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1 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 ❖ Elaborado com base nos slides e aulas dos professores Cristiane Bauermann Leitão, Pedro Schestatsky e nos livros “Bates: Propedêutica médica - Lynn S. Bickley” e “Porto & Porto: Semiologia médica”. 2 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 SUMÁRIO Aula.................................................................................................................................Página Introdução................................................................................................................................3 Técnicas de entrevista..............................................................................................................4 Itens da anamnese...................................................................................................................7 Exame físico geral...................................................................................................................13 3 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 INTRODUÇÃO À CLÍNICA MÉDICA → INTRODUÇÃO O EXAME CLÍNICO engloba a anamnese e o exame físico, os quais compreendem partes que se completam reciprocamente. Confira: Anamnese • Identificação • Queixa principal • História da doença atual • História médica pregressa • História familiar • Perfil psicossocial • Revisão de sistemas Exame físico • Exame físico geral • Exame dos órgãos e sistemas 4 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 INTRODUÇÃO À CLÍNICA MÉDICA → TÉCNICAS DE ENTREVISTA Esta seção descreve as técnicas essenciais de entrevista terapêutica e das habilidades atemporais que serão aprimoradas continuamente no contato com os pacientes. » Quebrar o gelo Exemplo: - Paciente: “Sou de Santo Ângelo!” - Médico: “Sério? Meu pai é de lá! Como vai o seu Alfeu do açougue?” » Perguntas abertas Exemplos: “O que o senhor sentiu que o fez procurar atendimento?” “Gostaria que o senhor contasse o que está sentindo.” “Quais os seus sintomas?” “Por que o senhor veio consultar hoje?” E se o paciente responder brevemente, falando, por exemplo apenas que está com dor no peito? Temos que fazer mais perguntas abertas! Exemplos: “O senhor pode explicar melhor os seus sintomas?” “Quero entender bem o que o senhor está sentindo. “O senhor poderia contar detalhadamente desde o início?” “O senhor apresentou algum outro sintoma?” Depois, começamos a detalhar, com perguntas fechadas, focadas e diretas. » Silêncio Um certo período de silêncio contemplativo de sua parte permitirá que o paciente reorganize ou até modifique seu pronunciamento. » Facilitação ou confirmação Exemplos: “Aham” Assentir com a cabeça “Continue” “Entendi” » Reflexão Repetir as últimas palavras do paciente. Exemplo: - Paciente: “Minha cabeça doeu muito...” - Médico: “Doeu muito?” 5 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 » Confrontação Exemplos: “Não entendi muito bem onde a dor começou. Foi no meio da barriga ou do lado direito?” "Quero esclarecer as datas. O senhor disse que tem a dor há 5 anos, mas agora falou que começou no último Natal. Quando a dor realmente começou?" "O senhor disse que está tranquilo quanto ao seu diagnóstico, mas ficou emocionado. Como o senhor está realmente se sentindo?" » Esclarecimento Exemplo: - Paciente: “Me sinto tonto.” ‐ Médico: “Explique melhor.” - Paciente: “É tontura mesmo...” - Médico: “As coisas giram?” ‐ Paciente: “Não.” ‐ Médico: “O senhor tem a sensação de que vai desmaiar?” ‐ Paciente: “Sim, isto mesmo, parece que tudo vai ficar escuro e eu vou desmaiar, mas não desmaio.” » Interpretação Exemplo: Paciente: "Meus filhos me visitam a toda hora quando estou em casa. Eles parecem ter prazer nisto e alternam-se para visitar-me no hospital”; - Médico: "Parece que você tem uma família muito unida.” » Apoio Exemplo: ‐ Paciente: “Ninguém descobre aonde está o meu câncer!” ‐ Médico: “Eu entendo a sua insegurança, mas lhe garanto que estás em um hospital plenamente apto a encontrar a solução do seu problema!” » Empatia Exemplos: “Eu posso imaginar como foi difícil.” “Qualquer pessoa na sua situação estaria muito abalada”. “Eu entendo o que senhora está s entindo.” “Eu estou muito feliz com o resultado do seu tratamento.” 6 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 » Resumo ou sumário Exemplo: - Médico: “Permita‐me repassar sua história: Então você estava em casa pela manhã quando, ao levantar o televisor teve uma dor lombar jamais experimentada, mas o que fez com que viesse ao hospital foram os vômitos algumas horas depois, certo?” ‐ Paciente: “É isso mesmo, Dr!” Então Dona Maria, o que eu entendi da sua história foi o seguinte... 7 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 INTRODUÇÃO À CLÍNICA MÉDICA → ITENS DA ANAMNESE Anamnese (aná = trazer de novo; mnesis = memória) significa trazer de volta à mente todos os fatos relacionados com a doença e o paciente. A anamnese, se benfeita, acompanha-se de decisões diagnósticas e terapêuticas corretas; se malfeita, em contrapartida, desencadeia uma série de consequências negativas, as quais não podem ser compensadas com a realização de exames complementares, por mais sofisticados que sejam. A anamnese é classicamente desdobrada nas seguintes partes: identificação, queixa principal, história de doença atual, história médica pregressa, perfil psicossocial e revisão dos sistemas. » Começando uma entrevista Será bom no início ter um esquema definido do que você vai fazer. Mais tarde, quando estiver mais acostumado, este esquema pode ser modificado e internalizado para adequar-se ao seu próprio estilo de entrevista. Seguem alguns pontos básicos: Cumprimentar o paciente É provavelmente melhor não dizer, "como vai" para um paciente, deixe isto para mais tarde; comece com, "Bom dia". Aperte a mão de seu paciente se isto lhe parecer confortável e apropriado. Introdução e identificação pessoal Decida qual o título mais confortável para você enquanto for um estudante, por exemplo: estudante de medicina, médico em treinamento, etc. Exemplo: “Eu sou José (ou Maria) Fernandes, um (uma) estudante de medicina da Faculdade de Medicina da UFRGS.” Propósito da visita e estimativa do tempo Relate o propósito e estime a duração da entrevista. Ex.: "Estou aprendendo a fazer entrevistas e gostaria de lhe fazer algumas perguntas" ou "Eu gostaria de entrevistá-lo para uma disciplina que estou cursando. Isto levará de 20 a 30 minutos". Permissão do paciente Obtenha a permissão do paciente, por exemplo: "Está bem para o Sr/Sra?”. Se não estiver bem ou se alguma circunstância tornar a entrevista inconveniente, peça desculpa e pergunte se você pode retornar em outra hora. Ambiente Tornar o ambiente tão confortável quanto possível. Fechar a cortina que separa os leitos, se houver. Colocar sua cadeira para que fique a uma distância confortável e no mesmo plano visual do paciente, para que ele não tenha que manter sua cabeça em um ângulo desconfortável, etc. » Identificação A identificação é o perfil sociodemográfico do paciente que permite a interpretação de dados individuais e coletivos. Apresenta múltiplos interesses; o primeiro deles é de iniciar o relacionamento com o paciente, saber o nome de uma pessoa é indispensável para que se comece um processo de comunicação em nível afetivo. Para a confecção de fichários e arquivos, que nenhum médico ou instituição pode dispensar, os dados da identificação são fundamentais. São obrigatórios os elementos descritos a seguir: ►Nome ► Idade ► Sexo/gênero ► Cor/etnia: Em nosso país, onde existe uma intensa mistura de etnias, é preferível o registroda cor da pele usando-se a seguinte nomenclatura: cor branca, cor parda ou cor preta. 8 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 ► Estado civil ► Profissão ► Local de trabalho ► Naturalidade: Local onde o paciente nasceu. ► Procedência: Local onde o paciente mora. ► Religião: A religião à qual o paciente se filia tem relevância no processo saúde-doença. Alguns dados bastante objetivos, como a proibição à hemotransfusão em testemunhas de Jeová e o não uso de carnes pelos fiéis da Igreja Adventista, têm uma repercussão importante no planejamento terapêutico. Outros dados mais subjetivos podem influenciar a relação médico-paciente, uma vez que o médico usa em sua fala a pauta científica, que muitas vezes pode se contrapor à pauta religiosa pela qual o paciente compreende o mundo em que vive. » Queixa principal Neste item, registra-se a queixa principal ou o motivo que levou o paciente a procurar o médico, repetindo, se possível, as expressões por ele utilizadas. É uma afirmação breve e espontânea, geralmente um sinal ou um sintoma, suscitador nas próprias palavras da pessoa, que descreve o motivo da consulta. Geralmente, é uma anotação entre aspas para indicar que se trata das palavras exatas do paciente. Para sua primeira pergunta use uma que seja tão aberta que proporcione ao paciente a maior amplitude possível. Exemplos: "Por que o Sr. está no hospital?", "Qual o motivo de Sr. estar aqui?" ou "Conte-me sobre sua doença". Prossiga então sua entrevista. Exemplos de "queixa principal": dor de ouvido, dor no peito, etc. » História da doença atual (HDA) Esta seção da anamnese é um relato completo, claro e cronológico dos problemas que motivaram o paciente a buscar atendimento. A narrativa deve incluir dados sobre o aparecimento do problema, a situação em que este surgiu, além de manifestações e eventuais tratamentos. A história da doença atual deve revelar como o paciente responde aos sintomas e aos efeitos que a doença exerce sobre sua vida. Lembre-se sempre de que os dados fluem espontaneamente dele, mas a tarefa de organizar o material é sua. Os pacientes apresentam, com frequência, mais de uma queixa ou sintoma. Cada um deles merece o seu próprio parágrafo, bem como uma descrição completa. Cada sintoma principal deve ser caracterizado segundo: (1) sua localização; (2) suas características; (3) a quantidade ou intensidade; (4) a cronologia, inclusive início, duração e frequência; (5) a situação em que ocorre; (6) os fatores que agravam ou aliviam o sintoma; e (7) as manifestações associadas. Esses sete atributos são valiosíssimos para compreender todos os sintomas do paciente. 