PORTUGAL E BRASIL NO SÉCULO XVIII

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PORTUGAL E BRASIL NO SÉCULO XVIII:
ASPECTOS GERAIS DO SÉCULO XVIII EM PORTUGAL E NOS NÚCLEOS DE COLONIZAÇÃO PORTUGUESA NA AMÉRICA DO SUL – ECONOMIA, SOCIEDADE E DIREITO NO IMPÉRIO PORTUGUÊS DOS SETECENTOS.

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PARA ENTENDER O SÉCULO XVIII NO IMPÉRIO PORTUGUÊS E EM SUA COLÔNIA SUL-AMERICANA...

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Antes que tratemos do século XVIII no Império Português, e mais precisamente, nas áreas de colonização portuguesa na América do Sul, necessário se faz que tracemos um panorama geral das condições políticas, econômicas e institucionais do Império durante o século XVII, o que ajudará na compreensão dos desafios que se impuseram a Portugal e ao Brasil ao longo do século XVIII.

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PORTUGAL E BRASIL NO SÉCULO XVII:
 UM PANORAMA DO IMPÉRIO PORTUGUÊS NOS SETECENTOS

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PORTUGAL E BRASIL AO LONGO DO SÉCULO XVII: ASPECTOS GERAIS (I)
O Império Português iniciou o século XVII incorporado aos domínios espanhóis, por força da crise dinástica portuguesa que levou à União Ibérica em 1580, condição esta que se estendeu até o ano de 1640, quando então recuperou a sua independência sob o comando de uma nova dinastia (a dinastia de Bragança) – D. João IV, o primeiro rei da nova dinastia governaria um reino enfraquecido politicamente e empobrecido economicamente e financeiramente.
Durante o período da União Ibérica, a organização judicial e administrativa dos domínios portugueses na América do Sul foi objeto de várias experiências (repartições territoriais e administrativas), ao mesmo tempo em que uma nova “lei do Reino” (as Ordenações Filipinas) passou a ter vigência no Império Português, a partir de 1603, em lugar das Ordenações Manuelinas.
Durante o século XVII, fosse durante o período da União Ibérica, fosse após 1640, a ocupação portuguesa no continente sul-americano se ampliou e se consolidou: ocupação da costa setentrional, ocupação da costa meridional e o atingimento do estuário do Prata com a fundação da Colônia do Sacramento, conquista do vale amazônico, ocupação dos sertões pela expansão bandeirante e pela expansão da pecuária.
A retomada da vida independente por parte de Portugal e de suas colônias, após 1640, se fez em condições econômicas, financeiras e políticas muito difíceis – guerra contra a Espanha, luta contra os holandeses no Nordeste brasileiro.

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PORTUGAL E BRASIL AO LONGO DO SÉCULO XVII: ASPECTOS GERAIS (II)
Em virtude das dificuldades no cenário internacional no período posterior a 1640 (guerra contra a Espanha que se estendeu por mais de 20 anos, confronto com os holandeses no Nordeste brasileiro que se iniciou em 1630 e se estendeu até 1654), Portugal firmou uma série de tratados com o velho aliado inglês (tratados de 1642, 1654, 1661 e 1703) no sentido de garantir a integridade do que restara de seu Império Colonial e de conseguir fazer frente às guerras contra a Espanha e contra as Províncias Unidas (Holanda) – para isso, Portugal teve que fazer concessões políticas, econômicas e territoriais.
As Ordenações Filipinas, diploma legal firmado no início do período da União Ibérica (sob os auspícios de Filipe II de Espanha), foram confirmadas por D. João IV de Bragança e tiveram longa vigência, tanto em Portugal, como no Brasil independente.
No que se refere à administração colonial, foi criado o Conselho Ultramarino em 1642, com alçada sobre os negócios relativos ao Brasil, Índia, Guiné, ilhas S. Tomé e Cabo Verde e demais partes ultramarinas da África – sua maior atribuição era o provimento de todos os cargos (exceto os eclesiásticos que ficavam a cargo da Mesa de Consciência e Ordens), recebendo propinas de quase todos os contratos dos dízimos, da dízima das alfândegas, dos subsídios dos vinhos, sal, couros, aguardentes, azeites, passagens dos rios, etc.
Ao final deste século XVII, foram encontrados os primeiros jazimentos de ouro na região das Minas, o que iria representar um alívio à combalida situação econômica e financeira de Portugal pós-Restauração.

