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Bronquite Crônica em Cães Resumo por: Denise Ramos Pacheco Aula: Prof. Matheus Matioli Mantovani Medicina Veterinária UFU (2021) A bronquite pode acometer tanto cães quanto gatos! Etiologia → tosse de origem crônica (duração > 2 meses), sem causa identificada. Fisiopatologia: • Nos brônquios há musculatura e glândulas → ocorre uma hipersecreção mucoide e o espessamento da parede brônquica (hipertrofia) → obstrução de via aérea (tosse – pela presença de muco que ativa os receptores de tosse na parede brônquica). • Não se sabe a causa da hipertrofia e secreção de muco nos brônquios. Poeira doméstica pode predispor. • Predisposição racial: cães idosos e de pequeno porte (Cocker Spaniel, Poodle); em gatos não há predisposição racial. • Poodle tossindo: doença cardíaca ou bronquite (alguns dos diagnósticos diferenciais). • A bronquite crônica é um diagnóstico de EXCLUSÃO (depois que excluiu todas as outras causas de tosse, como traqueíte, neoplasia, parasitas, etc), e o animal precisa estar tossindo há mais de 2 meses sem ter descoberto a causa. Manifestações clínicas: • TOSSE → seca ou produtiva, geralmente sonora. • AUSCULTAÇÃO PULMONAR → crepitações pulmonares (geralmente mais evidente na expiração), sibilos expiratórios (dificuldade do ar em entrar dentro dos brônquios devido a broncoconstrição), síncope tussígena (desmaio após tossir muito). • Pode ocorrer cianose também. • Durante a auscultação: se houver sopro grau 3 ou maior, com crise de tosse, provavelmente é de origem cardiogênica, no caso dos cães (só tosse se houver aumento atrial esquerdo com compressão do brônquio esquerdo). Se não houver sopro e animal continuar tossindo, provavelmente é de origem respiratória. Os gatos dificilmente tossem por problemas cardíacos, é bem mais comum ser de origem respiratória. • Tosse por bronquite normalmente piora em dias secos. Os tutores relatam a tosse mais no período da manhã, mas isso não é sensível para o diagnóstico. Diagnóstico: • Exclusão de outras causas de tosse: • Colapso traqueal; • Pneumonias; • Cardiomegalia (com compressão bronquial); • Radiografia torácica: padrão bronquial evidente (em animais senis normalmente isso já é evidente); 10-15% dos pacientes em qualquer idade tem RX normal e bronquite crônica (tanto cães quanto gatos). • Broncoscopia: inflamação da parede brônquica. • Lavado brônquico: infiltrado neutrofílico (diferente de asma, que normalmente é eosinofílico). • Pode fazer tomografia também (micrometástases), diâmetro brônquico. Tratamento: • Escolha → CORTICOIDE, para o controle da inflamação. • Prednisona 1 mg/kg/VO/BID ou 2 mg/kg/BID (dependendo do caso), durante 1 semana, com redução gradual (30-45 dias) → 2 mg/kg/BID, depois de 7 dias 2 mg/kg/SID, depois 1 mg/kg/BID, depois 0,5 mg/kg/BID, dias alternados e depois suspende. Se usou a prednisona por 3 dias e o animal continua tossindo, procure outra causa da tosse! O animal com bronquite tem limpeza pulmonar por cílios diminuída, e fica mais predisposto a infecções secundárias. Sempre associado ao corticoide inalado. • Fluticasona 10-20 ug/kg/BID (corticoide inalado, pode associar prednisona com ele, para reduzir a dose da prednisona) – vantagem: pouca ou nenhuma absorção sistêmica. Usar 3 a 4 dias na semana, em dias alternados, BID - tem que ir adaptando → meta para o animal fora da crise. • Metas: 0,5 mg/kg/VO a cada 48 horas do corticoide OU fluticasona 3-4 dias na semana, ou 1x ao dia, ou dias alternados. • A doença tem controle, mas não tem cura. • Agita a solução da bombinha, burrifa 2 vezes no espaçador, e depois coloca a bombinha próximo ao focinho do animal, espera o animal fazer de 5-10 movimentos respiratórios e depois retira. • É indicado o uso de corticoide na menor dose eficaz para o resto da vida. • Cuidado: hiperadrenocorticismo iatrogênico. Prefere-se fazer o uso do oral nas crises, mas associado ao inalado. Depois que o animal se adapta ao inalado, permanece só ele, e caso haja descompensação ou crise, volta o oral. • Vaporização no banheiro por exemplo, durante o banho: só chega nas vias aéreas superiores, não é eficaz em casos de bronquite. • Nebulização/inalação: é o que esses animais precisam. Em casa: nebulização com soro fisiológico. • BRONCODILATADORES – ajudam a melhorar o sibilo, porém não combate a inflamação. • Aminofilina 6-10 mg/kg/VO/TID. • ANTITUSSÍGENO • Codeína 0,3-0,5 mg/kg/VO/TID. • MUCOLÍTICO • Acetilcisteína 3 mg/kg/VO/TID. • ANTIBIÓTICOS • Doxiciclina (bom efeito em brônquio + efeito anti-inflamatório). • Infecções secundárias. • Lavado (cultura e antibiograma) ou empírico. • CONTROLE AMBIENTAL • Redução de alérgenos. • Controle do peso. • Umidificação das vias aéreas.