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Caso Clínico 3 Paciente, M.O.C, sexo feminino, 40 anos, natural de Salvador- Ba. Comparece à UPA com queixa de “Dor na barriga” há 8 horas. Paciente refere que vinha sentindo um desconforto em todo abdome há cerca de 48 horas. Porém, nas últimas 8 horas esse desconforto se tornou uma dor intensa epigástrio/mesogástrio que vem piorando e no momento da consulta está mensurada em 9/10. Fez uso de dipirona para a dor, não havendo melhora. Relata que durante esse período teve 2 episódios de vômito e vem sentindo náuseas e sudorese desde então. Nega febre, perda de peso e obstipação. AM: Refere ser hipertensa desde os 20 anos e não faz o tratamento de forma regular( faz uso de Hidroclorotiazida 25 mg/dia e Sinvastatina 40 mg/dia). Teve um episódio de IAM há 2 anos e faz uso de AAS 100 mg/dia desde então. Nega outras patologias. AF: Os pais faleceram quando era criança. Não possui irmãos. HV: Possui hábito alimentar rico em alimentos gordurosos e de baixo valor nutricional. Não realiza atividades físicas. Nega tabagismo e etilismo. 1) SIGNIFICADO CLÍNICO DOS TERMOS DESTACADOS EPIGÁSTRIO: Região superior do abdome, que vai do apêndice xifóide até o umbigo (boca do estômago. obs: estão localizados -> extremidade pilórica do estômago, duodeno, pâncreas e porção do fígado. Hipocôndrio esquerdo – estômago, cauda do pâncreas, flexura esplênica do cólon. Flanco direito – cólon ascendente, porções do duodeno e jejuno MESOGÁSTRIO: Linha média do abdome na região periumbilical. obs: estão localizados -> omento, mesentério, parte inferior do duodeno-jejuno-íleo. NÁUSEAS: É a sensação de mal-estar no estômago (enjoo) que vem acompanhada de ânsia de vômito. SUDORESE: Transpiração em excesso. Suor excretado pelas glândulas sudoríparas em resposta ao calor. OBSTIPAÇÃO: Prisão de ventre, intestino preso, constipação. A obstipação geralmente ocorre quando as fezes permanecem no cólon (intestino grosso) por muito tempo, onde é absorvida muita água, fazendo com que estas se tornem duras e secas, dificultando a sua circulação e expulsão. HIPERTENSÃO: Pressão Arterial elevada. Doença crônica caracterizada pelos níveis elevados da pressão sanguínea nas artérias. IAM: Infarto agudo do miocárdio. HIDROCLOROTIAZIDA: Medicamento diurético, ou seja, que aumenta a eliminação de líquidos do organismo através da urina. É utilizada para o tratamento da hipertensão arterial e inchaço devido à acumulação de fluidos. SINVASTATINA: É um remédio da classe das estatinas indicada para diminuir a quantidade de colesterol ruim (LDL) e dos triglicerídeos no sangue, que quando têm os níveis altos podem se depositar na parede dos vasos sanguíneos, levando ao estreitamento ou entupimento desses vasos, aumentando o risco de infarto. AAS: ácido acetilsalicílico. É um anti-inflamatório não esteroide, que serve para tratar a inflamação, aliviar a dor e baixar a febre em adultos e crianças. 2) EXAME FÍSICO Impressão geral: Regular estado geral, LOTE, desidratada, taquipneica, bom estado nutricional, mucosas hipocrômicas (++/IV), fácies de dor, paciente em posição antálgica. -LOTE: Lúcido, orientado em tempo e espaço. -Taquipneica: Respiração acelerada. Aceleração do processo (ritmo) da respiração. -Mucosas hipocrômicas: mucosas com baixa pigmentação. -Posição antálgica: posição adotada pelo paciente,por hábito ou com o objetivo de conseguir alívio para algum padecimento (evitar a dor). Dados Vitais: PA: 120x80 mmHg; FR: 27 ipm; FC: 120 bpm; Peso: 75 kg, Altura: 1,60, IMC: 29,3 kg/ m2 -PA: Pressão arterial -FR - IPM: Frequência respiratória - inspirações por minuto. -FC- BPM: Frequência cardíaca - batimentos por minuto. -IMC: Índice de massa corporal (29,3 segundo a OMS: sobrepeso) Pele: Pele fria e pálida, sudoreica, sem cianose de extremidades. -Pele fria, pálida e sudoreica: pode ser indicativo de hipoglicemia. -Sem cianose: Ausência de cor azulada ou acinzentada da pele, das unhas, dos lábios ou ao redor dos olhos. (condição médica que afeta o paciente que passa por problemas relacionados à má oxigenação do sangue, que pode ser causada, por exemplo, por uma insuficiência respiratória, problemas circulatórios ou uma doença pulmonar). Aparelho Respiratório: Taquipneico, com padrão de respiração normal. Expansibilidade preservada, som claro pulmonar à percussão em ambos HT, e MV normal com ausência de RA. -Taquipneico: Respiração acelerada. Aceleração do processo (ritmo) da respiração. -HT: Hemitórax. É o termo usado para indicar uma das metades do tórax (esquerdo ou direito). nesse caso: Ambos -MV: Murmúrios vesiculares. São o som normal escutado no pulmão -RA: Ruídos adventícios. Aparelho cardiovascular: Precórdio calmo, sem abaulamentos, não impulsivo. Ictus não visível, presente em 5º EIC na LHC. Bulhas rítmicas, em dois tempos, normofonéticas, sem sopro. -Abaulamentos: Deformidade mais comumente encontrada na parede torácica, caracterizado pelo abaulamento ou retração do