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WL-OO-Apostila-01-Direito Administrativo-04

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e competitividade, 
estabelecendo, outrossim, a competência do Comitê de Controle das Empresas Estatais – 
CCE (criado pelo Dec. S/n publ. Em 4.2.91) para fixar as diretrizes do PGE; acompanhar o 
desempenho dessas entidades; aprovar e supervisionar os contratos de gestão; aprovar as 
propostas referentes a preços e tarifas, a pessoal, ao orçamento, às operações de crédito e a 
outros assuntos que afetem a política econômica. Esse decreto exclui as autarquias do 
conceito de “empresa”. 
 O paraestatal é o gênero, do qual são espécies distintas as empresas 
públicas, as sociedades de economia mista e os serviços sociais autônomos, as duas 
primeiras compondo (juntamente com as autarquias e fundações públicas) a Administração 
indireta da União e os últimos, fora dessa Administração, constituindo a categoria dos entes 
de cooperação. 
 Essas entidades tanto podem perseguir fins não lucrativos como 
realizar atividades econômicas, e, para tanto, receberão estrutura e organização adequada às 
suas finalidades. 
 A indevida confusão do paraestatal com o autárquico, e até mesmo 
com o estatal, tem ensejado as mais deploráveis conseqüências. Assim é que, identificando-
se erroneamente a entidade paraestatal com a autarquia, atribuem-se àquela prerrogativas 
públicas que não lhe pertencem e despoja-se esta de certos privilégios que lhe são próprios. 
A autarquia, já o dissemos, é um alongamento do Estado; o ente paraestatal é uma 
instituição de personalidade privada, afetada de interesse público. Daí por que o serviço 
autárquico beneficia-se, automaticamente, de todos os privilégios administrativos (não 
políticos) do Estado e o serviço paraestatal só aufere os que lhe forem concedidos por lei 
especial. Além disso, as entidades paraestatais têm sempre personalidade de Direito 
Privado, ao passo que as entidades autárquicas têm sempre personalidade de Direito 
Público. E mais: aquelas executam quaisquer atividades de interesse ou utilidade pública; 
estas só realizam (ou devem realizar) serviços públicos típicos, próprios do Estado, 
desmembrados do Estado. 
 Concluídas, assim, as considerações de ordem geral, aplicáveis a todo 
o gênero paraestatal, vejamos, destacadamente, suas espécies mais expressivas, a começar 
pelas empresas públicas. 
 Empresas públicas são pessoas jurídicas de Direito Privado criadas 
por lei específica, com capital exclusivamente público, para realizar atividades de interesse 
da Administração instituidora nos moldes da iniciativa particular, podendo revestir 
qualquer forma e organização empresarial. 
 As empresas públicas são as mais modernas instituições paraestatais, 
geralmente destinadas à prestação de serviços industriais ou atividades econômicas em que 
o Estado tenha interesse próprio ou considere convenientes à coletividade. 
 O que caracteriza a empresa pública é seu capital exclusivamente 
público, de uma só ou de várias entidades, mas sempre capital público. Sua personalidade é 
de Direito Privado e suas atividades se regem pelos preceitos comerciais. É uma empresa, 
mas uma empresa estatal por excelência, constituída, organizada e controlada pelo Poder 
Público. 
 Difere da autarquia e da fundação pública por ser de personalidade 
privada e não ostentar qualquer parcela de poder público; distingue-se da sociedade de 
economia mista por não admitir a participação do capital particular. 
 A Constituição da República de 1988 estabelece que “a empresa 
pública, a sociedade de economia mista e outras entidades que explorem atividade 
econômica sujeitam-se ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto 
às obrigações trabalhistas e tributárias” (art. 173, § 1º). Essa regra constitucional, dirigida a 
todas as entidades estatais – União, Estados-membros, Municípios e Distrito Federal – 
deixou claro que qualquer delas pode criar estabelecimentos empresariais de personalidade 
privada para exploração de atividade econômica, desde que o faça em caráter supletivo da 
iniciativa particular, nivele-se às empresas privadas congêneres, em direitos e obrigações, e 
se sujeite ao regime trabalhista e aos tributos devidos em suas operações. 
