cidade na qual sua sobrinha mora. 
Eu conheço a cidade onde sua sobrinha mora. 
O Pronome Relativo Quanto 
Este pronome é sempre antecedido de tudo, todos ou todas, concordando com esses elementos 
(quanto, quantos, quantas). Ex: 
Fale tudo quanto quiser falar. 
Traga todos quantos quiser trazer. 
Beba todas quantas quiser beber. 
Pronomes de Tratamento 
São pronomes empregados no trato com as pessoas, familiarmente ou respeitosamente. Embora o 
pronome de tratamento se dirija à segunda pessoa, toda a concordância deve ser feita com a terceira 
pessoa. Usa-seVossa, quando conversamos com a pessoa, e Sua, quando falamos da pessoa. 
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Ex. 
Vossa Senhoria deveria preocupar-se com suas responsabilidades e não com as dele. 
Sua Excelência, o Prefeito, que se encontra ausente. 
Eis uma pequena lista de pronomes de tratamento: 
 
AUTORIDADES DE ESTADO 
 
Civis 
Pronome de tratamento – Abreviatura - Usado para 
1 - Vossa Excelência - V. Ex.a - Presidente da República, Senadores da República, Ministro de 
Estado, Governadores, Deputados Federais e Estaduais, Prefeitos, Embaixadores, Vereadores, 
Cônsules, Chefes das Casas Civis e Casas Militares. 
2 - Vossa Magnificência - V. M. - Reitores de Universidade 
3 - Vossa Senhoria - V. S.a - Diretores de Autarquias Federais, Estaduais e Municipais Judiciárias 
Pronome de tratamento – Abreviatura - Usado para 
1 - Vossa Excelência - V. Ex.a - Desembargador da Justiça, curador, promotor 
2 - Meritíssimo Juiz - M. - Juiz, Juízes de Direito 
3 - Vossa Senhoria - V. S.a - Diretores de Autarquias Federais, Estaduais e Municipais Militares 
Pronome de tratamento – Abreviatura - Usado para 
1 - Vossa Excelência - V. Ex.a - Oficiais generais (até coronéis) 
2 - Vossa Senhoria - V. S.a - Outras patentes militares 
3 - Vossa Senhoria - V. S.a - Diretores de Autarquias Federais, Estaduais e Municipais 
AUTORIDADES ECLESIÁSTICAS 
Pronome de tratamento – Abreviatura - Usado para 
1 - Vossa Santidade - V. S. - Papa 
2 - Vossa Eminência Reverendíssima - V. Em.a Revm.a - Cardeais, arcebispos e bispos 
3 - Vossa Reverendíssima - V. Revma - Abades, superiores de conventos, outras autoridades 
eclesiásticas e sacerdotes em geral 
AUTORIDADES MONÁRQUICAS 
Pronome de tratamento – Abreviatura - Usado para 
1 - Vossa Majestade - V. M. - Reis e Imperadores 
2 - Vossa Alteza - V. A. - Príncipe, Arquiduques e Duques 
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3 - Vossa Reverendíssima - V. Revma - Abades, superiores de conventos, outras autoridades 
eclesiásticas e sacerdotes em geral 
OUTRAS AUTORIDADES 
Pronome de tratamento – Abreviatura - Usado para 
1 - Vossa Senhoria - V. S.a - Dom 
2 - Doutor - Dr. - Doutor 
3 – Comendador - Com. - Comendador 
4 – Professor - Prof. - Professor 
Pronomes Possessivos 
São aqueles que indicam posse, em relação às três pessoas do discurso. São eles: meu(s), minha(s), 
teu(s), tua(s), seu(s), sua(s), nosso(s), nossa(s), vosso(s), vossa(s). 
Empregos dos pronomes possessivos: 
01) O emprego dos possessivos de terceira pessoa seu, sua, seus, suas pode dar duplo sentido à 
frase (ambiguidade). Para evitar isso, coloca-se à frente do substantivo dele, dela, deles, delas, ou troca-
se o possessivo poresses elementos. Ex. 
Joaquim contou-me que Sandra desaparecera com seus documentos. 
De quem eram os documentos? Não há como saber. Então a frase está ambígua. Para tirar a 
ambiguidade, coloca-se, após o substantivo, o elemento referente ao dono dos documentos: se for 
Joaquim: Joaquim contou-me que Sandra desaparecera com seus documentos dele; se for Sandra: 
Joaquim contou-me que Sandra desaparecera com seus documentos dela. Pode-se, ainda, eliminar o 
pronome possessivo: Joaquim contou-me que Sandra desaparecera com os documentos dele (ou dela). 
02) É facultativo o uso de artigo diante dos possessivos. Ex. 
Trate bem seus amigos. ou Trate bem os seus amigos. 
03) Não se devem usar pronomes possessivos diante de partes do próprio corpo. Ex. 
Amanhã, irei cortar os cabelos. 
Vou lavar as mãos. 
Menino! Cuidado para não machucar os pés! 
04) Não se devem usar pronomes possessivos diante da palavra casa, quando for a residência da 
pessoa que estiver falando. Ex. 
Acabei de chegar de casa. 
Estou em casa, tranquilo. 
Pronomes Demonstrativos 
Pronomes demonstrativos são aqueles que situam os seres no tempo e no espaço, em relação às 
pessoas do discurso. São os seguintes: 
 
01) Este, esta, isto: 
 
