O DIREITO NA REPÚBLICA VELHA

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discussões e de algumas emendas, o texto da nova constituição foi promulgado em 24 de fevereiro de 1891.

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PRINCIPAIS ASPECTOS DA CONSTITUIÇÃO DE 1891.
 A mais concisa das constituições brasileiras, vazada em 91 artigos e mais 08 artigos das Disposições Transitórias – dividia-se em 05 títulos, subdivididos em seções e estas em capítulos.
 O Título I era o mais longo e tratava da ORGANIZAÇÃO FEDERAL (do art. 1º ao art. 62).
 O Título II era reservado aos Estados-membros (do art. 63 ao art. 67).
 O Título III regulava os Municípios em um único artigo (art. 68).
 O Título IV (do art. 69 ao art. 68) tratava dos cidadãos brasileiros, definindo os que estivessem no gozo de seus direitos e de todos os estrangeiros que estivessem no Brasil em 15/11/1889 e que não declarassem, em 06 meses após a promulgação da Constituição, o desejo de conservar a nacionalidade de origem - neste título encontrava-se a Declaração de Direitos (Seção II) assegurados aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país.

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 O Título V (do art. 79 ao art. 91) trazia as Disposições Gerais, acompanhadas das Disposições Transitórias (compostas por 07 artigos).
Nas Disposições Gerais, encontravam-se fixados a aplicação do Estado de Sítio, a responsabilidade dos funcionários, o serviço militar obrigatório e a organização do Exército e da Armada, a proibição de guerra de conquista, a instituição de um Tribunal de Contas, o modo de reformar a Constituição (art. 90 e art. 91).

Nas Disposições Transitórias, determinava-se a eleição do primeiro Presidente e do primeiro Vice-Presidente da República pelo Congresso, a concessão de uma pensão vitalícia a D. Pedro II, a compra da casa em que faleceu Benjamin Constant, localizada no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro (tratado como Grande Patriota e Fundador da República), cabendo o usufruto desse imóvel à viúva de Constant.

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 A Constituição de 1891 estruturava como forma de governo, a República Federativa, sob o regime representativo e presidencial, constituindo-se como Estados Unidos do Brasil pela união perpétua de suas antigas províncias (art. 1º), erigidas à condição de Estados-membros da federação, ao mesmo tempo em que o antigo Município Neutro passaria a constituir o Distrito Federal, continuando sua condição de capital do país (art. 2º).

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Pelo art. 3º deste Título I, reservava-se para a União, no Planalto Central, uma área de 14.400 Km² destinada ao estabelecimento da futura capital federal.
Pelo art. 6º, o governo federal não poderia intervir em questões próprias aos Estados, salvo em questões que envolvessem conter invasão estrangeira ou a de um Estado pelo outro, manter a forma republicana, restabelecer a ordem e a tranquilidade a pedido dos governos dos Estados e assegurar a execução de leis e sentenças federais.
De acordo com o art. 15 deste Título I, ficava estabelecida a divisão tripartite dos poderes, sendo o Executivo, o Legislativo e o Judiciário considerados como “órgãos da soberania nacional”, atuando harmônica e independentemente entre si.

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DESTAQUE IMPORTANTE...
 O regime constitucional de 1891 optou pelo presidencialismo de modelo norte-americano - o Poder Executivo não podia dissolver a Câmara dos Deputados e nem era obrigado a escolher Ministros de confiança desta ou exonerá-los se perdessem essa confiança.

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 Foram garantidas as eleições diretas e majoritárias para Presidente e Vice-Presidente da República (art. 47), dentre brasileiros natos que estivessem no exercício de seus direitos políticos e que tivessem mais de 35 anos (art. 41, § 3º).
 Os mandatos de ambos eram de 04 anos, não podendo haver reeleição do Presidente para o período seguinte (art. 43).
Caso ocorresse a vacância, por morte ou por outra causa, da Presidência ou da Vice-Presidência quando ainda não houvessem decorridos dois anos do quadriênio para o qual tivessem sido eleitos, proceder-se-ia nova eleição. Se ocorresse a vacância decorridos dois anos ou mais (art. 42) do mandato, assumiria o Vice-Presidente.
 O Vice-Presidente que ocupasse a Presidência no último ano de mandato, não poderia ser eleito para a Presidência no ano seguinte (art. 43, § 1º).