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As dificuldades de natureza econômica, financeira e política com que Portugal teve que se defrontar a partir da Restauração (ou seja, a partir do fim da União Ibérica em 1640) resultaram em medidas de controle e de exploração da colônia (no caso, o Brasil) mais severas, visando a recuperação financeira do reino e de estímulos à expansão da presença portuguesa no continente sul-americano.
Os movimentos de interiorização e de expansão territoriais da colonização portuguesa na América do Sul que se intensificaram durante o período da União Ibérica (especialmente no litoral setentrional e no vale amazônico), prosseguiram, após 1640, por exemplo, com a expansão em direção ao litoral meridional (ao sul de S. Vicente e de Paranaguá) em busca de ouro (levado a cabo por expedições paulistas).
Com a descoberta de ouro nos leitos dos rios desta região, várias vilas foram fundadas: S. Francisco do Sul (1658), Desterro, atual Florianópolis(1675), Laguna (1688).

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Esta expansão em direção ao sul, revelava a preocupação da metrópole portuguesa com sua colônia sul-americana, sobretudo em uma região onde os conflitos com os espanhóis eram frequentes.
Em 1680, o governador do Rio de Janeiro, D. Manuel Lobo, foi expressamente autorizado pelo governo português, a fundar uma colônia fortificada na margem direita do Rio da Prata, em frente a Buenos Aires (em terras do atual Uruguai), com o objetivo de intensificar a presença portuguesa em uma região de grande importância econômica, sobretudo em função da intensa atividade de contrabando.
A União Ibérica (de 1580 a 1640) havia favorecido a penetração portuguesa em território que, por direito, definido pela linha do Tratado de Tordesilhas, era espanhol, tendo os comerciantes portugueses (os peruleiros) alcançado as minas de prata em Potosi (atual Bolívia), canalizando, através de seus negócios (contrabando), um importante fluxo de prata para os territórios de colonização portuguesa na América do Sul.

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A adoção de medidas de controle administrativo e fiscal mais severas sobre a colônia a partir da Restauração em 1640, assim como as complexas relações entre colonos, religiosos (destacando-se os jesuítas) e o poder metropolitano nas diversas regiões que compunham a colonização portuguesa na América do Sul (como por exemplo a região do Estado do Maranhão e Grão-Pará), produziram reações que se traduziram em conflitos e revoltas que exprimiam reivindicações e/ou conflitos locais e conjunturais.

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ALGUNS DOS CONFLITOS E REVOLTAS QUE MARCARAM O MUNDO COLONIAL BRASILEIRO NA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XVII E PRIMEIRAS DÉCADAS DO SÉCULO XIX
Revolta de Beckmam (1684) no Estado do Maranhão e Grão-Pará: revolta que decorreu das relações conflituosas entre colonos, jesuítas e o governo português em torno do problema do emprego do indígena como mão-de-obra escrava.
“Guerra” dos Emboabas (de 1707 a 1709): conflito civil travado entre paulistas e grupos de forasteiros pelo controle da exploração de ouro na região das Minas Gerais.
“Guerra” dos Mascates (ou “Fronda” dos Mazombos, conforme designação do historiador pernambucano Evaldo Cabral – 1710/1711): conflito ocorrido em Pernambuco entre senhores de engenho de Olinda e mercadores de Recife.
Revoltas antifiscais: na maioria dos casos, motins, sedições motivadas por oscilações circunstanciais de preços, de abastecimento ou por pressões fiscais advindas de Portugal.
Revolta da Cachaça (Rio de Janeiro, ocorrida entre 10/1660 e 04/1661.
Revolta do Maneta (Salvador), ocorrida em 10/1711.
Furores Sertanejos de Minas Gerais: mobilização ocorrida em vilas e fazendas das margens do rios S. Francisco, das Velhas e no sul da Bahia, em 1736.
Revolta do Pitangui (Minas), ocorrida em 1718.
Revolta de Felipe dos Santos (Vila Rica), ocorrida em 1720.

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POLÍTICA, ECONOMIA, SOCIEDADE E DIREITO NO IMPÉRIO PORTUGUÊS DOS OITOCENTOS
 ABSOLUTISMO, “ILUSTRAÇÃO” E REFORMAS

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O século XVIII, no Império Português, foi marcado por três reinados que o marcaram de maneira significativa:
o de D. João V – de 1707 a 1750.
o de D. José I – de
KAREN GUERREIRO fez um comentário
  • Muito bom, ajudou bastante!
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