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São usados para o que está próximo da pessoa que fala e para o tempo presente. Ex. 
Este chapéu que estou usando é de couro. 
Este ano está sendo cheio de surpresas. 
02) Esse, essa, isso: 
 
São usados para o que está próximo da pessoa com quem se fala, para o tempo passado recente e para 
o futuro. Ex. 
Esse chapéu que você está usando é de couro? 
2003. Esse ano será envolto em mistérios. 
Em novembro de 2001, inauguramos a loja. Até esse mês, nada sabíamos sobre comércio. 
03) Aquele, aquela, aquilo: 
 
São usados para o que está distante da pessoa que fala, e da pessoa com quem se fala e para o tempo 
passado remoto. Ex. 
Aquele chapéu que ele está usando é de couro? 
Em 1974, eu tinha 15 anos. Naquela época, Londrina era uma cidade pequena. 
Outros usos dos demonstrativos: 
 
01) Em uma citação oral ou escrita, usa-se este, esta, isto para o que ainda vai ser dito ou escrito, e 
esse, essa, isso para o que já foi dito ou escrito. Ex. 
Esta é a verdade: existe a violência, porque a sociedade a permitiu. 
Existe a violência, porque a sociedade a permitiu. A verdade é essa. 
02) Usa-se este, esta, isto em referência a um termo imediatamente anterior. 
Ex. 
O fumo é prejudicial à saúde, e esta deve ser preservada. 
Quando interpelei Roberval, este assustou-se inexplicavelmente. 
03) Para estabelecer-se a distinção entre dois elementos anteriormente citados, usa-se este, esta, 
isto em relação ao que foi mencionado por último e aquele, aquela, aquilo, em relação ao que foi 
nomeado em primeiro lugar. Ex. 
Sabemos que a relação entre o Brasil e os Estados Unidos é de domínio destes sobre aquele. 
Os filmes brasileiros não são tão respeitados quanto as novelas, mas eu prefiro aqueles a estas. 
04) O, a, os, as são pronomes demonstrativos, quando equivalem a isto, isso, aquilo ou aquele(s), 
aquela(s). Ex. 
Não concordo com o que ele falou. (aquilo que ele falou) 
Tudo o que aconteceu foi um equívoco. (aquilo que aconteceu) 
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Pronomes Indefinidos 
Os pronomes indefinidos referem-se à terceira pessoa do discurso de uma maneira vaga, imprecisa, 
genérica. 
 
São eles: alguém, ninguém, tudo, nada, algo, cada, outrem, mais, menos, demais, algum, alguns, 
alguma, algumas, nenhum, nenhuns, nenhuma, nenhumas, todo, todos, toda, todas, muito, muitos, 
muita, muitas, bastante, bastantes, pouco, poucos, pouca, poucas, certo, certos, certa, certas, tanto, 
tantos, tanta, tantas, quanto, quantos, quanta, quantas, um, uns, uma, umas, qualquer, quaisquer, (além 
das locuções pronominais indefinidas): cada um, cada qual, quem quer que, todo aquele que, tudo o 
mais... 
 
Usos de alguns pronomes indefinidos: 
 
01) Todo: 
 
O pronome indefinido todo deve ser usado com artigo, se significar inteiro e o substantivo à sua frente o 
exigir; caso signifique cada ou todos não terá artigo, mesmo que o substantivo exija. Ex. 
Todo dia telefono a ela. (Todos os dias) 
Fiquei todo o dia em casa. (O dia inteiro) 
Todo ele ficou machucado. (Ele inteiro, mas a palavra ele não admite artigo) 
02) Todos, todas: 
 
Os pronomes indefinidos todos e todas devem ser usados com artigo, se o substantivo à sua frente o 
exigir. Ex. 
Todos os colegas o desprezam. 
Todas as meninas foram à festa. 
Todos vocês merecem respeito. 
03) Algum: 
O pronome indefinido algum tem sentido afirmativo, quando usado antes do substantivo; passa a ter 
sentido negativo, quando estiver depois do substantivo. Ex. 
Amigo algum o ajudou. (Nenhum amigo) 
Algum amigo o ajudará. (Alguém) 
04) Certo: 
 
A palavra certa será pronome indefinido, quando anteceder substantivo e será adjetivo, quando estiver 
posposto a substantivo. Ex. 
Certas pessoas não se preocupam com os demais. 
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As pessoas certas sempre nos ajudam. 
05) Qualquer: 
 
O pronome indefinido qualquer não deve ser usado em sentido negativo. Em seu lugar, deve-se usar 
algum, posteriormente ao substantivo, ou nenhum. Ex. 
Ele entrou na festa sem qualquer problema. Essa frase está inadequada gramaticalmente. O adequado 
seria: 
Ele entrou na festa sem problema algum. 
Ele entrou na festa sem nenhum problema. 
Pronomes Interrogativos 
São os pronomes que, quem, qual e quanto usados em frases interrogativas diretas ou indiretas. Ex. 
Que farei agora? - Interrogativa direta. 
Quanto te devo, meu amigo? - Interrogativa direta. 
Qual é o seu nome? - Interrogativa direta. 
Não sei quanto devo cobrar por esse trabalho. - Interrogativa indireta. 
Notas: 
 
01) Na expressão interrogativa Que é de? subentende-se a palavra feito: Que é do sorriso? (= Que 
é feito do sorriso? ), Que é dele? (= Que é feito dele?). Nunca se deve usar quédê, quedê ou cadê, pois 
essas palavras oficialmente não existem, apesar de, no Brasil, o uso de cadê ser cada dia mais 
constante. 
 
