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Comportamento Organizacional TOMADA DE DECISÃO Prof. Mariana Carolina Barbosa Rêgo O que é decisão? ? ?? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ?? ? ? ? Processo decisório Decidir é o processo de análise e escolha entre várias alternativas disponíveis; Seqüência de etapas que formam a decisão; Conceito inapreensível porque há dificuldades de fixar os limites de uma decisão; Processo complexo e contingencial, que depende da situação, do ambiente e de outros fatores que a influenciam. Portanto, não há linearidade do processo decisório; Etimologicamente a palavra decisão significa “parar de cortar” ou “deixar fluir”. Esse sentido de “deixar fluir” pode asseverar que a lentidão em decidir é tida como como um gargalo, que obstrui o fluxo das ações. Decisão O processo decisório racional implica a comparação de caminhos (cursos de ação) distintos por meio da avaliação prévia dos resultados decorrentes de cada um deles e do confronto entre tais resultados e os objetivos que se deseja atingir. O critério norteador de uma decisão é sua efetividade, isto é, a obtenção dos resultados máximos com meios limitados. Há uma hierarquização nas decisões: o comportamento é planejado sempre que tem objetivos, e é racional quando se escolhe as alternativas mais adequadas que levam à consecução dos objetivos. Tipos de decisão As situações simples, nas quais o indivíduo planeja e executa o seu próprio trabalho, exigem decisões mais simples. Porém, à medida que essa tarefa se expande e aumenta, exigindo o esforço de várias pessoas, a simplicidade desaparece, tornando necessário o trabalho organizado do grupo; Decisões nas organizações relacionam-se a: decisão sobre as tarefas; padrões de desempenho; sistemas de autoridade; canais de comunicação, treinamento e doutrinação; Decisão de resolução de problemas (correção/reação) e Decisão de orientação (planejamento e criação). Tipos de decisão DECISÕES PROGRAMADAS DECISÕES NÃO PROGRAMADAS Tipos de decisão DECISÕES ROTINEIRAS DECISÕES NÃO ROTINEIRAS Níveis de decisão Considerando os grandes níveis hierárquicos da organização, podem- se distinguir três níveis de decisão: • Decisões estratégicas; • Decisões táticas; • Decisões operacionais. Nível estratégico Nível tático Nível operacional Fonte: Oliveira (2010) Níveis de decisão Decisões estratégicas: decisões que afetam a empresa como um todo, tendo um impacto maior no futuro da empresa, no trabalho das pessoas e, dependendo da decisão, nos objetivos e planejamento estratégico como um todo. Nível estratégico Nível tático Nível operacional Decisões táticas: decisões que afetam uma área/parte específica da empresa e normalmente estão relacionadas ao atingimento dos objetivos de médio e curto prazo. Decisões operacionais: decisões relacionadas ao dia-a- dia da organização, o impacto é de menor amplitude e são tomadas pelos supervisores/gerentes ou até funcionários que desempenham determinada função. Costumam ter um efeito de curto prazo e visar a melhoria dos processos de trabalho e otimização da produtividade. Decisão nas Organizações A natureza, freqüência e grau de certeza que envolve um problema devem definir o nível de administração em que a decisão deve ser tomada, se referindo à sua frequência rotineira ou sua emergência e imprevisibilidade. As organizações necessitam de metas e objetivos (planejamento). Se o planejamento for estabelecido e implementado de modo adequado, os resultados programados e medidas indicarão se foram ou não alcançados, o que merece nova decisão. No planejamento estartégico, a decisão deve ser constante e contínua considerando a gravidade, urgência e tendência. Teorias de Decisão Estudo dos efeitos dos processos formais organizacionais sobre a tomada das decisões administrativas, deixando de lado variáveis individuais e interpessoais; Busca por um estilo de enfrentamento e resolução de problemas à medida que surgem como resultados de decisões; O processo decisório implica numa série de atividades que estão interligadas visando a escolha da melhor alternativa, dentre várias apresentadas para alcançar um resultado desejado (a decisão é parte do processo decisório). Decisão A literatura clássica classifica o processo decisório como um sistema que é racional, em que: ◦ O indivíduo é um processador de informações. ◦ A decisão