9 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 Na história da doença atual, ainda entram os medicamentos utilizados e as alergias do paciente. Os medicamentos utilizados devem ser registrados, inclusive o nome da substância, a dose, a via de administração e a frequência de uso. Faça também uma lista de remédios caseiros, medicamentos de venda livre, vitaminas, suplementos minerais ou fitoterápicos, contraceptivos orais e remédios emprestados por outros membros da família ou amigos. Solicite ao paciente que traga toda a medicação, a fim de que você veja exatamente o que ele usa. As alergias, inclusive reações específicas a cada medicamento, como erupção cutânea ou náuseas, precisam ser registradas, bem como alergias alimentares, a insetos ou fatores ambientais. » História médica pregressa As doenças comuns da infância, como sarampo, rubéola, caxumba, coqueluche, varicela (catapora), febre reumática, escarlatina e poliomielite, são incluídas na história patológica pregressa. Também são incluídas aqui quaisquer enfermidades crônicas da infância. Pesquise informações relativas a doenças de adultos em cada uma das quatro áreas a seguir: - Clínica: patologias como diabetes melito, hipertensão arterial, hepatite, asma e HIV; internações, número e gênero dos parceiros sexuais; e práticas sexuais de risco. - Cirúrgica: datas, indicações e tipos de cirurgia. - Ginecológica/Obstétrica: história obstétrica, história menstrual, métodos contraceptivos e atividade sexual - Psiquiátrica: doença e cronologia, diagnósticos, hospitalizações e tratamentos. Verifique aspectos selecionados de medidas de manutenção da saúde, principalmente imunizações e exames de rastreamento. Em imunizações, investigue se o paciente tomou as vacinas contra tétano, difteria, coqueluche, poliomielite, sarampo, rubéola, varicela (catapora), influenza, hepatite B, Haemophilus influenzae tipo B, pneumococo e herpes-zóster. Em exames de rastreamento, pergunte sobre teste com 10 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 tuberculina (PPD), Papanicolaou, mamografia, pesquisa de sangue oculto nas fezes, colonoscopia e níveis sanguíneos de colesterol, juntamente com resultados e a última data de realização. Se o paciente não souber informar, pode ser necessária permissão por escrito para pesquisar o prontuário dele. » História familiar Esboce ou faça um diagrama da idade e do estado de saúde ou da idade e causa de óbito de cada um dos parentes imediatos, inclusive pais, avós, irmãos, filhos e netos. Faça uma revisão das seguintes doenças e circunstâncias e registre se existem ou não na família: hipertensão arterial, doença coronariana, níveis elevados de colesterol, AVC, diabetes melito, doença tireoidiana ou renal, artrite, tuberculose, asma ou doença pulmonar, cefaleia, convulsões, doença mental, suicídio, uso abusivo de drogas ilícitas, bem como alergias; além disso, devem-se revisar os sintomas relatados pelo paciente. Investigue histórias de câncer de mama, de ovário, de cólon ou de próstata. Pergunte sobre doenças de transmissão genética. » Perfil psicossocial A história pessoal e social compreende hábitos e estilo de vida saudáveis ou que ofereçam riscos, como exercício e dieta, inclusive a frequência da prática de exercícios físicos; ingestão alimentar diária e usual; uso de suplementos ou restrições na dieta; e consumo de café, chá e outras bebidas cafeinadas; e medidas de segurança, inclusive uso de cinto de segurança, capacete de bicicleta, bloqueadores solares, detectores de fumaça e outros dispositivos relacionados com riscos específicos. Inclua também eventuais cuidados alternativos com a saúde. Registre uso de tabaco, inclusive o tipo de produto usado. Os cigarros são, em geral, documentados como maços/ano (uma pessoa que fumou 1½ maço por dia durante 12 anos tem uma história de 18 maços/ano). Se o paciente deixou de fumar, registre há quanto tempo isso ocorreu. Além disso, o uso de álcool e drogas ilícitas sempre deve ser investigado. As condições socioeconômicas e culturais avaliam a situação financeira, vínculos afetivos familiares, filiação religiosa e crenças espirituais do paciente, bem como condições de moradia e grau de escolaridade. Este item está desdobrado em: • Habitação • Condições socioeconômicas • Condições culturais • Vida conjugal e relacionamento familiar. » Revisão dos sistemas A compreensão e o emprego das perguntas que compõem a revisão de sistemas podem parecer desafiadores à primeira vista. Essas questões objetivas devem ser feitas no fim da entrevista. Pense nelas em uma sequência que vai “da cabeça aos pés”. Prepare o paciente para as perguntas, dizendo: “Nesta parte seguinte da história, vai parecer que você está respondendo a uma centena de perguntas, mas é importante para ter certeza de que não nos esquecemos de nada”. A maioria das perguntas integrantes da revisão de sistemas diz respeito a sintomas, porém, às vezes, alguns profissionais de saúde incluem também perguntas sobre doenças como pneumonia ou tuberculose. Note que, na revisão de sistemas, você também pode formular questões relacionadas com queixa ou queixas principais para estabelecer pontos positivos e negativos, capazes de ajudar a esclarecer o diagnóstico.11 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 Inicie a investigação de cada sistema com uma pergunta geral. Isso concentra a atenção do paciente e possibilita que você passe a questões mais específicas em cada sistema, que pode ser motivo de preocupação. Os exemplos de perguntas iniciais incluem: “Como estão seus ouvidos e audição?” “E os pulmões e a respiração?” “Tem algum problema de coração?” “Como anda a digestão?” “E o intestino?”. Observe que a necessidade de perguntas mais detalhadas variará segundo a idade, as queixas, o estado geral do paciente e o seu julgamento clínico. As perguntas da revisão de sistemas podem desvendar problemas que o paciente não percebeu, principalmente, em áreas sem relação com a doença atual. Os acontecimentos de saúde técnica flexível. Por meio da entrevista ao paciente, você concede informações que serão organizadas em um formato escrito formal, somente após a conclusão da entrevista e do exame. Logo adiante, são mostradas perguntas padrão de revisão de sistemas. Conforme você for ganhando experiência, perguntas objetivas tomarão apenas alguns minutos. Para cada “sistema” regional, pergunte: “O senhor ou a senhora já teve...?” o Geral: peso habitual, mudanças recentes de peso, roupas mais apertadas ou folgadas do que antes. Fraqueza, fadiga ou febre. o Pele: erupções, nódulos, feridas, prurido, ressecamento, mudanças de cor; alterações em cabelos ou unhas; mudança de tamanho ou da coloração de nevos. o Cabeça, olhos, orelhas, nariz, boca e faringe: - Cabeça: cefaleia, traumatismo cranioencefálico (TCE), tontura e sensação de “vazio na cabeça”. - Olhos: visão, uso de óculos ou lente de contato, último exame, dor, olhos vermelhos, lacrimejamento excessivo, diplopia ou borramento visual, pontos, flocos, luzes piscantes, glaucoma e catarata. - Orelhas: audição, tinido, vertigem, otalgia, infecção e secreção. Se houver redução da audição, uso ou não de prótese auditiva. - Nariz e seios da face: resfriados frequentes; congestão, secreção ou prurido nasal; febre do feno (rinite alérgica); epistaxe e problemas dos seios da face. - Boca e faringe: situação de dentes e gengivas; sangramento gengival; prótese dentária, se houver, e seu ajuste; último exame odontológico; feridas na língua; ressecamento na boca; dor de garganta frequente e rouquidão. o Pescoço: linfadenopatia, bócio, nódulos, dor ou rigidez da nuca. o Mamas: nódulos, dor ou desconforto; secreção mamilar e práticas de autoexame. o Respiratório: tosse, escarro (cor, volume), hemoptise, dispneia, sibilos, pleurisia e última radiografia de tórax. Você pode também incluir aqui dados sobre asma, bronquite, enfisema, pneumonia e tuberculose. o Cardiovascular: “problema cardíaco”, hipertensão arterial, febre reumática, sopros cardíacos; dor ou desconforto torácico; palpitações, dispneia, ortopneia, dispneia paroxística noturna, edema; resultados dos últimos eletrocardiogramas ou outros testes cardiovasculares. o Gastrintestinal: dificuldade de deglutição, pirose, apetite e náuseas. Ritmo intestinal, cor e volume das fezes, mudança de hábitos intestinais, dor à defecação, sangramento retal ou fezes cor de piche, hemorroidas, constipação intestinal e diarreia. Dor abdominal, intolerância alimentar, eructação ou flatulência excessiva. Icterícia, problemas de fígado ou vesícula e hepatite. o Vascular periférico: claudicação intermitente; cãibras nas pernas; veias varicosas; coágulos prévios nas veias; edema em panturrilhas, pernas ou pés; alterações de cor nas pontas dos dedos das mãos ou dos pés durante tempo frio e edema com rubor ou dor. o Urinário: polaciúria, poliúria, nictúria, urgência, queimação ou dor durante a micção, hematúria, infecções urinárias, dor lombar ou renal, cálculos renais, cálculo ureteral, dor suprapúbica, incontinência; 12 