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1 
 
Trabalho desenvolvido durante o ano de 2015, num Centro Integrado de Educação Jovens e 
Adultos(CIEJA) –Secretaria Municipal de Educação –Prefeitura do Município de São Paulo-
região norte da cidade. 
 
 
 
 
A BELEZA DA DIVERSIDADE HUMANA – O BELO, O 
DIFERENTE O OUTRO ALÉM DE MIM 
Mardonia Matos Pinheiro Alencar 1 
 
RESUMO 
 Neste trabalho serão abordas questões de diversidade, da beleza e da 
inclusão relacionando ao contexto de sala de aula de Educação de Jovens e 
Adultos. A necessidade de interação entre os alunos de uma escola de jovens 
e adultos tendo na sua composição estudantes, jovens e adultos tidos como 
“normais” e estudantes também jovens e adultos com deficiência, favoreceu 
algumas discussões e estudos a respeito desses temas, relacionando-os 
especificamente ao contexto dessa turma de alunos. Para abordar essas 
questões, fez-se necessário transitar mesmo que brevemente por algumas 
áreas do conhecimento, realizando com os alunos diversas atividades como: 
pesquisas; discussões sobre o que é belo ou feio; inclusão; diversidade; 
atividades de escrita; foi proporcionado também para as discussões vídeos de 
obra de arte; visualização de imagens de modelos humanos com e sem 
deficiência. Enfim, foi proposto aos alunos, como finalização do trabalho, 
sessões de fotografias sendo os próprios os alunos, participantes desse projeto 
os modelos fotográficos. Tendo sido bastante satisfatório o desenvolvimento e 
a conclusão do trabalho. 
Palavras-chave: Beleza; Diversidade; Inclusão; Educação; Fotografia. 
 
1 Mardonia Matos Pinheiro Alencar, Pedagoga, pela Universidade de Guarulhos SP (2007), especialista 
em Educação para a Sexualidade, pela Unisal-São Paulo-SP, (2010) especialista em 
Psicomotricidade(2016) , professora de Educação Infantil e Fundamental I na rede do Município de São 
Paulo, desde de 2010. 
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Trabalho desenvolvido durante o ano de 2015, num Centro Integrado de Educação Jovens e 
Adultos(CIEJA) –Secretaria Municipal de Educação –Prefeitura do Município de São Paulo-
região norte da cidade. 
 
 
INTRODUÇÃO 
O espaço educativo onde as diversidades se encontram formando uma 
trama constituída por iguais entre si, na medida em que pertencem à espécie 
humana e, ao mesmo tempo, diferentes, na medida em que cada sujeito traz a 
sua própria historicidade. Isto é, cada pessoa tem na sua bagagem histórica e 
cultural, as suas especificidades e singularidades, de acordo como cada um foi 
constituído historicamente e socialmente, o que muitas vezes pode favorecer 
os estereótipos provocando distanciamento e estranheza daquilo é diferente ou 
desconhecido, além dos padrões “comuns” podendo provocar uma sensação 
de “feiura” ou a negação de uma realidade. 
Apesar de o ambiente escolar favorecer a experiência e vivência da 
diversidade não significa dizer que esse espaço seja inclusivo e de aceitação 
entre os sujeitos que dele se utilizam. 
Seguindo esse raciocínio, a aceitação do outro e o reconhecimento do 
diferente é algo construído socialmente e internalizado nas vivências ao longo 
da história. Mas, que pode ser reconstruído ou resinificado no dia a dia, nas 
convivências escolares e sociais. Isso significa que o ser humano é plural e a 
escola pode favorecer positivamente as vivências dessa e nessa pluralidade de 
sujeitos e histórias. 
De acordo, com o tema Pluralidade Cultural dos Parâmetros Curriculares 
Nacionais essas questões podem ser vividas ou ensinadas. 
 