02) Não se deve usar a forma o que como pronome interrogativo; usa-se apenas que, a não ser que 
o pronome seja colocado depois do verbo. Ex. 
Que você fará hoje à noite? e não: O que você fará hoje à noite? 
Que queres de mim? e não: O que queres de mim? 
Você fará o quê? 
Ortografia Oficial 
Todas as regras ortográficas da gramática portuguesa. 
Caso x / ch 
1) x / ch nas palavras provenientes do latim: 
1.1) Emprego do ch: 
Ao passar do latim para o português, as sequências "cl", "pl" e "fl", transformaram-se em "ch": 
afflare > achar flagrare > cheirar 
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flamma > chama caplu > cacho clamare > chamar claven > chave masclu > macho planus > chão plenus 
> cheio plorare > chorar 
plumbum > chumbo 
pluvia > chuva 1.2) Emprego do x: 
a) Proveniente do x latino: 
exaguare > enxaguar examen > exame 
laxare > deixar luxu > luxo 
b) Palatização do S em grupos como ssi ou sce: 
miscere > mexer passione > paixão pisce > peixe 
 
O verbo "estender”, por exemplo, entrou para o léxico no século13, originária do latim vulgar, quando o 
“x” antes de consoante tornava-se “s”. O vocábulo “extensão” aparece no léxico de nossa língua no 
século 18 e teve sua origem no latim clássico (extensione), quando a regra era manter o “x” de sua 
origem (extensio). Tal como "extensão", escreve-se extenso, extensivo, extensibilidade, etc. 
No Presente do Subjuntivo, todas as pessoas da conjugação serão grafadas com e. Exemplo (verbo 
entoar): 
Que eu entoe 
Que tu entoes Que ele entoe 
Que nós entoemos 
Que vós entoeis 
Que eles entoem 
3) Todos os verbos que terminam em [-ear] (arrear, frear, alardear, amacear, passear...) fazem um 
ditongo [-ei-] no presente do indicativo e do subjuntivo nas formas rizotônicas (1ª, 2ª, 3ª do singular e 3ª 
do plural,): 
PRESENTE DO 
INDICATIVO 
PRETÉRITO 
PERFEITO 
FUTURO PRESENTE DO 
SUBJUNTIVO 
(que…) 
Eu freio Eu freei Eu frearei Eu freie 
Tu freias Tu freaste Tu frearás Tu freies 
Ele freia Ele freou Ele freará Ele freie 
Nós freamos Nós freamos Nós frearemos Nós freemos 
Vós freais Vós freastes Vós freareis Vós freeis 
Eles freiam Eles frearam Eles frearão Eles freiem 
 
4) Os verbos terminados em [-iar] (arriar, criar, odiar…) são regulares, exceto o (I)MARIO: 
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(Inter)Mediar, Ansiar, Remediar, Incendiar, Odiar, os quais são irregulares e formam ditongo [-ei-] nas 
formas rizotônicas: 
Observe a diferença entre Arriar (regular) e Mediar (irregular): 
PRESENTE DO 
INDICATIVO 
PRESENTE DO 
SUBJUNTIVO 
(que…) 
PRESENTE DO 
INTICATIVO 
PRESENTE DO 
SUBJUNTIVO 
(que…) 
Eu arrio Eu arrie Eu medeio Eu medeie 
Tu arrias Tu arries Tu medeias Tu medeies 
Ele arria Ele arrie Ele medeia Ele medeie 
Nós arriamos Nós arriemos Nós mediamos Nós mediemos 
Vós arriais Vós arrieis Vós mediais Vós medieis 
Eles arriam Eles arriem Eles medeiam Eles medeiem 
 
