DA CRISE DO 2º REINADO À PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA

Disciplina:História do Direito Brasileiro2.344 materiais101.002 seguidores
Pré-visualização4 páginas
se tornaram mais intensas.

Um dos alvos da insatisfação era o sistema representativo e o processo eleitoral que o configurava, apesar das reformas realizadas em 1855, 1860 e 1875.

Em janeiro de 1878, subiu ao poder um gabinete liberal , tendo a frente João Lins Vieira Cansanção de Sinimbu e que substituiu o governo conservador liderado por Caxias, que havia se afastado por motivo de saúde.

O principal projeto do governo Sinimbu que seria apresentado à Câmara dos Deputados tratava da realização de uma nova reforma eleitoral que deveria introduzir o VOTO DIRETO.

*
*

 Para garantir a aprovação do projeto, o novo gabinete dissolveu, em 11/04/1878, a Câmara, de maioria conservadora, e convocou eleições visando a composição de uma Câmara com maioria (na verdade, com exclusividade) de deputados liberais.

A campanha pela eleição direta fundamentava-se não apenas na alegação de se dar maior qualidade ao voto, proporcionar maior lisura do sufrágio e da autenticidade representação, mas também em uma preocupação velada com a redução dos custos das eleições para os potentados locais.

 A principal causa atribuída aos problemas acima referidos estaria na extensa participação eleitoral, atribuindo-se a maior culpa pela corrupção e pelo falseamento dos resultados eleitorais ao VOTO DO ANALFABETO.

 Apresentava-se como solução a adoção da VOTAÇÃO DIRETA, com a supressão das ELEIÇÕES PRIMÁRIAS (que constavam do texto constitucional de 1824 e mantidas nas reformas de 1855, 1860 e 1875) e com a SUPRESSÃO DO VOTO DOS ANALFABETOS.

*
*

 O projeto foi aprovado na Câmara, apesar das ponderações feitas por Joaquim Nabuco, Saldanha Marinho, José Bonifácio (o Moço) contra o projeto, afirmando que os verdadeiros causadores da corrupção eleitoral não era o povo miúdo (especialmente , os analfabetos), mas sim o Governo e os políticos.

No Senado, o projeto encontrou fortes resistências e foi rejeitado – a rejeição ao projeto e a impopularidade do gabinete presidido por Sinimbu após a criação do IMPOSTO DO VINTÉM e da violência usada para a repressão à revolta popular que estourou contra o imposto, provocou sua substituição, em 28 de março de 1880, por outro gabinete liberal, presidido por José Antonio Saraiva que conseguiu a aprovação da reforma por lei ordinária de 09/01/1881, conforme o desejo do Senado.

*
*

 A Lei Saraiva que implantou a reforma eleitoral instituía:

 A eleição direta em turno único (eliminava-se a figura do VOTANTE).
 Critérios mais rígidos para a comprovação de renda de 200 mil- réis exigida para os ELEITORES (praticamente vetava-se a participação de assalariados que não fossem funcionários públicos, já que não seriam aceitas as declarações dos empregadores como prova de renda).
 A exclusão dos analfabetos do direito de voto.
O voto facultativo.
 A divisão eleitoral das províncias em “círculos eleitorais” de um só deputado, exigindo-se maioria absoluta (metade mais um voto) na votação (não ocorrendo maioria absoluta, realizava-se um segundo escrutínio entre os dois candidatos mais votados).
O direito de elegibilidade aos naturalizados e aos não-católicos.

 Em 1882, a lei eleitoral de 1881 sofreu uma pequena modificação, ao reduzir a idade mínima exigida para o exercício do voto, de 25 para 21 anos.

*
*

OBSERVAÇÕES IMPORTANTES ACERCA DA REFORMA ELEITORAL DE 1881...
A reforma eleitoral de 1881 provocou uma drástica redução do eleitorado causada pela exclusão dos analfabetos (que correspondiam, aproximadamente, a 84% da população brasileira) e pelo maior rigor na verificação da renda exigida para o exercício do direito de voto .
Apesar de ter introduzido o voto direto, a reforma provocou um retrocesso na participação eleitoral e, por tabela, uma restrição do acesso à cidadania política formal.

