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PATOLOGIAS DO JOELHO

Apostila sobre lesão do ligamento cruzado anterior do joelho: mecanismo (valgo+rotação com pé fixo), sinais (estalido, hemartrose), exame (teste da gaveta anterior, ressonância), associações com lesões de menisco e fraturas osteocondrais e tratamentos conservador e cirúrgico (enxertos patelar, isquiotibiais, quadríceps).

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Ortopedia 
Bruna Argolo 
 
PATOLOGIAS DO JOELHO 
• De maneira geral, veremos as lesões mais comuns que podem ser encontradas e tratadas mesmo 
por médios não especialistas 
LESÃO DO LIGAMENTO CRUZADO ANTERIOR: 
• É uma das lesões mais comuns, principalmente no trauma desportivo 
• Entorse do joelho associado a estalido: 
- Estalido geralmente audível ao paciente e às pessoas próximas 
- Perna fixa ao solo + valgo + rotação externa do fêmur 
- Hemartrose 
OBS: Valgo = perna para dentro = joelhos indo de encontro um ao outro 
• O mecanismo de lesão é o paciente com o pé fixo no chão e ocorre o mecanismo 
de valgo do joelho com uma rotação externa do fêmur 
• É um mecanismo de lesão comum de acontecer em esportes que realizam uma mudança de direção, 
como por exemplo, no futebol 
• O valgo do joelho pode ocorrer sem que haja um trauma, o paciente pode fazer isso por si só ao 
tentar mudar de direção 
• Quando isso ocorre o joelho fica bem inchado, porque existe uma artéria que passa dentro do 
ligamento, e quando esse rompimento do ligamento ocorre, ocorre também o rompimento da 
artéria e ocorre o acumulo de sangue dentro do joelho (hemartrose = sangue dentro do joelho) 
• Acontece mais na segunda e terceira década de vida 
• Mais predominante no sexo masculino 
• 70% dos casos é por trauma esportivo 
• 20% a 40% tem lesão de menisco associada 
• Mulheres que praticam os mesmos esportes tem 2 
a 4x mais risco de romper o LCA: 
- Relaciona-se com a anatomia mais estreita do 
condrofemural 
- Questões hormonais estão associadas, pois em 
determinados momentos do período menstrual, 
como na fase ovulatória, tem mais risco de 
acontecer a ruptura por lassidão ligamentar 
• Ligamento cruzado anterior (marcado na imagem 
em azul) liga o fêmur a tíbia – sai da face lateral do 
fêmur e se insere na face medial da tíbia 
DIAGNÓSTICO: 
• História clínica: 
- Ao mudar de direção escuta o estalido, seguido de inchaço 
• Edema + hemartrose 
• Se o paciente se apresentar com menos de dor durante o exame, faz-se o teste da gaveta anterior: 
- O teste consiste em deixar o pé do paciente preso na maca, colocar o quadril dele a 45% e o joelho 
fletido a 90%, e tentar tracionar essa tíbia anteriormente 
- A função do ligamento é impedir que essa tíbia translade anteriormente 
- Se o paciente realmente teve a lesão do LCA a tíbia vai ser tracionada anteriormente, demonstrando 
estar sem o mecanismo que trava isso, deixando o joelho com certa instabilidade 
• A confirmação é feita com ressonância magnética (corte sagital): 
- 70 a 100% de precisão para ruptura do LCA 
Ortopedia 
Bruna Argolo 
 