Livro Didático: Seu Papel nas Aulas de Acentuação Gráfica 
Com a difusão da "Pedagogia Tecnicista" no sistema educacional brasileiro, a partir da década de 1970, o 
uso do livro didático sofreu alterações quanto aos conceitos e a forma como passaram a ser apresentados. 
Anteriormente a esta fase, os materiais didáticos - As Antologias - desempenhavam o papel de auxílio das 
aulas. O caráter auxiliar dos materiais didáticos, depois da década de 1960, foi praticamente extinto e 
substituído por um papel de destaque. Em razão das necessidades econômicas e sociais da 
industrialização, o ensino deixou de ter uma preocupação essencialmente conceitual, enquanto a rapidez 
e a praticidade tornaram-se seu enfoque e levaram os livros didáticos a uma posição de direcionamento e 
orientação do trabalho escolar. O professor assumiu o "segundo plano" no processo ensino-aprendizagem 
e o livro passou a ocupar o "primeiro plano". Em lugar do material didático, o professor se transformou em 
auxiliar das atividades didáticas favorecendo a leitura e a realização de exercício dos livros didáticos cujo 
uso tornou-se obrigatório no sistema educacional brasileiro. 
A imagem do professor foi diretamente atingida, pois ser professor deixou de significar domínio de 
conhecimento e passou a representar submissão às instruções do livro didático. Essa mudança provocou 
a dependência do professor e até dos alunos em relação ao uso do material didático. De acordo com 
Machado (1996), a dependência da escola em relação aos livros didáticos vem acarretando o 
rebaixamento da qualidade dos conteúdos ministrados na disciplina de Língua Portuguesa. Ao encontro 
dessa posição, os dados das avaliações oficiais (SAEB/INEP, 2002) mostram que os alunos do ensino 
fundamental e médio vêm apresentando defasagem crescente, cerca de dois a três anos de atraso entre 
a série em que se encontram e os conhecimentos que deveriam dominar, na aprendizagem de língua 
portuguesa. Para Batista (1997) e Travaglia (1996), o desempenho insatisfatório dos alunos pode ser 
explicado pela ineficiência das metodologias de ensino de Língua Portuguesa que vêm sendo utilizadas 
pelas escolas. Particularmente em relação ao ensino de gramática, os Parâmetros Curriculares Nacionais 
(BRASIL, 1998) assinalam a existência de graves lacunas teóricas e práticas. 
Cezar, Romualdo e Calsa (2006) observam que o desempenho insatisfatório dos alunos é decorrente 
também da falta de compreensão sobre a necessidade de aprendizagem da língua portuguesa por parte 
dos falantes nativos do português. É comum os alunos questionarem o porquê e para quê são obrigados 
a frequentar esta disciplina com uma carga horária equivalente a outras, como a matemática, considerada 
mais importante para sua formação escolar. Para muitos, a aprendizagem formal da língua portuguesa 
não tem um significado concreto e útil, porque a linguagem formal é utilizada apenas no ambiente escolar 
(escrito) ou em situações muito especiais (palestras, apresentações, concursos, entre outros) com as quais 
não se identificam. Esse comportamento sugere não compreenderem a função de cada uma das 
variedades e modalidades linguísticas, como a oral e a escrita, tanto em seu registro coloquial como o 
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culto ou padrão. Segundo a literatura (TRAVAGLIA, 1996; CALSA, 2002; CAGLIARI, 2002), a escola tem 
ensinado conceitos gramaticais incompletos, imprecisos e, às vezes, incorretos que não promovem 
reflexão sobre a importância dessa aprendizagem para a formação ampla e diversificada desses indivíduos 
em relação à língua portuguesa. 
Frente às considerações sobre as defasagens existentes no processo de aprendizagem da língua 
portuguesa, este artigo tem por objetivo identificar os procedimentos utilizados por dois professores - um 
de final do primeiro ciclo e outro de início do segundo ciclo fundamental - de uma escola pública central 
do município de Maringá-PR, no ensino de um conteúdo de gramática. Buscou-se verificar o uso do livro 
didático em sala de aula no ensino de acentuação gráfica, um tema que tem gerado confusão conceitual 
dos alunos por envolver conceitos e procedimentos geralmente ensinados sem a necessária distinção do 
conceito de tonicidade. Não ensinados adequadamente, esses conteúdos além de gerar confusão 
conceitual favorecem a instalação de obstáculos epistemológicos que dificultam ou impedem 
aprendizagens posteriores. 
Uso do livro didático no ensino de gramática 
Na década de 1960, como afirma Berger (1976), o sistema educacional brasileiro passou a ser fortemente 
atrelado ao sistema político do país. Com a ascensão dos militares foi introduzida a vertente pedagógica 
Tecnicista, de origem norte-americana. Esta modalidade de ensino foi ao encontro da necessidade de 
escolarização rápida e técnica dos trabalhadores que precisavam qualificar-se como mão-de-obra 
industrial. 
Segundo Ghiraldelli (1991) e Munakata (1996 apud SILVA, 1998), os objetivos da Pedagogia Tecnicista 
foram atingidos com maior precisão por meio do uso dos livros didáticos que, nesse período, tiveram seu 
espaço escolar ampliado ao se tornarem obrigatórios. Em decorrência disso, em pouco tempo os 
professores deixaram de ser considerados a principal fonte de saber e planejamento e passaram a basear 
sua atuação didática nesses manuais. Com essa nova modalidade de ensino, o professor deixou de ser 
um educador autônomo para tornar-se um mero instrutor. 
Para Soares (2001), a maior demanda de alunos no ensino fundamental e médio, a qualificação ligeira dos 
professores, e a redução salarial que levou muitos a buscarem métodos de ensino menos exigentesem 
termos de dedicação profissional acabou por provocar o uso intensivo do livro didático. Consolidou-se 
então uma tradição de uso do livro didático no sistema educacional brasileiro, e uma crescente 
dependência do professor em relação a esses manuais. A fidelidade a esses materiais, de acordo com 
Silva (1996, p. 12), vem provocando uma espécie de "anemia cognitiva" nos professores, pois segui-los 
representa alimentar e cristalizar "um conjunto de rotinas altamente prejudiciais ao processo educacional 
do professorado e do alunado". Essa dependência está diretamente relacionada à má qualidade da 
formação do professor e sua superação exige políticas educacionais que promovam a autonomia 
conceitual e didática desses profissionais. Para o autor, os livros didáticos devem informar, orientar e 
instruir o processo de ensino-aprendizagem e não impor uma forma de ensinar ao professor. 
Em assentimento com o pensamento do autor, Lajolo (1996) lembra que os livros didáticos desempenham 
um papel fundamental na educação escolar, pois, dentre os outros elementos que compõem o processo 
ensino-aprendizagem, parece ser o de maior influência sobre as decisões e ações do professor. De acordo 
com a autora, no Brasil, a adoção do livro didático continua tendo como finalidade determinar os conteúdos 
e procedimentos de ensino tendo em vista as lacunas existentes na formação do professor e na 
organização do sistema educacional. Como consequência, para fugir do uso inadequado do livro didático, 
o professor deve avaliar sua qualidade e abordagem conceitual, pois nem sempre o referencial teórico 
corresponde aos conteúdos e exercícios presentes nesses manuais. Além disso, devem ser observadas 
suas incoerências, erros e conceitos incompletos. 
Lajolo (1996, p. 8) lembra, contudo, que a má qualidade conceitual e técnica do livro pode se transformar 
em um material didático satisfatório a partir da identificação e discussão de seus erros com os alunos. 
Para ela "não há livro que seja à prova de professor: o pior livro pode ficar bom na sala de um bom 
professor e o melhor livro desanda na sala de um mau professor. Pois o melhor livro [...], é apenas um 
livro, instrumento auxiliar da aprendizagem". Nenhum livro didático, por melhor que seja, pode ser utilizado 
sem adaptações. Machado (1996) também chama a atenção para o fato de que mais importante que a 
qualidade do material didático é a formação do professor, pois ele precisa estar preparado para o 
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desenvolvimento de um ensino qualificado, que inclui a análise dos livros didáticos adotados pela 
instituição escolar. 
Em um estudo sobre os livros didáticos utilizados no sistema educacional brasileiro, Machado (1996) 
constatou que, além da falta de regularidade de sua atualização que tem provocado a baixa qualidade de 
seus conteúdos, apresentam custo demasiadamente alto para o padrão de consumo da maioria da 
população. O autor assinala que a melhoria da qualidade dos livros didáticos depende do estímulo dos 
órgãos governamentais e de uma maior qualificação dos professores. Neste caso, é imprescindível o 
desenvolvimento da capacidade crítica dos acadêmicos dos cursos de Pedagogia e das Licenciaturas das 
diversas áreas de conhecimento em relação ao papel dos livros didáticos no ensino escolar. 