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O processo e julgamento dos crimes de responsabilidade do Presidente da República davam-se perante o Senado Federal, após declarada procedente a acusação pela Câmara dos Deputados, sendo que, nos crimes comuns, o processo e julgamento far-se-ia perante o Supremo Tribunal Federal (Capítulo V, art. 53), seguindo as disposições de impeachement da Constituição americana de 1787, que vêm sendo adotada até os dias atuais.
O Poder Legislativo era BICAMERAL e deputados e senadores eram invioláveis por suas palavras e opiniões no exercício do mandato e gozavam de imunidade, não podendo ser presos nem processados sem licença da Câmara, salvo flagrante (art. 19 e art. 20).
Os deputados eram eleitos por 03 anos, na proporção de 01 para cada 70.000 (sendo que o número mínimo de deputados era de 04 por Estado – art. 28, § 1º) e os senadores, em número de três para cada estado, eram eleitos por nove anos, ocorrendo a renovação de 1/3 do Senado a cada triênio (art. 31).

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Eram eleitores os cidadãos maiores de 21 anos que se alistassem na forma da lei. Não poderiam alistar-se para as eleições federais ou estaduais os mendigos, os analfabetos, as praças de pré, excetuando os alunos das escolas militares de ensino superior, os religiosos de ordens monásticas, companhias, congregações, ou comunidades de qualquer denominação, sujeitas a voto de obediência, regra ou estatuto que importe a renúncia da liberdade individual (art. 70, § 1º).
Os direitos de cidadão brasileiro só eram suspensos por incapacidade física ou moral ou por condenação criminal enquanto durassem os seus efeitos (art. 71, § 1º). A perda dos direitos se daria para aqueles que se naturalizarem em país estrangeiro ou por aceitação de emprego, pensão, condecoração ou título estrangeiro sem licença do Poder Executivo Federal (art. 71, § 2º).

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A Constituição garantiu e enunciou as clássicas liberdades privadas, civis e políticas aos brasileiros e estrangeiros residentes no país (Seção II – Declaração de Direitos - art. 72) silenciando sobre a proteção ao trabalhador.
Como decorrência dessa declaração de direitos, ocorreu um abrandamento das penas criminais, suprimindo-se as penas de galés, morte e banimento. Eleva-se o instituto do HABEAS CORPUS, que havia sido instituído no ordenamento jurídico brasileiro com o Código de Processo Criminal de 1832, à CATEGORIA CONSTITUCIONAL (art. 72, § 22).
O Congresso votava orçamento anual, autorizava empréstimos, regulava comércio exterior e interno, guerra e paz, resolvia sobre tratados com nações estrangeiras, declarava estado de sítio, concedia anistia, votava, como competência privativa, as leis de naturalização e legislava sobre todas as matérias de competência da União.

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A ORGANIZAÇÃO JUDICIÁRIA NA REPÚBLICA VELHA.
 O Poder Judiciário, na Constituição de 1891, estava assim disposto: “art. 55 - O Poder Judiciário, da União terá por órgãos um Supremo Tribunal Federal, com sede na Capital da República e tantos Juízes e Tribunais Federais, distribuídos pelo País, quantos o Congresso criar”.
 O Superior Tribunal de Justiça passava a Supremo Tribunal Federal, através do Decreto nº. 1, de 26/02/1891, composto por 15 ministros (art. 56), nomeados pelo Presidente da República (conforme o disposto no art. 48, 12º).
 O Supremo Tribunal Federal passou a ter função uniformizadora da jurisprudência em matéria de direito constitucional e federal através da emenda constitucional de 3 de setembro de 1926, reparando-se, assim, o equívoco do sistema judiciário imperial, que não fora corrigido com a promulgação da Constituição de 1891.

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A Constituição de 1891 previu a instituição dos Tribunais Federais, mas estes nunca chegaram a ser criados durante a República Velha durante o tempo em que perdurou nossa primeira carta política. Assim, pelo Decreto 3.084, de 5 de novembro de 1898, instituiram-se