O PERÍODO DA REGÊNCIA E DO SEGUNDO REINADO

Disciplina:História do Direito Brasileiro2.251 materiais100.332 seguidores
Pré-visualização6 páginas
e alguns LIBERAIS MODERADOS (que pretendiam limitar, principalmente, os poderes dos LEGISLATIVOS PROVINCIAIS).

 Chegou-se a uma solução de “meio termo” que garantisse a liberdade das províncias, mas que não ameaçasse a unidade nacional e a ordem pública – em 12 de agosto de 1834 foi promulgado o Ato Adicional à Constituição de 1824.

*
*

 Dentre os principais dispositivos do Ato Adicional, podemos destacar:

 Suspensão do exercício do Poder Moderador durante a Regência.
 Supressão do Conselho de Estado.
 Substituição da Regência Trina pela Regência Una, sendo o regente eleito para um mandato de 04 anos por voto secreto e direto.
 Criação das Assembléias Provinciais (com legislaturas bienais), com maiores poderes que os Antigos Conselhos Gerais das Províncias – as decisões das Assembléias Provinciais não poderiam ser vetadas pelos Presidentes das Províncias, mas elas não tinham condições de legislar livremente, uma vez que não poderiam prejudicar “as imposições gerais do Estado” (art. 10, § 5º ).
 Pelo Ato Adicional, as Assembléias Provinciais passaram a ter competência para fixar e fiscalizar as despesas municipais e das províncias e para lançar os impostos necessários ao atendimento dessas despesas, desde que não prejudicassem as rendas a serem arrecadadas pelo governo central.
 Atribuiu-se também às Assembléias Provinciais a competência de nomear e demitir funcionários públicos, o que dava aos políticos regionais uma arma significativa tanto para a obtenção de votos em troca de favores, como para a perseguição de inimigos.

*
*

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE!!!
 Apesar do Ato Adicional não ter implantado uma FEDERAÇÃO (os presidentes das Províncias continuavam a ser escolhidos pelo Poder Central no Rio de Janeiro e as Províncias estavam impedidas de ter Constituições próprias), ele descentralizou a administração e concedeu mais autonomia às Províncias com a criação das ASSEMBLÉIAS PROVINCIAIS e com a DIVISÃO DAS RENDAS PÚBLICAS.

*
*

PODER MODERADOR
PODER LEGISLATIVO
PODER EXECUTIVO
PODER JUDICIAL
IMPERADOR
REGÊNCIA UNA
ASSEMBLÉIA GERAL
SENADO
CÂMARA DOS DEPUTADOS
PRESIDENTES DE PROVÍNCIAS
ASSEMBLÉIAS PROVINCIAIS
SUPREMO TRIBUNAL DE JUSTIÇA
TRIBUNAIS DE RELAÇÃO
JUÍZES DE DIREITO E JUÍZES MUNICIPAIS
JUÍZES DE PAZ
OS PODERES DO ESTADO BRASILEIRO APÓS AS PROMULGAÇÕES DO CÓDIGO DE PROCESSO CRIMINAL DE 1832 E DO ATO ADICIONAL DE 1834
JUNTAS DE PAZ
Suspenso até a maioridade de D. Pedro
Exercido por governos regenciais até a maioridade de D. Pedro

*
*

E AS REFORMAS REGENCIAIS TIVERAM POUCA DURAÇÃO...
 Todo o conjunto de reformas liberais e descentralizadoras implementadas desde a segunda metade do Primeiro Reinado e ao longo do período compreendido entre 1831 e 1834 começou a ser contestada já no início do governo do primeiro regente uno, o liberal moderado, padre Diogo Antonio Feijó.

 Desde o início da regência de Feijó, em outubro de 1835, a resistência no Parlamente foi grande, já que as desavenças entre o regente e os deputados vinha do tempo em que Feijó, como ministro da Justiça na Regência Trina Permanente, cobrou duramente da Câmara a adoção de medidas extraordinárias para combater a “anarquia”, entrando em choque, não somente com a oposição dos deputados EXALTADOS e CARAMURUS, mas também com deputados do grupo dos MODERADOS, ao qual pertencia.

 Além disso, sua participação na tentativa de golpe de Estado por ocasião da discussão das reformas descentralizadoras em julho de 1832, associada a medidas polêmicas tomadas ao longo de seu governo (restrições à liberdade de imprensa pela lei de 18/03/1837, anulação das eleições na Paraíba e em Sergipe, por suspeita de fraude), aumentaram o desgaste do regente junto ao Parlamento, tornando-o mais vulnerável aos ataques da oposição.