Para Pozo (1999), Arnay (1999) e Lacasa (1999), a fragmentação dos conceitos nos manuais didáticos 
transmite aos alunos uma noção de "falsa ciência", e não os introduz na "cultura científica escolar", função 
social específica dessa instituição. Segundo Machado (1996, p. 35), a "excessiva subdivisão dos temas" 
dos livros didáticos em doses correspondentes à duração de uma hora-aula (50 min.) também corrobora 
para a fragmentação dos conceitos científicos a ponto de, em alguns casos, tornarem-se irreconhecíveis. 
Tonicidade e acentuação gráfica 
A capacidade de se comunicar e se expressar por meio da fala é inerente ao ser humano e a esta 
capacidade dá-se o nome de linguagem. Para realizá-la, utiliza-se o sistema denominado língua. Sabe-se, 
pelos estudos realizados por Saussure (1990), que a língua é um fato social, é exterior ao indivíduo, 
convencional, pertencente a uma comunidade linguística. Ao usá-la individualmente, o falante concretiza, 
por exclusão, as possibilidades que ela oferece, no ato de fala. Ao se comunicar, o falante faz uso da 
estrutura psíquica denominada pelo estudioso de signo linguístico, que é composto de um conceito, o 
significado, e uma imagem acústica, o significante. Ambos ocorrem simultaneamente no ato da fala. 
Os sinais físicos que se produzem na fala são os sons - os fonemas - que podem realizar-se de maneiras 
variadas. Para Câmara Jr. (2002, p. 118), o fonema é um "conjunto de articulações dos órgãos fonadores 
cujo efeito acústico estrutura formas linguísticas e constitui numa enunciação o mínimo segmento distinto". 
Os fonemas são unidades abstratas mínimas, indivisíveis e distintivas da língua. São abstratas por serem 
os tipos ideais de sons constantes do sistema língua, as possibilidades dos falantes e não a sua 
concretização. São indivisíveis uma vez que não podem ser separadas em unidades menores. 
Além dos aspectos segmentais da fala (linearidade dos signos linguísticos), a comunicação envolve 
elementos suprassegmentais: os acentos e tons da língua. Os acentos manifestam-se pela altura, 
intensidade e duração de um vocábulo, consideradas suas propriedades acústicas. Os tons estão 
relacionados à altura do som. Apesar da língua portuguesa não usar os tons como elementos 
diferenciadores do léxico, em alguns casos os aspectos suprassegmentais são importantes para a 
distinção e significação de um vocábulo. 
Em língua portuguesa, a tonicidade está vinculada às suas origens greco-latinas. A língua latina teve um 
enriquecimento gramatical ao entrar em contato com o alfabeto e as regras gramaticais gregas. Contudo, 
não incorporou os acentos gráficos gregos como marca de tonicidade. A gramática latina marca a 
acentuação das palavras pela intensidade da sílaba entre breve e longa. Em latim não há palavras 
oxítonas, portanto, todos os dissílabos são paroxítonos. A sílaba tônica é sempre a penúltima ou 
antepenúltima. De acordo com Câmara Jr. (2002), os latinos não seguiram os moldes de acentuação 
gráfica grega em razão de, em língua latina, suas regras serem demasiadamente simples. As línguas 
modernas de origem latina seguem, basicamente, as regras e nomenclaturas herdadas pelos romanos 
dos gregos. Portanto, ao se estudar tais línguas, são encontrados termos já usados pelos gregos, como 
acento agudo, acento circunflexo, prosódia, entre outros. 
A definição de sílaba tem sido um dos problemas encontrados nos estudos fonéticos. Há, entre os 
estudiosos, diversidade de critérios para a análise silábica. Drucksilbe (apud CÂMARA JR., 1970) define 
sílaba como sendo a emissão do ar por impulso, em que cada um corresponde a uma sílaba, dinâmica ou 
expiratória. 
Um segundo critério é o da energia de emissão que corresponde a maior energia de emissão, ou acento 
silábico, durante a articulação de uma sílaba. Por fim, Brucke (apud CÂMARA JR., 1970, p. 70) conceitua 
sílaba a partir de seu efeito auditivo, isto é, pela variação da perceptibilidade em uma enunciação contínua. 
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Denomina a sílaba de sonora por observar "que a enunciação, sob o aspecto acústico, se decompõe 
espontaneamente em segmentos, ou sílabas, assinalados por um ponto máximo de perceptibilidade [...]". 
Independente do critério utilizado, a conceituação desílaba sempre envolve o ápice silábico que, pelos 
apontamentos de Borba (1975, p. 52), corresponde à tensão máxima a que se chega ao pronunciá-la. 
Para o autor, a sílaba se compõe de "uma tensão crescente e uma tensão decrescente. A primeira parte 
da sílaba é crescente até chegar à tensão máxima [...], a partir da qual começa a tensão decrescente". O 
ápice silábico, normalmente, é uma vogal. Câmara Jr. (2002) destaca que a vogal sempre é o ponto de 
maior tensão da sílaba. No caso dos ditongos haverá sempre uma vogal como ápice, sendo a outra 
denominada semivogal. 
Quando formados por mais de uma sílaba, os vocábulos sempre têm uma delas pronunciada de forma 
mais intensa, contraponto à sílaba átona, que é pronunciada de forma mais branda. Identificar a sílaba 
tônica dos vocábulos formais é uma das grandes dificuldades encontradas no processo de aprendizagem 
escolar, em especial, na fase de alfabetização. 
Para Cagliari (2002), esse problema surge principalmente pelo fato de a escola não apresentar a tonicidade 
das palavras como uma ocorrência da pronunciação e não da escrita. A tonicidade é identificada nas 
palavras somente quando alguém busca verificar a posição em que se encontra a sílaba tônica. O autor 
assinala que, durante o processo de alfabetização, a escola não deve abordar a diferenciação das sílabas 
átonas e tônicas a partir de seu conceito. Ele acredita que elas devem ser estudadas em conjunto com a 
tomada de consciência dos alunos sobre o ritmo da fala. 
Desenvolvimento da pesquisa 
O presente artigo teve por objetivo investigar os procedimentos utilizados pelos professores e livros 
didáticos de língua portuguesa no ensino de gramática do ensino fundamental, em particular, em relação 
ao conteúdo de acentuação gráfica e tonicidade. A amostra da pesquisa foi constituída por dois 
professores do ensino fundamental - um de 4.ª e um de 5.ª série de uma escola pública de Maringá-PR - 
selecionados a partir de seu aceite em participar da pesquisa. 
Tomando como referência Ludke e André (1986), para atingir os objetivos da pesquisa, optou-se por uma 
abordagem qualitativa dos dados considerada a mais adequada para a compreensão da dinâmica 
presente no ambiente escolar. Os dados foram coletados por meio de dois instrumentos: observações de 
aulas de gramática e análises de livros didáticos. Foram observadas as aulas que abordaram o tema 
tonicidade e acentuação gráfica, critério que definiu a quantidade de horas de observação em cada série 
(4.ª série quatro horas e meia e 5.ª série, duas horas). As observações contemplaram o desenvolvimento 
das atividades: apresentação do conteúdo, exercícios, uso do livro didático e outros materiais, avaliação 
do conteúdo. Os livros didáticos foram analisados quanto aos procedimentos subjacentes à apresentação 
e exercício do conteúdo. 
Apresentação e discussão dos resultados 
Para a análise, foi utilizado o livro da coleção A Escola é Nossa, de Márcia Paganini Cavéquia (2004) - 4.ª 
série. O volume é composto por sete unidades subdividas em oito tópicos entre eles Pensando sobre a 
língua e Caderno de Ortografia, únicos em que são encontrados os conteúdos investigados - acentuação 
gráfica e tonicidade. 
Em relação à segunda etapa do ensino fundamental foi analisado o livro de 5.ª série da coleção Ler, 
entender e criar, de Maria das Graças Vieira e Regina Figueiredo (2004). Nesta coleção cada volume é 
composto por dez unidades subdividas em sete tópicos. Os conteúdos de acentuação gráfica e tonicidade 
estão presentes no tópico Veja como se escreve. 
O livro didático da 4.ª série apresenta o conceito de sílaba tônica, classificação das palavras e regras de 
acentuação somente no Caderno de atividades de acentuação e ortografia, parte do Caderno de 
Ortografia. As explicações e os exercícios propostos apresentam os dois conteúdos de forma 
desvinculada. Para introduzir o conceito de sílaba tônica, o livro solicita que o aluno pronuncie várias vezes 
a palavra menina e indique a sílaba mais forte. Logo após, apresenta o conceito gramatical e exemplifica 
a classificação das palavras, conforme a posição da sílaba mais forte: oxítonas, paroxítonas e 
proparoxítonas. 
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Ao explicar a acentuação gráfica de palavras oxítonas, apresenta várias palavras como amor, cipó, calor, 
funil e José, com o intuito de demonstrar que nem todas essas palavras são acentuadas e que para fazê-
lo corretamente deve-se observar sua terminação. O exercício denominado Complete solicitado para 
treinar esses conteúdos parece induzir os alunos à observação da terminação de cada vocábulo 
descartando a identificação da sílaba tônica. 
 