Ensinar a pluralidade ou viver a pluralidade? Sem dúvida, 
pluralidade vive-se, ensina-se e aprende-se. É trabalho de 
construção, no qual o envolvimento de todos se dá pelo respeito e 
pela própria constatação de que, sem o outro, nada se sabe sobre 
ele, a não ser o que a própria imaginação fornece. (PCNs. p.141) 
 
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Trabalho desenvolvido durante o ano de 2015, num Centro Integrado de Educação Jovens e 
Adultos(CIEJA) –Secretaria Municipal de Educação –Prefeitura do Município de São Paulo-
região norte da cidade. 
 
Nesse sentido, as mudanças de paradigmas e um olhar na perspectiva 
de rompimento dessas estranhezas em relação ao outro, poderá ocorrer a 
partir de reflexões e problematizações de situações concretas. 
Ao trabalhar numa escola de Educação de Jovens e Adultos no módulo 
de alfabetização e entre estes, incluem-se alguns discentes com deficiências, 
percebeu-se a necessidade de interação entre os estudantes, a fim de que as 
atividades e vivências cotidianas fossem menos conflituosas. Respeitando e 
garantindo o direito de aprendizagem a todos os a Lei de Diretrizes e Bases da 
Educação Nacional (LDBEN 9.3094/96) diz que: “É dever do estado promover 
o ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não 
tiveram acesso na idade própria”. 
E ainda sobre o ensino aos alunos com deficiência a própria LDBEN 
afirma no 4º artigo, inciso III a garantia do atendimento especializado aos 
educandos com necessidades especiais; 
Portanto, levando em consideração a legislação, todos os estudantes 
devem ter como garantias o direito a aprendizagem independente da condição 
intelectual, física ou de faixa etária. 
É importante observar que, nessa turma de alfabetização tanto os alunos 
adultos tidos como “normais” e os alunos com deficiência estão em um 
momento de vida escolar e de aprendizagem além do que é em geral 
recomendado para a aprendizagem na educação básica. 
Já, os alunos com deficiência dessa turma alguns estão tendo o seu 
primeiro contato com a instituição de ensino e os demais alunos estão 
retornando ao ambiente escolar, que por vários motivos não conseguiram dar 
continuidade aos seus estudos no momento oportuno e na idade certa. 
Dessa forma, os dois grupos de alunos encontram-se fora da idade e 
série para o momento da alfabetização. Portanto, o ambiente escolar da sala 
de aula é bastante plural o que acaba por favorecer os diversos conflitos. Um 
desses conflitos é o distanciamento e a estranheza por parte de alguns alunos 
adultos idosos, reconhecidos como “normais” em relação aos alunos com 
deficiência. 
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Trabalho desenvolvido durante o ano de 2015, num Centro Integrado de Educação Jovens e 
Adultos(CIEJA) –Secretaria Municipal de Educação –Prefeitura do Município de São Paulo-
região norte da cidade. 
 
 Ao observar, uma grande resistência por parte dos idosos em lidar com 
a situação do aluno com deficiência em sala de aula, surgiu a necessidade de 
pensar em algo que minimamente rompesse com essas barreiras de acesso, a 
fim de contribuir com uma melhor convivência no ambiente escolar , assim 
como também para processo de ensino e aprendizagem na compreensão dos 
conteúdos e nas atividades a serem desenvolvidas individualmente ou em 
grupos na sala de aula, ou fora do ambiente escolar. 
Além, das discussões e pesquisas levantadas para as reflexões pensou-
se, no recurso fotográfico o que oportunizaria um olhar sobre a própria imagem 
e a imagem do outro. 
Para alguns desses alunos adultos o colega com deficiência é o 
"coitadinho”. Já, para outros estudantes dessa turma parece haver medo da 
aproximação e do envolvimento como se o colega com deficiência pudesse 
transmitir algo contagioso. 
Partindo, dessa realidade percebeu-se que, para que houvesse, uma 
boa interação e uma convivência razoável entre estes alunos pensou-se, na 
possibilidade de um trabalho que pudesse resgatar a autoestima, o 
reconhecimento deles mesmos e entre eles, sem a negação ou a 
superproteção da realidade, procurando demonstrar para este grupo a 
importância e a beleza da convivência com diferente e da diversidade 
humana. 
A diversidade apresentada nesta sala de aula é composta a partir desse 
formato, justificando a realização desse trabalho em vai busca de oportunizar 
uma melhoria na interação com este grupo, procurando com isso uma tentativa 
de resinificar o olhar sobre si mesmo e sobre o outro, em sala de aula, naescola ou em outros ambientes. 
Partindo dessa perspectiva alguns encaminhamentos foram traçados e 
dentre os objetivos para a compreensão desse trabalho estão: Favorecer aos 
estudantes a percepção da própria imagem e da imagem do outro no ambiente 
escolar, valorizando a beleza de conviver com as diferenças. 
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Trabalho desenvolvido durante o ano de 2015, num Centro Integrado de Educação Jovens e 
Adultos(CIEJA) –Secretaria Municipal de Educação –Prefeitura do Município de São Paulo-
região norte da cidade. 
 