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 nos homens, redução do calibre ou da força do jato urinário, hesitação ou eliminação involuntária de pequeno volume de urina. o Genital: - Homens: hérnias, secreções ou feridas no pênis, dor ou massas testiculares, dor ou edema de bolsa escrotal, história pregressa de doenças sexualmente transmissíveis e seus tratamentos. Hábitos, interesse, função e satisfação sexuais; métodos de controle de natalidade; uso de preservativo e problemas. Preocupações quanto à infecção pelo HIV. - Mulheres: idade da menarca; regularidade, frequência e duração da menstruação; volume de sangramento, sangramento entre a menstruação e após o ato sexual; última menstruação; dismenorreia e tensão pré-menstrual. Idade da menopausa, sintomas de menopausa e sangramento pós-menopausa; no caso de pacientes nascidas antes de 1971, exposição a dietilestilbestrol (DES) por uso materno durante a gravidez (ligado a carcinoma de colo de útero); secreção vaginal, prurido, feridas, nódulos, doenças sexualmente transmissíveis e tratamentos; quantidade de gestações, quantidade e tipos de parto, número de abortos (espontâneo e induzido), complicações da gravidez e métodos anticoncepcionais; preferências, interesses, função, satisfação e problemas sexuais, inclusive dispareunia; preocupações quanto à infecção pelo HIV. o Musculoesquelético: dor muscular ou articular, rigidez, artrite, gota, dor nas costas. Caso haja esses sintomas, descreva a localização das articulações ou dos músculos acometidos, a existência de edema, a eritema, a dor espontânea ou à compressão, a rigidez, a fraqueza ou a limitação de movimentos ou das atividades; veja a cronologia dos sintomas (p. ex., manhã ou noite), a duração e histórias de trauma. Cervicalgia ou lombalgia. Dor articular com características sistêmicas, como febre, calafrios, erupção, anorexia, perda de peso ou fraqueza. o Neurológico: alterações de humor, atenção ou fala; mudanças na orientação, memória, autopercepção ou julgamento; cefaleia, tontura e vertigem, desmaio, perda temporária da consciência (blackout), fraqueza, paralisia, dormência ou perda de sensibilidade, formigamento, tremores ou outros movimentos involuntários e crises convulsivas. o Hematológico: anemia, facilidade para apresentar equimoses ou sangramento, transfusões prévias e reações transfusionais. o Endócrino: “problemas de tireoide”, intolerância ao frio e calor, sudorese excessiva, fome ou sede excessivas, poliúria e alteração no tamanho de luva ou sapato. » Concluindo uma entrevista Faça uma conclusão definida para a entrevista. Não diga que voltará a não ser quando estiver certo de que o fará. Ofereça uma oportunidade para informações adicionais. É valioso perguntar "Há algo mais?". Pacientes podem ter esquecido uma resposta ou podem querer retornar a algum ponto enquanto eles decidiam se podiam ou não ter confiança. É também menos ameaçador trazer assuntos delicados ao final da interação médico-paciente. Ocasionalmente assuntos muito importantes poderão ser relatados nos últimos minutos. Para indicar o final da entrevista você pode dizer, "obrigado por ter sido tão cooperativo", ou "obrigado pela entrevista; eu desejo que as coisas melhorem para o senhor”. 13 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 INTRODUÇÃO À CLÍNICA MÉDICA → EXAME FÍSICO GERAL Após compreender as preocupações do paciente e ter realizado uma anamnese meticulosa, é o momento de fazer o exame físico. Inicialmente, você se sentirá inseguro quanto à forma de interagir com o paciente. Porém, com a prática, sua habilidade e, consequentemente, sua confiança aumentarão. Para realizar um exame físico geral completo, utilizaremos um roteiro: » I. Paciente sentado de frente para o médico ►01. Observar a aparência geral Estado aparente de saúde: Tente fazer um julgamento geral com base nas observações feitas durante o atendimento e apoie-os com os detalhes significativos. 14 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 O paciente aparenta doença aguda ou crônica? Está com aspecto frágil ou pareceforte e com bom condicionamento físico? Nível de consciência: O paciente está lúcido, orientado no tempo e no espaço? Responde aos estímulos (deles e de outras pessoas no ambiente)? Se não estiver, avalie imediatamente o nível de consciência. Autocuidado: Verifique o vestuário, o asseio e a higiene pessoal do paciente. Como o paciente está vestido? As roupas são apropriadas para a temperatura e para o clima? Está limpo e em condições apropriadas para o local? Fáceis: É o conjunto de dados exibidos na face do paciente. É a resultante dos traços anatômicos mais a expressão fisionômica. Não apenas os elementos estáticos, mas, e principalmente, a expressão do olhar, os movimentos das asas do nariz e a posição da boca. Certas doenças imprimem na face traços característicos, e, algumas vezes, o diagnóstico nasce da simples observação do rosto do paciente. Os principais tipos de fácies são: • Fácies atípica ou “normal”: Comporta muitas variações, facilmente reconhecidas por todos. Mesmo quando não há traços anatômicos ou expressão fisionômica para caracterizar um dos tipos de fácies descrito a seguir, é importante identificar, no rosto do paciente, sinais indicativos de tristeza, ansiedade, medo, indiferença, apreensão... Todos os outros tipos de fáceis descritos abaixo são típicas (pois são típicas de alguma doença ou condição clínica). • Fácies hipocrática: Olhos fundos, parados e inexpressivos chamam logo a atenção do examinador. O nariz afila-se, e os lábios se tornam adelgaçados. "Batimentos das asas do nariz" também costumam ser observados. Quase sempre o rosto está coberto de suor. Palidez cutânea e uma discreta cianose labial completam a fácies hipocrática. Esse tipo de fácies indica doença grave e quase nunca falta nos estados agônicos das afecções. • Fácies renal: O elemento característico desse tipo de fácies é o edema que predomina ao redor dos olhos. Completa o quadro a palidez cutânea. É observada nas doenças difusas dos rins, particularmente na síndrome nefrótica e na glomerulonefrite difusa aguda. • Fácies leonina: As alterações que a compõem são produzidas pelas lesões do mal de Hansen. A pele, além de espessa, é sede de grande número de lepromas de tamanhos variados e confluentes, em maior número na fronte. Os supercílios caem, o nariz se espessa e se alarga. Os lábios tornam-se mais grossos e 15 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 proeminentes. As bochechas e o mento se deformam pelo aparecimento de nódulos. A barba escasseia ou desaparece. Essas alterações em conjunto conferem ao rosto do paciente um aspecto de cara de leão, origem de sua denominação. • Fácies adenoidiana: Os elementos fundamentais são o nariz pequeno e afilado e a boca sempre entreaberta. Aparece nos indivíduos portadores de hipertrofia das adenoides, as quais dificultam a respiração pelo nariz ao obstruírem os orifícios posteriores das fossas nasais. • Fácies parkinsoniana: A cabeça inclina-se um pouco para frente e permanece imóvel nesta posição. O olhar fixo, os supercílios elevados e a fronte enrugada conferem ao paciente uma expressão de espanto. A fisionomia é impassível e costuma-se dizer que esses pacientes se parecem com uma figura de máscara. A fácies parkinsoniana é observada na síndrome ou na doença de Parkinson. • Fácies basedowiana: Seu traço mais característico reside nos olhos, que são salientes (exoftalmia) e brilhantes, destacando-se sobremaneira no rosto magro. A expressão fisionômica indica vivacidade. Contudo, às vezes, tem um aspecto de espanto e ansiedade. Outro elemento que salienta as características da fácies basedowiana é a presença de um bócio. Indica hipertireoidismo. • Fácies mixedematosa: Constituída por um rosto arredondado, nariz e lábios grossos, pele seca, espessada e com acentuação de seus sulcos. As pálpebras tomam-se infiltradas e enrugadas. Os supercílios são 16 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 escassos (condição denominada madarose) e os cabelos secos e sem brilho. Além dessas características morfológicas, destaca-se uma expressão fisionômica indicativa de desânimo e apatia. Esse tipo de fácies aparece no hipotireoidismo ou mixedema. • Fácies acromegálica: Caracterizada pela saliência das arcadas supraorbitárias, proeminência das maçãs do rosto e maior desenvolvimento do maxilar inferior, além do aumento do tamanho do nariz, lábios e orelhas. Nesse conjunto de estruturas hipertrofiadas, os olhos parecem pequenos. • Fácies cushingoide ou de lua cheia: Como a própria denominação revela, chama a atenção de imediato o arredondamento do rosto, com atenuação dos traços faciais. Secundariamente, deve ser assinalado o aparecimento de acne e o rubor facial. Este tipo de fácies é observado nos casos de síndrome de Cushing por hiperfunção do córtex suprarrenal. Pode ocorrer também nos pacientes que fazem uso de corticoides. • Fácies mongoloide: Está na fenda palpebral seu elemento característico: é uma prega cutânea (epicanto) que torna os olhos oblíquos, bem distantes um do outro. Acessoriamente, nota-se um rosto redondo e uma boca quase sempre entreaberta. É observada na síndrome de Down, que é uma trissomia do par 21. 