- Lesão aguda: é comum lesionar também o menisco lateral 
- Lesão crônica: quando a lesão cronifica (> 6 meses) é comum ocorrer 
a lesão do menisco medial pela instabilidade do joelho 
- 21 a 31% de associação com fraturas osteocondrais (durante o 
mecanismo de lesão uma parte da articulação acaba sendo arrancada) 
• Na imagem da ressonância temos desenhado em amarelo o coto 
proximal (superior) e o coto distal (inferior) do ligamento com a lesão 
no meio (o ligamento rompido) 
• No geral, o rompimento do ligamento é total, ficando no máximo 
algumas fibras fazendo a ligação entre os cotos 
• Quando vemos o sinal da gaveta positivo, vendo aquele nível de 
instabilidade, isso fala a favor da ruptura total do ligamento 
TRATAMENTO: 
• Conservador (indicado): 
- Instabilidade não justifica cirurgia 
- O tratamento cirúrgico vai ser a opção se o paciente quiser voltar a exercer a mesma atividade 
desportiva (incompatível com o tratamento conservador) 
- É feita a imobilização do joelho por um período de 3 a 6 semanas para aliviar a dor, sabendo que 
esse ligamento não vai voltar à normalidade 
• Cirúrgico: 
- Preferência para reconstrução após 3 semanas da lesão 
- Ao operar antes dessas 3 semanas o paciente ainda vai estar com 
muita dor e inchaço e isso vai desfavorecer a reabilitação = artrofibrose 
- O ligamento original é totalmente retirado e substituído por enxerto 
- Autoenxerto, aloenxerto, materiais sintéticos 
o Tendão patelar (imagem) – ao tirar uma tira do tendão patelar, 
vem junto um pedaço da patela e um pedaço da tíbia e com esse 
enxerto faz-se a reconstrução – essa opção é mais utilizada para 
pacientes com maior risco de ruptura (pacientes que fazem 
esporte de alto rendimento), mas esses pacientes não devem 
fazer esportes que precise ajoelhar, pois corre o risco de gerar 
um desconforto 
o Tendão isquiotibiais (mais comum) 
o Tendão quadríceps – utilizado em revisões da cirurgia (falha da 
primeira), pois não é um enxerto de preferência para a primeira 
tentativa, devido à dificuldade em retirar esse enxerto e devido 
a substituição não ser tão adequada 
* Os tendões vão ser usados como enxerto para reconstruir o 
LCA – faz-se um túnel na tíbia e outro no fêmur e fixa-se o enxerto com parafusos ou 
endobotons 
- Corrigir desvios de eixo (genu varo ou geno valvo) – se o paciente tem um joelho com desvio de 
eixo (torto), esse desvio deve ser corrigido junto com a cirurgia de reconstrução do ligamento, pois 
se não corrigir a tendência de falha da cirurgia é alto 
- É importante que o paciente respeite o tempo de recuperação, que é de 6 a 8 meses, pois antes 
disso tem muito risco de reruptura, principalmente ao fazer esporte 
OBS: Tem também no joelho os ligamentos cruzado posterior, o colateral lateral, e o colateral medial. 
O que tem mais tendência a realizar tratamento cirúrgico é o LCA. A conduta com o colateral medial, 
em geral, não é cirúrgica, pois ele costuma ter boa cicatrização depois da ruptura. O colateral lateral 
é muito raro de romper, mas quando rompe deve ser feito o tratamento cirúrgico. O ligamento 
Ortopedia 
Bruna Argolo 
 
cruzado posterior é ainda mais raro de romper, e está associado a trauma de alta energia, 
geralmente, sendo também indicada a conduta cirúrgica, mesmo tendo uma difícil reconstrução. 
MENISCO: 
• Preencherdor articular -> evidente incongruência entre fêmur e tíbia 
- Como pode ser observado na imagem a parte distal do fêmur é 
convexa, enquanto a parte proximal da tíbia é reta, tendo uma 
incongruência, o que faz com que o menisco seja necessário para 
corrigir essa deformidade anatômica (preenchedor articular) 
• Previnem pinçamento capsular e sinovial durante a flexão e extensão 
• Lubrificação -> ajuda a distribuir o liquido sinovial pela articulação 
• Impotentes estabilizadores rotacionais (não deixa o fêmur solto para 
girar sobre a tíbia) 
• Têm a função de absorção de choque 
DIAGNÓSTICO: 
• Quadro clínico: 
- Travamento do joelho 
- Efusão (derrame articular de liquido sinovial) 
- Falseio (perde a estabilidade proporcionada pelo menisco) 
- Dor 
- Creptação 
- Hemartrose (se lesão for em zona vermelha do menisco, que é a região irrigada) 
- Sinal de smile positivo: sensibilidade ao longo da linha articular medial ou lateral 
- Paciente impossibilitado de realizar o teste do agachamento (no movimento de flexão exagerada 
do joelho, vai ocorrer pinçamento na região lesada do menisco, o que gera dor e impossibilita de 
realizar esse teste) 
• Exames de imagem: 
- Raio X: exclui outras patologias 
- Ressonância Magnética: exame de escolha (sensibilidade de 83%, 
especificidade 84%) 
TRATAMENTO: 
• Não cirúrgico (indicado): 
- Leceração periférica, estável e pequena (5mm) pode ser tratada de forma conservadora com 
resultados satisfatórios 
- Imobilização coxo-maleolar por 4 a 6 semanas com carga parcial (pode apoiar o pé no chão, mas 
utilizando as muletas) e exercícios isométricos 
- Após a retirada da imobilização: programa de exercícios de reabilitação 
• Cirúrgico: 
- Indicações: Lesão dolorosa, lesão grande (> 5 mm), lesão em zona vermelha... 
- Sutura meniscal (utilizado em zona vermelha, pela elevada capacidade de recuperação da área) 
- Meniscectomia parcial (lesões dolorosas,lesão de zona branca...) – remove a parte do menisco que 
esta lesado – assim que ocorre a remoção a dor cessa 
OBS: A meniscectomia vai ser mais indicada para lesões menores, pois em lesões muito grandes 
vamos preferir a sutura meniscal, devido a possibilidade de instabilidade do joelho com a retirada de 
partes muito grandes do menisco 
CONDROMALÁCIA PATELAR: 
• Degeneração da cartilagem articular da patela 
Ortopedia 
Bruna Argolo 
 
