Classificação dos Solos
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Classificação dos Solos

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compridos deformam mais na direção de
sua maior dimensão, tendendo a gerar tensões internas e auxiliar no seu
processo de desagregação.

Repuxo coloidal: o repuxo coloidal é caracterizado pela retração da argila
devido à sua diminuição de umidade, o que em contato com a rocha pode
gerar tensões capazes de fraturá-la.

Ciclos gelo/degelo: as fraturas existentes nas rochas podem se encontrar
parcialmente ou totalmente preenchidas com água. Esta água, em função
das condições locais, pode vir a congelar, expandindo-se e exercendo

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esforços no sentido de abrir ainda mais as fraturas preexistentes na rocha,
auxiliando no processo de intemperismo (a água aumenta em cerca de
8% o seu volume devido à nova arrumação das suas moléculas durante a
cristalização). Vale ressaltar também que a água transporta substâncias
ativas quimicamente, incluindo sais que ao reagirem com ácidos
provocam cristalização com aumento de volume.

Alívio de pressões: alívio de pressões irá ocorrer em um maciço rochoso
sempre que da retirada de material sobre ou ao lado do maciço,
provocando a sua expansão, o que por sua vez, irá contribuir no
fraturamento, estricções e formação de juntas na rocha. Estes processos,
isolados ou combinados (caso mais comum) "fraturam" as rochas
continuamente, o que permite a entrada de agentes químicos e biológicos,
cujos efeitos aumentam o fraturamento e tende a reduzir a rocha a blocos
cada vez menores.

Por outro lado, o intemperismo químico irá provocar alterações na estrutura
química das rochas. A hidrólise, hidratação (responsável pela expansão da rocha) e
carbonatação (principalmente em rochas calcárias) são os exemplos clássicos de
intemperismo químico.

Hidrólise: dentre os processos de decomposição química do
intemperismo, a hidrólise é a que se reveste de maior importância,
porque é o mecanismo que leva a destruição dos silicatos, que são os
compostos químicos mais importantes da litosfera. Em resumo, os
minerais na presença dos íons H+ liberados pela água são atacados,
reagindo com os mesmos. O H+ penetra nas estruturas cristalinas dos
minerais desalojando os seus íons originais (Ca++, K+, Na+, etc.)
causando um desequilíbrio na estrutura cristalina do mineral e levando-o
a destruição.

Hidratação: é a entrada de moléculas de água na estrutura dos minerais.
Alguns minerais quando hidratados (feldspatos, por exemplo) sofrem
expansão, levando ao fraturamento da rocha.

Carbonatação: o ácido carbônico é o responsável por este tipo de
intemperismo. O intemperismo por carbonatação é mais acentuado em
rochas calcárias por causa da diferença de solubilidade entre o CaCO3 e o
bicarbonato de cálcio formado durante a reação.

O intemperismo biológico é resultante da ação de esforços mecânicos induzidos
por raízes de vegetais, escavação de roedores e, até mesmo, a própria ação humana.

PINTO (2000) enfatiza que o conjunto desses processos ocorre mais
freqüentemente em climas quentes e que, conseqüentemente, os solos serão misturas de
partículas pequenas que se diferenciam pelo tamanho e pela composição química.

Analisando a formação dos solos face aos tipos de intemperismo, verifica-se que
os solos resultantes de intemperismo físico irão apresentar composição química
semelhante à da rocha que lhes originou. Por outro lado, o intemperismo químico irá
formar solos mais profundos e mais finos do que os solos formados onde há
predominância do intemperismo físico.

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Tamanho das Partículas

O tamanho das partículas de um solo é uma característica que irá diferenciá-los
quanto à sua composição granulométrica. Percebe-se que alguns solos apresentam
partículas perceptíveis a olho nu como os pedregulhos e areias grossas. Outros
apresentam partículas finas que só podem ser identificadas por ensaios específicos.

