NOVOS_SISTEMAS_DE_PRODUÇÃO_E_T
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NOVOS_SISTEMAS_DE_PRODUÇÃO_E_T

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NOVOS SISTEMAS DE PRODUÇÃO E DE ORGANIZAÇÃO
DO TRABALHO EXIGEM MELHORES QUALIFICAÇÕES

Jacir Leonir Casagrande, Msc
Universidade Federal de Santa Catarina – Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção

Campus Universitário – Trindade – Cx. Postal 476 – Florianópolis - SC - CEP: 88010-970

Maria Denize Henrique Casagrande, Mestranda
Professora do Departamento de Ciências Contábeis - UFSC – Fone (048) 248-1907 E-mail:

denize@mbox1.ufsc.br -Campus Universitário – Trindade – Florianópolis - SC - CEP: 88010-970

Abstract: The new production and organization of the work systems, they demand
smaller degree of manipulative abilities and large degree of abstraction in the
execution of the activities. Those cognitive abilities should be created or emerge
through the thought, during the educational process, especially during the basic
education. It becomes important to develop capacities of acquiring and processing
intellectually new informations, to overcome traditional habits of resisting the
changes, to solemnity manage, to verbalize and to communicate with the team. The
need of complementing the formation before the employment and the permanent
formation are questions of agreement between companies and institutions of
professional formation. It is not possible to foresse which labor will need nor which
qualifications will de demanded. This solidifies the vital importance of a system of
effective permanent education.
Área: Ergonomia e Segurança do Trabalho.
Key Words: Organization, work, formation.

1. INTRODUÇÃO
Os países industrializados desenvolvem tecnologias adequadas à produção de

produtos para satisfazer às necessidades dos seus mercados, levando em consideração
características próprias de mão-de-obra, matéria prima, economia e legislação.

Existe algo novo entre os sistemas de produção, organização do trabalho e as
qualificações. Este deverá ser o centro das reflexões políticas dos países industrializados
preocupados em melhorar a competitividade globalizada. Surge um sistema de
organização do trabalho mais flexível, o que exige uma mão-de-obra mais qualificada.
Os novos sistemas de produção propostos estão mais próximos do artesanal que das
técnicas tradicionais de produção de massa e oferecem competitividade e autonomia
maior para as organizações e trabalhadores.

As tentativas de mudanças na organização do trabalho deparam-se com o fato
de as técnicas de produção estarem em grande parte associadas à organização científica
do trabalho. As práticas em matéria de trabalho são aplicáveis à organização e ao
contexto que melhoram a performance individual dos trabalhadores e respondem melhor

às suas aspirações e por conseqüência o funcionamento da organização.
No contexto econômico atual, marcado pela introdução e generalização de

novas tecnologias, a internacionalização do mercado, o rigor da concorrência
internacional e o ajustamento estrutural, dispor de mão-de-obra de alta qualidade
constitui uma vantagem importante para os países e empresas.

Partimos da constatação da mudança nos paradigmas de produção e
organização do trabalho – do modelo de produção em massa, baseado em custo e
quantidades, para um modelo baseado na flexibilidade e qualidade, do processo e do
produto – para a reestruturação ampla em função das novas estratégias exigidas pela
competitividade dos mercados, no contexto da globalização da economia.

Em conseqüência desta transformação, a forma de organização do trabalho,
marcada por equipes auto-gerenciadas, trabalho flexível e polivalência, passa pelas
políticas de pessoal, com ênfase na gestão de empregos e salários, mudanças nas
relações hierárquicas, requisitos de qualificação, atingindo até a relação empresa/
sociedade nas relações com sindicatos, na interação com as comunidades locais, bem
como no trato do meio ambiente.

A adoção de novos sistemas de organização do trabalho adquire um caráter
estratégico, para o alcance dos objetivos almejados por organizações que buscam
destaque em mercados competitivos e que demandam um quadro de trabalhadores com
um conjunto de qualificações diferenciadas para o exercício do trabalho.

2. OS NOVOS SISTEMAS DE ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO
Torna-se cada vez mais consensual a idéia de que o antigo modelo de empresa

hierárquica, em que a cúpula pensa e a base age, deve dar passagem à um novo modelo
em que idéias e ações possam acontecer em todos os níveis organizacionais.

Para Kim (1997), à medida que as organizações buscarem estruturas mais
horizontais e menos burocrática, aumentará a confiança nos indivíduos como portadores
do conhecimento emergente na organização onde quer que se revele. No centro de tudo
está a compreensão do papel desempenhado pelos modelos mentais individuais, no ciclo
do aprendizado organizacional e a busca contínua de métodos para gerenciar a
transferência do aprendizado individual para o aprendizado organizacional.

Os novos sistemas de organização do trabalho apresentados por Cappelli e
Rogovsky (1994) podem ser situados dentro do contexto da revolução organizacional
que vivenciamos neste final de século. É uma mudança fundamental que está ocorrendo
na estrutura e na natureza das empresas. E a literatura recente aponta na direção de que
as maiores convulsões sociais dos próximos anos devem ocorrer no ambiente de
trabalho, quando, enfrentando o ritmo acelerado das mudanças e a competição acirrada,
as empresas se remodelarem e redefinirem o significado e o valor de manter o emprego.

Cappelli e Rogovsky (1994), propõem mudanças nos sistemas de organização
do trabalho, onde a participação dos trabalhadores e o trabalho em equipe possa superar
o rígido sistema baseado no modelo taylorista de organização da produção. A
flexibilidade seria um dos elementos fundamentais, ancorado também em um sistema de
comunicação interna informal que pudesse considerar todo o conhecimento produzido
no local de trabalho.

Segundo Kim (1997), para reagir a esse paradigma de mudança, talvez não seja

necessário mudar de atitude, mas de percepção. Nossa maneira de pensar, agir e de dar
valor está associada à nossa visão pessoal da realidade.

O denominador comum de todos os modelos de reorganização do trabalho está
no fato de que eles são diferentes do sistema taylorista que caracteriza a organização
científica do trabalho, criticada com exaustão por Dejours em A Loucura do Trabalho
(1992).

A questão do sofrimento no trabalho é uma das questões centrais no trabalho
de Dejours (1992). Ele considera importante entender como os trabalhadores fazem para
resistir aos ataques ao seu funcionamento psíquico provocados pelo seu trabalho. É na
organização do trabalho que se deve procurar as causas do sofrimento dos
trabalhadores. Ele deixa claro que por organização do trabalho não entende só a divisão
do trabalho (divisão das tarefas entre operadores, os ritmos impostos e os modos
operatórios prescritos), mas sobretudo a divisão dos homens para garantir esta divisão
das tarefas, representadas pelas hierarquias, as repartições de responsabilidades e os
sistemas de controle. Mesmo assim é um processo dinâmico, pois os sujeitos criam
estratégias defensivas para se proteger.

Segundo Dejours (1992), Taylor teria imaginado um meio de vigiar cada gesto,
cada seqüência, cada movimento na sua forma e no seu ritmo, dividindo o modo
operatório complexo e gestos elementares mais fáceis de controlar por unidades, do que
o processo no seu conjunto. Ele sistematizou este método e o instituiu em princípio:
vários gestos não deviam ser executados por um só operário, sem que entre cada um
deles se interpusesse uma intervenção da direção. Pela própria estrutura desta
organização do trabalho, os operários são confrontados um por um, individualmente e
na solidão, às violências da produtividade.

A rigidez da organização do trabalho, as exigências temporais, as cadências, os
ambientes de trabalho, o intercâmbio dos operários,