Introdução à disciplina história do direito brasileiro

Introdução à disciplina história do direito brasileiro


DisciplinaHistória do Direito Brasileiro8.613 materiais241.049 seguidores
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jurídico-política adotadas por esta ato institucional. O AI-5 como expressão política da chamada \u201clinha dura\u201d das Forças Armadas (especialmente do Exército) que se opunham a qualquer tentativa de restabelecimento da normalidade democrática. A Emenda 1 de 17/10/1969 à Constituição de 1967 (para muitos, a Constituição de 1969).
 A exacerbação da ditadura (o governo Médici): o fechamento político, a luta armada, o \u201cmilagre econômico).
O início da distensão política: o Governo Geisel. O crescimento da oposição democrática e as reações ao projeto da abertura política lenta e gradual do Governo Geisel (votação da Emenda Constitucional no 11 em outubro de 1978 e que entrou em vigor em 1º de Janeiro de 1979, revogando o AI-5).
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SEMANA 12 \u2013 O DIREITO NO BRASIL DO PÓS-SEGUNDA GUERRA MUNDIAL: O DECLÍNIO DO REGIME MILITAR E A TRANSIÇÃO DEMOCRÁTICA.
As dificuldades econômicas vivenciadas pelo regime militar já a partir do Governo Geisel. Os casuismos eleitorais visando a contenção da oposição. A Lei do Divórcio. 
A ambiência política e econômica no Brasil e no mundo ao final da década de 1970: a adoção na Inglaterra (início do período de Margareth Tatcher) e nos Estados Unidos (início da Era Reagan) do modelo de organização sócio-produtiva capitalista vulgarmente conhecida como neoliberal. O Governo Figueiredo, as crescentes dificuldades econômicas, a abertura política (a Lei da Anistia votada em agosto de 1979) e a resistência da \u201clinha dura\u201d do regime.
O movimento das Diretas-Já, a retomada da participação popular na construção de um regime democrático. O Fracasso do movimento e a eleição indireta e a morte de Tancredo Neves, a ascensão de José Sarney à presidência e o início da Nova República. A assembléia constituinte de 1987, a luta ideológica, a Constituição Cidadã de 1988.
Principais características da Constituição de 1988. As tensões políticas do início da década de 1990: o impeachment de Collor. O plebiscito de 1993 e a opção pelo presidencialismo republicano.
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SEMANA 13 \u2013 O DIREITO NO BRASIL DO PÓS-SEGUNDA GUERRA MUNDIAL: A AMBIÊNCIA CONTEMPORÂNEA DO DIREITO BRASILEIRO 
A produção normativa hodierna a partir do filtro constitucional.
Alguns dos principais avanços legislativos sob a égide da Constituição de 1988: O Código de Defesa do Consumidor, o Estatuto da Criança e do Adolescente, o Estatuto do Idoso, a Lei Maria da Penha, as leis ambientais, as alterações nos códigos processuais.
A adequação das relações privadas aos novos tempos prevista no novo Código Civil de 2002.
Novas necessidades e novos direitos.
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SEMANA 14 \u2013 REVISÃO DOS CONTEÚDOS DAS SEMANAS DE 1 A 7
SEMANA 15 \u2013 REVISÃO DOS CONTEÚDOS DAS SEMANAS DE 8 A 13
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INTRODUÇÃO À DISCIPLINA HISTÓRIA DO DIREITO BRASILEIRO
Considerações a respeito da natureza do conhecimento histórico e do \u201clugar\u201d da História do Direito no processo de formação dos operadores do Direito. 
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O que é a História? Ou melhor, como a História é pensada pelo senso comum? 
A História e o passado seriam categorias intercambiáveis \u2013 elas estariam unidas de tal forma que somente poderia haver uma única leitura histórica do passado.
A História serviria para o conhecimento do passado tal como ele \u201crealmente\u201d aconteceu \u2013 isto permitiria uma apreensão \u201cpura\u201d dos fatos históricos.
A História se confundiria com a memória \u2013 sobreviventes, participantes, contemporâneos de fatos e eventos históricos, ou seus escritos e depoimentos seriam considerados como \u201ca História viva\u201d deste ou daquele fato ou evento.
A História se constituiria como a narrativa de um processo evolutivo linear das sociedades, desde os \u201ctempos remotos\u201d até os dias atuais .
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O senso comum, entretanto não consegue dar conta de uma apreensão mais sofisticada, mais elaborada dos fenômenos sociais e do mundo natural.
O \u201colhar\u201d do senso comum sobre o mundo é sempre fragmentado, imediatista e pouco abrangente.
