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Escroto agudo INTRODUÇÃO Trata-se de um quadro álgico escrotal de instalação recente (não necessariamente súbita, pois pode ser insidiosa, mas em poucos dias/horas), comumente seguido de aumento unilateral (mas não é uma obrigatoriedade) da bolsa testicular, e frequentemente acompanhado de sinais flogísticos (edema, rubor e calor). PRINCIPAIS PATOLOGIAS QUE COMPÕEM A SÍNDROME DO ESCROTO AGUDO: Torção de cordão espermático Torção de apêndices testiculares/epididimários Epididimite/Orquiepididimite Trauma Hérnia inguinal Vasculites Lesões dermatológicas Tumor Hidrocele Varicocele TORÇÃO DO CORDÃO ESPERMÁTICO TORÇÃO INTRAVAGINAL (PRINCIPAL TIPO DE TORÇÃO): Quando acontece a torção, normalmente é no folheto parietal; Popularmente conhecido como torção de testículo, mas quem torce, na verdade, é o cordão espermático; É uma emergência cirúrgica (exclusivamente cirúrgico, não consegue conduzir de maneira clínica); Torção de cordão sem o espaço da túnica vaginalis Acomete adolescente no período puberal (12-13 anos), pela alta produção de testosterona, ou seja, rápido aumento testicular; Resulta do rápido crescimento testicular e de um movimento testicular anormal decorrente da inadequada fixação do testículo e epidídimo à túnica vaginal; Em indivíduos com predisposição, há uma fixação inadequada da face posterior da túnica vaginal, há um dos testículos mais móvel e com isso, o indivíduo tem um movimento de “badalo em sino”. Com esse movimento, o testículo gira com muita facilidade em torno do próprio eixo e isso é uma emergência. Ex: paciente estava apenas lendo e foi cruzar as pernas e esse movimento foi suficiente para que ocorresse a torção do cordão espermático. Pode ter relação com trauma ou atividade física Torção intermitente do cordão (ocorreram episódios semelhantes antes que se resolveram espontaneamente. Ex: torceu 180° e resolveu espontaneamente) Não necessariamente precisa de um fator desencadeante, pode ter relação com o despertar, pelo reflexo cremastérico. Quadro clínico: Dor hemiescrotal súbita e de forte intensade (quadro isquêmico); Aumento de volume hemiescrotal Náuseas e vômitos (reflexo vagal) Ausência de febre (não é quadro infeccioso. Até dias depois, se tiver necrose e infectou, aí sim há presença de febre); Sinal de Angell (encurtamento do cordão e o testículo acometido/elevação, com horizontalização deste e anteriorização do epidídimo) Ausência de reflexo cremastérico (faz estímulo na face medial da coxa ou no próprio escroto e faz a contração do cremáster) Posterior dificuldade de individualização das estruturas. Exames complementares: Temos 6h para salvar o testículo, mas normalmente o paciente já chega com mais ou menos USG escrotal com doppler: investiga a irrigação/drenagem venosa do testículo. Solicitamos se não for atrasar a conduta. Cintilografia escrotal com Tc 99: A acurácia é boa, mas não é um exame de urgência, é eletivo TORÇÃO EXTRAVAGINAL Mais frequente em recém-nascidos e crianças de pouca idade; Ocorre geralmente durante o descenso testicular. Na embriologia, o testículo é abdominal, vai descendo até chegar a bolsa (trajeto longo). Então ele torce durante essa face de descenso no período fetal e, por ser no período fetal, só depois é que iremos perceber a ausência de testículo na bolsa Causa comum de atrofia ou ausência testicular ao nascimento. Venish tetis testículo desaparecido. Ou seja, ele não se desenvolveu ou se desenvolveu e torceu, isquemiou e atrofiou. TORÇÃO DE CORDÃO ESPERMÁTICO Conduta cirúrgica: Distorção e análise testicular (depois que desfaz a