Levantar questionamentos com os alunos a respeito de suas percepções 
em relação à oportunidade de acesso para todos na escola; 
Provocar questionamentos a respeitos dos temas diversidade, beleza e 
inclusão; 
Favorecer aos alunos desse módulo de alfabetização por meio do 
recurso fotográfico a percepção do olhar sobre si, e sobre o outro dentro da 
diversidade no espaço de sala de aula; 
Utilizar o recurso da imagem fotográfica e demais recursos, de imagens, 
mídias, textos, para reflexões a fim de provocar a percepção de cada um no 
que se refere a padrões de beleza na sociedade em geral; 
 Oportunizar ao grupo questionamentos, sobre olhar para si mesmo e 
para o seu parceiro, a partir da diversidade de identidades representadas na 
escola; 
Promover uma sessão de fotografias com os alunos para que percebam, 
a possibilidade de outro olhar sobre si mesmo e sobre o outro no ambiente 
escolar e na sala de aula, valorizando a beleza da diversidade e a convivência 
com diferente. 
Esta turma de alunos do módulo de alfabetização de Jovens e Adultos 
nesta escola tem o seguinte perfil de pluralidade, composta de 16 alunos e 
alunas, deste grupo são 7 alunos tido como “normais” e os demais do grupo 9 
9 alunos possuidores de alguma deficiência. 
Já, o perfil físico da sala de aula, é um pequeno espaço quase em 
formato retangular e o grupo de alunos, parecem pertencer a dois grupos 
distintos, sendo percebida claramente a distinção provocada pelos alunos 
adultos deste grupo tido como “normais”, em relação aos seus pares. 
Pertencentes a este grupo estão, 7 alunos idosos com a faixa etária 
média de 60 anos reconhecidos como “normais” e 9 alunos com deficiências, 
sendo 2 com o espectro autista, desses 1 é mudo , 1 com síndrome de 
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Trabalho desenvolvido durante o ano de 2015, num Centro Integrado de Educação Jovens e 
Adultos(CIEJA) –Secretaria Municipal de Educação –Prefeitura do Município de São Paulo-
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asperger e deficiência física, 3 com paralisia cerebral,1 com deficiência 
intelectual e esquizofrenia e 2 com diagnóstico de deficiência intelectual. 
A intencionalidade, ao finalizar esse trabalho é que, os alunos pudessem 
adquirir uma mudança de olhar sobre si mesmo e sobre o outro, um olhar que 
deve ir além do que pode ser visto ou construído socialmente, buscando 
ampliar as dimensões dessa visão, a fim que possam buscar novas 
possibilidades de superação de convivências nos diversos espaços sociais. 
 