No que se refere à História, este \u201colhar\u201d do senso comum a situa no campo da compilação/registro de fatos e eventos considerados históricos \u201cper si\u201d em uma seqüência temporal linear.
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Como então superar a perspectiva do senso comum no conhecimento histórico? Algumas sugestões:
Entender que a História é um dentre muitos \u201cdiscursos\u201d sobre o mundo e que tais discursos ainda que não criem o mundo, dele se apropriam, dando-lhe todos os significados que têm \u2013 a pequena parte do mundo que se constitui em pretenso objeto de investigação da História é o Passado. Portanto História e Passado são coisas diferentes. Assim como História e Memória são também coisas distintas.
Compreender que os fatos e eventos da história chegam até nós sempre refratados através da mente, do olhar do registrador, ou seja, do historiador \u2013 quando tomamos um trabalho de história para leitura devemos nos preocupar, não com os fatos que ele contém, mas, primeiramente, com o historiador que o escreveu.
A visualização, a compreensão do passado somente ocorre através dos olhos do presente \u2013 o historiador pertence à sua época, ao seu \u201cpresente\u201d, e a ele se liga pelas condições objetivas da existência humana.
Entender que a História é produto do trabalho de historiadores (ou dos que atuam como historiadores) \u2013 não é possível relatar mais do que uma pequena parcela do que aconteceu, sendo que o relato do historiador nunca corresponde exatamente ao passado.
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ALGUMAS REFLEXÕES
As rápidas considerações que tecemos anteriormente a respeito da natureza do conhecimento histórico e de sua produção, são válidas para o campo do conhecimento da História do Direito e, mais especificamente, da História do Direito Brasileiro.
Como campo especializado do conhecimento histórico, a História do Direito (e como tal, a História do Direito Brasileiro) se apresenta como produção discursiva daqueles que exercem o ofício do historiador e que buscam a compreensão das configurações institucionais e normativas do Direito nas diversas formações sociais ao longo do tempo ou no processo de formação de uma determinada sociedade. 
No que se refere à importância e ao papel da disciplina histórica na formação dos juristas e dos chamados \u201coperadores do direito\u201d, podemos entendê-la a partir de uma perspectiva CONSERVADORA ou a partir de uma perspectiva CRÍTICA.
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DE UMA FORMA MAIS USUAL, A HISTÓRIA DO DIREITO SERIA CONSIDERADA IMPORTANTE NA FORMAÇÃO DOS JURISTAS E DOS OPERADORES DO DIREITO PORQUE:
Ela serviria para a interpretação do direito atual.
Permitiria a identificação de valores jurídicos considerados \u201ceternos\u201d, \u201cnaturais\u201d.
Desenvolveria a sensibilidade jurídica.
Possibilitaria um alargamento do \u201chorizonte cultural\u201d dos juristas e dos operadores do direito, aumentando seu poder de persuasão e ocasionalmente \u201cabrilhantando\u201d sua argumentação, sobretudo diante de uma audiência forense.
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Tal interesse pedagógico pela História do Direito limita-se geralmente, em uma perspectiva mais tradicional do ensino jurídico, a afirmar que, para os futuros juristas e operadores do Direito, ela é uma disciplina formativa.
Aceitaremos, portanto, o fato de que a História do Direito é uma Disciplina Formativa, porém DIFERENTE DAS DEMAIS DISCIPLINAS DOGMÁTICAS DO CURSO JURÍDICO.
Mas por que ela seria efetivamente uma disciplina FORMATIVA?
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A HISTÓRIA DO DIREITO PODE SE CONFIGURAR COMO UMA DISCIPLINA FORMATIVA SOB UMA PERSPECTIVA CONSERVADORA/LEGITIMADORA.
 COMO?
Identificando a idéia de direito justo com o direito estabelecido e longamente praticado - a concepção de que aquilo que é antigo, tradicional é \u201cnaturalmente\u201d bom;
Disseminando a idéia de que determinada categoria discursiva ou que determinada solução jurídica pertencem à \u201cnatureza das coisas\u201d ou que derivam de \u201ccategorias eternas da justiça ou da razão jurídica\u201d;
\u201cComprovando\u201da \u201clinearidade do progresso da sociedade e de suas instituições\u201d e a consequente \u201csacralização\u201d do presente;
Apresentando as decisões judiciais como opções puramente \u201ctécnicas\u201d, \u201ccientíficas\u201d, desideologizadas, apartadas de qualquer conflito social adjacente. 
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TODAVIA, A HISTÓRIA DO DIREITO PODE SE CONFIGURAR COMO UMA