CARDIOLOGIA 02 - Eletrocardiograma COMPLETO
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CARDIOLOGIA 02 - Eletrocardiograma COMPLETO


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O ECG registra uma onda positiva
afastando-se na linha de base.
2. Quando toda a fibra foi despolarizada (B), os eletrodos direito e esquerdo 
estƒo sobre uma rea negativa, sem DDP, retornando a onda de 
despolariza‚ƒo para a linha de base. O ECG, nesse momento, registra 
uma onda positiva retornando ‰ linha de base. 
ONDAS DE REPOLARIZAÇÃO
1. O potencial de a‚ƒo retornar ao potencial de repouso, tornando a c€lula negativa no interior e positiva no
exterior. Metade direita da fibra (C) fica repolarizada e metade esquerda continua despolarizada. O eletrodo 
direito est sobre uma rea positiva e o eletrodo esquerdo sobre uma rea negativa, causando uma DDP. O 
ECG registra uma onda negativa afastando-se da linha de base.
2. Quando toda a fibra for repolarizada (D), os eletrodos direito e esquerdo estarƒo sobre uma rea positiva, sem 
DDP entre eles, fazendo com que a onda da despolariza‚ƒo retorne ‰ linha de base. O ECG registra, nesse 
momento, uma onda negativa retornando ‰ linha de base.
RELA‚ƒO ENTRE O POTENCIAL DE A‚ƒO MONOF…SICO E AS ONDAS QRS E T
Antes que a contra‚ƒo do m‹sculo possa ocorrer, a despolariza‚ƒo 
deve se propagar pelo m‹sculo, para iniciar os processos qu„micos da 
contra‚ƒo. Por tanto, a onda P ocorre no in„cio da contra‚ƒo dos trios, e o 
complexo QRS ocorre no inicio da contra‚ƒo dos ventr„culos. Os 
ventr„culos permanecem contra„dos durante alguns milissegundos ap…s ter 
percorrido a repolariza‚ƒo, isto €, depois do termino da onda T.
Os trios repolarizam cerca 0,2s ap…s a onda P. Isso ocorre no 
instante preciso que o complexo QRS come‚a a ser registrado no ECG. A 
onda P nƒo € representada no potencial de a‚ƒo monofsico pois a massa 
ventricular e sua atividade el€trica € bem maior que a atrial, a ponto de 
mascar-la.
A onda de repolariza‚ƒo ventricular € a onda T do ECG normal. 
\uf0fc Fase ascendente do Potencial de A‚ƒo \u2013 Despolariza‚ƒo \u2013 QRS;
\uf0fc Fase descendente do Potencial de A‚ƒo \u2013 Repolariza‚ƒo \u2013
segmento ST e onda T.
PAPEL DE REGISTRO DO ECG E CALIBRA‚ƒO DO ELETROCARDIGRAFO
Todos os registros do ECG sƒo feitos com linhas de calibra‚ƒo 
apropriadas, no papel de registro. Estas linhas de calibra‚ƒo j estƒo impressas 
no papel. O papel € milimetrado, contendo quadrados pequenos (1mm x 1mm) 
inseridos em quadrados grandes (5mm x 5mm), contendo 25 quadrados 
pequenos cada quadrado grande. Cada mil„metro na horizontal equivale ‰ 0,04s
e cada mil„metro da vertical equivale a 0,1mv.
As linhas verticais de calibra‚ƒo estƒo dispostas de modo que 10 
divis†es pequenas, para cima e para baixo, no eletrocardiograma padrƒo 
representam 1mV com positividade para cima e negatividade para baixo. As 
linhas horizontais no eletrocardiograma sƒo linhas de calibra‚ƒo do tempo.
OBS1: Ao calibrar o aparelho ao papel, € registrado um grfico de padrƒo como representado na figura a cima, de forma 
que ela atinja o espa‚o equivalente a dois quadrados grandes. Isso mostra que o ECG deve ser calibrado em 10 mm (N 
\uf0e0 calibra‚ƒo normal), isto €, 1 mV.
OBS²: A velocidade padrƒo de impressƒo do registro € de 25 mm/s.
Arlindo Ugulino Netto \u2013 CARDIOLOGIA \u2013 MEDICINA P6 \u2013 2010.1
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REGISTROS DO ELETROCARDIOGRAMA NORMAL
 medida que o impulso el€trico se difunde ao 
longo das fibras musculares card„acas, os eletrodos 
de superf„cie cutŠnea realizam o registro grfico desta
atividade el€trica do cora‚ƒo na forma de ondas, 
complexos (conjunto de vrias ondas), segmentos
(linhas isoel€tricas) e intervalos (conjunto de 
segmentos e ondas).
\uf0b7 Onda P: € devida aos potenciais el€tricos 
gerados durante a despolariza‚ƒo dos trios 
antes de se contrair.
\uf0b7 Intervalo PR: do in„cio da contra‚ƒo atrial ao 
in„cio da contra‚ƒo ventricular (0,12 a 0,20 s).
\uf0b7 Segmento PR: fim da contra‚ƒo atrial ao in„cio 
da contra‚ƒo ventricular. Nƒo se estende at€ 
a onda R, mas at€ a onda Q. Convencionou-
se esta denomina‚ƒo pela simples questƒo da 
existˆncia da onda R em qualquer deriva‚ƒo.