17 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 • Fácies da paralisia facial periférica: Chama a atenção a assimetria da face, com impossibilidade de fechar as pálpebras, repuxamento da boca para o lado são e apagamento do sulco nasolabial. • Fácies miastênica ou fácies de Hutchinson: Caracterizada por ptose palpebral que obriga o paciente a franzir a testa e levantar a cabeça. Ocorre na miastenia gravis e em outras miopatias que comprometem os músculos da pálpebra superior. Sinais de sofrimento: Verifique se o paciente apresenta evidências de algum dos problemas arrolados adiante. • Angústia respiratória ou cardíaca: Está com a mão cerrada sobre a parte anterior do tórax, apresenta diaforese ou respiração laboriosa, sibilos ou tosse. • Dor: Apresenta estremecimento, sudorese, atitude de proteção em relação a uma área dolorosa, caretas ou postura anormal favorecendo um membro ou uma região do corpo. • Ansiedade ou depressão: Apresenta expressões faciais de ansiedade, movimentos irrequietos, palmas das mãos frias e úmidas, face inexpressiva, desinteresse, não faz contato visual ou lentidão psicomotora. Estado de nutrição: Verifique o estado de nutrição do paciente, observando-o e, se possível, pesando-o e medindo-o. Calcule o IMC. Geralmente não fazemos isso nessa disciplina. ►02. Mãos e braços Inspecionar as unhas, mãos e palmas das mãos: Inicia-se a inspeção cuidadosa das mãos, incluindo a observação da cor e a conformação das unhas, simetria das articulações e o estado da musculatura das mãos. Isto é melhor realizado segurando-se as mãos do paciente ao nível do tórax para que cada aspecto destas possa ser bem visualizado e comparado entre elas. Aproveite este momento para avaliar a temperatura da pele do paciente, bem como se a palma da mão é úmida ou seca. 18 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 Faz-se o teste de preenchimento capilar, que é uma manobra muito simples destinada a avaliar a velocidade de enchimento do leito capilar superficial após compressão/descompressão da polpa de um dedo. Consiste em comprimir a polpa do dedo contra a unha até esta ficar branca e libertar a pressão. A recoloração do leito ungueal faz-se normalmente em até 5 segundos. Neste momento, podemos também avaliar o turgor da pele. Turgor é o grau de resistência da pele a deformações. O turgor da pele é um dos melhores indícios do estado de nutrição e hidratação da pele. Segura-se com dois dedos (pinçando com o polegar e o indicador) a pele do dorso da mão, como se fosse um beliscão. Mantém-se essa posição por alguns segundos e então se solta. Uma pele com turgor normal vai retornar rapidamente à sua posição habitual.Já uma pele com turgor deficiente vai permanecer saltada, retornando com lentidão à sua posição habitual. Inspecionar a pele, palpar músculos e flexionar articulações: A seguir, os membros superiores são explorados, palpando-se o tônus muscular e a sensibilidade, inspecionando-se as lesões de pele e passivamente flexionando-se e estendendo-se as articulações destes membros. Comparar os pulsos radiais, contar as pulsações e verificar a frequência respiratória: Comparam-se os pulsos radiais, verificando diferenças na amplitude. Determina-se a frequência do pulso, palpando-o por pelo menos 15 segundos. A frequência do pulso varia com a idade e em diversas outras condições fisiológicas. Em pessoas adultas, considera-se normal a frequência de 60 a 100 bpm. Caso o pulso seja irregular, devemos contar a frequência por um minuto inteiro. Neste momento, é oportuno também verificar a frequência respiratória. No entanto, devemos fazer isso sem avisar ao paciente, para 19 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 que não ocorra nenhuma alteração na contagem decorrente da ansiedade de estar sendo observado. A frequência respiratória em geral é mensurada através da observação da expansão torácica contando o número de inspirações por um minuto. O adulto normal em repouso respira confortavelmente 12 a 20 vezes por minuto. Medir a pressão arterial no braço direito: A técnica para medir a pressão arterial deve seguir alguns procedimentos, mostrados na sequência. O local para a medida da pressão deve ser: • calmo e confortável; • silencioso, ou seja, sem ruídos para não prejudicar a ausculta dos sons de Korotkoff. O paciente: ➢ É importante assegurar que o paciente não: • está com a bexiga cheia; • praticou exercícios físicos nos últimos 60 minutos; • ingeriu bebidas alcoólicas ou cafeína; • fumou nos últimos 60 minutos; • está com alguma emoção forte, dor ou stress; • utilizou medicamentos estimulantes adrenérgicos. ➢ Posicionamento do paciente: • paciente sentado, com encosto para as costas, pés no chão descruzados e apoiados no chão e relaxado; • braço na altura do coração, apoiado, com a palma da mão para cima; • observar se as roupas não garroteiam o braço. Se sim, remover. O paciente deve permanecer em repouso por 5 minutos antes de iniciar a medida. O aparelho: O aparelho de pressão ou esfigmomanômetro é formado por um manguito, constituído de uma tira de tecido com mecanismo capaz de fixá-lo no braço ou na coxa e que contém uma câmara de borracha, a qual se comunica com uma pera ligada a um dispositivo valvular e ao manômetro. O manguito deve ser de tamanho adequado ao diâmetro do braço do paciente. Caso seja mais estreito, o valor da pressão arterial registrado será equivocadamente mais alto. O que vai determinar a largura do manguito deverá ser a circunferência do braço do paciente, e não simplesmente sua idade. Deve ser 20% mais largo que o diâmetro do braço. Além disso, um manguito de tamanho adequado deve ter 2/3 do comprimento do braço do indivíduo. Procedimento: • Localize as pulsações da artéria braquial; • Coloque o manguito 2 cm acima da fossa cubital; • Palpe o pulso radial; • Infle o manguito até o desaparecimento do pulso radial. A seguir, desinsufle o manguito lentamente; quando reaparece o pulso, tem-se o valor da pressão sistólica; • Coloque o estetoscópio sobre a artéria braquial e insufle o manguito cerca de 30 mmHg acima do valor encontrado para a pressão sistólica pelo método palpatório; 20 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 • Solte o ar, de maneira contínua, à razão de 2 a 3 mmHg/segundo, até o completo esvaziamento da câmara; • A pressão na qual o primeiro som de Korotkoff é escutado representa a pressão mais alta na artéria e é registrada como pressão sistólica. O ponto no qual o som de Korotkoff desaparece é a pressão mais baixa na artéria e é registrada como pressão diastólica. Por convenção, a pressão arterial é escrita como pressão sistólica sobre a diastólica. ►03. Cabeça Inspecionar forma, pele e couro cabeludo: Inspeciona-se primeiramente a face e crânio observando-se a configuração e a simetria, fixando-se mais cuidadosamente para qualquer lesão da pele ou tumores da face. Posteriormente, inspeciona-se o couro cabeludo e palpa-se os fios de cabelo. Observe a quantidade, a distribuição e a textura dos fios. ►04. Olhos Acuidade visual: Para testar a acuidade da visão utilize, se possível, a tabela de Snellen, com boa iluminação. Posicione o paciente a uma distância de 6 metros (20 pés) do quadro. Os pacientes que usam óculos devem utilizá-los durante o exame. Solicite ao paciente para cobrir um dos olhos com a mão e leia a menor linha impressa possível. Estimule-o a ler a linha seguinte, pois isso pode melhorar seu desempenho. O paciente que não consegue ler as letras maiores deve ser posicionado mais próximo do quadro; anote a distância. Descubra qual é a menor linha impressa em que o paciente consegue identificar mais da metade das letras. Registre a acuidade visual designada ao lado dessa linha, juntamente com o uso de óculos, quando houver. A acuidade visual é expressa por uma fração (p. ex., 20/30), na qual o numerador indica a distância que o paciente está em relação ao quadro, e o denominador, a distância em que um paciente com visão normal consegue ler as letras. Caso não seja possível utilizar a tabela de Snellen, um teste rápido de visão para perto pode ser executado com qualquer material impresso, como a tabela de Rosenbaum para bolso. Alternativamente, podemos pedir para o paciente ler o que está escrito em nosso crachá. Inspecionar conjuntivas e escleróticas: Peça ao paciente para olhar para cima enquanto você puxa para baixo as duas pálpebras inferiores com seus polegares, expondo a esclerótica e a conjuntiva. Inspecione a 21 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 esclerótica e a conjuntiva palpebral, verificando a cor e o padrão vascular contra o fundo branco da esclerótica. Verifique se há nódulos ou edemas. Testar reação pupilar à luz (reflexo fotomotor direto e consensual): Escureça o aposento. Peça ao paciente que olhe para um ponto distante e ilumine obliquamente uma pupila de cada vez, com uma luz forte (lanterna). Pesquise pela reação fotomotora direta (contração pupilar no mesmo olho) e pela reação consensual (contração pupilar no olho oposto). Ao pesquisar pela reação consensual coloque a sua mão no meio da testa do paciente, entre os olhos, para garantir que a contração seja de fato decorrente do reflexo consensual. Então, ao iluminar a pupila de um olho, observa-se a pupila do lado oposto, que deve também contrair. Assista ao vídeo → https://www.youtube.com/watch?v=T4iQrVBDvEY ►05. Neuro O exame dos nervos cranianos pode ser resumido da seguinte maneira: Resumo dos nervos cranianos I a XII I Olfato II Acuidade visual, campos visuais e fundo de olho II, III Reações pupilares III, IV, VI Movimentos extraoculares V Reflexos corneanos, sensibilidade facial e movimentos mandibulares VII Movimentos faciais VIII Audição IX, X Deglutição e elevação do palato, reflexo faríngeo V, VII, X, XII Voz e fala XI Movimentos dos ombros e do pescoço XII Posição e simetria da língua Nesta disciplina apenas não testaremos o nervo olfatório, visto que para isso precisaríamos apresentar ao paciente odores, como o de café ou de ervas, e isso fica inviável no nosso contexto. Testar movimentos oculares extrínsecos: Para testar os seis movimentos extraoculares, peça ao