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Leticia Martinussi SITUAÇÃO PROBLEMA 4: DOENÇA ARTERIAL CORONARIANA FISIOPATOLOGIA • O termo doença arterial coronariana (DAC) descreve um tipo de cardiopatia causada por redução de fluxo sanguíneo das coronárias. Na maioria dos casos, a DAC é causada por aterosclerose, que acomete não apenas as artérias coronárias, como também as artérias de outras partes do corpo. • As doenças das artérias coronárias podem causar isquemia miocárdica e angina, infarto do miocárdio ou ataque cardíaco, arritmias cardíacas, distúrbios da condução, insuficiência cardíaca e morte súbita. • Aterosclerose é a causa mais comum da DAC. • A doença arterial coronariana é dividida em dois tipos: síndrome coronariana aguda e cardiopatia isquêmica crônica. Síndrome coronariana aguda: • Constitui um espectro de doenças cardíacas isquêmicas agudas, que variam de angina instável a infarto do miocárdio resultante do rompimento de uma placa aterosclerótica. • Inclui angina instável, infarto do miocárdio sem elevação do seguimento ST (sem onda Q) e infarto do miocárdio com elevação do seguimento ST (com onda Q). • Sem elevação do segmento ST no ECG são aqueles nos quais a obstrução coronariana trombótica é subtotal ou intermitente. • Portadores de elevação de seguimento ST geralmente tem obstruções coronarianas completas a angiografia e, por fim, podem ter infartos do miocárdio com ondas Q. Cardiopatia isquêmica crônica: • Caracteriza-se por episódios transitórios de isquemia miocárdica e angina estável, que resultam do estreitamento do lúmen de uma artéria coronária em consequência de aterosclerose ou vasospasmo. FATORES DE RISCO • Os principais fatores de risco da DAC são tabagismo, hipertensão arterial, níveis séricos altos de colesterol total e lipoproteínas de baixa densidade (LDL), nível sérico baixo de lipoproteína de alta densidade (HDL), diabetes, idade avançada, obesidade abdominal e falta de atividade física. Os pacientes com diabetes e síndrome metabólica têm riscos especialmente altos de desenvolver DCV e morbidade significativa causada por essa doença. EXAMES PARA O DIAGNÓSTICO • Eletrocardiograma • Prova de esforço • Ecocardiograma • Ecodoppler • TC e RM do coração • Cateterização • Angiografia cardíaca • Cintigrafia do coração FARMÁCOLOGIA DA DAC • O tratamento medicamentoso de pacientes com doença coronariana depende dos sintomas, função cardíaca e presença de outros distúrbios. • O tratamento indicado são os antiplaquetários para prevenir a formação de coágulos e as estatinas para baixar os níveis de LDL (melhorando os resultados em curto e longo prazo, provavelmente aumentando a estabilidade da placa ateromatosa e melhorando a função endotelial). • Betabloqueadores são eficazes para reduzir os sintomas da angina (diminuindo a frequência e contratilidade cardíacas, reduzindo a demanda de oxigênio) e baixando a taxa de mortalidade pós- infarto, especialmente na presença de disfunção do ventrículo esquerdo pós- infarto do miocárdio. • Bloqueadores dos canais de cálcio também são úteis, muitas vezes combinados com betabloqueadores no tratamento da angina e hipertensão, mas não se comprovou que reduzam a mortalidade. • Nitratos dilatam modestamente as artérias coronárias e diminuem o retorno venoso, reduzindo o trabalho cardíaco e aliviando angina rapidamente. Formulações de nitratos de longa duração ajudam a diminuir os eventos de angina, mas não reduzem a mortalidade. Inibidores da enzima conversora da angiotensina (ECA) e bloqueadores do receptor da angiotensina II (BRAs) são mais eficazes em pacientes que têm doença coronariana com disfunção do VE. Aspirina: • Maiores evidencias no benefício prognóstico e evolução tardia • Ação anti-agregantes → inibe COX, reduzindo TXA2 • Angina instável/ IAM SST-RISC • IAM – ISIS-2 → redução de mortalidade de 42% quando em associação com SK • Dose: 200mg (mastigável) Derivados tienopiridínicos: • Antagonistas de ativação plaquetária → bloqueio parcial dos receptores glicoproteicos IIb-IIIa impedindo a ligação com fibrinogênio • Prevenção primária e secundária • Utilizados em eventos agudos e pós- angioplastia (evitar reoclusão) • Dose: 300mg (dose de ataque) e 75mg (dose de manutenção) Antagonistas dos receptores IIb-IIIa: • Seve como receptor para o fibrinogênio permitindo a agregação plaquetária • São classes de fármacos que inibem a agregação plaquetária • Não são utilizados em todos os casos Antitrombínicos: • Acelera a ação de antitrombina circulante • Previne formação de trombos, mas não promove a lise dos trombos já formados • Heparina não fracionada ou heparina de baixo peso molecular Anti-isquêmicos → nitratos: • Redução da sintomatologia • Ação redutora da pré-carga e pós-carga, diminuindo o consumo de O2 • Diminuição do vasoespasmo coronariano • Potencial inibição da agregação plaquetária Betabloqueadores: • Ação: diminuição do consumo de O2; controle da FC e da PA; redução da contratilidade miocárdica Inibidores de ECA/BRA: • Prevenção do óbito, infarto e AVC • Inicio precoce se não houver contraindicações Antagonistas dos canais de cálcio: • Não são drogas de primeira escolha • Redução da contratilidade e consumo de O2 ANGINA • Angina estável: é a forma mais comum. É causada pela redução da perfusão coronariana com relação a demanda do miocárdio, tal como aquela produzida pela atividade física, excitação emocional ou por qualquer outra causa de sobrecarga cárdica. Geralmente é aliviada pelo repouso ou pela nitroglicerina, um potente vasodilatador. • Angina variante: padrão incomum de angina episódica que ocorre no paciente em repouso e é resultante de um espasmo da artéria coronária. Geralmente responde de forma imediata a vasodilatadores, com a nitroglicerina e os bloqueadores do canal de cálcio. • Angina instável: padrão de dor que ocorre com uma frequência crescente, de duração prolongada que é precipitada por esforços menores ou que ocorrem em repouso. Na maioria dos pacientes, a angina instável é causada pela ruptura de uma placa aterosclerótica com trombose parcial e possível formação de êmbolos ou vasoespasmo. A angina instável então serve de alerta para um iminente IM agudo. Exames: • Anamnese e exame físico • Hemograma • Glicemia em jejum • Colesterol total e fracionado • Triglicerídeos • Estudos de stress com imagem COMUNICAÇÃO AREA DE REFERÊNCIA E CONTRA REFERÊNCIA O sistema de referência e contrarreferência constitui-se na articulação entre as os níveis de atenção: nível primário (caracterizado por atividades de promoção, proteção e recuperação de saúde no nível ambulatorial, agrupando atividades de saúde, saneamento e apoio diagnóstico), nível secundário (desenvolve atividade médicas básicas: clínica médica, gineco- obstetrícia, pediatria e clínica cirúrgica. Também há outras modalidades: atenção ambulatorial, internação, urgência e reabilitação), nível terciário (maior capacidade resolutiva de casos mais complexos do sistema- atendimento ambulatorial, internação e urgência) Referência: transição do nível menor para o de maior complexidade Contrarreferência: transição do nível de maior para menor complexidade Tentativa de organizar os serviços de forma a possibilitar o acesso para as pessoas que procuram os serviços de saúde Usuário é atendido na unidade básica e se necessário é referenciado para unidade de maior complexidade. Quando finalizado o atendimento dessa necessidade especializada o mesmo deve ser contrarreferenciado, ou seja, o profissional deve encaminhar o usuário para a unidade de origem para que a continuidade do atendimento seja feita Sistemapara otimizar o funcionamento do sistema de saúde: garantir adequado atendimento a partir do conhecimento progresso do seu estado de saúde e tratamentos passados Deve funcionar de maneira hierarquizada, a fim de adequar o fluxo dos usuários aos níveis de complexidade de atendimento Rede de referência e contrarreferência se desenvolve em 4 componentes que funcionam de maneira integrada: 1) sendo a APS que coordena a rede, que vincula a população, 2) atenção secundária, os ambulatórios especializados e os hospitais de média e alta complexidade, 3) os sistemaslogísticos, regulação, transporte sanitário, registro eletrônico em saúde, 4) apoio, assistência farmacêutica, apoio diagnóstico terapêutico REFERÊNCIAS: Guia de doenças e sintomas, Doença arterial coronariana (DAC), Hospital Albert Einsten. Artig o: Doença arterial coronariana – Arquivo Brasileiro de Cardiologia, Volume 93, São Paulo – 2009. KUMAR, Vinay; ABBAS, Abeel K.; FAUSTO, Nelson. Robbins e Cotran - Patologia: bases patológicas das doenças. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016. Juliani, Carmen Maria Casquel Monti e Ciampone, Maria Helena TrenchOrganização do sistema de referência e contra-referência no contexto do Sistema Único de Saúde: a percepção de enfermeiro. Revista da Escola de Enfermagem da USP [online]. 1999, v. 33, n. 4