 Diante da permissão constitucional, a União legislou para as suas 
empresas públicas no Dec.-lei 200/67, incluindo-as na sua Administração indireta com essa 
conceituação: “Empresa pública – A entidade dotada de personalidade jurídica de direito 
privado, com patrimônio próprio e capital exclusivo da União, criada por lei para a 
exploração de atividade econômica que o Governo seja levado a exercer por força de 
contingência ou de conveniência administrativa, podendo revestir-se de qualquer das 
formas admitidas em direito” (art. 5º, II). Subseqüentemente, o Dec.-lei 900/69 
excepcionou a exigência da exclusividade do capital da União, para permitir a participação 
de outras pessoas jurídicas de Direito Público Interno, bem como de entidades da 
Administração indireta da própria União, dos Estados-membros, do Distrito Federal e dos 
Municípios, desde que a maioria do capital votante permaneça com a União (art. 5º). 
 Tal conceituação é, evidentemente, de caráter administrativo e só 
impositiva para a União, sabido que provém de diplomas norteadores da reforma da 
Administração federal. Livres, pois, continuam os Estados-membros e Municípios para 
criar, organizar e operar suas empresas públicas desvinculadas dessas disposições federais, 
de alcance restrito aos serviços da União. E tanto é assim que estas empresas vem sendo 
instituídas a cada dia pelos Estados-membros e Municípios, sem que se tenha levantado 
dúvida aceitável de inconstitucionalidade. 
 Qualquer das entidades políticas pode criar empresa pública, desde 
que o faça por lei específica (CF, art. 37, IX); a empresa pública pode Ter forma societária 
econômica convencional ou especial; tanto é apta para realizar atividade econômica como 
qualquer outra da competência da entidade estatal instituidora; quando explorar atividade 
econômica, deverá operar sob as normas aplicáveis às empresas privadas, sem privilégios 
estatais; em qualquer hipótese, o regime de seu pessoal é o da legislação do trabalho. 
 O patrimônio da empresa pública, embora público por origem, pode 
ser utilizado, onerado ou alienado na forma regulamentar ou estatutária, independentemente 
de autorização legislativa especial, porque tal autorização está implícita na lei instituidora 
da entidade. Daí decorre que todo o seu patrimônio bens e rendas – serve para garantir 
empréstimos e obrigações resultantes de suas atividades, sujeitando-se a execução pelos 
débitos da empresa, no mesmo plano dos negócios da iniciativa privada, pois, sem essa 
igualdade obrigacional e executiva, seus contratos e títulos de crédito não teriam aceitação 
e liquidez na área empresarial, nem cumpririam o preceito igualizador do § 1º do art. 173 
da CF. 
 A transferência inicial de bens públicos imóveis, para formação do 
patrimônio da empresa e subsequentes aumentos de seu capital, tem sido feita por decreto, 
com avaliação prévia e posterior recebimento pela diretoria, a título de integralização, 
transcrevendo-se, após, a respectiva ata no registro imobiliário competente. 
 Quanto à contratação de obras, serviços e compras bem como à 
alienação de seus bens, a empresa pública fica sujeita a licitação, nos termos do Dec.-lei 
2.300/86, enquanto não tiver regulamento próprio e devidamente publicado que estabeleça 
um procedimento licitatório adequado às suas finalidades, com observância dos princípios 
básicos da licitação (art. 86). 
 Os dirigentes de empresa pública são investidos em seus cargos ou 
funções na forma que a lei ou seu estatuto estabelecer, mas podem ser destituídos a 
qualquer tempo, à semelhança do que ocorre com os dirigentes de sociedade de economia 
mista. 
 O pessoal da empresa pública – dirigentes e empregados – embora 
não seja servidor público, incorre sempre na vedação constitucional de acumulação 
remunerada de cargos, funções ou empregos (art.