Em outro exercício, é solicitado ao aluno que justifique o porquê da presença ou ausência do acento gráfico 
em um conjunto de palavras oxítonas. Segundo as orientações fornecidas ao professor, são consideradas 
corretas somente as respostas que explicam a acentuação a partir de regras de acentuação. Esse tipo de 
abordagem faz com que os alunos tomem como verdade a ideia de que o acento gráfico aparece somente 
em vocábulos nos quais tem uma sílaba mais forte e, assim, deixa de dar a ênfase necessária ao fato de 
que o acento solicitado é o gráfico. Com esse procedimento, não fica claro para os alunos que 
independentemente de sua grafia toda palavra possui uma sílaba tônica, com exceção dos monossílabos 
átonos. 
Paralelismo Sintático E Paralelismo Semântico 
Notadamente, a construção textual é concebida como um procedimento dotado de grande complexidade, 
haja vista que o fato de as ideias emergirem com uma certa facilidade não significa transpô-las para o 
papel sem a devida ordenação. Tal complexidade nos remete à noção das competências inerentes ao 
emissor diante da elaboração do discurso, dada a necessidade de este se perfazer pela clareza e 
precisão. 
 
Infere-se, portanto, que as competências estão relacionadas aos conhecimentos que o usuário tem dos 
fatos linguísticos, aplicando-os de acordo com o objetivo pretendido pela enunciação. De modo mais 
claro, ressaltamos a importância da estrutura discursiva se pautar pela pontuação, concordância, 
coerência, coesão e demais requisitos necessários à objetividade retratada pela mensagem. 
 