1. REFERENCIAL TEÓRICO 
 Ao utilizar a fotografia com um dos recursos, com o objetivo de favorecer 
a discussão sobre padrões de beleza, inclusão e diversidade com os alunos 
dessa turma de alfabetização, e ainda buscar contribuir com a interação entre 
eles, na tentativa de mudança de olhar sobre eles mesmos e sobre os seus 
pares, alguns questionamentos foram levantados, sobretudo, em relação a 
massificação dos padrões impostos pela muitas vezes pelas comunicações de 
massa. 
 Sendo questionado e refletido junto ao grupo, temas que geralmente, 
apresentado por diversas vezes pelos meios de comunicação de massa, como 
padrões que parecem obrigar, as pessoas seguirem modelos determinados, 
fazendo parecer que a população tivesse que adotar apenas um tipo de 
comportamento ou segmento de vida para se constituírem sujeitos plenos. 
 Em relação a essa problemática, Adorno (1947) vem dizer que: “O culto 
dos astros do cinema tem como complemento da celebridade o mecanismo 
social que nivela tudo o que chama a atenção” (ADORNO, 1947, p.112). 
Nesse sentido, pode-se entender que o olhar por esse “nivelamento”, 
exclui o gordo, o negro, o feio, o que não sabe ler e nem escrever ou a pessoa 
com deficiência, esses sujeitos são vistos de forma marginalizada, excluída, 
não fazendo parte dessa sociedade de pessoas “perfeitas”. 
E ainda, nesse sentido essas pessoas fora desse nivelamento 
padronizado, seriam de acordo com Adorno (1947) as “pontas” dos fios de linha 
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Trabalho desenvolvido durante o ano de 2015, num Centro Integrado de Educação Jovens e 
Adultos(CIEJA) –Secretaria Municipal de Educação –Prefeitura do Município de São Paulo-
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as quais são eliminadas pela tesoura da justiça legal e econômica. (Adorno, 
1947 p. 112). 
Seguindo esse raciocínio, quem não está dentro dos padrões 
estabelecidos pelos modelos econômicos consumista de padrões de beleza, 
certamente estará excluída da convivência humana social. 
Em relação a padrões de beleza, feiura, imperfeição, isto é o olhar para 
o outro com sendo o “feio”, o “estranho”, o “diferente”, Umberto Eco trás as 
seguintes contribuições: “Já foi dito aqui, desde o início que o conceito de 
feiura, como, aliás, o de beleza, é relativo não somente as diversas culturas, 
mas também ao tempo” (Eco, 2007. p.391). 
Ainda tratando de estranhamento, de feiura, Eco também diz que: 
 Cinema, televisão e revistas, publicidade e modas propõem 
modelos de beleza, que não são tão diferentes dos antigos. 
Costuma-se repetir em toda parte que hoje em dia se convive com 
modelos opostos, porque a exposição ao feio/belo não tem mais 
valor estética; feio e belo seriam duas opções possíveis a serem 
vividas de modo neutro. (Eco 2007. p.426). 
Partindo dessas contribuições do autor, torna-se possível, reflexões na 
perspectiva de ressignificação do olhar sobre as diversidades e o quanto pode 
ser feio ou belo essas vivências humanas. 
É importante aqui dizer que, faz-se necessário, mudanças de atitudes 
em relação ao olhar e as percepções de cada um em relação ao outro. 
Ainda propondo contribuições sobre mudança de paradigma um dos 
documentos da Prefeitura de São Paulo sobre a EJA relata que: 
A caracterização do corpo dos jovens e adultos, a construção da 
autonomia e a expressão estão intrinsecamente ligadas, à inserção social, ao 
exercício da cidadania e à possibilidade de melhoria de vida (SME. DOTP, 
2015, p.13). 
Ainda, seguindo essas reflexões a fotógrafa profissional Kika Castro 
(2015, SP) ao trabalhar com pessoas com deficiência, como modelos 
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Trabalho desenvolvido durante o ano de 2015, num Centro Integrado de Educação Jovens e 
Adultos(CIEJA) –Secretaria Municipal de Educação –Prefeitura do Município de São Paulo-
região norte da cidade. 
 