A diversidade de tamanhos é enorme e podem ser encontrados tamanhos que
variam de 1 a 2 mm (partículas de areia) até 10 Angstrons (0,000001 mm – partículas de
argila). Se essa partícula de argila for ampliada e ficar do tamanho de uma folha de
papel, o grão de areia ficaria com diâmetros da ordem de 100 a 200 metros (um
quarteirão). A Figura seguinte ilustra de forma comparativa os tamanhos de algumas
partículas presentes nos solos, a saber: areias, siltes e argilas.

Figura 1.1. Esquema comparativo do tamanho das partículas num solo

Num solo qualquer, encontram-se partículas de diversos tamanhos. As partículas
mais grossas (areias e pedregulhos) podem estar envoltas pelas partículas mais finas.
Isso torna difícil a identificação do solo por simples manuseio. A identificação dos solos
é um processo que procura identificar as principais frações presentes no solo como um
todo. Denominações específicas são empregadas para as diversas faixas de tamanho dos
grãos. No entanto, os limites irão variar conforme o sistema de classificação adotado.
Numa primeira análise, efetua-se a classificação do solo através de análise táctil-visual.
Esse tipo de análise fornece apenas informação qualitativa, ou seja, que tipo de fração
predomina no solo. Para uma análise mais precisa, utilizam-se os ensaios de
granulometria e de limites de consistência. Dessa forma, é possível quantificar-se as
frações presentes em cada solo assim como suas características de plasticidade. A
Tabela (1.1) ilustra os limites das frações de solo pelo tamanho dos grãos definidos pela
norma da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).

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Tabela 1.1. Limites das frações de solo pelo tamanho dos grãos segundo a ABNT
(PINTO, 2000)

Fração Limites
Matacão de 25 cm a 1 m
Pedra de 7,6 cm a 25 cm
Pedregulho de 4,8 mm a 7,6 cm
Areia grossa de 2,0 mm a 4,8 mm
Areia média de 0,42 mm a 2,00 mm
Areia fina de 0,05 mm a 0,42 mm
Silte de 0,005 mm a 0,05 mm
Argila inferior a 0,005 mm

Na prática, costuma-se separar os solos finos dos solos grossos através da
peneira 200 (#200) que é a peneira correntemente usada em laboratório e possui
abertura (˜) de 0,075 mm. O conjunto de silte e argila é denominado como a fração de
finos do solo, enquanto que o conjunto areia e pedregulho é denominado fração grossa
ou grosseira do solo. A Figura seguinte ilustra o tamanho de algumas partículas.

Figura 1.2. Diferentes tamanhos de partículas em solos

Constituição Mineralógica

As propriedades químicas e mineralógicas das partículas dos solos formados irão
depender fundamentalmente da composição da rocha matriz e do clima da região. Estas
propriedades influenciam de forma marcante o comportamento mecânico do solo.

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Os minerais são partículas sólidas inorgânicas que constituem as rochas e os
solos. Possuem forma geométrica, composição química e estrutura própria e definida.
Eles podem ser divididos em dois grandes grupos, a saber:

Primários: aqueles encontrados nos solos e que sobrevivem à
transformação da rocha (advêm, portanto do intemperismo físico).

Secundários: os que foram formados durante a transformação da rocha
em solo (ação do intemperismo químico).

As partículas dos solos grossos, dentre as quais apresentam-se os pedregulhos,
são constituídas algumas vezes de agregações de minerais distintos, sendo mais comum,
entretanto, que as partículas sejam constituídas de um único mineral. Estes solos são
formados, na sua maior parte, por silicatos (90%) e apresentam também na sua
composição óxidos, carbonatos e sulfatos.

Silicatos - feldspato, quartzo, mica, serpentina
Grupos Minerais: Óxidos - hematita, magnetita, limonita

Carbonatos - calcita, dolomita
Sulfatos - gesso, anidrita

O quartzo, presente na maioria das rochas, é bastante estável, e em geral resiste
bem ao processo de transformação