\uf0b7 Complexo QRS: potenciais el€tricos gerados 
na despolariza‚ƒo dos ventr„culos.
\uf0b7 Segmento ST: fim da contra‚ƒo ventricular ao in„cio da repolariza‚ƒo ventricular.
\uf0b7 Onda T: potenciais el€tricos gerados na repolariza‚ƒo dos ventr„culos.
\uf0b7 Intervalo QT: mesma dura‚ƒo da contra‚ƒo ventricular (0,30 a 0,46s).
\uf0b7 Onda U: presente em casos de hipopotassemia, por exemplo.
\uf0b7 Intervalo RR: intervalo entre duas contra‚†es ventriculares. Pode ser chamada de intervalo RR ou Ciclo RR.  o 
intervalo entre duas ondas R. Corresponde a frequˆncia de despolariza‚ƒo ventricular, ou simplesmente 
freq‘ˆncia ventricular.
RELAÇÃO ENTRE A CONTRAÇÃO MUSCULAR E AS ONDAS DO ELETROCARDIOGRAMA
\uf0b7 Onda P \u2013 in„cio da contra‚ƒo atrial.
\uf0b7 Complexo QRS \u2013 in„cio da contra‚ƒo ventricular
\uf0b7 Onda T \u2013 onda de repolariza‚ƒo ventricular (0,20 a 0,35s ap…s o in„cio da despolariza‚ƒo 
ventricular).
\uf0b7 Onda T atrial \u2013 0,15 a 0,20s ap…s a contra‚ƒo atrial (obscurecida pelo QRS).
RELAÇÃO ENTRE O POTENCIAL DE AÇÃO E AS ONDAS QRS E T
\uf0b7 Complexo QRS \u2013 aparece no in„cio do PA monofsico (despolariza‚ƒo).
\uf0b7 Onda T \u2013 aparece no final do potencial de a‚ƒo monofsico (repolariza‚ƒo).
\uf0b7 Linha isoel€trica \u2013 ausˆncia de potencial no ventr„culo totalmente despolarizado e 
totalmente polarizado.
Arlindo Ugulino Netto \u2013 CARDIOLOGIA \u2013 MEDICINA P6 \u2013 2010.1
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Serƒo definidas e detalhadas agora cada onda, complexo, intervalo e segmento do ECG normal.
ONDA P
A onda P € devida aos potenciais el€tricos gerados durante a despolarização 
dos dois átrios, antes de se contrair. A sua primeira metade representa a despolariza‚ƒo 
do trio direito e a segunda metade, do trio esquerdo. A amplitude da onda P €, em 
m€dia, de 0.25 mV, apresentando um tamanho normal de 2,5mm de altura. 
\uf0b7 Duração: em DII, de 0,08 a 0,10 segundos (2 quadradinhos e meio).
\uf0b7 Morfologia: onda arredonda e monofsica, podendo apresentar pequenos entalhes (depressƒo pr…ximo ao seu 
v€rtice) devido ‰ diferen‚a relativamente normal da contra‚ƒo dos dois trios. Na taquicardia, apresenta-se 
pontiaguda.
\uf0b7 Amplitude: em DII, de 2,5 a 3,0 mm (0,25 a 0,3mV).
\uf0b7 Polaridade: Positiva em DI, DII e DIII. Negativa em aVR.
Como vimos, cada metade da onda P representa um trio. Por esta razƒo, 
algumas patologias envolvendo os trios de forma isolada podem ser facilmente 
detectadas no ECG.
A estenose mitral (redu‚ƒo do diŠmetro da valva atriovetrnciular esquerda) pode 
ser causada pela cardite p…s-estreptoc…cica, como manifesta‚ƒo tardia da febre 
reumtica. Esta condi‚ƒo faz com que se acumule cada vez mais sangue no atrio 
esquerdo, aumentando a sua sobrecarga e, a longo prazo, o seu tamanho. A 
hipertrofia atrial esquerda produz um alongando a onda P no ECG.
A hipertrofia atrial direita pode ocorrer em casos de hipertensƒo pulmonar, que 
reflete na insuficiˆncia ventricular direita e, tardiamente, na insuficiˆncia atrial 
direita, a qual cursa com uma hipertrofia atrial que se mostra, no ECG, na forma 
de uma onda P espiculada na sua primeira metade.
Na estenose aortica, devido ‰ pouca sa„da de sangue do ventr„culo, h um refluxo do mesmo para o trio, o que 
tamb€m aumenta as suas fibras. Isso ocorre por exemplo em pacientes hipertensos (PA maior que 140/90). Nesse 
caso, haver altera‚ƒo tamb€m na onda QRS.
Em casos de comunicação interatrial (CIA) \u2013 doen‚a congˆnita em que nƒo h a oclusƒo do forame oval 
embrionrio \u2013 a onda P € prolongada devido ao aumento de carga sangu„nea a ser bombeada pelos atrios.
Em resumo, devemos considerar os seguintes parŠmetros da onda P:
\uf0fc Onda P negativa em DI, DII e/ou DIII representa dextrocardia (cora‚ƒo do lado direito) ou mau posicionamento 
dos eletrodos (causa mais comum).
\uf0fc Quando o trio direito est crescido (devido a estenose tric‹spide ou estenose pulmonar), faz a onda P crescer 
em amplitude.
\uf0fc Quando o trio esquerdo est crescido faz com que a onda P cres‚a em dura‚ƒo.
Arlindo Ugulino