*
*

REBELIÕES POPULARES NA DÉCADA DE 1870

 REVOLTA DO QUEBRA-QUILOS: revolta que ocorreu no Rio de Janeiro em 1871 e em várias áreas rurais de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte contra a adoção do SISTEMA MÉTRICO DECIMAL que havia sido instituído por lei em 26/06/1862. No Nordeste, a revolta contra a implantação do novo sistema de pesos e medidas foi acompanhada de outros fatores como a criação de novos impostos e elevação dos que já existiam pelas ASSEMBLÉIAS PROVINCIAIS, além dos abusos cometidos pelos ARREMATANTES na cobrança. Some-se a isso tudo, o conflito entre o Estado Imperial e a Igreja Católica (a chamada Questão Religiosa) e a reação a nova LEI DE RECRUTAMENTO MILITAR de meados da década de 1870.

 DISTÚRBIOS PROVOCADOS PELA LEI DE RECRUTAMENTO MILITAR: além das províncias do Nordeste, Minas Gerais foi bastante afetado por estes distúrbios. Mesmo os setores proprietários de terras ficaram alarmados diante da possibilidade de que a lei atingisse a todos, independentemente da renda. Em muitos locais (como foi o caso de Mossoró), a chefia da revolta coube a mulheres, temerosas de perderem seus maridos e filhos.

*
*

 REVOLTA DOS MUCKER: Este movimento estourou em 1873 na colônia alemã de S. Leopoldo, no Vale do Rio dos Sinos, no Rio Grande do Sul. Esta revolta resultou de mudanças econômicas e sociais que atingiram a sociedade local e que gerou reações que buscaram uma saída no MESSIANISMO e que foi conduzida por João Jorge Maurer e por sua mulher, Jacobina, que praticava curas e fazia profecias. O movimento foi reprimido com muita violência, tendo sido Jacobina executada sumariamente.

 O MOTIM (ou REVOLTA) DO VINTÉM: ocorrida em plena capital do Império, como reação à implantação do imposto de UM VINTÉM (VINTE RÉIS) em 31/10/1879) sobre as passagens dos bondes e que deveria entrar em vigor a partir de 1º de janeiro de 1880. A reação começou no dia 28/12/1879, quando uma multidão reuniu-se no Campo de São Cristóvão e elaborou, sob a liderança de Lopes Trovão, uma petição ao imperador para revogasse o imposto que, todavia, não foi recebida por D. Pedro II. No dia 1º de janeiro de 1880, depois de um comício no Largo do Paço, uma multidão dirigiu-se para o Largo de São Francisco e no meio do caminho se amotinou provocando grandes estragos e gerou dura repressão. Novos incidentes ocorreram nos dias posteriores e ao longo do ano, aumentou o número de pessoas que se recusavam a pagar o imposto. Por fim, em 05/09/1880, o Governo decidiu abolir o Imposto do Vintém.

*
*

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE ACERCA DA REVOLTA DO VINTÉM...
 A REVOLTA DO VINTÉM se constituiu em importante manifestação de uma nova forma de ação política que se manifestaria nas ruas, aguçando o interesse de um público cada vez mais amplo e estimulando sua participação no processo político da última década do Império.

*
*

O MOVIMENTO REPUBLICANO, A QUESTÃO RELIGIOSA, A QUESTÃO MILITAR E A QUEDA DA MONARQUIA.
 A partir dos anos 1870 começaram a se evidenciar alguns importantes sintomas de uma crise do Segundo Reinado. Dentre estes sintomas podemos destacar:

O início do Movimento Republicano.

Atritos do Governo Imperial com o Exército e a Igreja Católica;

O encaminhamento da questão abolicionista que provocou um desgaste nas relações entre o Estado Monárquico e suas bases sociais de apoio (especialmente os grandes plantadores de café do Vale do Paraíba);

 Cada um destes “sinais” teve um peso específico na queda do regime monárquico. Além disso, tais sintomas devem ser entendidos em um contexto marcado por transformações sócio-econômicas, as quais deram origem a novos grupos sociais e a uma maior receptividade às idéias de reforma.

*
*

O MOVIMENTO REPUBLICANO
 O movimento republicano, que marcaria o contexto de decadência do regime imperial brasileiro, nasceu no Rio de Janeiro, com a fundação, em 03 de novembro de 1870, do Partido Republicano da cidade do Rio de Janeiro, que se originou da fragmentação do Partido Liberal, resultante da queda do gabinete Zacarias em 1868.

No manifesto de fundação do partido, os republicanos criticaram o regime de corrupção e privilégios, as prerrogativas do Trono, o centralismo da administração, a ausência das liberdades econômica, de consciência, de imprensa,