é requerida quando o ser humano precisa escolher entre 2 coisas e é racional, o indivíduo maximiza os ganhos. ◦ O processo é lógico, porque é um processo puramente objetivo. ◦ A decisão é consistente para a maximização de valor. Decisão nas Organizações São pressupostos para a tomada de decisão racional: ◦ O problema deve ser claramente definido (não ambíguo); ◦ Há um único objetivo a ser atingido; ◦ Todas as alternativas e consequências são conhecidas; ◦ Não há limitação para custo ou tempo; ◦ A escolha final maximiza a efetividade. Modelo racional de tomada de decisões Definir o problema Identificar critérios para a decisão Atribuir valores ou pesos específicos a esses critérios Gerar/Desenvolver alternativas Avaliar as alternativas Escolher ou optar pela melhor alternativa Fonte: Robbins (2005) Etapas do modelo racional de tomada de decisão 1. Definir o problema: o problema precisa estar bem especificado. Muitas decisões mal tomadas têm origem na não-identificação o problema ou em sua identificação equivocada. 2. Identificar critérios de decisão: a maioria das decisões requer que sejam alcançados mais de um objetivo. É importante identificar todos os critérios relevantes no processo de tomada de decisão. Nessa etapa, o decisor determina o que é relevante para decidir. É aqui que entram os interesses, valores e outras preferências pessoais do tomador de decisão ou da organização. Quaisquer fatores não identificados nesta etapa são considerados irrelevantes para o tomador de decisão. Fonte: Robbins (2005) Etapas do modelo racional de tomada de decisão 3. Atribuir pesos específicos a estes critérios: critérios diferentes terão importâncias distintas para o tomador de decisão, então nesta etapa pesos são atribuídos para cada um desses critérios. 4. Gerar/Desenvolver alternativas: identificação de possíveis cursos de ação. As alternativas são apenas listadas. 5. Avaliar alternativas: até que ponto cada uma das soluções alternativas atende a cada um dos critérios definidos, os pontos fortes e fracos de cada uma. Essa costuma ser a etapa mais difícil do processo decisório, pois requer previsão de eventos futuros. 6. Escolher ou optar pela melhor alternativa Fonte: Robbins (2005) Premissas do Modelo • Clareza do problema – o problema está claro e sem ambiguidades. O tomador de decisões deve ter todas as informações em relação à situação da decisão. • Conhecimento das opções – é pressuposto que o tomador de decisões pode identificar todos os critérios relevantes e listar todas as alternativas viáveis. Mais ainda, que ele esteja ciente de todas as consequências possíveis para cada alternativa. • Clareza das preferências – a racionalidade assume que os critérios e alternativas devem poder ser classificadas e ponderados para refletir sua importância. Fonte: Robbins (2005) Premissas do Modelo •Preferências constantes – pressupõe-se que os critérios específicos de decisão são constantes e que os pesos atribuídos a eles são estáveis no correr do tempo. • Ausência de limitação de tempo ou custos – o tomador de decisões racional pode obter todas as informações sobre critérios e alternativas porque pressupõe não haver limitações de tempo ou de custos. • Retorno máximo – o tomador de decisões racional irá escolher a alternativa que resulte no máximo valor percebido. Fonte: Robbins (2005) Problemas no processo decisório Problemas complexos de tomada de decisão são comuns em uma infinidade de organizações, tanto públicas quanto privadas. Os problemas mais comuns são: • Os critérios de resolução do problema são, no mínimo, dois que conflitam entre si. • Tanto os critérios comoas alternativas não estão claramente definidos, e as consequências da escolha de uma determinada alternativa, com relação a pelo menos um critério, não são devidamente compreendidas. • Os critérios e as alternativas podem estar interligados, de forma que a eficácia em optar por uma alternativa específica depende de que uma outra seja ou não escolhida, no caso de alternativas mutuamente excludentes. Fonte: Gomes, Araya e Carignano (2004) Problemas no processo decisório • A solução do problema depende de um conjunto de pessoas, cada uma com seu próprio ponto de vista, muitas vezes conflitante com o das demais pessoas. • As restrições do problema não estão bem definidas, podendo existir dúvidas a respeito do que é critério e do que