torção, ver se ele reperfunde ou não) Viável (volta a ter o aspecto avermelhado): orquidopexia, fixa para não torcer novamente. Inviável (permanece violáceo/enegrecido): orquiectomia, ou seja, retira o testículo. Orquidopexia contralateral: fixa o lado contralateral, porque ele perdeu um testículo mas continua fértil, daí fixa o outro para que ele não fique infértil e precise fazer reposição hormonal. TORÇÃO DE APÊNDICE TESTICULAR/EPIDIDIMÁRIO São resquícios embrionários do ducto mülleriano (testicular) e ducto de Wolff (epididimário), não tem função. Sofrem torção em seu pedículo; Eles torcem sobre o seu próprio eixo, por isso faz um quadro semelhante a torção testicular, mas com um quadro mais brando/leve. Quadro álgico (isquêmico) semelhante a torção de testículo, todavia, de menos intensidade, visto que são estruturas menores, menos inervada e menos vascularizadas. Mais frequentes entre os 7 e 12 anos (pre púbere) Quadro clínico: Dor muito bem localizada, mais puntiforme. Nódulo doloroso geralmente no pólo superior do testículo Exame físico: No geral, as demais estruturas (testículo, epidídimo, cordão e bolsa) vão estar normais ao exame físico. Se for criança dá para ver o “blue button/ botão azul” através da pele, de intensidade menor do que a torção de cordão. Blue button: vê, através da transparência da pele, uma estrutura violácea/azulada. Tratamento: repouso relativo, anti-inflamatório para casa e analgesia. Retorno para ambulatório (ou seja, manejo muito tranquilo, patologia sem grandes complicações). Não precisa operar o paciente. Estrutura mais pediculada, por isso gira. Se fosse mais séssil, não iria girar. ORQUITE Orquite está comumente associada a caxumba. O vírus tem tropismo pelo parênquima testicular assim como pela parótida. Por tratar-se de um quadro vira, ele vai via hematogênica (diferentemente do quadro bacteriano que vai via ascendente), ou seja, ele vai direto para o parênquima testicular. Quadro clínico: Grande edema testicular, quadro bastante dolorosos e com muita presença de sinais flogísticos. A informação importante é unilateral. Ademais, normalmente o paciente tem alguns dias antes (cerca de 1 semana antes) um quadro de parotidite. USG e mapeamento por radiofármaco: aumento do fluxo sanguíneo Tratamento: elevação escrotal (suspensório escrotal, basicamente e para trazer conforto ao paciente) e analgesia com antiinflamatórios não estroidais (qualquer AINES –nimesulida, diclofenaco, tenoxicam, geralmente baseado nas alergias do paciente) EPIDIDIMITE E ORQUIEPIDIDIMITE Adolescentes e adultos jovens: DST: Promiscuidade e uretrite/descarga uretral Paciente que teve relação sexual sem preservativo, queixando-se de disúria e corrimento uretral, fazendo quadro de uretrite com gonorreia ou clamídia e como não foi tratado, evoluiu por via canalicular para o epidídimo o testículo. Adultos > 50 anos: Obstrução infravesical: STUI graves, ITU de repetição, RUA + Cateterismo vesical, cirurgia do trato urinário. Se chegar um idoso (50 anos), é ideal pensarmos em orquiepididimite. O paciente apresenta sintomas do trato urinário inferior, IPSS elevado, com histórico de retenção urinária aguda com manuseio da via urinária ou mesmo instrumentação cirúrgica prévia. É um quadro infeccioso bacteriano causado pela E. Coli. Imagem não representa orquiepididimite, pois não elevação do testículo (Sinal de Angell), mas faz diagnóstico diferencial com a patologia, pela presença de sinal flogístico e aumento do volume em região escrotal. Quadro clínico: dor insidiosa (12-48h), com irradiação para região inguinal homolateral e presença de sinais