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Luana Soares Aula V - Módulo I – P4 EXAME DAS MAMAS Limites Topográficos • Superior: clavícula – 3ª costela • Inferior: 6ª – 7ª costela • Medial: línea paraesternal • Lateral: línea axilar anterior Anamnese • Fatores de risco o Idade da menarca; o DUM / Duração e regularidade dos ciclos / Uso de anticonceptivos hormonais; o Número de gestações / Número de nascidos vivos / Idade da primeira gestação / Amamentação; o História familiar de câncer de mama: número, parentesco, idade do diagnóstico e se doença bilateral; o História de cirurgias e/ou biópsias mamárias; o Data da menopausa / Uso de terapia de reposição hormonal; o Etnia: descendência judaica (Ashkenazi); o Perfil psicossocial: obesidade, álcool • Nódulo: data da percepção, localização, crescimento, relação com o ciclo menstrual ou história de traumatismo; • Dor mamária: data de início, localização, intensidade da dor, uso de medicações, relação com ciclo menstrual ou traumatismo, relação com esforço físico; • Derrame Papilar: data do início, cor, espontâneo ou provocado, unilateral ou bilateral e relação com uso de fármacos; • Anormalidades da pele/mamilo e sinais inflamatórios: data do início, se agudo ou crônico, localização, saída de secreção purulenta, flogose, presença de retração ou abaulamento. Luana Soares Aula V - Módulo I – P4 EXAME FÍSICO Inspeção Estática • Paciente sentada com os braços ao longo do corpo • Descrever tamanho, simetria, abaulamentos/ retrações, alterações de pele • Descrever mamilo e aréola • Presença de abaulamentos, retrações ou lesões; Inspeção Dinâmica • Paciente sentada – solicitar que eleve os braços lentamente e coloque as mãos na cabeça • Solicitar que a paciente coloque as mãos na cintura e contraia • Corpo inclinado para a frente, com os braços estendidos para baixo, deixando as mamas pendulares. • Atentar para abaulamentos ou retrações Palpação Linfonodal • Cadeia axilar • Fossa supraclavicular • Fossa infraclavicular • Descrever: número de linfonodos palpáveis, tamanho, consistência, mobilidade Palpação das Mamas • Avaliar densidade mamária • Descrever os achados: tamanho, consistência, mobilidade, alterações de pele associadas e localização Luana Soares Aula V - Módulo I – P4 Expressão Papilar • Avaliar saída de secreção • Descrever a secreção: coloração, lateralidade, número de ductos acometidos PRINCIPAIS ACHADOS Mastalgia • A mastalgia é um sintoma e não uma doença. É simplesmente a dor nas mamas. • Pode ser relatada como um aumento da sensibilidade ou, até mesmo, um ingurgitamento mamário. • Ela é um sintoma relevante, pois responde por 40% do volume de consultas ginecológicas na idade reprodutiva da mulher (menacme). • Geralmente relacionada ao ciclo estroprogestínico • Tipos o Mastalgia cíclica (alterações funcionais benignas da mama). o Mastalgia acíclica (ectasia, adenose, mastite aguda e crônica). • Fatores de riscos o Estresse o Tabagismo o Retenção Hídrica o Ingestão de Cafeína ou Metilxantinas o Atividades Diárias e Uso de Medicamentos • História clínica o Início, duração, localização, intensidade, associação com ciclo menstrual o Sintomas associados (febre, dispnéia etc) o Abordar estado psicológico (dor psicossomática?) • Exame das mamas o Avaliar também arcos costais e suas articulações (osteocondrite?) o Lesões de pele – herpes zoster? Descarga Papilar • O derrame ou descarga papilar ocorre em várias afecções dos ductos mamários que, por sua vez, podem se manifestar como secreção, retração, infecção ou massa do complexo areolopapilar. • Na prática clínica, estabelecer o diagnóstico diferencial entre essas enfermidades é muito importante, pois o derrame papilar representa 7 a 10% das queixas nos ambulatórios de mastologia. • Em aproximadamente 95% dos casos, o derrame papilar possui uma causa benigna. Entretanto, pode ser uma das apresentações clínicas de uma malignidade. • Classificação o Fisiológica Luana Soares Aula V - Módulo I – P4 − Os derrames