A interdisciplinaridade no processo de alfabetização exige uma reconfiguração da prática pedagógica. Mais do que juntar conteúdos de diferentes áreas, ela demanda a criação de situações em que a linguagem escrita funcione como instrumento real de pensamento, expressão e aprendizagem. Essa abordagem reconhece que a leitura e a escrita não se esgotam na sistematização do código alfabético, mas assumem diferentes funções em cada campo do saber. Relatórios científicos, cartas argumentativas, mapas descritivos e narrativas históricas são exemplos de práticas interdisciplinares que mobilizam a linguagem para muito além da ortografia. Ao tornar a linguagem funcional, o estudante desenvolve não só habilidades técnicas, mas também sua capacidade de refletir, criar e se posicionar. Essa proposta demanda, contudo, que os professores superem o modelo disciplinar fragmentado e pensem a linguagem como um eixo articulador. Para isso, é necessário um planejamento colaborativo, a escuta ativa das vivências dos estudantes e a valorização de suas culturas. A alfabetização, nesse contexto, torna-se um projeto coletivo de formação crítica e sensível. Considerando o papel da linguagem na alfabetização