Introdução à disciplina história do direito brasileiro

Disciplina:História do Direito Brasileiro2.374 materiais101.417 seguidores
Pré-visualização4 páginas
jurídico-política adotadas por esta ato institucional. O AI-5 como expressão política da chamada “linha dura” das Forças Armadas (especialmente do Exército) que se opunham a qualquer tentativa de restabelecimento da normalidade democrática. A Emenda 1 de 17/10/1969 à Constituição de 1967 (para muitos, a Constituição de 1969).
 A exacerbação da ditadura (o governo Médici): o fechamento político, a luta armada, o “milagre econômico).
O início da distensão política: o Governo Geisel. O crescimento da oposição democrática e as reações ao projeto da abertura política lenta e gradual do Governo Geisel (votação da Emenda Constitucional no 11 em outubro de 1978 e que entrou em vigor em 1º de Janeiro de 1979, revogando o AI-5).

*

SEMANA 12 – O DIREITO NO BRASIL DO PÓS-SEGUNDA GUERRA MUNDIAL: O DECLÍNIO DO REGIME MILITAR E A TRANSIÇÃO DEMOCRÁTICA.
As dificuldades econômicas vivenciadas pelo regime militar já a partir do Governo Geisel. Os casuismos eleitorais visando a contenção da oposição. A Lei do Divórcio.
A ambiência política e econômica no Brasil e no mundo ao final da década de 1970: a adoção na Inglaterra (início do período de Margareth Tatcher) e nos Estados Unidos (início da Era Reagan) do modelo de organização sócio-produtiva capitalista vulgarmente conhecida como neoliberal. O Governo Figueiredo, as crescentes dificuldades econômicas, a abertura política (a Lei da Anistia votada em agosto de 1979) e a resistência da “linha dura” do regime.
O movimento das Diretas-Já, a retomada da participação popular na construção de um regime democrático. O Fracasso do movimento e a eleição indireta e a morte de Tancredo Neves, a ascensão de José Sarney à presidência e o início da Nova República. A assembléia constituinte de 1987, a luta ideológica, a Constituição Cidadã de 1988.
Principais características da Constituição de 1988. As tensões políticas do início da década de 1990: o impeachment de Collor. O plebiscito de 1993 e a opção pelo presidencialismo republicano.

*

SEMANA 13 – O DIREITO NO BRASIL DO PÓS-SEGUNDA GUERRA MUNDIAL: A AMBIÊNCIA CONTEMPORÂNEA DO DIREITO BRASILEIRO
A produção normativa hodierna a partir do filtro constitucional.
Alguns dos principais avanços legislativos sob a égide da Constituição de 1988: O Código de Defesa do Consumidor, o Estatuto da Criança e do Adolescente, o Estatuto do Idoso, a Lei Maria da Penha, as leis ambientais, as alterações nos códigos processuais.
A adequação das relações privadas aos novos tempos prevista no novo Código Civil de 2002.
Novas necessidades e novos direitos.

*

SEMANA 14 – REVISÃO DOS CONTEÚDOS DAS SEMANAS DE 1 A 7
SEMANA 15 – REVISÃO DOS CONTEÚDOS DAS SEMANAS DE 8 A 13

*

INTRODUÇÃO À DISCIPLINA HISTÓRIA DO DIREITO BRASILEIRO
Considerações a respeito da natureza do conhecimento histórico e do “lugar” da História do Direito no processo de formação dos operadores do Direito.

*

O que é a História? Ou melhor, como a História é pensada pelo senso comum?
A História e o passado seriam categorias intercambiáveis – elas estariam unidas de tal forma que somente poderia haver uma única leitura histórica do passado.
A História serviria para o conhecimento do passado tal como ele “realmente” aconteceu – isto permitiria uma apreensão “pura” dos fatos históricos.
A História se confundiria com a memória – sobreviventes, participantes, contemporâneos de fatos e eventos históricos, ou seus escritos e depoimentos seriam considerados como “a História viva” deste ou daquele fato ou evento.
A História se constituiria como a narrativa de um processo evolutivo linear das sociedades, desde os “tempos remotos” até os dias atuais .