• Mudança na substancia fundamental e nas fibras de colágeno na região da patela 
• Início nos níveis profundos da cartilagem – difícil de visualizar no inicio 
• Camada superficial -> tardiamente atingida 
• Classificada em 4 graus -> grau 4 (avançado, já deve ter acometimento da camada superficial) 
DIAGNÓSTICO: 
• Quadro clínico: 
- Sensação dolorida ou desconfortável na face anterior do joelho 
- Dor ao ficar sentado em uma mesma posição por muito tempo (sinal 
do cinema) 
OBS: A flexão do joelho entre 45° e 120° é o que predispõe ao maior 
contato entre a patela e a troclea e a força que se estabelece entre elas 
vai ser maior, causando dor na face anterior do joelho ao levantar 
- Creptações e dor mais evidentes ao descer escadas 
- Mulheres jovens é o grupo mais comum de ser acometido 
OBS: A força muscular do quadríceps da mulher é menor, e essa é a 
causa da predisposição 
• Ressonância magnética: 
- Mostra alteração (aspecto irregular) na superfície articular da patela 
TRATAMENTO: 
• Conservador (sempre é a escolha inicial): 
- Analgésicos 
- Mudança gesto desportivo (evitar andar de bike, por exemplo) 
- Alongamento e fortalecimento muscular – quadríceps 
- Glicosamina/colágeno – efeitos conflitantes, não sabemos ao certo se tem efeito positivo, mas 
como sabemos que não tem efeito negativo, podemos fazer uso 
- Órteses (ex.: joelheira) – nenhuma diferença a longo prazo, não muda o desfecho da patologia, mas 
pode ser usado para trazer conforto para pacientes com a patologia 
• Cirúrgico – fracasso do tratamento não cirúrgico a longo prazo: 
- Raspagem artroscópica da patela (retira a cartilagem danificada) -> resultados pobres 
- Excisão local do defeito seguido de perfuração (microfraturas) para que se forme uma nova 
cartilagem ali – formação de fibrocartilagem (cartilagem pouco resistente) – resultado também 
pobre 
- Membrana de colágeno – membrana artificial que adere ao osso subcondral – resultado também 
pobre, principalmente depois de 2 anos 
- Patelectomia – perde grande parte da força do quadríceps – pouco indicado 
OBS: O tratamento conservador é sempre a opção, já que nenhuma das cirurgias tem bom resultado 
– raramente indicado 
• Existe alguma outra opção? 
- Existe uma opção que está entre o tratamento conservador e o cirúrgico, que é a infiltração com 
ácido hialurônico, que é um lubrificante natural das articulações, então ao fazer a infiltração, melhora 
a lubrificação desse joelho, melhorando os sintomas por um período de 1 a 2 anos. 
- Ao associar o tratamento conservador, pincipalmente o fortalecimento muscular, com a infiltração 
do ácido hialurônico temos bons resultados.

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