fotográficos profissionais, na apresentação da página em seu blog diz que: “a 
beleza e deficiência física não são duas expressões contraditórias”. (Castro, 
2015). 
Levando, em consideração as contribuições dos autores, o olhar para si 
próprio e para o colega de sala, por meio das imagens fotográficas sendo eles 
mesmos os próprios protagonistas das sessões fotográficas, poderá levá-los a 
reflexões sobre suas próprias percepções de beleza, de aceitação, de 
interação, de diversidade. 
E ainda, ampliar o olhar para novas e diversas possibilidades de 
melhorias, no sentido de reconstrução de suas historicidades e rompimento de 
resistência no convívio com as diferenças. 
Dessa forma, seguindo nessa perspectiva, poderá favorecer mudanças 
de paradigmas com esses alunos, e consequentemente oferecer-lhes um 
enriquecimento para a convivência. 
 
2. METODOLOGIA 
Para abordar essas questões diretamente, fez-se necessário transitar 
mesmo que brevemente por algumas áreas do conhecimento. Sendo 
realizadas com os alunos diversas atividades: pesquisas; reflexões, discussões 
atividades de escrita; vídeos deobra de arte; imagens fotográficas dos diversos 
modelos humanos. 
A apresentação dessas questões diversidade, beleza, inclusão 
apresentado aos alunos de forma transdisciplinar favorece o enriquecimento, o 
acesso às reflexões, discussões e conhecimentos sobre esses assuntos. 
O registro realizado mediante a revelação das fotografias dos alunos em 
fotobook, ao final do trabalho foi pensado a fim, de marcar um novo momento 
na história de vida e protagonismo desse grupo de alunos, da Educação de 
Jovens e Adultos do módulo alfabetização da escola –CIEJA SANTANA –
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Trabalho desenvolvido durante o ano de 2015, num Centro Integrado de Educação Jovens e 
Adultos(CIEJA) –Secretaria Municipal de Educação –Prefeitura do Município de São Paulo-
região norte da cidade. 
 
TUCURUVI – SÃO PAULO SP. Além de uma exposição das fotografias para 
toda a comunidade escolar. 
 
 
3.CENÁRIO 
É nesse ambiente escolar - Centro Integrado de Educação de Jovens e 
Adultos (CIEJA) que esse trabalhado foi desenvolvido. 
A turma de alunos dessa escola traz especificamente, o seguinte perfil: 
turma de alfabetização de Jovens e Adultos. Composta de 16 alunos e alunas, 
sendo, 7 alunos idosos com a faixa etária média de 60 anos tidos como 
“normais” e 9 alunos com deficiências, sendo 2 com do espectro autista, 
desses 1 é mudo , 1 com síndrome de aspeger e deficiência física, 3 com 
paralisia cerebral,1 com deficiência intelectual e esquizofrenia e 2 deficiência 
intelectual. 
A partir da mediação do professor, foi proposto e proporcionado ao 
grupo algumas discussões, estudos, pesquisas, dinâmicas vídeos aulas e 
atividades de escrita a respeito dos temas: Belezas, Diversidade, Inclusão. 
Ao final das reflexões foi proposta ao grupo como finalização dos 
trabalhos uma pequena sessão de fotografias tendo como modelos os próprios 
alunos. 
Para a realização dessa proposta, um pequeno estúdio foi montado na 
própria escola para fotografar os alunos participantes do projeto e as imagens 
foram captadas por intermédio de um aparelho de telefonia móvel. 
Ainda para a realização desse trabalho, foi de grande importância a 
contribuição da professora da Sala de Apoio e Acompanhamento à Inclusão 
(SAAI), que trabalha em apoio aos professores os quais têm em sala de aula, 
estudantes com deficiência. Pode-se dizer que a contribuição de outra docente 
foi de grande pertinência, em diversos momentos maquiagens dos modelos, 
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Trabalho desenvolvido durante o ano de 2015, num Centro Integrado de Educação Jovens e 
Adultos(CIEJA) –Secretaria Municipal de Educação –Prefeitura do Município de São Paulo-
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figurinos, e até em relação aos momentos nos quais os alunos seriam 
fotografados. 
Houve, uma grande participação de todos os estudantes envolvidos, e 
ao final foi realizada uma pequena avaliação em forma de depoimentos 
espontâneos, em que alguns discentes participantes relataram as suas 
percepções e sensações durante o processo ao serem fotografados, e após as 
imagens terem sido mostradas para o grupo por meio do power point e da 
exposição fotográfica. 
 