é restrição. • Alguns dos critérios são quantificáveis, enquanto outros somente o são por meio de juízos de valor efetuados sobre uma escala. • A escala para um determinado critério pode ser cardinal, verbal ou ordinal, dependendo dos dados disponíveis e da própria natureza dos critérios. Fonte: Gomes, Araya e Carignano (2004) Processo decisório A racionalidade privilegia o ato em si e a capacidade intelectual, não considerando os impulsos, sentimentos, emoções e outros fatores que alteram a visão da realidade. Por outro lado a teoria contemporânea do processo decisório procura mostrar a importância do uso da intuição, dos instintos e percepções individuais na tomada de decisão. Processo decisório Nas organizações, decisões acontecem a todo instante, em níveis distintos de complexidade e importância, voltadas para situações atuais ou futuras. O processo decisório deve refletir as metas da organização, impondo-lhe um ritmo adequado. Muito importante para tomada de decisão é dimensionar o ambiente da organização e aceitar sua influência. Processo decisório: negociação política, reflexo da quantidade de poder concentrado na organização. O processo decisório seria mais eficiente na medida que a racionalidade fosse preponderante; porém decisões humanas nem sempre refletem o grau máximo de racionalidade. Percepção na tomada de decisão A percepção que se tem da realidade é um fator determinante no processo de tomada de decisão. Percepção: “processo pelo qual os indivíduos organizam e interpretam suas impressões sensoriais com a finalidade de dar sentido e significado a um dado estímulo ambiental”. A percepção em relação aos comportamentos manifestados sofre o impacto de suposições e inferências. Decisão A racionalidade é limitada, porque é impossível para uma pessoa processar grande volume de informações a respeito da situação para uma análise mais completa, indo além de suas capacidades. o O tomador de decisão não consegue lidar com a quantidade de estímulo que é dada; o Atenção seletiva: as teorias de Marketing trabalham muito nesse ponto e cabe a eles fazer uma propaganda que chame a atenção do público alvo. Erros e vieses do processo decisório Pela racionalidade ser limitada e pelo processo decisório passar pela percepção da realidade do decisor, existem uma série de erros e vieses sistemáticos que atrapalham o seu julgamento. Isso acontece por causa da tentativa de agilizar o processo decisório. Para minimizar os esforços e evitar dilemas, as pessoas tendem a se valer excessivamente da própria experiência, de seus impulsos e de regras de “senso comum” convenientes no momento. Em muitas situações, esses atalhos podem ser válidos. Contudo, eles também podem conduzir a sérias distorções da realidade. Fonte: Robbins (2005) Erros e vieses do processo decisório VIÉS EXCESSO DE CONFIANÇA Quando o tomador de decisão avalia que os cenários são melhores do que realmente são. O excesso de confiança no seu desempenho e conhecimento sobre o assunto o faz tomar uma decisão errada. VIÉS DE ANCORAGEM É a tendência de nos fixarmos em uma informação como ponto de partida. A nossa mente dá uma ênfase desproporcional à primeira informação que recebemos e temos dificuldade de ajuste as informações posteriores. Fonte: Robbins (2005) Erros e vieses do processo decisório VIÉS EXCESSO DE CONFIRMAÇÃO Levantamos informações seletivamente e não objetivamente. Buscamos informações que corroborem nossas escolhas anteriores e desprezamos aquelas que as contestam. Isso influencia nossas escolhas das fontes de informações, pois tendemos a busca-las onde sabemos que encontraremos o que queremos ouvir. Damos mais importância a informações colaborativas e desprezamos as contraditórias. Fonte: Robbins (2005) Erros e vieses do processo decisório VIÉS DA DISPONIBILIDADE Tendência de as pessoas julgarem as coisas com base nas informações mais disponíveis para elas. Eventos que despertam nossas emoções ou que ocorreram mais recentemente tendem a estar mais disponíveis em nossa memória. VIÉS DA REPRESENTATIVIDADE Distorção da realidade ocasionada pelo quão representativo determinada situação é, dada a nossa percepção limitada. Fonte: Robbins (2005) Erros e vieses do processo decisório ESCALADA DO COMPROMETIMENTO Tendência de aumentar o comprometimento quando um curso decisório apresenta uma série de decisões. É o apego a