paciente que acompanhe seu dedo ou um lápis enquanto você os movimenta pelas seis principais direções do olhar https://www.youtube.com/watch?v=T4iQrVBDvEY 22 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 conjugado fixo. Traçando um H no ar, conduza o olhar do paciente (1) para a extrema direita; (2) para a direita e para cima; e (3)para baixo e para a direita; em seguida, (4) sem fazer uma pausa no meio, para a extrema esquerda; (5) para a esquerda e para cima; e (6) para baixo e para a esquerda. Movimente seu dedo ou o lápis a uma distância confortável do paciente. Como as pessoas de meia-idade ou idosas podem ter dificuldade para focalizar objetos próximos, examine-as a uma distância maior que a utilizada em pessoas mais jovens. Alguns pacientes movem a cabeça quando acompanham o dedo do examinador. Se necessário, segure a cabeça do paciente na posição intermediária apropriada. Assista ao vídeo → https://www.youtube.com/watch?v=dwanReKEgKI Finalmente, teste a convergência. Peça ao paciente que acompanhe seu dedo ou o lápis enquanto você o desloca em direção ao dorso do nariz dele. Os olhos convergentes normalmente acompanham o objeto até cerca de 5 a 8 cm do nariz. Enrugar a testa, mostrar os dentes, mostrar a língua, movimentar a língua lateralmente, testar os músculos da mastigação e a sensibilidade da face: Examine a face, tanto em repouso como durante a conversa com o paciente. Observe se existe assimetria (p. ex., das pregas nasolabiais) e tiques ou outros movimentos anormais. Peça ao paciente que: eleve as duas sobrancelhas; franza a testa; feche os olhos com força de modo que você não consiga abri-los e então verifique a força muscular ao tentar abri-los; mostre os dentes superiores e inferiores; sorria; encha de ar as bochechas. Peça ao paciente que coloque a língua para fora e verifique se há assimetria, atrofia ou desvio da linha média. Solicite ao paciente que mova a língua para a direita e para a esquerda e verifique a simetria do movimento. https://www.youtube.com/watch?v=dwanReKEgKI 23 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 Durante a palpação dos músculos temporal e masseter, peça ao paciente que cerre a mandíbula. Observe a força da contração muscular. A seguir, peça ao paciente que mova a mandíbula, primeiro para a direita e depois para a esquerda. Assista ao vídeo → https://youtu.be/sJBpai74tlU?t=382 (6:22 até 6:34) Após explicar ao paciente o que será feito a seguir, verifique a sensibilidade dolorosa na testa, nas regiões malares e na mandíbula (bilateralmente). As áreas sugeridas estão assinaladas por círculos na figura ao lado. Os olhos do paciente devem estar fechados. Utilize um objeto de ponta fina, ocasionalmente alternando com um objeto de ponta romba, como estímulo. O cotonete pode ser usado para os dois tipos de estímulos, um com a extremidade com algodão e outro com a extremidade sem algodão. Solicite ao paciente que informe se a ponta é fina ou romba e compare os lados. Assista ao vídeo → https://youtu.be/sJBpai74tlU?t=314 (3:14 até 6:22) Estender os braços: Na chamada manobra de Mingazzini, o paciente deve ficar de pé durante 20 a 30 s com os braços esticados para frente, com as palmas para cima e os olhos fechados. A pessoa que não consegue ficar de pé pode ser avaliada na posição sentada. Uma pessoa normal consegue manter satisfatoriamente os braços nessa posição, seja sentada ou de pé. A seguir, oriente o paciente a manter os braços esticados para frente e os olhos fechados, como se vê a seguir, enquanto se empurram vigorosamente os braços dele para baixo. Essa resposta exige força muscular, coordenação e propriocepção preservada. Testar reflexos bicipital, patelar e aquileu: Encoraje o paciente a relaxar, depois posicione os membros de modo apropriado e simétrico. Segure o martelo de reflexo frouxamente entre o polegar e o dedo indicador, de tal modo que ele balance livremente em um arco dentro dos limites impostos pela palma e pelos outros dedos da mão. Com o punho relaxado, golpeie o tendão com vigor com um movimento rápido do punho. O golpe deve ser rápido e direto, sem hesitação. A seguir, observe a velocidade, a força e a amplitude da resposta flexora. https://youtu.be/sJBpai74tlU?t=382 https://youtu.be/sJBpai74tlU?t=314 24 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 Se os reflexos do paciente estiverem simetricamente diminuídos ou abolidos, pode-se usar a técnica de reforço que envolve a contração isométrica de outros músculos por até 10 segundos. Isso aumenta a atividade reflexa. Durante a avaliação dos reflexos dos membros superiores, por exemplo, pede-se ao paciente para ranger os dentes ou comprimir uma coxa com a mão oposta. Se os reflexos nos membros inferiores estiverem diminuídos ou ausentes, eles podem ser reforçados pedindo-se ao paciente para prender os dedos de uma mão com os dedos da outra mão e puxar as mãos em sentidos opostos (veja a figura ao lado). Peça ao paciente que puxe um pouco antes de o tendão ser golpeado. Para testar o reflexo bicipital, o braço do paciente deve estar parcialmente flexionado na altura do cotovelo com a palma voltada para baixo. Coloque o polegar ou outro dedo da mão firmemente sobre o tendão do músculo bíceps braquial. O golpe com o martelo de reflexo deve ser aplicado de modo que atinja o dedo apoiado sobre o tendão do músculo bíceps braquial. Assista ao vídeo → https://www.youtube.com/watch?v=UB5HSXat9x0 Para testar o reflexo patelar, o paciente pode ficar sentado ou deitado desde que o joelho fique flexionado. Golpeie o tendão patelar logo abaixo da patela. Ocorre, então, contração do músculo quadríceps femoral com extensão do joelho. Se você colocar a mão na parte anterior da coxa do paciente, será possível sentir esse movimento reflexo. Assista ao vídeo → https://www.youtube.com/watch?v=eKCPFQOy9mo Para testar o reflexo aquileu, se o paciente estiver sentado, promova a dorsiflexão do pé na altura do tornozelo. Solicite que o paciente relaxe e, depois, golpeie o tendão de Aquiles com o martelo de reflexo. Observe e palpe a flexão plantar na altura do tornozelo. Deve-se observar também a velocidade do relaxamento depois da contração muscular. Assista ao vídeo → https://www.youtube.com/watch?v=bikFFrx8BOE https://www.youtube.com/watch?v=UB5HSXat9x0 https://www.youtube.com/watch?v=eKCPFQOy9mo https://www.youtube.com/watch?v=bikFFrx8BOE 25 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 Mobilização do pescoço: Peça ao paciente que gire a cabeça para um lado e para o outro contra a resistência que você impõe com as mãos. Observe a contração do músculo esternocleidomastóideo oposto e a força do movimento contra a sua mão. Elevação dos ombros: Solicite que o paciente encolha os ombros (movimento para cima) contra a resistência que você impõe com as mãos. Verifique assim a força e a contração dos músculos trapézios. Assista ao vídeo → https://youtu.be/cVuH6wL1GU0?t=44 Mãos sobre a cabeça: Peça para o paciente colocar as mãos sobre a cabeça. ►06. Ouvidos, nariz e boca Inspecionar ouvidos externamente: Inspecione o pavilhão auricular e os tecidos adjacentes, em busca de deformidades, nódulos ou lesões cutâneas. Se o paciente referir otalgia, secreção ou inflamação das orelhas, desloque o pavilhão auricular para cima e para baixo, comprima o trago e pressione com firmeza a região localizada logo atrás da orelha externa. Testar audição: Teste cada estalando os dedos e progressivamente afastando-os da orelha. Compare simetricamente. Deve ser ouvido facilmente aproximadamente 30 cm da orelha num quarto silencioso. https://youtu.be/cVuH6wL1GU0?t=44 26 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 Inspecionar o nariz (septo e cornetos): O segredo do exame das fossas nasais é o posicionamento adequado da cabeça, que deve ficar inclinada para trás. Uma boa iluminação é fundamental. Uma pequena lanterna, com um bom foco de luz, é suficiente para avaliar as características da mucosa, que, em condições normais, é de cor vermelho-opaca, úmida, com superfície lisa e limpa. A presença de secreção (aquosa, turva, purulenta, sanguinolenta) é um dado importante no diagnóstico. Avalie o septo nasal e os cornetos (ou conchas) nasais.Inspecionar a boca, dentes, língua, mucosa, amígdalas e faringe: Examine a boca do paciente e, com a ajuda de uma boa iluminação e um abaixador de língua, inspecione a coloração da mucosa oral e verifique se há úlceras, placas esbranquiçadas e nódulos. Observe a coloração das gengivas, normalmente rosada. Inspecione os dentes. Perceba se há algum faltando, manchado, deformado ou em posição anormal. Peça ao paciente que ponha a língua para fora da boca; em seguida, observe a coloração e a textura da língua. Mandar paciente fonar e inspecionar a úvula e palato: Solicite ao paciente que abra a boca novamente, desta vez sem pôr a língua para fora, e peça a ele para dizer “ah” ou bocejar. Essa ação possibilita uma boa visualização da faringe. Se isso não for possível, comprima com firmeza, com auxílio de um abaixador de língua, a região média da língua arqueada – a uma distância que viabiliza uma boa visualização da faringe, sem provocar vômitos. Ao mesmo tempo, peça ao paciente que diga “ah” ou boceje. Observe a elevação do palato mole – um teste para o X par (nervo vago). ►07. Palpar gânglios da cadeia cervical posterior, retroauriculares e submandibulares Utilizando as polpas de seus dedos indicador e médio, desloque a pele sobre os tecidos subjacentes em cada área e palpe os linfonodos. O paciente deve estar relaxado, com o pescoço discretamente flexionado para a frente e, se necessário, um pouco inclinado para o lado examinado. Podem-se examinar, de modo geral, os dois lados de modo simultâneo. Observe o tamanho, o formato, a delimitação (bem definidos ou fundidos), a mobilidade e a consistência. Verifique se existe dor à palpação. Os linfonodos pequenos, móveis, bem definidos e indolores são encontrados, com frequência, em indivíduos normais. 