papilares fisiológicos, ou não suspeitos, possuem as seguintes características: são bilaterais, não espontâneos, antigos ou intermitentes, multiorificiais, de coloração láctea, verde ou escura o Patológica − Os derrames papilares patológicos, possuem as seguintes características: unilaterais, uniorificiais, espontâneos, persistentes, serosos ou hemáticos. o Galactorreia: define uma secreção láctea, normalmente bilateral; o Pseudoderrames: podem ser causados por mamilos invertidos, lesões eczematoides, infecção nas glândulas sebáceas de Montgomery e erosões traumáticas. • Descarga suspeita o Uniductal/ unilateral o Espontânea o Coloração: cristalino (água de rocha) ou sanguinolenta Cistos • Os cistos mamários acometem de 7 a 10% da população feminina e são essencialmente benignas, com prevalência na faixa etária entre 35 e 50 anos. • Podem ter pouca mobilidade, ser únicos ou múltiplos e de tamanho e consistência variáveis de acordo com a tensão do líquido intracístico. • Quando múltiplos e/ou volumosos, são dolorosos. • Quando menores que 3 mm são chamados de microcistos. • O líquido intracístico pode ter coloração citrina, branca transparente, branca leitosa, esverdeada, amarronzada ou avermelhada. • Os cistos podem ser classificados em: o Simples: apresentam apenas um conteúdo líquido límpido o Complexos: apresentam vegetações ou líquido com características hemorrágicas (debris) no seu interior. • Coleção de líquido derivada da unidade ducto lobular terminal • Influência da variação hormonal • Apresentação clínica o Variação no tamanho, número e magnitude dos sintomas o Crescimento agudo – dor de início súbito o Dor em geral antes da menstruação * • Exame físico o Não distingue sólido x líquido maligno x benigno o Consistência variável flutuante massa dura • Imagem Luana Soares Aula V - Módulo I – P4 Caso se identifique massa mamária palpável, deve-se solicitar a ultrassonografia para diferenciação entre massa cística ou sólida. Em caso de lesão cística, é preciso identificar se é simples ou complexa. o USG Simples − Os cistos simples são imagens redondas ou ovaladas, com superfície lisa, conteúdo anecoico, com reforço acústico posterior, fina sombra acústica lateral e costumam ser destituídos de vascularização. − Os cistos complexos apresentam projeções sólidas em seu interior e ecos que se movimentam com o decúbito do paciente (debris). • Mamografia o Ambos aparecem como imagens esféricas bem circunscritas, com densidade maior que o parênquima adjacente Fibroadenomas • São neoplasias benignas mistas de natureza fibroepitelial, que acometem predominantemente pacientes jovens. São os tumores sólidos benignos mais frequentes da glândula mamária. • Segunda patologia mais comum • Lesões benignas (tecido glandular e fibroso) • Etiologia incerta (influência hormonal) • Mulheres jovens (15 e 35 anos) • O diagnóstico dos fibroadenomas é essencialmente clínico. • Ao exame físico, o fibroadenoma apresenta-se como um tumor bem delimitado, arredondado, geralmente lobulado, com grande mobilidade e de consistência fibroelástica característica. • Apresentação clínica o Tumoração definida, móvel, crescimento lento, geralmente única o Em 25% dos casos são impalpáveis o Com o envelhecer – surgem elementos atróficos e calcificações • USG: sugere (porém confirmação apenas com biópsia) CÂNCER DE MAMA RASTREAMENTO Avaliação periódica realizada em pessoas assintomáticas com o objetivo de identificar a doença em estágio inicial, permitindo a realização precoce do tratamento e aumentando, consequentemente, as chances de cura. • Auto-exame mensal e Exame clínico anual: a partir dos 35 anos. • Mamografia: o Sociedade Brasileirade Mastologia: a partir dos 40 anos, anualmente; o Ministério da Saúde: a partir dos 50 anos, bianualmente. • Tríplice avaliação I. Avaliação clínica – história e exame físico Luana Soares Aula V - Módulo I – P4 II. Exames de imagens – USG, mamografia, RNM III. Diagnóstico citológico (PAAF) ou histopatológico (core biopsy)