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Histórico • Baixa ocorrência de cárie foi observada na Europa até a Revolução industrial. Com a industrialização e a abundante disponibilidade de açúcar e mudanças no padrão alimentar, a cárie se tornou uma doença altamente prevalente. • Durante a Segunda Guerra Mundial houve uma queda importante na prevalência de cárie na Europa devido a menor oferta de alimentos açucarados e processados. • Prevalência de cárie muito baixa era observada em populações isoladas da Austrália, Nova Zelândia e da Ilha do Tristão da Cunha, no Atlântico. A partir da inclusão de alimentos processados e refinados na dieta gerou aumento da experiência de cárie. • Crianças de 6 a 13 anos vivendo no orfanato Hopewood House que recebiam dieta lactovegetariana e quantidades mínimas de açúcar e farinha refinada apresentavam uma prevalência de cárie muito baixa. Com a saída do orfanato e inclusão de hábitos alimentares sem restrição, houve aumento na prevalência de cárie. Estudos de Intervenção Estudo de Vipeholm Realizado em um hospital para doentes mentais na Suécia. Esse estudo comparou grupos com diferentes frequências de consumo (durante e entre as refeições) e consistência de alimentos açucarados (líquida, pão, balas). Suas conclusões foram: Consumo de sacarose aumenta a ocorrência de cárie de acordo com a forma de consumo e o fator mais importante não é a quantidade total ingerida, mas a frequência de consumo de açúcar. Estudo de Turku 125 adultos foram divididos em 3 grupos de acordo com o tio de açúcar utilizado: Sacarose, frutose ou xilitol. Sacarose Experiência de cárie Frutose e Xilitol Sacarose Sacarose Placa porosa Frutose Baixo pH O Efeito do Flúor na Relação entre Dieta e Cárie Dentária Com a disseminação do flúor por meios de abrangência coletiva (água de abastecimento público fluoretada e sal fluoretados) e com a larga oferta de dentifrícios fluoretados, a relação entre dieta e flúor passou a se alterar gradualmente. No Brasil, observa-se modificações significativas na prevalência de cárie a partir da década de 70, com a adição do flúor na água de abastecimento público de algumas cidades, e a partir da década de 90, com a oferta de dentífricó- cios fluoretados no mercado nacional. Estudo de Duggalet al., Ccahuana Vasquez et al., conclui que na presença de agentes fluoretados, uma maior frequência de ingestão de alimentos açucarados é tolerada sem resultar em perda mineral, reforçando a influência ao uso de fluoretos na relação entre dieta e cárie. Esse raciocínio, de uma maior permissividade em relação ao consumo de açúcar, não pode ser utilizado no manejo dos pacientes com atividade de cárie. Embora o flúor tenha tido um efeito importante na redução da prevalência de cárie, ele não eliminou a doença, não tendo o poder de anular fatores causais importantes, como a dieta criogênica e a presença de biofilme dental. Metabolismo dos Carboidratos Monossacarídeos Açúcares Dissacarídeos Polissacarídeos Amido Os açúcares são facilmente fermentados pelas bactérias, já o amido, consiste na fonte potencial de nutrientes para as bactérias do biofilme. Os PIC podem ser formados a partir de diferentes açúcares e atuarão como reserva de nutrientes, a serem utilizados no metabolismo bacteriano em momentos de escassez, como entre as refeições. Os PEC são importantes na adesão bacteriana e alteram a porosidade da matriz do biofilme, aumentando sua permeabilidade. Desta maneira, a difusão de nutrientes das camadas mais externas do biofilme (em contado com o ambiente bucal) até ́ suas camadas mais profundas (próximas à estrutura dentária) é facilitada. Na presença de sacarose, várias espécies bacterianas são capazes de sintetizar diversos tipos de polissacarídeos, sendo os polímeros de glicose e de frutose os principais. Polímeros de glicose: Glucanos formados pela enzima glicosiltransferase, apresentando-se como uma massa gelatinosa extracelular sobre a superfície das bactérias. Podem apresentar ligações com dextrano e mutano. Polímeros de Frutose: Formados pela enzima frutosiltransferase, são polímeros extracelulares de frutose bastante solúveis. Cariogenicidade dos Alimentos Alto consumo de açúcar e baixo consumo de amido: mais lesões de cárie. Devido ao seu baixo peso molecular, os açúcares são rapidamente metabolizados pelas bactérias do biofilme, causando queda de pH e desmineralização dos tecidos dentários. O consumo de glicose, maltose, frutose e sacarose gera quedas de pH semelhantes. A lactose, porém, é menos criogênica que os demais açúcares por ser capaz de causar uma menor queda de pH. A cariogenicidade do amido depende a forma de preparo do alimento. Durante o processamento industrial, as moléculas de amido sofrem uma série de modificações denominada gelatinização, como resultado do calor e dos processos mecânicos aos quais elas são submetidas. Quanto maior o grau de gelatinização do amido, mais suscetível ele estará à degradação enzimática, aumentando o seu potencial cardiogênico. Por esta razão, o amido cru promove uma menor queda de pH do que o amido cozido. Alimentos Protetores O leite, além de possuir lactose, um açúcar menos cardiogênico, o leite é conhecido por apresentar fatores de proteção contra cárie como cálcio, fosfato e caseína. Estudos epidemiológicos recentes demonstraram o efeito positivo ou nulo do consumo de leite na ocorrência de cárie De modo semelhante ao leite, o consumo de queijo tem sido descrito como anticariogênico, por estimular o fluxo salivar e aumentar a concentração de cálcio no biofilme. Além destas propriedades, o queijo apresenta fosfopeptídeos de caseína e fosfato de cálcio amorfo, que parecem desempenhar um papel importante no processo de remineralização. Adoçantes Adoçantes não calóricos, como sacarina, ciclamato e aspartame são comumente utilizados para adoçar refrigerantes, sorvetes e geleias. Por não serem metabolizados pelas bactérias do biofilme, não apresentam potencial cardiogênico. Com relação aos adoçantes calóricos, o sorbitol e o xilitol são álcoois de açúcares bastante utilizados para adoçar chocolates, gomas de mascar e outros doces livres de açúcar. O sorbitol pode ser fermentado por algumas espécies bacterianas que compõem o biofilme (como a maioria das cepas do S. mutans e lactobacilos); no entanto, a queda de pH decorrente desta fermentação é muito lenta e não atinge o pH crítico para a desmineralização dos tecidos dentários. O xilitol, com raras exceções, não é metabolizado pela maioria das bactérias do biofilme e, além disso, possui um efeito antibacteriano contra S. mutans. Diagnóstico: Como Registrar as Informações? • Diário de dieta • Entrevista de 24 horas Últimas 24 horas Sem aviso prévio Pacientes que não realizam preenchimento correto do diário • Questionários específicos Frequência de consumo QFA – Questionário de frequência alimentar Específico para a quantificação do açúcar Tratamento: Como Utilizar os Dados? • Avaliar a dieta do paciente • Propor modificações • Reequilíbrio dos processos DES-RE • Substituição de balas, gomas e refrigerantes por produtos dietéticos • Consumo inteligente do açúcar: Consumir nas principais refeições