27 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 Aproveite a sua posição em frente ao paciente e palpe os seguintes linfonodos: • Cervicais posteriores – ao longo da borda posterior do músculo esternocleidomastóideo; • Auriculares posteriores ou Retroauriculares – superficiais, sobre o processo mastoide; • Submandibulares – localizados no ponto médio entre o ângulo e a extremidade da mandíbula. Esses linfonodos costumam ser menores e mais lisos que a glândula submandibular lobulada, contra a qual se justapõem. » II. Paciente sentado com médico às suas costas ►08. Pescoço Palpar gânglios das cadeias cervicais anteriores e supraclaviculares: Aproveite a sua posição atrás do paciente e palpe os seguintes linfonodos: • Cervicais anteriores – ao longo da borda posterior do músculo esternocleidomastóideo; • Supraclaviculares – profundos, no ângulo formado pela clavícula e o músculo esternocleidomastóideo. Assista ao vídeo → https://www.youtube.com/watch?v=7mracBL1n_g https://www.youtube.com/watch?v=7mracBL1n_g 28 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 Palpar a tireoide: Para orientar-se no pescoço, identifique as cartilagens tireóidea e cricóidea, bem como a traqueia abaixo delas. Inspecione o pescoço para localizar a glândula tireoide. Incline a cabeça do paciente um pouco para trás e, usando iluminação tangencial, dirigida para baixo a partir da ponta do queixo do paciente, inspecione a região abaixo da cartilagem cricóidea, à procura da glândula tireoide. A borda inferior sombreada de cada glândula tireoide é mostrada pelas setas na imagem abaixo. Assista ao vídeo → https://www.youtube.com/watch?v=lmEus_ZDipg Desloque a traqueia para a direita com os dedos da mão esquerda e, com os dedos da mão direita, palpe lateralmente, tentando perceber o lobo direito da tireoide no espaço entre a traqueia deslocada e o músculo esternocleidomastóideo relaxado. Identifique a borda lateral. Examine o lobo esquerdo da mesma forma. Observe o paciente deglutindo. Peça ao paciente para pôr um pouco de água na boca, estender o pescoço novamente e, enfim, deglutir a água. Observe o movimento da glândula tireoide para cima, registrando seu contorno e simetria. A cartilagem tireóidea, a cartilagem cricóidea e a glândula tireoide elevam-se durante a deglutição e, em seguida, retornam a suas posições iniciais. ►09. Tórax Inspeção estática: Pode-se solicitar ao paciente que cruze os braços sobre o peito e coloque as mãos sobre os ombros, para afastamento parcial das escápulas dos campos pulmonares. Na inspeção estática, examinam-se a forma do tórax e suas anomalias congênitas ou adquiridas, localizadas ou difusas, simétricas ou não. Confira os exemplos ao lado. https://www.youtube.com/watch?v=lmEus_ZDipg 29 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 Inspeção dinâmica: Na inspeção dinâmica, observam-se os movimentos respiratórios, suas características e alterações. Palpação: Ao palpar o tórax, concentre-se em regiões que apresentem hipersensibilidade e anormalidades na pele, na expansão respiratória e no frêmito. Identifique regiões de hipersensibilidade. Palpe cuidadosamente as regiões em que houver relato de dor ou com lesões ou equimoses evidentes. Avalie anormalidades de pele observadas, como massas tumorais ou trajetos fistulosos (estruturas tubulares inflamatórias em fundo de saco, que desembocam na pele). Avalie a expansão torácica. Coloque seus polegares no mesmo nível, paralelos à 10ª costela, com suas mãos envolvendo lateralmente a caixa torácica. Ao posicionar as mãos, faça-as deslizarem um pouco para dentro, apenas o suficiente para elevar uma prega cutânea frouxa de cada lado, entre seu polegar e a coluna vertebral. Solicite ao paciente que inspire profundamente. Observe o afastamento dos polegares durante a inspiração e procure perceber a amplitude e a simetria da caixa torácica à medida que ela se expande e se contrai. Assista ao vídeo → https://youtu.be/WAMadSZL5z4?t=244 (4:04 até 5:12) Palpe o frêmito toracovocal. O frêmito consiste em vibrações palpáveis transmitidas da árvore broncopulmonar para a caixa torácica enquanto o paciente fala. Para detectar o frêmito, utilize a parte óssea da palma da mão localizada na base dos dedos, ou a superfície ulnar de sua mão, para maximizar a sensibilidade vibratória dos ossos de sua mão. Peça ao paciente para repetir as palavras “trinta e três”. Se o frêmito estiver fraco, solicite ao paciente que fale mais alto ou com uma voz mais grave. O uso simultâneo das duas mãos para comparar os lados agiliza o exame e facilita a detecção de diferenças. Palpe e compare regiões simétricas dos pulmões, segundo o padrão ilustrado na imagem ao lado. Identifique e localize regiões de aumento, diminuição ou ausência de frêmito. O frêmito é geralmente mais acentuado na região interescapular que nos campos pulmonares inferiores, sendo com frequência mais proeminente à direita que à esquerda. O frêmito desaparece abaixo do diafragma. Assista ao vídeo → https://www.youtube.com/watch?v=q3qDBAbQsUs https://youtu.be/WAMadSZL5z4?t=244 https://www.youtube.com/watch?v=q3qDBAbQsUs 30 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 Percussão: A percussão é uma das técnicas mais importantes do exame físico. A percussão do tórax põe em movimento a parede torácica e os tecidos subjacentes, produzindo sons audíveis e vibrações palpáveis. A percussão ajuda a determinar se os tecidos subjacentes estão cheios de ar, de líquido ou se são sólidos. Entretanto, penetra apenas cerca de 5 a 7 cm no tórax e, por conseguinte, não identifica lesões mais profundas. A técnica da percussão pode ser exercitada em qualquer superfície. Ao praticá-la, observe modificações nas notas de percussão sobre diferentes tipos de materiais ou partes distintas do corpo. Os principais aspectos para uma boa técnica, descritos para uma pessoa destra, são os seguintes: ▪ Hiperestenda o dedo médio de sua mão esquerda, designado como o dedo plexímetro, e comprima a articulação interfalangiana distal firmemente sobre a superfície a ser percutida. Evite o contato da superfíciecom qualquer outra parte da mão, uma vez que isso abafa as vibrações. ▪ Posicione o antebraço direito bem próximo da superfície, com a mão levantada. O dedo médio deve ficar parcialmente flexionado, relaxado e preparado para percutir ▪ Com um movimento de punho rápido e seco, porém relaxado, golpeie o dedo plexímetro com o dedo médio direito, ou o dedo plexor. Tenha como alvo a articulação interfalângica distal. Você está procurando transmitir vibrações à parede torácica subjacente através dos ossos dessa articulação. Aplique a mesma força a cada percussão e a mesma pressão pleximétrica para evitar alterações na nota de percussão relacionada com a técnica (e não com alterações no paciente). ▪ Percuta usando a ponta do dedo plexor, e não sua polpa digital. O dedo que golpeia deve ficar quase em ângulo reto com o plexímetro. Para não machucar, é recomendável manter as unhas cortadas curtas ▪ Afaste rapidamente seu dedo percussor, para não abafar as vibrações que acabam de ser criadas. Percuta um dos lados do tórax e, em seguida, o outro na mesma altura, como ilustrado pelos números da imagem ao lado. Omita as regiões escapulares, pois a espessura das estruturas musculares e ósseas modifica o som produzido pela percussão sobre os pulmões. Identifique e localize a região e as características de quaisquer sons anormais à percussão. Assista ao vídeo → https://www.youtube.com/watch?v=I48yKguPg4Q https://www.youtube.com/watch?v=I48yKguPg4Q 31 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 Aprenda a identificar as cinco notas de percussão. Você pode praticar quatro delas em si mesmo. Essas notas diferem em suas características sonoras básicas: intensidade, tom e duração. Treine seus ouvidos para detectar essas diferenças, concentrando-se em uma característica por vez ao percutir primeiro um local e, em seguida, outro. Faça uma revisão do quadro a seguir. Os pulmões normais são ressonantes (som claro pulmonar). Notas de percussão e suas características Intensidade relativa Tom relativo Duração relativa Exemplo de localização Patologias associadas Macicez Suave Agudo Curta Coxa Grande derrame pleural Submacicez Média Médio Média Fígado Pneumonia lobar Som claro atimpânico (ressonância) Alta Grave Longa Pulmão hígido Bronquite crônica simples Hipersonoridade (hiper-ressonância) Muito alta Mais grave Mais longa Habitualmente nenhuma DPOC, pneumotórax Timpanismo Alta Agudo Mais longa Bochecha inflada com ar Grande pneumotórax Ausculta pulmonar: A ausculta pulmonar é a técnica de exame mais importante para avaliar o fluxo de ar pela árvore traqueobrônquica. Se faz com o auxílio do diafragma do estetoscópio. Use o mesmo padrão sugerido para a percussão, deslocando-se de um lado para o outro e comparando regiões simétricas dos pulmões. É aconselhável solicitar ao paciente que faça algumas respirações profundas e tussa várias vezes. Com isso, visa-se separar os ruídos permanentes dos eventuais, de menor valor diagnóstico. Se auscultar ou suspeitar de sons anormais, ausculte áreas adjacentes para determinar a extensão de qualquer anormalidade. Ausculte cada ponto pelo menos durante um ciclo respiratório. Se o paciente sentir tonteira por causa de hiperventilação, deixe o paciente respirar normalmente por alguns minutos. É importante aprender a identificar os padrões dos sons respiratórios por sua intensidade, seu tom e pela duração relativa de suas fases inspiratória e expiratória. Veja isto no material de pneumologia. Inspeção da coluna vertebral e compressão das apófises espinhosas: Para avaliar a coluna vertebral, inicie observando a postura do paciente ao entrar na sala, inclusive a posição do pescoço e do tronco. Com o paciente sentado, palpe os processos espinhosos (também chamados de apófises espinhosas) de cada uma das vértebras com seu polegar. 