Atendo-nos de forma específica aos inúmeros aspectos que norteiam os já citados fatos linguísticos, 
ressaltamos determinados recursos cuja função se atribui por conferirem estilo à construção textual – o 
paralelismo sintático e semântico. Caracterizam-se pelas relações de semelhança existente entre 
palavras e expressões que se efetivam tanto de ordem morfológica (quando pertencem à mesma classe 
gramatical), sintática (quando há semelhança entre frases ou orações) e semântica (quando há 
correspondência de sentido entre os termos). 
Casos recorrentes se manifestam no momento da escrita indicando que houve a quebra destes recursos, 
tornando-se imperceptíveis aos olhos de quem a produz, interferindo de forma negativa na textualidade 
como um todo. Como podemos conferir por meio dos seguintes casos: 
 
Durante as quartas-de-final, o time do Brasil vai enfrentar a Holanda. 
 
Constatamos a falta de paralelismo semântico, ao analisarmos que o time brasileiro não enfrentará o 
país, e sim a seleção que o representa. Reestruturando a oração, obteríamos: 
 
Durante as quartas-de-final, o time do Brasil vai enfrentar a seleção da Holanda. 
 
Se eles comparecessem à reunião, ficaremos muito agradecidos. 
 
1 
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Eis que estamos diante de um corriqueiro procedimento linguístico,embora considerado incorreto, 
sobretudo, pela incoerência conferida pelos tempos verbais (comparecessem/ficaremos). O contrário 
acontece se disséssemos: 
 
Se eles comparecessem à reunião, ficaríamos muito agradecidos. 
Ambos relacionados à mesma ideia, denotando uma incerteza quanto à ação. 
 
Ampliando a noção sobre a correta utilização destes recursos, analisemos alguns casos em que eles se 
aplicam: 
 
não só... mas (como) também: 
 
A violência não só aumentou nos grandes centros urbanos, mas também no interior. 
 
Percebemos que tal construção confere-nos a ideia de adição em comparar ambas as situações em que 
a violência se manifesta. 
 
Quanto mais... (tanto) mais: 
 
Atualmente, quanto mais se aperfeiçoa o profissionalismo, mais chances tem de se progredir. 
 
Ao nos atermos à noção de progressão, podemos identificar a construção paralelística. 
 
Seja... Seja; Quer... Quer; Ora... Ora: 
 
A cordialidade é uma virtude aplicável em quaisquer circunstâncias, seja no ambiente familiar, 
seja no trabalho. 
PARALELISMO SINTÁTICO E PARALELISMOS SEMÂNTICO 
 
 
Confere-se a aplicabilidade do recurso mediante a ideia de alternância. 
 
Tanto... Quanto: 
 
As exigências burocráticas são as mesmas, tanto para os veteranos, quanto para os calouros. 
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Mediante a ideia de adição, acrescida àquela de equivalência, constata-se a estrutura paralelística. 
 
Não... E não/nem: 
 
Não poderemos contar com o auxílio de ninguém, nem dos alunos, nem dos funcionários da 
secretaria. 
 
Recurso este empregado quando se quer atribuir uma sequência negativa. 
 
Por um lado... Por outro: 
 
Se por um lado, a desistência da viagem implicou economia, por outro, desagradou aos filhos 
que estavam no período de férias. 
 
O paralelismo efetivou-se em virtude da referência a aspectos negativos e positivos relacionados a um 
determinado fato. 
 
Tempos verbais: 
 
Se a maioria colaborasse, haveria mais organização. 
 