flogísticos. Ademais, há febre. Exame físico: Sinal de Prehn (eleva o testículo e o paciente refere alívio) e reflexo cremastérico presente (porque não há quadro isquêmico). Exames complementares: Por ser bem semelhante à torção, sempre que houver dúvidas, solicitamos USG com doppler. Nela, perceberemos que, ao contrário da torção, ocorre o aumento do fluxo sanguíneo.USG com doppler: Espessamento do epidídimo a aumento de volume orquiepididimário; Aumento do fluxo sanguíneo Obs.: investigar com USG de VU e UCM eninos com cultura de urina positiva. Trato urinário radiograficamente normal, a menos que o paciente tenha HPB (que iria apresentar próstata aumentada, resíduo miccional, bexiga de esforço e hidronefrose bilateral) EAS: piúria/bacteriúria Piúria, nitrito positivo, esterase leucocitária positiva, flora bacteriana aumentada, urina turva, alguns cilindros (às vezes), etc. Urocultura: estéril em 40 a 90% dos casos (normal). Tratamento: Antibioticoterapia empírica Fluorquinolona (cipro ou levofloxacino): pega gram negativo e tem boa penetração testicular; Sulfa: tem boa penetração; Cefalosporina de 3° e 4° geração: quando o paciente tem resistência à quinolona ou a sulfa). AINE Suspensão escrotal Repouso relativo TRAUMA TESTICULAR Hematoma subcapsular (seta maior) http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://imaging.birjournals.org/content/vol13/issue2/images/small/GG74041.6.13.gif&imgrefurl=http://imaging.birjournals.org/cgi/figsearch?FIRSTINDEX=10&FULLTEXT=testicular&RESULTFORMAT=&SEARCHID=1&andorexactfulltext=&hits=10&resourcetype=HWFIG&usg=__IblTTpN8Sx89rrYTBvFeydYlgbU=&h=189&w=200&sz=43&hl=pt-BR&start=7&um=1&tbnid=d-2XA2WICQGNZM:&tbnh=98&tbnw=104&prev=/images?q=trauma+testicular&um=1&hl=pt-BR&rlz=1T4SUNA_enBR312BR312&sa=G Traumatismo fechado: acidente de moto ou ferimento por arma de fogo por exemplo. Dor de intensidade variada Aumento de volume testicular USG define extensão do trauma Tratamento clínico: AINE + repouso + suspensão escrotal Exploração cirúrgica: grandes hematoceles e lacerações da albugínea. HIDROCELE Trata-se do acúmulo de líquido entre as duas fácies/túnicas vaginalis (a túnica albugínea –aderida a cápsula- e a túnica aderida a parede do escroto). Esse acúmulo pode ser causado por trauma, orquiepididimite, tuberculose epididimária, tumor de testículo e idiopática. Aparecimento e progressão insidiosos (meses ou anos); Por ser de crescimento lento, normalmente não está associado a dor, pois não tem processo inflamatório, a não ser que esteja relacionada a um trauma ou a uma infecção associada. Ao exame físico: massa cística que pode ser uni ou bilateral, pode ser mais ou menos intensas, normalmente é indolor. Na transluminação não há estrutura sólida, por isso (por ser líquido) a luz atravessa. Diagnóstico: indolor (por ser um crescimento insidioso, então a menos que seja relacionada a um trauma, não teremos dor), sensação palpatória cística, transluminação escrotal e USG; Nas crianças o quadro pode ser intermitente/ comunicante, pois como o paciente passa a noite em decúbito dorsal, a bolsa está vazia, mas ao longo do dia, pela gravidade, o líquido intraperitoneal passa pelo conduto peritônio vaginal e vai para a bolsa. Nesse caso, podemos esperar até 1 ano de vida para ver se o conduto vai fechar. Persistência do conduto peritôneovaginal, que deveria ter fechado ao nascimento ou nos primeiros meses de vida. Se houver apenas a hidrocele, podemos esperar até 1 ano de vida. Se eu tiver além da hidrocele, hérnia inguinal indireta (conteúdo de alça intestinal passando através do conduto), a indicação é cirúrgica pelo alto