esterno. Ex: Pectus. -Ictus não visível: O ictus cordis é a pulsação do ápice do coração. É NORMAL NÃO ESTAR VISÍVEL. Pois a paciente está acima do peso, dificultando a visualização. -Bulhas Rítmicas: Sons produzidos pelo fechamento das valvas atrioventriculares e valvas semilunares respectivamente. APRESENTAM-SE RÍTMICAS. -Normofonéticas: Bulhas cardíacas normais, sem alterações. ∙ Abdome Inspeção: Abdome semi-globoso, cicatriz umbilical intrusa, ausência de visceromegalias; Ausculta: RHA diminuídos; Palpação: Abdome doloroso à palpação profunda em epigástrio/ mesogástrio. Sem sinal de descompressão brusca. Sinal de Murphy ausentes. -Abdome semi-globoso: Semi Aumento do diâmetro anteroposterior. (possui forma de globo). -RHA diminuídos: Ruídos Hidroaéreos diminuídos. -Sinal de Murphy: Realizado Compressão no rebordo costal. Se dor, é indicativo de inflamação (na vesícula biliar: colecistite). Extremidades: Sem alterações 3) EXAMES COMPLEMENTARES Laboratório Clínica FTC Hemácias: ..................4 milhões/mm³ (VR: 4 a 5,5 milhões/mm³) Glóbulos vermelhos Hb: ..............................10 g/dL (VR: entre 12 e 15g/dL) Hemoglobina - indicativo de anemia. Ht:................................. 33% (VR: entre 35 e 45%) Hematócrito - Indicativo de anemia ferropriva (causada pela deficiência de ferro e é a mais comum de todas as anemias.) Leucograma: .............17.000 (VR: 5.000 – 11.000) Quantidade e a qualidade de leucócitos (células de defesa) - Indicativo de inflamação. Neutrófilo: 5% de bastões (VR: 3- 5%) / Segmentados: 45% (VR: 45-70%) É um tipo de leucócitos (células de defesa) - indicativo de inflamação. Plaquetas: 450.000/mm³ (VR: 150.000 – 400.000/mm³) Responsáveis pelo processo de coagulação sanguínea - Indicativo de formação de coágulos. 4) LABORATÓRIO Amilase: 250 U/L ( VR: até 100 U/L) Enzima produzida pelo pâncreas e glândulas salivares que ajuda na digestão - Indicativo de problemas relacionados ao pâncreas, como no caso da pancreatite. Lipase: 100 I/L (VR: abaixo de 35 U/L) Enzima que faz parte do processo digestivo. - Níveis altos de lipase detectados no exame de sangue podem indicar um problema relacionado com o pâncreas: pancreatite aguda, câncer pancreático, hemorragias e outros Na: 130 mEq/L ( 135 a 145 mEq/L) Sódio com nível baixo - indicativo de Hiponatremia, risco de crises convulsivas, edemas cerebrais e outros. K: 3,2 mEq/L ( 3,5 a 4,3 mEq/L) Potássio com nível baixo - indicativo de Astenia (sensação de fraqueza), fadiga, formigamento, dormências, arritmias cardíacas e outros . AST e ALT: Elevadas Aminotransferases (enzimas do fígado) - Quando têm seus níveis sanguíneos aumentados é indicativo de lesão nas células hepáticas. CONCLUSÃO> Seguindo a análise dos exames laboratoriais, o quadro da paciente é indicativo de Pancreatite aguda. (deve ser analisada por um médico quanto à classificação: aguda ou crônica). será necessário exames de imagem para o diagnóstico preciso. 5) DESCREVER: 5.1 Diagnósticos de enfermagem. 1. Dor aguda e desconforto relacionado à estimulação excessiva das secreçõespancreáticas; 2. Nutrição desequilibrada: menor do que as necessidades corporais, relacionado ao consumo de nutricional inadequado; 3. Padrão respiratório ineficaz relacionado a dor intensa; 5.2 Planejamento/Implementação de enfermagem. RE: Alívio da dor; RE: Melhora do estado nutricional; RE: IMC adequado RE: Melhora da função respiratória; RE: Orientação devida sobre distúrbios pancreáticos 5.3 Intervenções de enfermagem. 1- Administrar medicamento anticolinérgicos, conforme prescrição médica; 2- Suspender a ingesta oral (justificativa: a secreção pancreática é aumentada pela ingestão de alimentos e líquidos); 3- Manter o paciente em repouso no leito; (justificativa: o repouso no leito diminui o metabolismo corporal e consequentemente reduz as secreções pancreáticas e gástricas); 4- Avaliar o estado nutricional atual e as necessidades metabólicas; 5- Fornecer uma dieta pobre de gorduras e sódio; 6- Aconselhar o paciente a evitar o uso excessivo de café e alimentos condimentados; 7- Orientar o paciente a reeducação alimentar; 8- Monitorar diariamente o peso; 9- Avaliar o estado respiratório (frequência, padrão, sons respiratórios) e oximetria de pulso; 10- Manter posição de semi-Fowler; 11- Orientar ao paciente a realizar respirações profundas e a tossir a cada hora; (limpar as vias respiratórias); 5.4 Avaliação de enfermagem. 1- Relata alívio da dor abdominal; 2- Não consome líquidos nem alimento durante a fase aguda; 3- Mantém o repouso no leito; 4- Consome alimento pobres em gordura; 5- Realiza reeducação alimentar; 6- Explica a justificativa para limitar o consumo de café e alimentos condimentados; 7- Retorna ao peso desejado e o mantém; 8- Demonstra frequência e padrão respiratório normais e expansão pulmonar completa; 9- Demonstra sons respiratórios normais e ausentes de ruídos; 10- Demonstra oximetria normal; 11- Tosse e realiza respiração profunda a cada uma hora.