32 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 Punhopercussão lombar: Aproveitando a posição do paciente, devemos fazer a pesquisa de punhopercussão dolorosa, denominada sinal de Giordano. Um sinal de Giordano positivo indica doença renal. A dor pode ser detectada durante a palpação abdominal, mas deve também ser pesquisada nos dois ângulos costovertebais. A simples compressão da região com as pontas de seus dedos pode ser suficiente para desencadear dor, mas, se isso não ocorrer, recorra à punhopercussão. Coloque a mão espalmada sobre o ângulo costovertebral e, a seguir, desfeche um golpe com a superfície ulnar de seu punho. Use apenas força suficiente para produzir abalo/vibração perceptível, porém indolor. Assista ao vídeo → https://www.youtube.com/watch?v=i-JfHC70eSs » III. Paciente deitado de costas, médico ao seu lado direito ►10. Mamas Inspeção e palpação das mamas: Nesta disciplina, geralmente fazemos apenas o exame das mamas no paciente do sexo masculino. O exame da mama masculina pode ser sucinto, mas é importante. Inspecione o mamilo e a aréola pesquisando nódulos, tumefação ou ulceração. Palpe a aréola e o tecido mamário em busca de nódulos. Se a mama parecer maior, diferencie o aumento do tecido adiposo que acompanha a obesidade do disco rígido de aumento glandular, denominado ginecomastia. ►11. Axilas Palpação da cadeia ganglionar: Para a palpação dos linfonodos axilares, o examinador segura gentilmente o membro superior do lado a ser examinado, ligeiramente fletido, com a mão heteróloga. Deve-se executar deslizamento suave com a pele contra o gradil costal da região axilar e infra-axilar, na região anterior, medial e posterior da fossa axilar. https://www.youtube.com/watch?v=i-JfHC70eSs 33 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 ►12. Coração Inspecionar veias do pescoço: As veias jugulares fornecem um importante indicador clínico das pressões e da função cardíacas direitas. A pressão venosa jugular (PVJ) reflete a pressão atrial direita, que equivale, por sua vez, à pressão venosa central (PVC). O melhor meio de se estimar a PVJ é através da veia jugular interna direita, que tem o canal anatômico mais direto para o átrio direito. Alguns especialistas afirmam que a veia jugular externa direita também pode ser usada. Uma vez que as veias jugulares estão localizadas bem abaixo dos músculos esternocleidomastóideos, é preciso aprender a identificar as pulsações que transmitem para as superfícies do pescoço, descritas sucintamente aqui, e aferir o maior ponto de oscilação. As veias jugulares internas estão localizadas bem abaixo dos músculos esternocleidomastóideos no pescoço e não são visíveis diretamente, portanto, o médico precisa aprender a identificar as pulsações da veia jugular interna ou da veia jugular externa que são transmitidas para a superfície do pescoço. Para isso, utilize iluminação tangencial e examine os dois lados do pescoço. Identifique a veia jugular externa de cada lado e, em seguida, tente identificar as pulsações venosas jugulares internas. É preciso ter cuidado e não confundir essas pulsações venosas com as pulsações da artéria carótida. 34 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 Como diferenciar as pulsações jugulares internas das pulsações carotídeas: Pulsações jugulares internas Pulsações carotídeas Raramente palpáveis; Palpáveis; Suaves, bifásicas, de natureza ondulante, geralmente com duas elevações e dois colapsos por batimento cardíaco; Um impulso mais vigoroso, com um único componente externamente dirigido; Pulsações eliminadas pela compressão leve sobre a(s) veia(s), logo acima da extremidade esternal da clavícula; Pulsações não eliminadas por essa compressão; A altura das pulsações muda com a posição do paciente, diminuindo à medida que o paciente se torna mais ereto; A altura das pulsações não é alterada pela posição do paciente; A altura das pulsações geralmente diminui à inspiração. A altura das pulsações não é afetadapela inspiração. Em condições normais, as veias jugulares tornam-se túrgidas apenas quando o paciente se acha em decúbito. Por outro lado, na posição semissentada e, mais ainda, quando se põe de pé ou sentado, as veias jugulares colabam, ficando visível apenas o pulso venoso na raiz do pescoço. Se as veias jugulares permanecem túrgidas quando o paciente adota a posição semissentada (formando um ângulo de 45° entre o dorso e o leito) ou sentada, está caracterizado o que se denomina ingurgitamento ou turgência jugular. Este achado traduz hipertensão venosa no sistema da veia cava superior e aparece quando há compressão desta veia, insuficiência ventricular direita ou pericardite constritiva. Em geral, o ponto de partida habitual para a avaliação da pressão venosa jugular consiste na elevação da cabeceira do leito do paciente para 30° ou 45°. A pressão venosa jugular é o ponto de oscilação mais alto, ou menisco, das pulsações venosas jugulares, em geral evidente nos pacientes euvolêmicos. Após identificar o ponto mais alto de pulsação da veia jugular interna, estenda um objeto ou horizontalmente a partir desse ponto e uma régua graduada em centímetros, colocada verticalmente a partir do ângulo do esterno, compondo um verdadeiro ângulo reto. Meça a distância vertical em centímetros acima do ângulo do esterno, no qual o objeto horizontal cruza a régua, e adicione 5 cm a essa distância: a distância do ângulo do esterno até o centro do átrio direito. A soma é a pressão venosa jugular. A pressão venosa medida com mais de 3 cm, ou possivelmente 4 cm, acima do ângulo do esterno, ou a mais de 8 ou 9 cm de distância total acima do átrio direito, é considerada elevada acima do normal. Assista ao vídeo → https://youtu.be/baxNxWIWdK8 https://youtu.be/baxNxWIWdK8 35 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 Auscultar região cervical: Com o estetoscópio, é possível realizarmos a ausculta de importantes componentes do sistema cardiovascular. Para isso, é importante conhecer os usos do diafragma e da campânula. O diafragma é melhor para captar sons relativamente agudos, enquanto a campânula é mais sensível aos sons graves. Ao auscultar as carótidas – procedimento que deve ser realizado com a campânula do estetoscópio –, o normal é que não escutemos nada. No entanto, em alguns casos patológicos, é possível encontrar sopros, originados na própria artéria ou irradiados a partir da valva aórtica. Aliás, a irradiação para o pescoço é uma das principais características do sopro da estenose aórtica. Palpar as carótidas: Para avaliar o pulso carotídeo, comprima a parte interna da borda medial do músculo esternocleidomastóideo bem relaxado, aproximadamente no nível da cartilagem cricóidea. Evite comprimir o seio carotídeo, situado na altura da cartilagem tireóidea. Utilize seus dedos ou o polegar direitos para examinar a artéria carótida esquerda. Depois, repita o mesmo para o lado oposto. Nunca comprima simultaneamente as duas artérias carótidas, pois isso pode reduzir o fluxo sanguíneo para o cérebro, e induzir síncope. Inspecionar o precórdio: A inspeção cuidadosa da região anterior do tórax pode revelar a localização do ictus cordis (impulso apical ou ponto de impulso máximo) e de qualquer pulsação anormal. A iluminação tangencial através da parede torácica, sobre o ápice cardíaco, torna esses movimentos mais visíveis. Palpar o precórdio: O ictus cordis, também chamado de ponto de impulso máximo, é o local da parede torácica onde se pode palpar o pulsar do coração esquerdo. Costuma situar-se entre o quarto e quinto espaço intercostal, na linha hemiclavicular. Avalia-se a extensão do ictus cordis procurando-se determinar quantas polpas digitais são necessárias para cobri-lo. Em condições normais, corresponde a 1 ou 2 polpas digitais. Assista ao vídeo → https://youtu.be/UU65xTLXLMY https://youtu.be/UU65xTLXLMY 36 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 Além disso, a palpação é útil para detectar frêmitos, que são vibrações semelhantes a zumbido, percebidas como a garganta de um gato ronronando. Na região precordial, é importante pesquisar por frêmitos mediante a compressão com a palma da mão aplicada firmemente sobre a superfície torácica. O normal é que não sintamos nada. No entanto, caso presente, o frêmito é percebido como uma vibração ou um zumbido consequente a turbulência vascular dos sopros cardíacos. Se houver frêmito, ausculte a área à procura de sopros. Auscultar o precórdio: A ausculta das bulhas e sopros cardíacos é uma habilidade importante do exame físico, que leva diretamente a vários diagnósticos clínicos. A demarcação de focos ou áreas de ausculta serve para estabelecer pontos de referência porque, nas regiões correspondentes a eles, encontram -se as informações mais pertinentes às respectivas valvas. • O foco ou área aórtica situa-se no 2° espaço intercostal direito, junto ao esterno. • O foco ou área pulmonar localiza-se no 2º espaço intercostal esquerdo, junto ao esterno. • O foco ou área tricúspide corresponde à base do apêndice xifoide, ligeiramente para a esquerda. • O foco ou área mitral situa-se no 5° espaço intercostal esquerdo na linha hemiclavicular e corresponde ao ictus cordis ou ponta do coração. Veja o material de cardiologia para mais informações sobre os sons cardíacos. ►13. Abdome Inspeção do abdome: Inspecione o abdome, mantendo-se, como sempre, de pé, à direita do leito do paciente. Fique atento ao peristaltismo ao observar o contorno abdominal. Vale a pena sentar-se ou inclinar-se para diante, para visualizar o abdome tangencialmente. Inspecione a superfície, o contorno e os movimentos do abdome. Perceba se há órgãos ou massas visíveis, verifique se há hepatomegalia ou se o baço ultrapassou o gradil costal. 