risco de carceramento/estrangulamento de delgado. Costumam involuir espontaneamente até o 1° ano de vida; Inúmeras causas de hidrocele: 50% das hidroceles são idiopáticas (há um desequilíbrio entre produção e reabsorção desse líquido) PÚRPURA DE HENOCH-SCHOELEIN Vasculite sistêmica de causa desconhecida caracterizada por: púrpura trombocitopênica + artralgia + insuficiência/doença renal + dor abdominal + sangramento gastrointestinal + dor testicular (eventualmente) Etiologia não muito bem esclarecida, por isso é considera idiopática; Acometimento escrotal agudo/súbito ou insidioso, mas não costuma ser grave; Pode ter sinais flogísticos (dor, edema e eritema) que sugerem uma orquiepididimite. Geralmente acomete pacientes com < de 10 anos (> 35%) EAS: hematúria e proteinúria Sem tratamento específico, por ser considerada uma patologia de origem autoimune, por isso nós tratamos normalmente com corticoesteróides. VARICOCELE Varicocele significa varizes do plexo pampiniforme, ou seja, dilatação venosa desse plexo. Acomete 15% dos homens Varicocele é a principal causa de infertilidade reversível; Comumente assintomática ou desconforto aos esportes e posição ortostática prolongada Quadro clínico: dor de progressão lenta e insidiosa, de frcaa ou moderada intensidade, que está muito relacionada ao esforço físico/ a ortostase prolongada (em virtude da dilatação do plexo pampiniforme) Diagnóstico: Exame físico (pele para o paciente fazer a manobra de Vasalsa e consegue visualizar as varizes) e USG doppler (dilatação + inversão do fluxo sanguíneo) Tratamento: só trata quem tem infertilidade A varicocele NA MAIORIA DAS vezes acontece só à esquerda, uma minoria à direita e uma minoria também bilateralmente. Isso acontece porque do lado esquerdo tem o rim, a eia renale desemboca perpendicularmente, criando um fluxo turbilhonar. Do lado direito, a veia gonadal ou a veia do plexo pampiniforme desemboca na veia cava, então consegue manter um fluxo laminar. Indicações cirúrgicas: Atrofia testicular; Infertilidade Dor crônica importante. Grau 1: só dá para ver se estimular demais (pele para o paciente fazer vasalva); Grau 2: consegue perceber ao exame físico sem grandes estimulações, mas não à ectoscopia; Grau 3: dá para ver à ectoscopia um espessamento do cordão espermático, muitas vezes com o aspecto de enovelamento em função da dilatação do plexo pampiniforme. TUMOR DE TESTÍCULO Típico da raça branca Mais comum dos 15 aos 35 anos (jovens), normalmente quanto mais jovem, mais agressivo. Clínica: massa de evolução insidiosa e indolor, ausência de sinais flogísticos. Normalmente o tumor de testículo não dói (apenas 8 a 10% causam dor, normalmente esses estão relacionados à necrose, geralmente esses que causam dor estão relacionados a tumores de rápido crescimento, porque não acompanha a angiogênese), normalmente o paciente chega se queixando de uma massa testicular. Ao exame físico: massa testicular; dor por torção ou necrose Pode ser a causa da hidrocele (20% dos pacientes podem ter hidrocele. SEMPRE que tiver um acomete com hidrocele é MANDATÓRIO pedir uma USG testicular/ USG escrotal, para afastar tumor, independentemente da idade do paciente. Às vezes tumor pode ser intratesticular e não palpá-lo, daí só conseguiria visualizar no USG) Tumor de células germinativas= 95% TUMOR DE CÉLULAS GERMINATIVAS Tu de saco vitelino aumenta alfafetoproteina Carcinoma embrionário aumenta Beta HCG (500, 1.500...). O BHCG também serve para acompanhamento. Ex: fez a orquiectomia e fica acompanhando com o marcador BHCG. Seminomas são de melhores prognósticos do que os de não seminomas.