4. RESULTADOS FINAIS 
 O resultado desse trabalho foi positivamente satisfatório. O grupo do 
módulo 1B de alfabetização protagonistas diretamente dessa proposta interagiu 
de modo significativo com as atividades e com os demais colegas e 
professores. 
Ao iniciar essa proposta de trabalho com esse grupo pensava-se apenas 
na problemática da aceitação e convivência, em sala de aula do aluno adulto 
idoso, em relação ao colega com deficiência. 
Porém, ao longo do desenvolvimento da proposta, percebeu-se também, 
que este aluno adulto idoso, negro também carecia de desconstrução própria 
identidade, da própria imagem. 
Foi notório perceber que a maioria dos alunos e alunas negras dessa 
turma, observava e tinha concepção da sua imagem no sentido estereotipado, 
de filme fotográfico “queimado”, preto ou cinzento, deixando a imagem sem 
foco. Diante dessa realidade, esses alunos consequentemente demonstraram 
precisar de melhoria na sua autoestima. 
As percepções, sobre essa especificidade desses alunos pode ser 
notada a partir de alguns relatos (falas espontâneas) dos estudantes adultos, 
sobretudo dos alunos afrodescendentes. 
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Trabalho desenvolvido durante o ano de 2015, num Centro Integrado de Educação Jovens e 
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região norte da cidade. 
 
A princípio alguns dos alunos idosos não queriam participar. Sendo, 
portanto oportunizados vários momentos de trocas, diálogos, convencimento, 
com a perspectiva de protagonismo e construção de momentos da história de 
cada um. 
Um desses estudantes, um senhor afrodescendente vinha com frase 
construídas dizia ele: “Ah, professora, não quero participar, vou queimar o 
filme, isso é bom só para eles, referindo-se aos alunos com deficiência”. 
Outra aluna, também não desejava participar das sessões de fotografias, 
porque relatava ter vergonha da cor da sua própria pele. 
Para esses alunos, e também para os outro foram levantadas reflexões 
sobre possibilidades de mudanças numa perspectiva de protagonismo e 
reconstrução, em relação ao que eles haviam aprendido sobre a história e as 
contribuições do povo africano no Brasil. 
Aqui, couberam discussões a respeito das conquistas e história dos 
negros no Brasil, no mundo, etc. 
Sendo apresentado para o grupo, algumas contribuições em vários 
campos da humanidade, e também no mundo das artes. - Artur Timóteo, 
Benedito José de Andrade, e mais recente Wilson Tibério nascido no Rio 
Grande do Sul. 
Uma outra, aluna adulta dizia :” Nunca tirei uma foto chique antes, acho 
que vou ficar feia”. 
Já, para os alunos com deficiência esse movimento fotografia pareceu 
tranquilo, as estudantes com deficiência, quiseram retornar às suas casas 
maquiadas e de cabelos penteados. Foi um belo momento de interação e de 
ressignificação do olhar. 
Os outros grupos de alunos da escola ao observarem a movimentação 
de fotografias da turma, também quiseram participar, e serem fotografados, 
com a mesma proposta do grupo escolhido. Soube-se, da história de um aluno 
com deficiência, com um forte comprometimento intelectual, que demonstra 
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Trabalho desenvolvido durante o ano de 2015, num Centro Integrado de Educação Jovens e 
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pouca interação com os colegas e professores, passando a frequentar todos os 
dias a pequena sala onde foi montado de forma improvisada o pequeno estúdio 
pedindo para ser fotografado. 
 