uma decisão anterior, mesmo quando fica claro que ela foi um erro.. ERRO DA ALEATORIEDADE Os seres humanos têm uma dificuldade de lidar com o acaso. Acreditamos que temos algum controle sobre o mundo e sobre o próprio destino. O processo decisório fica comprometido quando tentamos captar sentido em eventos aleatórios. E isso prejudica a organização quando o vira superstição, pois podem atrapalhar julgamentos cotidianos ou distorcer uma decisão importante. Fonte: Robbins (2005) Erros e vieses do processo decisório VIÉS DA COMPREENSÃO TARDIA É a tendência de achar que sabíamos antecipadamente o resultado de um evento depois de ele ter ocorrido, porque temos dificuldade de lembrar com precisão o que pensávamos que ia acontecer em relação a um evento antes de conhecer seus reais resultados. Por outro lado, temos facilidade de para reconstruir esse passado, superestimando o que realmente sabíamos, com base no que soubemos depois. Assim, esse viés é resultado tanto da nossa memória seletiva como de nossa capacidade de reconstruir previsões anteriores. O problema desse viés é que reduz a nossa capacidade de aprender com o passado. Ele permite que acreditemos que somos melhores do que realmente somos em fazer previsões e nos torna muito confiantes sobre a precisão de nossas futuras decisões. Fonte: Robbins (2005) Processo decisório Características pessoais passaram a ser consideradas. Existem variáveis de contexto que são capazes de intervir e minar a racionalidade. Estudos mais recentes sobre processo decisório passaram a considererar características pessoais, valores, emoções e intuição. A racionalidade limitada explica porque temos dificuldade de tomar algumas decisões, principalmente urgentes. Intuição no processo decisório A intuição pode ser uma força poderosa no processo de tomada de decisões. A tomada de decisão intuitiva é um processo inconsciente gerado pelas experiências vividas. Não funciona necessariamente como uma alternativa ao método mais racional; na verdade eles são complementares. A experiência nos permite reconhecer o padrão de cada situação e usar informações previamente aprendidas, associadas àquele padrão, para escolher rapidamente a decisão. O resultado é que um tomador de decisões intuitivo é capaz de decidir rapidamente com base no que parece no volume de informações que tem. Fonte: Robbins (2005) Intuição no processo decisório Durante a maior parte do século XX, acreditou-se que o uso da intuição pelos tomadores de decisão era irracional e ineficaz. Isso não acontece mais. Existe um reconhecimento cada vez maior de que o modelo racional tem sido superenfatizado e de que, em certas situações, confiar na intuição pode resultar em melhores decisões. Apesar disso, não se deve esperar que os tomadores de decisão admitam abertamente a utilização da intuição. As pessoas altamente intuitivasnão costumam revelar aos colegas como chegaram às suas conclusões. Fonte: Robbins (2005) Intuição no processo decisório Quando as pessoas usam mais a intuição para tomar suas condições? 1. Quando existe um alto nível de incerteza; 2. Quando há poucos precedentes em que se basear; 3. Quando as variáveis são menos previsíveis cientificamente; 4. Quando os “fatos” são limitados; 5. Quando os fatos não indicam claramente o caminho a seguir; 6. Quando os dados analíticos não são muito úteis; 7. Quando existem várias alternativas plausíveis, todas com boa justificativa; 8. Quando há limitação de tempo e existe uma pressão para que se chegue rapidamente à decisão certa. Fonte: Robbins (2005) Ética na decisão O que relevar ao tomar uma decisão, quais variáveis? Influência de aspectos afetivos ou relacionados à emoção na decisão? Discussão, problematização e interpretação do significado moral de uma decisão. A decisão deve se basear no utilitarismo (quais consequências e resultados da decisão) e da legalidade (decisão em função de resultados, mas respeitando limites jurídico-legais e administrativos) Referências Gomes, L. F. A. M., Araya, M. C. G., & Carignano, C. (2004). Tomada de decisões em cenários complexos: introdução aos métodos discretos do apoio multicritério à decisão. São Paulo: Thompson Learning. Oliveira, D. P. R. (2010). Planejamento estratégico: conceitos, metodologias e práticas. São Paulo: Atlas. Robbins, S. (2005). Comportamento Organizacional. São Paulo: Pearson Prentice Hall.