Como dito anteriormente, houve a concordância de sentido proferida pelos verbos e seus respectivos 
tempos. 
Colocação Pronominal 
É a parte da gramática que trata da correta colocação dos pronomes oblíquos átonos na frase. Embora 
na linguagem falada a colocação dos pronomes não seja rigorosamente seguida, algumas normas 
devem ser observadas, sobretudo, na linguagem escrita. 
Dicas: 
Existe uma ordem de prioridade na colocação pronominal: 1º tente fazer próclise, depois 
mesóclise e em último caso, ênclise. 
Próclise 
É a colocação pronominal antes do verbo. A próclise é usada: 
 
1) Quando o verbo estiver precedido de palavras que atraem o pronome para antes do verbo. São 
elas: 
2 
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a) Palavras de sentido negativo: não, nunca, ninguém, jamais, etc. 
 
Ex.: Não se esqueça de mim. 
 
b) Advérbios. 
 
Ex.: Agora se negam a depor. 
 
c) Conjunções subordinativas. 
 
Ex.: Soube que me negariam. 
 
d) Pronomes relativos. 
 
Ex.: Identificaram duas pessoas que se encontravam desaparecidas. 
 
e) Pronomes indefinidos. 
 
Ex.: Poucos te deram a oportunidade. 
 
f) Pronomes demonstrativos. 
 
Ex.: Disso me acusaram, mas sem provas. 
 
2) Orações iniciadas por palavras interrogativas. 
 
Ex.: Quem te fez a encomenda? 
 
3) Orações iniciadas por palavras exclamativas. 
 
Ex.: Quanto se ofendem por nada! 
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4) Orações que exprimem desejo (orações optativas). 
 
Ex.: Que Deus o ajude. 
 
Mesóclise 
É a colocação pronominal no meio do verbo. A mesóclise é usada: 
 
1) Quando o verbo estiver no futuro do presente ou futuro do pretérito, contanto que esses 
verbos não estejam precedidos de palavras que exijam a próclise. 
 
Exemplos: 
 
Realizar-se-á, na próxima semana, um grande evento em prol da paz no mundo. Não fosse os meus 
compromissos, acompanhar-te-ia nessa viagem. 
 
Ênclise 
É a colocação pronominal depois do verbo. A ênclise é usada quando a próclise e a mesóclise não forem 
possíveis: 
 
1) Quando o verbo estiver no imperativo afirmativo. 
 
Ex.: Quando eu avisar, silenciem-se todos. 
 
2) Quando o verbo estiver no infinitivo impessoal. 
 
Ex.: Não era minha intenção machucar-te. 
 
3) Quando o verbo iniciar a oração. 
 
Ex.: Vou-me embora agora mesmo. 
 
4) Quando houver pausa antes do verbo. 
 
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Ex.: Se eu ganho na loteria, mudo-me hoje mesmo. 
 
5- Quando o verbo estiver no gerúndio. 
 
Ex.: Recusou a proposta fazendo-se de desentendida. 
 
Dicas: 
O pronome poderá vir proclítico quando o infinitivo estiver precedido de preposição ou palavra 
atrativa. 
Exemplos: 
 
É preciso encontrar um meio de não o magoar. 
É preciso encontrar um meio de não magoá-lo. 
 
Colocação pronominal nas locuções verbais 
 
1) Quando o verbo principal for constituído por um particípio 
 
a) O pronome oblíquo virá depois do verbo auxiliar. 
 
Ex.: Haviam-me convidado para a festa. 
 
b) Se antes da locução verbal houver palavra atrativa, o pronome oblíquo ficará antes do 
verbo auxiliar. 
 
Ex.: Não me haviam convidado para a festa. 
 
Dicas: 
Se o verbo auxiliar estiver no futuro do presente ou no futuro do pretérito, ocorrerá a mesóclise, 
desde que não haja palavra atrativa antes dele. 
 
Ex.: Haver-me-iam convidado para a festa. 
 
2) Quando o verbo principal for constituído por um infinitivo ou um gerúndio: 
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a) Se não houver palavra atrativa, o pronome oblíquo virá depois do verbo auxiliar ou depois 
do verbo principal. 
Exemplos: 
 
Devo esclarecer-lhe o ocorrido/ Devo-lhe esclarecer o ocorrido. 
Estavam chamando-me pelo alto-falante./ Estavam-me chamando pelo alto-falante. 
 
b) Se houver palavra atrativa, o pronome poderá ser colocado antes do verbo auxiliar ou 
depois do verbo principal. 
Exemplos: 
 
Não posso esclarecer-lhe o ocorrido./ Não lhe posso esclarecer o ocorrido. Não estavam chamando-me./ 
Não me estavam chamando. 
 
Observações importantes: 
Emprego de o, a, os, as 
 
1) Em verbos terminados em vogal ou ditongo oral, os pronomes: o, a, os, as não se alteram. 
Exemplos: 
 
Chame-o agora. 
Deixei-a mais tranquila. 
 
2) Em verbos terminados em r, s ou z, estas consoantes finais alteram-se para lo, la, los, las. 
Exemplos: 
 
(Encontrar) Encontrá-lo é o meu maior sonho. 
(Fiz) Fi-lo porque não tinha alternativa. 
 
3) Em verbos terminados em ditongos nasais (am, em, ão, õe, õe,), os pronomes o, a, os, as 
alteram-se para no, na, nos, nas. 
Exemplos: 
 
Chamem-no agora. 
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Põe-na sobre a mesa. 
 
4) As formas combinadas dos pronomes oblíquos: mo, to, lho, no-lo, vo-lo, formas em 
desuso, podem ocorrer em próclise, ênclise ou mesóclise. 
 
Ex.: Ele me deu. (Eleme deu o livro) 
 
 
 
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