Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

A febre é conceituada como a elevação da temperatura corpórea acima de 37,8°C em aferição axilar e 38,3°C em aferição oral, podendo haver variação deste ponto de corte a depender da literatura. A temperatura normal do corpo humano varia entre 36 e 37,5°C, a depender do grau de atividade no momento da aferição, bem como de outros fatores como: alimentação, ação hormonal e metabolismo celular.
É importante a distinção entre febre e hipertermia. 
A febre é um mecanismo de defesa do organismo contra alguma injúria ou anomalia. 
Já a hipertermia é a elevação da temperatura relacionada à incapacidade do corpo de dissipar o calor, atingindo, na maioria das vezes, temperaturas superiores a 41°C.
Anamnese
No contexto de emergência, a anamnese deve sempre ser completa, mas direcionada. Diante da queixa de febre, é importante que a anamnese aborde:
· Antecedentes pessoais: hábitos de vida (tabagismo, etilismo, uso de outras drogas) e vacinação (para crianças);
· Antecedentes patológicos: doenças e cirurgias prévias, uso de medicações, alergias (medicamentosas ou alimentares);
· Procedência e viagens recentes para locais onde há doenças endêmicas.
Além disso, deve haver uma avaliação completa das características da febre.
Isso pode ser feito por meio do mnemônico FEBRE. Entenda a seguir:
Fundação;
Energia;
Brevidade;
Rota;
Encerramento.
Fundação diz respeito ao início da febre, investigando se este se deu de forma súbita ou indolente. 
Energia representa a intensidade da febre: é alta (superior a 39°C)? 
A brevidade está relacionada à duração (minutos, horas, dias). 
Rota refere-se à evolução da febre: é intermitente? Tem alguma periodicidade? Tem algum horário preferencial de acometimento? É sempre alta? 
O encerramento, por sua vez, representa a forma que se deu o término da febre: foi abrupto ou gradativo? Cedeu com o uso de medicamento antipirético?
· É muito comum que a febre venha associada a outros sinais e sintomas, que inclusive podem auxiliar no direcionamento do raciocínio clínico. 
· Por isso, é essencial questionar/observar a presença de:
Cefaleia;
Náuseas e/ou vômitos;
Convulsões, principalmente em crianças;
Piloereção;
Extremidades frias;
Sudorese;
Delírios ou confusão mental, principalmente em idosos;
Inapetência;
Taquicardia ou taquipneia;
Posição fetal; 
Raciocínio Clínico 
Situações associadas à febre que levam a determinadas suspeitas diagnósticas:
· Tosse produtiva e dispneia: pneumonia;
· Tosse por mais de 3 semanas e febre de predomínio noturno: tuberculose;
· Disúria: infecção do trato urinário (ITU). Havendo sinal de Giordano, trata-se provavelmente de uma pielonefrite;
· Sopro cardíaco, telangiectasias, vasculites e manchas de Roth: endocardite;
· Presença de cateter venoso central: infecção na corrente sanguínea; Diarreia e/ou vômitos: gastroenterites ou doença inflamatória intestinal;
· Cefaleia, vômitos em jato e sinais de meningismo: meningites.
· Dor em região de seios paranasais: sinusite;
· Espirros, coriza, dor de garganta: rinossinusite ou gripe;
· Dor cervical, aumento do volume tireoidiano e taquicardia: tireoidite.
· Dor de garganta e linfonodomegalia cervical: faringite ou tonsilite;
· Síndrome consumptiva (perda de peso na ausência de restrição hídrica): leucemia ou linfoma;
· Queixas articulares: artrite reumatoide, lúpus eritematoso sistêmico ou Chikungunya (poliartrite) e artrite séptica, artrite gonocócica ou gota (monoartrite);
· Dor temporal, nódulos e redução de pulso em artéria temporal: arterite temporal;
· Dor torácica: miocardite, pericardite ou embolia pulmonar;
· Taquicardia, arritmias, ansiedade e diarreia ou crise hipertensiva: crise tireotóxica ou feocromocitoma;
· Esplenomegalia: endocardite, linfomas, leishmaniose visceral ou mononucleose;
· Dor local: inflamação;
· Sinais flogísticos (dor, calor, rubor, edema): infecção (erisipela, celulite) ou trombose venosa profunda;
· Dor pélvica e corrimento vaginal: doença inflamatória pélvica (DIP);
· Moradia ou viagem para regiões de mata e febre terçã ou quartã, ou seja, episódios de febre com intervalos de 48 e 72 horas, respectivamente: malária;
· Erupções cutâneas: Zika.
· Cefaleia, dor retro-orbitária e sangramento de mucosas, principalmente durante o verão, março e abril: dengue.
Tipos 
Febre Contínua: permanece sempre acima do normal com variações de até 1 grau, sem grandes oscilações.
Febre Irregular ou Séptica: picos muito altos intercalados baixas temperaturas ou apirexia, sem nenhum caráter cíclico nessas variações.
Febre Remitente: há hipertermia diária com variações de mais de 1 grau, sem períodos de apirexia.
Febre Intermitente: a hipertermia é ciclicamente interrompida por um período de temperatura normal. Pode ser cotidiana, terçã (um dia com febre e outro sem) ou quartã (um dia com febre e dois sem).
Febre Recorrente ou Ondulante: semanas ou dias com temperatura corporal normal até que períodos de temperatura elevada ocorram. Durante a fase de febre não há grandes oscilações.
SE LIGA!!
O término da febre pode ser súbito ou gradual. O término súbito é chamado de crise e apresenta sudorese profusa e prostrações. O término gradual é denominado de lise e apresenta uma diminuição da temperatura dia após dia, até alcançar os níveis normais.

Mais conteúdos dessa disciplina