*
*

 Dois fatores contribuíram efetivamente para o desgaste do governo e para o aprofundamento da crise:

 O primeiro foi a eclosão de grandes revoltas em diferentes regiões do Império a partir de 1835 – mais uma vez Feijó, como já fizera quando ministro da Justiça da Regência Trina Permanente, exigiu do Câmara meios mais eficazes para o combate à Cabanagem e à Revolução Farroupilha (mais recursos no Orçamento e crédito complementar, efetivos militares maiores e leis mais enérgicas contra crimes de rebelião, sedição, conspiração, suspensão das garantias e restrição ao HABEAS-CORPUS).

O segundo fator foi a desilusão com as reformas liberais que, se refletiram a supremacia dos MODERADOS, produziram transformações que questionaram sua posição política, como por exemplo, o fortalecimento dos poderes provinciais que nem sempre estavam em sintonia com os interesses do governo central.

*
*

 No caso de solicitação de recursos materiais, financeiros e normativos adicionais para o combate à revoltas, a oposição, tendo a frente, Bernardo Pereira de Vasconcellos, estabelecia obstáculos às negociações, limitava a concessão dos recursos solicitados, sob a alegação de que o governo pretendia implantar uma DITADURA.

 Assim, 11 meses após a aprovação do Ato Adicional, surgiu a primeira proposta de elaboração de um projeto de interpretação de artigos considerados “obscuros e duvidosos” do Ato – esta proposta veio através de um requerimento do deputado Souza Martins, de 14/07/1835, que tinha como objetivo solicitar esclarecimentos das atribuições do Legislativo central e dos Legislativos provinciais, sendo, contudo, barrado.

 Em 18/05/1836 e em 19/06/1836 propostas semelhantes apresentadas pelos deputados Rodrigues Torres e José Raphael de Macedo foram rejeitadas.

*
*

 Entretanto, um novo projeto de interpretação do Ato Adicional apresentado pela Comissão das Assembléias Legislativas da Câmara dos Deputados (comissão formada por deputados REGRESSISTAS, Paulino Soares de Souza, Miguel Calmon e Carneiro Leão), tinha como objetivo limitar a ampliação dos poderes das ASSEMBLÉIAS PROVINCIAIS.

 Este projeto propunha que tudo o que não estivesse incluído ou mencionado nos artigos 10 e 11 do Ato, sobre as atribuições das ASSEMBLÉIAS PROVINCIAIS, pertenceria ao governo central.

 Dentre as proibições previstas nos seis artigos deste projeto que demonstravam claramente seu caráter centralizador, podemos destacar:
Proibição das assembléias provinciais de legislar sobre assuntos de polícia judiciária.
 Veto às assembléias de promover modificações na natureza e nas atribuições dos empregos públicos provinciais e municipais estabelecidos por leis gerais relativas a temas sobre os quais não podiam legislar (os cargos criados pelo Código de Processo Criminal).

*
*

 Restrições ao poder de nomear e demitir empregados provinciais por parte das Assembléias Provinciais que só poderiam fazê-lo com relação aos cargos instituídos por leis provinciais ou por leis gerais que se referissem a objetos de competência legislativa das assembléias.
Proibição de demissão, por parte das Assembléias Provinciais, de magistrados gerais (das Relações e dos tribunais superiores).
 Proibição de demissão dos demais magistrados, a não ser que isto se fizesse por meio de queixa por crime de responsabilidade e mediante relatório.

 Este projeto foi levado adiante na legislatura seguinte (a de 1838 a 1841), tendo sido aprovado na Câmara em 26/06/1838 e ao passar pelo Senado no ano seguinte, foi promulgado em 12/05/1840 como a Lei de Interpretação do Ato Adicional.

*
*

 A Lei de Interpretação do Ato Adicional pode ser compreendida como um dos instrumentos de reversão das reformas liberais implantadas nos primeiros anos da Regência, tendência esta que se configurou a partir de 1837, com a ascensão do chamado REGRESSO (parlamentares defensores de uma revisão das reformas liberais, consideradas excessivas) ao poder.

 Nas eleições parlamentares para uma nova legislatura que se iniciaria em 1838, o REGRESSO foi vitorioso e com a renúncia de Feijó em 19/09/1837, assumiu o governo da Regência o ministro do Império, Pedro de Araújo Lima, que seria confirmado como regente com as eleições de 1838.

O gabinete do novo governo, tendo à frente, Bernardo