 
 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Ao apresentar a proposta de trabalho para todo o segmento escolar 
pude contar com a contribuição significativa dos demais docentes e gestores 
que ofereceram suporte de tempo e espaço para a realização do projeto. 
Esse trabalho também foi brevemente apresentado ao grupo de 
professores da escola num dos horários coletivos de estudos, os quais também 
passaram a contribuir de forma a apoiar a realização. 
Na rede Municipal da Prefeitura de São Paulo, Secretária Municipal de 
Educação, essa proposta foi demonstrada num curso de formação para 
docentes da Educação de Jovens e Adultos, como prática de sala de aula, na 
perspectiva de inclusão, respeito às diferenças e singularidades e 
especificidades da EJA, na valorização da escuta e na oportunidade de dar voz 
e rosto a esses sujeitos. 
Enfim, este trabalho foi de grande contribuição e significativo, sobretudo 
para os alunos envolvidos, tendo sido oportunizado vários momentos de 
reflexão, interação, participação, um ponto de partida de novas perspectivas e 
possibilidades para este grupo. 
Contudo, o que inicialmente, foi lançado como proposta de convivência 
com o diferente em sala de aula, pensando na relação do aluno tido como 
“normal”em aceitar e interagir com o colega com deficiência, ao final do projeto 
percebeu-se que o aluno adulto tido como” normal” africano e afrodescendente, 
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Trabalho desenvolvido durante o ano de 2015, num Centro Integrado de Educação Jovens e 
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região norte da cidade. 
 
também precisava reconhecer-se e aceitar-se na sua etnia e percebê-la como 
riqueza na história da humanidade. 
Parece que a aceitação do outro, do diferente, necessita perpassar 
primeiramente pela a aceitação de si mesmo. 
Este trabalho ofereceu contributo e enriquecimento, foram grandes 
momentos de diálogos, de trocas, na relação ensino e aprendizagem. 
Finalmente, eis a beleza da diversidade humana, a convivência com as 
diferenças que nos enriquecem. 
Enfim este projeto, não tem um fim em si mesmo, ele é um início para 
futuro aprofundamento nas questões, o belo, o diferente, o outro além de mim. 
 
REFERÊNCIAS 
 
ADORNO, Teodor; HORKHEIMER (1947). pdf- Adobe Reader Dialética do 
Esclarecimento. FRAGMENTOS FILOSÓFICOS, 1947. Acesso em: acesso em 
27 em 04 de maio de 2015. 
ECO, Umberto (2004). História da feiura, 2004. Rio de Janeiro. Record as 
diferentes formas de atendimento.(SME/DOTP, 2015 ) 
BRASIL. SECRETARIA DE EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL. Parâmetros 
Curriculares SÃO PAULO. SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO. 
DIVISÃO DE ORIENTAÇÃO TÉCNICA DA EDUACAÇÃO DE JOVENS E 
ADULTOS: A Educação de Jovens e Adultos. 
Nacionais: Pluralidade Cultural e Orientação Sexual. Brasília: MEC/SEF, 1997. 
 Ministério da Educação. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional n. 
11.645/08. Brasília. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9394.htm. Acesso em: 10 de maio 
de 2015. 
CASTRO, Kika. SãoPaulo. 2017. Blogpost. Disponível em: 
http://kicadecastro.blogspot.com.br/. Acesso em 10 de maio de 2015. 
Conade: SECRETARIA NACIONAL DE PROMOÇÃO DOS DIREITOS DAS 
PESSOAS COM DEFICIÊNCIA. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9394.htm
http://kicadecastro.blogspot.com.br/.%20%20Acesso
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Trabalho desenvolvido durante o ano de 2015, num Centro Integrado de Educação Jovens e 
Adultos(CIEJA) –Secretaria Municipal de Educação –Prefeitura do Município de São Paulo-
região norte da cidade. 
 
http://www.deficienteciente.com.br/2010/11/decreto-atualiza-nomenclatura-do-
conade.html. Acesso em: 15 de maio de 2015. 
http://www.deficienteciente.com.br/2010/11/decreto-atualiza-nomenclatura-do-conade.html
http://www.deficienteciente.com.br/2010/11/decreto-atualiza-nomenclatura-do-conade.html

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