37 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 Auscultar ruídos hidroaéreos e sopros abdominais: A ausculta fornece informações importantes sobre a motilidade intestinal. Ausculte o abdome antes de efetuar a percussão ou a palpação, porque essas manobras modificam a frequência dos sons intestinais. Coloque o diafragma do estetoscópio suavemente sobre o abdome. Ausculte os sons intestinais e observe sua frequência e características. Os sons normais consistem em estalidos e gorgolejos, que ocorrem em uma frequência estimada de 5 a 34 por minuto. Ocasionalmente são auscultados borborigmos – gorgolejos prolongados de hiperperistaltismo – que correspondem ao familiar “estômago roncando”. Como os sons intestinais são amplamente transmitidos pelo abdome, a ausculta em um único ponto, como o quadrante inferior direito, é, em geral, suficiente. Devem ser pesquisados sopros sobre a aorta, as artérias ilíacas e as artérias femorais, como ilustrado na figura abaixo. Ausculte sobre o fígado e o baço à procura de atritos. Percussão: A percussão auxilia a avaliar a quantidade e a distribuição dos gases no abdome, possíveis massas sólidas ou cheias de líquido e as dimensões do fígado e do baço. Deve-se percutir delicadamente os quatro quadrantes do abdome para avaliar a distribuição do timpanismo e da macicez. O timpanismo costuma predominar, em função dos gases existentes no sistema digestório, mas também são típicas regiões esparsas de macicez, em virtude de haver líquido e fezes. Pesquise grandes regiões de macicez sugestivas de massa ou um órgão aumentado de tamanho. Essa observação orientará a palpação. 38 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 Hepatimetria: A maior parte do fígado fica protegida pela caixa torácica, o que dificulta a avaliação direta. O tamanho e a forma do fígado podem ser estimados por percussão – processo denominado hepatimetria. Meça o limite vertical da macicez hepática na linha hemiclavicular direita. Localize cuidadosamente a linha hemiclavicular para evitar medida inexata. A percussão deve ser leve a moderada,porque a percussão mais pesada subestima o tamanho do fígado. Começando em um nível abaixo do umbigo no quadrante inferior direito (em uma região de timpanismo, e não de macicez), percuta suavamente para cima em direção ao fígado. Identifique a borda inferior da macicez hepática na linha hemiclavicular. Em seguida, identifique a borda superior da macicez hepática na linha hemiclavicular. Começando na linha mamilar, percuta de leve, seguindo do som claro atimpânico pulmonar para baixo, no sentido da macicez hepática. A seguir, determina-se, em centímetros, a distância entre os dois pontos – o limite vertical de macicez hepática. Os limites normais do fígado, mostrados adiante, geralmente são maiores nos homens do que nas mulheres, e também se mostram maiores nas pessoas altas do que nas baixas. Assista ao vídeo → https://www.youtube.com/watch?v=snlHhMZl-hg Palpação superficial e profunda: Palpação superficial: A palpação suave do abdome é particularmente útil para identificar dor à palpação, resistência muscular e alguns órgãos ou massas superficiais. Mantendo a mão e o antebraço no plano horizontal, com os dedos juntos e retos sobre a superfície abdominal, palpe o abdome com movimentos descendentes leves e suaves. Ao deslocar sua mão de uma região para outra, eleve-a um pouco acima da pele. Palpe todos os quadrantes com movimentos suaves e uniformes. Palpação profunda: Este método é, em geral, necessário para delimitar massas abdominais. Mais uma vez usando as superfícies palmares de seus dedos, palpe todos os quatro quadrantes. Verifique se há quaisquer massas e registre sua localização, forma, tamanho, consistência, hipersensibilidade, pulsações e mobilidade com a respiração ou com a mão examinadora. https://www.youtube.com/watch?v=snlHhMZl-hg 39 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 Palpação do fígado: Coloque a mão esquerda por baixo do paciente, paralela à 11ª e à 12ª costelas, de modo a sustentá-las bem como as partes moles adjacentes. Lembre ao paciente que ele pode relaxar apoiado na sua mão. O fígado do paciente é mais fácil de ser palpado com a mão direita, ao se exercer compressão para cima com a mão esquerda. Peça ao paciente que respire fundo. Procure sentir a borda do fígado quando ela desce de encontro às pontas de seus dedos. Se for palpada, diminua um pouco a pressão da mão que realiza a palpação, para que o fígado possa deslizar sob as pontas dos seus dedos e seja possível palpar a superfície anterior. Verifique se ocorre dor à palpação. Se o fígado for palpável, a borda hepática normal é macia, bem delimitada e regular, com superfície lisa. O fígado normal pode ser discretamente doloroso à palpação. Durante a inspiração o fígado é palpável cerca de 3 cm abaixo do rebordo costal direito, na linha hemiclavicular. Assista ao vídeo → https://www.youtube.com/watch?v=NUI3ZGMf9dc Palpação do baço: Com a mão esquerda, segura-se o paciente, de modo a apoiar e comprimir para frente a região inferior da caixa torácica e os tecidos moles adjacentes. Com sua mão direita por baixo do rebordo costal esquerdo, faça pressão para dentro, na direção do baço. Inicie a palpação em uma altura suficientemente baixa para permitir a detecção de um possível aumento de baço. Solicite ao paciente que inspire profundamente. Tente palpar a extremidade ou a borda do baço, descendo de encontro às pontas de seus dedos. Assista ao vídeo → https://www.youtube.com/watch?v=6VXGLStTEMU Palpar pulsos femorais e gânglios inguinais: Para palpar o pulso femoral, comprima profundamente a região abaixo do ligamento inguinal, aproximadamente no ponto médio entre a espinha ilíaca anterossuperior e a sínfise púbica. Palpe também os linfonodos inguinais superficiais, incluindo os grupos horizontal e vertical. Observe tamanho, consistência e individualidade, registrando se há dor à palpação. Linfonodos inguinais bem definidos, com até 1 ou 2 cm de diâmetro, são frequentemente palpáveis em pessoas normais. https://www.youtube.com/watch?v=NUI3ZGMf9dc https://www.youtube.com/watch?v=6VXGLStTEMU 40 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 ►14. Membros inferiores Inspecionar as pernas: Examine os membros inferiores, desde as regiões inguinais e as nádegas até os pés. Observe: tamanho, simetria e edema; padrão e eventuais aumentos da circulação venosa; existência de pigmentação, erupções, cicatrizes ou úlceras; coloração e textura da pele, coloração dos leitos ungueais e distribuição dos pelos nas pernas, nos pés e nos dedos dos pés. Palpar músculos: A seguir, os membros inferiores são explorados, palpando-se o tônus muscular. Flexionar articulações: Agora, flexione e estenda as articulações destes membros. 41 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 Peça para o paciente segurar os joelhos na posição indicada na figura ao lado por alguns segundos. Testar presença de edema: Verifique se há edema depressível. Comprima delicada, porém firmemente, com o polegar, durante pelo menos 2 s, (1) o dorso de cada pé do paciente, (2) a região por trás dos maléolos mediais e (3) a região tibial anterior. Observe se houve formação de cacifo – depressão gerada pela compressão do seu polegar. Normalmente, isso não ocorre. A intensidade do edema é classificada segundo uma escala de quatro pontos, que varia de discreta a muito acentuada. Palpar pulsos (poplíteos, pediosos e tibiais posteriores): Palpe os pulsos arteriais para avaliar a circulação colateral. Para palpar o pulso poplíteo, o joelho do paciente deve ficar discretamente fletido com a perna relaxada. Posicione as polpas digitais de suas mãos na linha média por trás do joelho e faça uma compressão profunda na fossa poplítea. O pulso poplíteo costuma ser mais difícil de detectar que os demais pulsos, porque é mais profundo e produz uma sensação mais difusa à palpação. Ao lado, é mostrado um edema depressível 3+ (com cacifo). 42 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 Para palpar o pulso pedioso, palpe o dorso do pé (não o tornozelo) na região imediatamente lateral ao tendão do músculo extensor do hálux. Se você não conseguir palpar o pulso, explore o dorso do pé mais lateralmente. Para palpar o pulso tibial posterior, encurve os dedos por trás e ligeiramente abaixo do maléolo medial do tornozelo. (Pode ser difícil palpar este pulso quando a pessoa é obesa ou apresenta edema maleolar.) Testar reflexo cutâneo plantar: Com um objeto como uma chave ou a extremidade romba de um abaixador de língua de madeira, friccione a face lateral da planta do pé, desde o calcanhar até a região metatarsal, fazendo um movimento circular no sentido medial. Use o estímulo mais brando para provocar uma resposta, embora isso possa ser reforçado se necessário. É preciso observar o movimento do hálux, normalmente flexão plantar. A dorsiflexão do hálux é um sinal de Babinski positivo consequente à lesão do sistema nervoso central no trato corticoespinal. 43 Gabriela Figueiredo Güntzel – ATM 24/1 » IV. Paciente em pé ►15. Marcha Pedir para o paciente caminhar de um lado para o outro.