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Fornecedor 
Conceito: 
Segundo o art. 3º, fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, 
pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes 
despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, 
montagem, criação, construção, transformação, importação, 
exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou 
prestação de serviços. 
Cuida-se de formulação ampla, de conteúdo enumerativo no que 
tange às atividades sublinhadas. 
A caracterização de alguém como consumidor encontra-se atrelada 
ao reconhecimento cumulativo de três características básicas: 1) 
profissionalismo: deve-se observar ao menos um grau rudimentar 
de organização dos fatores de produção ligados à atividade 
exercida no mercado; 2) habitualidade: há de se apurar se o 
produto ou o serviço não foram ofertados de maneira esporádica, 
em situação ocasional. A verificação deve ser feita no caso 
concreto, não se exigindo previamente caráter diário ou semanal, 
mas apenas um certo grau mínimo de reiteração; 3) remuneração: 
somente há incidência do CDC nos serviços ou produtos fornecidos 
mediante remuneração. Contudo, essa remuneração pode ser 
indireta (ex.: responsabilidade por estacionamento gratuito em 
shoppings ou supermercados, dado a remuneração através das 
compras –– Súmula 130 do STJ; relação entre consumidor e 
emissora de televisão com sinal aberto –– REsp 1665213/RS). 
Mercado de consumo: 
Note-se que o produto ou serviço deve ser comercializado no 
mercado de consumo, assim entendido como o espaço de negócios 
não institucional no qual se desenvolvem atividades econômicas 
próprias do ciclo de produção e circulação dos produtos ou de 
fornecimento de serviços. Essa conceituação, embora de natureza 
fluida, tem servido de argumento para a não incidência do CDC em 
atividades como a relação entre condômino e o condomínio, entre 
o locador e o locatário, entre outros casos. 
O STJ já decidiu que mesmo as entidades sem fins lucrativos, de 
caráter beneficente e filantrópico, poderão ser consideradas 
fornecedoras, caso desempenhem atividade no mercado de 
consumo mediante remuneração (STJ, AgRg no Ag 1.215.680). 
PRODUTO: 
O conceito de produto encontra-se no §1º, do art. 3º, do CDC, 
vejamos: 
Art. 3º, § 1°. Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou 
imaterial. 
Claramente, observa-se que o conceito de produto é amplo, 
abrangendo qualquer bem móvel ou imóvel, material ou imaterial 
(ambiente virtual). Em virtude do diálogo das fontes, como o CDC 
não traz o que é um bem móvel ou imóvel, utilizam-se os arts. 79 a 
84 do CC. 
SERVIÇO: 
O art. 3º, §2º do CDC traz o conceito de serviço, in verbis: 
Art. 3º, §2º. Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de 
consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza 
bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes 
das relações de caráter trabalhista. 
Serviços bancários, financeiros, de crédito e securitários: 
Todo contrato bancário, de seguro, enfim que envolvam 
instituições financeiras e de créditos serão considerados serviços 
abrangidos pelo CDC. 
Há entendimento sumulado sobre o assunto. 
Súmula 297 do STJ: O CDC é aplicável as instituições financeiras. 
Por fim, destaca-se que o próprio STF já se manifestou sobre a 
constitucionalidade do §2º do art. 3º do CDC, na ADI 2591. 
Serviços habitacionais promovidos pelas sociedades cooperativas: 
Súmula 602-STJ: O Código de Defesa do Consumidor é aplicável aos 
empreendimentos habitacionais promovidos pelas sociedades 
cooperativas. 
Existem determinados empreendimentos habitacionais que são 
planejados, construídos e comercializados por sociedades 
cooperativas. Um exemplo famoso é o da Cooperativa Habitacional 
dos Bancários de São Paulo (Bancoop). A Bancoop foi criada com o 
objetivo de construir e vender imóveis (em geral, apartamentos) 
para os trabalhadores bancários. 
A ideia das cooperativas habitacionais é nobre, considerando que o 
objetivo, em tese, é o de facilitar que um grupo de pessoas consiga 
adquirir sua casa própria de forma facilitada, com preços menores, 
juros mais baixos e prazo mais extenso para pagamento. Isso 
porque, na teoria, a cooperativa não possui finalidade de lucro. Sua 
finalidade seria apenas a de facilitar para que aquele grupo de 
pessoas consiga atingir seu objetivo, que, no caso, seria construir 
um empreendimento imobiliário para moradia. 
Algumas vezes, contudo, na prática, os fins originais das 
cooperativas habitacionais foram desvirtuados, sendo comum 
notícias de irregularidades e até mesmo de crimes cometidos por 
determinados dirigentes de sociedades cooperativas. Assim, 
infelizmente, aconteceram vários casos de sociedades cooperativas 
que atrasaram a entrega ou mesmo não entregaram os 
empreendimentos habitacionais que lançaram e pelos quais as 
pessoas pagaram com o objetivo de ali morarem. 
Essas questões foram levadas até o Judiciário e surgiu a seguinte 
dúvida: os adquirentes desses imóveis podem ser considerados 
consumidores? As cooperativas habitacionais podem ser 
classificadas como fornecedoras? Essa relação jurídica é regida pelo 
Código de Defesa do Consumidor? 
SIM. O STJ, há muito tempo, firmou a posição de que a cooperativa 
que promove um empreendimento habitacional assume posição 
jurídica equiparada a uma incorporadora imobiliária, estando 
sujeita, portanto, às disposições do Código de Defesa do 
Consumidor. Quando lança um plano habitacional, a cooperativa 
age como prestadora de serviços, e os seus cooperados 
(adquirentes) se equiparam a consumidores. Os cooperados 
adquirem o imóvel como destinatários finais e são considerados 
vulneráveis, razão pela qual se enquadram no conceito de 
consumidores. 
Serviços públicos: 
Releva destacar, ainda, que o CDC é claro ao estabelecer sua 
aplicação aos serviços públicos, conforme comando dos arts. 4º, 
VII, 6º, X e 22, todos do diploma consumerista. Entretanto, a 
jurisprudência do STJ (paradigma no REsp 609.332/SC) diferencia as 
situações: a) aplica-se o CDC aos serviços públicos prestados 
mediante tarifa ou preço público, também denominados de 
serviços públicos “uti singuli” ou impróprios, pois são fornecidos no 
mercado de consumo (ex.: energia elétrica –– AgRg no AREsp 
354.991/RJ; telefonia –– AgInt no AREsp 1017611/AM; saneamento 
–– REsp 1629505/SE; e rodovias –– REsp 1268743/RJ); b) não se 
aplica o CDC aos serviços prestados mediante taxas ou através de 
remuneração indireta a partir de tributos, haja vista que neles não 
há, propriamente, serviço ofertado no mercado de consumo, mas, 
antes, efetivação de política pública submetida ao regime de direito 
público (ex.: serviços médico-hospitalares do SUS –– AgInt no REsp 
1347473/SP; e escolas públicas). 
Serviços notariais: 
Atualmente, o STJ possui precedente afastando a aplicação do CDC 
aos serviços notariais. Como argumento, afirma que como o STF 
entende que as custas e emolumentos possuem natureza 
administrativa-tributária não há como ser reconhecida uma relação 
de consumo, pois no lugar de consumidor há contribuinte, bem 
como não há como considerar que os cartórios de notas e registros 
sejam fornecedores, eis que seus serviços não integram o mercado 
de consumo.

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