*

O senso comum, entretanto não consegue dar conta de uma apreensão mais sofisticada, mais elaborada dos fenômenos sociais e do mundo natural.
O “olhar” do senso comum sobre o mundo é sempre fragmentado, imediatista e pouco abrangente.
No que se refere à História, este “olhar” do senso comum a situa no campo da compilação/registro de fatos e eventos considerados históricos “per si” em uma seqüência temporal linear.

*

Como então superar a perspectiva do senso comum no conhecimento histórico? Algumas sugestões:
Entender que a História é um dentre muitos “discursos” sobre o mundo e que tais discursos ainda que não criem o mundo, dele se apropriam, dando-lhe todos os significados que têm – a pequena parte do mundo que se constitui em pretenso objeto de investigação da História é o Passado. Portanto História e Passado são coisas diferentes. Assim como História e Memória são também coisas distintas.
Compreender que os fatos e eventos da história chegam até nós sempre refratados através da mente, do olhar do registrador, ou seja, do historiador – quando tomamos um trabalho de história para leitura devemos nos preocupar, não com os fatos que ele contém, mas, primeiramente, com o historiador que o escreveu.
A visualização, a compreensão do passado somente ocorre através dos olhos do presente – o historiador pertence à sua época, ao seu “presente”, e a ele se liga pelas condições objetivas da existência humana.
Entender que a História é produto do trabalho de historiadores (ou dos que atuam como historiadores) – não é possível relatar mais do que uma pequena parcela do que aconteceu, sendo que o relato do historiador nunca corresponde exatamente ao passado.

*

ALGUMAS REFLEXÕES
As rápidas considerações que tecemos anteriormente a respeito da natureza do conhecimento histórico e de sua produção, são válidas para o campo do conhecimento da História do Direito e, mais especificamente, da História do Direito Brasileiro.
Como campo especializado do conhecimento histórico, a História do Direito (e como tal, a História do Direito Brasileiro) se apresenta como produção discursiva daqueles que exercem o ofício do historiador e que buscam a compreensão das configurações institucionais e normativas do Direito nas diversas formações sociais ao longo do tempo ou no processo de formação de uma determinada sociedade.
No que se refere à importância e ao papel da disciplina histórica na formação dos juristas e dos chamados “operadores do direito”, podemos entendê-la a partir de uma perspectiva CONSERVADORA ou a partir de uma perspectiva CRÍTICA.

*

DE UMA FORMA MAIS USUAL, A HISTÓRIA DO DIREITO SERIA CONSIDERADA IMPORTANTE NA FORMAÇÃO DOS JURISTAS E DOS OPERADORES DO DIREITO PORQUE:
Ela serviria para a interpretação do direito atual.
Permitiria a identificação de valores jurídicos considerados “eternos”, “naturais”.
Desenvolveria a sensibilidade jurídica.
Possibilitaria um alargamento do “horizonte cultural” dos juristas e dos operadores do direito, aumentando seu poder de persuasão e ocasionalmente “abrilhantando” sua argumentação, sobretudo diante de uma audiência forense.

*

Tal interesse pedagógico pela História do Direito limita-se geralmente, em uma perspectiva mais tradicional do ensino jurídico, a afirmar que, para os futuros juristas e operadores do Direito, ela é uma disciplina formativa.
Aceitaremos, portanto, o fato de que a História do Direito é uma Disciplina Formativa, porém DIFERENTE DAS DEMAIS DISCIPLINAS DOGMÁTICAS DO CURSO JURÍDICO.
Mas por que ela seria efetivamente uma disciplina FORMATIVA?

*

A HISTÓRIA DO DIREITO PODE SE CONFIGURAR COMO UMA DISCIPLINA FORMATIVA SOB UMA PERSPECTIVA CONSERVADORA/LEGITIMADORA.
 COMO?
Identificando a idéia de direito justo com o direito estabelecido e longamente praticado - a concepção de que aquilo que é antigo, tradicional é “naturalmente” bom;
Disseminando a idéia de que determinada categoria discursiva ou que determinada solução jurídica pertencem à “natureza das coisas” ou que derivam de “categorias eternas da justiça ou da razão jurídica”;
“Comprovando”a “linearidade do progresso da sociedade e de suas instituições” e a consequente “sacralização” do presente;
Apresentando as decisões judiciais como opções puramente “técnicas”, “científicas”, desideologizadas, apartadas de qualquer conflito social adjacente.

*

TODAVIA, A HISTÓRIA DO DIREITO PODE SE CONFIGURAR COMO UMA